quarta-feira, 31 de julho de 2013

Para refrescar e amenizar a última tarde de Julho aqui no acincotons



Dedicado a todos os que escrevem, comentam, lêem, se irritam ou se alegram com o acincotons e que não ficam indiferentes. Bom resto de tarde!

Para reflexão, a menos de dois meses das autárquicas

Eleições viciadas

O sistema eleitoral autárquico permite candidaturas independentes, mas sem lhes conceder as mesmas condições que dá aos partidos políticos. No processo eleitoral que se avizinha, os independentes partem com uma enorme desvantagem.
Desde logo, porque não dispõem dos meios financeiros ilimitados a que os partidos com assento parlamentar têm acesso. Estes canalizam para o processo eleitoral autárquico alguns dos muitos milhões de subvenções que recebem do estado. As condições financeiras são desiguais. E, para agravar esta situação, os partidos têm isenções fiscais, não pagam IVA, enquanto os independentes a isso estão obrigados. Por absurdo, são os candidatos com menos recursos que pagam mais impostos.
Mas o que é ainda mais grave é que não são garantidas condições mínimas de igualdade no acesso aos cidadãos para a transmissão da mensagem eleitoral.
Os partidos do regime beneficiam de doses maciças de propaganda através das televisões e de outros órgãos de comunicação nacionais. Daqui até às eleições, os debates irão suceder-se nos vários canais, com os representantes partidários a defenderem os seus candidatos. Os portugueses irão ser bombardeados com programas em que os candidatos dos partidos do regime serão propagandeados, enquanto os independentes serão esquecidos. Quando o tema em debate for ligado ao processo eleitoral, a campanha será explícita. E mesmo quando se discuta política nacional, as eleições locais estarão presentes, ainda que implicitamente. Como se irão tirar ilações de caráter nacional a partir dos resultados locais, a política governamental e parlamentar estará sempre contaminada pela campanha eleitoral autárquica.
Com a democracia portuguesa diminuída, o processo autárquico está refém de uma partidocracia dominante. Exige-se agora uma atitude corajosa da Comissão Nacional de Eleições, a par de uma desejável autorregulação por parte dos órgãos de comunicação social. A nível local, devem ser proporcionados meios de acesso ao eleitorado equitativos, para partidos e candidaturas independentes. E, sobretudo, devem impedir-se as lavagens de cérebro que os comentadores de serviço dos partidos irão tentar impingir através das televisões.

Paulo Morais, Professor Universitário (aqui)

Grândola assinala o nascimento de Zeca Afonso a 2 de Agosto


A Associação José Afonso e a Câmara Municipal de Grândola assinalam na sexta-feira e sábado, dias 2 e 3 de Agosto, o aniversário do nascimento do Zeca, a 2 de Agosto de 1929.
Sobre os tempos conturbados após o 25 de Abril de 1974, em que cantar o "Grândola, Vila Morena", em Grândola, provocava acesas polémicas -, ver o artigo do jornalista Vitor Matos, ele próprio natural desta vila alentejana - aqui.

Independentes em Beja: uma lista para vencer?


Movimento de Independentes "Por Beja com Todos" assegura assinaturas para concorrer à Câmara Municipal, Assembleia Municipal e a algumas Assembleias de Freguesia do concelho de Beja.

"QUANDO SE TRABALHA PODE NÃO SE CONSEGUIR O QUE SE PRETENDE, MAS QUANDO NÃO SE TRABALHA É QUE DIFICILMENTE SE CONSEGUE...
Depois de algumas dificuldades e incertezas, eis que conseguimos mais uma vitória sobre a discriminação e tentativa de exclusão da participação. 
Aos que aparecem na fotografia e a muitos outros que revelaram uma dedicação sem limites por Beja com todos, que investiram dezenas de horas, percorreram quilómetros, fizeram centenas de contactos, só podemos dizer uma palavra. OBRIGADO!" (aqui)

Castro Verde: o cante da terra

O cante da terra - documentário sobre a biodiversidade em Castro Verde.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Quem tiver melhor versão que se chegue à frente...

Sobre o caso da sede das candidaturas CDU/PS em Évora


Não pertenço a qualquer dos grupos em presença por isso o que vou contar foi-me dito por outras pessoas que, embora tendo em consideração, poderão não saber, elas próprias, a totalidade dos factos relatados.
Mas passemos à frente. Pelo que se sabe, quer o PCP quer o PS repararam na loja junto ao café Arcada, onde funcionou o "Armazém Americano" e que está fechada há vários meses e pensaram para os seus botões: "isto dava uma bela sede de candidatura". De facto, em plena Praça do Giraldo, ao lado do Arcada, não havia melhor. Do lado do grupo do PCP falaram com um dos vendedores da agência que tinha a loja na sua lista de ofertas, e do lado do grupo do PS falaram com outro vendedor da mesma agência. Os dois - sem saberem do negócio um do outro - acertaram negócio e terão mesmo dado as chaves aos respectivos interessados. Um dia alguém da CDU ia passando no local e vê, com espanto, um dirigente local do PS dentro da sede. Aqui d'el-rei! As coisas entornam-se, mas esclarecem-se: a CDU fica com a loja, uma vez que o vendedor com que tratou do negócio é o responsável por aquela zona, enquanto que o PS terá tratado com um agente cuja zona de acção fica fora da cidade de Évora. 
Note-se que na loja - pelo que me contaram - terá ficado mesmo uma vassoura, pertença do PS, que se prepararia para limpar o espaço.
Foi-me dito também que, posteriormente, não houve qualquer "assalto" ou vandalismo tendo como objecto a loja. Recentemente, o que terá havido é o facto de um empresário de construção civil da cidade, habitualmente conotado com o PS, ter sido visto naquele espaço com outra pessoa - o que não será de estranhar visto ser o proprietário da loja, agora alugada à CDU, mas cuja fechadura terá sido mudada, já que a chave da fechadura anterior, ao ter sido entregue ao PS, não deixava descansada a estrutura local da CDU.
Não se sabe é se a vassoura do PS ainda permanece naquele espaço. Se sim, fica a sugestão: poderia constituir um acto de campanha - ou a CDU ir entregá-la ao PS, dizendo que vassouras há muitas. Ou o PS dirigir-se à sede de campanha da CDU dizendo que vassoura só há uma. Aquela e mais nenhuma.
E há mesmo quem, dentro do PCP, critique o militante que deu o grito de alerta. Mais valia deixar o PS limpar a loja, de cima a baixo, e só depois reclamá-la. Sempre se pouparia trabalho à camaradagem...

man(o)elinho

Matrículas: e a Inspecção de Ensino não intervém?


