sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Vícios privados, vícios públicos


Algumas pessoas interrogam-se: mas que importância tem tudo isto, a não ser para essas três ou quatro pessoas? Não se trata duma questão privada? E porquê trazer a questão para a praça pública, com o risco de incomodar quem não vê o interesse?
A minha resposta é simples: recuso a máxima dos economistas clássicos do século XVIII teóricos do liberalismo, que dizia: "vícios privados, são virtudes públicas". O "vício privado" que enaltecem é a procura do GANHO, por todos os meios, em suma o vício é o egoísmo. Para eles, contudo, é quando cada um luta pelo seu interesse egoísta que a sociedade beneficia: lucro privado, acumulação capitalista, crescimento: "virtude pública". 
Penso que os tempos se encarregaram de demonstrar as catástrofes sociais a que essas teorias levaram: a luta à morte entre egoismos destroi o tecido social, os mais fortes esmagam os mais fracos. Vícios privados (a ganância), desastres públicos (desigualdades, miséria, opressão).
Penso que a verdadeira fronteira social, política, humana actual, é a da Moral. Ou seja, são as virtudes privadas (amizade, solidariedade, lealdade, entreajuda...) e só elas que, por efeito de agregação, podem conduzir a virtudes públicas: solidariedade (limitar os efeitos da simples regra democrática maioritária, que pode esmagar as minorias), amizade, reconstrução do laço (e portanto do tecido) social. Lealdade privada, confiança na lealdade pública (dos eleitos, etc.). Estas ideias não são invenão minha (quem em dera!), mas foram trabalhadas por grandes pensadores, como o J. Derrida (que escreveu há décadas atrás um texto que intitulou "Políticas da amizade"), pelo José Gil, entre outros.
Estamos muito longe de ter atingido algo nessa direcção: mas é essa, em meu entender, a direcção.
As consequências desta posição são iinseparavelmente privadas e públicas: não é possível ser um sacana com os que nos são próximos e bom cidadão em relação à sociedade em geral.
Agir sem escrúpulos, trair amigos e conhecidos, porque daí advém alguma ganho ou vantagem, não é por isso uma questão privada, ou apenas privada, porque quem trai os seus melhor trairá os outros.
Ao examinar a miséria da nossa vida política tenho uma certeza: o conjunto da classe política que foi emergindo durante o último meio-século ou mais é constituído por pessoas capazes de vender pai e mãe em troco do poder. A vida interna dos partidos é feita de pequenas e grandes traições, a vida parlamentar, a vida dos governos, é uma arena selvagem, onde o mais astuto e o mais desprovido de escrúpulos é que vence. O cinismo e até o descaramento com que alguns espécimes particularmente obscenos consideram as pessoas da sociedade civil, e não preciso de citar nomes, são o sinal da corrupção moral (que não tem que ver com religiões, com opções a favor ou contra certos modos de viver), de pessoas prontas a tudo para ganhar.
Quando, nas relações entre pessoas, certos indivíduos se permitem agir de certas maneiras, traindo amigos, roubando ideias, suprimindo os nomes da história, pequena ou grande que vivem, estamos a presenciar, à pequena escala privada, o mesmo processo de falta de escrúpulos, de ganância a todo o custo. O mais irrisório é que em geral o que está em causa são pequenas coisas (num casal que deixa de poder viver junto, as coisinhas, num grupo de amigos este ou aquele pequeno benefício material ou não, etc.), mas elas revelam sempre a qualidade das pessoas. 
Quem quereria viver numa sociedade em que todos agissem assim?
Por isso, compreendo que algumas pessoas achem que o que o Amílcar Vasques Dias e o Joaquim Soares estão a fazer (um roubo simbólico das pequenas coisas que fizémos juntos) é de somenos importância e talvez sem interesse. Mas discordo. Havia três maneiras de lidar com esses actos: falar cara a cara; sendo impossível porque alguns não aceitam, calar-se e guardar a sua amargura para si; ou denunciar essa maneira de agir. A primeira tinha uma vantagem: cara a cara, como sempre gostei de fazer, é mais fácil colocar as pessoas perante o mal que causam. A segunda é insuportável para alguém com o meu temperamento: ficar a lamentar-me no meu canto, não. Resta a terceira, que é mostrar publicamente como dois indivíduos estão prontos a tudo e até a reescrever a história dum projecto e trabalho de anos, suprimindo um amigo. A minha esperança é que essa exposição sirva de aviso aos que, pensando que nestes dois tem amigos, mais tarde ou mais cedo verão que estão expostos a que eles os traiam da mesma maneira. Agir assim, tornando pública a questão "privada", deita uma luz crua sobre quem eles são: beijinhos e abracinhos pela frente, traição, cinismo e falta de escrúpulos por trás. Falta de escrúpulos em privado, cinismo na sociedade: maus sujeitos.
O Amílcar Vasques Dias e o Joaquim Soares SÃO desonestos. Senão, teriam ouvido o que lhes transmiti, e teriam considerado.
O que é que eu lhes disse? Que façam outros projectos com outras pessoas, tudo bem. A vida não pára, criem, trabalhem, e tenham sucesso. Mas se têm criatividade, façam OUTROS projectos, não canibalizem o NOSSO, sem mim. Eles simplesmente acharam "chato" que lhes peçam contas. E se tivessem tomates, assumiriam que estão a portar-se mal. Estejam certos que muita gente o vai saber, em particular aqueles que vos crêem seus "amigos" e serão os próximos a ser maltratados.
Vícios privados, vícios públicos.

José Rodrigues dos Santos (recebido com pedido expresso de publicação)

28 comentários:

  1. Porque será que sempre senti aversão por primadonas?

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  2. Não percebeste ainda que o cante não é teu? Quanto mais reclamas a paternidade do projecto mais ridículo te tornas.

