terça-feira, 23 de julho de 2013

Entrevista de Paulo Jaleco à rádio diana


O prometido é devido e este fim de semana tive tempo para ouvir a entrevista do candidato do PSD, Paulo Jaleco à rádio Diana. De Paulo Jaleco, um médico, desde sempre comprometido com as coisas do desporto já se sabe que não é um político e que o PSD/CDS esperam que ele, com algum carisma que mantém nalguns meios da cidade, possa evitar a derrocada que muitos adivinham (nomeadamente a perda do vereador). É possível que Paulo Jaleco evite a perda do vereador laranja - sobretudo por não ter um discurso político nem ser muito identificável com a actual maioria que gere o país. E isso ficou bem patente nesta entrevista. Percebeu-se que Paulo Jaleco tem "umas ideias gerais" sobre Évora e o seu patamar de discussão está ao nível das conversas de café que todos temos. Tem umas ideias sobre o Garcia de Resende, o envolvimento dos agentes, a necessidade de aproveitar todos os investimentos, a certeza de que a situação financeira da Câmara não permite grande obra, mas pouco mais - aliás, por meia dúzia de vezes disse que foi convidado para candidato só há alguns meses e que só agora está a estudar alguns dossiers.
Ao ouvir a entrevista fica a sensação que Paulo Jaleco é honesto no que diz: não sabe e diz que não sabe, evitando pôr-se em bicos de pés e sabendo que o que está em jogo não é a sua eleição para presidente de Câmara mas apenas como veredor - e o mais provável ficando sem pelouro (e se o conseguir é um bom resultado!)
A entrevista seguiu o formato das realizadas a Calos Pinto Sá e a Maria Helena Figueiredo, com José Faustino a "mostrar", mais uma vez, que a entrevista a Manuel Melgão foi a excepção - em que a combinação de assuntos a tratar e a não tratar foi mais do que evidente.
De Paulo Jaleco pode-se dizer que é um candidato fraco - mas, neste momento, ao PSD/CDS seria dificil encontrar melhor.


Ouvidas as quatro entrevistas, embora sem ser brilhante, Pinto Sá, o candidato da CDU, (com anos e anos de tarimba) foi o que mostrou melhor conhecer os dossiers - apesar das referências constantes a Montemor e ao "peso" do sector agrícola - que, diferentemente de Montemor, quase não se nota em Évora - e ter ideias precisas e melhor delineadas;
Maria Helena Figueiredo, do Bloco de Esquerda, apesar de se lhe notar um grande voluntarismo, sente-se que é uma "novata" nestas andanças, com um discurso muito genérico, e ainda pouco à vontade;
Manuel Melgão, nesta série de entrevistas da Rádio Diana, foi a maior desilusão: actualmente presidente de Câmara e com oito anos de experiência autárquica em Évora esperava-se dele um discurso mais estruturado, mais afirmativo e, pelo menos, mais entusiasta. Não foi nada disso. Compreende-se porquê a sua recusa em participar em debates até agora.
Paulo Jaleco não esteve mal nem bem: é assim. A sua ambição também é quase nenhuma - segurar o máximo possível os votos do PSD e do CDS de há quatro anos para evitar a perda do vereador. E para isso tem o perfil certo: ninguém o vê como político, muito menos comprometido com a gestão PSD/CDS a nível nacional.

13 comentários:

  1. Nas eleições autárquicas eborenses, para eleger de certeza um vereador é preciso ter 14,3% dos votos expressos. Abaixo disso, pode-se eleger, mas não é seguro e fica dependente das percentagens das outras forças políticas.

    Ora o BE nas últimas autárquicas teve 2,8% e nas penúltimas 2,7%. Mesmo que, por milagre, ultrapassasse os 10% (percentagem abaixo da qual nem vale a pena sonhar em eleger), para poder ficar com o sétimo vereador, ainda teria que ser mais votado que a coligação PSD/CDS-PP (admitindo que esta ficasse também abaixo do limiar dos 14,3%), cujos partidos somaram 19,9% em 2009.