Há dias, num local público da cidade de Évora fiquei boquiaberto com a queixa de uma mãe, que escolheu segundo dizia uma escola da cidade para o seu filho ingressar no 10º ano, sendo posteriormente contactada pela secretaria da Escola André de Gouveia, para efectuar a matrícula. Indignada a senhora deslocou-se à escola e referiu que não tinha sido essa a preferência e pediu o boletim de inscrição, surpresa das surpresas, o nome da escola inicialmente pretendida tinha sido substituída pela Escola André de Gouveia.
Não sei qual o final desta história, mas será possível que a Inspecção de Ensino, ou outras entidades responsáveis pelo ensino, não intervenham nestas situações.? É algo vergonhoso, caótico e digno de uma verdadeira selva.

A.C. (via email)

Ainda ficaram muitas páginas por preencher sem notícias do candidato do PS...

Évora a dois meses das eleições autárquicas


As eleições autárquicas realizam-se precisamente dentro de dois meses. Com as férias, pode-se dizer que elas estão mesmo aí “à porta”, estando os diversos partidos a tratarem de finalizar as listas, uma vez que terão que ser entregues até ao dia 5 de Agosto. 
Quanto a Évora a pré-campanha parece estar numa fase mais do que morna, apesar dos candidatos do PS e da CDU andarem numa roda viva por tudo quanto é festa de aldeia – às vezes os staffs partidários quase são mais do que os participantes nos festejos -, reservando para depois das férias iniciativas de maior vulto.
Regra geral, dizem os entendidos, a campanha eleitoral, propriamente dita, tem pouco impacto, a não ser no convencimento de alguns eleitores que estão hesitantes até quase ao último momento sobre o seu sentido de voto. 
No caso de Évora, onde a margem entre o PS e a CDU, há quatro anos, se situou nos cerca de mil votos (1.168 votos) , esta “pesca à linha” pode ser importante. Há quatro anos a abstenção no concelho de Évora foi superior a 45 por cento e estima-se que este ano possa ser ainda maior, o que poderá complicar algumas das contas que estão a ser feitas pelos estados-maiores partidários. 
De concreto, pode-se dizer que o PS neste momento ainda mantém a Câmara, apesar de ter um candidato por todos considerado como “muito fraco”, uma vez que a CDU e a sua candidatura ainda não mostraram um elan suficiente que permita dizer que está em condições de assegurar a vitória. Pelo contrário, hoje as condições para a CDU ganhar a Câmara são mais difíceis do que há quatro anos, quando o PS estava no Governo e José Ernesto Oliveira, já desgastado e alvo de muitas críticas, se recandidatava a um 3º mandato.
Na altura, mesmo com um candidato pouco conhecido como Eduardo Luciano, a CDU obteve um resultado histórico que não é certo que Pinto Sá, embora mais experiente e mais reconhecido publicamente, consiga agora ultrapassar, obtendo os votos que separam o PS da CDU e permitindo à coligação comunista a conquista da Câmara.
Para além do contexto geral ser hoje mais desfavorável à CDU do que ao PS (agravamento do nível de vida, medo da incerteza quanto ao futuro, subida do PS nas intenções de voto a nível nacional, penalização das medidas governamentais) do que há quatro anos atrás, também a nível local existem outras incertezas. 
1 - A fraqueza da coligação PSD/CDS em Évora poderá deslocar votos. Para quem? Essa é ainda uma incógnita; 
2 - Por outro lado, a candidatura reforçada do BE (mesmo ao nível das freguesias urbanas) irá ter uma expressão eleitoral com maior significado? E se isso acontecer, que partido irá penalizar? O PS ou a CDU?;
3 - Se houver uma maior abstenção quem serão os partidos mais prejudicados? O mais votado, PS? Ou, também, a CDU?
São perguntas importantes a que os dois próximos meses poderão dar algumas respostas. Os resultados destas eleições vão, por isso, depender muito do que vão ser a pré-campanha e a campanha eleitoral. Até agora, os debates entre candidatos não têm existido. Parece mesmo que não há um grande interesse em debates neste momento (sobretudo por parte do PS e do PSD). 
A juntar a isto existem outras questões: a cidade de Évora comporta-se já como um núcleo citadino, urbano, em que a informação tem dificuldade em circular, uma vez que as redes de comunicação locais (como nas aldeias) já não funcionam aqui e, ao mesmo tempo, existe défice de outros canais informativos. O “Diário do Sul” ainda representa a grande e quase única fonte de informação local para muitos cidadãos eborenses, sendo as rádios locais escassamente ouvidas.
Isto dificulta também em muito o trabalho de propaganda eleitoral que, a não ser feitos pelos próprios partidos duma maneira eficiente, se arrisca a que chegado o dia das eleições haja muitos eleitores que nem saibam quem se candidata e a quê. Claro que neste “jogo informativo” quem mais se trama são as formações políticas mais pequenas, com menos meios e menor capacidade de chegar aos eleitores…

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Rão Kyao amanhã em Évora


O músico Rão Kyao vai estar amanhã, terça feira, a partir das 22,30H, no Mói-Te, no Largo Alexandre Herculano 8, em Évora.

domingo, 28 de julho de 2013

O que impede o INALENTEJO de financiar a "Semana dos Palhaços" como faz com a BIME?


Assisti hoje ao espectáculo de encerramento da "Semana dos Palhaços" nos relvados da Malagueira. Nesta terceira edição assisti a três dos vinte espectáculos realizados em Évora nestes últimos cinco dias por 10 companhias portuguesas e estrangeiras, num total de cinco países. Pelo que vi e assisti, mas também pelo que me foi dito por quem assistiu a outros espectáculos, o público foi sempre numeroso, fossem os espectáculos no Jardim Infantil, na Praça do Giraldo, na Praça do Sertório, na Tenda na Malagueira ou mesmo na sede dos PIM, quando se vai para o Alto de São Bento. Houve espectáculos de melhor e pior qualidade. Mas todos a merecerem sempre enormes salvas de palmas. No final dos espectáculos circulou sempre um chapéu para que cada qual desse os euros que achava por bem - para os artistas esse foi o único "cachet".
E aqui entramos na questão dos números. Esta "Semana dos Palhaços" teve como orçamento 1.900 euros (mil da Direcção Regional de Cultura do Alentejo e 900 da Junta de Freguesia da Malagueira. A Câmara de Évora comparticipou com a montagem da tenda na Malagueira e um palco na Praça do Sertório.) Metade deste dinheiro foi para as dormidas. O resto para a alimentação (as refeições foram colectivas e feitas por voluntários na Escola do Alto de São Bento) e para outras despesas (transportes, etc...).
1.900 euros para 20 espectáculos a que assistiram alguns milhares de pessoas (residentes em Évora e turistas), numa animação diária dos principais espaços públicos da cidade, o que dá menos de 100 euros por espectáculo.
Sem querer comparar, mas apenas como referência, num balanço recentemente divulgado pelo Cendrev, a 13ª BIME - a Bienal Internacional de Marionetas de Évora - juntou 21 companhias, de 11 países e levou a efeito 75 espectáculos na cidade. Foi uma grande Bienal, com qualidade e diversidade, constituindo um ponto alto na vida artística e cultural de Évora. O orçamento deste ano, segundo o Cendrev, rondou os 170 mil euros, sendo esta verba financiada sobretudo através dos fundos públicos comunitários que financiam a candidatura apresentada ao INALENTEJO. Ainda segundo o Cendrev "os restantes apoios, DGArtes, Entidade Regional de Turismo são manifestamente reduzidos e a Câmara Municipal limitou-se ao apoio logístico. A receita de bilheteira correspondeu a um pouco mais de 4% do respectivo orçamento".
Dada a diferença de orçamentos de 1 para 100 entre a "Semana dos Palhaços" e a BIME - e sem contestar a qualidade nem a importância da Bienal - não poderiam os fundos comunitários arranjar também alguns "tostões"  para a "Semana dos Palhaços", que está a conquistar ano após ano mais qualidade, mais público e mais projecção, sabendo como se sabe que os PIM consideram que "20 mil euros seriam mais do que suficientes para fazer uma "Semana dos Palhaços" de qualidade e sem apertos financeiros"? (João Palma). Acho que bastava um pequeno esforço para que isto fosse possível.
Por fim uma outra referência: a presença/ausência de eleitos, fosse da maioria na autarquia ou da oposição, não foi nem deixou de ser notada. Foi, sobretudo, ignorada. Coisas de palhaços.

