segunda-feira, 20 de maio de 2013

"E que tal pensar nas crianças?!", por Bruno Martins

A semana passada demos um passo em frente. Verdade. Com orgulho o digo. Mas, ainda assim, não consigo compreender. Não consigo!... Foi possível ter uma maioria que aprovasse a co-adopção pelo cônjuge ou unido de facto do mesmo sexo (ou seja, se um homossexual tiver um filho o seu companheiro/a pode, também, adoptá-lo), mas foi rejeitada a adopção por casais do mesmo sexo.Já me debruçarei sobre os argumentos, mas gostava de salientar, e porque considero que é justo fazê-lo, que o projeto de lei apresentado pelo Bloco de Esquerda acerca desta matéria contou com os votos favoráveis de todos os deputados do BE e do PEV, da grande maioria dos deputados do PS, assim como de 12 deputados do PSD. Estes deputados livres de tacticismos e preconceitos, e pensando pela sua própria cabeça, votaram pelo progresso, pela mudança e pela defesa dos direitos humanos.
Infelizmente os restantes deputados abstiveram-se ou votaram contra, Falo-vos da grande maioria do PSD, e de todos os deputados do CDS e do PCP. Não comentarei esta votação, pois a evolução do pensamento que luta pela defesa dos direitos do Homem e da Criança, irá, brevemente, refutar as mentes ortodoxas e conservadoras.
Posto isto, gostaria de salientar que a adopção de crianças por casais homossexuais é normalmente vista pela comunicação social e pela maioria das pessoas, como um direito dos homossexuais. Na minha opinião, esta visão não é a mais correta.
A possibilidade de um casal ou um indivíduo isoladamente adoptar uma criança (tendo em conta que, em todos os casos, esta possibilidade e condições são escrupulosamente analisadas) é, sobretudo, um direito fundamental da criança.
Aliás, a Convenção sobre os Direitos da Criança das Nações Unidas (ratificada por Portugal em 21 de Setembro de 1990) reconhece o direito da criança a uma família e reconhece que a adopção deve assegurar o seu superior interesse.
Portanto, quando falamos de adopção falamos sempre do superior interesse da criança, daquilo a que a criança tem direito, e não tanto do direito de quem adopta.
Em Portugal, como sabemos, dezenas de crianças vêm-se privadas de serem educadas num ambiente familiar, seguro e pleno de amor, apenas porque o casal que as pretende adoptar tem o mesmo sexo.
Permitimos às crianças todas as formas possíveis e imaginárias para viver e crescer. Permitimos que vivam em instituições, permitimos que vivam só com a mãe ou só com o pai, permitimos que vivam em ambientes inseguros, permitimos que assistam a cenas de violência doméstica, permitimos tudo e mais alguma coisa, permitimos o que muitas vezes não deveríamos permitir… apenas não permitimos que elas possam viver, ser amadas e educadas por um casal homossexual.
Quem recusa esta lei, imbuído no preconceito e na falta de informação, não está a pensar no superior interesse da criança (como muitas vezes querem fazer crer), mas sim no seu próprio interesse, na medida que a dor provocada pela exposição ao seu mais profundo preconceito e debilidade na relação com o Humano e com as suas diversas formas de viver e sentir, é demasiado grande para permitir a flexibilidade e a mudança. Tristes daqueles que hierarquizam o humano e que se acham donos dos valores e das tradições…
Como profissional da área da saúde mental, aguardo que aqueles que dizem que a criança não pode ser educada por um casal de pessoas do mesmo sexo me façam chegar as evidências científicas que suportam esse facto, porque da minha experiência e investigação só encontro evidências a contrariar este preconceito.
Podem todos os casais homossexuais adoptar crianças? Não… Obviamente que não. Tal como nem todos os casais heterossexuais o podem fazer. A avaliação do ambiente familiar é crucial, mas nela os juízos de valor absurdos não cabem.
Que cada um dos deputados e deputadas que votou contra este projeto de lei saiba que tenho a convicção clara que negar a uma criança uma família, com base no ódio e na discriminação absurda, é um crime!

Até para a semana.
Bruno Martins (BE), aqui

(neste momento pré-eleitoral a opinião ganha uma importância redobrada. Daí que, sempre que possível e a partir deste momento até às eleições, procuraremos publicar aqui no acincotons as crónicas, inéditas ou não, que nos sejam enviadas com pedido de publicação, subscritas por protagonistas políticos reconhecidos localmente e que contribuam para o debate político a nível local ou regional).

3 comentários:

  1. Caro senhor Dr. ... Não fale por terceira pessoa , não tente alegar direitos camuflados ao "superior interesse da criança" , não brinque ao que a lei implica formar o " interesse superior da criança" no tempo ; Porque o que o senhor Dr. defende é o "seu" ou os interresses em defender os Direitos à diferença motivada pela complexidade de haver Gays e afins no Mundo . Afirmando-se em minoria cada vez mais "montados" em "interesses" impostos a terceiras pessoas , pela lei ; Ás crianças indefesas de dizer um Não Quero ter dois pais ou duas mães!

    Uma coisa é os filhos um dia aceitarem os "desvaneios" dos pais outra é imporem aos filhos o motivo que os levou a serem um dia diferentes .


    "É uma má medida desta maioria circunstancial, algo oportunista, que se formou na Assembleia da República", disse Marinho Pinto à Lusa, em Barcelos, à margem da sessão solene do Dia do Advogado.

    Para o bastonário, o projeto de lei retira às crianças o direito de "poderem formar a sua identidade num quadro familiar biológico ou adotivo em que existam sólidos referentes masculinos e feminios, que lhes permitam um desenvolvimento harmonioso da sua personalidade".

    "Há um terceiro elemento neste triângulo que não foi ouvido e que foi de alguma forma maltratado, desrespeitado, que são as crianças a adotar", acrescentou.



    "Ninguém tem direito a adotar. Elas 1/8as crianças 3/8 é que têm direito a uma família onde possam desenvolver harmoniosamente a sua personalidade", disse ainda Marinho Pinto.


    Lusa 20/05/2013



    Voltando ao ditado ”entre marido e mulher ninguém mete a colher”, todavia ainda só lá vão 5 países com esta lei e não se estendendo a crianças que não sejam de sangue , será um quesito familiar a resolverem um dia as três pessoas em redor de uma mesa , não tenho nada com isso .

    Agora quando começarem a retirar crianças a famílias heterosexuais porque o Estado as meteu na miséria economica e não respeitou sim o "interesse superior da criança" em ter uma vida em família parental Normal e devida do século XXI e as entregar a casais gays só porque meia dúzia de letras fazem lei , depois falamos .




    Mais informação ,

    http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0049089X12000610


    Jorge


    (ciclista )

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  2. Sou contra a adopção por homossexuais e contra a co-adopção e essa opinião no mínimo ou no máximo, como quiser, sr. Bruno Martins, vale o mesmo que a sua. Não será egoísta e pre-conceituosa a sua opinião? Não defende o sr. que ninguém é dono de ninguém? Porque hão-de prevalecer as suas opiniões sobre as minhas?
    Tenha um bom dia.




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  3. Porque é psicologo
    è assim a modos que bruxo, domínio do exoterismo, chamar a isso uma ciência?
    È uma tristeza, prefiro ir a uma cartomante, ou ao António Monteiro é a mesma merda, pelo menos este último como é gay, vai ter bués de clientes

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