domingo, 12 de maio de 2013

Diálogos ou percursos sobre Évora, Cidade Educadora

foto tirada daqui

Reporta-se aqui o discurso fictício de três personagens, que numa destas tardes de sol marcaram encontro numa conhecida sala de um dos mais monumentais edifícios históricos da cidade de Évora.
Decorria então o ano da graça de 2013 e preparavam-se eleições para os poderes locais. A conversação decorre nos limites de tempo que os eborenses presentes puderam suportar, sem sucumbir ao enfado causado pelo confronto dos discursos dos outros, de palavras que quase sempre lhes soam desligadas da realidade que experimentam no quotidiano.
Logo após o período de acolhimento dos que se juntam para assistir aos discursos, (os chamados públicos) a quem é reconhecida  toda a importância que justifica o encontro, o cidadão comum é convidado a questionar, comentar, ou opinar sobre a condição educadora da sua cidade, ou seja Évora.

O cidadão comum - A ideia desta cidade ser educadora apresenta-se-me interessante, mas ainda não vislumbro como pode ela reflectir-se nas instituições que constituem a polis, ou no tratamento dos assuntos que preocupam os nossos concidadãos.

O político - Eu vim aqui só para ouvir. Mas assim interpelado, não posso deixar de vos informar, esclarecer, afirmar, que são inúmeras as concretizações da cidade educadora promovidas pelo meu poder. A lista é tão longa e rica que sugiro a consulta da nossa página na net, por forma a não usurpar   todo o tempo aqui disponível. Mesmo assim não posso deixar de destacar o evento "a", a matéria "b", o procedimento "d", a isntituição "e"...

O cidadão comum - Foi-nos dito que, as cidades educadoras se distinguem das que se não chamam assim, por assumirem a educação (em sentido lato) como a sua primeira prioridade política. E que Évora tomou esse compromisso há já mais de uma década.  No entanto, eu homem da cidade, tenho dificuldade em observar consequências concretas dessa escolha nas ruas, nos corredores, nos ambientes, nos planos físico, social e cultural deste tempo e espaço que habito.

O político - As mudanças começam por ser imperceptíveis. Ademais, em Évora temos de ter especial cuidado com a sua revelação, tendo em conta o nosso estatuto de cidade património mundial. Se forem bruscas, ou muito visíveis, as mudanças podem inviabilizar mesmo esse honroso título. Começamos por isso por assinar uma carta de princípios com que todas as cidades educadoras do mundo se comprometem.

O académico - É preciso não confundir princípios e intenções.
"A palavra “princípio” vem do latim “principium”, que significa, numa acepção vulgar, início, começo, origem das coisas.(...) onde designa as verdades primeiras”. Têm os princípios, de um lado, “servido de critério de inspiração às leis ou normas concretas do direito positivo” e, de outro, de normas obtidas “mediante um processo de generalização e decantação dessas leis”.(BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. 12. ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 228-229).
Já o significado de "intenção" é o desígnio deliberado de praticar tal, ou tal ato.  A intenção não basta para configurar o delito. É a vontade, o desejo: ( a minha intenção era...). Em qualquer caso, a intenção precede a ação. Princípios, intenções e ações correspondem, por isso, a campos bem distintos...

Nesta altura já a maior parte dos presentes ensaiava posições mais confortáveis nas cadeiras, contorcendo discretamente os corpos e as expressões faciais, (alguns abandonavam mesmo a sala) pelo que se entendeu   preferível interromper a sessão. Ainda que possa ser continuada noutro dia ou noutro local.

12 comentários:

  1. Com que então foi isto que se passou ontem na Universidade? E a doutora Dores aproveita para dizer umas coisas à chefe? eh,eh,eh,

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  2. São boas ideias para a Câmara presidida por Maria Helena Figueiredo resolver após a tomada de posse.

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  3. @12:39
    Estás a sonhar ou a gozar?
    Com queres que a Helena Figueiredo resolva o que quer que seja, se nem a vereadora chega!

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  4. @12:39

    Nunca te disseram que fumar essas coisas faz mal à saúde?

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  5. 15:12

    Tu pareces o Zandinga a fazer prognósticos. Achas que alguem que se leve a sério vota no Melgão, no Pinto Sá ou no outro do PSD?

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  6. Não me parece é que alguém que se leve a sério vá votar numa candidatura do BE. A Maria Helena nem a vereadora vai...

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  7. Proponho a interpretação que direi poética do conceito de «Évora, cidade educadora»:

    Évora,que timidamente alberga,quem nela se acolhe,modesta no seu trato.Educadora,que simples, que bela, que alheia à cultura que encerra e por isso mesmo exposta,expondo o seu ventre liso de rugas parideiras, como se de uma medusa, em cheio, na praça,poisasse...Encolhida,escondida,muda, por descobrir quem a queira ler e educar...

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  9. Porque têm o desenho de uma metralhadora na parede?

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  10. Tirei o comentário das 23:09 porque era um comentario que deixava mal quem o escreveu, seja ele quem for.

    CJ

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  11. A Dores é Dra. de quê? hehehehe

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  12. Independentemente das politiquices, acho que seria digno reconhecer que a intervenção da Dra. Dores Correia foi paupérrima e muito mal preparada. Intencionalmente? Não sei. Quanto ao político, não deixa de ser estranho desconhecer que a sua subordinada estaria designada para falar em nome de um projeto municipal. Penso que seria um bom momento para reflectir sobre este assunto e até sobre as razões e sobre o formato do Gabinete criado a pedido. Usar o argumento de fuga da alçada do departamento de educação é desde logo um argumento muito fraco.

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