sábado, 16 de fevereiro de 2013

Évora: obras de hotel provocam danos em Igreja


As obras de construção de um novo hotel, em Évora, provocaram danos na estrutura de uma igreja centenária e classificada, situada no centro histórico da cidade, estando o LNEC a elaborar um relatório sobre a situação.
A diretora regional de Cultura do Alentejo, Aurora Carapinha, explicou hoje à agência Lusa que foram detetados danos, como "o surgimento de fissuras", na Igreja das Mercês, classificada como Imóvel de Interesse Público.
"Logo que se verificou que havia alguns problemas, foi pedido imediatamente um relatório à empresa" responsável pelas obras de construção do hotel e o "apoio do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC)", adiantou a responsável. O grupo português Endutex Hotéis está a construir um novo hotel, na Rua do Raimundo, uma das artérias que faz ligação à Praça do Giraldo, "sala de visitas" da cidade alentejana, ao lado da Igreja das Mercês.
Com 81 quartos, a unidade hoteleira da cadeia francesa B&B, vocacionada para o segmento "budget", deverá abrir no segundo semestre deste ano, num investimento de quatro milhões de euros.
Contactada pela Lusa, Gisela Barros, da Endutex Hotéis, confirmou "a existência de algumas fissuras na igreja, que são decorrentes dos trabalhos" de construção do hotel, mas salientou que "foram tomadas todas medidas de segurança" durante as obras.
"É uma ocorrência que não é preocupante", realçou, indicando que "está tudo a ser monitorizado e acompanhado pela equipa de projetistas no local, em contacto com a Direção Regional de Cultura do Alentejo (DRCAlen) e com o LNEC".
De acordo com a responsável, os dados referentes às últimas análises aos danos na igreja "mostram que as fissuras estabilizaram", o que vai permitir, "o mais breve possível, fazer a sua reparação", a cargo do empreiteiro.
Por sua vez, a diretora regional de Cultura do Alentejo assinalou que "o projeto do hotel foi licenciado" e que, desde o início, a construção tem sido acompanhada, tendo sido marcado "um conjunto de pontos para se verificar se havia alteração durante a obra".
Ao verificarem-se danos na estrutura da igreja, adiantou, iniciou-se "um processo de monitorização" e foi efetuada uma vistoria por técnicos do LNEC, que estão a elaborar um relatório sobre a situação.
Construída em 1670, a Igreja das Mercês está afeta à DRCAlen, acolhendo, atualmente, parte do acervo do Museu de Évora. (LUSA)

13 comentários:

  1. Temos agora este novo paradigma: um hotel que causa a ruína de uma igreja!
    Em vez de valorizar o património, nem que fosse só para usufruto do turismo, esta política de turismo selvagem consume o próprio património.
    O recurso será consumido até ao fim, ou até à sua descaracterização e destruição.
    A desertificação deliberada, de habitantes e de actividades sociais e económicas, e a construção desmedida de hotéis, dentro do centro histórico, são típicos desta linha política insustentável e de lesa pátria.
    É a demente destruição do recurso.
    É o modelo algarvio, monocultura do turismo, destruição de uma região.

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  2. Mais um Hotel para estar ás moscas.
    Tal como estão os outros, mas como é um cadeia francesa, pode destruir património, pode fazer cave e sub cave, para não ter ninguém essa cadeia de hotéis Endutex é durex de inteligència e isto sem o imperio de engenheiros da CME fiscalizar se o escorramento dos buracos estão segundo as normas

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  3. O Centro Histórico foi classificado porque era exemplo de uma urbe dos descobrimentos, mantida coerente, viva e produtiva, e com elevadíssima qualidade de vida.
    Por esse motivo foi honrado e procurado.

    Hoje é uma estrutura decadente, desértica, sem funções económicas, nem sociais. O valor histórico e cultural é desprezado. A sede cívica está desqualificada e ofendida.
    O pólo de desenvolvimento regional foi reduzido a um esgoto.
    È um abrigo para os delinquentes da CME.
    É a maior concentração de vícios, idiotia e maldade, da cidade.

    À medida que se desertifica, enchem o Centro Histórico com hotéis, como no Algarve. E já começaram a fazer vivendas algarvias.

    Entrou a monocultura do turismo, subsidiada por todos nós, contra nós.
    A exploração do principal recurso, de forma insustentável e ignorante, até ao esgotamento e destruição.
    Hotéis no Centro Histórico transformam-no em museu vazio, cenário desértico, onde os visitantes se miram uns aos outros.
    Investir em hotéis e deixar o Centro Histórico morrer, é como mijar na sopa.

