sexta-feira, 15 de março de 2013

7ª avaliação da troika: ministro corrige todos os números


Parece que nenhuma das previsões do governo bate certo: o desemprego aumenta mais do que o previsto, (só o Estado vai cortar 20 mil postos de trabalho) a recessão vai-se agravar, o défice público aumenta, as indemnizações dos novos contratos passam para 12 dias. Um descalabro apresentado em conferência de imprensa pelo ministro das finanças. O que todos percebemos é que se isto estava mau, pior vai estar.

- Meta do défice público para este ano foi revista em alta para 5,5% do PIB, contra os anteriores 4,5%. Em 2014 será de 4%, em vez dos 2,5% previstos, meta que passa para 2015. Esta é a segunda vez que as metas para o défice são revistas, depois de o mesmo ter ocorrido no âmbito da quinta avaliação da troika, em Setembro. Em 2012 o défice terá ficado nos 6,6% do PIB, devido ao facto de o Eurostat recusar a utilização da receita da venda de concessão da ANA e à existência de novas reclassificações de despesa.

- A recessão afinal este ano será de 2,3%, muito acima das previsões de 1% definidas no Orçamento do Estado e mais 0,4 pontos percentuais do que a última estimativa, de 1,9%. Em 2014, prevê o Governo, a economia terá uma ligeira recuperação e crescerá 0,6%.

- Prevê-se agora que taxa de desemprego chegue aos 18,2% já este ano e continuará a subir em 2014 atingindo um novo máximo histórico de 18,5%, aproximando-se assim dos 19%. No Orçamento do Estado, o executivo esperava fechar 2013 com uma taxa de desemprego de 16,4%. Em Janeiro o Eurostat dava conta que a taxa de desemprego chegou aos 17,6%. (AQUI)

4 comentários:

  1. É linguagem muito habitual referir a diferença entre os números anunciados pelo governo antes dos factos e os que são revelados depois como "erros de previsão". Tenho muitas vezes ouvido deputados a dizer "o sr ministro enganou-se" as suas previsões não batem certo," "nada bate certo"... Receio que a realidade seja outra, e muito mais inquietante. "Eles" não são nem parvos, nem ineficazes na previsão. Mais lhes convém que lhes atribuam "erros" do que resultados deliberados, de políticas cujos efeitos eles também conheciam ... e PREVIAM. Estamos, creio, perante uma modalidade de manipulação a grande escala. Mas quais seriam as vantagens, para que eles optem por esta maneira de comunicar (aceitar que erraram)? É o que lhes permite destilar as medidas de austeridade uma a uma, em séries interrompidas aqui e ali, como "simples" resposta a erros de previsão: "as coisas correram menos bem do que pensávamos". Falso: muita gente sabia, muita gente o disse, os resultados foram os ESPERADOS. Mas "eles" querem aparecer como os comandantes dum navio na tempestade, fazendo face ao imprevisto (imprevisível) ajustando à medida o que, sendo necessário, se torna "inevitável". Admitir que sabiam e mesmo assim perseveraram na mentira, o que foi o que realmente aconteceu, seria ter que arcar com a responsabilidade do afundamento sem fim. O seu sonho é a irresponsabilidade: "não fomos nós, foi a Troika, foram os mercados, foi o imprevisto": o que fazemos é só remediar a situações que nos ultrapassam". Não, não creio que errem. É muito mais grave sabermos que eles sabiam. Que eles sabem. E persistem.
    JRdS

    ResponderEliminar
  2. @14:06
    E onde se inscreve nesse argumentário o Memorando da Troika?
    Será que eles sabiam o resultado que aquilo ia dar e mesmo assim persistiram na assinatura?
    E, não só persistiram, como disseram cobras e lagartos sobre quem denunciou a tempo as consequências daquilo...

    ResponderEliminar
  3. Sim, eles sabiam o que tudo isso ia dar. E forma-no anunciando gota a gota, doseando, mas sabiam. O memorando é uma coisa, o modo de aplicação outra, mas os seus resultados eram CERTOS. Cobras e lagartos foram dizendo de quem denunciava o resultado inevitável.
    O verdadeiro problema e o mais inquietante é que quem diz a verdade é TOTALMENTE NÃO CREDÍVEL: ninguém acreditou (quis acreditar). Fenómeno extraordinário. É preciso pensar esse fenómeno. Isso é uma tarefa URGENTE para a situação política actual.
    JRdS
    JRdS

    ResponderEliminar
  4. @19:39
    Entre a verdade e a mentira, o Povo prefere a mentira.
    Pelo menos tem sido (quase sempre) assim até agora.

    ResponderEliminar

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.