terça-feira, 30 de julho de 2013

Évora a dois meses das eleições autárquicas


As eleições autárquicas realizam-se precisamente dentro de dois meses. Com as férias, pode-se dizer que elas estão mesmo aí “à porta”, estando os diversos partidos a tratarem de finalizar as listas, uma vez que terão que ser entregues até ao dia 5 de Agosto. 
Quanto a Évora a pré-campanha parece estar numa fase mais do que morna, apesar dos candidatos do PS e da CDU andarem numa roda viva por tudo quanto é festa de aldeia – às vezes os staffs partidários quase são mais do que os participantes nos festejos -, reservando para depois das férias iniciativas de maior vulto.
Regra geral, dizem os entendidos, a campanha eleitoral, propriamente dita, tem pouco impacto, a não ser no convencimento de alguns eleitores que estão hesitantes até quase ao último momento sobre o seu sentido de voto. 
No caso de Évora, onde a margem entre o PS e a CDU, há quatro anos, se situou nos cerca de mil votos (1.168 votos) , esta “pesca à linha” pode ser importante. Há quatro anos a abstenção no concelho de Évora foi superior a 45 por cento e estima-se que este ano possa ser ainda maior, o que poderá complicar algumas das contas que estão a ser feitas pelos estados-maiores partidários. 
De concreto, pode-se dizer que o PS neste momento ainda mantém a Câmara, apesar de ter um candidato por todos considerado como “muito fraco”, uma vez que a CDU e a sua candidatura ainda não mostraram um elan suficiente que permita dizer que está em condições de assegurar a vitória. Pelo contrário, hoje as condições para a CDU ganhar a Câmara são mais difíceis do que há quatro anos, quando o PS estava no Governo e José Ernesto Oliveira, já desgastado e alvo de muitas críticas, se recandidatava a um 3º mandato.
Na altura, mesmo com um candidato pouco conhecido como Eduardo Luciano, a CDU obteve um resultado histórico que não é certo que Pinto Sá, embora mais experiente e mais reconhecido publicamente, consiga agora ultrapassar, obtendo os votos que separam o PS da CDU e permitindo à coligação comunista a conquista da Câmara.
Para além do contexto geral ser hoje mais desfavorável à CDU do que ao PS (agravamento do nível de vida, medo da incerteza quanto ao futuro, subida do PS nas intenções de voto a nível nacional, penalização das medidas governamentais) do que há quatro anos atrás, também a nível local existem outras incertezas. 
1 - A fraqueza da coligação PSD/CDS em Évora poderá deslocar votos. Para quem? Essa é ainda uma incógnita; 
2 - Por outro lado, a candidatura reforçada do BE (mesmo ao nível das freguesias urbanas) irá ter uma expressão eleitoral com maior significado? E se isso acontecer, que partido irá penalizar? O PS ou a CDU?;
3 - Se houver uma maior abstenção quem serão os partidos mais prejudicados? O mais votado, PS? Ou, também, a CDU?
São perguntas importantes a que os dois próximos meses poderão dar algumas respostas. Os resultados destas eleições vão, por isso, depender muito do que vão ser a pré-campanha e a campanha eleitoral. Até agora, os debates entre candidatos não têm existido. Parece mesmo que não há um grande interesse em debates neste momento (sobretudo por parte do PS e do PSD). 
A juntar a isto existem outras questões: a cidade de Évora comporta-se já como um núcleo citadino, urbano, em que a informação tem dificuldade em circular, uma vez que as redes de comunicação locais (como nas aldeias) já não funcionam aqui e, ao mesmo tempo, existe défice de outros canais informativos. O “Diário do Sul” ainda representa a grande e quase única fonte de informação local para muitos cidadãos eborenses, sendo as rádios locais escassamente ouvidas.
Isto dificulta também em muito o trabalho de propaganda eleitoral que, a não ser feitos pelos próprios partidos duma maneira eficiente, se arrisca a que chegado o dia das eleições haja muitos eleitores que nem saibam quem se candidata e a quê. Claro que neste “jogo informativo” quem mais se trama são as formações políticas mais pequenas, com menos meios e menor capacidade de chegar aos eleitores…

8 comentários:

  1. O Tribunal de Contas (TdC) detetou pagamentos “ilegais” de quase 500 mil euros por parte da Câmara de Évora ao consórcio que construiu uma escola no concelho, antes do visto prévio do contrato, foi hoje divulgado.
    Contactado hoje pela Lusa, o atual presidente da Câmara de Évora, Manuel Melgão, referiu que as obras de construção da Escola Básica Integrada com Jardim de Infância (EBI/JI) de Canaviais foram financiadas por fundos comunitários, através do Programa Comunitário InAlentejo.

