terça-feira, 12 de março de 2013

E se desta vez discutissemos os candidatos e as suas propostas e nos deixássemos de ideias feitas?


Pelas caixas de comentários dos últimos posts no acincotons há um dado adquirido: já estamos em período eleitoral, uma altura em que os ódios se acirram e muitas mentes deixam de funcionar racionalmente para apenas se posicionarem emocionalmente. Pelo que me diz respeito, esta é uma experiência que já tenho há muitos anos: o comportamento dos que andam ligados à política altera-se e transforma-se à medida que se aproximam actos eleitorais, mas são os autárquicos, os de maior proximidade, que motivam as maiores emoções. Sempre foi assim e julgo que continuará. 
No meu caso, as eleições não me motivam emocionalmente, nunca apoiei um candidato contra o outro, nem nunca me envolvi, por razões ideológicas e de princípio, em qualquer manifestação eleitoral. Profissionalmente, sim. Já acompanhei muitas campanhas ao longo dos últimos 30 anos de democracia, por todo o país, seja em eleições presidenciais, legislativas ou autárquicas. Sempre respeitei os diversos candidatos, com alguns deles travei amizade, conheço e sou amigo de actuais e ex-eleitos dos vários partidos, mas é-me difícil perceber como é que aquilo que deveria ser entendido - pelo menos por aqueles que estão envolvidos nas disputas eleitorais - como um acto de cidadania (como o dar a cara e disponibilizar-se para ser candidato) se transforma, aos olhos do adversário, como uma espécie de saco-de-combate que é necessário esmurrar a todos o custo. Não se discutem ideias, nem sequer o perfil próprio de cada candidato. Diz-se que é "requentado", que é "para-quedista", que é isto ou aquilo, sempre subindo no tom e na canalhice. Os impropérios só enfraquecem quem os utiliza, é verdade, mas há um limite para o bom gosto.
É o caso de um comentarista que num dos posts se refere aos animadores deste blog como se todos eles existissem ou se definissem em relação ao PCP, que seria assim uma espécie de partido-sol à sombra do qual tudo giraria. Sei que há quem escreva neste blog e se defina como comunista, outros definir-se-ão a seu modo. Eu nunca fui comunista nem anti-comunista. É um partido que pessoalmente, enquanto tal, me deixa tão indiferente como o PRD ou o MDP (existirá ainda qualquer dos dois?), mas que profissionalmente respeito, onde tenho bons amigos e por cuja existência e percurso político me interesso. Agora cair na velha máxima salazarenta de que quem não é por nós é contra nós, é que não. Como cada vez parece mais idiota pensar-se que um partido pode representar a diversidade de opiniões, de maneiras de estar e de pensar de uma sociedade... Os olhares são sempre diversos como diversa deve ser a capacidade do diálogo e do respeito mútuo.
É isso que pretendemos com este blogue que é feito de diversidades. E só assim tem sentido. Se não seríamos apenas a voz de qualquer dono. Mesmo que fosse um de nós. De pensamento único ficámos todos fartos com 48 anos de fascismo e,  por assim ser, também julgo que não podemos ser inocentes: muitos destes comentários que por aqui vão pululando, feitos de coisa nenhuma, destinam-se a enojar as pessoas que aqui vêm, a achar que não vale a pena debater ideias, que não vale a pena sujarem-se entre tanto lodo. São feitos de propósito, de forma empenhada, por gente que quer que o debate seja zero e que pretende reduzir os elevados índices de frequência deste e de outros blogs de intervenção pública até ao máximo possível.
Não lhes vamos fazer a vontade. Não a fizemos antes quando queriam que limitássemos as caixas de comentários, cerceando a livre opinião. Não o faremos agora: o lodo e a lama geralmente colam-se às mãos de quem os utiliza.

17 comentários:

  1. O debate já devia de estar a acontecer,como Eborense quero saber como vamos tirar Èvora do atoleiro em que mergulhou,e saber a dimensão da divida,estou farto de ouvir falar em MILHÔES de EUROS.

    È preciso saber a VERDADE dos números e as propostas para um NOVO RUMO para Èvora.

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  2. «como vamos tirar Èvora do atoleiro em que mergulhou»

    Esta é verdadeiramente a questão que interessa.

    Tudo o resto, são desculpas de mau pagador para abandalhar a discussão e fugir ao essencial.

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  3. Completamente de acordo: primeiro é preciso ter a dimensão do atoleiro; depois perceber que propostas e que pessoas existem para que possamos sair daqui e para que as pessoas possam ter mais bem estar e qualidade de vida.

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  4. Atoleiro?

    Todo o país é um atoleiro e Évora não foge à regra.

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  5. O ps pediu alianças autarticas a cdu e be ,parece que em Évora o canditato da cdu Pinto de Sá vai ter o apoio do ps quem diria!

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  6. Muito bem dito, bem escrito e LOUVÁVEL!
    Julgo que ao se ler um blog, deve-se ter em conta
    que a ironia sempre fez parte deste meio de comunicação.
    Muito do que se escreve tem TAMBEM como objectivo gozar com os que
    fervem em pouca água e não sabem argumentar.
    Vejo o "acincotons" como o "Hyde Park" de Evora: um lugar de liberdade aonde TODOS
    podem perorar e defender todas as suas utopias (e até asneirarem).
    É salutar haver espaços assim. Bem hajam.


    Um anónimo, normalmente "anticomunista assanhado".

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  7. «Todo o país é um atoleiro e Évora não foge à regra.»