    Tarefa quase impossível. Mas o grande drama desta candidatura é que o seu eleitorado potencial é extremamente sensível ao voto útil no PS ou na CDU, que, apesar das campanhas muito mornas, vão disputar renhidamente a conquista da presidência, numa batalha de desfecho imprevisível, que pode muito bem ser decidida por pouquíssimos votos.

    Nas últimas eleições este efeito do voto útil já foi bem visível na diferença das percentagens do BE para a Assembleia Municipal (4,4%) e para a Câmara (2,8%). Agora esse efeito ainda será maior. Independentemente das suas simpatias por este partido, vários eleitores quererão ter uma palavra a dizer, porventura decisiva, na contenda entre PS e CDU, sentida como a de maior importância para a vida autárquica do concelho.

    Neste contexto, é extremamente duvidoso, pese à vontade dos seus apoiantes, que o Bloco consiga melhorar significativamente a votação.

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    1. Boa análise. Concordo com Luis Bernardes e também com o anónimo das 16,26. No entanto, se o Bloco neste contexto conseguisse, por exemplo duplicar a votaçao, mesmo não elegendo nenhum vereador, seria um óptimo resultado e abriria boas perspectivas para um trabalho futuro de sedimentação do partido a nível local.Daí que me pareça que um bom resultado para o BE, ao contrário de qualquer um dos outros partidos, não passa necessariamente pela obtenção de eleitos na Câmara. Na Assembleia, o objectivo é diferente. O BE já aí tem um eleito e tudo o que for menos do que isso é uma derrota.

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    2. Acho excessivo dizer que tudo menos do que isso é uma derrota. A assembleia municipal eborense tem 21 eleitos e, para eleger 2, o Bloco teria que subir muitíssimo, para aí duplicar a percentagem.
      E de facto o nº 2 foi bastante mal escolhido. Além de que deveria ter sido uma mulher.

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    3. O 2º às vezes dá-lhe uns trejeitos (aprendeu muito nas escolas do partido). Deve acentuá-los?

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    4. Mas afinal quem é o 2º?

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    5. É o marmanjo do Bento.

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  2. Conhecimento de dossiês? Quais?
    Há dívidas (em especial aos fornecedores e à banca) superiores às receitas e o problema da água. São estes os verdadeiros Dossiês em Évora.

    Depois ou se conhece como funciona uma administração autárquica ou não se conhece. Jaleco e Helena Figueiredo não sabem como funciona uma autarquia mas também não importa, pois não é para ganhar. Independentemente do PSD poder dar formação rápida (tipo universidade de verão para um cota) à pessoa.

    Isto resume-se ao Pinto de Sá - raposa velha - que tem a máquina de propaganda do PCP sempre oleada (embora a perder óleo e ligada com arames como um mustang de 1950 em Cuba) e ao Melgão - politicamente fraco mas conhecedor da administração - que tem a vantagem de ter os MEDIA e influentes agentes da Sociedade Civil interessados que o PS volte a ganhar.

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  3. A radio Diana e um exemplo a não seguir por nenhuma organização empresarial;- não tem identidade não tem valores , a missão entende-se ....( estão-me a entender ) e o seu Diretor , o Sr.Faustino de profissional nada tem , deixa-nos apenas uma refência sempre que comunica na rádio, suplicando a cada um dos ouvintes- IGNOREM-ME, estão a perder o vosso precioso tempo , que mesmo não utilizado é melhor utilizado do que a ouvir-me, pois a minha falta de ideias e a minha capacidade para me deixar influenciar a favor dos meus intreresses é coisa que não consigo controlar e até qme convenço e acredito que atiro areia para os olhos dos outros, mas sempre que sonho alguem me diz que sou uma sem principios, mas não sei porque não me sinto ofendido

