quinta-feira, 4 de abril de 2013

O InAlentejo e o Fórum Eugénio d’ Almeida



Ao tomar conhecimento das 6 entidades regionais designadas pelo InAlentejo para beneficiarem de apoio comunitário em projectos de cariz cultural entendi não poder deixar de manifestar a minha estupefacção perante um facto que considero absolutamente inacreditável. Então não é que a toda poderosa e opulenta Fundação Eugénio d’Almeida vai ser contemplada com a terceira maior verba atribuída para financiar a sua programação de 2013-2014 a levar a cabo no Fórum Eugénio d’Almeida? Isto é verdadeiramente de bradar aos céus! Direi mesmo que se trata de um verdadeiro escândalo.
Todos os outros projectos apresentados são claros e objectivos e não deixam margem para dúvidas quanto ao seu contributo para a valorização e divulgação do património e da cultura alentejanas. Estão neste caso o Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja com um co-financiamento de 430 mil euros para o projecto Terras sem Sombra (Festival de Música Sacra do Baixo Alentejo) e o CENDREV que recebe um apoio de 304 mil euros para preservação dos Bonecos de Santo Aleixo.
Muito abaixo destas verbas ficam a Colecção B, Associação Cultural que vai contar com uma verba de 72 mil euros, destinada ao programa Escrita na Paisagem; a Pé de Xumbo, associação para a Promoção da Música e da Dança, a quem foi atribuído um auxílio de 102 mil euros e a Direcção Regional da Cultura do Alentejo que disporá de 64 mil euros de contribuição do FEDER para implementar um projecto de Estratégia de Interpretação e Comunicação no Castelo de Belver
Só por si a abastada Fundação Eugénio d’Almeida vai receber 335 mil euros, sendo que 137 mil euros são minimamente aceitáveis por se destinarem à consolidação e valorização do Inventário Artístico da Arquidiocese de Évora. Mas uma instituição com o seu poder económico e as suas fontes de rendimento e que se ufana de ser auto-sustentável, nem sequer deveria precisar de recorrer a estes financiamentos que deveriam ser reservados a quem não tem grandes recursos.
É todavia em relação ao financiamento de 198 mil euros num investimento  total de 282 mil euros destinado à programação de Programação de 2013-2014 do Fórum Eugénio d’Almeida que o caso assume foros de escandaloso. O InAlentejo é omissa quanto à sua natureza e era sua obrigação fazê-lo. No entanto faz sublinhar na sua nota de imprensa o Regulamento específico «visa a melhoria das condições de salvaguarda, valorização e animação do património cultural (imóvel, móvel, imaterial e oral, numa perspectiva de transmissão para o futuro dos bens culturais, de forma a assegurar a sua fruição com respeito pela sua identidade específica,nela considerando os valores de originalidade aliados aos da respectiva integridade patrimonial».  
Ora a programação de 2013-2014 do novo Fórum Eugénio d’Almeida não se integra nestes princípios. À comunidade e aos eborenses a Fundação ainda não a revelou.  Acontece porém que, mesmo antes do embargo ao imóvel ter sido levantado, já a luxuosa e sofisticada revista “ Fora de Série” no seu número de Fevereiro, distribuída juntamente com  o “ Diário Económico” do dia 8 do mesmo mês publicava uma reportagem, com todo o jeito de ter sido encomendada, sobre o novo Fórum e as megalómanas intenções de internacionalização avançadas por Maria do Céu Ramos, na procura de o enfileirar entre as grandes galerias europeias da arte contemporânea. Assim a responsável por toda a programação será a espanhola Cláudia Gianneti, nascida em Barcelona, doutorada em Estética Digital, escritora, teórica e curadora de exposições e eventos culturais e professora catedrática convidada da Universidade de Évora no departamento de Artes Visuais.
O Fórum vai pois abrir com uma exposição do «fotógrafo Edgar Martins, reconhecido a nível europeu que reside em Londres». Curiosamente e embora não se faça alusão a isso Edgar Martins é natural de Évora onde nasceu em 1977 mas desde muito cedo rumou a Macau com os pais. Em 1966 abalou para o Reino Unido a fim de frequentar o Royal College of Art. Aí se diplomou, vive e trabalha ainda hoje. Com uma obra multifacetada, de cunho acentuadamente vanguardista, obteve vários prémios internacionais, está representado nos melhores museus do mundo e veio a ser o vencedor da 5ª. Edição do Prémio BES/Photo em 2009. Contudo nada na sua obra o relaciona com o Alentejo.
Mas a grande mostra está marcada para o final do ano e será organizada em parceria com o Museu ZKM Center for Art and Media de Karlsuhe. Este é o grande museu da arte digital, erguido em 1997 naquela cidade industrial alemão, nas ruínas de uma fábrica de armas e munições que funcionou entre 1914 e 1918 (I Guerra Mundial).  Em ambos os casos pela construção nas suas ruínas de centros de arte contemporâneos. E esta é notoriamente um exposição à feição da curadora e de acordo com os seus interesses mas não com a preservação, salvaguarda e difusão do nosso património cultural. O que tem a arte digital e computorizada a ver com a região , ou até mesmo com a cultura nacional? Qual o seu enquadramento no InAlentejo cujas regras subverte claramente?
Em suma, esta programação colide frontalmente com o espírito e o ambiente  da Acrópole, principal núcleo do Centro Histórico medieval que a UNESCO consagrou, o turista demanda e o estudioso procura. Introduz mesmo uma ruptura e uma descontinuidade  na oferta cultural daquela zona que virá a ser complementada com um restaurante e um “wine bar” na  área dos Casas Pintadas. Razão assistia ao filósofo francês Louis Althusser quando afirmava que «os detentores do poder tentam permanentemente impor as suas concepções do mundo, modelando os produtos culturais à sua imagem».

