quinta-feira, 18 de julho de 2013

Conversa sobre a cultura: será desta que o Salão Central é recuperado?


Ontem assisti (e participei) na "conversa" organizada pela Colecção B, na Igreja de São Vicente sobre as ideias para a cultura em Évora trazidas por um conjunto de cidadãos. Inicialmente estava previsto um debate sobre as propostas culturais das diversas candidaturas e todas terão sido convidadas para esse efeito. O PS disse que só participa em debates depois da formalização oficial das candidaturas e, pelo que se sabe, o PSD nem sequer respondeu. Daí que a Colecção B tenha convidado os cidadãos, que o quisessem, para aparecerem na "conversa" e apresentarem as suas ideias e propostas sobre este tema.
Comparecemos ao encontro cerca de 30 cidadãos. Alguns fazendo parte das listas candidatas à Câmara, outros não. Candidatos nas listas à autarquia estavam Carlos Pinto Sá e Élia Mira, da CDU, e Maria Helena Figueiredo, do Bloco de Esquerda.
Das muitas intervenções (mais espaçadas ao príncípio, mais animadas ao fim) ressaltaram duas ideias: é preciso que quem vença as eleições tenha uma nova, diferente, transparente e honesta relação com os agentes culturais, uma vez que o actual executivo os tem tratado "abaixo de cão" e, mais do que ouvir os agentes (sejam culturais, desportivos, sociais, etc.) é necessário envolvê-los na definição das políticas para cada um destes sectores.
Apesar de algum consenso - é necessário alterar o rumo que os assuntos culturais e patrimoniais têm tido em Évora nos últimos 12 anos - notou-se também alguma diferenças de olhar: o sector mais próximo ao PCP e também ao Bloco de Esquerda defende uma intervenção mais activa da Câmara enquanto promotor cultural, enquanto que outras vozes (a minha, por exemplo) defenderam a acção da Câmara mais como "facilitadora" da acção dos agentes culturais do que como promotora de iniciativas. Ressaltei, por exemplo, o perigo do dirigismo em termos culturais, onde as Câmaras assumem um "discurso" ideológico próprio que (com razões fundamentadas ou não) impedem a criação e a inovação artísticas que, por norma, são sempre anti-poder e anti-sistema. Por outro lado, numa cidade da dimensão de Évora é dificil falar em Cultura. Não me parece que isso exista: o que existem são culturas, muitas delas minoritárias, outras experimentais, outras que estão a nascer e que só o tempo vai sedimentar... O "arco cultural do sistema" é vasto e integra desde o rap contestário ao Tony Carreira de todos os amores. Todos fazem parte da sociedade do espectáculo, que não é necessariamente cultura. 
Daí que as intervenções também tivessem sido diversas, mas com pontos em comum. Um deles é que uma parte dos nossos impostos tem que ser destinada a pagar o serviço público que muitos destes grupos prestam à colectividade em que se inserem. Mas tem que ser um pagamento com regras e com critérios, também transparentes, claros e sem quebra das regras do jogo - já não se pode aceitar que os apoios sejam dados segundo a cor política ou o pagamento de favores por parte do poder político aos agentes, sejam eles culturais, desportivos, etc., como tem acontecido até aqui (pelo menos enquanto havia dinheiro).
Évora é uma cidade de muitas multiplicidades e o património arquitectónico é importante. O património e o centro histórico também foram referidos, enquanto componentes culturais relevantes da cidade, e acentuada a necessidade dele ser preservado, nomeadamente através da feitura, revisão e melhoria de Planos de Salvaguarda desse mesmo património classificado e do uso de instrumentos de apoio à reabilitação urbana.
No final, Pinto Sá e Helena Figueiredo fizeram uma pequena sintese daquilo que irão ser os seus programas relativamente à cultura. Pinto Sá realçou que a cultura em Évora tem que voltar a ser encarada como um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento da cidade e que irá chamar os agentes culturais para que, em conjunto, sejam definidas as opções a tomar e que sejam eles a definir as políticas para a cultura, o que evitará também qualquer laivo de "dirigismo". Pinto Sá disse também não ver inconveniente em que a Câmara assuma um determinado protagonismo numa área que não esteja coberta por iniciativas da sociedade, mas assim que haja agentes a desenvolverem actividade nessa área, a Câmara deve retirar-se.
Maria Helena Figueiredo não se afastou muito deste discurso. Disse que a Câmara deveria definir três ou quatro momentos de intervenção que fossem marcantes e deu como exemplos a realização de grandes eventos relacionados, por exemplo, com a fotografia, com a arquitectura ou com a paisagem. Defendeu, por outro lado, que os concursos para a atribuição de apoios por parte dos agentes culturais deveriam ser públicos, ou seja, as candidaturas deveriam ter uma apreciação por parte da sociedade, de forma a que houvesse maior clareza na atribuição de qualquer dinheiro público.
No final, e à pergunta de que se a recuperação do Salão Central era uma prioridade para qualquer das candidaturas, quer Helena Figueiredo, quer Pinto Sá disseram que sim, com o candidato da CDU a acrescentar, no entanto, que essa era uma promessa que não poderia fazer até estar definido o quadro de actuação da Câmara - que devido ao PAEL fica sujeita a mecanismos estreitos de investimento, alguns deles apenas possíveis com autorização ministerial.
Três notas a terminar:
1) foi pena que o PS, pelos motivos conhecidos, e o PSD não tivessem estado presentes nesta conversa que começou "fria", mas foi interessante;
2) tornaram-se algo monótonas as "sínteses" e "explicações" de José Alberto Ferreira, da Colecção B, responsável e moderador do debate, depois de cada intervenção, assumindo-se quase como "palestrante" (e não foi para isso que a generalidade das pessoas se deslocou à Igreja de São Vicente);
3) apesar de não ter dito nem uma palavra, a presença de Élia Mira, a nº2 da lista da CDU, que acompanhou Pinto Sá, foi vista por alguns dos presentes como indicadora de que poderá ser, caso a CDU vença as eleições, a responsável pelo pelouro da cultura. Isto, curiosamente, quando há uma semana atrás Eduardo Luciano, actual líder da coligação na Câmara, e nº 3 na lista às eleições de Setembro, que não esteve presente no debate, dedicava a sua crónica na rádio Diana, a Évora "Cidade de Cultura". Dois candidatos a um mesmo pelouro?

