domingo, 30 de junho de 2013

Évora – O FOLHETIM AUTÁRQUICO: NOVOS EPISÓDIOS DA VIDA PARTIDÁRIA


O folhetim autárquico continua a surpreender-nos com novos e rocambolescos episódios. Já nem as sessões de apresentação dos candidatos decorrem sem surpresas e num cordato e pacífico ambiente a puxarem à exaltação partidária dos escolhidos, bem-venturados entre tantos prosélitos. Agora há factos que decorrem por fora e surpreendem,  como diria o meu avô, «os mais entendidos, os menos avisados e os mais mal intencionados». Em foco, mais que os respectivos cabeças de lista, vieram a estar um Branco ( entre a CDU) e um Branquinho (PSD apoiando o PS), com motivações de natureza diferente, ambos figuras públicas da nossa cidade, pois aqui cresceram, estudaram, desenvolveram as suas carreiras, professaram as suas ideologias e fizeram parte das suas instituições políticas mais relevantes. Irmanados nesse aspecto, muitos outros, como a concepção da vida e a dimensão ética do exercício da cidadania, os separaram e continuam a separam. Por isso as opções agora tomadas, de afrontamento claro aos partidos a que emprestaram o seu nome, têm deixado muita gente perplexa e confusa, com repercussões naturais nos seus militantes, simpatizantes e eleitorado natural.
1.Vejamos em primeiro lugar o caso de Manuel Joaquim Calhau Branco, que foi estudante do Liceu Nacional de Évora até ao 5º.ano tendo depois ingressado na Escola do Magistério Primário. Por esse tempo era muito ligado à Mocidade Portuguesa no âmbito da qual veio a ganhar um concurso organizado a nível provincial sobre política ultramarina e cujo prémio era uma viagem a terras de Vale do Limpopo em Moçambique. Dessa visita escreveria Manuel Branco as suas impressões de grande louvor ao empenho do governo português no desenvolvimento das províncias ultramarinas, no “Olá Amigo”, órgão daquela organização juvenil nacionalista em Évora.
Com a obtenção do curso de professor do ensino primário, Manuel Branco, homem de grande inteligência, não deixou de estudar e adregou concluir sem dificuldades o curso geral dos Liceus.
Seguiu-se à tropa e a Guerra Colonial, cumprida como alferes miliciano, e no decurso da qual recebeu, na Guiné, ferimentos da alguma gravidade. A recuperação foi prolongada dado que o órgão mais afectado foi uma vista. Ganhou então direito ao estatuto de deficiente   das Forças Armadas. Da Delegação em Évora  da respectiva  Associação é  hoje o seu presidente da Direcção. O transe difícil pelo qual passou fê-lo mudar politicamente. Já depois do 25 de Abril aproximou-se do MFA e passou a navegar na orla do PCP sem a ele contudo ter aderido. Com denodo e empenho conseguiu licenciar-se em História e pouco depois seguiu-se o Mestrado em História de Arte. E dedicou-se à investigação sobre múltiplos aspectos dos edifícios mais emblemáticos da história da cidade. Tornou-se companheiro de Túlio Espanca. Quando este morreu Abílio Fernandes chamou-o para seu conselheiro cultural.
Depois de ter passado pela Assembleia Municipal foi eleito para a Câmara de Évora, assumindo com brilho o lugar de vereador da Cultura, ainda na condição de independente. Entretanto veio a ser nomeado director do Boletim de Cultura “ A Cidade de Évora”, que entretanto entrara em 2ª.Série.
Com a perda da Câmara de Évora pelos comunistas voltou para a docência e para o trabalho de investigação onde consolidou prestígio e cimentou o respeito dos seus pares. Foi com base nesse prestígio que foi convidado e aceitou ser o mandatário concelhio da mais débil candidatura da CDU de sempre às eleições de há quatro anos, encabeçada por um quadro do partido, oriundo do Barreiro, o advogado, praticamente desconhecido na cidade, Eduardo Luciano, que ameaçou de muito perto a vitória de José Ernesto d’Oliveira. De facto a oposição ao executivo veio a revelar-se muito fraca e consistente, para além de Luciano se ter incompatibilizado com a sua camarada Jesuína Pereira, ao ponto de cortarem relações pessoais, facto que contribuiu para a má imagem e a falta de coesão do grupo.
Mas as relações entre Manuel Branco e Eduardo Luciano vieram a azedar-se com o decorrer do tempo. O primeiro entregará ao advogado a sua representação em dois assuntos que pretendia querelar na justiça. Luciano terá acabado por não dar seguimento a qualquer deles. Branco acusou-o de «irresponsabilidade e desleixo» e informou o partido de que tomaria posição pública se acaso Eduardo Luciano viesse a integrar a futura candidatura à Câmara Municipal. O partido não cedeu às suas pretensões.
E na própria noite em que Jerónimo de Sousa participava na Praça de Sertório à apresentação dos candidatos Manuel Branco fazia chegar ao “ A cinco tons “ , um comentário, em que afirmava textualmente «... não posso calar-me quando este advogado irresponsável e mentiroso contumaz, se deixou candidatar a um cargo na minha cidade, manchando com a sua presença uma lista que sem ele, tinha todo o meu apoio e creio que condições.» E naturalmente, adianta que apenas votará CDU para a Assembleia Municipal e para a sua Junta de Freguesia.
O PCP não reagiu, mas é evidente que esta posição de Manuel Branco incomodou e, de que maneira, as gentes da Rua de Avis que sabem da influência que ele tem junto dos independentes e do pessoal da cultura, mesmo dos sócios da Associação dos Deficientes das Forças Armadas. Por outro lado penso que Manuel Branco avaliou mal o seu peso na CDU sabendo que as decisões do PCP são para serem acatadas e não para serem discutidas. E esta é uma ruptura cujas consequências são imprevisíveis e cujos danos colaterais Pinto de Sá não poderá controlar.
2. O  segundo episódio é espantoso, é mesmo fabuloso na perfídia do seu engenho. O famigerado cavaquista e neo-liberal Francisco Mira Branquinho, antigo governador civil durante treze anos, ex- dirigente distrital e nacional do PSD, amigo dilecto de Dias Loureiro, vai apoiar a candidatura de Manuel Melgão, tendo participado inclusive no jantar de apresentação da sua candidatura. O seu nome salta para a ribalta no momento mais inesperado, numa altura em que estava dado como politicamente morto embora se recuse a admiti-lo e vem reavivar pela negativa o passado desta figura tão pouco grata à esmagadora maioria dos eborenses.
Por diversas vezes, depois de ter sido arredado do Governo Civil, Mira Branquinho- em declarações prestadas à imprensa regional-Mira Branquinho manifestou o seu desejo de vir a ser candidato à Câmara de Évora pois tinha a certeza que sairia vencedor. Se bem interpreto as coisas, Mira Branquinho terá considerado que o momento de formalizar a sua candidatura tinha chegado até pela dificuldade que o PSD e o CDS , nas actuais circunstâncias políticas sentia em arranjar quem a quisesse protagonizar.
Em suma, Branquinho terá pensado que era o homem certo no momento certo pelo que se terá chegado à frente, mostrando-se disponível para tal. O tiro saiu-lhe pela culatra. O ex-governador civil avaliou mal, porém, o seu peso na distrital onde há pessoas que o responsabilizam pela má imagem do partido na cidade a até a nível distrital e entendem  que o seu passado não foi esquecido». Dois deles inclusive terão manejado na sombra, na altura (sei do que estou a falar), para conseguir o seu afastamento de governador civil.
E declinaram a sua oferta. Esse era um passado do qual há muito se procuram libertar e não queriam vê-lo ressuscitado. Perder por perder, antes apresentando um outro militante, com boa imagem na cidade, sem passado político conhecido mas capaz de gerar simpatia em vez de rejeição.  Ora quem conhece Branquinho- que ainda se considera a figura de referência “laranja” do distrito- sabe que o homem pode levar desaforo para casa mas no caminho vai logo congeminando em como revidar.
Não lhe bastava conceder o seu voto a outro partido, nem levar os seus apaniguados (já poucos, diga-se de passagem, mas que ele continua a pensar que são em barda) a seguirem-lhe as pisadas. Não, havia que  fazer sangue, havia que afrontar as estruturas do Partido na praça pública, ainda que para isso tivesse de se opor  ao amigo Paulo Jaleco, com quem partilhou responsabilidades na condução do Juventude Sport Clube: Jaleco como presidente da Direcção, e Branquinho, presidente quase vitalício da Asssembleia Geral.
Foi assim que através de um intermediário fez chegar ao PS a sua intenção de apoiar publicamente Manuel Melgão em condições a definir pois Mira Branquinho  não dá ponto sem nó.  Negociada e sopesada, a proposta foi aceite. Mira Branquinho justificar-se-á  sempre enfatizando que fez a melhor escolha no sentido de entender que essa é a melhor forma  de impedir o regresso dos comunistas à Praça de Sertório e que esse deve ser o caminho a trilhar no acto de deitar o voto na urna. Como a concelhia socialista irá justificar a aceitação deste apoio a muitos dos seus militantes que não suportam Mira Branquinho e por isso o repudiam por completo, é coisa  a seguir com curiosidade.
Sou de opinião- e o futuro o dirá- que o PS ao aceitar este apoio comprometeu de forma decisiva as suas hipóteses de vitória. O número de votos que Mira Branquinho lhe trará será certamente muito inferior aos que perderá entre militantes, simpatizantes ou independentes. Já se começa a ouvir dizer: «Bem, pela primeira vez obrigam-me a votar nos comunistas». Mas o BE também pode chegar onde nunca pensou, ou seja eleger uma vereadora. Pelo meio parece ficar completamente escaqueirado o PSD.
3. Anote-se à guisa de epílogo o aparecimento  recorrente de António Veladas, em tempo de eleições, para zurzir as estruturas actuais do PSD eborense, partido do qual é militante antigo e com as quotas mais que em dia, a declarar o seu apoio a Carlos Pinto de Sá, e o grito de revolta da jornalista Maria Antónia Zacarias, lançado, no facebook, perguntando que nome se dá a um alegado assessor de imprensa que “sugere” que um  trabalho de reportagem determinado seja entregue a um jornalista diferente do inicialmente indicado?

