sábado, 6 de abril de 2013

A suspeita e incontornável Rua


A RUA, sede maior do espaço público, é suspeita porque aí, tudo pode acontecer. É imprevisível, espontânea, criativa e por isso difícil de prever e controlar. Incontornável porque não vivemos sem espaço público. A nós humanos deste tempo não nos bastam mesmo todos os espaços privados que fomos criando, multiplicando, sofisticando,diversificando.
A RUA é assim intrigante. Alvo das preocupações de quem regulamenta, de quem gere, mas também de quem estuda. Ontem, durante todo o dia decorreu na Universidade de Évora, numa das nobres salas do Colégio Espírito Santo (242) um Workshop sobre "A vida cultural nas cidades de província: perspectivas multidisciplinares e contributos comparativos".
Neste contexto, e já no período de debate, a professora de Filosofia da Educação, Teresa Santos perguntou ao professor de História, Helder Fonseca (ambos da Universidade de Évora): Como lê, hoje, as Ruas de Évora?
A resposta foi pronta: Évora não foge ao panorama mais geral e actual que é o regresso à RUA. A dimensão do protesto é extravasada e acrescentada...No século XIX queríamos tirar as crianças da RUA. Hoje, queremos trazer as crianças para a RUA.
O mesmo Professor, sublinhou antes que desde a Revolução Francesa as revoluções na Europa se fazem nas cidades, e nas RUAS da cidade.
Parece-me então, que as revoluções, se o forem, não assumem as formas anteriores.Que  as revoluções em curso assumem formas subtis, pouco perceptíveis para quem usa os óculos produzidos pelas revoluções anteriores.
Entre várias intervenções, a da professora Teresa Santos sobre " A vida cultural em meio urbano como preparação para a cidadania e a participação cívica dos indivíduos e dos grupos", centrou-se sobre o caso da Évora contemporânea.
Fiquei com uma pergunta para lhe colocar: Quando um cidadão não se permite atirar um papel de que não necessita para o chão da RUA, quando olha com admiração e respeito para uma diferença trazida por outro cidadão, ou quando participa numa manifestação política, artística, ou outra, num espaço público, fá-lo por ser educado ou por ser culto? Ou seja, qual é hoje a diferença entre cultura e educação?

3 comentários:

  1. Aparentemente a resposta do douto professor é uma opinião, como a que poderia ser expressa qualquer cidadão não profesor doutor.
    O que seria interessante é se o douto professor apresentasse algum resultado de investigação sobre este assunto, o que não foi o caso.
    As opiniões deste tipo não ganham estatuto especial por serem proferidas na Universidade, teriam o mesmo valor se fossem expressas na tasca do Zé!

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  2. Caro(a) anónimo(a) das 22:52

    Quero esclarecer que o que aqui escrevi não traduz, nem pretende traduzir, o que se passou durante um dia de trabalho de um grupo de investigadores. E que, de facto, o professor Helder Fonseca apresentou "algum resultado de investigação sobre este assunto", sob o título "Práticas culturais em Cidades de Província: Beja e Évora nas memórias de Carlo Basto (1867).

    Mas compreenderá o(a) caro(a) anónimo(a)que este não é o lugar, nem o modo, mais apropriados para a exposição dos resultados da investigação deste e dos outros investigadores envolvidos.
    O que se trata aqui, é de um breve contributo para a formação de opinião em Évora, sobre Évora. Uma opinião que não seja preponderante ou esmagadora só pelo facto vir daqui ou dali, mas antes mais alargada, plural, participada por cada vez mais pessoas. Opinião que pode circular tanto nas ruas, como nas melhores salas, ou mesmo num lugar virtual como este.
    Obrigada pela sua opinião sobre este post.

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  3. meu velho slogan - dos tempos em que a limpeza das Ruas da Cidade era do meu Pelouro camarário
    :
    "tudo o que sai da mão
    pró chão
    é Lixo ou Poluição"

    Lembrar que cheguei a pretender, em vão, impor um inédito equipamento urbano - a instalar à porta de TABERNAS em que o empedrado público
    era frequentemente VOMITADO

    o inédito equipamento - a conceber e desenhar - teria a designação funcional de VOMITRÃO

    O BOM-SENSO impôs-se então à imaginação

    certo é que também não terá sido fácil impor a instalação de equipamentos adequados para recolher excrementos dos cavalos
    que puxam as charretes ao serviço do Turismo

    e em alguns países mais evoluídos eles não só existem como a sua não utilização é passível de coima.

    é ainda, desta fase, o SLOGAN, que perdura
    :
    ÉVORA BRANCA
    - MUNICÍPIO LIMPO

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