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  3. Esta aventesma chegou cá e fez constar que era prof. da UE. Nunca foi o Francisco Ramos nuca permitiu. Agora quer-nos convencer que é dono do cante. Oh homem vá cantar para o raio que o parta!

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  4. Este já ninguém o pode ouvir.

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  5. Pequenino e ruinzinho este rapaz, parece a corneta do diabo.

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  6. O Amilcar compôs, é compositor! O Joaquim Soares cantou, é cantor! Este é quem?

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  7. Olha o gajo do júri dos concursos da câmara que fez o discurso de abertura do Festival que estava em concurso. A malta já te conhece ó meu, de ginjeira!

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  8. O que fica patente, é a falta de respeito deste senhor pelo património alentejano e pelos que o suportam e mantêm vivo.
    O que ficou público foi a tentativa de fazer valer o interesse individual à custa do publico.

    Cada vez mais, aprecio os contributos anónimos para o bem comum; em vez das primadonas vaidosas, ocas, e devidamente identificadas, que só buscam mais uma alínea para o currículo, e o acesso directo ao tacho.

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  9. Comunas longe da minha porta faz favor. São todos puros.
    Perguntem ao Eduardo Luciano o que lhe aconteceu.
    Estão avisados. Se me aparecem à porta vão levar uma cachaporrada. Bando de escroques!

    Nota: os comentários anteriores são todos do mesmo secretario da Rua de Aviz ou numa sede do sindicato.

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  10. Não serão da tua mãezinha?

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  11. Imagina o adjectivo que me ia na cabeça quando escrevi mãezinha

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  12. PULIDO VALENTE e AGORA ?

    Cumpres as regras do partido,ou concorres como independente?

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  13. PULIDO VALENTE e AGORA ?

    Cumpres as regras do partido,ou concorres como independente?

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  14. PULIDO VALENTE e AGORA ?

    Cumpres as regras do partido,ou concorres como independente?

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  15. Dois mandatos em Mertola ,um em Beja,parece-me que cumpriu três mandatos.Seguro não autoriza nenhum autarca ps a recandidatar-se.
    E agora que já foi anunciada a recandidatura de pulido a Beja......

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  16. O santos tem o ego cheio de rodriguinhos.
    Em tempos, os ratinhos que desciam sazonalmente ao Alentejo vendiam a força de trabalho por cinco tostões de mel coado, lixando os alentejanos na reevindicação de melhores jornas.
    Este santos doutor disto e daquilo, daquém e além mar e da academia militar, igualmente ratinho mas com tiques de ratão mais papista que o papa na ganância da teta faz jus ao ADN.
    Que o acincotons lhe dê tempo de antena, também não me admira nada!

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  17. 21:28

    São beneméritos estes tipos do acincotons. Até a ti te dão tempo de anetna!

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  18. Estive agora a ouvir a cantiga. Porra, que desafinação (dos dois, valha a verdade).

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  19. Tens razão. Estes gajos cantam mal como a porra. E o que tem mais graça é que não têm consciência disso, a julgar pelo arrazoada que para aqui vai

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  20. Estes gajos cantam mal como a porra?
    Isto é abaixo de cão!

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  21. um gajo que é concorrente e juri no mesmo concurso é de uma credibilidade impar...
    num concurso para atribuição de dinheiros públicos??
    E os outros é que são desonestos?
    ele há coisas que não lembram ao diabo,

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  22. o que falou no chico ramos não sabe do merdas que esse aldrabão, é igual aos outros que para aqui andam as cornadas uns aos outros.

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  23. Cada vez gosto mais desta pornochanchada.

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  24. O Prof. José Rodrigues devia até ficar contente porque AVD e JS o pouparam a mais tristes figuras! Para além da pose de fadista no concerto do Teatro Garcia de Resende, canta mal e desafina! Quanto às ideias de que diz ser autor...! Ideias todos nós temos, muitas até...! O problema é pô-las em prática! Arranje outro pianista com a qualidade e paciência de AVD e outra voz capaz de pacientemente o acompanhar como JS sempre fez! Poupe-nos!

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  25. Não conheço pessoalmente nenhum dos 3 senhores envolvidos nesta questão. Assisti há uns anos a uma apresentação no CCB do compositor Amílcar Vasques Dias sobre a sua própria música, que muito me agradou, mas nunca falei com ele. Há muitos anos que recebo a newsletter do CCB com a agenda dos concertos, semanal, mensal, anual. Só por raiva cega, o dr José Santos não viu que o seu nome aparece bem destacado na apresentação deste concerto.O dr.José Santos podia ter seguido 2 caminhos bem diferentes: num, aceitava que a sua ideia voasse mais longe (desculpe mas o sr.não é "ponto" e desafina) e aceitava aplausos como co-autor (não há autores individuais nos grupos)e noutro, faria tudo para que este projecto fosse destruído porque não podia aceitar que voasse sem si (de facto não poderia era voar consigo a cantar...). E neste caminho que escolheu, só pode é receber uma enorme vaiada de assobios!

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  26. Porra! o gajo canta mal e desafina! Durante anos foi porreiro e um dia o gajo zanga-se com o Soares por causa da candidatura e bingo! Já não faz nem fez nada que valha... Caiu-te o martelo encima. Ó homem não sabes com quem te metes, porra! Estes "intelectuais" da ginja... não enxergam a um palmo do nariz. Esses gajos nunca foram teus amigos, como é que eles podiam trair uma amizade ou o c....o? Emigra, porra!

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  27. eu cá não quero ter amigos como o amilcar nem o soares.........................................................................................................................................................................

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  28. eu cá não quero ter amigos como o amilcar nem o soares.........................................................................................................................................................................

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