sábado, 1 de junho de 2013

"O homem que perdeu a chave do cavalo". Uma exposição de Jorge Castanho


Jorge Castanho é um artista multifacetado. É de Beja, vive em Lisboa, andou por terras da Andaluzia e é um tipo porreiro. Louco, mas (talvez por isso) porreiro.Às vezes genial na loucura. Mas sempre inovador.
Na biografia oficial diz que "é investigador do Centro de Investigação e de Estudos em Belas-Artes da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Pós-doutorado pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (2007/2013). Doutorado em Desenho pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Sevilha (2006)". Pode ser. Mas conheço outras biografias do Jorge Castanho que não apenas esta. Por isso vos convoco para esta exposição. Em Lisboa, a capital. Na Rua dos Navegantes, 58B
Eis o press-release da coisa;
"O vento parecia tornar frágil e instável a plataforma oval que se equilibrava sobre o prédio. Havia dias que tudo estava preparado; a nave em forma de cavalo-aranha, que hospedava os seres que tinham sido construídos e testados na superfície helicoidal do laboratório, estava imóvel no centro do círculo central.
No monitor, as entidades que modelava adquiriam sempre vida depois de descerem do ambiente digital – quando impressas e programadas autonomizavam as suas longas vidas. Havia aves do paraíso, plantas exóticas e uma rara coleção de morfologias híbridas. Considerava-as um complemento do universo; onde a natureza não tinha chegado era acrescida agora pela ciência, pela técnica – mas tudo tinha origem na inventiva poética, costumava comentar.
Sabia que a primeira parte da password dizia respeito à cor exata da nave e os últimos dígitos pertenciam ao volume da asa. Depois de digitados não conseguiam desbloquear o acesso àquele estranho aparelho, saído às partes da impressora 3D, que mais parecia ter crescido num bosque fantástico, próprio dos ambientes de animação.
Não era só o seu trabalho de anos que, à beira de levantar voo, estava imóvel no heliporto; eram os sonhos de juventude que em breves dias poderiam ficar perdidos".
Começa assim o livro "Um voo para o deserto" (Atenas, 1981) de Vassilikos Karagatsis, que deu origem ao último projeto artístico de Jorge Castanho, constituído por esculturas digitais impressas e montadas e por um conjunto de desenhos sobre papel, agora apresentado no Espaço Navegantes, Art Research, na Rua dos Navegantes 58 B em Lisboa.

Aberto às 2.ªs, 4.ªs, 5.ªs e sábados, das 15h às 18 horas, até 27 de Julho.(nota à imprensa)

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