José Frota (via email)

9 comentários:

  1. Esta Igreja é CORRUPTA.

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  2. PSD e hierarquia da Igreja e elementos neo-fascistas,dominam a fundação.

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  3. Esta não é a Igreja de Pedro........e francisco.

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  4. HAJA coragem INVESTIGUE_SE esta rapaziada......BASTA de MAMAREM na teta.

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  5. Esta não é a Igreja pobres.

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  6. La merde é e mesma por todo o lado... Todos querem é encher os bolsos, os amigos estão protegidos, contormam-se as regras sempre que lhes convém...
    Uns na cultura outras na agricultura!...

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  7. Nada tenho contra o apoio à Fundação Eugénio de Almeida desde que este se destine a promover Évora e a região do Alentejo.

    Évora precisa de voltar a ter capacidade para atrair gente de fora. Gente para Viver e também para Visitar. A Cultura e o Património, desde que bem promovidos e rentabilizados, podem desempenhar esse papel.

    A Cultura e o Património podem/devem ser um elemento distintivo de Évora e um factor de atracção e desenvolvimento económico do concelho.

    Assim saiba, a próxima Câmara, reunir e mobilizar as vontades, no sentido de se articularem e potenciarem as acções de cada uma das entidades, num programa conjunto capaz de mobilizar as associações culturais e desportivas, as fundações, as unidades hoteleiras, a restauração e os comerciantes, os proprietários das casas e os moradores em geral.

    Mobilizar os escassos recursos existentes para aproveitar e rentabilizar o próximo Quadro Comunitário de Apoio (2014-2020) é imperioso e urgente.

    Espero que os eborenses saibam distinguir entre os diversos candidatos, quem terá capacidade para meter ombros a tal tarefa.

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  8. Então expliquem e a avaliar pelo site do Inalentejo e referênciando as respetivas entidades que recebem dádivas de Deus , como é possível e pode ver no cartaz lá aplicado na vedação , a Albergaria Vitória receber perto de 1,9 milhões de euros a fundo perdido ( penso eu ... ) para que essa verba esteja dentro de uma mesma família privada de Évora . A entidade que está a construir ou renovar é dos mesmos ... Expliquem lá o interesse público desse imóvel ... será que todos os albergues vão ter essas dádivas ?

    Será que este país é uma quinta como diz a Ministra da Justiça ?

    Muito das dávidas dariam para e a dividir de forma legal , para talvez em muitos ... renovarem a capaciade económica mas que fosse de interesse público .

    Eu não quero pagar depois impostos para repor esses euros bastardos dados de forma Nazi !

    Jorge
    ( ciclista )

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  9. Este ciclista continua com comentários de anormal.

    Então o Inalentejo não tem um eixo para a competitividade da empresas? Então não lês os regulamentos, passa te ao lado todo um qca durante 7 anos e vens aqui fazer comentários como se fosses entendido em alguma coisa?

    Vai guardar cabras que acho que nem isso conseguirias fazer bem. Que anormal ...

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