sábado, 2 de março de 2013

Crónica de uma tarde memorável








Cerca de duas mil, duas mil e picos pessoas saíram esta tarde à rua em Évora para se associarem ao protesto e à indignação convocada sob o lema "Que se lixe a Troika! O povo é quem mais ordena". O número de manifestantes foi sensivelmente o mesmo do dia 15 de Setembro, em que Évora viveu uma das maiores manifestações dos últimos anos.
Convocada a concentração para as 16 horas, desde logo muitas pessoas começaram a juntar-se em torno das canções de José Afonso e de poemas de Ary dos Santos trazidos pela voz de um filho da terra, Francisco Armando (Chico Fumaças para os amigos), que tem estado fora, mas que hoje regressou para juntar a sua voz aos seus conterrâneos, após o que foi lido o manifesto da manifestação, por um dos membros do pequeno grupo organizador da concentração/manifestação em Évora. 
Cantou-se depois o Grândola, numa espécie de ensaio geral, quando às cinco da tarde, como estava previsto, com muita gente e muita indignação a manifestação saiu da Praça do Giraldo, passou pelo Largo Camões, pelo Templo Romano e pela Rua 5 de Outubro, desembocando de novo na Praça do Giraldo, onde vários grupos se tinham mantido à conversa e ao som de música de protesto, quase sempre pela voz de Zeca Afonso.
Foi então tempo para as intervenções. Falou o professor universitário Adel Sidarus, depois a escritora e poetisa Margarida Morgado e outros oradores, tendo um jovem de cerca de 12 anos de idade tido a intervenção mais emotiva. 
O jovem pediu para falar e acercou-se do microfone dizendo que tinha tudo, tinha comida, tinha casa, andava a estudar, mas que se sentia triste porque o pai tinha sido obrigado a emigrar por não ter trabalho em Portugal. A forma elegante como o disse, mas ao mesmo tempo tão crua e tão real, despertaram lágrimas em quase toda a assistência e nele próprio.
Depois, bom...,  depois muitos elementos do Grupo Coral "Cantares de Évora" rodearam o microfone e com o mestre Joaquim Soares à frente cantaram algumas modas, uma delas com um poema muito bonito de Manuel da Fonseca ("Prá Frente"). Quase às 18,30 acercaram-se do "Grupo dos Cantares de Évora" elementos da Associação Cultural do Imaginário e vários músicos de Évora e todos em conjunto, ainda com várias centenas de pessoas na Praça, cantaram o "Grândola, Vila Morena". A uma só voz. E repetiram a canção do Zeca dedicada ao povo alentejano e hoje, mais uma vez, símbolo da liberdade, da luta e da indignação, num fim de tarde que consistiu nisso mesmo: um sublinhar de que quando os cidadãos se juntam e organizam é possível ter esperança.

7 comentários:

  1. Fica aqui um vídeo ... http://www.youtube.com/watch?v=JdDWT6XIwVE

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  2. Foi bonita a festa pá!

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    1. Estamos em 2016 e com muitos " Troikas" nas redondezas. Continuam a gostar, ganhar e gastar das verbas dos fundos da União Europeia, e os restantes que se lixem! Estejam atentos aos próximos episódios. Tudo em nome da solidariedade (imoral) social.

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    2. Lá diz o ditado " Mais cego é quem não quer ver ". " Mudam-se os trambrecos mas mantém-se os trambiqueiros".

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  3. os papagaios da CGTP/PCP sempre na frente

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  4. Olhe que não. Era outra gente - e mais gente - que andava por ali. Mas a CGTP incomoda-o mais do que o Governo e a troika? Olhe que a mim não. Quem me corta no salário e me obriga a viver no limite não é a CGTP, mas sim outra canalha, que esmifra o pobre até ao último cêntimo.

    um dos de baixo

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  5. Olhe que sim olhe que sim.

    Não gosto dos sistemas que me querem meter. Muito menos o neocomunismo.
    A canalha da CGTP porque está fora do sistema dá uma certa impressão que só quem papa que quiser.

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