quarta-feira, 10 de abril de 2013

Évora tem de apostar na divulgação cultural e turística da sua Judiaria


Apesar de ter tido a segunda judiaria mais importante e populosa do país Évora nunca soube tirar partido desse facto em termos de património cultural e aproveitamento turístico. O antigo bairro judaico, que a esmagadora maioria dos eborenses não sabe exactamente onde se situa, nunca mereceu grande atenção por parte das entidades responsáveis pelos respectivos sectores e tem sido completamente votado ao ostracismo não obstante integrar o Centro Histórico que a UNESCO classificou de Património Mundial em 1986.
Jamais foi efectuada qualquer promoção ou difusão da sua existência. Os guias turísticos não o assinalam e no respectivo Posto de Turismo não há qualquer brochura ou opúsculo que contenha informações sobre a sua delimitação, características, pontos ou ruas de maior interesse a visitar ou dos vestígios (pórticos ogivais e marcas nos umbrais das portas) que ainda permanecem de uma comunidade que aqui se instalou entre os séculos XIV e XVI no espaço compreendido entre a Rua do Raimundo e Rua de Alconchel, chegando a albergar cerca de 8 mil pessoas e dispondo, segundo os investigadores e historiadores, de «duas sinagogas e de todos os serviços a ela inerentes como escola, hospital, estalagem, local para banhos rituais, sítios para leitura e interpretação da Bíblia e gafaria». 
Significa isto que Évora tem ainda virtualidades no campo cultural e turístico por explorar e que não as pode ignorar para bem da cidade. O caso do turismo judaico, que de momento está em alta e promete continuar durante as próximas décadas, é seguramente um deles, mercê em grande parte da acção desenvolvida nos últimos dez anos pela Universidade Hebraica de Jerusalém, a qual tem vindo a promover a assunção da herança judaica e a recuperação do seu passado e cultura junto da respectiva diáspora que no cômputo das suas comunidades espalhadas pelo mundo ronda os 8,3 milhões de pessoas. 
A Universidade Hebraica tem exortado ao conhecimento das grandes comunidades onde os judeus experimentaram largos períodos de crescimento e prosperidade mas também foram vítimas de discriminações, ataques brutais, expulsões e extermínios. Recorde-se mesmo neste campo Évora está ligada à história judaica na medida em que foi nesta cidade que foi criado o primeiro Tribunal de Santo Ofício em Portugal. No decurso dos anos a sua acção incidiu fortemente sobre a fiscalização dos cristãos novos ( judeus convertidos), tendo si levantados 9.500 processos muitos dos quais terminaram com a morte bárbara dos acusados. 
De facto, o apelo lançado encontrou eco especial na América do Norte (Estados Unidos e Canadá), no México, na Argentina e no Brasil, onde residem 7 milhões de descendentes de judeus. Nos últimos cinco anos, têm sido aos milhares os judeus dessas paragens que vêm cruzando o Atlântico para visitarem Portugal, Espanha, França, Rússia e Polónia, ante de se dirigirem a Jerusalém, a cidade-mãe dos seus antepassados. Mas o fluxo em sentido contrário também sido estimulado por Tel Aviv. 
Ora foi tendo em conta esta estimulante dinâmica da indústria turística israelita que se criou a 17 Março de 2011 a Rede das Judiarias de Portugal que tem por fim « uma actuação conjunta do património urbanístico, arquitectónico, ambiental, histórico e cultural com a herança judaica». Pretende-se assim conjugar a valorização histórica e patrimonial com a promoção turística. De início foram 5 os municípios a aderir tendo a sede ficado em Belmonte. Em Évora, só próximo de um ano e meio mais tarde, se deu pelo interesse do concelho em vir a integrá-la. 
Sem dispor dos meios mínimos para promover a divulgação da sua judiaria, a Câmara decidiu fazer-se representar, numa manobra de propaganda destituída de qualquer sentido, no Mercado Internacional do Turismo Mediterrâneo, realizado em Fevereiro passado em Tel Aviv. A presença da vereadora da Cultura, Cláudia Sousa Pereira no certame passou despercebida, como é óbvio, acabando por ter de se encostar aos gabinetes da delegação portuguesa, constituída quase exclusivamente pelos centros judaicos da Serra da Estrela. 
Ora Évora não pode perder oportunidades de se mostrar no segmento do turismo judaico que aponta para um potencial mercado de 15 milhões de interessados (8 milhões da diáspora e mais 7 milhões residentes em Israel. Torna-se imperioso e urgente que a Câmara, com o apoio da Entidade Regional de Turismo e da Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo se empenhem na criação de literatura, de filmes e vídeos, na sinalização adequada da zona, no desenvolvimento de visitas dos operadores turísticos daquele segmento, na visibilidade da sua presença nos grandes certames internacionais promovidos pelo Ministério do Turismo de Israel para que possa vir a captar dividendos dos novos roteiros de viagens que incluem e incentivam ao conhecimento da cultura judaica. E Évora precisa, como de pão para a boca, de encontrar novas fontes de rendimento no sector do turismo que é vital para a sustentabilidade do seu futuro enquanto Cidade Património da Humanidade.

José Frota (via email)

15 comentários:

  1. Absolutamente certo, mas digo mais Évora nao tem sabido explorar o seu património histórico e cultural de todo! Só se promoveu o templo e a apela dos ossos, o resto da cidade, tem sido ostracizada. é por isso que quem nos visita so esta aqui uma tarde ou um dia na melhor das hipóteses!
    Lurdes

    ResponderEliminar
  2. Só um governo municipal,competente,poderá Apostar na cultura,uma das mais valias desta cidade.

