quarta-feira, 29 de maio de 2013

Olhar de fora e olhar de dentro, ou todos e ninguém

Ás vezes queremos olhar apenas de fora em vez de entrar … num edifício público, num espaço privado, numa organização social, numa relação interpessoal.

Entrar, implica arriscar, investir tempo e energias, determo-nos em minudências, confrontarmo-nos com o mais e o menos interessante. Por vezes os conteúdos seduzem-nos e permanecemos. Outras, saímos prometendo voltar, ou numa mais repetir.

Em qualquer caso, olhar de fora cria-nos uma imagem que será irreversivelmente alterada se alguma vez entrarmos.
Inclui-se aqui também o olhar sobre os partidos. É deste tempo repetir que são todos iguais. E esse é um olhar de fora. Porque quem alguma vez se propôs entrar para descobrir semelhanças e diferenças aperceber-se-á que existem. Especificidades que no interior, uma vezes causam incómodo, outras orgulho. Muitas. Umas relevantes, outras insignificantes. Semelhanças também as há. Mas, nem essa constatação de mais ou menos semelhanças, nos autoriza concluir que “são todos iguais”.

Sei também que o olhar de fora, a conclusão ligeira ,e por isso bem acolhida por muitos, ou generalizada, é muito mais fácil, rápida e cómoda, do que a opção pelo olhar de dentro, correspondente a uma análise demorada, a uma pesquisa repetida e reflexiva, quando confrontados com o objecto do olhar, qualquer que seja.

Há até quem defenda que analisar, descobrir, investigar é coisa pouco produtiva e quase inútil. Há até quem defenda que depois de entrar, o observador fica com o olhar contaminado e nunca mais terá condições de isenção.

Dada a condição frágil e limitada da natureza humana, parece-me que a única forma de controlar as tendenciosas tendências é assumir os percursos, os pontos de observação donde cada um que observa.

Ou seja, por exemplo, se observo que os partidos são todos iguais, devo contextualizar que esta observação resulta do facto de estar a olhar do lado de fora, de um ponto situado mais à esquerda ou mais à direita; ou ainda que defendo a ilegalização de todos ou de um certo número de partidos; ou que o meu posicionamento é o da defesa da facilitação de formas de representação política complementar à dos partidos como sejam listas ou grupos de cidadãos ligados a um determinado programa de base… ou outra qualquer possibilidade. Porque dizer que “são todos iguais” corresponde à proposta de prolongamento do estado maniqueísta, onde todos são os maus, e os outros, os que se distanciam de todos, ou se apartam, os que não sabemos quem são, são os bons. Ou mesmo a novas formas de elitismo.

3 comentários:

  1. Relvas e Passos agiram em simultâneo para angariar contratos para a Tecnoforma.
    Registos da Ordem dos Arquitectos, testemunhos dos seus antigos dirigentes e sobretudo declarações de Relvas e de Passos – as do primeiro de 2004 e as do segundo de há dois meses – mostram que ambos trabalharam em simultâneo com o mesmo objectivo.

    Helena Roseta afirmou em Junho, na televisão, que Miguel Relvas tentou convencer a Ordem dos Arquitectos (OA), de que ela era presidente, a candidatar-se, entre 2003 e 2004, a um projecto de formação profissional para arquitectos que trabalhassem nas câmaras municipais.

    Relvas era então secretário de Estado da Administração Local e responsável pelo Foral, um programa financiado por fundos europeus e destinado a requalificar o pessoal das autarquias. E terá posto uma condição à Ordem: para o seu projecto ser aprovado teria de subcontratar a sua execução a uma empresa ligada a Passos Coelho. Esta parte da história é conhecida, tal como o facto de Roseta ter afirmado que não tinha nenhuma informação que lhe permitisse dizer que Passos Coelho estava ao corrente das diligências do seu amigo Relvas em favor da empresa.

    O trabalho que o PÚBLICO publica neste domingo na sua edição impressa e para assinantes, na sequência de outros dois que publicou na semana passada sobre a Tecnoforma, a empresa de que Passos Coelho era consultor e depois foi gestor, mostra que, afinal, Passos tentou vender àquela entidade um projecto de formação profissional com contornos muito próximos daquele que Relvas propusera a Roseta.

    A reunião entre o secretário de Estado e Helena Roseta ocorreu a meio do mês de Dezembro de 2003. Passos Coelho solicitou uma reunião à então presidente da Ordem menos de um mês depois. E Roseta, que tinha ficado desagradada com a conversa de Relvas – embora não lhe tenha dado uma resposta imediata porque a área da formação profissional dependia das secções regionais da Ordem –, escusou-se a recebê-lo.

    Passos Coelho acabou por ser recebido por Leonor Cintra Gomes, também dirigente nacional da Ordem, e apresentou-lhe um projecto de protocolo que visava a colaboração entre a Tecnoforma e a OA, com vista à apresentação de candidaturas ao programa Foral.

    Documentos guardados nos arquivos da Ordem, conjugados com testemunhos de alguns dos seus antigos dirigentes e funcionários, e com declarações de Relvas de 2004 e de Passos Coelho de há dois meses, não deixam agora margem para dúvidas. O actual primeiro-ministro e o seu ministro adjunto actuaram em simultâneo, com um objectivo coincidente: levar a Ordem dos Arquitectos a candidatar-se a um projecto de formação de arquitectos, no quadro do Foral, para prepararem planos de emergência e segurança de edifícios públicos.

    Roseta diz que Relvas fez depender a viabilização do projecto que lhe foi apresentado da contratação da Tecnoforma. A informação agora reunida mostra que Passos Coelho apresentou à Ordem, pouco depois, um protocolo exactamente com a mesma finalidade do acordo proposto por Relvas a Roseta.

    Passos Coelho diz que a Ordem dos Arquitectos recusou tudo, mas não há registos de que o tenha chegado a fazer formalmente.

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  2. Só Passos Coelho e Vitor Gaspar não enchergam isto, desconfio que são tótós, não acredito que queiram destruir um País quase milenar.
    E krugman não tirou economia à noite na Lusiada, tal como Passos Coelho
    Paul Krugman, o Euro, e a austeridade
    Paul Krugman chama à atenção da direita Goldman Sachs para o facto de os países do Euro intervencionados pelas Troikas (e não só, porque a Eslovénia é o cliente que se segue, a Bélgica anda lá próxima, e um dia destes vamos ter a França com problemas também) não podem desvalorizar as moedas porque pertencem ao Euro, e o Euro é controlado pela Alemanha a quem não lhe interessa a desvalorização.

    Krugman dá exemplos de dois países que tiveram crises financeiras: a Coreia do Sul, em finais da década de 1990, e a Islândia, depois de 2008. Na medida em que estes dois países puderam desvalorizar as suas respectivas moedas, saíram rapidamente da crise (a Islândia já tem a sua economia a crescer). No caso de Portugal, Espanha, Irlanda, Grécia, Chipre, e outros que virão, a solução que é imposta é uma deflação e a destruição da economia e de postos de trabalho.

    Em suma: a austeridade em Portugal dentro do Euro forte e controlado pela Alemanha, destrói em vez de reconstruir. Não há como sair disto

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  3. Como diria Orwell: são todos iguais, mas há uns mais iguais que outros!...

    E, então, em matéria de corrupção há uns que são verdadeiros campeões!

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