Fonte de Letras inaugurou ontem livraria no Centro Histórico de Évora



"Vira-se uma nova página na história da Fonte de Letras. Não será uma página em branco, daquelas que dão uma enorme ansiedade ao autor, porque a Fonte de Letras já tem vários capítulos escritos ao longo dos 13 anos de histórias em Montemor-o-Novo. Mas é com certeza uma página de suspense mas também uma página de amor, uma página de história mas também de poesia, de biografia e ensaio mas também tem muito a ver com economia e gestão, quase uma página técnica (pelos dias que vão correndo neste País!) Também será uma página infantil, por voltar a viver tudo de novo e até o " primeiro dia".
É uma nova edição da Fonte de Letras, original como sempre, a fazer história numa outra cidade.
A partir de 27 de Julho não será de admirar ver Virginia Woolf e Florbela Espanca entrarem juntas para tomar um chá na livraria Fonte de Letras em Évora". (aqui)

A inauguração foi ontem, pelas 18 horas. A nova livraria está situada em pleno Centro Histórico, na Rua 5 de Outubro, nº51 (a rua que liga a Praça do Giraldo à Sé).

Quando a cultura, o riso, a festa se forem, só restarão as mágoas por aquilo que nunca fizemos.


Esta é uma cidade que precisa de animação, como de pão para a boca.
As associações culturais fazem-no. Trazem alegria, cultura, diversão e isso não cai do céu aos trambolhões, representa trabalho, esforço, dedicação. Representa sobretudo a consciência que a cultura, o trabalhar na cultura, com cultura, comporta riscos.
As pessoas trabalham e muito, mas não conseguem, na maior parte das vezes, viver desse seu trabalho, têm de recorrer a outras actividades porque todos têm de comer, muitos têm filhos, contas para pagar, também adoecem, também vêem as forças fugirem à medida que a idade avança.
os agentes culturais, são formigas e não cigarras.
Trabalham com a criatividade por instrumento, com a imaginação por ferramenta, criam alegria, produzem a liberdade de questionando fazer pensar.
O PIM Teatro, existe há duas décadas, produzem peças, organizam festivais, ensinam crianças, participam socialmente.
O que ganham com isso? Contas por pagar, incertezas, angústias, dúvidas, coisas que se refletem nas suas vidas, nas vidas dos seus filhos.
Esta semana dos palhaços, movimenta as ruas da cidade, cria nos turistas que nos visitam a ficção de que Évora é uma cidade que acarinha a cultura, que vive na cultura.
Puro e triste engano...
Este festival só é possível porque os artistas são solidários, porque há gente de coração grande que ajuda com o que pode e como pode, e sobrevive o festival, ganhando a cidade, quem a visita, ganhando os senhores dos gabinetes que eventualmente irão concorrer a mais um prémio light, com espaço televisivo e fúteis desfiles de gente fútil.
Perdem os artista, perdem todos os que sabendo como a cultura é importante, vêem-na morrer nesta cidade com uma Universidade autista, um executivo camarário moribundo, um poder central distante e fascista que não gosta do povo, que não gosta da cultura, que socorre bancos e usurários, que se passeia triunfal pelos destroços do país que era suposto defender.
Seria bom que acordássemos, que percebêssemos que quando a cultura, o riso, a festa se forem, só restarão as mágoas por aquilo que nunca fizemos.
Será o fim, a noite o choro dos condenados.

Miguel Sampaio (aqui)