    Os habitantes, a vida, foram expulsos.

    Que é que o capital sabe da vida?
    Que sabem os gatunos da cultura, senão roubar, vender e especular?
    Que sabem as bestas da gestão sustentável dos recursos humanos e patrimoniais?

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  4. Quantos Arquitectos existem mesmo na Câmara de Évora????

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  5. Não vejo mal nenhum em que se construa mais um hotel no Centro Histórico. Pior seria manter o edifício sem uso.

    Não é a construção de Hotéis que está a contribuir para a degradação e desertificação do Centro Histórico, mas sim as políticas que vêm sendo defendidas e seguidas pela autarquia.

    Recordo-vos a apologia das "novas centralidades" e a nova centralidade que, de facto, está a ser concretizada em torno do Parque Industrial.

    Recordo-vos o 'sinal' de abandono, que a autarquia deu quando retirou parte importante dos seus serviços para barracões do Parque Industrial. E havia tanto sítio dentro do CH onde os poderia instalar.

    Recordo-vos a anulação de centenas de lugares de estacionamento (dentro e nas imediações das muralhas), sem que tenham criado um único lugar para os substituir.

    Recordo-vos a política de tentar impor, contra a lei vigente, pagamento de IMI aos prédios do CH.

    Recordo-vos a inexistência de quaquer política de cultura e animação da cidade e do CH.

    Isso sim, são acções que contribuem fortemente para o estado lastimável em que se encontra o CH. Não se atire a culpa para os hotéis.

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  6. Hotel é coisa boa.
    O Algarve está cheio.
    É ser explorado três meses, para comer no resto do ano.

    Ninguém atribui culpas aos hotéis.
    A questão é ter uma cidade, um território, bem geridos, equilibrados, sustentáveis, com qualidade.

    Encher o Centro Histórico com hotéis, é como o Algarve e Reguengos de Monsaraz.
    Expulsar os habitantes e transformar o Centro Histórico em hotel, é um crime contra o património e contra os eborenses.

    (porque não fazem os hotéis fora de portas?)

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  7. @20:01
    Não são os hotéis que expulsam os habitantes. São os preços das casas, as más condições de habitabilidade, a falta de estacionamento, a falta de estabelecimentos de comércio diário, o ruído nocturno incontrolado, etc., etc.

    Os hotéis até são um bom complemento da habitação e sem eles não vejo que uso dariam a esses edifícios. Sem eles ainda haveria mais ruínas.

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  8. Não é o facto hotel mas sim atribuição de licenças a granel veja.se
    Fundação Alentejo construção num espaço publico e a altura do ultimo piso esta ilegal,por o meio a morte de um trabalhador e a obra nunca parou e agora autorização de cave e sub cave colado a edificado antigo era certo que a profundidade ia fazer estragos e não sucede pior porque este inverno esta calmo a nível de chuva se não ia tudo parar o buraco.
    Negligencia ou corrupção fica a questão?

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  9. @10:04
    Ok. Assim percebe-se. A questão não está no uso a dar ao edifício, mas nas condições em que foi autorizada a obra.

    Mas, já agora, informo a quem não souber, que segundo o último CENSOS há cerca de 900 casas vazias (num total de cerca de 4000) no Centro Histórico de Évora. E esta situação, a manter-se, dará origem a verdadeira derrocada, muitissimo pior que a provocada por eventuais obras para instalação de hoteis ou outros usos.
    Ou seja, pior que as derrocadas provocadas por obras, são as derrocadas provocadas pela inutilização dos edificios.

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  10. Comentários lúcidos e assisados estes dois últimos com os quais concordo em absoluto.E em relação aos atropelos patrimoniais praticados pela Fundação Eugénio d'Almeida no âmbito do Programa "Acrópole XXI" que dizem?

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  11. A questão está de facto nos USOS que se autorizam, e que descaradamente se promovem, mas também na FORMA como as obras são licenciadas, e não são fiscalizadas.
    A discussão do uso não vale aqui a pena, porque é discussão com surdos e cegos.

    Convém lembrar que a as prioridades, os investimentos, e os beneficiados no turismo, são decididos pelos mesmos que decidiram o Museu do Design.
    A competência técnica, a corrupção, e o esbulho do património publico, ficaram bem patentes com esse exemplo.

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  12. A Fundação pode fazer tudo,até EXPULSAR a Condessa

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  13. A MAÇONARIA QUER E PODE,candidato do PS:capoulas.

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