Aguardemos os próximos episódios que o folhetim segue palpitante.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Aldeia da Terra comemorou 2º aniversário



Foi no passado dia 23 de junho de 2013 que a ALDEIA MAIS ANIVERSARIANTE DE PORTUGAL celebrou dois anos de porta aberta. Como está sempre ao dispor do visitante entre as 10h e as 18h isto traduz-se em aproximadamente em 5.840 horas de funcionamento. Segundo Zé Pevide, o presidente de junta de freguesia da Aldeia da Terra: "Sensivelmente o que um espanhol dorme de sesta ao fim de semana". Com preços que vão dos 3€ por criança, 3,5€ sénior ou 5€ por adulto, o bilhete de acesso, por pessoa, em grupos com mais de 20 visitantes fica por 3€ com oferta de uma ginjinha de boas vindas e barro para as crianças experimentarem a sua arte. O saltinho, depois, a Arraiolos, visitar os tapetes, o castelo ou provar as deliciosas empadas ou pastéis de toucinho, é quase de borla. Segundo Zé Pevide: "Já não há desculpa para não visitar..." (Nota de imprensa)

A propósito das medalhas da CME

Clique para ler
Crónica de Maria Helena Figueiredo - Diário do Sul (28 de Junho)

DA de hoje


quarta-feira, 26 de junho de 2013

Manual para candidato que queira cavalgar em qualquer sela


Os candidatos às eleições autárquicas de setembro têm até 26 de julho para apresentarem ao Tribunal Constitucional (TC) a constituição das coligações candidatas e de entregar até 05 de agosto as listas no tribunal da comarca a que pertencem.
De acordo com um documento da Comissão Nacional de Eleições (CNE) hoje divulgado, com os procedimentos para a realização das autárquicas, o recenseamento eleitoral está suspenso entre 31 de julho e 29 de setembro, dia em que decorrem as eleições.
Até 26 de julho, os órgãos competentes dos partidos políticos têm de comunicar ao TC a constituição da coligação, que “deve constar de documento subscrito por representantes dos órgãos competentes dos partidos” com a menção da respetiva denominação, sigla e símbolo.
Até esta data, a candidatura deve ainda ser anunciada publicamente nos dois jornais diários de maior difusão na área da autarquia.
No dia seguinte ao da comunicação, o TC deve verificar a se as denominações, siglas e símbolos estão em conformidade com a lei e publicar a decisão imediatamente, para que a candidatura possa recorrer.
Até dia 05 de agosto, os partidos políticos, coligações e grupos de cidadãos eleitores devem ainda apresentar as listas ao juiz da comarca a que pertence o concelho ou a freguesia a que se candidatam.
Após este período, a formação das candidaturas é afixada imediatamente por edital à porta do tribunal, com identificação completa dos candidatos e dos mandatários.
No dia 06 de agosto serão sorteadas no tribunal as listas e os símbolos das coligações, partidos e grupos de cidadãos, para que lhes seja atribuída uma ordem no boletim eleitoral, sendo os resultados afixados e enviados à CNE e ao presidente da câmara.
Até dia 12 de agosto o juiz da comarca terá de verificar todas as listas de candidatos, podendo até esta data os candidatos e os mandatários impugnar a regularidade do processo ou a elegibilidade de qualquer candidato.
As listas têm de estar completas até 14 de agosto e todas as irregularidades suprimidas e os candidatos inelegíveis substituídos até 19 de agosto, data prevista para a afixação à porta do edifício do tribunal das listas retificadas e completas.
Depois deste dia, os candidatos, mandatários, coligações ou primeiro signatário dos grupos de cidadãos ainda têm 48 horas para reclamar.
O novo sorteio das listas e dos símbolos após as reclamações é realizado até 27 de agosto e afixado imediatamente.
Após este procedimento, os candidatos podem ainda recorrer até 28 de agosto para o TC, que terá de decidir em 10 dias, comunicando o resultado ao presidente da câmara, que tem de fixar a listas definitivas nos edifícios dos tribunais do município, câmara e juntas de freguesia.
Os candidatos também podem desistir até 48 horas antes do dia das eleições, desde que o comuniquem ao juiz da comarca.(LUSA)

Beja: coincidências? Em dia de apresentação de candidatos do PS, Câmara divulga novo vídeo promocional (e novo site *)



DE BEJA, para o mundo, apresentamos o novo vídeo promocional do concelho. O vídeo apresenta Beja, cidade e concelho, sob o olhar de uma jovem turista que se apaixona pela nossa cidade, pelas paisagens, pelo património, pela gastronomia e pela vida vivida que podemos oferecer a quem fica por cá. O pulsar da cidade é-nos apresentado por uma "Mariana do século XXI" que transforma a experiência da sua visita em poema e nos relembra Mariana Alcoforado com "promete-me que terás saudades minhas". Um pedido de Beja a quem nos visita, que convida a voltar a esta cidade com mais de 2000 anos de história e mil e uma estórias para contar. O vídeo foi produzido pela Magik Studios, uma empresa criada por dois jovens criativos de Beja. (Nota de Imprensa)