    “Foram adiantadas verbas para a obra” e o InAlentejo “impunha um prazo de entrega do dinheiro ao empreiteiro” e “isso foi cumprido sem o visto prévio” do TdC, disse o autarca, frisando que o procedimento “não teve qualquer consequência para a obra nem para a câmara”.
    Num relatório datado de abril, mas hoje divulgado, o TdC realça que o contrato para a construção da escola foi outorgado com o consórcio, constituído pelas empresas Ecociaf e Certar, no dia 08 de outubro de 2009, num montante de quase 2,5 milhões de euros.
    O contrato foi remetido ao TdC para efeitos de fiscalização prévia, mas foi recusado o visto a 22 de julho de 2011, tendo o município interposto recurso e visto revogada a decisão no dia 21 de março de 2012, precisa a instituição liderada por Guilherme d’Oliveira Martins.
    Contudo, segundo o Tribunal de Contas, “foram efetuados pagamentos a 30 de setembro de 2010 e a 15 de outubro de 2010 no montante total de 499.598,36 euros”, os quais “são ilegais”, porque “o contrato de empreitada em apreço encontrava-se sujeito a fiscalização prévia”.
    O TdC responsabiliza o antigo presidente do município, José Ernesto Oliveira, que abandonou o cargo em abril, e realça que a infração “é suscetível de consubstanciar a infração financeira” nos termos da Lei da Organização e Processo do Tribunal de Contas (LOPTC).
    No relatório, a instituição indica que vai enviar o processo para o Ministério Público e recomenda ao município “o cumprimento dos condicionalismos legais respeitantes à sujeição dos contratos a fiscalização prévia do TdC, à produção dos seus efeitos e aos prazos estabelecidos para o seu envio e/ou resposta e constantes”.

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  2. Até agora o grande caso é a "guerra" das sedes de candidaturas.


    PS e PSD parece não estarem interessados em debates.

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  3. E eu a pensar que os grandes casos seriam a recusa de debates por parte de PS/PSD e o negócio ruinoso das águas.

    Mas, pelos vistos, há quem tenha interesse em desviar as atenções.

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  4. «hoje as condições para a CDU ganhar a Câmara são mais difíceis do que há quatro anos, quando o PS estava no Governo e José Ernesto Oliveira, já desgastado e alvo de muitas críticas, se recandidatava a um 3º mandato»

    Por mais que reflicta não consigo vislumbrar onde o LB descobriu as condições mais difíceis para a CDU do que há 4 anos.
    Pelo contrário, se não houver alterações impostas pelo Tribunal Constitucional, decorrente, da interpretação da Lei da acumulação de mandatos, nunca vi, nos últimos 12 anos, condições tão propícias para a CDU voltar a ganhar a câmara.

    E as razões são de vária natureza:
    - Desde logo a dificuldade que o PS teve em encontrar um candidato disposto ao sacrifício, após recusa de vários pesos pesados locais (Capoulas, Serrano, Nico…).
    - depois a confirmação do ruinoso negócio da entrega das águas à AdCA;
    - a seguir a evidencia da falência organizativa da CME, que obrigou à segunda restruturação dos serviços em 12 anos. Ou seja: é o PS a assumir publicamente o descalabro da sua gestão e a restruturar as sua própria estrutura de 2004;
    - e sem esquecer a evidência da falência financeira da CME, que obrigou a CME a entrar no PAEL e a entregar-se nas mãos do Ministério das Finanças durante 20 anos.

    Como se vê a razões são muitas para concluir pelo falhanço desta gestão PS. Uma gestão onde ao actual candidato esteve nada mais nada menos que 8 anos. E sem que ninguém lhe conheça uma ideia ou uma acção de relevo.
    Ora se isto não são razões que favorecem a oposição e não eram nada óbvias há 4 anos, vou ali e já venho…

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    1. Tens toda a razão. É demasiado evidente que o Luis Bernardes não mora no concelho e vai tecendo comentários a partir do que lê aqui no blog e na net. No entanto, tem razão num aspeto: não é certo que a CDU ganhe, longe disso. Ou se mete a fundo na campanha ou daqui a quatro anos há mais.

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  5. Nem lá vou votar!

    Pela 1ª vez.
    Puta que pariu os pob(d)res partidos que existem.

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    1. Pois eu vou apesar de ainda não saber em quem voto.
      Só tenho uma certeza, voto CONTRA o situacionismo!

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    2. Situacionismo é mais do mesmo!
      O partido comunista e o bloco de esquerda vivem em Berlin Leste. O Bloco anda em cima do muro a espreitar para o ocidente mas com vergonha de pular e o PC vive sozinho e esclerosado numa de racionalização de bens essências.
      O PS, CDS e PSD são os podres. Os corruptos.

      Não há meio termo na politica Portuguesa

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