segunda-feira, 6 de maio de 2013

A idade da gaveta

As gavetas dão muito geito jeito. Servem para sistematizar. Ajudam a localizar no meio da diversidade.
Mas as gavetas também podem ser perigosas.
Quando descobrimos as possibilidades de arrumação que nos distanciam do caos, ou o conforto que a organização nos proporciona, há o risco de em vez de as usarmos para aquilo que servem, nos começarmos a confundir com elas. De nos limitarmos à gaveta preferida, ou de querermos arrumar a vida toda em gavetas. E de facto a vida toda não cabe nelas.
Perdemos então a noção de que não é possível nem desejável irradicar a complexidade. De que as ideias não se podem arrumar como se fossem papeís ou objectos inertes. As ideias, a vida e os mundos que habitamos são dinâmicos e exigem-nos por isso um contínuo esforço de acompanhamento, participação e reconfiguração. Ainda que num contexto de identidade que nos permita a nós, e aos nossos percursos, continuarmos a saber quem somos e porque somos.

Vem isto a propósito da observação de que vivemos uma espécie de idade da gaveta.  Colocados no meio de uma enorme galáxia de meios e formas de comunicação, as mulheres e homens deste tempo vivem assustados. E acolhem-se nas gavetas a que acedem. Não seria isto um sério problema se nos mantivessemos conscientes de que outros se refugiam em gavetas bem diferentes, e há mesmo muitos que não habitam gaveta nenhuma, quer seja por escolha sua  ou pela impossibilidade de escolherem.

Vem isto a propósito da observação de que muitos grupos sociais, instituições diversas, e em particular os partidos políticos estão a "engavetar-se". No nível nacional, mas também em Évora. Já não falam só para o interior do seu edificio, mas tão só para a sua gaveta. E parecem sentir-se bem com isso. Os muitos mundos que existem "lá fora" já não lhes interessam, como se assim deixassem de existir.

Caberia aos que dirigem essas construções sociais compreender que o alargamento, e todas as pontes e ligações possíveis, só valorizam e reforçam esses edifícios não materiais. O fechamento pode até compreender-se como atitude de defesa, mas se continuado é mais do que provável que resulte em empobrecimento, definhamento, asfixia.

7 comentários:

  1. "geito"?

    Ah jeitosa!...

    ResponderEliminar
  2. PSD......PS......PCP,em Évora Renovação Urge.

    ResponderEliminar
  3. Estamos CANSADOS dos DIEBs,Tronchos e Diamantinos.

    ResponderEliminar
  4. Isso mesmo. Queremos o Sampaio

    ResponderEliminar
  5. @09:44
    CANSADOS dos ... Tronchos?

    E eu, pobre ignorante, a pensar que quem destuiu a CME foram os Ernestos, os Melgões, as Claudias e os Netaniaus, os Capoulas e os Brilhantinas...

    ResponderEliminar
  6. E o Monarca, já se esqueceram dele?

    ResponderEliminar
  7. Tirar os partidos da gaveta era uma boa solucao. Mas, se isso acontecesse, deixavam de ser partidos. O melhor e nao lhes ligarmos.

    ResponderEliminar

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.