* aqui: http://www.cm-beja.pt/homepage.do2

A evitável maldição do Centro Histórico -3


Ver: A maldição do Centro Histórico e os programas eleitorais - 1

Os factores de ordem económica que intervieram nas decisões dos residentes que escolheram sair do CH e dos “imigrantes” (provenientes da envolvente, próxima ou longínqua da cidade) que decidiram instalar-se de preferência no exterior, como todos os factores “económicos”, nunca são de ordem exclusivamente económica. Mesmo uma análise rápida detecta a natureza social e política da evolução de muitos dos parâmetros que logo se tornam “puramente” económicos. A expansão do crédito à habitação,
que facilitou a aquisição de habitações e transformou Portugal num dos países com maior proporção de proprietários das suas casas, foi mais facilmente concedido para habitações novas, cujo custo monetário por metro quadrado era inferior, como já vimos, se tivermos em consideração o custo da restauração no imobiliário antigo. Quanto à “habitação social”, que também facilitou o acesso à propriedade de muitos habitantes de Évora, ela foi, como se sabe, quase exclusivamente construída na periferia da cidade.
Ora a habitação social, a decisão de favorecê-la, de facilitar o acesso (comparativamente com os preços vigentes no mercado), que formam uma política habitacional (justa e indispensável), foi implantada quase exclusivamente no exterior do CH. Esse foi um factor de atracção para quem desejava melhorar as suas condições habitacionais, que são condições de vida. Assim a política determina os factores que intervêm nas decisões individuais. Não parece (salvo melhor informação) que tenha havido um programa de habitação social de dimensão equivalente para o CH.
Pelo contrário, a inexistência dum verdadeiro mercado da locação, ou a sua redução a quase nada, excluiu essa alternativa à compra de casa própria. Ora o mercado do aluguer de habitação sofreu ainda mais nos centros históricos, onde as rendas antigas tornam impossível a rentabilização de qualquer investimento. O bloqueamento das rendas, encarado como uma medida “social”, acabou por arruinar o imobiliário antigo, desviando o investimento. É claro que a habitação não deve ser encarada como um “mercado como qualquer outro”, dada a sua função social e considerando até o facto que o direito à habitação é um direito fundamental. Mas o bloqueamento das rendas constituiu uma transferência para alguns particulares (os proprietários das casas) da obrigação da colectividade, que é de ajudar os inquilinos com poucos recursos a pagar as suas rendas. A política de ajuda personalizada ao arrendamento, que permite o acesso ao arrendamento (como existe noutros países bem perto do nosso), teria tido que ser financiada. Preferiram os sucessivos governos (paradoxalmente, com a caução moral dos partidos de “esquerda”, para os quais “proprietário” igual “explorador”) não investir nessa política, e esbanjar os dinheiros na construção de muitas e desvairadas coisas que, às moscas hoje, testemunham duma terrível inépcia. Auto-estradas em duplicado, PPP às dúzias, etc., uma aposta de curta vista num irracional e há muito ultrapassado “todo automóvel” com as pesadas consequências urbanísticas, ambientais etc., que lhes conhecemos, foram outra vertente da mesma inépcia. O stock habitacional de numerosas cidades portuguesas (e não só o de Évora), sofreu com a política das rendas. Esse é um factor económico-político de orientação das decisões para o novo, e em Évora, para fora das muralhas.
 
Mas existem outros factores de ordem social que explicam a preferência pelo espaço urbanizado no exterior das muralhas, incluindo tanto os bairros “legais” como os clandestinos, embora estes sejam de qualidade desigual. Já lá iremos.


José Rodrigues dos Santos / CIDEHUS / Junho de 2013

Manuel Melgão : "não sou alguém que vem aqui, numa espécie de comissão de serviço, fazer um sacrifício"...

(foto de Nuno Veiga)

Largas centenas de socialistas, vindos de todo o distrito, aplaudiram os 14 cabeças de lista às câmaras do distrito de Évora, bem como aos orgãos autárquicos do concelho, numa sessão presidida pelo secretário-geral do partido, António José Seguro (na foto).
Entre a assistência, na sua maioria esmagadora socialista ou independentes, ressaltou a presença do antigo governador civil e dirigente do PSD, Mira Branquinho, numa mesa de empresários.
Ao intervir, Manuel Melgão realçou ter sido com "muito orgulho" que durante 8 anos integrou "a equipa dirigente da autarquia liderada pelo Dr. José Ernesto d'Oliveira!.
"Não sou, pois, alguém que, para acudir a uma qualquer organização política em desespero, vem aqui, numa espécie de comissão de serviço fazer um sacrifício, depois de muitas hesitações....
Eu sou candidato não apenas porque essa foi a primeira e única escolha da Comissão Política Concelhia de Évora do PS, órgão estatutariamente competente nesta matéria, mas també, e sobretudo, porque quero continuar a ser presidente da Câmara de Évora para poder melhorar a vida dos meus concidadãos, promovendo o desenvolvimento deste concelho que é o meu".

Lista do PS para a Câmara Municipal:
1.Manuel Melgão
2.Silvino Costa
3. Cláudia Sousa Pereira

4.Laurindo Martins
5.José Piteira
6.Antónia Ilhéu
7.Maria Helena Teixeira da Silva

Lista para a Assembleia Municipal
1.Capoulas Santos
2.Bernardino Páscoa
3.Paula de Deus
4.Henrique Troncho
5.Francisco Chalaça
6.Filomena Araújo
7.José Luís Cardoso
8.Jorge Araújo

9.Elsa Teigão
10.Domingos Cordeiro
11. João Ricardo

Cabeças de Lista às Assembleias de Freguesia
União das Freguesias de Bacelo e Senhora da Saúde
Fernando Nunes

União das Freguesias de Évora (São Mamede, Sé e São Pedro, Santo Antão)
João Monarca Pinheiro

União das Freguesias da Malagueira e Horta das Figueiras
Maria João Candeias

terça-feira, 25 de junho de 2013

PSD: "sou militante de quotas pagas até ao mês de Junho de 2014"


Carta ao Director,
Tendo em conta que a Distrital de Évora do PSD desvalorizou e mentiu sobre a minha real situação no partido social democrata, após publicação de crónica de opinião da minha autoria,«O meu candidato independente» publicada no www.alentejoemlinha.pt, prestigiado órgão de comunicação social, venho solicitar seja reposta a verdade afirmando peremptoriamente que sou militante de quotas pagas até ao mês de Junho de 2014.
Considero ter cumprido sempre com as minhas obrigações, num partido que Sá Carneiro disse e fez de democrático e dentro do qual foi cobardemente combatido pelos fidalgos da hipocrisia. Um partido que ao que parece teima em não conseguir livrar-se de alguns que em nada honram o ideário social democrata. Sá Carneiro queria uma sociedade socialista em liberdade, pelo caminho ficou o humanismo que lhe deu forma nas preocupações com o todo, com os cidadãos, daí que ainda hoje a mentira ande na boca fácil de quem não sabe o que são os valores da raiz identitária do PPD/PSD. Eu honro esse humanismo, essa verdade, esse socialismo em liberdade, que honra e respeita o povo e lhe dá voz e importância. 
As minhas quotas estão em dia, mas nunca paguei as mesmas, desde que me lembro, na distrital de Évora, aliás, as quotas desde 1996 que são pagas por transferência bancária e/ou pagas por multibanco, não têm de ser pagas presencialmente na sede eborense ou numa outra. A distrital eborense é liderada por uma linha antagónica e que se reveste dos pergaminhos que enunciei na minha crónica e os quais condeno veementemente.
Sublinho, a afirmação mentirosa e sem nível dos responsáveis pelo comunicado na página do facebook, da distrital de Évora do PSD, que me acusa falsamente de há mais de uma década, não cumprir as minhas obrigações e que estou dispensado..., eis que a mentira tem perna curta e para tal basta consultar os serviços centrais do partido.
Não tenho de entrar na sede do partido em Évora, nada me obriga a tal.
A mentira dos responsáveis da distrital de Évora do PSD é e deve ser combatida e denunciada, é isso mesmo que aqui estou a fazer.
Lamento, muito mesmo, que na política se utilizem os partidos para mentir descaradamente. A política merece melhores obreiros, o PPD/PSD merece mais e melhor gente, gente séria que não minta na distrital de Évora. Quem assim mente não merece a confiança dos eleitores. Os cidadãos merecem respeito, os votantes não são apenas o meio, são a verdade da coisa pública e a que ela se dedica.
Para mim, um mentiroso é sempre um mentiroso e não tem desculpa, só lamento que a mentira se pratique em nome de um partido nascido dos mais altos valores do humanismo e da verdade. 
A verdade é a lógica do devir público! Tenham vergonha e peçam desculpa aos eleitores eborenses.

