sábado, 23 de março de 2013

A Defesa de João Honrado no Tribunal Plenário de Lisboa

Esboço de João Honrado feito pelo pintor Júlio Pomar, quando ambos estavam presos em Caxias, a 11/5/1947 (desenho inédito cedido por João Honrado ao "Imenso Sul" para publicação)

João Honrado, que ontem morreu em Beja, era um exemplo raro de combatente antifascista e de revolucionário. Militante do PCP - e apesar de toda a sua entrega  e dedicação ao seu partido de sempre - era duma grande tolerância e amizade para todos que com ele conviviam. Durante uma fase da revista "Imenso Sul" - em que eu, a Dores Correia e o Paulo Nobre estivemos como cooperantes e jornalistas, e o Lopes Guerreiro como cronista - e em que tínhamos a sede em Beja, o João Honrado era presença diária na redacção da revista (ele considerava-se também um jornalista e toda a vida esteve ligado a projectos de jornais - fosse na clandestinidade ou na legalidade), muitas vezes levando um pequeno farnel ou uma garrafa de vinho que, conjuntamente com o José Luís Jones e, às vezes, o Pedro Ferro e quem mais aparecesse, partilhávamos em  conversas animadas de fim de tarde. Foi por essa altura, em finais de 1998, no número 16 da revista, que Paulo Barriga traçou, num artigo, o "retrato" do João Honrado, retrato esse que serviu de introdução à publicação, nesse mesmo número, da Defesa que João Honrado fez quando foi julgado em tribunal plenário pelo fascismo em 1963. Escreve Paulo Barriga que o texto "chegou-nos às mãos em seis páginas dactilografadas. Mas a sua versão primeira, a que foi grafada numa cela comum do estabelecimento prisional de Caxias, foi longamente aconchegada em mortalhas de tabaco de enrolar".
São esses dois textos, digitalizados, que disponibilizamos aos leitores do acincotons, em homenagem ao João Honrado. Um amigo e companheiro de muitas lides.

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