sábado, 27 de julho de 2013

sexta-feira, 26 de julho de 2013

O CENTENÁRIO QUIOSQUE DO ROSSIO: SETE METROS QUADRADOS DE INÉPCIA E INSENSATEZ


1. A situação de abandono a que está votado o centenário Quiosque do Rossio de S.Braz, é um libelo acusatório para a incompetência, inépcia e incultura que grassa em certas instituições e entidades responsáveis da cidade. Sete metros quadrados de área naquele vasto terreiro funcionam como testemunho de uma situação insólita e surreal que acabará por conduzir ao seu apodrecimento e consequente desmoronamento ou mesmo ao completo arrasamento, se ninguém for sensível à preservação de um património citadino que não se limita, ao contrário do que muitos crêem,  ao Centro Histórico e aos monumentos classificados.
O quiosque está oficialmente encerrado desde 11 de Novembro de 2009, dia em que a Conservatória do Registo Predial de Évora recusou o seu registo de aquisição por usucapião, por parte do casal Maria da Nazaré Santos Silva e António Joaquim Vieira da Silva, que o vinha explorando comercialmente desde 1984, ano em que invocam tê-lo comprado verbalmente, não tendo reduzindo o negócio a escritura pública, a Hortense da Conceição Pinto, a qual o havia inscrito matricialmente na extinta freguesia da Sé  em 31 de Dezembro do ano de 1937.
Precavendo-se para qualquer eventualidade, o casal-que tanto quanto julgamos saber pretendia realizar obras de recuperação e requalificação da pequena construção- fez uma escritura de justificação num cartório notarial da cidade e  publicou averbamento da mesma no jornal “ Diário do Sul” de 23 de Setembro de 2009, em que se declarou dono do respectivo prédio urbano, sem que tivesse sido deduzida oposição. Como documentos adjuvantes dessa posse ambos acrescentaram o pagamento de todos os impostos relativos à sua exploração desde 1984, bem como a liquidação da licença de ocupação da via pública e das despesas correntes da sua actividade como água e energia eléctrica.
Ora foi com base no pagamento da taxa de ocupação da via pública que a Conservadora do Registo Predial de Évora recusou o registo por entender  que o pagamento é indicativo de que o quiosque se encontra implantado numa zona de domínio municipal (público, portanto)  e de se « estar perante a figura do detentor ou do possuidor precário o qual não pode exercer o direito real correspondente, ou seja o registo de propriedade». Para tal invocou os artigos 68º. e 69º. b do respectivo Código que incidem sobre o princípio da legalidade do registo e sobre a sua recusa « quando for manifesto que o facto não está titulado nos documentos».
O casal Silva, inconformado, recorreu da decisão para o Instituto dos Registos e Notariado (IRN) alegando nomeadamente que «o prédio está inscrito na matriz em nome dum particular, que o pagamento da taxa de ocupação da via pública se reportava à ocupação da mesma por mesas e cadeiras, que a escritura havia sido publicada de acordo com a lei, não merecendo a oposição de qualquer entidade pública ou privada e ainda que não se conhece qualquer legislação que o afecte ao domínio público».
Ouvida para contra-argumentar a Conservadora manteve-se irredutível na sua apreciação e adiantou mesmo que o prédio se encontra implantado numa zona de dominialidade municipal destinada « à satisfação de relevantes interesses colectivos (estacionamento público) de uso directo e imediato pelo público». Acresce que enquanto já depois da apresentação do pedido de recurso, a Câmara Municipal  fez chegar à Conservatória um ofício pedindo a eliminação da inscrição matricial efectuada em 1937 por se ter tratado de um  lapso corrido na altura. Antes de nos espraiarmos em quaisquer outras considerações diremos que atentos os factos e com base na intransigência da Conservadora, o Conselho Técnico do IRN deliberou por unanimidade, em sessão de 26/5/2010, dar o recurso como improcedente.
2. Sem querer ser advogado (tem o seu e é de qualidade) das pretensões do casal Silva  ouso dizer que a argumentação da Conservadora (que não sei quem é) denota ignorância e falta de cultura local, principalmente quando invoca que o quiosque, implantado no Rossio em princípios do século XX, pertence ao domínio municipal por estar numa área actualmente afecta ao estacionamento público o não é inteiramente verdade. O Plano de Urbanização de Évora, hoje em vigor, dá o Rossio como uma área destinada simultaneamente a estacionamento público e a uso terciário pouco qualificado. Mais, na prática este prevalece sobre o primeiro dado que durante a Feira de S.João e os dias de mercado mensal não é ali permitido estacionar estando o respectivo espaço vedado. Aliás a sua utilização como zona de parqueamento automóvel é muito recente na história da cidade.
A leitura da obra de Carvalho Moniz “As feiras de Évora” permite perceber que o grande terreiro foi o local privilegiado para a realização de feiras e mercados desde 1561, sendo por isso local de ocupação breve e temporária por parte de mercadores, feirantes e comerciantes, que aí instalavam as suas tendas e barracas como ainda hoje sucede. Isto suscita desde logo forte perplexidade: o quiosque deve ter gozado de algum estatuto especial, ter sido adquirido por alguém, para ali ter permanecido por mais de um século, implantado no solo e sendo uma construção de alvenaria  de raiz definitiva, sem que a sua existência tivesse sido questionada.
Essa situação de excepção sempre me intrigou desde miúdo e já jornalista, ao serviço de “O Século”, no ano de 1970, solicitei à Câmara de então uma explicação para o facto tendo sido informado sucintamente que o quiosque era pertença de privados. Com efeito o compulsar do livro de Carvalho Moniz que dedica várias páginas ao vasto terreiro, permite  verificar que o espaço do Rossio, foi por diversas vezes alienado parcelarmente a particulares. Foi o que aconteceu, por exemplo, a 25 de Fevereiro de 1901 quando a Câmara decidiu vender quinhentos metros quadrados de terreno ao sr. António José de Sousa Potes «para aformoseamento do Rossio» dado que a respectiva Porta estava um «nojo e um escarro e era uma vergonha para a cidade de Évora». Ora é exactamente junto a esse local que o quiosque se situa e a data corresponde à aventada para a sua construção e implantação.
Segundo,o que era voz corrente na altura os terrenos terão voltado á posse do município que no entanto reconhecendo a utilidade pública daquele exíguo espaço o decidiu por à venda tendo arranjado comprador que teria sido uma mulher. De facto, quando em 1927 o Governo comete às Comissões Executivas das Câmaras Municipais a competência para licenciar hotéis, hospedarias, cafés e tabernas, a Câmara de Évora concede sem problemas o respectivo alvará ao Quiosque do Rossio, passado em nome de Joaquina de Jesus Correia. Isto ocorreu na sessão camarária de 16 de Novembro desse ano conforme o atesta o jornal diário “Notícias d´ Évora” do dia seguinte. Mas, pelos vistos, a Câmara não teve interesse em devidamente nem a Conservadora aceitou o registo provisório dando oportunidade a que uma investigação histórica pormenorizada fosse efectuada.
3. O Quiosque do Rossio foi um  dos três conhecidos  que existiram em Évora em finais do século XIX e princípios do século XX e é o único que resta na sua genuinidade e autenticidade. Os outros foram o Quiosque Estoril, referenciado em 1899 na zona do Chafariz d´El Rei, «à entrada da Estrada de Reguengos, que leva à fronteira com a Espanha», e o Quiosque Ferroviário, junto à respectiva estação de Caminho de Ferro.
Os quiosques  corresponderam a uma moda francesa que se instalou na Europa a partir de 1865, inspiradas esteticamente na Arte Nova, e onde era possível comprar flores, tabaco, bebidas e refrescos. O termo quiosque era na sua origem de origem persa e foi adoptado pelos turcos que o usavam para designar pequenas casinhas e instalações com cobertura que eram construídas nos jardins ou perto deles.
O responsável pela sua introdução na Europa foi o rei Estanislau  da Polónia mas os seus grandes divulgadores foram os franceses que deles fizeram a coqueluche do “fin de siècle” oitocentista. Em Lisboa, sempre afeita a adoptar as modas parisienses, o seu sucesso foi fulgurante. Antes e depois do trabalho para descontrair e aos fins-de-semana em passeio com a família, os quiosque regurgitavam de gente. Foi do dono de um deles que nasceu a ideia das esplanadas, colocando mesas e cadeiras em seu redor.
Bebia-se chocolate quente e vinho a copo, gasosas, capilé, misturas de anis, caramelo e água e cerveja de botija e vendiam-se sorvetes. Mais tarde, azeitonas, torresmos e pequenas postas de peixe frito. Foi nessa base que funcionou igualmente o quiosque do Rossio situado junto ao Palácio Barahona e ao Passeio Público, também com o seu coreto Arte Nova. Juntos, constituem as três marcas citadinas desse tempo. Igualmente  o quiosque prestou serviço de apoio aos primeiros jogos de futebol disputados em Évora, naquele extenso terreiro, desporto cuja introdução está associada àquela época
Saliente-se que o seu valor cultural foi reconhecido no Plano de Urbanização, datado de 1999 e revisto em 2010 ao ser catalogado, no primeiro inventário  que o acompanha, como Elemento Pontual de Valor Patrimonial e no segundo, apenas como identificado, devendo ser preservado e conservado. Isto é, desaparece o imperativo, a obrigatoriedade e fica o dever apenas. E isto só me traz à memória a obra do meu filósofo e sociólogo favorito, o francês Gilles Lipovetsky, intitulada “O Crepúsculo do Dever - A Ética Indolor dos Novos Tempos Democráticos”, Publicações Dom Quixote, Lisboa,1994.
A decisão da Conservatória e do IRN deixou, pois, o Quiosque nas  mãos da Câmara, como sua propriedade. Como esta não tinha dinheiro para mandar cantar um cego, apostando na sua reabilitação e recuperação, passaram-se três anos, por certo à espera  que a pequena construção acabasse por cair de podre, na esperança, porventura,  que a fúria dos elementos a derrubasse, tornando o seu arrasamento inevitável. Atentas as actuais circunstâncias, será inviável pensar no seu futuro aluguer a outrém, pois ninguém desejará enterrar dinheiro naquilo que lhe não pertence. Espera-se que o novo elenco camarário, se decida a um esforço financeiro para salvar esta pequena jóia do património citadino, recuperando-a e cedendo-a posteriormente à exploração. Os verdadeiros amigos da cidade agradecem. É o mínimo que se lhe exige.