Militante PPD/PSD:67129

REFLEXÕES ( 4 ): A ÁUREA CONDECORAÇÃO MUNICIPAL


1. O executivo municipal eborense está a tomar decisões que só podem ser vistas à luz de uma mera estratégia de natureza político-partidária visando as eleições autárquicas que hão de ter lugar dentro de aproximadamente três meses. Julgo que se pode incluir nesse âmbito o preito de vassalagem que no próximo dia de S.Pedro, dia da Cidade, vai  prestar à Fundação Eugénio d’Almeida, auto-intitulada instituição de inspiração cristã, com a atribuição à instituição da Medalha de Ouro de Mérito Municipal a propósito da comemoração do seus 50 anos de existência.
Se a outorga de tal distinção seria sempre discutível ainda ela é mais contestável quando é certo que o seu comportamento nos últimos dois anos, incurso no programa “Acrópole XXI", tem sido lesivo da imagem do património que sendo seu também é o da cidade. Reporto-me à condenação geral dos atropelos cometidos nos últimos dois anos com a requalificação do Museu das Carruagens e do Antigo Palácio da Inquisição a justificar a intervenção superior das entidades responsáveis, obrigando à correcção dos aspectos mais gravosos no toca ao seu aspecto exterior porque do interior ainda nada se sabe embora se admita que mais deslizes possam ter ocorrido.
O desrespeito pela identidade da urbe e o estipulado nos termos da sua classificação pela UNESCO atingiu um ponto culminante quando se tornou responsável pela pinchagem de ruas, calçadas e paredes no âmbito da malfadada e ambígua campanha «Évora é» orquestrada a partir de Lisboa por uma tal empresa chamada de “Albuquerque Designing”, que conspurcou o burgo, numa acção que mereceu o mais vivo repúdio dos eborenses. Mas pelo vistos Manuel Melgão e sua equipa gostaram e vêm agora avalizar e premiar esta actividade de afrontamento aos valores e tradição da cidade.
Referem porém como justificação oficial que a concessão do galardão é devida às suas intervenções nos ««domínios cultural, educativo, social e económico visando o desenvolvimento pleno, integral e sustentável da região de Évora». Ou seja, como não sabiam o que dizer, foram aos estatutos da Fundação, transcreveram ipsis verbis os seus objectivos, substituindo apenas o vocábulo «espiritual» por económico e deram-nos por completamente cumprimentos caucionando-lhe os méritos.
Se realmente assim foi, isto é, se a instituição se limitou a cumprir com as suas obrigações estatutárias resultantes da vontade do fundador, Vasco Maria Eugénio d’Almeida, Conde de Vil’Alva, não me parece que isso seja fundamento para que o município  lhe esteja tão fortemente agradecido. Se o fez de molde a merecer relevo especial por parte da população, representada pelo executivo municipal, é coisa que está por  provar. Os   exemplos acima citados indiciam exactamente o contrário. Mais, os benefícios para a cidade dessa tão propalada contribuição, ressaltam muito pouco evidentes numa leitura atenta e crítica do Relatório e Contas de 2012 (18.618.304 € de rendimentos- aumento de 13% em relação ao ano anterior- e 788.282 de lucros).
2.De qualquer modo e para ajudar a perceber muita coisa é bom percorrer a história da Fundação lembrando que a mesma foi criada em 1963, sendo dotada de um património fundiário de 6.500 hectares distribuídos por diversas herdades localizadas no concelho de Évora. Vasco Eugénio d’Almeida faleceu em 1975 e dois meses depois todas estas terras foram ocupadas no âmbito do processo da Reforma Agrária. A sua exploração era –como ainda hoje é- a sua principal fonte de rendimento pelo que descapitalizada a Fundação, cuja presidência havia passado para a Arquidiocese de Évora conforme disposição testamentária, enfrentou o espectro real da extinção. No seu comando estava então D.David  de Sousa, homem de formação monástica, mais preocupado com a vida contemplativa que com os bens terrenos o qual aceitou com passividade o esbulho e se fez substituir na Fundação pelo cónego José Filipe Mendeiros.
Este ainda tentou chamar a Câmara- também com assento no Conselho de Administração- para a causa da recuperação da Fundação. Mas o regime era outro. Comprometido com as ocupações, o executivo saído das eleições autárquicas de 1976 e chefiado pelo comunista Abílio Fernandes- saído poucos anos antes da militância católica- nunca quis ocupar o lugar. O desinteresse pela Fundação era total.
As coisas só começaram a mudar com a nomeação em 1981 de D.Maurílio de Gouveia para Arcebispo de Évora. O novo prelado apoiado em homens da sua confiança dá inicio ao processo de recuperação do património fundiário e ao relançamento da actividade económica da Fundação e no ano seguinte, dado o continuado alheamento da Câmara pela sorte da mesma, fá-la substituir no Conselho de Administração pela Universidade de Évora. Com a fundação recuperada e dar lucros cada vez maiores inicia-se um período de lutas intestinas com facções opostas do PSD a lutarem pelo seu controlo. Entretanto a viúva do fundador, Maria Teresa Burnay Belo d’ Almeida entra em conflito com o arcebispo a quem acusa de ser o principal responsável pelo facto de «a instituição estar a ser gerida como uma empresa quando os seus fins eram de natureza cultural e social».
O arcebispo ignora os seus protestos e em 1994 decide-se por nova mudança na administração ao fazer substituir o delegado da Companhia de Jesus cujo Instituto de Estudos Superiores (ISESE) pelo representante do recém-criado Instituto Superior de Teologia. E aí o caldo entorna-se definitivamente. Com base nestas alterações Maria Teresa d’Almeida aproveita e apresenta queixas por irregularidades cometidas na instituição ao Ministério da Solidariedade e Segurança Social.
O diferendo vai ser analisado já com António Guterres no poder. Cabe ao então ministro Ferro Rodrigues ordenar uma auditoria à instituição que se vai prolongar por dois anos e meio. No decorrer do processo, já com a Reforma Agrária morta e enterrada, Abílio Fernandes contacta a tutela e considerando igualmente que a vontade do fundador fora desvirtuada mostra-se disponível para ocupar o lugar a que ainda entende ter direito. Mas a inspecção, que terminou em Julho de 1998, pariu um rato e nada trouxe de novo limitando-se  a recomendar o aperfeiçoamento de alguns aspectos técnico-jurídicos. Enquanto isto os novos admnistradores resolveram afastar do conselho a viúva do fundador não a voltando a cooptar para os dois lugares em aberto na respectiva composição daquele órgão. O dinheiro começava a correr a rodos para as bandas do Pátio de S.Miguel mas a sua imagem externa era péssima. Safava-se a grande qualidade do vinho produzido. 
3. Apesar da nomeação do Cónego Eduardo Pereira da Silva para a sua presidência a grande novidade é a criação do cargo de Secretário-Geral que foi entregue a Maria do Céu Ramos, advogada e política profissional ao serviço do PSD - que é quem ali, de facto exerce o poder - inaugura-se uma nova fase na vida da instituição. A partir daí a Fundação começa a afastar-se das intenções iniciais do Conde que a criara com objectivos filantrópicos e de mecenato cultural, virada essencialmente para o apoio e auxílio a instituições sedeadas em Évora, e vai enveredar cumulativamente pela adopção de projectos próprios. É assim que nasce o Fórum Eugénio d’Almeida destinado à apresentação de obras (menores) de grandes vultos da arte contemporânea. É assim que se promove a cultura elitista, de poucos para poucos, cujo impacto na população eborense é nulo. Sabe-se hoje que a sua criação continha em embrião uma estratégia, já assumida e em andamento, de internacionalização de um projecto faraónico e irrealista que consiste em transformá-lo numa das maiores galerias de arte da Europa. É para ali que é canalizado actualmente a maior fatia do investimento.
Entretanto o recrutamento dos quadros institucionais começa a ser feito em Lisboa. O mesmo sucede com a política de comunicação que é desenhada por empresas da capital. A Fundação passa a editar uma revista anual super intelectualizada, produzida ainda pela já citada Albuquerque Designing, tanto quanto consta colaborada a peso de ouro, que visa « promover o conhecimento e a reflexão em torno de temas sociais, culturais e desenvolvimento sócio-económico num contexto e linguagem de contemporaneidade» em que não é feita uma única referência à cidade. Claro que este produto hermético e enfadonho circula em meios muito restritos e é praticamente desconhecido em Évora.
Sem ir mais longe,  é caso para se dizer que D.Vasco deve dar saltos na tumba com o rumo que a sua Fundação levou. Claro que Maria do Céu Ramos a gere como quer e entende e ninguém lhe pode ir à palma  porque a instituição é privada, os administradores lhe dão o seu “amém” e os estatutos foram retocados de jeito ( o tal «aperfeiçoamento de alguns aspectos técnico-jurídicos») a consentirem novas opções. Mas enfatizar que está ao serviço da região de Évora e merece por isso rasgados encómios da população e do município, só por brincadeira de mau gosto. Os pequenos apoios que presta a algumas colectividades e iniciativas citadinas, a concessão de umas quantas bolsas a estudantes e o auxílio actual prestado a 1070 famílias em situação de emergência não apagam tudo o resto. São, aliás, manifestamente escassos e não passam de meras migalhas em função das verbas que a Fundação movimenta e do cumprimento da finalidade primeira do instituidor.
4. Assinale-se que a saída de Abílio Fernandes da Câmara representou um enorme alívio para a Fundação passar a ocupar o espaço da Acrópole eborense a seu belo prazer sem prestar contas a ninguém. As boas relações com o município ajudaram este a negociar terrenos alvo do interesse de ambos nomeadamente no que toca ao alargamento do aeródromo e da instalação da Embraer que tanto quanto parece ainda não estão saldados por parte da Câmara.
O PS quer continuar a dominar o município e é de todos sabido que a Fundação não deseja a nenhum título o retorno do PCP à Praça do Sertório. Neste aspecto há uma iniludível comunhão de vontades .Sendo porém um palco de acção do PSD a poderosa Fundação tenderá a apoiar o candidato Paulo Jaleco, um homem do “lobi” do râguebi que conta com muitos apoiantes no Pátio de S. Miguel. A não ser que ali se reconheça que Jaleco não tem condições para o impedir ou sequer para manter o lugar de vereador. E aí o caso muda de figura.
A concessão do principal galardão municipal confere à Fundação, que vive fechada sobre si própria, uma credibilidade local que ela está longe de usufruir, mesmo dentro da própria Igreja, a cujos princípios de ordem moral se diz vinculada. O alheamento da população em relação às comemorações dos seus 50 anos são disso a prova provada. Em contrapartida o seu distanciamento em relação à candidatura de Jaleco poderá ser determinante para a vitória de Melgão tendo-se como certo que a decisão se poderá expressar por uma reduzida diferença de votos. 

