sexta-feira, 7 de junho de 2013

DA de hoje


1 comentário:

  1. 1. Escreve Paulo Gaião, no Expresso: "O PCP está a comemorar o centenário de Álvaro Cunhal em 2013. O panegírico fica para os comunistas. Aqui convém recordar o que não vem nas biografias oficiais do Partido sobre o seu líder histórico.
    Em primeiro lugar, o apoio de Cunhal ao pacto de não agressão germano-soviético de 1939. Cunhal escreveu vários artigos no jornal "O Diabo" em que elogia o pacto dentro da lógica leninista de que a guerra no seio dos imperialismos ocidentais podia ser benéfica para a internacional comunista.
    Num artigo de 9 de Março de 1940, "Nem Maginot, nem Siegfried" chega a escrever, como refere José Pacheco Pereira na sua biografia política de Cunhal: "Mas haverá alguma diferença entre a Alemanha do sr. Hitler e a França do sr. Daladier ou mesmo a Inglaterra do sr. Chamberlain".
    Ora, em 1940, como é sabido, Hitler já havia escrito o Mein Kampf há 15 anos, onde defendera a perseguição aos judeus, livro que Cunhal certamente conheceria... Em 1940 tinham passado sete anos sobre a Queima dos Livros e dois anos sobre a Noite dos Cristais de 9 de Novembro de 1938, em que foram mortos centenas de judeus e milhares presos."
    E, acrescento eu, milhares de comunistas tinham sido internados em campos de concentração, o que provocou uma reacção de indignação nos militantes comunistas dos países ocidentais (ex.: França, Itália): como "pactuar" com ESSE Hitler? Prossegue o artigo:
    "Como é que em nome da revolução comunista mundial e de uma cegueira soviética Cunhal consegue equiparar Hitler a Chamberlain e Daladier?
    Em segundo lugar, o combate pró-Estaline que Cunhal fez contra o relatório Kruschev do XX Congresso do PCUS de 1956 que denuncia os crimes de um líder que matou tanto como Hitler.
    Na prisão de Peniche, com Júlio Fogacha a comandar o partido, Cunhal assistiu com frieza ao degelo soviético e ao apoio do PCP a esta linha. Como escreve o politólogo Carlos Caspar: Cunhal "nunca tomou para si a crítica do estalinismo, que punha também em causa os pequenos Estaline".
    Ler mais: http://expresso.sapo.pt/o-cunhal-de-que-o-pcp-nunca-fala=f780855#ixzz2VcobabBb

    2. A reflexão que me ocorre sempre que vejo a "heroização" do A. Cunhal (que de facto também foi o resistente, o preso, o torturado, não se trata de o negar, mas daí não retiramos que ele tivesse "razão", porque muita gente lutou e sofreu por outras causas que totalmente reprovamos), é que o nosso pobre país se deixou encurralar num imaginário de chumbo, entre as duas figuras do século XX que cristalizam os marcos opostos mas equivalentes, entre os quais se debate a consciência nacional: o Salazar e o Cunhal. O primeiro, para nossa extrema vergonha, foi votado em não sei que concurso como a grande figura; o segundo é promovido, a favor da amnésia, a herói "positivo" para uma certa "esquerda".
    Que o PCP insista em não reexaminar criticamente a "Era Cunhal", isso é problema seu. Assim se fecha a um aggiornamento" que outros partidos comunistas souberam fazer e assina a sua própria derrota. Mas que um certo romantismo "revolucionário" não veja que desses "heróis" nada, absolutamente nada se pode reter para o presente e ainda menos para uma transformação futura destas sociedades, parece-me mais grave. Os "revolucionários" fossilizados nas crenças soviéticas são... profundamente reaccionários. E as questões societais (ecologia, género, opções sexuais e igualdade de direitos, etc.) passam-lhes inteiramente ao lado. Quem se preocupa?
    JRdS

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