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  4. Concordo genericamente com a análise do Luis Bernardes. Tenho acompanhado de perto as análises que tem feito aos entrevistados/cabeças de lista à CME. Não sou eborense , optei por viver em Évora na década de 80 e por aqui fiquei. Conheci esta cidade e apaixonei-me por ela. Ao fim de 30 anos há dias em que me arrependo de aqui me ter fixado. Os últimos 12 anos têm sido a desilusão mais completa. Aqui criei os meus filhos e agora vejo-os partir, num regresso às origens, porque aqui não há futuro ! Que ironia do destino: vim para Évora para proporcionar melhor qualidade de vida à família e agora vejo-me privado dos filhos e a viver numa cidade que é uma sombra daquela que eu conheci. Évora passou de bestial a besta, perdoem-me a expressão.
    No dia 29 de Setembro, o que vai interessar ao povo eborense (concelho incluído) é quem está melhor preparado para gerir o território, os recursos e para devolver à cidade a dinâmica entretanto perdida. Neste campo não há dúvidas que o PCP leva vantagem pela experiência autárquica dos seus membros efectivos. Analisando ao pormenor foram escolhidas pessoas ligadas à câmara (presidência e vereação) e às freguesias (dois presidentes de Junta em funções e que também passaram pela Assembleia Municipal). O BE tem uma lista muito fraca do ponto de vista da gestão autárquica e, quem quer vencer ou aumentar as votações, tem de se apresentar com candidatos que já tenham traquejo e que, de preferência, tenham feito o percurso freguesias/câmara. O saber adquirido nos órgãos autárquicos e a escola da CDU de trabalhar com as populações e com o movimento associativo, aliados a um péssimo trabalho do PS nos últimos 12 anos e a candidatos fracos do BE ( nomeadamente os da câmara e o nº 2 para a assembleia municipal, Bento Anastácio, de longa data militante do PCP- Évora, conhecido por ter umas certas dificuldades de gestão interpessoal)à quase desistência por antecipação do PSD , a luta vai ser entre PS e CDU, mais uma vez. A bem de Évora e do concelho, faço votos para que o PS saia de vez da Câmara e que o povo eborense saiba demonstrar que já basta de tanta incompetência. Aonde será preciso chegar para perceber que Melgão e Claudia Pereira nada mais têm mais para dar a esta cidade/concelho? Apesar da escolha do nº 2, um homem simpático, trabalhador e presidente de junta de uma pequena freguesia, não basta para inverter as políticas desastrosas de que esta cidade foi vítima nos últimos 3 mandatos: perdeu-se emprego,perdeu-se população, a cidade desvalorizou em termos de imagem externa, o centro histórico degradou-se, a cidade perdeu a sua centralidade no Alentejo e definha de dia para dia. As dívidas, diz-se que superiores a 80 milhões, e a adesão ao PAEL vão agravar ainda mais as dificuldades que esta gestão PS trouxe para os eborenses. Nada disto foi abordado na entrevista de Faustino a Melgão... Propositadamente Radio Diana e Diário do Sul, branqueiam a gestão desastrosa do PS. É tempo de dizer basta ! Basta ! Até onde precisamos chegar para dizer basta ?

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    1. Nada pior que os ressabiados mentirosos para alguém sério como o Melgão. Ele não lhes vai responder. Para certas mentes isso produz efeitos.

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  5. MELGÃO,está caladinho,não aceites debates........o faustino e o trigo resolvem.

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  6. Em relação ao candidato do PSD/CDS, parece-me ser corajosa no que diz respeito a uma candidatura em coligação. Não auguro grande resultado.
    Em relação ao Sr. Manuel Melgão, não era de esperar outra coisa, o deserto de ideias e a incapacidade de se descolar de uma gestão que é uma calamidade para cidade, pois realmente fez parte dela e nunca se opôs a ela, e como tal ele é o rosto da destruição de Évora em 12 anos de poder PS. Temos que reconhecer que esta rádio de verdadeiro pendor PS, fez um belo esforço e tudo fez para que o apagado Sr. Manuel Melgão brilhasse.
    Infelizmente a isenção jornalística é coisa que não abunda em determinados órgãos de comunicação local em Évora. É clara e deliberada a instrumentalização deste órgãos para tentar manter um PS moribundo.

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  7. Quem é o Sr Luis Bernardes, agora guindado a comentador político da realidade de Évora ?
    Qual a sua formação, o que faz, por onde anda?
    era bom sabermos, não acha o a 5 tons?

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