domingo, 16 de junho de 2013

uns e outros, ou a luta de classes de José Luís Peixoto

Contrastam ao meu olhar , desde que me lembro de mirar o que me rodeia, dois tipos de pessoas.
Por um lado, aqueles que têm a genuína capacidade de se maravilharem com os outros, de lhes beberem o sorriso, verem como se fosse sua uma obra apresentada, escutarem palavras ditas, ou descobrirem no outro sinais de ser.
Por outro lado, os que se posicionam face aos demais como se fossem peças desnecessárias ao seu puzle. Podem admitir, aqui e ali excepções para o caso de familiares ou membros mais próximos da sua tribo. Estes últimos são bons a desvalorizar e principalmente a banalizar. 
Os primeiros, - entre os quais incluo José Luís Peixoto-  orgulham-se das raízes,  são capazes de aplaudir não só uma suprema maravilha, como também o dizer de um vizinho, um silêncio ou uma brisa.
Os últimos são muitos e sinto-os como elitistas. Nunca como gente culta. Mas os primeiros são ainda mais, e são o outro no qual me desejo reconhecer. Com eles hei-de crescer. 
Foi por isto que a Luta de classes de José Luís Peixoto me agradou tanto. Deixo-o aqui para quem ainda não leu... e façam-se o favor de não ter medo.

5 comentários:

  1. Li-o porque o esquerda.net sugeriu-o há dias, mas. Mas e explico: o link do anterior post no site do BE remetia para um *indefinido* blog alentejano cujo nome foi uma marca registada de parte dos administradores do actual A Cinco Tons. E que poderia, aparentemente, continuar a ser (ainda há pouco reproduziram umas páginas com o perfil do malogrado João Honrado, a relembrar). Entre a hemeroteca e a blogosfera, e sendo indiscreto q.b., o que é que está a acontecer nas linhas da planície e/ou nas curvas da serra?

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Caro(a) RFC:
    Gostaria de compreender a sua indiscrição mas não tenho elementos para tanto. Também eu gostaria de saber se J. Luís Peixoto escreveu este texto para o blog Imenso Sul, ou se originalmente será de outra fonte... mas essa é apenas uma minúscula curiosidade, praticamente irrelevante perante a importância do texto e a sua clareza e força.

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  4. Duas ou três coisas (e uma nota prévia), rápidas. De compreender, ou de não compreender, quereria dizer simplesmente de responder neste contexto (porque o meu primeiro comentário foi suficientemente claro), presumo. De resto, não estou de acordo consigo sobre a irrelevância perante o que o JLP escreveu porque, nestes dias, eu próprio o partilhei sem uma fonte segura através da minha mailing list anotando, antes, que os destinatários não se deixassem afugentar porque um artigo não era só o título. E fi-lo porque valia a pena, de acordo. Essa discussão deixou de estar latente nos comentários do esquerda.net, entretanto, e além do + concordará comigo que um post passa a ser *outra coisa* como os lados do cubo de Rubik. Assim, por maiúscula curiosidade (!), comentei-o brevemente perante a comunidade do BE. Os interessados podem seguir o link inicial.

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  5. Só uma classe que recusou, como ultraje, a possibilidade de ser avaliada para efeitos de progressão profissional – isto é, uma classe de medíocres reivindicam o direito constitucional de ganharem o mesmo que os competentes – é que se pode permitir a irresponsabilidade e a leviandade de decretar uma greve aos exames nacionais. Nisso são os professores exemplares: transmitem aos alunos o seu próprio exemplo, o exemplo de quem acha que os exames, as avaliações são um incómodo para a paz de um sistema assente na desresponsabilização, na nivelação de todos por baixo, na ausência de estímulo ao mérito e esforço individual.
    Mas a greve dos professores vai muito para lá deles: reflecte o estado de espírito de uma parte do País que não entendeu ou não quer entender o que lhe aconteceu. Deixem-me, então recordar: Portugal faliu. O Portugal das baixas psicológicas, dos direitos adquiridos para sempre, das falcatruas fiscais, das reformas antecipadas, dos subsídios para tudo e mais alguma coisa, dos salários iguais para os que trabalham e os que preguiçam, faliu. Faliu: não é mais sustentável. (…) Se alguém conhece uma alternativa mágica em que se possa ter professores sem crianças, auto-estradas sem carros, reformas sem dinheiro para as pagar, acumulando dívida a 6,7 ou 8% de juros para a geração seguinte pagar, que o diga.

    Miguel Sousa tavares, Expresso 15 Junho 2013

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