sábado, 23 de março de 2013

A Estátua da Reforma Agrária

No dia de ontem o Museu de Évora alargou a sua área de exposições em consequência do aproveitamento de um piso subterrâneo,libertado por via das obras da requalificação do edifício. Ali vai ficar de forma permanente o núcleo de arqueologia, composto em grande parte pela Colecção Cenáculo e diversas peças avulsas resultantes de escavações realizadas ou provenientes de colecções de particulares. No total o mesmo reunirá peças representativas de um arco temporal que vai de 3.000 a.c. até século XV . «Algumas delas são fantásticas» declarou ao "Diário do Sul" o director do Museu António Miguel Alegria. Uma delas é a estátua romana de bronze descoberta em S.Manços nos anos 70 por trabalhadores da Reforma Agrária. Jornal e Alegria congratularam-se, com razão, pela integração da estátua naquele local mas esqueceram-se (?) de dizer que os trabalhadores não foram apenas os seus achadores mas também os grandes responsáveis pelo seu depósito no Museu de Évora. De facto os dirigentes da UCP de S.Manços encontraram acidentalmente a estátua, representando um jovem masculino, nu e de pé, no decurso do ano de 1976 quando procediam à execução de trabalhos agrícolas na Herdade das Oliveiras e Carvalho. Cientes de que ali poderia estar um objecto de valor artístico-patrimonial mostraram-no a diversos entendidos na matéria, Túlio Espanca incluído, os quais confirmaram a elevada importância do achado. Quando em finais de 1988 Cavaco Silva dá início ao processo de desmantelamento da Reforma Agrária, o facto foi aproveitado pelo Secretário de Estado da Cultura, Pedro Santana Lopes, para exigir a entrega da estátua ao Estado. Os trabalhadores não acataram a ordem argumentando que mais nenhum alentejano a veria. Seguiram-se novas diligências da SEC para que a entrega se concretizasse mas em vão. Entretanto a posição assumida pelos trabalhadores contava com o apoio da população e de diversas individuais ligadas à defesa do património cultural alentejano. Santana Lopes insistia dizendo que a peça precisava de ser restaurada e tratada e isso só em Lisboa podia ser efectuado. Num esforço de apropriação da peça a POLÍCIA JUDICIÁRIA vasculhou minuciosamente toda a herdade mas não a encontrou. Só depois de um compromisso escrito e assinado pelo Instituto do Património Cultural de a entregar ao Museu de Évora após o restauro, os trabalhadores da UCP aceitaram libertar a estátua. Não fosse a sua determinação teria ficado em qualquer museu da capital como tantas obras de arte retiradas durante os últimos dois séculos do distrito de Évora. Para que conste. 
 
José Frota

2 comentários:

  1. O seu a seu dono.

    Foram os camaradas que a acharam no campo é justo que a estátua ficasse com o partido comunista.
    Abaixo a reacção, a burguesia e o imperialismo!

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  2. Sim, já sabemos que para o PCP tudo é propriedade do Partido. Por isso é que nunca chegarão a Governo! "Limpavam" o povo todo!

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