quinta-feira, 18 de abril de 2013

Ainda a Candidatura do BE



Na sequência dos comentários produzidos aqui e aqui, aproveito para tecer algumas considerações.
É público que sou aderente do Bloco de Esquerda e que, apresentando-se esta candidatura sob o patrocínio da nossa sigla, de estranhar seria que não a apoiasse. Maria Helena Figueiredo tem de facto o meu apoio, mas pode contar com muito mais do que isso. Conta com o meu aplauso, com o meu empenho, com a minha admiração, pelo acto de coragem que representa dar a cara numa luta de cidadania, numa disputa difícil, num concelho ferozmente bipolarizado, em que mais do que projectos, mais do que propostas, mais do que debate, pesam acima de tudo as marcas de um passado conturbado, marcado por profundas fracturas, por ressentimentos vários, por ajustes de poder, pouco racionais, ditados por anos de conflito aberto.
Daqui decorre um perigoso desvio. Antes de se avaliarem projectos, de se confrontarem propostas, contam-se espingardas e contam-se, porque se assume que não existe outra alternativa, outro caminho. Esta tem sido a prática, mas nem sempre a prática seguida é a mais adequada.
Os partidos não são tribos, não são, nem podem ser um portal do poder, partilhado em alteridade, os partidos são veículos de ideias, de soluções, são acima de tudo uma possibilidade em aberto, numa democracia, de transformação, de mudança, de aperfeiçoamento. Se, como é o caso de Évora, forem alijadas todas as possibilidades além daquelas que tradicionalmente têm detido o poder, é o município que perde.
Isto é válido para o país, para qualquer outra autarquia, para qualquer entidade em que o poder seja escrutinado através do voto. A democracia implica diversidade, confronto, debate e escolhas, implica transparência.
Acresce a isto o facto de uma autarquia gerida por partidos da esquerda, não ser forçosamente uma autarquia de esquerda, na verdade, quando se excluem outros projectos, se dá de barato que os outros participantes na liça eleitoral, só vão “roubar” votos ao nosso partido, isso só representa uma visão muito pouco transparente da gestão da coisa pública, que por ser pública é de todos e não apenas de uma qualquer maioria, ou minoria, ou o que quer que seja. A esquerda é sinónimo de transparência, de multiplicidade, de partilha, de igualdade de direitos, não pode haver uma autarquia de esquerda sem o respeito desses princípios.
É precisamente esta abertura à diversidade que está na base desta proposta do BE, dar voz à esquerda, não apenas a uma fracção da esquerda, porque assim se sustenta e fundamenta um projecto consistente, com abertura e diálogo e respeito pela diferença. Não se quer apenas uma soma, aritmética, contabilizável em votos, quer-se a participação de todos os que pretendem a mudança.




8 comentários:

  1. Este aproveita todos os momentos para fazer propaganda ao Bloco de Esquerda. Já chateia. Cala-te, homem, que cada vez que falas ou escreve o BE perde votos. Pareces o mesmo disco sempre repetido.

    ResponderEliminar
  2. 11:12
    Não percebo o seu comentário.
    Se é como diz deveria ficar contente.
    já que obviamente não vota no BE

    ResponderEliminar
  3. Bloco Central e Bloco de Esquerda.
    Têm direito a tempo de antena, e a programas na televisão do estado.
    É esta a democracia dos blocos.
    Há esquerda e há esquerda.
    Dividir para reinar.

    ResponderEliminar
  4. O que é a democracia?
    Governo da maioria, para benefício da maioria?
    Ou governo da maioria, para roubar a maioria em benefício da minoria?

    ResponderEliminar
  5. Eles e a esquerda e a direita.
    Cassete inacabada.

    Que é a esquerda ou a direita, quando um país por força dos acordos Internacionais nomeadamente a nível da União Europeia, tem que se guiar por uma cartilha redigida pela maioria dos eleitos?
    Ou no bloco de esquerda ou no partido comunista (bem, aqui no PC são como os carneiros porque estão de acordo todos uns com os outros) são as minorias que regem os destinos da maioria?

    Sampaio o problema do BE é que vocês não têm a mínima competência para resolver qualquer dos imbróglios em que a câmara Ernestonta se meteu: das Águas às dívidas.

    ResponderEliminar
  6. Tenho curiosidade em saber quais as diferenças de programa e de linha ideológica entre o BE e o PC?

    ResponderEliminar
  7. @20:21

    Linhas ideológicas?
    Nenhumas.
    PC e BE são dois partidos comunistas embora o BE seja menos sectário e mais aberto.

    Linhas politicas?
    O PC é ene vezes mais competente.
    O BE só tem faladores e teóricos. Acho que se lhes pedissem para descascar umas batatas "politicas", eles cagavam-se todos de medo.

    ResponderEliminar
  8. Só quem não tem participado nas AM da Camara é que pode dizer que o PC é mais competente. Propostas mal concebidas, deputados mal preparados. O PC em Évora é pouco mais que ridiculo.
    As propostas do BE bem fundamentadas e melhor defendidas. Infelizmente só por um deputado. Daí a necessidade de uma verdadeira alternativa.

    ResponderEliminar

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.