José Frota

Festival de Lavre. Para um fim de semana diferente


Évora: ainda a propósito da inauguração da sede do PS



Pois nao sei como a CDU conseguiu a sede, deve ter sido de forma legal, porque os "novos homens do PS" não brincam em serviço e nem ficam à espera...
Hoje estava a ser atendida numa instituição publica, depois de 1 hora de espera, entra pela porta dentro um jovem que passa pela maquina das senhas e pelas pessoas que esperavam a sua vez como cão em vinha vindimada, dirige-se ao guiché ao meu lado e diz ao funcionário "Sou fulano tal, assessor do presidente da câmara e venho fazer um contrato para a sede de campanha do PS"! O funcionário, dirige-se ao cliente que estava a atender e pede-lhe para esperar um pouco e dedica toda a sua atenção de imediato ao sr. fulano de tal!
Quer o cliente que estava a meio de ser atendido, quer todos os outros ficaram quietos e sem nada dizer, isto enquanto o jovem funcionário se colocava qual vassalo a atender o tal assessor! Ainda pensei em desancar os dois, mas estava a ser atendida foi a sorte deles, mas mesmo assim fiquei incrédula e mais uma vez confirmei que somos um povo de gente que se deixa pisar todos os dias, por isso passamos o que passamos! Merecemos! 


Anónimo

Ler também aqui

Évora: PS inaugura hoje sede de campanha


É inaugurada esta tarde pelas 19 horas a sede de Candidatura de Manuel Melgão à Presidência da Câmara Municipal de Évora. A sede localiza-se na Av. da República, junto à Praça do Giraldo.
Esta não terá sido a sede inicialmente pensada pelo PS, que terá tentado ficar com um outro espaço, com o qual se comprometera e cujo "contrato" julgara ter ficado acordado. No entanto, azar dos azares, a CDU tinha o mesmo local debaixo de olho e terá falado com alguém com maior capacidade de decisão - que fez pender o negócio para o lado da coligação comunista.
É caso para dizer que, pelo menos nas questão da sede, a CDU "começa a ganhar"...

DA de hoje


quinta-feira, 25 de julho de 2013

Das formas de habitar Évora para outras construções sociais



foto de José Manuel Rodrigues daqui
Se compararmos o livre andar, sem meta (em grego agorazein) dos moradores das antigas polis do Mediterrâneo, exercício que os levava a conversar deslocando-se pelas ruas em pequenos grupos de três ou quatro, expressão de uma condição habitativa familiar, protegida pelos muros ao seu redor, com as deslocações do flâneur, o morador das metrópoles tardo-industriais europeias discrito por Benjamin, resultantes de formas habitativas mecânicas e elétricas, com as errâncias informativas que desenvolvemos nas redes digitais e nos permitem a realização de um habitar sem territórios, entendemos como as alterações das formas do habitar acarretam um conjunto complexo de transformações.” Escreve o sociólogo Massimo Felice, em Paisagens pós-urbanas, 2012:14.                                         

Pensando no caso de Évora, aceitaremos que nesta segunda década do século XXI, coexistem as três formas de habitar descritas pelo autor.

Pode perguntar-se qual dessas formas descritas pelo autor, será agora predominante?
Será a primeira? “ uma condição habitativa familiar, protegida pelos muros ao seu redor” será ainda a mais sentida em Évora, e no seu Centro Histórico ? 

A segunda forma, a do morador flâneur (*) podendo não ser dominante em número, impõe-se como uma marca associada a esta cidade. 

A terceira forma, a da “errância informativa”, ou seja os que passam a maior parte do seu tempo ligados a um écran, e supostamente através dele a todo o mundo, mas afastando-se da experiência integral da participação em casa, nos grupos,  na cidade, corresponde a um modo de habitar a que cada vez mais pessoas se rendem, e particularmente os mais novos.

Que alterações para a cidade, e que texturas sociais, se estão a tecer neste nosso tempo, em resultado da coexistência e dos diálogos (ou da ausência deles) entre estas três formas bem distintas de habitar Évora ?

Estas são novas abordagens e combinações de uma realidade difícil de captar, de compreender, e de mediar,  mas que devem ser tidas em conta por todos os que se propõem gerir, cuidar e transformar, os nossos patrimónios comuns.

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Vergílio Ferreira sobre Évora: "nem mais que a 4ª. classe, nem menos de 500 porcos"


Numa cidade normal o Pim teria o seu espaço artístico, teria os subsídios (sim almas liberais! Nos EUA, essa pátria do capitalismo, as ARTES são subsidiadas pelo dinheiro público, pelo dinheiro privado, pela bilheteira, etc e sim, almas Bolcheviques, não existe uma única opção ideológica imposta pelo Estado)... mas isso seria numa cidade normal.
Podemos discordar, não podemos é dizer asneiras como o jovem que acha que o Pim ir embora é bom porque são menos votos no BE...
Podemos discutir se existem companhias a mais, podemos discutir como rentabilizar o teatro (imagine-se que o teatro dá lucro... na Áustria, na Alemanha, em Inglaterra, etc) podemos e devemos discutir isto. Como tornar a cultura, toda ela, acessível a todos, ( como fez Malraux em França, Oh almas de esquerda...) e como a podemos tornar um elemento distintivo da cidade. Mas isso era numa cidade normal.
Relembro sempre Vergilio Ferreira: "nem mais que a 4ª. classe, nem menos de 500 porcos" sobre a cidade onde viveu e ensinou tanto tempo...( está na Aparição). E cada vez mais atual. 

