domingo, 17 de março de 2013

Uma Questão de Cidadania


Nas legislativas de 20011, todos os partidos ditos da "governabilidade" assumiram o memorando de entendimento, assinado poucos dias antes e ainda sem tradução para português, como a base programática da sua campanha. Quando questionados acerca desse memorando, respondiam com a inevitabilidade, com os gastos desmedidos, com a famigerada vida acima das posses...
Tudo o que era defendido como alternativa, levava invariavelmente com o rótulo da irresponsabilidade, da desgraça, das falências, do desemprego. Argumentavam que uma renegociação, ou um mero reescalonamento da dívida era um absurdo, que a solução passava por cumprir o acordo, (que já vinha tarde) e tudo se resolveria, que o desemprego não aumentaria, que as funções sociais do Estado não seriam aniquiladas, que a austeridade por si só seria a mezinha milagrosa que nos tiraria de apuros.
Do que constava a dívida, nada disseram, quem a contraiu continuou no anonimato, como se poderia pagar sem produzir, silencio sepulcral.
Agora passados dois anos, a nossa situação está mil vezes pior, o desemprego aumentou para níveis inimagináveis, a despesa do Estado, apesar de todos os cortes, aumentou, estamos numa espiral recessiva, perdemos a nossa soberania, temos num país de velhos, 577 mil crianças a passar fome.
O governo finalmente confessa a sua incompetência,  os "amigos" da troika, lavam as mãos e insistem (pois pudera) no garrote usurário que nos sufoca e a saída é a cada dia que passa mais estreita, surge a violência, surgem os roubos, os jovens emigram e os velhos, abandonados à sua sorte, definham sem medicamentos nem comida, à espera que a morte os leve.
Entretanto, uns iluminados mandam as pessoas roçarem mato, apostam na esmola e continuam a lucrar com o massacre de um povo trabalhador, cumpridor das suas obrigações sociais, pacífico.
Só que a paciência tem limites. Esquecem-se os governantes que em Portugal, nenhuma mudança de regime foi pacífica, que não nenhuma transição aconteceu sem a força das armas.
Umas foram felizes, sem sangue, outras bem mais violentas...
Quando as pessoas se fartam todos sabemos como começa, ninguém prevê como vai acabar.
Se o Presidente, não fosse uma múmia comprometida, já teria feito aquilo para que foi eleito. Se o governo fosse constituído por gente a sério, já se teria demitido.
Mas não! como de costume as sanguessugas estão bem presas e só sairão à força.
Temos acima de tudo de pôr divergências de lado e agir, libertar-mo-nos deste hospital psiquiátrico.
É a maioria que tem nas mãos o poder de decidir, está na altura de pôr isso em prática.
Porque somos cidadãos antes de tudo o que nos possa dividir

2 comentários:

  1. Perguntar não ofende:

    Faltam Materiais na autarquia ou "desaparecem" ?

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