quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

carne de cavalo, dizem eles...


Produtos com carne de cavalo podem vir a ser entregues a instituições de solidariedade
Espanto-me com a rapidez com que esta solução se propaga por toda a Europa.
Se é apenas um "erro" de rotulagem, como afirma Assunção Cristas, porque não o corrigem e repõem o produto no mercado?
Quer-me parecer que se trata de mais uma lavagem de um crime económico, em que de início (como de costume) se procurou arranjar um bode expiatório, neste caso os romenos, para depois, dada a dimensão do escândalo, se fazer o branqueamento, à custa como de costume, daqueles que estando de tal forma depauperados, não se podem dar ao luxo de dizer não.
Mais uma vez se cumpre o desígnio da caridadezinha, enquanto os verdadeiros culpados, não só se ficam a rir, como ainda acabam por encontrar maneira de ganhar com a infâmia.
Nada tenho a opor a que as pessoas que passam fome recorram a esta humilhação.
Mas seria preciso chegar aqui?
quando se queimam excedentes e se impõem limites à produção de bens alimentares, ao mesmo tempo que se adoptam soluções destas para não atravancar os bancos dos tribunais, e mais grave ainda, quando se corta nas pensões, se mandam para o desemprego milhares de pessoas sem direito às respectivas compensações, quando se fecham centros de saúde e hospitais e se inventam taxas moderadoras para disfarçar o cofinanciamento dos mesmos. quando se fecham escolas, quando aumentam os custos da justiça, quando se põem na rua idosos porque se esqueceram de preencher uns papéis quaisquer... Pergunto se poderemos assistir a tudo isto de braços cruzados? Se aquilo que temos pela frente não justificaria maior unidade, mais acção, mais determinação da nossa parte?

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Acta da reunião de 27F, preparatória do 2 de Março em Évora


Embora com bastante chuva à hora do encontro, meia dúzia de resistentes compareceram na Praça do Sertório para acertar as agulhas para a manifestação de 2 de Março. O que já existe:
1) Cerca de 400 folhetos para distribuir na sexta à noite e no sábado de manhã (são precisos mais);
2) Aparelhagem de som para sábado está garantida;
3) Trâmites legais (comunicar a concentração e a manifestação) já estão feitos;
4) Existem já algumas garantias de que vamos ter pessoas a dizerem poemas e a terem outras intervenções artísticas; É preciso mais.
5) Ficou definido que na sexta-feira quem quiser participar numa distribuição de folhetos em espaços nocturnos da cidade se junta às 22 horas na "Oficina" e no sábado nos mercados do Bacelo e 1º de Maio, às 8/8,30H e às 9/9,30H respectivamente;
6) Devido à chuva foi suspensa a colagem de cartazes nas rotundas e entradas na cidade prevista para quinta feira à noite;
7) Apela-se ainda a que todos imprimam, dentro das possibilidades, folhetos a anunciarem a concentração/manifestação e façam os próprios cartazes e faixas para o protesto. A diversidade, a abertura e a imaginação são instrumentos que estão do nosso lado e que podemos e devemos usar.
Que cada qual solte da forma que quiser o Grândola que há em cada um de nós!

(imagem em anexo do folheto em A4 (cada folha dá para dois) que cada um pode imprimir para distribuir entre os seus amigos e conhecidos)

QUE SE LIXE A TROIKA! O POVO É QUEM MAIS ORDENA!/ÉVORA
ASSEMBLEIA POPULAR DE ÉVORA

Esta sexta-feira à noite, na "é neste país"



1 de Março de 2013, pelas 21.00h
Encerramento da Estafeta de Contos das Palavras Andarilhas

com

Margarida Junça, Susana Coelho, Cristina Taquelim & Trulé

Hoje na Harmonia Eborense: To Zé e convidados a partir das 22H.

E diz o Tó Zé:
"Na próxima quarta vamos transformar a sala grande da Harmonia num cabaret musical ! Muitas e variadas canções de amor e desamor pela voz de Pilar de Zaragoza e o piano da Lurdes, acompanhadas pela percussão de Daniel Meliço, as guitarras grandes e pequeninas de Zeps e a viola campaniça e outros brinquedos musicais de moi même!
Encontro marcado para as 22h do dia 27 na SHE. Tjá ;-)"
É hoje! Não faltem..!

Beja: morreu António Almodôvar


Morreu esta madrugada, em Beja, António Almodôvar. Filho da cidade (embora tendo nascido em Lisboa), militante do CDS/PP, tinha 65 anos e era um homem culto, amável de trato, ligado à gastronomia e aos vinhos, sempre disponível para colaborar com todos os órgãos de comunicação social. Escreveu crónicas na Revista "Mais Alentejo" (de onde tirei a foto) e era agora cronista no "Diário do Alentejo", onde animava uma rúbrica sobre gastronomia. Vai sair, em breve, um livro com as suas crónicas. O "Diário do Alentejo" traça o perfil deste seu colaborador e amigo. AQUI.

Creche do Jardim da Cartuxa: a cronologia dos factos


Na sexta-feira passada o Paulo Nobre publicou aqui no acincotons um post onde dava conta de uma creche de Évora que teria "poupado" na comida dos miúdos que tinha a seu cargo e da impossibilidade que ele, enquanto jornalista, tinha tido para ter alguém que desse a "cara e a voz" pela notícia. Falava de medo por parte dos pais. Nunca de insensibilidade ou falta de sentido paternal. Foi um post lido por milhares de pessoas e que teve dezenas de reacções, umas na caixa de comentários, outras por email. Logo na segunda-feira recebemos um mail de um dos pais que se identificou. Depois o Paulo Nobre respondeu e, por último, ontem chegou a resposta à resposta deste pai. Porque é uma troca de correspondência importante - que só dignifica este pai -,que esclarece cronologicamente tudo o que aconteceu e também o cuidado que pomos na procura de informação, mesmo quando não estamos a exercer actividade jornalística (que implica o contraditório), decidimos dar-lhe visibilidade publicando as várias missivas. carlos júlio

Email 1
Data: 25 de Fevereiro de 2013 à18 03:29
Assunto: Sou pai de uma menina da Creche do Jardim da Cartuxa