Neste contexto, e como diria o outro, parafraseando Júlio César à passagem do Rubicão: os dados estão lançados. Mas não pensem que comem por parvo qualquer analista independente.

José Frota

Manuel Melgão apresentado hoje às 20 horas no Jardim do Paço. Capoulas Santos mantém-se na Assembleia Municipal.


domingo, 23 de junho de 2013

Primeiro ministro visita amanhã EMBRAER

O primeiro ministro Pedro Passos Coelho visita amanhã as fábricas da EMBRAER, em Évora.
Depois de ter faltado à inauguração, Passos vem à EMBRAER numa altura em que a empresa brasileira anuncia mais investimentos e prevê aumentar o quadro de trabalhadores até final deste ano - deverão ser 180 no fim de 2013.
A visita está marcada para as 3 da tarde.

A maldição do Centro Histórico e os programas eleitorais - 2


Ver: A maldição do Centro Histórico e os programas eleitorais - 1

O post precedente parte de dois pressupostos: que o progressivo abandono do CH de Évora resulta de decisões individuais e que é possível identificar os factores que intervieram nessas decisões que, acumulando-se, produzem esse efeito. Penso que é útil precisá-lo, porque existe um tipo completamente diferente de processos de saída em massa dos centros históricos: os que resultam da expulsão dos habitantes mediante intervenções urbanas pesadas. Apenas dois exemplos: a intervenção do barão Haussman em Paris no século XIX (de 1852 a 1870) e a “renovação do bairro das “Halles” na mesma cidade um século mais tarde. Haussman quer “neutralizar” a cidade popular, rebelde, rasgando grandes vias para que o exército e as polícias possam penetrar em caso de “desordem”. Um terço da cidade é esventrado, e os habitantes serão literalmente expulsos da cidade, indo formar a famosa “cintura vermelha” nos arredores, as futuras “banlieues”. O mesmo acontece nos anos 1960-70: trata-se de “limpar” a cidade dos seus habitantes populares que restam, fazer espaço para actividades e funções “nobres” (e classes mais ricas), etc. No caso de Évora, as pessoas não foram expulsas mediante remodelações do espaço: elas ou faleceram sem serem substituídas, ou decidiram partir, ou, vindas do exterior, decidiram não se instalar no CH. Os factores que pesaram nas decisões são de ordem económica, social e cultural. 
Os factores de ordem económica são todos de natureza comparativa: são comparações de custos. Para a família que decide adquirir casa, a arbitragem intervém entre comprar uma casa antiga no CH e adaptá-la às suas necessidades, ou construir. Se esta última opção ficou praticamente excluída pela rareza dos terrenos constructíveis no CH, a restauração de casa nele existente teria quase sempre um custo por metro quadrado (ou talvez melhor, por metro cúbico) habitável superior, senão muito superior. Tanto para residentes que desejam melhorar a habitação de que dispõem, como para eventuais novos habitantes que desejam instalar-se, a escolha vai recair quase sistematicamente na construção de alojamentos novos: fora do CH. Acresce que o crédito era mais fácil de obter para a compra (ou a construção) de habitação nova (melhor garantia) do que para a transformação/renovação duma casa antiga. É claro que o aumento do número total de habitantes da cidade nunca poderia ter sido compatível com o seu acolhimento apenas no CH: o que se trata de explicar é que, apesar desse aumento geral, o CH perde habitantes a um ritmo imparável, que se acelera em certos momentos, ou seja, segue a direcção inversa. Adicionam-se a estes os factores sociais e culturais.

José Rodrigues dos Santos / CIDEHUS 
Junho de 2013

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Falta saber o que Maria Helena Figueiredo vai fazer se for eleita vereadora (se os votos derem para isto já não é mau!)


