quinta-feira, 4 de abril de 2013

Exploração mineira na Boa Fé: nem tudo o que brilha é ouro




Amanhã, sexta-feira, dia 5 de Abril vai ter lugar, pelas 10.30H, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Évora, uma “Reunião Técnica de Esclarecimento” no âmbito da Consulta Pública do Projeto “Exploração Mineira Boa Fé”, que está a decorrer de 19 de Fevereiro a 16 de Abril de 2013.
Esta reunião – segundo uma informação da Agência Portuguesa do Ambiente, que está a circular junto de alguns interessados -  “tem como objectivo explicitar o projecto e os seus principais impactes e contará com a presença de representantes desta Agência, do proponente e da empresa responsável pela elaboração do Estudo de Impacte Ambiental”.
O antropólogo José Rodrigues dos Santos, que nos fez chegar esta informação, e um grupo de moradores na Boa Fé têm estado a acompanhar todo este processo e referem que esta reunião é muito importante para conseguir novos dados e mesmo modificar o projecto mineiro de exploração de ouro nos concelhos de Évora e Montemor o Novo - classificado quer pelo Governo, quer por estes dois municípios, como de grande interesse económico para o país.
Diferente é a opinião deste grupo de pessoas, que elaboraram alguns documentos relevantes (entre os quais este estudo), e que são muito críticas de todo o projecto.
Ao “acincotons” José Rodrigues dos Santos refere que «este “projecto mineiro” é susceptível de causar danos irreversíveis numa larga área, a dois passos de Évora (10km) e abrangendo uma parte da Zona Protegida das Serra do Monfurado, que está integrada na "Rede Natura 2000"».
«Para além disso, a fiabilidade da(s) empresa(s) e a sua capacidade para fazer face às suas responsabilidades, deixam muitas dúvidas. Pelos estudos que temos estado a fazer, indicia-se que sejam empresas predadoras, que atiram para as colectividades a responsabilidade pelos danos, pelos eventuais acidentes  e pela manutenção dos espaços após o (curto) período de laboração previsto (5 anos)».
«Nem a APA nem a CME, nem as Juntas, publicitaram esta reunião junto da população. Estou em crer que apesar de se colocarem questões "técnicas", os cidadãos têm direito a serem esclarecidos, independentemente (e sem prejuízo) de estudarem as centenas de páginas dos documentos».
«Os "técnicos" das instituições responsáveis e/ou abrangidas pelo projecto também têm, creio, o dever de esclarecer a população para além dos círculos restritos».
Aqui no “acincotons” também achamos relevante a existência de uma opinião pública forte e informada, assim como uma sociedade civil empenhada em tudo o que lhe diga respeito. Daí esta chamada de atenção: não é pacífica a exploração de ouro na Serra de Monfurado, nem em termos económicos, nem ambientais, apesar do “empenho” que o governo tem posto em torno desta matéria, que iremos seguir atentamente.
E o primeiro passo começa já esta sexta-feira na reunião pública sobre o “projecto e os seus impactes” que vai decorrer na Câmara de Évora, pelas 10,30 horas.

3 comentários:

  1. Deve ser mais uma daquelas excelentes 'iniciativas privadas' que se destinam a sacar uns quantos milhões de euros dos fundos comunitários. Milhões de euros que a UE nos reenviará na factura da 'divida pública, para todos pagarmos com língua de palmo.

    E a factura já vai pesada, com os 10 milhões da Praça de Touros e os 90 milhões da Embraer (15 da CME e 75 do Governo).


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  2. Então expliquem e a avaliar pelo site do Inalentejo e referênciando as respetivas entidades que recebem dádivas de Deus , como é possível e pode ver no cartaz lá aplicado na vedação , a Albergaria Vitória receber perto de 1,9 milhões de euros a fundo perdido ( penso eu ... ) para que essa verba esteja dentro de uma mesma família privada de Évora . A entidade que está a construir ou renovar é dos mesmos ... Expliquem lá o interesse público desse imóvel ... será que todos os albergues vão ter essas dádivas ?

    Será que este país é uma quinta como diz a Ministra da Justiça ?

    Muito das dávidas dariam para e a dividir de forma legal , para talvez em muitos ... renovarem a capaciade económica mas que fosse de interesse público .

    Eu não quero pagar depois impostos para repor esses euros bastardos dados de forma Nazi !

    Jorge
    ( ciclista )

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  3. Aqui está um bom tema para analisar. As corridas ao ouro nunca deram bons resultados. E este prazo (no máximo 5 anos) dá a entender uma verdadeira rapina.

    josé pacheco

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