Caro Paulo Nobre
Começo por lhe dar os parabéns pelo blogue acincotons, do qual sou leitor (quase) diário mas nos últimos dias estive ausente, daí ter colocado as vossas noticias em dia.
Em relação ao post "A historia que não conhecemos" do dia 22FEV2013 começo por dizer o seguinte - mais depressa processava a si pelo teor da noticia do que a directora da Creche, apesar de não perdoar as razões que me fizeram retirar a minha filha da creche.
Passo a explicar:
1 - Quando se escreve uma noticia em relação a acontecimentos, deve-se ouvir as partes envolvidas antes de tomar juízos de valor, senão pode ser descredibilizado pela realidade e, pior, pode ser alvo de queixas de quem acusa injustamente.
2 -  Se alguém revelou MEDO nesta história toda, foi o senhor Paulo Nobre ao não escrever o nome da Creche no post.
3 - Em relação ao post, e se o conteúdo correspondesse à verdade, fiquei sem perceber quem é que era o bandido da situação; a directora ou os pais? Será que não devia incidir e denunciar a atitude criminosa da directora?
4 - Pergunto se conheceu a atitude dos pais para fazer juízos de valor em relação ao MEDO dos mesmos?
Vamos aos factos:
1 - A mensalidade não é de trezentos euros, é de duzentos e cinquenta euros, valor mínimo em qualquer creche que não tenha protocolo com a Segurança Social, mas nem que se pagasse um euro por dia, aquilo que foi descoberto é um atentado contra crianças, daí que a noticia não devia entoar os valores mas sim os procedimentos. Acrescia despesa facultativa de musica e ginástica mas que não chega aos dez euros mensais.
2 - Na quarta-feira 20FEV, pelas 18h, quando a minha esposa foi buscar a filha, ela foi informada por um pai de outra criança da má alimentação. Faço um parentesis para lhe dizer que esse pai me disse na quinta-feira de manha que ela ficou estática durante vários minutos.
3 - Após recuperar do choque, ela telefona-me a dizer do que se estava a passar e a minha primeira reacção foi "Não pode ser, deve ser alguma mãe que se chateou com a creche e armou uma cilada" porque nada - repito, NADA - fazia crer, visto que a nível de instalações, higiene, comportamentos de directora e funcionárias, não podia ser verdade. Mais...a nível de segurança, duvido que haja melhor. Exorto que faça uma visita às instalações, quanto mais não seja para confrontar a directora e colocar no blogue as suas palavras.
4 - O escândalo rebentou na terça-feira 19FEV e não tem a ver com as estrelitas na mão ou do responsável do catering informar, etc, etc... Duas mães estranharam o apetite dos seus respectivos filhos após estes saírem da creche daí que, neste dia, elas foram ver a refeição - que actualmente não posso chamar de almoço.
5 - Nessa noite, segundo os pais que estiveram presentes, houve uma reunião com a directora para a confrontar com o que viram - se foi um erro de catering ou era habitual, isto é, o bom senso de quem detectou este escândalo determinou que não informavam na tarde de terça-feira os outros pais sem ter dados mais concretos - a este tipo de procedimento não se chama MEDO, chama-se bom senso.
6 - Nessa reunião de terça-feira, e mais uma vez segundo o que os pais presentes me disseram, a directora não assumiu o erro e tentou arranjar desculpas esfarrapadas. Quer dizer que pelas 23h desse dia provou-se os factos e decidiram os procedimentos a adoptar.
7 - Na quarta-feira 20FEV, duas mães foram assistir à refeição e não é que, além de uma mesa farta, até salada as crianças tinham na mesa? Mas isso não foi suficiente para demover os pais que descobriram de informar os outros na tarde desse dia. Porquê a tarde? porque de manha as crianças tinham aula de musica e ficou garantido a fiscalização da refeição. Além disso, informaram que tinham tomado diligencias durante o dia e de que havia uma creche pronta a receber todas as crianças - a Mãe Galinha.
8 - Na noite de quarta-feira 20FEV, recebemos um telefonema de que a maioria dos pais estava em reunião nos Salesianos e que eles abriam, a titulo excepcional, uma sala e foi proposto pelos pais que fossem contratadas uma educadora e uma auxiliar. Voce até desvaloriza esse facto, isto é, já pensou porque é que os pais fizeram questão de as ter? Eu explico, porque elas também foram vitimas e poderia acusá-las de cumplicidade, se não fosse o caso de estarmos numa sociedade politicamente arruinada, daí que eu - como muitos outros pais - valorizei a dignidade com que elas trataram a minha filha. Até lhe posso dizer que se a outra funcionária pudesse acompanhar, os pais queriam e mais as valorizámos depois de saberem o terror com que eram tratadas. 
9 - Na quinta-feira 21FEV, fui buscar os bens da minha filha e os meus equipamentos (insufláveis e cama elástica, os quais faziam parte de parceria com a directora) e fomos de imediato à Escolinha d´Arte para fazer a inscrição. Deve imaginar que eu e a minha esposa, mais que os outros pais, nos sentimos ainda mais frustrados porque demos a cara pela creche - divulgando nas redes sociais e em milhares de flyers a nossa parceria.
Escolhi esta creche porque a comida é feita nas respectivas instalações e porque tenho lá um sobrinho bebe, cujos pais me deram muito boas referencias, daí que não quis arriscar.
10 - Retrocedendo, na quarta-feira 20FEV durante a refeição, a directora trancou-se numa sala para fugir ao diálogo com as mães presentes, sendo a irmã e a mãe dela que deram a cara. Desde essa altura até ao ultimo momento que ali estive, quase onze da manha de quinta-feira, que a directora não apareceu na creche!
11 - Após os factos provados, os unicos pais que queriam falar com ela eram aqueles que pagaram alguns meses adiantados, de modo a reaverem esse dinheiro, visto que as pessoas de bom-senso não armam pancadaria nem escandalos, apesar de ser o que essa directora merecia mas pergunto se era essa a solução que o Sr diz nas entrelinhas do post?
12 - Não, não era essa a solução que você proclama no post mas sim que os pais tivessem denunciado na comunicação social e nas autoridades competentes mas, caro Paulo Nobre, veja a data em que escreve o post e as datas dos acontecimentos...acha que os pais tiveram tempo para accionar o que quer que seja, devido ao facto de terem que encontrar uma solução e dar carinho aos respectivos filhos porque eles vão ser deparados com uma nova realidade - principalmente a minha filha que, ao contrário da maioria que se agrupou, vai ter tudo novo. Apesar do contrato ter sido tratado na quinta-feira, a psicologia diz-nos que era imprudente começar na sexta-feira. Faça um teste à sua capacidade de pai para se colocar no papel dos pais?
13 - Apesar disso, posso-lhe garantir que fiz tudo o que estava ao meu alcance para divulgar este facto, daí que durante estes dias informei todas as pessoas com quem me relaciono porque a melhor publicidade é a do boca-a-boca e eu, como afectado, sou uma excelente fonte de informação, tal como os outros pais também o são. Assim, fizémos mais na destruição da creche do que uma queixa nas autoridades competentes.
14 - Você pergunta-me "Mas agora os pais vão juntar-se e accionar meios legais?" e eu respondo por mim, e conhecendo os outros pais também vão pelo mesmo caminho, que o importante foi o inferno alimentar da minha filhota ter terminado e que as medidas a tomar já foram feitas, de onde destaco o facto ter tirado de imediato a criança da creche - será que esta não é a principal prova de que MEDO é algo que os pais não revelaram, apenas tomaram medidas de muito bom senso, tendo plena consciência de que com outro tipo de pessoas, essa directora teria o que merecia.Além disso, quem é que lhe diz a si que eu não falei com pessoas dessas autoridades? ou é preciso colocar nos jornais que me queixei? ou é preciso fazer queixa criminal para sermos pais corajosos? 
15 - Além disso, como é que os pais vão queixar-se aos principais culpados? Sim, você leu bem, os principais culpados são todas as entidades que tutelam a creche ou teriam que ser os pais a descobrir esta calamidade publica? Quem é que devia fazer uma fiscalização durante as refeições ou, no minimo, verificar as guias de entrega das refeições? E já agora, será que o catering não tem culpa? esse sim é que, se desconfiava, devia ter informado as autoridades das quantidades que servia, ou não concorda comigo?
16 - Você sabe se realmente havia meses de ordenado em atraso? Eu facilito a sua resposta...na quinta-feira de manha foi dito pelas proprias que apenas tinham o subsidio de Natal em atraso, o que nos dias de hoje, devido aos politicos de merda que temos, é muito bom.
17 - Pergunto se, como jornalista, o Sr Paulo Nobre denunciou nos meios de comunicação social para os quais trabalha? esclareço que não sei quem você é e para quem trabalha
18 - Não se comova por tão pouco porque eu, como pai, comovo-me com as crianças abandonadas nos caixotes do lixo, com crianças mal tratadas pelos pais, com crianças violadas, com crianças assassinadas, com crianças orfãs, com crianças sem educação, com crianças desinformadas, daí que aconselho o Sr Paulo Nobre a dar um valor aos seus filhos - o de não fazerem juzos de valor da cidadania de outras pessoas.
Felizmente que sei distinguir sensacionalismo de bom senso e, como tenho MEDO, fiz questão de lhe enviar por e-mail particular e não o descredibilizar publicamente.
Caro Paulo Nobre, a minha experiência de vida fez com que perdesse uma hora de descanso para lhe informar particularmente dos factos e julgo que, perante estes, o Sr tem um dever - o de colocar um post no seu blogue a explicar aquilo que lhe descrevo e não lhe ficava mal pedir desculpas aos pais, até porque estes resguardam o seu péssimo trabalho informativo; se fosse trabalho jornalistico, garanto-lhe que apresentava queixa judicial porque os factos são graves mas os juizos de valor anunciados publicamente não são menos graves, até porque não estamos a falar de maus tratos, agressões nem de fome mas sim de trocar refeições - lanches quando devia ser almoços.
Vou terminar como comecei, parabenizando a sua disponibilidade para informar acerca de Évora e exorto a continuar contra tudo e contra todos que não procedem bem mas também exorto que você o faça bem.
Sem outro assunto,
Envio os mais cordiais cumprimentos
João Manuel Milho Perdigão

Email 2
Em 25 de fevereiro de 2013 13:30, Paulo Nobre escreveu:

