sexta-feira, 10 de maio de 2013

Clube, partido, religião: não assentará tudo na mesma ideologia?


 (a poucas horas do Porto-Benfica, a poucos dias do 13 de Maio e a poucos meses das autárquicas)

Cada vez estou mais convencido de que a adesão a um clube, partido ou religião tem mais a ver com questões emocionais, de fé, do que com qualquer racionalidade ou pertença a esta ou áquela classe social. A defesa do emblema do clube, da cor da camisola, da bandeira ou da ideologia do partido, do dogma da religião tornam-se os fins últimos e não instrumentos para qualquer desígnio que ultrapasse os medos comezinhos: o dia a dia, o nosso círculo de amigos, o nosso lugar na hierarquia organizacional. E a tudo isto está também ligada a mera sobrevivência seja ela psicológica ou material: o que seria de mim sem o "conforto" do partido, da religião, do clube a que pertenço? Que seria de mim sem as "missas", os comícios, as reuniões, os grandes jogos? Aí me envolvo e sinto que faço parte... É este o discurso comum, enraízado, dito em surdina, ou em voz alta, em qualquer conversa que meta clubes, partidos ou religiões - depressa a racionalidade fica à porta do debate e o que assume relevo é a adesão emotiva, a crença, o acho que... E a instituição, enquanto tal, torna-se o fim último a a defender. São resquícios, dizem alguns antropólogos, do tribalismo que ainda habita a humanidade e que lhe está subjacente. A defesa da tribo antes do mais.
Há pouco mais de um século Marx tentou explicar "cientificamente" o seu comunismo. Deu no mesmo: a irracionalidade e a crendice apoderou-se dos seus "discípulos" (?) tal como antes já se apoderara de todas as outras expressões filosóficas, políticas ou religiosas, tornando o "marxismo" em mais uma crença.
E se há crença que valha é apenas esta, sem quaisquer "cientifícismos" bacocos: o presente e o futuro seremos nós a construí-los e das inúmeras alternativas que se nos colocam será dos nossos passos e gestos que o futuro vai nascer. Nada está pré-determinado. Nem o mundo de amanhã, nem o resultado do jogo do clube, nem sequer aquilo que a religião de turno nos pode prometer. Tudo depende daquilo que façamos e sejamos capazes de fazer.

10 comentários:

  1. Somos todos tribais! Essa é a herança que vamos deixar. A da defesa intransigente da tribo. Da nossa tribo. Para a perpetuar e permitir que os vindouros disfrutem dela.
    PN

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  2. Que jeito dá ao poder este jogo ,PORTO-BENFICA.........

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  3. Admira-me o Melgão não colocar um ecrã na Praça.

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  4. O novo assessor está a falhar,era casa CHEIA....uma barriquinha com umas bejecas e VIVOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO o PSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS


    Já agora, já escolheram o candidato?

    É o Melgão?

    É Morgadinho?
    É o MELRO?

    É o DAMAS?

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  5. "o presente e o futuro seremos nós a construí-los e das inúmeras alternativas que se nos colocam será dos nossos passos e gestos que o futuro vai nascer.(...)Tudo depende daquilo que façamos e sejamos capazes de fazer."

    É então útil ter consciência de que "o que formos capazes de fazer" não será apenas resultado da reflexão sitemática, da pesquisa científica ou de saberes técnicos, de olhares informados. As emoções, a fé, a esperança, continuarão a moldar decisivamente as nossas opiniões. Por isso mais vale assumi-las, defendê-las com toda a transparência de que formos capazes. Porque pensamentos e opções assépticas, ou exclusivamente boas, não existem.

    Defendamos pois os caminhos em que acreditamos. Com a frontalidade e a humildade de quem sabe que o seu caminho não é o absoluto, o perfeito, o único. Sem, por isso, querer condicionar os outros a mudarem do seu para o meu caminho. Sem pretender convencer ninguém de que o meu clube é o melhor, a minha religião é a única, o meu partido representa o bem supremo e o do outro a destruição total.
    ... Mas até lá chegarmos ainda vai levar tempo.

    Gostei de ler este post.

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  6. «Clube, partido, religião: não assentará tudo na mesma ideologia?»

    Que grande confusão vai por essa cabeça!
    Ou será apenas o efeito da moda da anti-ideologia, para melhor fazer passar a ideologia dominante?

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  7. O ser humano deixaria de o ser, sem "emoções, fé, esperança".

    Alentejana de Évora

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  8. Comunismo e fascismo são duas faces da mesma moeda.

    A História insiste em prova-lo

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  9. @19:24
    E por estas e por outras parecidas, que não passas de um pobre cretino.

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  10. @19:40

    Bem me pareceu que há gente que não tem um pingo de vergonha na cara acerca da verdade histórica

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