sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Crónica de Paulo Barriga no DA

Grândola

Os devoristas dos tempos que correm, para se segurarem a si próprios e para acalmarem as hostes, têm a mania de dizer que a História não se repete. Ai, repete, repete, poderia muito bem dizer o extraordinário Ulrich. O que vemos hoje em Portugal parece decalcado a papel químico do melhor fresco dos tempos da guerra civil: a falência dos cofres e da moral do Estado, o endividamento asfixiante ao estrangeiro, a perda da soberania e da autoestima nacionais, a descrença nas instituições e nos agentes políticos, o avanço desmesurado da pobreza, da miséria, da incerteza, da descrença. Da perda. No século XVIII este mesmo incendiário cocktail deu no que deu: deu na mais sangrenta e fratricida das guerras em território nacional e na deriva sebastiânica que nos trouxe até aqui, embalados em sucessivas rebeliões, golpes, revoluções, intentonas, ditaduras. Calar o primeiro-ministro e a sua desacreditada eminência parda ao som da “Grândola” não é um fait divers, um epifenómeno ou uma mera notícia de rodapé. É sinal, um forte sinal, de que eles andam aí. E que começam a perder a paciência. Como já antes, ao longo da nossa História, tantas vezes aconteceu. A História não se repete, gostam de dizer os pedreiros livres e os banqueiros que nos governam. Contra a sua lógica de amansamento, deixo em baixo, a bem da memória, excertos de duas notas do diário do embaixador da Prússia em Portugal, corria o ano de 1842: “Para construir um edifício que corresponda à sua imaginação e ao seu orgulho, arrancam as pedras dos alicerces e colocam-nas no topo. O edifício ergue-se à medida que vai enfraquecendo. E a verdade é que, muito em breve, irá ruir... (...) Reina a maior confusão, nada é permanente, a cada momento há transformações e a cada transformação o país afunda-se mais sob o ponto de vista moral e material”. Ontem, como hoje, cá estamos nós a construir o edifício defeituoso que era suposto ser a nossa terra da fraternidade.

Paulo Barriga (Diário do Alentejo)

13 comentários:

  1. À atenção do cronista:
    a guerra civil "sangrenta e fraticida" deu-se no século XIX e não no séc. XVIII. Só falta de atenção? Ou é também sinal de como "defeituosos" estão alguns edifícios culturais?

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  2. Com mais ou menos vírgula, precisão de datas, e outros eventuais pormenores, este texto merece, a meu ver, a maior atenção e ponderação.
    Se preferirmos dispersar, assobiar para o ar, ou deter-nos em aspectos formais da mensagem, também podemos...
    Em função de uma, ou de outra atitude, estaremos mais ou menos conscientemente, a contribuir para realidades distintas.

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  3. Compadre Carlos, obrigado por transcreveres o editorial. Corrijo o erro: é evidente que estava a falar do século XIX. Aliás, a data citada no texto é de 1842. São daquelas coisas que às vezes acontecem... mil desculpas aos teus e aos meus leitores.
    Abraço rijo e amigo do
    Paulo Barriga

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  4. Peça fatura em nome destes cavalheiros a lei o exige


    Conheça quem anda a colocar o NIF de Ministros na Internet .... Miguel Relvas NIF 158792793. Vitor Gaspar NIF 120528223. Passos Coelho NIF 177142430 ... de Pedro Coelho, acompanhado do respetivo número fiscal de contribuinte, ..... da plataforma "15 de Outubro" à porta do hotel onde está Vítor Gaspar .

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  5. 45 mil milhões de fuga o fisco que penalizam quem paga impostos e andam com brincadeiras de criança!
    Realmente é boa hora de fugir deste miserável pais!
    Duas cantoras do Grandola a relvas são duas dirigentes partidárias do bloco de esquerda e do pcp claro só podia ser!

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  6. Quando ouvi o jovem Bernardino Soares a falar da universidade com o sorriso de gozo percebi que havia algo,Lúcia Gomes, membro da Assembleia Municipal da Feira, eleita pelo PCP.
    Grandes comunistas e os seus jogos de poder!

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  7. Dia 2 NÂO FALTES

    VAMOS CORRER COM ELES

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  8. ESTE PODER ESTÀ PÔDRE


    DIA 2 vamos pôr FIM a isto.

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  9. VAMOS CORRER COM ESTA CORJA

    DIA 2,é o DIA.

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  10. O cretino (16:03) já voltou do almoço. O vinho, a julgar pelas mentiras requentadas, não devia ser grande coisa...

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  11. DIA 2 podemos dar a volta a isto



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  12. ,Lúcia Gomes, membro da Assembleia Municipal da Feira, eleita pelo PCP confirma ai camarada e depois diz que é do vinho?! típico de comuna!

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