(...) Se venho aqui é por outra questão: a entrevista de Maria Helena Figueiredo, do Bloco de Esquerda, à Rádio Diana, de que não ouvi ninguém falar. Uma boa entrevista, tão bem conseguida comi a de Pinto Sá há algumas semanas, apesar da falta de experiência política que (ainda) se lhe nota. Falta-lhe alguma rodagem, respostas demasiado circulares e às vezes não muito objectivas, mas com dois argumentos fortes: a reabilitação e revivificação urbana do centro histórico e o caso da mina de ouro da boa fé. Apesar da falta de tacto jornalístico do entrevistador, que interrompia a torto e a direito, Maria Helena colocou bem o problema da rapina. Não foi tão feliz quando falou da intervenção cultural da Câmara - destacou sobretudo o carácter de programador da autarquia e não o de facilitador das estruturas existentes, numa nova versão centralista.
Mas - e apesar de ter tido um bom desempenho - há uma questão essencial: Maria Helena nunca será (pelo menos nestas eleições) presidente de Câmara e devia-se ter colocado num papel mais sério: que diferença poderia ter na Câmara 1 -um- 1 vereador do Bloco de Esquerda. Se o tivesse dito, se tivesse dito o que é que poderia ser diferente, que compromissos estabeleceria com os eleitores, porque é que ter um vereador do BE seria diferente de não ter, se assumiria compromissos na Câmara e com quem, teria sido muito mais clara e transparente. A Maria Helena, que é uma mulher batalhadora, está a lutar para ser vereadora -e só tem a ganhar se conseguir explicar - na bipolarização eborense - o que é que o eleitorado tem a ganhar com uma voz do BE na Câmara. Só assim é que as pessoas votariam nela. E isso não ficou nada claro nesta entrevista. Porque há uma certeza: presidente de Câmara é que ela não vai ser e não tem que ter respostas para os grandes problemas do concelho, que outros irão governar, mas não ela. Gostaríamos de saber é o que é que ela, vereadora minoritária, poderia acrescentar à governança eborense. O resto é politiquice.

Luís Bernardes20 Junho, 2013 22:26

Entrevista de Maria Helena Figueiredo à Rádio Diana:  aqui

Évora: a maldição do Centro Histórico e os programas eleitorais -1


A maldição que se abateu sobre o Centro Histórico (CH) não tem autor, feiticeiro ou demónio, conhecido. Mas tem-se revelado impossível esconjurá-la, embora nos programas eleitorais dos sucessivos candidatos às eleições e na acção dos sucessivos poderes tenha sempre figurado em lugar de destaque: reabilitar o CH, revitalizá-lo atraindo habitantes, etc. Com as eleições à porta, as declarações de intenção em relação ao CH voltam à boca da cena. Todas elas têm desta vez uma dificuldade acrescida, dada a situação financeira desastrosa da CME, o contexto nacional (descalabro precipitado pela crise financeira e agravado por políticas de austeridade capazes de matar países bem mais sólidos que Portugal), europeu (aprofundamento da ruptura entre Europa do Norte e Europa do Sul), mundial (nível ao qual a crise financeira está muito longe de se resolver).
A maldição denuncia-se nos seus efeitos: a partir do fim dos anos 1950 e até ao presente a população intramuros não parou de decrescer. Em números redondos, ela foi dividida por um factor próximo de cinco (de quase 20.000 para cerca de 4500 pessoas na actualidade). Os programas eleitorais que se sucederam após o derrube da ditadura salazarista vincaram a vontade de suster esse movimento e até de invertê-lo. Os resultados foram nulos. Pelo contrário, na curva descendente da população intramuros surge um momento em que a descida se acentua: a partir dos anos 1986 e seguintes. O que explica esse facto são dois acontecimentos que tornam esse ano um marco importante: a inscrição pela UNESCO do CH de Évora na lista do Património da Humanidade e a entrada do país na CEE. O primeiro, tendo um óbvio impacto local, introduziu uma armadura regulamentar que, apoiando-se parte numa tradição restritiva já existente, veio limitar ainda mais a liberdade de acção das pessoas e a sua capacidade para intervirem no seu quadro de vida. O segundo, ao abrir as portas do crédito, ao disponibilizar fundos a custo zero (ou quase) para investimento público, favoreceu sobretudo a construção do novo, infra-estruturas e habitação, o que aparentemente só se podia fazer fora das muralhas. Que mecanismos explicam esse processo de abandono?


José Rodrigues dos Santos / Junho de 2013 (via email)

É necessário ultrapassar a arrogância e a falta de humildade...para sair donde estamos


"É necessário ultrapassar arrogância e falta de humildade (...)
neste esforço comum conseguiremos com certeza encontrar caminhos para a paz e num futuro do respeito dos direitos humanos sem nos esquecermos do fundamental: da essência do ser humano". Quem diz é  A Procuradora  Geral da República, Joana Marques Vidal.
Falava sobre as  reformas legislativas, mas o seu discurso é aplicável  a outros contextos. " Falou da arrogância, da falta de humildade e da falta de aceitação do outro dos académicos". (Dos académicos e não só).

É o exemplo de um discurso proferido no feminino, de vocação universal,  que se faz ouvir a partir do topo das hierarquias institucionais e que marca a diferença na abordagem. Também há bons exemplos. É necessário reconhecê-los e valorizá-los.

Adeus Manuel António

Faleceu esta manhã, Manuel António Domingos, aos 56 anos. Cidadão interessado e participante na vida pública da sua terra, Entradas - Castro Verde, mas também do Alentejo e do país.
Escolheu pôr fim à própria vida na sequência de um período de depressão a que acabaria por soçobrar.
Mas permanecerá viva a memória de um homem empenhado em causas públicas, centrado nas questões da ética e transparência do espaço público. Ex autarca, era leitor e comentador do “a cinco tons”, presença regular em vários outros blogues do Alentejo, e nalguma comunicação social da região.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Feira de São João em Évora começa esta sexta-feira


Apoios: Vitor Proença soma e segue em Alcácer do Sal


Da necessidade de protagonismo e da falta de outras coisas


António Veladas, que de jornalista se tornou empresário e "persona non grata" para alguns sectores timorenses, acusado de estar envolvido no "golpe" contra Xanana Gusmão, não perde uma oportunidade para "fazer prova de vida". Foi assim há quatro anos quando foi publicamente manifestar o seu apoio a Eduardo Luciano, da CDU, depois de ter esboçado uma caricatura de movimento independente e de se ter posto a milhas do projecto jornalístico "Registo", que criara, vem agora protagonizar mais uma peça de uma comédia em que se compara a... António Capucho.
No "Alentejo em Linha", Veladas afirma que se demarca da coligação PSD/CDS, em nome dos "princípios de Sá Carneiro" e que apoia Carlos Pinto Sá para a Câmara de Évora como "candidato independente".
Qualquer cidadão está no seu direito de apoiar quem muito bem entender. Mas Veladas, no seu estilo habitual, não se contenta com isso, e põe-se a jeito para uma interpelação do PSD, que tem todo o sentido. Diz o PSD/Évora, em síntese, "mas se ele há anos que não é do PSD porque é que vem agora meter o PSD ao barulho?". 

"Não se percebe que rutura pode Veladas assumir com o PSD se a última vez que entrou na sede do PSD Évora, na Rua da Lagoa, foi em 2000, como candidato à concelhia de Évora e, tendo perdido as eleições, nunca mais ninguém lhe pos s vista em cima. Do PSD, já não será há 13 anos (porque os seus deveres de militante não foram cumpridos), social-democrata ... desconhece-se se alguma vez foi ou não. Enfim, necessidade de protagonismo à conta do PSD de Évora, que seria dispensável, porque está dispensado há mais de 1 década....", escreve o PSD (aqui).

A história, no fundo, não vale nada e acho mesmo que Carlos Pinto Sá passaria bem sem este apoio.