Caro João Perdigão,
Agradeço os comentários em relação ao blog. Agradeço-lhe também a hora que retirou ao descanso para me esclarecer sobre este caso. Pessoalmente ficaria muitíssimo satisfeito se isto fosse a regra e não a excepção nos blog’s . Adiante.
No blog limitei-me a dar voz aos rumores que na cidade corriam sobre “uma” creche (interessei-me pelo caso desde logo porque creches há muitas, era preciso saber em concreto de qual se tratava, tanto mais que, com os meus filhos, tb tive situações “interessantes”). Não pude revelar pormenores porque não os sabia.
Para materializar os rumores, saber os pormenores e avaliar se valeria a pena avançar para uma reportagem sobre o assunto, precisava ouvir os pais. Para tratar o assunto jornalisticamente era imperioso ter a sua posição, caso estes achassem importante e quisessem. Naturalmente não seria obrigatório que o fizessem. Como não fizeram. Estão, obviamente, no seu legítimo direito.
Em relação aos pontos que refere queria reforçar que não escrevi nenhuma notícia. Coloquei um post no blog o que é distinto. Formalmente, como jornalista, a notícia obrigar-me-ia a seguir determinados pressupostos no apuramento dos factos, caso entendesse que, passe a expressão, o caso tinha “pernas para andar”. Com os dados que tinha – ou não tinha – nunca poderia avançar para a reportagem.
O meu relato no blog é de uma possível notícia que não consegui fazer sobre um facto que, pela tremenda injustiça e provável negligência, me parecia susceptível de ser noticiado. Um facto que aconteceu na minha cidade, onde vivo, trabalho e onde crescem os meus filhos.
A história foi-me contada por gente em quem confio plenamente. Contaram-me mais pormenores. Muitos batem certo com o que me transmitiu, mas eu não podia, por falta da tal confirmação que os pais me poderiam dar, colocar no blog. Quem me contou a história prometeu-me contactos dos pais – por ter conhecimento directo, sublinho, directo, com alguns deles - e pediu-os pelo menos a dois. Já após a recusa destes, tentei, por outra via, novos contactos que também falharam. O “medo” de avançar foi por se tratar de assunto delicado.
Se não há “acusação”, não há contraditório. Perante isto, morreu a notícia.
Sobrou-me a indignação. A minha – não só a minha - indignação. Pela situação em si e pelo tal silêncio dos pais.
Em relação aos factos: são os factos! É o João quem os bem conhece por ter sido, infelizmente, interveniente neles. São os factos que procurei conhecer para avaliar se avançava, ou não, para a notícia.
Foi tudo isto que escrevi no blog sem intenção de faltar ao respeito, insinuar ou ofender quem quer que fosse.
Se o fiz foi de forma inadvertida e desde já lhe apresento, a si e aos demais, as minhas desculpas. Sinceras!
Com os melhores cumprimentos
Paulo Nobre

P.S. - Não tenho qualquer problema em escrever no blog o que aqui lhe transmito. Peço-lhe que me diga o que quer que diga em relação aos factos. Posso publicar na íntegra a sua carta, em baixo a minha explicação ou… qualquer outra coisa que me sugira.


Email 3
To: paulojorgenobre@sapo.pt
Sent: Monday, February 25, 2013 7:18 PM
Subject: Re: Sobre a creche

Caro Paulo Nobre
As desculpas são aceites e agora percebo melhor o teor do seu post, visto que houve recusas de falar por parte de alguns pais.
Pessoalmente, estou disponível para todo e qualquer esclarecimento e não me importo que utilize o meu nome no melhor esclarecimento do assunto no blogue, apesar de não ser obrigado a isso.
Na minha opinião, se descrever as minhas palavras referentes ao assunto - esquecendo a parte que o critico, porque é acessório para o auditório - e se escrever grande parte do que escreveu nesta sua resposta, penso que todos ficam bem vistos.
Note-se que se desejar colocar todo o meu mail, está completamente à vontade mas penso que a sua iniciativa não merece ser beliscada porque denunciou um assunto grave.
Hoje soube, pela minha empregada, que a cunhada lhe disse que o assunto saiu na SIC, algo que não consigo confirmar - mandei-a confirmar e saber qual foi o programa - assim que o alcance mediático foi alcançado e, quiçás, muito devido ao seu post e acredite que muitos pais agradecem esse facto porque (julgo) que nenhum queria a creche a continuar aberta mas já não precisamos tomar diligências porque hoje a educadora informou em sms que a creche encerrou na sexta-feira - assim que devia dar esta noticia como algo positivo do seu post.
Da minha parte, não guardo rancor e vou previligiar a cincotons por ter pessoas de bem a dirigir.
Não me estranha as situações com os seus filhos porque, está mais que provado, qualquer creche tem lacunas - se não é alimentação é segurança ou é violência ou é outro tipo de mau procedimento que, no meu entender, se deve à falta de acompanhamento das entidades que as tutelam.
Peço desculpa de ter enviado mail para uma caixa de endereço partilhada com outros gestores mas não consegui ter acesso a outros seus contactos.
Um grande abraço
João Perdigão 

Portugal: apreendidos 79 mil quilos de carne de vaca que relincha.


A ASAE instaurou hoje cinco processos-crimes a empresas portuguesas por fraude sobre mercadoria e apreendeu 79 mil quilogramas de carne contendo vestígios de carne de cavalo. 
Em comunicado, a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) adianta que foram também apreendidas, no comércio de retalho e distribuição 18.839 embalagens de produtos à base de carne, como por exemplo lasanhas, hambúrgueres, canelones e almôndegas. 
Segundo a ASAE, os 79 mil quilogramas de carne e produtos à base de carne contendo carne de cavalo foram apreendidos em estabelecimentos industriais de preparação, embalamento e distribuição de carnes no comércio a retalho (grandes superfícies). 
Este organismo de fiscalização refere também que a abertura dos cinco processos-crimes resultou na realização de 134 colheitas de amostras para análises laboratoriais para determinação da existência de ADN em carne de cavalo, tendo verificado, até ao momento, 13 resultados positivos. 
A ASAE diz ainda que vai continuar com as ações de fiscalização neste domínio. (LUSA)
Entrevistado pela RTP o inspector-geral, António Nunes, disse que é expectável que ainda possa ser apreendido outro tanto de carne de cavalo em produtos que deveriam ser de carne de vaca, ou seja, no total, mais de 150 mil quilos de carne de cavalo pronta a entrar no circuito comercial.
É o que se chama empresas cheias de "responsabilidade social", mas em que apenas manda o rei e senhor cifrão... único deus desta gente.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Está o "balho" armado: António Sebastião não vai ser o candidato do PSD à Câmara de Beja



A notícia é do JN online e diz que António Sebastião, ainda presidente de Câmara de Almodôvar, pelo PSD, que já tinha anunciado que ele seria o candidato a Beja, afinal pode fazer marcha atrás. Este autarca, que foi durante muitos anos o rosto do PCP em Almodôvar, é já presidente da autarquia, pelo PSD, há três mandatos pelo que, ou embala a trouxa, ou candidata-se a outro munícipio. Era o que anunciou que ia fazer, mas agora por razões internas e de influência na sucessão no cargo, segundo relata o jornalista Teixeira Correia, sempre bem informado, o candidato laranja - seja ele qual for, as coisas não estão fáceis para o PSD em Beja, onde se perfila uma candidatura independente que pode trocar a volta aos candidatos de todos os partidos - será outro. É caso para dizer: a bomba, pelos vistos, está prestes a estralar e a ida de Luís Serrano, do PSD, ao anúncio da candidatura de João Rocha pela CDU poderá não ser tão inocente como alguns querem fazer parecer.
Aqui também.

António Zambujo, Virgem Suta, Buraka Som Sistema, Xutos e Pontapés e The Gift nos 30 anos da Ovibeja


A Ovibeja 2013 assinala entre 24 e 28 de Abril, o seu 30º aniversário. Com um programa ainda mais ambicioso que nas edições anteriores, um dos pontos altos vai ser o cartaz de espectáculos.
A noite de 24 de Abril vai estar por conta dos bejenses Virgem Suta e António Zambujo, formações que já dispensam qualquer tipo de apresentação.
No dia 25 de Abril o palco da Ovibeja vai abraçar os inúmeros sucessos dos Xutos e Pontapés numa noite que promete ser longa e inesquecível.
Buraka Som Sistema é a proposta para a noite de 26 e, a fechar o cartaz de espectáculos da Ovibeja sobem ao palco, na noite de sábado, os The Gift, a banda portuguesa de Alcobaça formada em 1994.
Em ano de celebração do seu 30º aniversário, a animação da Ovibeja nas muito aguardadas “ovinoites” vai ainda contar com DJ’s.
A Ovibeja 2013, que este ano tem como tema central a água, a propósito da celebração do “Ano Internacional da Cooperação para a Água”, é organizada pela ACOS – Agricultores do Sul.

Morreu Carlos Galiza


Hoje morreu um amigo. Tinha 57 anos.
Carlos Galiza viveu em Évora muitos anos de um caminho que terminou esta manhã.
Estava um pouco constipado. Levantou-se, dirigiu algumas palavras à companheira e partiu subitamente. Assim, sem aviso prévio.
Foi um homem da comunicação, das artes, da sensibilidade humana. Tive o prazer de trabalhar com ele. Foi meu superior hierárquico o que no caso foi sinónimo de companheiro e amigo. Trabalhou nos últimos anos na Comunicação da CGTP. Deixa-nos, para além de textos e diversificados passos de produção, um filho pequeno e uma filha já mulher. Em mim deixa uma imagem de humanidade. Até sempre Galiza.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Solta a tua indignação: Praça do Giraldo, sábado, 2 de Março, 16 horas



No próximo sábado, dia 2 de Março, pelas 16 horas, Évora adere à manifestação nacional, que se realiza em mais de 40 cidades de todo o país sob o lema "Que se Lixe a Troika!| O Povo é quem mais ordena". Na rua vamos dizer, a uma só voz, que estamos contra a austeridade, o corte dos direitos sociais, o corte nos salários e nas reformas. Que estamos contra o desemprego que não cessa de crescer. Que estamos contra a fome e a miséria e contra os que nos querem representar, desligados dos problemas reais d@s portugues@s. Vamos para a rua dizer que estamos pela vida, pela educação,pela saúde para todos, por uma sociedade autogerida por quem produz toda a riqueza. Por um país sem exploração nem opressão.
Já chega! Basta! Outro mundo é possível.Contamos contigo!

