terça-feira, 7 de maio de 2013

Geriatria?


Nada tenho contra o facto de gente com mais idade querer e continuar a estar na política. É uma prova de vitalidade dos próprios e também um reflexo do país que continua a envelhecer a passos largos. Mas nestas eleições a CDU, pelos cabeças de lista já conhecidos, aposta em tudo menos na renovação. Não sei se é falta de quadros, medo de arriscar em candidatos mais jovens, gosto pelo conhecido (e medo pelo desconhecido), mas que parece haver uma "directiva" nesse sentido lá isso parece. Depois dos "reaproveitamentos" de João Rocha, Pinto Sá, Vitor Proença, etc., surge agora a notícia da LUSA que dá conta de que "o antigo autarca António Figueira Mendes é o candidato da CDU à presidência da Câmara Municipal de Grândola, nas eleições autárquicas de outubro".
"A candidatura de António Figueira Mendes, 70 anos, gerente de profissão, foi aprovada por unanimidade pela Comissão Concelhia de Grândola do PCP, informou esta estrutura partidária, em comunicado", refere a agência de notícias.
Conheço bem e prezo Figueira Mendes, que desempenhou quatro mandatos (entre 1976 e 1989) como presidente da Câmara e depois outros dois (entre 1989 e 1997) como presidente da Assembleia  Municipal. Mas será perceptível esta estratégia da CDU em ir buscar antigos autarcas, como se no baralho das opções não tivesse outras possibilidades que lhe pudessem garantir algum sucesso? É que os anos passam e o sucesso eleitoral desses candidatos não está provado que resulte hoje como resultou há algum tempo atrás, para além destas opções reflectirem também um leque reduzido de escolhas. Ou como escreveu aqui no acincotons, ontem, a Dores Correia, embora num contexto mais amplo: será este um exemplo dos efeitos da "idade da gaveta" a mostrarem-se em pleno nestas escolhas de candidatos (mais do que séniores) por parte da CDU (mas não só: PS e PSD também não fazem grande diferença) ou será apenas falta de outras opções mais jovens e credíveis?

10 comentários:

  1. não há mais...
    apresenta-se o que se consegue

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  2. Será que os jornalistas, independentemente da idade, são todos idiotas?

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  3. O consumo hoje é condicionado à novidade, à ultima moda, à vertigem, à adrenalina.
    A notícia é o homem que mordeu o cão.
    É mais atraente, mais divertido, investir no desconhecido, jovem, charmoso, e fotográfico, do que no que já se conhece, mesmo que seja velho e bom.
    O sucesso mede-se pelo consumo, não pela qualidade e valor.
    Os jornalistas vendidos são o veículo para o embuste nacional.
    Fixam-se no acessório, a idade, para omitir o essencial, a competência e a honestidade.

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  4. Já cá faltava esta, a dos jornalistas vendidos... Por aqui se vê a seriedade que poe em qualquer discussão quem não quer discutir. Ou será que a incapacidade (?) de renovação que se verifica em quase todos os partidos não será um tema importante de discussão?

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  5. Por motivos particulares tive, há uns anos atrás, algum contacto com o mundo dos jornalistas. Percebi que imperam os interesses mesquinhos, particulares ou de grupo, mais ou menos encapotados, e que as “notícias” e comentários reflectem essa realidade. Honestidade não me pareceu que fosse um conceito muito prezado por aquelas bandas. Fiquei vacinado.
    Basta ler este post para perceber que é feito por um jornalista e é o exemplo acabado daquilo que referi. Agarram-se alguns casos, num universo de centenas, e generaliza-se. Não conheço todos os candidatos da CDU distribuídos pelo país e não tenho qualquer procuração para os defender. Mas serão todos velhos? Duvido. Assim de repente, e só aqui na vizinhança, lembro-me da candidata em Montemor que terá pouco mais de 30 anos. Ouvi dizer que em Arraiolos também se aponta para a actual vice-presidente que também terá pouco mais de 30 anos. Então, porque não fazer um comentário sobre a renovação e juventude nas listas CDU? Era tão válido e “legítimo” como falar da idade avançada dos candidatos. Ou será que isso não está na agenda, política ou outra (vá-se lá saber) dos interesses do autor. Enfim, um nojo.

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  6. Que discurso inflamado!Só não vê quem não quer que o post que publiquei não tem a ver apenas com a CDU, tem a ver com a generalidade dos partidos. A própria candidata do BE em Évora tem a idade que todos sabemos. E não é isso que está em causa: em causa está a dificuldade de renovação das estruturas partidárias sobretudo no caso das autarquias. Tentar reduzir isto apenas à CDU, como faz o comentarista anterior não faz qualquer sentido. Parti duma situação particular, de uma pessoa que conheço há muitos anos e que considero, que volta aos 70 anos para disputar um cargo onde já esteve anos a fio. E isso repete-se em muitos outros concelhos (talvez não duma forma tão visível como neste caso de Grândola, ou em Beja ou em Évora) e é transversal às várias forças políticas. Agora comentar e , anonimamente, sem coragem para dar a cara, vir insultar e falar em nojo.... Será que não percebe que quem vive de ideias feitas e na incapacidade de as confrontar com a realidade, escolhendo o anonimato e o insulto, esse sim é que, tenha a idade que tiver, será sempre um insulto ao livre pensamento. Confundir os jornalistas, a partir de uima experiência pessoal, como se de um todo se tratasse,é o mesmo que dizeer que todos os professores são isto ou aquilo - não será isto um nojo? Quanto a agendas escondidas(ou não) todos sabemos muito bem quem as tem. A começar por ocultar o próprio nome.

    CJ

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  7. @10:18
    Faltou definir o que é, para si, a renovação. Ou se não acha que a renovação não pode/deve ser apoiada numa mescla entre a juventude e a experiência. Além de que, convém não esquecer, há 'velhos' com ideias mais jovens e mais capazes e que muitos gaiatos (a que alguns chamam boys) que andam por aí a desgraçar algumas autarquias ou o país…

    Olhe, por acaso, eu até considero que os últimos governos têm sido constituídos por uma autêntica gaiatagem que está a levar, consciente ou inconscientemente, este pobre país para um buraco sem fundo. Um pouco mais sensibilidade e experiência não lhes fariam mal nenhum.
    Isto para não falar no caso da câmara de Évora, levada à falência por um bando de gaiatos irresponsáveis e incompetentes…

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  8. @10:18

    A idade dos candidatos é um factor a ter em conta? Porquê? O que é que a maior ou menor idade tem a ver com a capacidade dos candidatos? Veja-se o exemplo do candidato do BE em Évora. Alguém duvida que está a anos luz do anterior?

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  9. Infelizmente vivemos num mundo onde dominam as vaidades, as futilidades e as falsas ideias de modernidade. Ter tido uma vida intensa e ser idoso deixou de ser sinónimo de experiência e saber, para passar a ser um entrave e um estigma a evitar. Misturar o saber e a experiência dos mais velhos, com a energia dos mais jovens, passou a ser coisa de atrasados e dinossauros.
    Por isso os nossos velhos são afastados da sociedade, engavetados em lares ou simplesmente atirados para o 'caixote do lixo' como coisa imprestável e descartável. Ser velho, deixou de ser uma qualidade para passar a ser um ferrete. A não ser que estiquem a pele como a LILI, a Cleópatra dos jovens turcos cá da terra…

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  10. O Diário do Sul e a Rádio Diana,já tomaram "partido" : MELGÂO.

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