sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

CGTP realiza amanhã manifestação em Évora

Às 10,30 h. na Praça 1º de Maio.

3 comentários:

  1. Nada melhor do que o Carnaval para se perceber porque Portugal tem dificuldade em descolar da sua pobreza e insignificância.

    Nada melhor do que o Carnaval para se perceber porque Portugal tem dificuldade em descolar da sua pobreza e insignificância. Ano após ano repete-se a mesma cena patética. Querendo imitar o modelo carioca, entendido como um desfile de mulheres seminuas, o país depara-se com a inevitável oposição da meteorologia. As câmaras municipais investem verbas avultadas, em que se chega a importar algumas bundas do outro lado do Atlântico, para se verem obrigadas a cancelar desfiles por causa da chuva e do frio.


    Não seria tempo de se pensar que algo está profundamente errado? Que é preciso encontrar outro modelo? Ou melhor. De se criar um próprio e original?


    Em matéria de carnavais, temos dois. Rio de Janeiro e Veneza afirmaram-se ao longo dos tempos pela sua originalidade e adaptação ao ambiente social, cultural e climatérico. Carnaval do povo no Brasil, das elites cultas em Veneza, ambos criaram uma marca que atrai vastas multidões. Não vale a pena tentar competir neste campeonato.



    Portugal não tem a alegria e a excentricidade dos brasileiros, nem a cultura e sofisticação dos venezianos. Poderia talvez pensar-se em reforçar a já presente sátira política ou promover mais eficazmente as poucas singularidades que existem, como é o caso dos caretos de Trás-os-Montes. Mas insistir no modelo tipo-carioca, a lembrar aqueles queijos que não sabem a nada, é uma evidente estupidez. Não se pode promover um evento, assente na nudez, quando faz frio. É como se Portugal apresentasse uma candidatura aos Jogos Olímpicos de Inverno a ter lugar no Algarve em pleno Agosto. Não dá.


    Falo do Carnaval como mero sintoma. De um país com dificuldade em pensar e produzir diferença. Que não afeta só as festas, os eventos, as iniciativas locais e regionais, mas está na própria base cultural e económica da nossa sociedade. Nos últimos anos, tem-se repetido o refrão da inovação, a necessidade do empreendedorismo. Emergem como cogumelos "startups", incubadoras, capitais de risco, linhas de crédito, anjos e outros seres nebulosos. O resultado é dececionante. Portugal está cheio de planos de negócio e folhas de Excel, mas ideias realmente inovadoras e verdadeiros negócios contam-se pelos dedos.

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  2. Isto deve-se a duas questões básicas que não são devidamente tidas em conta. Primeiro, falta uma noção mais objetiva e informada do mundo. Segundo, não se percebe que aquilo que realmente determina o sucesso é a capacidade de produzir diferença. Não uma diferença qualquer, paródica ou derivativa, mas uma diferença que faça a diferença, o que é um conceito em si mesmo.


    Quando se pensa em realizar alguma coisa, o primeiro passo a dar é saber se já alguém a fez e em que contexto. Isto, que é basilar, não parece ser ensinado nas nossas universidades. A tendência para inventar a roda predomina. Não menos frequente é o recurso à imitação e, tanta vez, à cópia pura e simples. O mais espantoso é observar como, frequentemente, tanto no ensino como nas empresas, isto não é entendido e até se premeiam os imitadores.


    Criar diferença é a única coisa que pode garantir viabilidade a qualquer projeto. Seja ele de natureza lúdica ou comercial. Diferente não é tanto uma nova forma ou um novo embrulho mas algo realmente palpável e original. Por exemplo, no universo industrial a diferença pode ser muita coisa. O preço. Se eu conseguir vender mais barato, tenho uma vantagem competitiva. A qualidade. Se eu conseguir produzir melhor também. A inovação. Se eu conseguir fazer algo que ainda ninguém fez tenho uma boa possibilidade de ter sucesso.


    Cada um de nós, no seu quotidiano, sabe do que falo. Se quero barato, compro chinês. Se quero bom, compro alemão. Se quero inovador, compro americano, coreano ou japonês.


    Em Portugal não existe uma consciência desta realidade. Pelo menos na maioria e, mais grave, nos jovens, aqueles que podem e devem construir o futuro.


    Só criando originalidade e diferença se poderá melhorar as nossas vidas e conquistar um lugar significativo no mundo. Ninguém se diverte com o Carnaval dos outros.

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  3. CAPOULAS SANTOS ajudou no AFUNDANÇO do concelho.

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