Concentração:16 horas na Praça do Giraldo, em Évora. 
Manifestação: 17 H - Praça do Giraldo/Largo Camões/ Templo Romano/Rua 5 de Outubro/Praça do Giraldo
Assembleia Popular c/ microfone aberto: 18H - Praça do Giraldo
Grândola Vila Morena, a muitas vozes, 18,30H, Praça do Giraldo

Manifestação 2 de Março em Évora: Praça do Giraldo, 16 horas



Acta da reunião da Assembleia Popular realizada esta tarde na Praça do Sertório:
Decidiu-se: 
1) realizar uma concentração na Praça do Giraldo, no próximo dia 2 de Março, pelas 16 horas;
2) realizar uma manifestação às 17H entre a Praça do Giraldo/Largo Camões/ Templo Romano/Rua 5 de Outubro/Praça do Giraldo
3)Assembleia Popular c/ microfone aberto: 18H - Praça do Giraldo
4)Coro (todos os que quiserem) a cantar Grândola Vila Morena, a muitas vozes, 18,30 H, Praça do Giraldo - em sintonia com todas as concentrações pelo país fora.
5) A próxima reunião ficou marcada para quarta-feira, dia 27, às 18 horas na Praça do Sertório
6) Ficaram também programadas algumas acções para as quais são precisos voluntários:
a) Pintura de cartazes para colocar na quinta-feira nas principais rotundas da cidade;
b)Distribuição de folhetos na sexta-feira nos principais lugares de encontro de jovens na noite eborense;
c)organização de um grupo de pessoas para cantar a Grândola e distribuir folhetos a publicitar a manifestação nos mercados 1º de Maio e Bacelo, na manhã de sábado.
Todos os interessados em engrossar estes grupos e estas actividades devem estar presentes na reunião da próxima quarta-feira, na Praça do Sertório.
O sucesso do 2 de Março só depende de ti.

Assembleia Popular de Évora, Praça do Sertório, 25/2/2013

atrás de uns outros virão

Não vejo como seja possível existir uma democracia forte e responsável, sem cidadania.
Os direitos, acessíveis a todos, os correspondentes deveres, por todos partilhados.
Isto aprende-se praticando, assumindo que não somos nem mais, nem menos do que qualquer concidadão.
Se formos vítimas de um abuso e não o denunciarmos, permitimos com o nosso silêncio que outros o sejam, deixamos que quem o perpetre fique impune, criamos objectivamente situações de desigualdade, de impunidade, de injustiça.
Somos individualmente responsáveis pelo bem estar colectivo, quer queiramos ou não.
Ou somos cidadãos plenos, ou somos cúmplices.
Por isso as autocracias se fundamentam no medo e na chantagem, porque nos isolam, nos roubam espaço de afirmação, nos silenciam.
O que o Paulo Nobre aqui disse, disse-o enquanto pai e enquanto cidadão, disse-o porque para ele os filhos dos outros, têm os mesmos direitos dos seus e o que é mau para os seus, é mau para todos. Foi um acto de CIDADANIA, não pode ser confundido com jornalismo, não pode ser questionado nesses termos.
Não falou dos pais, não referiu nomes, deu a sua opinião e fez dela uma alerta.
Chamou a atenção para o principal, um jardim de infância, pago, contratava diariamente cinco refeições que distribuía por DEZASSEIS  crianças. O resto é acessório.
Que os pais se sintam incomodados por ter sido outro a fazer o que eles deveriam ter feito, é questão que me transcende.
Que os pais se sintam melindrados porque alguém lhes tece alguma crítica, compreendo, já me aconteceu, a mim e à maioria de nós. Mas aqui o que verdadeiramente conta, além de eventuais punições pelo crime, já que de um crime se trata, é pensarmos que os outros pais gostam tanto dos seus filhos quanto nós gostamos dos nossos.
Apenas isso...
Uma questão de cidadania.
Parabéns Paulo Nobre! o meu RESPEITO.

Capoulas Santos não será candidato à Câmara de Évora


O acincotons sabe que o eurodeputado Capoulas Santos não vai ser candidato à Câmara de Évora, apesar de várias notícias de jornal referirem que essa seria a "vontade" do secretário geral do PS, António José Seguro.
O esclarecimento foi prestado pelo próprio Capoulas Santos, à margem duma entrevista conjunta aos jornais alentejanos "Linhas de Elvas" e "Diário do Alentejo" dada recentemente em Bruxelas (e que deve ser publicada, num e noutro jornal, esta semana)).
Capoulas Santos disse que o dossier da reforma da PAC prendia-o a Bruxelas até ao final do mandato, pondo assim de lado qualquer possibilidade de ser candidato à Câmara Municipal de Évora onde vai haver troca de cadeiras: José Ernesto Oliveira, que conquistou a Câmara, há três mandatos, à CDU, vai sair por imposição da lei. Já se sabe que Carlos Pinto Sá, ex-presidente da Câmara de Montemor (a que não se pode recandidatar também por imposição legal) vai ser o candidato da CDU à Câmara da capital de distrito (o anúncio formal da candidatura deve acontecer logo no início de Março), enquanto que o PS e PSD continuam sem anunciar o nome do cabeça de lista . 
Depois de se saber que Capoulas Santos (que já é presidente da Assembleia Municipal) não irá encabeçar a lista à Câmara, ganha nova força a possibilidade de candidatura do ex-deputado socialista e presidente da distrital do PS, Bravo Nico, apesar de também nos meios socialistas se falar em outros nomes. 

Jovem de Castro Verde, aluno da Universidade de Évora, vence prémio "Novos Compositores"


Francisco Chaves, aluno da licenciatura em guitarra e da licenciatura em composição na Universidade de Évora é um dos vencedores do Prémio Novos Compositores, concurso promovido pela Orquestra Metropolitana de Lisboa e pelo Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa, destinado a compositores lusófonos ou residentes em países de língua oficial portuguesa.
A peça vencedora, intitulada "Sinfonieta em três andamentos", estreia oficialmente no dia 3 de maio, num concerto da Orquestra Metropolitana de Lisboa, no Auditório da Universidade Nova de Lisboa sob a direção do maestro Nir Kabaretti.
Natural de Castro Verde, Francisco frequenta atualmente a licenciatura em guitarra na Universidade de Évora, sob a orientação do Professor Dejan Ivanovich e, paralelamente, a licenciatura em composição sob a orientação dos Professores Christopher Bochmann e Pedro Amaral.
Francisco Chaves, de 19 anos, começou a tocar guitarra aos onze no Conservatório Regional do Baixo Alentejo, tendo posteriormente estudado composição com Roberto Perez e frequentado várias "masterclasses" com, entre outros, Marcin Dylla, Margarita Escarpa, Pedro Rodrigues, Denis Azabagic, Carlo Marchione, Leo Brouwer e António Pinho Vargas. Arrecadou, como guitarrista, vários galardões em concursos nacionais.
O outro vencedor, Carlos Filipe Cruz, 28 anos, é licenciado em Composição pela Escola Superior de Música de Lisboa (ESML). AQUI

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Candidatura de João Rocha a Beja: uma presença e uma ausência muito notadas


Ontem foi apresentada a candidatura de João Rocha (que envergava a camisola de Serpa há 33 anos) como novo cabeça de lista da CDU à Câmara de Beja. A sessão de apresentação do cabeça de lista foi feita na Casa da Cultura, com sala cheia. Do discurso de João Rocha ficou o óbvio (aqui e aqui). Dois factos que podem ter algum significado: entre os presentes na sessão de apresentação do candidato comunista podia-se ver o empresário e ex-governador civil do PSD, Luís Serrano (apoiante de João Rocha?) e foi muito notada a ausência de Rodeia Machado,ex-deputado do PCP e líder da bancada da CDU na Assembleia Municipal de Beja.