Voltaire

quarta-feira, 24 de julho de 2013

À atenção dos poderes autárquicos: se não conseguem resolver uma coisa tão básica para que é que se recandidatam?



Parque Infantil da Malagueira (Évora)

Há exactamente um ano escrevi isto aqui no acincotons, o que deu azo a diversos comentários. Um ano depois tudo continua na mesma, mas pior. Há mais erva seca, os equipamentos estão ainda mais degradados e, à falta de outros espaços, os miúdos do bairro, de quando em vez, passam as grades e continuam a ir para lá brincar.
O que é curioso é que um ano depois nenhuma das entidades com responsabilidades autárquicas tenha feito o mínimo gesto para resolver esta situação. O que foi feito resume-se a isto: na época de chuvas o chão levantou e alguém o retirou do parque. Mais nada.
Desculpem mais uma vez: para que servem os "poderes" autárquicos senão para resolverem as necessidades das populações? Se não conseguem resolver coisas tão básicas - e para uma coisa tão simples talvez bastasse uma conversa e umas centenas de euros - porque é que se recandidatam?

No dia em que começa a "Semana dos Palhaços" o Pim Teatro anuncia que pode abandonar Évora



A companhia Pim Teatro, de Évora, enfrenta "graves problemas financeiros", devido aos cortes dos apoios, que tiveram como consequências despedimento de funcionários, salários em atraso e a redução "drástica" dos ordenados e da criação artística.
Alexandra Espiridião, directora do Pim Teatro, adianta à Agência Lusa que a companhia "está sem apoios financeiros para a sua actividade", depois de ter ficado de fora nos concursos de apoios directos às artes, da Direcção Geral das Artes (DGArtes).
"O Pim Teatro completa este ano 20 anos de existência e volta, praticamente, ao início", porque "tivemos nove anos com apoios e agora estamos outra vez sem apoios", lamenta a também actriz da companhia, que produz sobretudo espectáculos para os mais novos.
A responsável refere que os actuais três funcionários e um outro que já saiu do grupo "têm ordenados em atraso", cujo valor ascende a "12 mil euros", mas também foram obrigados a baixar "brutalmente" os salários, de 800 para 500 euros por mês.
De acordo com a directora do Pim Teatro, a companhia "sempre teve um subsídio reduzido", mas este "garantia a criação e montagem de dois espectáculos anuais e a realização de uma série de actividades consideradas de serviço público".
"Essas actividades começam a ter que desaparecer, porque temos de procurar fazer iniciativas que sejam rentáveis", diz, realçando que os municípios, os "grandes programadores de teatro", estão a atravessar "problemas financeiros" e "não estão a comprar espectáculos".
"Estamos a estudar o mercado para tentar perceber onde o teatro faz falta e onde existe dinheiro para o pagar. Por muito que nos pudesse agradar, não podemos trabalhar gratuitamente, porque nós também temos filhos, casas e contas para pagar", acrescenta.
Alexandra Espiridião dá como exemplo a "Semana dos Palhaços" que a companhia alentejana promove, a partir desta quarta-feira e até domingo, 28, em Évora, com a participação de dez companhias portuguesas e estrangeiras.
Assinalando que "a ´Semana dos Palhaços` é um acto de loucura" da companhia, explica que o grupo "está trabalhar há três semanas para não ganhar nada" em termos financeiros, porque "o festival não tem fontes de lucro, nem sequer se cobra bilheteira".
A responsável adianta que a iniciativa conta com um "ridículo" apoio financeiro de 1.900 euros, da Direcção Regional de Cultura do Alentejo e da Junta de Freguesia da Malagueira.
"Só mesmo uma ´Semana dos Palhaços` é que se faria com 1.900 euros de apoios institucionais e só mesmo os palhaços aceitariam trabalhar por nada", ironiza, considerando que seriam necessários "19 mil euros para um festival com duas semanas e para trazer mais artistas".
A directora do Pim Teatro diz antever um futuro "negro", já que a companhia ainda não vendeu nenhum espectáculo para Agosto e os que já estão marcados para Setembro "não garantem os mínimos de subsistência" do grupo.
Alexandra Espiridião admite que o Pim Teatro está a pensar ir desenvolver o seu trabalho "para outra zona do país ou para o estrangeiro", alegando que as actuais condições "não permitem continuar" por muito mais tempo. (LUSA)

O suprassumo do novo governo


Rui Machete vai ser o suprassumo.
O Homem que na SLN, presidente do conselho superior, devia fiscalizar o BPN que vai custar 90 euros a cada um de nós, repito 90 euros.
Vai ser ministro dos negócios estrangeiros, sabem muito para organizarem a vida deles e destruir a nossa.
Esta gente não presta

Anónimo

Não há nada mais urgente que o longo prazo



No meio das tristes notícias que vêm desanimando este Julho em Portugal, é especialmente bom cruzarmo-nos com quem se comprometa com o longo prazo, com o olhar para lá de estreitas fronteiras físicas e mentais, com o despertar de uma maior consciência social.
Há horas atrás, na televisão, Sampaio da Nóvoa  chamou a atenção para que "Não há nada mais urgente que o longo prazo". Se esta afirmação fosse levada a sério seria o suficiente para operarmos neste país uma verdadeira revolução. Nóvoa sublinhou ainda a relevância dos " espaços públicos de decisão". Elegeu três áreas de cuidado estratégico:  "educação, cultura e local". Ou dito de outra maneira, a prioridade de investimento é no território e no conhecimento.
Para além do que já dissera: "Hoje sabemos de ciência certa que a austeridade não é alternativa". Pelo menos esta austeridade que nos foi imposta. Para além de um novo-velho governo, também há nesta terra vozes de brisa fresca.

Dum Sacadura Cabral a um Chancerelle, de um Mestre António a uma Cristas da Graça ou a um Russo da Mota o desastre é sempre o mesmo. Afunda? Claro que afunda.