Tribunal de Évora aceita candidatura de Carlos Pinto de Sá à Câmara de Évora, contestada pelo Movimento Revolução Branca

terça-feira, 18 de junho de 2013

PS/Évora: agora é oficial


The last feed (a última mamada), de Paula Rego


Once upon a time. 
A little criancinha. 
Very well pendurated. 
Nas tetas da Mãezinha

Anónimo
18 Junho, 2013 14:41

Um quadro que, à sua maneira e nestes tempos de modernidade "democrática",  equivale à "porca da política" de Bordalo Pinheiro. Todos (presidente incluído, vestido de "palhaço rico") a mamarem na teta da política.
"Este é um quadro da Paula Rego que esteve exposto em Londres na sua última exposição (jan-março 2013) 'The Dame with the Goat's Foot'
Uma figura de 'palhaço rico' (onde se reconhece perfeitamente o retrato de Aníbal Cavaco Silva) aparece com um pé no pedestal, a mamar nos seios de uma velha decrépita e aperaltada com um chapéu. O palhaço com a mão esquerda 'coça a micose'. A Velha pode representar a política, ou a nação. O quadro chama-se 'A Última Mamada' ('the last feed').
Apesar de ter tido algum eco nas redes sociais não recordo que tenha havido grandes referências à exposição (ou ao quadro) na imprensa escrita.
Ainda não se sabe se/quando a exposição virá a Portugal e se o quadro fará parte dela". (aqui)

Miguel Araújo, investigador da Universidade de Évora, recebe o EBBE NIELSEN PRIZE 2013


Miguel Bastos Araújo, professor e investigador convidado da Universidade de Évora, foi distinguido com a atribuição do prestigiado galardão EBBE NIELSEN PRIZE, concedido anualmente pelo Global Biodiversity Information Facility (GBIF). O investigador utilizará o prémio de €30.000 no desenvolvimento de um projeto que visa a implementação do “Ecotron”: uma plataforma com instalações experimentais que permitirá validar previsões do impacto de alterações climáticas sobre a biodiversidade em diferentes locais – o que irá contribuir para uma tomada de decisões mais assertivas sobre estratégias de conservação. (Nota de Imprensa da UE)


PS: parece que é desta que Manuel Melgão vai ser apresentado como candidato socialista à Câmara de Évora


"A candidatura autárquica do PS à Câmara de Évora, liderada por Manuel Melgão, vai ser apresentada no próximo dia 25, na presença do secretário-geral do partido, António José Seguro. A informação foi confirmada hoje à DianaFm por uma fonte partidária.
Manuel Melgão assumiu a presidência da Câmara de Évora em maio, após José Ernesto Oliveira renunciar ao cargo por motivos pessoais e de saúde" (aqui)

Câmara de Évora anuncia que vai pagar "os subsídios de férias na íntegra aos funcionários"


Em reunião de 14 de junho
Câmara aprova atribuição de medalhas de Classe Ouro e Bronze

A Câmara Municipal de Évora aprovou, por unanimidade, na reunião pública do passado dia 14 de junho, a atribuição de Medalha de Mérito Municipal – Classe Ouro à Fundação Eugénio de Almeida (FEA) e Medalha de Mérito Municipal - Classe Bronze à Associação Teatro do Imaginário.
As duas instituições serão distinguidas na cerimónia de celebração do Dia da Cidade (29 de Junho), inserida na programação da Festas da Cidade – Feira de S. João.
A atribuição da medalha à FEA é justificada pelo seu contributo em intervenções nos domínios cultural, educativo, social e económico, visando o desenvolvimento humano pleno, integral e sustentável da região de Évora e pela qualidade da prestação de serviços proporcionada à população eborense, no seu 50º aniversário. 
A Medalha de Mérito Municipal – Classe Bronze é atribuída pelo reconhecido contributo e intervenções nos domínios cultural, educativo, social e artístico da Associação Teatro do Imaginário, visando o desenvolvimento da população do concelho de Évora.

Câmara Saúda Aminata
A Câmara Municipal de Évora aprovou, igualmente por unanimidade, um voto de saudação proposto pela vereadora Cláudia Sousa Pereira ao Aminata – Évora Clube de Natação, que recentemente se sagrou Campeão Nacional de Pólo Aquático, nas categorias de Infantis e Juvenis. 
No passado dia 02 de Junho, a formação eborense de juvenis masculinos sagrou-se campeã nacional, na fase final que decorreu, ao longo do fim-de-semana, na Piscina Municipal de Évora e os infantis foram à piscina do Fluvial Portuense arrecadar o mais importante troféu do escalão, vencendo todos os jogos disputados.

“Casa Mais” avança
Nesta reunião foi também aprovado, com seis votos a favor e a abstenção da vereadora Jesuína Pedreira (CDU), o Projeto de Regulamento Municipal de Apoio à Execução e Legalização de Obras “Casa Mais”. Com esta votação o “Casa Mais” segue agora para discussão pública e posterior envio para aprovação em Assembleia Municipal.
O “Casa Mais” pretende ser mais uma ferramenta de auxílio aos mais carenciados, designadamente os detentores do Cartão Évora Solidária e Cartão Social do Munícipe Idoso.
Quando entrar em funcionamento, o “Casa Mais” visa ajudar estes munícipes na realização de pequenas obras, reparações, com a edilidade a fornecer gratuitamente a mão-de-obra. O “Casa Mais”, que se insere no âmbito das preocupações sociais da edilidade, prevê ainda a intervenção dos técnicos da autarquia no processo de legalização de pequenas obras.

APPACDM explora quiosque do Jardim do Paraíso
A delegação de Évora da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) viu aprovada por unanimidade a proposta de cedência e exploração do Quiosque do Jardim do Paraíso, por um período de dois anos.
Como contrapartida para esta cedência a APPACDM fará a manutenção de todos os espaços verdes deste jardim, bem como das instalações sanitárias ali existentes.
Nesta reunião, foi ainda aprovada a autorização de colocação de meio aéreo e da Brigada da Força Especial de Bombeiros (FEB) “Canarinhos” no Aeródromo Municipal de Évora durante a época dos incêndios.
No período de antes da ordem do dia o Presidente da Câmara Municipal de Évora deu ainda a conhecer a decisão da edilidade em processar o pagamento dos subsídios de férias na íntegra aos funcionários e posteriormente deu a saber que uma jovem cidadã efetuou um donativo de 250 euros a favor do Canil Municipal. (nota de imprensa)

22 de Junho: 2ª Festa do Solstício Megalítico da aldeia de Guadalupe



Informações e inscrições para a caminhada rural e/ou almoço, através da Associação de Idosos de Guadalupe (266 781 197); a concentração para a caminhada será junto da Associação em Guadalupe, assegurando-se transporte (a quem necessitar) até às oficinas da Mitra, onde se iniciará a caminhada cerca das 8,30h com visita à Anta Grande do Zambujeiro, Castelo do Giraldo e finalização no Cromeleque dos Almendres. Contará com a orientação de um arqueólogo.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Movimento independente "Por Beja com todos" apresenta hoje candidatos à Câmara, Assembleia Municipal e freguesias urbanas

celina nobre e lopes guerreiro, duas das caras do movimento

Depois de ter apresentado Lopes Guerreiro como cabeça de lista à Câmara Municipal de Beja, o movimento de independentes "Por Beja com Todos" prepara-se para apresentar hoje a restante lista à autarquia. Também serão apresentados nomes à Assembleia Municipal, sabendo-se que a lista será liderada por Cristina Taquelim. O movimento, que faz a sua estreia nestas eleições, prevê também concorrer a todas as Juntas de Freguesia do concelho, sendo hoje apresentados os candidatos a algumas freguesias urbanas, tais como  Santiago Maior / São João Batista, em que António Malheiro será o cabeça de lista e a Salvador / Santa Maria da Feira, em que a lista será liderada por Raul Bule. O  mandatário das listas é o médico Dinis Cortes.
A apresentação dos nomes que integram as listas será feita, a partir das 18 horas, na nova sede do movimento situada no centro da cidade de Beja, na rua da Biscainha nº 3, às Portas de Mértola.