Ontem no Largo do Carmo, em Lisboa, homenagem a Zeca Afonso: afinar as vozes para 2 de Março

Évora: Albergaria Vitória passa a Hotel Vitória


Uma unidade hoteleira de Évora, com quase 30 anos de existência, entrou em obras de remodelação, devendo reabrir, no verão, de “cara lavada” e reclassificada com quatro estrelas para “conquistar” turistas brasileiros e chineses.
Luís Cabeça, da empresa proprietária do Vitória Hotel, disse hoje à agência Lusa que a unidade hoteleira fechou no início deste mês para “obras de remodelação profundas”, num investimento que ronda os 2,6 milhões de euros, com o apoio de fundos comunitários.
“O que vai ter mais impacto é a construção de um novo piso”, onde serão instalados um SPA e uma piscina panorâmica, o que obriga a “um reforço da estrutura do edifício bastante complexo”, desvendou o responsável.
Com as obras, realçou, a gestão do hotel quer “captar um tipo de cliente diferente, mais sofisticado e exigente”, com destaque para os “mercados emergentes”, como o Brasil e a China.
Até aqui, “o nosso mercado era, sobretudo, o cliente nacional e vai continuar assim, mas queremos reforçar a aposta no cliente estrangeiro”, afirmou.
Com 45 quartos e três suites, o Vitória Hotel, antiga Albergaria Vitória, de três estrelas, abriu há quase 30 anos, na periferia de Évora, pela “mão” de uma empresa familiar, que já vai na terceira geração.
De acordo com um dos proprietários do hotel, as obras de remodelação, que se prolongam até “julho ou agosto”, vão “transformar” a fachada do edifício e o interior, com novo mobiliário, sanitários, caixilharias e isolamentos, dando-lhe “uma imagem totalmente diferente”.
“O restaurante vai passar para o piso zero, as salas de reuniões para a cave e a receção será colocada num local diferente”, indicou o responsável.
Luís Cabeça adiantou que o Vitória Hotel, após as obras, vai “solicitar a sua reclassificação de três para quatro estrelas”, já que o projeto de remodelação “está vocacionado” para esse objetivo. (LUSA)

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Évora: debate esta tarde sobre anarcosindicalismo


Hoje, sábado, dia 23 de fevereiro, na Cafetaria do Convento dos Remédios (junto ao Eborae Musica), pelas 16,30 horas.

aqui: Colectivo Libertário de Évora

Nos 26 anos da morte de José Afonso

Uma boa iniciativa: Congresso sobre o Cante ao Baldão, Despique e Viola Campaniça nas Amoreiras (Odemira)


Hoje, dia 23 de fevereiro, a partir das 10h, a aldeia de Amoreiras-Gare, no interior do concelho de Odemira vai receber o Congresso sobre o Cante ao Baldão, Despique e Viola Campaniça, numa iniciativa promovida pela Associação para o Desenvolvimento de Amoreiras-Gare e Município de Odemira e que reúne alguns dos principais especialistas na viola campaniça, no baldão e no despique, como Maria José Barriga, José Alberto Sardinha, Pedro Mestre ou José Francisco Colaço Guerreiro.
O primeiro painel de intervenções, intitulado “O Cante ao Baldão e Despique: património cultural imaterial, perspetivas de revitalização”, terá como moderador o Prof. Manuel Vilaverde Cabral (Investigador Jubilado do Instituto de Ciências Sociais e Diretor do Instituto do Envelhecimento da Universidade de Lisboa). Maria José Barriga (investigadora do Laboratório de Música e Comunicação na Infância e Doutoranda no domínio da Psicologia e Ensino da Música na Universidade Nova de Lisboa) apresentará o tema "O (re)encontro de identidades no processo de revitalização do cante ao baldão", José Rodrigues dos Santos (Professor e Investigador do Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades, Universidade de Évora) apresentará a comunicação “Patrimonialização do Cante Alentejano e sua salvaguarda: perspetivas de futuro" e José Francisco Colaço Guerreiro (Cortiçol - Cooperativa de Informação e Cultura) abordará o tema “O papel das autarquias na revitalização do cante”. 
No período da tarde, a partir das 14.15h, será debatido o painel: “A viola campaniça: passado e futuro ”, com moderação de Francisco Lourenço Teixeira, Presidente da MODA - Associação do Cante Alentejano. Participarão José Alberto Sardinha (Etnomusicólogo), com o tema “A viola tradicional portuguesa”, Pedro Mestre (tocador de Viola Campaniça e ensaiador de vários grupos corais alentejanos), com o tema “Viola campaniça: hoje e o futuro”, e Manuel Silva Graça (cantador de Canto ao Baldão e Despique), com o tema “A disponibilidade dos cantadores”. 
Pelas 16.30h, terá início um Concerto de Viola Campaniça com os tocadores Pedro Mestre, David Pereira, José Diogo, Carlos Loução e António Silva Costa e com a Turma de Viola Campaniça da Escola Secundária de Castro Verde. Paras as 17h está agendada uma demonstração “Como se Canta ao Baldão e a Despique”, seguindo-se uma sessão de Cante ao Baldão, aberta a todos os cantadores que queiram participar. 

*

O objetivo deste congresso é reunir investigadores, autarcas, associações, cantadores e tocadores para debater sobre este género artístico e instrumento musical, perceber a razão da sua existência e o que o diferencia na região e no país, e traçar as perspetivas futuras de preservação e evolução. O Cante ao Baldão e o Cante a Despique (tal como é cantado na região) é praticado apenas no Baixo Alentejo, preservado em algumas zonas serranas e ainda cantado em momentos festivos e de lazer. A Viola Campaniça, que acompanha aqueles cantares, também apenas se encontra no Baixo Alentejo, sendo muito poucos os tocadores e os artesãos que a constroem. De características únicas, é diferente das demais violas existentes no país. Estas tradições culturais têm sido revitalizadas nos últimos anos, graças ao esforço de associações e autarquias e à vontade dos cantadores e tocadores.  (informação CMO)

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A história que ficamos sem conhecer


Dezasseis crianças saíram ontem de um infantário de Évora. Foram retiradas pelos pais após estes descobrirem que as crianças, a mais velha com três anos, não eram convenientemente alimentadas.
Até ontem os pais pagaram 300 euros por mês para manterem os filhos nesta creche situada numa das mais novas zonas da cidade, junto a uma das saídas de Évora. A creche não tem cozinha própria. Os almoços eram fornecidos através de catering por uma empresa de Évora.
Uma mãe terá desconfiado que algo se passava porque sempre que ia buscar o filho via os meninos com um copo na mão cheio de cereais. Esta desconfiança ficou reforçada quando o dono da empresa de catering terá dito algures que para aquela creche todos os dias levava 5-cinco-5 refeições indicadas para crianças.

Combinados, alguns pais foram à creche no dia seguinte e ficaram chocados com a situação que encontraram: as cinco refeições eram divididas pelas 16 crianças.
A educadora terá sido "apertada" confirmando toda a história. Ao que parece, frequentemente era misturada água na sopa para aumentar a dose e a comida, dividida, todos os dias saía pouca. Parece que era visível que os meninos tinham fome! De tal forma que a educadora e a auxiliar se viram na obrigação de comprarem cereais para diariamente matarem a fome das crianças.

As duas funcionárias - auxiliar e educadora - estavam com vários meses de ordenados em atraso nesta creche que, repito, cobra 300 euros por cada criança.
As crianças saíram da creche e no dia seguinte foram todas integradas numa instituição da
cidade ligada à igreja que não só recebeu as crianças como contratou de imediato a mesma educadora e a mesma auxiliar para tomarem conta dos meninos.

Esta história é verdadeira. Passou-se esta semana em Évora.

Os pais destas crianças ficaram muito descansadas porque os seus filhos estão agora noutra creche em segurança e não quiseram tornar pública esta história através da comunicação social alegadamente por MEDO. Repito M-E-D-O!!!

Fiquei sem saber se terão apresentado queixa na Segurança Social ou na ASAE ou noutro sítio qualquer, ou se também tiveram MEDO!

Não terão estes pais pensado que foram contratar para tomar conta dos filhos duas pessoas que passaram meses a negligenciar a vida as crianças sem falarem com os pais e denunciarem uma patroa-creche que nem sequer lhes pagava os ordenados. Terá sido MEDO?
Os pais que esta semana tiveram MEDO de denunciar publicamente esta situação não terão pensado que na próxima semana mais 16 crianças, a troco de 300 euros mensais, podem entrar naquela creche e começar a sofrer o mesmo que os seus filhos já passaram e, eventualmente, os donos da creche voltarem a ficar com o dinheiro e nem sequer pagarem aos funcionários.

Tudo isto por MEDO!!! M-E-D-O!!!

Eu, jornalista e pai de filhos, senti-me esta semana comovido com a história dos meninos. Amplamente chocado com o silêncio dos pais!

Adenda (27/02/2013): toda a cronologia e mais dados sobre este caso AQUI

Contos este sábado "é neste país"

Com quantos pontos se conta um conto?
é neste país! | 23 Fevereiro 2013, pelas 11:30h

Joana Dias & Rogério Veloso

é neste país!
Rua da Corredoura nº8, Évora
http://nestepais.wordpress.com/

a confusão que certas letras lhe fazem


Eis que Cavaco quebra o sepulcral silêncio e finalmente se manifesta.
Sobre o Défice? Não! Sobre o número de desempregados? Não! Sobre o anunciado plano B de Gaspar, depois de admitidos os sucessivos erros nas previsões, escassos meses após a aprovação do OE? Também não!
Sobre o número de mandatos que alguém pode exercer enquanto Presidente de Câmara ou de Junta de Freguesia.
Tê-lo-á feito como cidadão? Ou como garante da Constituição? Não!
Fê-lo  a título de principal revisor ortográfico da nação!
Um a em vez de um e, precedidos de um d, eis o problema.
Como o Saramgo se deve estar a rir das peças que o destino prega... ele que escreveu a História do Cerco de Lisboa em torno de um Não, que afinal estava a mais, tal como Cavaco, pelos vistos...