7 comentários:

  1. o Zézinho é um secas! pobres dos alunos que o tem que gramar, monocordico, escuro e obscuro, arrogante e vaidoso.
    Andou a bater nas costinhas do PS e agora prepara-se para jantar com a CDU e o BE.
    Vai fazendo curriculo transportando os dinheiros publicos para os bolsos de uns amiguinhos seus, artistas muito inovadores que só coçam umbigos.
    É um toleirão feioso que tem vindo a comer uma papas bem adoçadas na nossa cabeça

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  2. Acabaram com o Vivá Rua, fecharam as associações culturais, faliram os clubes, foi-se a escola da música, desmantelaram o Museu do Artesanato.
    Acabaram com a produção local.

    Investiram em enlatados, passagens de modelos, e telenovelas.
    Investiram no estádio da Silveirinha, que só serve para pasto dos animais.
    Investiram na Praça de Touros, que só serve para as touradas da família Torres.

    Escaqueiraram o município.
    Acabaram com a vida cultural da "cidade museu", "património da humanidade".

    Os criminosos do PS e do PSD, recusam-se a dar a cara pelos crimes que cometeram. São cobardes. Não toleram o contraditório. São incapazes de prestar contas aos cidadãos.


    comentário no maisévora

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  3. Infelizmente o estado de falência da CME impedirá que, nos próximos anos, seja possível a recuperação do Salão Central.
    Temos de agradecer aos arautos de 12 anos de 'excelência'.

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  4. Dentro do centro histórico existem vários espaços publicos,abandonados ou mal aproveitados:

    Antiga rodoviária(parque de estacionamento vazio)


    Salão Central /abandonado)


    Palacio do Barrocal(mal aproveitado)


    Convento Novo

    Palacio Dom Manuel(mal aproveitado)


    Celeiros(mal aproveitado)

    Antigo hotel planicie (abandonado)


    A cidade tem vários espaços abandonados ou mal aproveitados,é Vergonhoso numa cidade Património Mundial.

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  5. A antiga rodoviária pode ser aproveitada como espaço cultural.

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  6. O jardim publico está abandonado,o coreto pode ser recuperado,o palacio dom manuel está mal aproveitado,a mata mete NOJO.

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  7. pena não ter podido ir, mas gostei do resumo. o problema e todos sabemos que ganhe quem ganhar o que se perdeu " Évora cidade de cultura" não pode regressar. 1º porque não se volta no tempo e muita gente boa que fazia parte dessas cultura teve de ir embora! 2º porque não vai haver dinheiro! Mas se houver vontade podemos fazer mais com menos! Podemos criar laços, partilhas, prestar serviços e revitaliza e criar algo novo para esta cidade! Mas não basta contar só com a câmara todos temos que fazer um esforço conjunto para deixar para trás guerras pessoais que não ajudam ninguém nem nada!
    Lurdes

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