Professores: greve, na defesa dos nossos filhos!


1. Os alunos não são peças de roupa, tijolos ou outros objetos que se possam produzir em massa:
2. Os professores também são pais e como tal preocupados com o futuro dos filhos:
3. O aumento do número de alunos por turma, algumas com 30 alunos, prejudica os seus filhos, não permitindo que eles adquiram as atitudes e comportamentos essenciais e tenham o tempo de atenção individual que precisam.
4. A redução das horas das disciplinas sem a alteração dos programas, não permite que os mesmos sejam abordados adequadamente, estando os alunos e pais a ser enganados.
5. Estudos revelam que classe dos professores é uma das que mais sofre com problemas psíquicos a partir dos 40 anos, estando as medidas do aumento da idade da reforma, o aumento das horas de trabalho, a atribuição de mais aulas aos professores mais antigos, a prejudicar fortemente os seus filhos, não lhes permitindo desenvolver a globalidade das suas capacidades.
6. O aumento de horas de trabalho para os trabalhadores em geral é prejudicial para a educação dos filhos, com quem cada vez menos tempo passam, levando ao aumento de problemáticas no seu desenvolvimento e à redução das condições de sucesso no futuro. 
7. O governo acusa os professores de fazerem greve em dia de exames, mas o Primeiro Ministro diz para fazerem greve no dia 27 de Junho, dia em que há exames(??). Para o governo existem exames de primeira e exames de segunda, alunos de primeira e alunos de segunda. 
8. O governo quer que os professores sejam iguais (!!) aos outros funcionários públicos e não quer que sejam iguais (!!?) 
- A mobilidade dos professores é para 100 ou 200 km de casa e na função pública até ao máximo de 60km ?? 
- Os professores não podem trabalhar a totalidade do seu horário na Escola (35h ou 40h ) tendo que levar trabalho para casa, usando os seus computadores, as suas impressoras, gastando energia, gastando dinheiro, tirando tempo à família, mas os outros funcionários podem ?? 
- Os professores não podem receber horas extraordinárias quando trabalham depois do seu horário e os outros podem?? 
- Os professores fazem a sua formação obrigatória à noite e aos fins de semana, pagando-a muitas vezes e os outros funcionários fazem formação nas horas de serviço pagas pelas entidades patronais?? 

Em que ficamos? 
Cabe à comunidade definir que educação queremos para os nosso filhos, a escola como local onde estão “fechados” 7h a 8h dia, onde são “ministradas” aulas, com mais ou menos qualidade, onde se tenta que não sejam agressivos para os colegas, funcionários e professores, onde o momento do exame é importante, mas não as aulas que se dão ao longo do ano, onde se olha para as notas, mas não para o que os alunos se desenvolveram, onde os filhos dos mais fortes socialmente, serão à partida os que melhores notas conseguem, onde a escola instituição, engana os pais, alunos, a sociedade e o futuro de um país. 
Pode ser diferente se os pais deste país, não “emprenharem" pelos ouvidos, acompanharem a evolução dos filhos, reconhecerem que educar o seu filho, no meio de trinta, e em várias horas ao dia, não é tarefa fácil, necessita de professores qualificados, disponíveis, motivados no exercício da sua profissão, com condições de trabalho dignas que lhes permita criar aprendizagens nos alunos, a nível escolar, mas também e às vezes fundamentalmente a nível das atitudes e comportamentos que os tornarão seres socialmente integrados. 

Em que ficamos? 
Na LUTA constante a todos os níveis, contra políticas que nos pretendem reduzir a números e em que os vossos filhos, já são números também... . 
Já agora, sabia que existem alunos com FOME nas escolas???

José Marques Vidal (professor de Educação Física - Vendas Novas/Águeda)

domingo, 16 de junho de 2013

Bloco de Esquerda apresenta 4 mulheres nos primeiros cinco nomes para a Câmara de Évora


O Bloco de Esquerda apresentou esta tarde os primeiros nomes a alguns dos órgãos autárquicos do concelho de Évora. Perante pouco mais de cem pessoas (confirma-se: sem a presença de autocarros vindos daqui ou dali),  usaram da palavra o mandatário das Listas do BE em Évora, João Almeida, a presidente da Comissão de Honra, Margarida Morgado, o cabeça de lista à Assembleia Municipal, Bruno Martins, a cabeça de lista à Câmara, Maria Helena Figueiredo e o coordenador do BE a nível nacional, João Semedo.
Neste momento o Bloco de Esquerda apenas tem um eleito na Assembleia Municipal de Évora.

Lista  do BE para a Câmara Municipal:
1.Maria Helena Figueiredo
2.Ana Cardoso Pires
3.Francisco Perez Cardoso (e não Nuno Rosmaninho como o acincotons erradamente tinha referido)
4.Margarida Alegria
5.Joana Caspurro
6.Diogo Parreira
7.Hermógenes Ribeiro

Lista para a Assembleia Municipal
1.Bruno Martins

2.Bento Anastácio
3.Carla Martins
4.Nuno Rosmaninho
5.Elisabete Barradas
6.José Dias
7.Cândida Cardoso
8.João Barreto
9.Patrícia Bruno
10.Francisco Augusto

Cabeças de Lista às Assembleias de Freguesia
União das Freguesias de Bacelo e Senhora da Saúde
Vitor Frango

União das Freguesias de Évora (São Mamede, Sé e São Pedro, Santo Antão)
José Eliseu Pinto

União das Freguesias da Malagueira e Horta das Figueiras
Amália Oliveira

Cada qual com os seus figurantes


Nas legislativas o PS trouxe africanos e indianos da Amadora para abrilhantar as bancadas da Praça do Giraldo. Na apresentação das listas autárquicas da CDU ao concelho de Évora, há dias, vieram autocarros da Câmara de Vendas Novas e da Junta de Freguesia de Torre de Coelheiros (vá lá que fica no concelho) com apoiantes para darem um toque de mais "povo" na Praça do Sertório. De onde virão as "tropas" com que o Bloco de Esquerda pretende "encher", nesta tarde de domingo, o Largo São João de Deus? De Salvaterra de Magos?

uns e outros, ou a luta de classes de José Luís Peixoto

Contrastam ao meu olhar , desde que me lembro de mirar o que me rodeia, dois tipos de pessoas.
Por um lado, aqueles que têm a genuína capacidade de se maravilharem com os outros, de lhes beberem o sorriso, verem como se fosse sua uma obra apresentada, escutarem palavras ditas, ou descobrirem no outro sinais de ser.
Por outro lado, os que se posicionam face aos demais como se fossem peças desnecessárias ao seu puzle. Podem admitir, aqui e ali excepções para o caso de familiares ou membros mais próximos da sua tribo. Estes últimos são bons a desvalorizar e principalmente a banalizar. 
Os primeiros, - entre os quais incluo José Luís Peixoto-  orgulham-se das raízes,  são capazes de aplaudir não só uma suprema maravilha, como também o dizer de um vizinho, um silêncio ou uma brisa.
Os últimos são muitos e sinto-os como elitistas. Nunca como gente culta. Mas os primeiros são ainda mais, e são o outro no qual me desejo reconhecer. Com eles hei-de crescer. 
Foi por isto que a Luta de classes de José Luís Peixoto me agradou tanto. Deixo-o aqui para quem ainda não leu... e façam-se o favor de não ter medo.