Vícios privados, vícios públicos


Algumas pessoas interrogam-se: mas que importância tem tudo isto, a não ser para essas três ou quatro pessoas? Não se trata duma questão privada? E porquê trazer a questão para a praça pública, com o risco de incomodar quem não vê o interesse?
A minha resposta é simples: recuso a máxima dos economistas clássicos do século XVIII teóricos do liberalismo, que dizia: "vícios privados, são virtudes públicas". O "vício privado" que enaltecem é a procura do GANHO, por todos os meios, em suma o vício é o egoísmo. Para eles, contudo, é quando cada um luta pelo seu interesse egoísta que a sociedade beneficia: lucro privado, acumulação capitalista, crescimento: "virtude pública". 
Penso que os tempos se encarregaram de demonstrar as catástrofes sociais a que essas teorias levaram: a luta à morte entre egoismos destroi o tecido social, os mais fortes esmagam os mais fracos. Vícios privados (a ganância), desastres públicos (desigualdades, miséria, opressão).
Penso que a verdadeira fronteira social, política, humana actual, é a da Moral. Ou seja, são as virtudes privadas (amizade, solidariedade, lealdade, entreajuda...) e só elas que, por efeito de agregação, podem conduzir a virtudes públicas: solidariedade (limitar os efeitos da simples regra democrática maioritária, que pode esmagar as minorias), amizade, reconstrução do laço (e portanto do tecido) social. Lealdade privada, confiança na lealdade pública (dos eleitos, etc.). Estas ideias não são invenão minha (quem em dera!), mas foram trabalhadas por grandes pensadores, como o J. Derrida (que escreveu há décadas atrás um texto que intitulou "Políticas da amizade"), pelo José Gil, entre outros.
Estamos muito longe de ter atingido algo nessa direcção: mas é essa, em meu entender, a direcção.
As consequências desta posição são iinseparavelmente privadas e públicas: não é possível ser um sacana com os que nos são próximos e bom cidadão em relação à sociedade em geral.
Agir sem escrúpulos, trair amigos e conhecidos, porque daí advém alguma ganho ou vantagem, não é por isso uma questão privada, ou apenas privada, porque quem trai os seus melhor trairá os outros.
Ao examinar a miséria da nossa vida política tenho uma certeza: o conjunto da classe política que foi emergindo durante o último meio-século ou mais é constituído por pessoas capazes de vender pai e mãe em troco do poder. A vida interna dos partidos é feita de pequenas e grandes traições, a vida parlamentar, a vida dos governos, é uma arena selvagem, onde o mais astuto e o mais desprovido de escrúpulos é que vence. O cinismo e até o descaramento com que alguns espécimes particularmente obscenos consideram as pessoas da sociedade civil, e não preciso de citar nomes, são o sinal da corrupção moral (que não tem que ver com religiões, com opções a favor ou contra certos modos de viver), de pessoas prontas a tudo para ganhar.
Quando, nas relações entre pessoas, certos indivíduos se permitem agir de certas maneiras, traindo amigos, roubando ideias, suprimindo os nomes da história, pequena ou grande que vivem, estamos a presenciar, à pequena escala privada, o mesmo processo de falta de escrúpulos, de ganância a todo o custo. O mais irrisório é que em geral o que está em causa são pequenas coisas (num casal que deixa de poder viver junto, as coisinhas, num grupo de amigos este ou aquele pequeno benefício material ou não, etc.), mas elas revelam sempre a qualidade das pessoas. 
Quem quereria viver numa sociedade em que todos agissem assim?
Por isso, compreendo que algumas pessoas achem que o que o Amílcar Vasques Dias e o Joaquim Soares estão a fazer (um roubo simbólico das pequenas coisas que fizémos juntos) é de somenos importância e talvez sem interesse. Mas discordo. Havia três maneiras de lidar com esses actos: falar cara a cara; sendo impossível porque alguns não aceitam, calar-se e guardar a sua amargura para si; ou denunciar essa maneira de agir. A primeira tinha uma vantagem: cara a cara, como sempre gostei de fazer, é mais fácil colocar as pessoas perante o mal que causam. A segunda é insuportável para alguém com o meu temperamento: ficar a lamentar-me no meu canto, não. Resta a terceira, que é mostrar publicamente como dois indivíduos estão prontos a tudo e até a reescrever a história dum projecto e trabalho de anos, suprimindo um amigo. A minha esperança é que essa exposição sirva de aviso aos que, pensando que nestes dois tem amigos, mais tarde ou mais cedo verão que estão expostos a que eles os traiam da mesma maneira. Agir assim, tornando pública a questão "privada", deita uma luz crua sobre quem eles são: beijinhos e abracinhos pela frente, traição, cinismo e falta de escrúpulos por trás. Falta de escrúpulos em privado, cinismo na sociedade: maus sujeitos.
O Amílcar Vasques Dias e o Joaquim Soares SÃO desonestos. Senão, teriam ouvido o que lhes transmiti, e teriam considerado.
O que é que eu lhes disse? Que façam outros projectos com outras pessoas, tudo bem. A vida não pára, criem, trabalhem, e tenham sucesso. Mas se têm criatividade, façam OUTROS projectos, não canibalizem o NOSSO, sem mim. Eles simplesmente acharam "chato" que lhes peçam contas. E se tivessem tomates, assumiriam que estão a portar-se mal. Estejam certos que muita gente o vai saber, em particular aqueles que vos crêem seus "amigos" e serão os próximos a ser maltratados.
Vícios privados, vícios públicos.

José Rodrigues dos Santos (recebido com pedido expresso de publicação)

Crónica de Paulo Barriga no DA

Grândola

Os devoristas dos tempos que correm, para se segurarem a si próprios e para acalmarem as hostes, têm a mania de dizer que a História não se repete. Ai, repete, repete, poderia muito bem dizer o extraordinário Ulrich. O que vemos hoje em Portugal parece decalcado a papel químico do melhor fresco dos tempos da guerra civil: a falência dos cofres e da moral do Estado, o endividamento asfixiante ao estrangeiro, a perda da soberania e da autoestima nacionais, a descrença nas instituições e nos agentes políticos, o avanço desmesurado da pobreza, da miséria, da incerteza, da descrença. Da perda. No século XVIII este mesmo incendiário cocktail deu no que deu: deu na mais sangrenta e fratricida das guerras em território nacional e na deriva sebastiânica que nos trouxe até aqui, embalados em sucessivas rebeliões, golpes, revoluções, intentonas, ditaduras. Calar o primeiro-ministro e a sua desacreditada eminência parda ao som da “Grândola” não é um fait divers, um epifenómeno ou uma mera notícia de rodapé. É sinal, um forte sinal, de que eles andam aí. E que começam a perder a paciência. Como já antes, ao longo da nossa História, tantas vezes aconteceu. A História não se repete, gostam de dizer os pedreiros livres e os banqueiros que nos governam. Contra a sua lógica de amansamento, deixo em baixo, a bem da memória, excertos de duas notas do diário do embaixador da Prússia em Portugal, corria o ano de 1842: “Para construir um edifício que corresponda à sua imaginação e ao seu orgulho, arrancam as pedras dos alicerces e colocam-nas no topo. O edifício ergue-se à medida que vai enfraquecendo. E a verdade é que, muito em breve, irá ruir... (...) Reina a maior confusão, nada é permanente, a cada momento há transformações e a cada transformação o país afunda-se mais sob o ponto de vista moral e material”. Ontem, como hoje, cá estamos nós a construir o edifício defeituoso que era suposto ser a nossa terra da fraternidade.

Paulo Barriga (Diário do Alentejo)

Cada vez mais a caminho do desastre: as previsões da CE para Portugal


A taxa de desemprego deve chegar os 17,3% este ano e baixar apenas para 16,8% em 2014, estimou hoje a Comissão Europeia, que agrava significativamente as suas expectativas para o mercado de trabalho português.
Segundo as novas estimativas de Bruxelas, a taxa de desemprego deve superar os 16,4% de média anual estimada para este ano ainda recentemente pela ‘troika’ e pelo Governo na sexta avaliação do Programa de Assistência Económica e Financeira.
Estes dados apontam agora para um agravamento para os 17,3% a acontecer já este ano em taxa média anual, após os resultados piores que o esperado para os números do ano passado.
As autoridades esperavam que a taxa de desemprego se ficasse pelos 15,5% em 2012, mas acabou por terminar o ano nos 15,8%.
Agora, após agravarem para quase o dobro a previsão de recessão para este ano (de -1% para -1,9% do PIB), Bruxelas diz também que o desemprego vai atingir novo máximo histórico e que a situação pode piorar.
A situação económica e a deterioração no mercado de trabalho acabam por alimentar um ciclo que deve ter consequências ainda para as contas públicas portuguesas.
Em 2014 a estimativa já não é de 15,9% mas sim de 16,8%, um valor superior ao pior receio das autoridades portuguesas já para este ano.
Bruxelas estima que a destruição de emprego tenha atingido os 4,3% em 2012, que destrua mais 2,7% este ano para crescer moderadamente na ordem dos 0,5% no próximo ano.(LUSA)

DA desta sexta-feira


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

"Ó discussão que vais tão alta...."


