quarta-feira, 12 de junho de 2013

Questões pessoais com impacto público e político


Embora muito do que aqui é dito tenha um carácter pessoal, de relação entre um cliente e o seu advogado, também é claro o significado politicamente forte deste texto de um homem reconhecido nos meios culturais da cidade, antigo vereador de Abílio Fernandes e com grande peso na estrutura local do PCP e da CDU, tendo sido mesmo mandatário das listas da CDU há quatro anos - precisamente no momento em que Eduardo Luciano, que agora critica, era o cabeça de lista.
Esta posição de Manuel Branco, que não se coaduna com a prática corrente no partido (mais do tipo "come e cala") já era conhecida por muitos dos que se movem nos meandros da máquina comunista, tendo também levado a inúmeras diligências para acalmar os ânimos. Nenhuma deu resultados, mas também poucos acreditavam na ameaça de Manuel Branco: se Eduardo Luciano fosse candidato ele tornaria pública a sua posição.
Disse que fazia e fez. Ontem à noite, pouco depois do comício da CDU na Praça do Sertório, Manuel Branco, que esteve na apresentação dos candidatos, publicava no acincotons o texto em causa. Muito duro e violento.
Um texto que é mais uma etapa (outras haverá?) na falta de transparência interna em que o PCP parece ter vivido nos últimos anos relativamente à sua "frente autárquica" eborense.
Senão vejamos: foi público que em cerca de metade do mandato autárquico, Eduardo Luciano e a nº2 da CDU, ainda na Câmara, Jesuína Pedreira, deixaram de se falar (e ainda não se falam), a pretexto de "questões pessoais" que rapidamente se terão transformado em "questões políticas".
Depois houve todo o longo processo da escolha de candidatos com os órgãos do PCP a preferirem Pinto Sá em detrimento de Eduardo Luciano que foi relegado para terceiro lugar, quando parecia um dado adquirido que seria ele a liderar a lista.
Dentro e fora do PCP há a ideia de que os dirigentes do partido estariam convencidos de que ao retirarem Eduardo Luciano de cabeça de lista este recusaria qualquer lugar entre os candidatos à Câmara, resolvendo a questão levantada por Manuel Branco - qualquer que fosse a lista, se Eduardo Luciano dela fizesse parte, "faria sangue".
Mas Eduardo Luciano aceitou o segundo e depois o terceiro lugar. Talvez agora, com este "braço de ferro", se comece a perceber porquê.
As acusações feitas por Manuel Branco são graves (embora, repita, muito no foro da relação cliente/advogado, existindo por certos órgãos onde ela possa ser dirimida bem melhores do que a praça pública), sobretudo quando a CDU acentua as caracteristicas da "honestidade e competência" entre os seus candidatos. A procissão ainda vai no adro e a campanha eleitoral ainda vai demorar alguns meses. Como todos, espero que ela seja feita para debater os temas da cidade e do concelho e não para uma contínua "lavagem de roupa suja" - o que também não deixa de ser um indicador político.
Uma última nota, apenas para dizer que dos 7 candidatos ontem apresentados pela CDU à Câmara de Évora o que conheço melhor e ao qual me ligam alguns laços de maior proximidade é precisamente a Eduardo Luciano, com quem sempre mantive relações pessoais e profissionais de grande lisura e respeito mútuo. Fica dito. Outras opiniões haverá, sobretudo, porque, como se viu nestes últimos quatro anos, Eduardo Luciano é homem capaz de suscitar grandes paixões. A favor e contra.

5 comentários:

  1. É pena que se confundam os casos pessoais com a política. Mas é inevitável. Somos humanos, às vezes demasiadamente humanos e tudo se mistura. Os afectos, as paixões, os ódios. E quando um dos contendores transporta esses factos para a vida pública eles tornam-se políticos. Este caso, agora relatado, dá conta da incapacidade das máquinas partidárias para fortalecerem e estimularem a solidariedade e a fraternidade. Tendo como objectivo apenas a conquista do poder, o espírito competitivo, do ganha e perde, está inscrito na sua linha genética. Regra geral os partidos políticos,sobretudo os de matriz mais ideológica) são também aqueles em que a luta pelo poder, mesmo que seja apenas o poder pessoal, resvala quase sempre para o campo das expulsões, das cisões, das camapanhas de roupa suja.
    É uma pena que o espaço público não potencie novos relacionamentos, maior transparência e uma clareza nos métodos com que se pretendem alcançar os objectivos e a política não seja, frequentemente, mais do que a afirmação dos pequenos quintais pessoais e de grupo e não o esgrimir de ideias, propostas, soluções diferentes e diferenciadas para o bem comum. Cada qual corre por si, fazendo o "amigo" do lado tropeçar sempre que haja essa oportunidade. E isto é transversal a todos os partidos. A "honestidade e a competência" estão em todos. E também o seu contrário. Humanos, demasiado humanos é o que somos. Por mais voltas que possamos dar, vamos chegar sempre ao mesmo sítio: se não mudarmos radicalmente os métodos, as formas de actuar e de nos relacionarmos, o nosso contributo para qualquer mudança, por mais mínima que seja, será simplesmente nulo.