    Seria, por isso, de todo o interesse saber como se chegou ao atoleiro, quais as políticas que a isso conduziram e quais foram os protagonistas dessas políticas.

    Creio que, o caso de Évora, talvez por estar mais perto, é mais fácil de analisar.

    Duas ou três razões para o atoleiro da câmara de Évora:

    - a entrega das águas do município às AdCA, numa negociação ruinosa a raiar, no mínimo, a gestão danosa;

    - a submissão do interesse público a interesses especulativos imobiliários privados, com por exemplo a reconstrução da Praça de Touros, as negociatas da Silveirinha, as negociatas dos Centros Comerciais; as expansões urbanas a pedido de certas famílias. Etc.

    - a multiplicação de estruturas e empresas municipais, com o objectivo de satisfazer as vontades de resmas de boys, cuja arrogância que se revelou indirectamente proporcional à competência, e que se traduziu na desorganização e inoperacionalidade dos serviços prestados à população.



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  8. António Gomes12 março, 2013 21:57

    Atoleiros, quem sabe o que é?
    Penso que, nada tem a ver com o atoleiro a que se referem nos comentários.
    Lugar do concelho de Fronteira que, até tem um centro interpretativo sobre tal lugar.
    Há quem diga que aí, com alentejanões a sério, com tomates a sério, comandados por um fulano que agora é santo (Nuno Álvares Pereira) recuperámos a nossa independência.
    Não gosto de tal santo, criado à imagem do Estado Novo (desculpem ter escrito com letra grande), mas se a história o pôs como patrono da mocidade portuguesa (agora escrevo com letra minúscula), como um herói que salvou Portugal, quem sou para que lhe rezemos, porque é santo, que nos venha salvar.

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  9. @19:27

    Camarada

    Está tudo muito certo mas porque é que o partido comunista não apresenta queixa no ministério público contra aquilo a que chama negociatas e interesses especulativos, nomeadamente o da Silveirinha e outros? Quer apostar que o povo ia ficar satisfeito em saber que o PCP insiste em procurar a verdade?
    Quem sabe o mesmo povo não vos contemplaria com uma retumbante vitória no próximo ato eleitoral?!


    Quanto à multiplicação das empresas municipais é verdade. É apanágio desta geração de autarcas a criação de empresas municipais para a sua boyarada. Veja lá que até na margem Sul, onde o PC continua imbatível, há empresas municipais na mesma situação. Realmente, o surgimento das empresas municipais indiscriminadamente e os seus défices de milhares de milhões, deviam ser debatidos também no plano nacional até à exaustão.

    Sabe o que eu gostaria de ver fortemente debatido nestas autárquicas? Soluções e declarações de intenções de todos os candidatos envolvidos, para a criação de emprego em especial de cariz produtivo.

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  10. @22:02
    Fala-se de moinhos, respondes com gigantes.
    São moinhos, vês gigantes!
    Não adianta discutir com cegos que não querem ver...

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  11. @22:17

    O que tu queres sei eu: julgamentos na praça pública

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  12. @22:02
    «Sabe o que eu gostaria de ver fortemente debatido nestas autárquicas?.»

    Tudo, desde que:
    - não se fale ruinosa entrega das águas à AdCA;
    - não se fale na negociata da Silveirinha, onde se desgraçou um clube de futebol e se abotoou com milhões, o proprietário do terreno;
    - desde que não se fale nos 10 milhões de euros do erário público, enterrados num edifício privado;
    - não se fale no escândalo das empresas municipais criadas exclusivamente para dar tachos a boys;
    - não se fale em reestruturações desastrosas dos serviços municipais, onde se multiplicaram cargos de chefias para beneficio exclusivo da boyada,
    - não se fale na incompetência da gestão PS, que levou a câmara à falência;
    -...

    Ou seja queres discutir TUDO, desde que não se fale do essencial.
    Como eu te percebo.

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  13. @21:57

    É "alentejões" e não alentejanões.

    Quanto a esse NAP foi um dos maiores sacanas que o Alentejo já viu. Talvez por isso criou fama de santo e temos por aqui dezenas de ruas e praças com o seu nome.
    Manias!

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  14. @22:30

    Avance com a queixa no ministério público. Tem 100% do meu apoio e solidariedade e certamente de todos os Eborenses. Porque é que os Lusitanistas não se insurgem também contra a direção? São também frouxos como o resto da população?

    A praça de touros foi uma bela negociata. Mas quem pegar na Câmara agora ainda tem a chance de renegociar aquilo para mais uns 50 anos pelo menos. Assim, o mal pode ser atenuado.
    As águas também foram um negócio ruinoso sem dúvida.

    Pois é Camarada.
    O PCP tem pano para mangas para fazer um brilharete. Nunca tiveram tantos trunfos na mão. Se não for desta...

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  15. Estou farto das masturbações pseudo-intelectuais do CJ. Ponto final no A Cinco Tons. Não tenho mais pachorra. Good By.

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  16. Depois do ginecologista e companhia o melhor era candidatar um advogado ou um gastroentorologista...

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  17. @02:31
    O problema não esteve na profissão do homem.
    Esteve no estilo "quero, posso e mando...", julgando saber de tudo e não ouvindo ninguém. Ou melhor ouvindo apenas os amigos interesseiros e gananciosos...
    Um estilo de gerir, que o levou a rodear-se de "yes-men" imaturos e incompetentes mas que fazima a vontade ao "chefe" dizendo "sim" a tudo.
    Um estilo convencido e mentiroso, que só podia conduzir ao descalabro...

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