No próximo dia 27 deste mês o Centro Cultural de Belém, em Lisboa, vai ser palco para a exibição de um espectáculo de cante acompanhado ao piano. Participam o pianista Amilcar Vasques-Dias e os cantores Joaquim Soares e Pedro Calado. Eis o texto do convite para o espectáculo no CCB: "O cante alentejano – um modo de cantar – é originalmente música vocal a uma ou duas vozes, sem acompanhamento instrumental. Os seus intérpretes adoptam uma relação do tempo musical com a ornamentação da palavra-melodia, tendo em vista a expressividade que procura a emoção. Em CantePiano – Uma música contemporânea do Alentejo – projecto construído a partir de uma ideia do antropólogo Prof. José Rodrigues dos Santos, investigador do cante alentejano –, duas vozes de cantadores do Grupo Cantares de Évora, o ponto e o alto, são envolvidas por harmonias e timbres de fusão do piano – a “terceira voz”, qual berço original de vozes ancestrais. Amílcar Vasques-Dias, piano; Mestre Joaquim Soares, ponto; Pedro Calado, alto".

Quem parece não ter gostado desta apresentação foi o professor José Rodrigues dos Santos, que integrou o primeiro projecto musical em torno desta ideia, com Amilcar-Vasques Dias e Joaquim Soares (do Grupo Cantares de Évora e antigo presidente da MODA - Associação de Cante Alentejano) e que manifestou o seu desagrado no facebook. Rapidamente nasceu uma forte discussão, com  termos de grande agressividade, entre os três e um outro opinador (João Soares) que Rodrigues dos Santos confundiu com Joaquim Soares. É caso para dizer que "a discussão vai alta"...

José Rodrigues Dos Santos: - Não é exacto - e é desonesto - afirmar que "Cantepiano" "nasceu duma experiência musical de interpretação de modas do cancioneiro tradicional alentejano pelas vozes de dois notáveis cantores do grupo Cantares de Évora e pelo som dum piano próximo da improvisação livre", como se diz no texto do vídeo.  Dir-me-ão: inexacto? porquê e que importa? 
1. "Cantepiano" foi uma ideia minha (até o nome é da minha autoria) 
2. Trabalhámos quase quatro anos, o Amílcar e eu, antes de acontecer a forma "dois cantores tradicionais dos CdÉ". 
3. Foram centenas de horas a escolher o reportório (esse mesmo que aqui vem!), a trabalhá-lo em profundidade, tanto para as maneiras de cantar como para o próprio piano. A maior parte das peças FUI EU que as ensinei ao Amílcar, antes mesmo de colaborarmos com um desses cantores. E o estilo de interpretação É o MEU. 
3. Demos vários concertos em público (AVD, JRdS e JS), apresentando o nosso projecto comum, "Cantepiano", nomeadamente no auditório Mateus de Aranda (2 de Julho de 2009), na Culturgest em Braço de Prata (21 de maio de 2011), no Festival de Safira (25 de Junho de 2011), no Teatro Garcia de Resende (28 de Dezembro de 2011), e no Instituto Franco-Português nas "Journées d'Esthétique", (22 de Novembro de 2012). 
4. Porque é que "importa"? Porque o facto de fazer de contas que o "Cantepiano" surge agora do nada, nega o meu trabalho de ANOS, e literalmente apaga-me da foto: é um acto imoral, como faziam os estalinistas ao apagar progressivamente das fotos históricas aqueles que caíam em desgraça. 
5. Não é só "a partir duma ideia do Prof. Rodrigues dos Santos etc.", como escrevem na folha do CCB: não é só a "ideia": é um longo, difícil, trabalho, de CRIAÇÃO. Basta ouvir o que cantam estes cantores (bons, isso não está em causa), e COMO o cantam, para confirmar: é a maneira de cantar que eu criei, trabalhei, transmiti. Basta ouvir as mesmas peças pelo Grupo CdÉ antes do meu trabalho para se render à evidência. 
6. Num dado momento, há já bastante tempo atrás, EU tinha a ideia que devíamos encontrar uma segunda voz para me substituir (a fim de ultrapassar as minhas limitações enquanto intérprete. Pensava numa cantora; não foi possível. A solução agora encontrada não é a melhor (um dia explicarei porquê, sem desprimor para os dois cantores), mas não é má. 
7. NÃO ERA PRECISO APAGAR O MEU PAPEL DECISIVO (reivindico e prova-se com dezenas de gravações), para lançar uma variante do projecto. É um roubo intelectual, bem pior do que piratear um filme na net, tanto mais que NUNCA esteve em causa dinheiro: Que raio! Entre amigos? Ou "Amigos"? Só não entende quão dolorosa esta atitude e estes actos são para mim, quem não quer. JRdS 

Joaquim Soares:  Dr.José Rodrigues dos Santos é com alguma tristeza e desencanto que constacto a falta de HUMILDADE INTELECTUAL nas afirmações que acabo de ler . Não sou homem para alimentar polémicas , tal como é do vosso conhecimento . 

José Rodrigues Dos Santos: Se tem elementos factuais, ponto por ponto, conteste. Se não tem, admita. Que é o que é moralmente obrigado a fazer. 

Joaquim Soares: Estimado José Rodrigues Dos Santos não se trata de actos morais ou imorais, de elementos factuais ou de moralidades... O cante alentejano é um legado que até nós chegou (felizes de nós que perpetuamos uma identidade e uma cultura). O cante Piano é um sonho que nos acompanhou (Amílcar Vasques-Dias, José Rodrigues Dos Santos e Joaquim Soares) ao longo destes anos, nos quais abdicamos e sacrificamos o nosso quotidiano em prol deste sonho. Não se destroem sonhos alguns não se concretizam...e estou crente que é disto que se trata... Pois bem, o cante alentejano está na alma e é de lá que se canta, sem protagonismos, demagogias, sem esperar algo, oferecendo a alma a quem nos ouve... Este é o caminho que sempre percorri na vida e que tive a felicidade de reunir no grupo de Cantares de Évora e em todos os seus elementos, perpetuando não só o cancioneiro geral mas acima de tudo a cultura alentejana na sua plenitude, como é do seu conhecimento e gosto. Só com esta atitude foi e é possível passar do sonho á realidade, o Cante Piano e tanto outros projectos já realizados e ainda por realizar... O Grupo de Cantares de Évora e o Mestre Joaquim Soares terão sempre a porta aberta para receber todos aqueles que sentem na alma o Cante e a cultura alentejana, independentemente da sua origem e estatuto, só assim é possível existir futuro na cultura que tanto estimamos. Teremos muito gosto em receber o calor das suas palmas no próximo dia 27 de Fevereiro de 2013 no CCB sendo um claro sinal da concretização deste sonho... o sonho comanda a vida, a ambição desmedida destrói... 

Amílcar Vasques-Dias: "Presunção e água benta cada um toma a que quer"! Acho que o sr. Professor está a beber água demais... Mas o Professor José Rodrigues dos Santos tem razão... Só ele, ele... e ele é quem sabe, só ele sabe qual "a melhor solução", só ele é que é autor, ele é que ensinou, ele é que teve "ideias", ornamentou, improvisou, criou, e até parece que organizou concertos (excepto o da "Culturgest em Braço de Prata" que não sei onde raio fica...). Só não fala da qualidade das suas prestações vocais nos ditos concertos...! Só faltou dizer que ensinou o cante ao Joaquim Soares e a mim a tocar piano... "E o estilo de interpretação É o MEU"...! Mas o sr. Professor não se enxerga...!? Que arrogância pateta! Basta-me de chatos! 