    Não se tem aproveitado o potencial deste Centro Histórico,Haja criatividade e vontade de trabalhar,é possivel FAZER MUITO MELHOR ,com muito pouco dinheiro.

    ResponderEliminar
  3. Para que serve as antigas instalações da rodóviaria?


    ResponderEliminar
  4. O palacio do Inatel está MUITO mal aproveitado,o Jardim publico abandonado......

    ResponderEliminar
  5. O Viveiro Florestal um ESPAÇO amplo abandonado,optimo espaço VERDE para aquela zona da Cidade.

    ResponderEliminar
  6. Antigo hotel planicie,ao abandono e a ruir,CRIME cometido pelo PSD e PS.Foram ali enterrados centenas de milhares de euros publicos.

    ResponderEliminar
  7. O Frota a preparar o seu lugarzinho na Câmara!
    Só se lembram das coisas quando estamos em época de eleições e de distribuições de lugares! Aí todos fazem tudo!

    ResponderEliminar
  8. Cultura e Património no seu conjunto é uma das vertentes mais importantes para o desenvolvimento de Évora. Infelizmente este executivo municipal, incapaz de perceber a importância deste valor, voltou-lhe as costas.
    À Cultura local preferiu os enlatados.
    Ao Património preferiu abandoná-lo e apostar em modas passageiras a que o novo-riquismo saloio chama 'novas centralidades'.

    ResponderEliminar
  9. Caro José Frota,

    O que Évora precisa, em primeiro lugar, é de atribuir uma guia de marcha a quem não percebeu a importância (também económica) de um bem como é o Centro Histórico de Évora. Uma guia de marcha para quem não percebeu o significado e as consequências de retirar os serviços municipais de atendimento público para o Parque Industrial.

    O que Évora precisa, em segundo lugar, é de novas políticas e novos protagonistas para essas políticas que encarem o Património no seu conjunto como um bem maior deste concelho.

    O que Évora precisa, por fim, é compreender que Évora sentirá sempre muitas dificuldades em competir, na maioria das actividades, com as duas metrópoles que nos envolvem: Lisboa e Badajoz. Mas pode e deve tirar partido da proximidade dessas duas grandes áreas urbanas ‘explorando’ o ÚNICO bem onde somos realmente competitivos: o nosso Património e a nossa Cultura.

    Mas para isso não podem continuar as políticas dos últimos 12 anos. A Cultura não pode resumir-se às Telenovelas, às Modas ou aos enlatados que nos impingem de fora. O Património não pode ser um monte de ‘pedras abandonadas’, sem vida nem gente a usá-las. O Património tem de voltar ser um conjunto de ‘pedras vividas’ por residentes, actividades económicas e animação nas ruas e praças. Não é possível manter um Património em que 30% das casas estão vazias e abandonadas!

    ResponderEliminar
  10. Completamente abandonada a mata do jardim.

    ResponderEliminar
  11. Com o Zé Ernesto, à conta da cultura, as carraças encheram o papo.
    Revistas, museu do design, Serendipity, modas e perfumes, um cortejo de gatunos, a consumir os recursos do concelho.
    Ainda lambem os beiços, e já tentam marcar lugar, e voltar a saltar para cima.

    ResponderEliminar
  12. «A presença da vereadora da Cultura, Cláudia Sousa Pereira no certame passou despercebida...»

    E o que foi a senhora fazer a Telaviv?
    Mais um passeio depois do ano passado ter ido à Coreia, à nossa custa?

    Não havia coisas mais úteis onde a Câmara devia gastar o nosso dinheiro?
    Quem sabe se não seria melhor comprar tinta para pintar as passadeiras…
    Ou herbicida para matar as ervas que alastram por todo o lado.

    Deixe-se de conversas da treta para justificar o desnorte e o descalabro de 12 anos de abandono do Centro Histórico. Um descalabro que já se traduz em mais de 1100 casas vagas (num total de 4 mil) e muitas dezenas de comércios e serviços fechados.

    ResponderEliminar
  13. Descubram a vigarice camuflada onde o resto que não aparece vai direito aos bolsos de alguns :

    http://www.portugal.gov.pt/pt/para-onde-vao-os-seus-impostos.aspx


    Jorge

    ( cilcista )

    ResponderEliminar
  14. Ao pérfido anónimo das 14.15
    O seu comentário enferma da mais profunda má fé tentando provocar um clima de animosidade contra a minha pessoa.Antes da frase que citou eu escrevi: «Sem dispor de meios para promover a sua judiaria,a Câmara decidiu fazer-se representar, numa manobra de propaganda, destituída de qualquer sentido, no Mercado Internacional de Turismo Aviv». Acontece assim que,ao contrário do que quer fazer crer, que, atendendo eu não caucionei a presença da vereadora no certame. Atendendo às circunstâncias,tratou-se de um acto avulso e inútil por não estar enquadrado em qualquer estratégia de suporte.
    Por outro lado quero-lhe dizer, que não confundo assuntos de cultura com os drogaria (tinta para pintar ou herbicidas)como você faz. Mistura alhos com bugalhos e mete tudo no mesmo saco. Confusão mental ou chicoespertice?

    ResponderEliminar
  15. A expressão "atendendo eu" na 5ª.linha não deve ser considerada, por deslocada do seu lugar certo como se pode verificar na linha seguinte.

    ResponderEliminar

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.