quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Que cidade queremos e para que queremos a cidade


foto daqui
(…) reflectir sobre o espaço onde habitualmente vivemos e estamos sujeitos à envolvente social que Vergílio Ferreira tão bem descreveu no seu romance Aparição e que, passados mais de 50 anos e mudando as indumentárias, continua a ser o mesmo.
Évora é hoje uma cidade presa entre esse tempo que ainda vive dentro dos seus habitantes, a experiência libertadora e impulsionadora de modernidade que foram os primeiros vinte e cinco anos de poder local após a revolução de Abril e os últimos onze anos de marasmo e paralisia decorados com promessas de excelência e discursos eivados do muito provinciano apelo a grandiosidades de ficção.
Vive-se na cidade um sentimento estranho que mescla a óbvia necessidade de mudança com um encolher de ombros como se estivéssemos condenados a este caminho de mais ou menos, de pode ser que melhore um bocadinho.
Sou dos que entendem de Évora precisa de uma ruptura decisiva e radical com o seu passado e encetar um processo de desconstrução do imaginário que povoa muitas das conversas de cariz mais ou menos saudosista para poder, através de iniciativa radicalmente pioneira, encarar o futuro sem o espectro do definhamento que parece pairar sobre este território.
O tempo é de intervenção política ousada e arriscada, de passarmos da discussão das miudezas como diâmetros das rotundas e as larguras dos passeios, para a discussão séria e apaixonada sobre que cidade queremos e para que queremos a cidade.
Os últimos onze anos levaram Évora a uma situação tal que para muitos dos seus habitantes começa a tornar-se indiferente aí viver ou noutro lugar qualquer.
A situação do edifício burocrático, com a dívida astronómica e o estrangulamento financeiro por via da ofensiva legislativa contra o poder local, é dramática.
É talvez por isso mais importante ainda a dose sonho, de capacidade de arriscar, de um certo desprezo pelo pragmatismo castrador, de vontade de afrontar esta construção ideológica de que Évora está condenada a ser a cidade das pedras, que se vão desgastando até que delas apenas fique a memória.
Sou dos que entendem que não existe terceira via. Ou rompemos com o conservadorismo bacoco que nos enche de medo e aproveitamos a força dos que amam a sua cidade viva, em particular os mais jovens e os que a entendem como um lugar de cultura, ou matamos a cidade do futuro ficando a carpir mágoas por um passado de glória imaginada. (…)

Eduardo Luciano numa crónica emitida hoje na Rádio Diana, faz eco da necessidade, sentida por muitos como urgente ,de pensar a cidade que temose a que queremos ter.

1 comentário:

  1. Claro que não posso discordar do Cronista quando diz que temos que tomar outro rumo, assim como concordo que o conservadorismo tem de ser combatido, para que Évora mude.
    E é obvio que mesmo com uma divida monumental poderá, se tiver a geri-la uma boa equipa, mudar e melhorar ( o que não será difícil pois muito há para fazer).
    No que tenho de discordar é nesta necessidade de virar costas… Quem ama Évora, (conhece a sua historia e as suas genes) não sente necessidade de a deixar para lhe ver futuro. Não se sente apreendido nela, tenta muda-la, lutando contra tudo e contra todos. Quem ama Évora, quer aqui ficar para sempre, percebendo os seus pontos fracos, e lutando contra eles.
    E so quem ama esta cidade pode fazer a diferença. Évora precisa mais do que dinheiro, mais do que de ideias, mais do que projectos, de gente que a ame, que ame a sua historia, a sua cultura, as suas gentes e ate as suas pedras.
    Sei que o cronista escreveu por impulso, pois sei que ele ama a cidade, mas mesmo assim, atrevo-me a sugerir-lhe que fale com gente que ame a cidade e que aqui tenha nascido, só assim poderá olha-la pelos olhos de quem a conhece profundamente.
    Lurdes

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