José Rodrigues Dos Santos: Ao Joaquim Soares nunca nunca neguei sabedoria e qualidade e não será hoje que o faço. Disse muitas vezes em público e em privado que aprendi muito com ele, e mantenho. Isso não está em causa. Ao Amílcar Vasques-Dias, sempre reconheci nele um grande músico, defendi-o a ele e à sua música e reconheço o muito que com ele aprendi. Note-se que parece muito mais difícil para um como para o outro reconhecer que algo aprenderam comigo: nada, por isso desapareço sem deixar rasto! Ora para mim, reconhecer o que aprendi com um e com o outro não só não me custa nem me diminui, como é um tributo que pago (sempre paguei) com gosto, tanto a eles como aos outros mestres e cantadores do Cante. Não é nada disso que está em causa, repito. O que está em causa são factos e maneiras de se comportar. Nenhuma das afirmações que faço em sete pontos foi substancialmente desmentida. Pelo contrário, temos uma primeira confirmação, quando o Joaquim Soares escreve "O cante Piano é um sonho que nos acompanhou (Amílcar Vasques-Dias, José Rodrigues Dos Santos e Joaquim Soares) ao longo destes anos, nos quais abdicamos e sacrificamos o nosso quotidiano em prol deste sonho." Pois: NÃO "nasceu do encontro de 2 cantores dos cantares de Évora com o piano, etc.". Não: nasceu antes, e como JS diz. E até antes de eu ter ido convidar o Joaquim Soares para vir trabalhar connosco. Quanto ao que escreve o Amílcar VD, lamento a má fé que se exprime em vez de factos ou de desmentido de factos. Nunca disse que "só [ele] sabe qual "a melhor solução", só ele é que é autor, ele é que ensinou, ele é que teve "ideias", ornamentou, improvisou, criou": só? Só eu? onde é que eu disse isso? O que não admito é que de repente façam como se o meu contributo fosse NADA: pufff! Desaparecido! (Eliminado). Os pontos que assinalo merecem desmentido? Desmintam! O nome "CANTEPIANO" é meu, ou é água benta? Quem propôs em primeiro, há mais de quatro anos, ao Amílcar trabalhar sobre cante+piano, fui eu. Ah "o Sr. professor não se enxerga": algumas modas, o Amílcar conhecia, tinha já composto sobre elas, dirigido o CoroUE, é o caso do "Lírio roxo". Certo. O que eu disse foi que a "maior parte das modas do repertório de Cantepiano fui de facto eu que lhas ensinei. Agora sugerir que eu pretendo que lhe "ensinei a tocar piano", é o quê? Uma maldade, nada mais. Ele nunca tinha conhecido o Limoeiro, fui eu que lhe levei 5 ou 6 versões da "Romper da bela aurora", não conhecia (e já o reconheceu uma vez) "Terra sagrada do pão", etc. É certo que depois, o contributo do Joaquim Soares foi muito importante. Nunca o neguei. Quanto ao estilo de interpretação, basta comparar o "antes" e o "depois": os Cantares de Évora (grupo e pessoas que admiro e estimo, isso está fora de causa), não cantam assim (ou não cantavam assim). Lapso do culturgest "Braço de Prata": é verdade, não há culturgest nenhuma, mas ... Amílcar, e não houve Braço de Prata? O que vão as pessoas pensar? Por fim, diz o Amílcar, Amigo que sempre apoiei nos momentos mais difíceis, tem uma gentileza comovente: "Só não fala da qualidade das suas prestações vocais nos ditos concertos..." Não falo? Menciono expressamente que EU sugeri que encontrássemos outra voz PARA ME SUSBTITUIR, e sugeria uma cantora, Mas, como escrevi, isso não foi possível. Éramos NÓS que arranjávamos outra voz como eu disse: para suprir as minhas limitações enquanto intérprete": Não? Consciente das minhas limitações, o que não é o caso de todos. E o pontapé do burro passa ao lado, porque foi com base nas gravações de alguns desses concertos, de que as pessoas gostavam, que outros foram obtidos. Joaquim Soares, é profundamente errado dizer que "não se trata de actos morais ou imorais, de elementos factuais ou de moralidades...": porque é disso (e aliás apenas disso) que se trata: elementos factuais, e a moralidade dos actos de cada um de nós. E vocês portaram-se mal comigo. 

João Soares: Permita-me o testemunho de uma actuação do Cante Piano que ocorreu em Dezembro de 2011 no Teatro Garcia de Resende em Évora, que contou com a sua presença e do Grupo Cantares de Évora, na qual tive a oportunidade de ver e ouvir tudo o que retrata nestes comentários... devo confessar-lhe que ouvir a "sua forma de cantar" me levou aos sons da minha infância que tão bem conheço... porque quando fechava os olhos a imagem que me surgia era de uma ovelha a balir... a sua atitude perante o microfone que partilhou com um dos inúmeros grandes cantadores alentejanos foi assustadora e demonstrativa da falta de respeito que tem pelo cante e cultura alentejana. Não compreendo de todo as suas palavras e a forma maliciosa com que se manifesta no Facebook, sabotando tudo e todos aqueles que tentam contribuir para um Pais tão carente de cultura e de sapiência. Demonstrando uma intenção destrutiva na partilha direccionada que faz dos seus comentários mas que não é novidade para quem conhece um pouco da sua forma de actuar nos meandros culturais eborenses entre outros, apresenta-se como colaborador mas rapidamente quer ser o protagonista de um filme em que não tem contexto... Cante Piano, Associação Moda, Cante Alentejano - Património Cultural da UNESCO entre outros infelizes exemplos... É atroz a forma como se auto-intitula autor, pergunto-lhe do quê? Do "Lirio Roxo", "Romper da bela aurora"... só existe uma forma de cantar o cante alentejano, por favor não invente "cultura", é um legado que a todos nós perpetuar, recordando e homenageando os nossos ancestrais... esta procura cega de protagonismo fica-lhe muito mal... 

José Rodrigues Dos Santos: Acusar os outros daquilo que se faz aos outros... Falta de respeito? Quem leu o que escrevi julgará quem falta de respeito a quem. Encontra UM único insulto dirigido a si, ou desvalorização sua no que escrevi? Portou-se mal comigo. E continua. 

João Soares: Proponho-lhe que vá ensinar ao nosso Ministro Miguel Relvas a cantar a Grândola...será mais útil á sociedade... 

José Rodrigues Dos Santos: Para vocês só há espaço para o insulto... Candidatura do Cante: decidiu que eu tinha obrigatoriamente que concordar consigo. ai de quem discorda! Foi-me denunciar na Assembleia da República no meio de cinco pessoas que designou como verdadeiros malfeitores. Disse aos Deputados "E eu posso DITAR os nomes!" E vai daí enumera quem discordou de si. Tenho a gravação (disponível no sítio da AR). Uma denúncia pública, num lugar em que eu não podia responder, nem defender-me. Delatores: É disto que "este país precisa"? Portou-se mal. Associação Moda: não sou membro, nem de base nem sem ser de base, e não participei a nenhuma reunião de direcção ou conselho de administração (todo e qualquer membro poderá confirmar). Não tive nada que ver com o processo interno que levou à sua destituição da presidência da direcção. O que disseram as pessoas, soube-o depois: "O Joaquim Soares comportou-se como um tirano", "um autocrata" que exigia carta-branca e não prestava contas a ninguém. Não sei se assim foi, mas a Direcção julgou-o assim e destituiu-o. Portou-se mal. 
Cantepiano: eu trabalhava com o Amílcar desde a Primavera de 2008. No Outono, sugeri-lhe que convidássemos o Joaquim Soares. O Amílcar concordou, e eu convidei-o. Ainda tenho o email (Out. 2008) que escrevi para dar conta ao Amílcar do facto que o JS estava "encantado" com esse primeiro ensaio e queria continuar. E eu, encantado que tenha aceite. 
Assim, essa mentira que diz que Cantepiano" NASCEU DO ENCONTRO DE DOIS CANTORES dos Cantares de Évora com o piano do AVD", nada mais é do que uma mentira. Ao escrever isso e ao recusar corrigir, portou-se mal. 
Só tem uma palavra na boca "protagonismo": só o seu é que não o é... mas ai de quem não se apaga à sua frente. E se for preciso passar por cima dos outros, incluindo os que se consideram seus amigos, passa, e espezinha. 
O que escreve sobre o concerto do Teatro Garcia de Resende é miserável. No imediato disse-me que tinha gostado de cantarmos juntos: e agora vem com essa? Prefiro ouvir uma ovelha ou um rebanho a balir do que ouvir insultos gratuitos inspirados pela baixa maldade do "Gentil Senhor Soares", em quem acreditei durante muito tempo ter um amigo. Está portar-se muito mal. 

João Soares: Está a confundir a pessoa que envio estes comentários, não é o Sr. Joaquim Soares, veja com que está a falar primeiro e depois responda de forma adequada. 

João Soares: Não se trata de nenhum ataque pessoal pois tenho o prazer de nunca ter privado consigo, apenas fiquei indignado com o seus comentários. O que pretendem com esta campanha difamatória? Amizade não é certamente! Respeito muito menos! 

José Rodrigues Dos Santos: Sim devia ter verificado. Dirigia-me, como bem entendeu ao Joaquim Soares. Mesmas iniciais. Lamento o lapso. Não há nenhuma difamação. Refiro factos. Apenas. 

Joaquim Soares: José Rodrigues dos Santos, factos são factos, por isso sem reservas , transmiti em devido tempo à Comissão de Ciência e Cultura da Assembleia da República, sobre o Cante a Património , o que é do conhecimento geral ( relatos da Imprensa Regional escrita , dos quais alguns com a vossa assinatura) . Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele . Falar do que o senhor não conhece , é DIFAMAÇÃO ( não entro no diz que disse ... ) . Começo agora a perceber a envolvência e o rancor que lhe vai na alma. A cidade começa agora a conhecer quem na realidade o senhor é. Agradeço que me devolva, logo que possível, os livros que lhe emprestei sobre o CANTE .