"Nos termos da mesma norma constitucional, o Presidente da República aceitou a proposta que lhe foi apresentada pelo Primeiro-Ministro de nomeação do Vice-Primeiro-Ministro, Dr. Paulo Sacadura Cabral Portas, do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Dr. Rui Manuel Parente Chancerelle de Machete, do Ministro da Economia, Mestre António de Magalhães Pires de Lima, do Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, Eng. Jorge Manuel Lopes Moreira da Silva, da Ministra da Agricultura e do Mar, Doutora Maria da Assunção de Oliveira Cristas Machado da Graça, e do Ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, Dr. Luís Pedro Russo da Mota Soares". (aqui)

terça-feira, 23 de julho de 2013

Cagarra, linda Cagarra


Hoje Acordei Inspirada... ou então não!
Experimentem trautear isto em Alentejano puro e ao som de "Ó Rama Ó que Linda Rama"


Cagarra, linda Cagarra
Coitado do animali
Tava ela tâ susegada
Aparece o "coiso e tal"

Ó Cagarra te ofendas
Tu lhe passes cavaco
É graças a essas "prendas"
Que a malta no buraco!

a deixes agarrari
Que assim já andamos nós
A culpa dele aqui estari
Foi dos pais e dos avós

A ideia do enviari
prum sitio desabitado
Era ele cair ao mari
E o povo ser libertado!

O plano falhou e agora
Vamos ter que o gramari
Cagarra leva-me embora
Contigo pró alto mari!


Midus Chambel

Entrevista de Paulo Jaleco à rádio diana


O prometido é devido e este fim de semana tive tempo para ouvir a entrevista do candidato do PSD, Paulo Jaleco à rádio Diana. De Paulo Jaleco, um médico, desde sempre comprometido com as coisas do desporto já se sabe que não é um político e que o PSD/CDS esperam que ele, com algum carisma que mantém nalguns meios da cidade, possa evitar a derrocada que muitos adivinham (nomeadamente a perda do vereador). É possível que Paulo Jaleco evite a perda do vereador laranja - sobretudo por não ter um discurso político nem ser muito identificável com a actual maioria que gere o país. E isso ficou bem patente nesta entrevista. Percebeu-se que Paulo Jaleco tem "umas ideias gerais" sobre Évora e o seu patamar de discussão está ao nível das conversas de café que todos temos. Tem umas ideias sobre o Garcia de Resende, o envolvimento dos agentes, a necessidade de aproveitar todos os investimentos, a certeza de que a situação financeira da Câmara não permite grande obra, mas pouco mais - aliás, por meia dúzia de vezes disse que foi convidado para candidato só há alguns meses e que só agora está a estudar alguns dossiers.
Ao ouvir a entrevista fica a sensação que Paulo Jaleco é honesto no que diz: não sabe e diz que não sabe, evitando pôr-se em bicos de pés e sabendo que o que está em jogo não é a sua eleição para presidente de Câmara mas apenas como veredor - e o mais provável ficando sem pelouro (e se o conseguir é um bom resultado!)
A entrevista seguiu o formato das realizadas a Calos Pinto Sá e a Maria Helena Figueiredo, com José Faustino a "mostrar", mais uma vez, que a entrevista a Manuel Melgão foi a excepção - em que a combinação de assuntos a tratar e a não tratar foi mais do que evidente.
De Paulo Jaleco pode-se dizer que é um candidato fraco - mas, neste momento, ao PSD/CDS seria dificil encontrar melhor.


Ouvidas as quatro entrevistas, embora sem ser brilhante, Pinto Sá, o candidato da CDU, (com anos e anos de tarimba) foi o que mostrou melhor conhecer os dossiers - apesar das referências constantes a Montemor e ao "peso" do sector agrícola - que, diferentemente de Montemor, quase não se nota em Évora - e ter ideias precisas e melhor delineadas;
Maria Helena Figueiredo, do Bloco de Esquerda, apesar de se lhe notar um grande voluntarismo, sente-se que é uma "novata" nestas andanças, com um discurso muito genérico, e ainda pouco à vontade;
Manuel Melgão, nesta série de entrevistas da Rádio Diana, foi a maior desilusão: actualmente presidente de Câmara e com oito anos de experiência autárquica em Évora esperava-se dele um discurso mais estruturado, mais afirmativo e, pelo menos, mais entusiasta. Não foi nada disso. Compreende-se porquê a sua recusa em participar em debates até agora.
Paulo Jaleco não esteve mal nem bem: é assim. A sua ambição também é quase nenhuma - segurar o máximo possível os votos do PSD e do CDS de há quatro anos para evitar a perda do vereador. E para isso tem o perfil certo: ninguém o vê como político, muito menos comprometido com a gestão PSD/CDS a nível nacional.

A partir de amanhã Évora transforma-se na "Cidade dos Palhaços"


Pelo terceiro ano consecutivo, o Pim-Teatro organiza a Semana dos Palhaços, festival ibero-americano que decorre em Évora de 24 a 28 de julho, animando vários espaços do centro histórico e os belos relvados do Bairro da Malagueira.
Vão ser 5 dias de muita animação, com 10 companhias a realizarem mais de 20 apresentações em 5 locais diferentes da cidade, desde o Centro Histórico (Praça do Sertório e Praça do Giraldo) ao Bairro da Malagueira, passando pelo Parque Infantil do Jardim Público e terminando todos os dias na sede da companhia anfitriã, a Casa do Alto de S. Bento, quartel general do Festival.
O público desta cidade alentejana vai poder apreciar a arte e o engenho de palhaços, acrobatas e malabaristas da Venezuela, Brasil, Colômbia, Espanha e Portugal, em sessões para todas as idades que decorrerão aos finais de tarde de quinta e sexta na Praça do Giraldo (18h30), e nas noites de quinta a sábado na Praça do Sertório (22h). As tardes de sábado e domingo serão passadas no Bairro da Malagueira (18h), numa grande tenda montada nos fabulosos relvados deste emblemático bairro de Évora. Sábado é dia de “Parada Clown”, o que quer dizer que os artistas presentes no Festival, bem como amigos e voluntários do Pim-Teatro, todos devidamente apetrechados e imbuídos pelo espírito “palhaço”, percorrerão grande parte do Centro Histórico, durante toda a manhã, com a sua irreverência e loucura. Esta “Parada” conta com a presença sempre forte e divertida do grupo de percussões “Txtapum” de Arraiolos. Domingo pelas 11 horas da manhã a Semana dos Palhaços ocupa outro espaço nobre desta cidade que é o Parque Infantil do Jardim Público. De quarta a sábado, a Casa do Alto de S. Bento transforma-se, a partir da meia-noite, no Cabaret onde vários artistas improvisam num figurino de “palco aberto”. O programa detalhado pode ser consultado em www.pimteatro.pt.
Organizada pelo Pim-Teatro, esta iniciativa conta, desde a sua primeira edição, com o apoio da Junta de Freguesia da Malagueira, que se tem revelado o parceiro financeiro mais constante deste evento. Com efeito, o Pim-Teatro, que já tinha deixado de ter o subsídio da Câmara Municipal de Évora desde 2009, ficou este ano sem o apoio do governo central, deixando toda a sua actividade de criação artística, itinerância teatral e dinamização comunitária posta em causa. Esta terceira edição do Festival Ibero Americano de Palhaços só é possível graças à solidariedade de muitas pessoas que contribuem com a oferta do seu trabalho, de bens alimentares e outros.
Os artistas que integram a programação (Tirro Plomo, Zibaldoni, Capela Cabaret, Tchóchi o Palhaço, Madame Nez Rouge, Piparelli e Espaguete, Palhatiko, Nuvem voadora e Mr. Oli) são, na opinião da organização, os primeiros patrocinadores do evento, já que se deslocam a Évora pelos seus meios, e como pagamento pelo seu trabalho terão apenas a contribuição voluntária do público no final de cada apresentação. Mas o Pim-Teatro faz questão de referir o crescente aumento de apoios do comércio local, sinal de que os comerciantes de Évora têm consciência de que a actividade cultural é uma riqueza que importa preservar.
Assim é de notar que na barra de apoios do cartaz desta iniciativa, a par da Junta de Freguesia de Malagueira, da Secretaria de Estado da Cultura (através da sua Delegação Regional), da Câmara Municipal de Évora, da Sociedade Harmonia Eborense, do Grupo Pró Évora, da Telefonia do Alentejo e do Diário do Sul; constam nomes como: Art Café, Cafetaria Vinil, Audex e Cafetaria de St. Humberto.
Agora só resta ao público comparecer em massa nos espaços previstos para as actuações e presentear estes generosos artistas com um forte aplauso e, não esquecer, com um não menos forte contributo financeiro no chapéu que roda no final de cada apresentação. (Nota de Imprensa)

