sexta-feira, 17 de maio de 2013

Conferência hoje em Beja: Rui Vieira Nery fala da polifonia numa viagem até às raízes do cante



A igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, em Beja, recebe este sábado, dia 18, às 17 horas, a conferência “Uma história do Contraponto: do Gótico às Vanguardas”, pelo musicólogo Rui Vieira Nery. Figura de relevo da cultura portuguesa, colaborador, desde há longos anos, da Fundação Calouste Gulbenkian, e docente da Universidade de Évora, este conhecido divulgador associa-se de novo às conferências temáticas do Festival Terras Sem Sombra, este ano dedicado à Polifonia. Uma temática que assume significado muito especial para o Alentejo, precisamente quando o cante avança, em passos seguros, com a sua candidatura a Património Cultural Imaterial da Humanidade.
Será uma digressão ao longo de mais de sete séculos da história da música, em que Rui Vieira Nery irá dar a conhecer as origens do contraponto, desde os primórdios até às formas de escrita mais inovadoras do século XX. Como refere o director artístico do Festival, Paolo Pinamonti, “se, de início, o canto polifónico fazia uso apenas de intervalos perfeitamente consoantes, a aventura da música polifónica acabaria por alcançar, pouco a pouco, níveis de complexidade técnica e expressiva deveras ricos".
Nos concertos que integram a 9.ª edição do Festival Terras sem Sombra empreende-se, justamente, uma viagem através das diferentes declinações dessa experiência, das primeiras formas da “Ars Nova”, sob a égide do Gótico, às inovações do século que acabou de findar. Esta viagem que conduz os espectadores a uma espécie de empolgante e sonhadora antevisão do céu, valorizando a dimensão acústica e cenográfica dos monumentos religiosos do Alentejo como verdadeiros “teatros sagrados”. Um mundo de anjos e demónios, que Rui Vieira Nery evoca, com a mestria de um grande orador, juntando às suas palavras uma cuidadosa selecção de trechos musicais.
Beja acolhe, pelo terceiro ano consecutivo, o ciclo de conferências do projecto Terras Sem Sombra, tornando-se o palco privilegiado para um dos pilares centrais deste Festival: a inclusão musical de uma população que, como refere José António Falcão, “se vê privada do acesso aos círculos culturais da metrópole, mas acaba por ser a que cumpre maior número de requisitos para melhor usufruir de uma programação cuidada no âmbito da arte sacra.” Citando Fernando Lopes Graça, senhor maior da música portuguesa contemporânea (e que, com Michel Giacometti, António Marvão e outros peritos, teve papel pioneiro no estudo da polifonia alentejana), explica: “o povo alentejano é o mais musical da gente portuguesa, entendendo-se por aí a sua disposição ou a sua capacidade natural para se traduzir e consciencializar em canto, a sua rara espontaneidade mélica.” (Nota de Imprensa)


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