sexta-feira, 5 de abril de 2013

Reunião sobre Impacte Ambiental da Exploração da Boa Fé muito participada


Habitantes da localidade de Boa-Fé, no concelho de Évora e onde a Colt Resources planeia abrir uma mina de ouro, manifestaram-se hoje preocupados quanto aos impactes negativos do projeto, mas a empresa disse que serão “os mínimos possíveis”.
“Não há bónus sem haver ónus. Quem quer receber os bónus, tem que pagar alguns ónus”, afirmou Jorge Valente, representante em Portugal da canadiana Colt Resources.
Mas a empresa, acrescentou, vai trabalhar para que “os impactos negativos sejam os mínimos possíveis” e, ao mesmo tempo, “os impactes positivos que sejam os máximos possíveis”.
Jorge Valente falava à agência Lusa após uma reunião técnica de esclarecimento, na Câmara de Évora, sobre a concessão mineira da Boa-Fé, no âmbito da consulta pública do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) do projeto, em curso até dia 16.
Na sessão, várias pessoas que moram na localidade transmitiram preocupações e críticas e levantaram dúvidas, não apenas quanto aos possíveis impactos ambientais do projeto, mas igualmente sociais e económicos.
As questões mais suscitadas centraram-se na localização na Rede Natura 2000 de uma das duas cortas (áreas de extração de ouro) previstas, nos impactos para os recursos hídricos, na barragem para depositar o minério rejeitado e nas escombreiras de inertes.
José Rodrigues dos Santos, um antropólogo que se tem dedicado ao estudo deste projeto, disse à Lusa ser contra a instalação da mina de ouro a céu aberto na Boa-Fé, na zona da Serra de Monfurado.
“A ‘prova dos nove’ de que este projeto não devia ir para a frente é o facto de não haver seguro. A empresa diz que os riscos não são muito grandes e que não vai contrair um seguro para os cobrir porque custaria muito caro e inviabilizaria o projeto”, referiu.
Ora, sublinhou o antropólogo, “o seguro só pode ser caro porque os riscos, afinal, são muito mais elevados do que eles dizem”.
José Rodrigues dos Santos afiançou que, na localidade, a implementação desta extração mineira suscita preocupações, o que levou à criação de “um grupo informal” de moradores para analisar e estudar o EIA, do qual faz parte também Ana Cardoso Pires.
“O relatório não técnico do EIA é quase um conto de fadas: Isto é bestial, vamos ter uma atividade produtiva que é muito desejada na região, muitos postos de trabalho que são ‘pão para a boca’ da maior parte da população. Isto é muito apelativo, queremos saber é qual é a contrapartida”, afirmou.
Segundo Ana Cardoso Pires, a morar na Boa-Fé há cerca de 20 anos, tendo já visto “três empresas estudarem o filão de ouro”, a implantação deste projeto, caso avance, tem de ser acautelada porque a extração mineira “é uma atividade completamente de risco para as populações”.
Confrontado pela Lusa com estas preocupações, o responsável da Colt Resources frisou que o projeto é acarinhado na Boa-Fé, tendo presenciado a sessão “a minoria que não está satisfeita”.
“As pessoas querem o projeto, o emprego, a formação, o dinheiro que anda à volta da operação. As vozes positivas não vieram, mas temos todos os dias ‘feedbacks’ de que o projeto é desejado”, insistiu. (LUSA)

3 comentários:

  1. A canadiana Colt Resources revelou hoje que, caso seja aprovada e licenciada a mina de ouro que a empresa quer instalar na Boa-Fé (Évora), a fase de produção e extração não arranca “antes de 2015”.

    “Em 2014, deveremos fazer a implantação de algumas coisas”, mas “a produção, é praticamente impossível” que comece “antes de 2015”, disse hoje à agência Lusa Jorge Valente, presidente da Eurocolt, empresa criada em Portugal pelo grupo mineiro canadiano.

    O responsável da Colt Resources em Portugal falava à Lusa em Évora, à margem de uma sessão técnica de esclarecimento sobre a concessão mineira da Boa-Fé, no âmbito da consulta pública do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) do projeto, em curso até dia 16.

    Segundo Jorge Valente, a empresa já investiu, até ao momento, “sete milhões de euros” nos trabalhos de estudo e prospeção que desenvolve na zona da concessão mineira da Boa-Fé.

    Caso avance a fase industrial do projeto, com a implementação da mina, que envolve a abertura de duas cortas (zonas de extração) a céu a aberto, com 90 e 120 metros de profundidade, a empresa prevê investir mais 40 milhões de euros, disse.

    “As cortas atuais vão viver seis anos”, mas “antes da fase produtiva têm um ano de construção e, depois da fase de exploração, está previsto mais um ano para se finalizar o processo de recuperação ambiental e paisagístico, decorrendo ainda, posteriormente, “uma monitorização de tudo isso”, esclareceu.

    Para a empresa, a extração de ouro na Boa-Fé “é economicamente atrativa” e “viável”, mas, primeiro, lembrou Jorge Valente, o projeto tem que “ser aprovado e licenciado” pelas autoridades portuguesas.

    “Se a sociedade não quiser, é evidente que não haverá mina, mesmo sendo viável. A empresa está disposta a continuar a investir, mas tem que obter os licenciamentos e está a cumprir o caminho para chegar lá”, frisou. (LUSA)

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  2. Vossas estimadas Ex.as andam a ser enganadas a torto e a direito !

    Os tipos fazem desta campanha uma mentira que estão procurando ouro !

    MENTIRA !!!!


    Seiii !!!!


    Trabalham por tras da porta para a NASA !!!!


    Procuram e querem dar continuidade ao porquê de existir na ZONA uma alteração do valor da GRAVIDADE !

    Sabem o que é ?

    Procuram outros metais que possam esclarecer a alteração ...


    Não acham muito estranho esta história ?

    Ok ... vocês gostam do Batista da Silva da apanha do bacalhau ...

    IGNORANTES !!!

    Projetos secretos camuflados na apanha de ouro ...


    Jorge

    ( ciclista )

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  3. «a fase de produção e extração não arranca “antes de 2015”.»

    Compreendi perfeitamente.
    O novo Quadro Comunitário de Apoio só começa em 2014. E um ano deve ser o prazo para decidirem quantos milhões vão ser dados à empresa...

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