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  2. o Rapazinho ou é parvo ou estuda para isso...
    Então o Luciano enrolou-0 no primeiro processo e ainda lá vai no segundo?
    Isso é o mesmo que termos sido enganados pelo PS e ainda votarmos segunda vez neles.
    Ele que se cuide e não seja tolo

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  3. Percebo o desabafo do Dr, Manuel Branco, pois já passei por um caso semelhante, também aqui o advogado, neste caso o Dr. Hilario, deixou passar os prazos e com isto eu ia perdendo a minha casa valeu-me um advogado de Aveiro que me salvou a vida.
    Nestas alturas, em que somos obrigados a ter advogado e eles erram grosseiramente, podendo estragar as nossas vidas, não gostamos e dizemos isso alto e bom som sem nos importar das mossas provocadas.
    Lurdes

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  4. E quando há algo em que os clientes acham que foram prejudicados por desleixo dos seus advogados.. há a Ordem dos Advogados a quem recorrer.. Não é em público que se tratam de assuntos relaccionados com os erros da advocacia...

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  5. Não conheço Manuel Branco nem Eduardo Luciano. Sei que ambos foram vereadores da Câmara Municipal de Évora, suponho que o primeiro é aposentado e que o segundo é advogado no activo. Não sou do PCP nem da CDU, mas sou deles votante. Votei na lista que integrava Manuel Branco, na lista que integrava Eduardo Luciano e irei votar de novo na lista da CDU que, pelos vistos, integra de novo Eduardo Luciano. Votaria nela se Eduardo Luciano não fizesse parte dela. Votarei nela integrando ela Eduardo Luciano. Posto isto, gostava de dizer duas ou três coisas que o artigo de Carlos Júlio me suscita.

    A primeira:
    Custa-me que, sem fundamentação, concretização e prova, se publiquem e se dê cobertura a acusações que atentam gravemente contra a honra e a dignidade de pessoas. Não sei se o advogado em causa terá prevaricado, como é acusado. Sei, contudo, que, caso a prevaricação tivesse acontecido, o acusador tinha instâncias às quais poderia ter pedido o seu julgamento e, se fosse o caso de a merecer, a sua punição. Se apresentasse esse julgamento, outra autoridade teria. Mas nem uma coisa nem outra tendo sido feita, não posso aceitar a ligeireza e a impunidade com que se proferem e propalam tais acusações. Nestas circunstâncias, corre o risco de não passarem de impropérios e vilezas. E esse risco é de quem as profere e de quem as publica. E quanto a este último particular, confesso que o blogue acincotons me parecia mais sério e cuidadoso. Mas também é verdade que o sangue vende e que a tentação é grande, pelos vistos Custa-me que pessoas que se supõe cultas e bem-formadas se assumam como juizes em causa própria, proferindo as suas sentenças sem suportarem o ónus de as demonstrar. Até prova em contrário presumo a honradez. E acrescento que nem sempre as nossas causas, que temos a tendência para considerarmos justas e razoáveis, efectivamente o são.

    A segunda:
    Percebe-se que, como dizia outro, há na coisa muito de questões de “paróquias privadas”. E é esse tipo de paroquialidade que habitualmente alimenta o coscuvilho, a pelintrice, a mediocridade. Conheço felizmente pessoas que fazem na política e na carreira na política um percurso nobre, que estão na política e nas causas públicas por razões de serviço, de altruísmo, por vontade de serem agentes do bem-público. E existem em quase todos os quadrantes políticos. Para falar só dos já falecidos poderia referir Salgado Zenha, Álvaro Cunhal, Lino de Carvalho e tantos outros. Bastaria falar dos heróis que anonimamente sofreram e morreram às mãos da PIDE e nas masmorras do fascismo, que deram a vida sem parangonas nos jornais ou epitáfios nas tumbas. Se em listas de candidaturas, pessoas desse jaez tanto se sentiriam honrados em primeiro lugar como em terceiro, ou segundo, ou quarto ou quinto. Porque não reconhecer aos membros da lista em causa iguais qualidades e motivações? De um deles sei que seguramente assim é, o Dr.Carlos Pinto de Sá, de quem tenho a certeza, que o conheço, que não é por protagonismo ou sede de poder que encabeça a lista de Évora - integrá-la-ia, com a mesma dignidade, em quarto ou quinto ou sétimo lugar, estou certo. E porque é que se hão-de enlamear as intenções dos outros nas questões “paroquiais” com que o autor do texto se deleita?

    A terceira:
    Manuel Branco tem o direito de votar em quem entender e de ter opioniões. Não tem ele, nem ninguém, o direito de fazer como fez, de acusra como acusou - já acima o disse e expliquei porquê. Se, a propósito de questões privadas, tentou a chantagem que o autor do artigo em comentário insinua - isto é, ou correm com o homem ou eu publico! - andou mal, muito mal. E folgo saber que o partido que já o guindara a vereador soube dar mais importância às causas que às coisas.

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