Ver Programa:  www.pimteatro.pt

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Évora Shopping: deveria ter sido inaugurado em 2010, depois em 2013, agora já lá vai em 2014. Parece as "promessas" dos políticos


Obras, de novo, paradas
... A obra está parada como consequência da venda do centro a um fundo de investimento imobiliário. Neste momento o novo proprietário está a organizar internamente o processo da obra, para que possa ser retomada o mais breve possível. Quanto à abertura, esta está prevista agora para o início de 2014.

Uma ajudinha p´ó ceguinho!


Os ministros Álvaro Santos Pereira e Assunção Cristas vão ser multados em mais de 43 euros por dia pela paragem das obras na A26, a auto-estrada que liga Sines-Beja. 
A decisão, inédita, é revelada pelo “Jornal de Negócios” e partiu do Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja, na sequência de uma providência cautelar apresentada pela Câmara de Ferreira do Alentejo. 
O Ministério da Economia disse ao jornal que vai recorrer da decisão. (aqui)

Banalidades de base


Dia 10 de Julho esta maioria PPD/CDS não tinha a confiança de Cavaco Silva, passados onze dias passou a ter a confiança politica de Cavaco.........Quem acredita ainda nesta classe politica?

Anónimo

sábado, 20 de julho de 2013

Em véspera de cavacal comunicação: um poema de múltiplos significados

a

Eis que se abrem as portas de Ishtar
São os beijos de Babilónia que chamam por mim
Oh que prazeirosa dor
a revelar-me o agrado de ser homem
Por momentos
solto no universo
crio a minha própria estrela
Luz e fogo
Nem suspeito se os deuses caídos reganharam asas
se foram os homens
esses dilúvios cósmicos
que romperam o silêncio e abdicaram da imortalidade
apenas sei que um sorriso
só tem sentido
quando se apercebe a lágrima...

(poema de uma série de dez - já o escrevi há algum tempo - que denominarei "poemas dos bicos circulares")


E só com bilhete de ida

elias, o sem abrigo, a.fernandes, jn

Manuel Narra: um candidato comunista "à boleia" do vinho?

Manuel Narra, o vindimador
ver notícia aqui

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Este sábado no Palácio Cadaval (Évora)


Manuel Melgão: uma chachada de "entrevista"


Fiz um esforço enorme para ouvir estes 66 minutos de "entrevista". Ponho "entrevista" entre aspas porque não se tratou nada disso. Foi uma conversa o mais inócua possível. O "entrevistador" pegou naquilo que o candidato do PS disse serem as linhas mestras da sua candidatura (políticas sociais, educação e desenvolvimento económico) e foi por aí fora, com a mão debaixo do candidato não fosse ele se perder nos meandros de alguma questão.
Para o fim, e telegraficamente, quase pedindo desculpa, o director da rádio diana lá pediu a opinião do "entrevistado" sobre a cultura, o centro histórico, o ambiente... (dizendo mesmo que a estes assuntos é dada uma desmesurada importância, na sua opinião...).
O candidato do PS a isso quase nem respondeu. Deu a impressão que eram "perguntas fora do baralho" daquilo que estava combinado.
E é estranho - muito estranho - que não tenha havido uma pergunta sequer sobre o endividamento da Câmara, a relação com as águas do Centro Alentejo, o PAEL, a relação com os agentes culturais e desportivos, etc., etc...
Manuel Melgão e a sua candidatura podem sempre dizer que essas perguntas não lhe foram feitas - por isso não houve respostas.
Para mim, que não sou de deixar as palavras a meio, este parece mais um daqueles jogos com "resultado combinado", neste caso com perguntas previamente definidas.
Foi um mau trabalho da rádio - neste caso do seu director, José Faustino - (quando comparado o nível de perguntas feitas quer a Pinto de Sá quer a Maria Helena Figueiredo), mas foi também um mau serviço prestado à candidatura de Manuel Melgão. Quem ouve a entrevista (mesmo dolorosamente, pela falta de ritmo e de entusiasmo do candidato) percebe que há aqui um erro de casting - Melgão, com todos os seus defeitos e qualidades, não tem perfil para candidato à presidência da Câmara de Évora. Poderia dar um bom vereador das obras, do desenvolvimento económico, da educação, da acção social, sei lá... Mas - perdoem-me os seus apoiantes - para presidente de Câmara, de uma cidade como Évora, definitivamente, por enquanto - não sei o que vai acontecer noutros debates e entrevistas - não tem estaleca nem dimensão. É um personagem de segunda!
É uma pena. Mas a verdade é esta. Apesar do sentimento com que fiquei desta ter sido uma entrevista combinada (e aqui a "federação" deveria intervir como a federação de futebol intervém quando suspeita de jogos com resultados combinados) a prestação de Manuel Melgão foi muito abaixo do que se poderia supor. Nem atingiu os critérios mínimos para que, se fosse atleta, lhe fosse permitida a participação nos Jogos Olímpicos. Aqui, se esses critérios existissem, estaria definitivamente afastado do "jogo eleitoral", pelo menos como cabeça de lista.
Quanto a Paulo Jaleco ainda não ouvi a entrevista. Vai ser o meu próximo "calvário". Depois direi.