sábado, 19 de janeiro de 2013

Uma crise longe do fim


Convém notar, que esta crise não é comparável com as duas anteriores, que citou. As anteriores foram crise conjunturais, resultantes de factores muito pontuais e facilmente ultrapassáveis. 
Os factos indicam que estamos na presença de terceira crise ESTRUTURAL do capitalismo. 
A primeira delas surgiu no século XIX, em 1872, e durou 26 anos. Muitos dos textos de Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão, Guerra Junqueiro, que são divulgados com alguma surpresa nas redes sociais da internet, por parecerem um retrato fiel dos nossos dias, são reflexo dessa crise. No mundo, as convulsões sociais, económicas e políticas foram bastante profundas, e confluíram na Primeira Guerra Mundial. Em Portugal, consolidou-se mesmo a ascensão de uma nova classe – a burguesia – ao poder, com a queda da monarquia e a implantação da República.
A segunda crise estrutural do capitalismo começou em 1929 e terminou em 1945, 16 anos depois. Parece-me desnecessário listar os efeitos dela, pois fazem parte do conhecimento ou da memória de muitos de nós. 
Esta terceira crise estrutural, iniciada há 5 anos nos EUA, está ainda no seu início e muito longe de chegar ao fim. Como em qualquer crise, a imprevisibilidade é grande e ninguém poderá prever onde irão acontecer as erupções, nem as suas consequências
O que temos como certo, é que ninguém sabe como ou quando se vai sair disto. Daí o “experimentalismo” e o “navegar à vista” que caracteriza as políticas que vão sendo implementadas em Portugal, na Europa, ou nos Estados Unidos.
Outra coisa que parece certa é que depois desta crise, o mundo estará arrumado de uma maneira completamente diferente. Só falta saber quem serão os vencidos, os vencedores, e as vítimas, claro. E também posso arriscar que quem ficar no seu canto, quietinho à espera que passe o vendaval, poderá ser vítima ou um vencido, mas nunca será um vencedor.

Anónimo
19 Janeiro, 2013 13:09

5 comentários:

  1. Lurdes bom post.
    Ainda bem com que foi posto em destaque. Temo no entanto que bem pouca gente vai ler, não fala do benfica, nem de telenovelas.
    E este um blog que alguma elite eborense lê, imagem o resto da populaça, dai termos os relvas, os passos, os varas que nos esbulham

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  2. "...Outra coisa que parece certa é que depois desta crise, o mundo estará arrumado de uma maneira completamente diferente…"

    Discordo.
    Seguindo a lógica do "post" sobre as crises estruturais do capitalismo, convenhamos que, tirando o imperialismo Comunista Russo e a China Maoísta, o mundo ficou arrumado mais ou menos da mesma maneira.
    Ainda que alguns países (em especial da Europa Ocidental e América do Sul) estivessem sob controlo de regimes opressores e fascistas, o facto é que o mundo continuou arrumado como sempre, onde o eixo Europa-EUA prevalece, e onde Portugal se tem situado sempre.

    “…Só falta saber quem serão os vencidos, os vencedores, e as vítimas, claro. E também posso arriscar que quem ficar no seu canto, quietinho à espera que passe o vendaval, poderá ser vítima ou um vencido, mas nunca será um vencedor…”

    Concordo.
    Temos é que tomar a decisão (Nós POVO)corajosa de escolher os aliados LIVREMENTE e DEMOCRATICAMENTE.
    Já agora, não vale com o "dedo no ar".

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  3. «tirando o imperialismo Comunista Russo e a China Maoísta, o mundo ficou arrumado mais ou menos da mesma maneira»

    Pois é, mas no "mais ou menos" podem encontra-se GRANDES diferenças.
    - A primeira delas encontra-se na deslocação do 'centro do mundo', da Europa (Inglaterra) para os EUA, que passou a comandar o Império.
    - A segunda, delas na afirmação do poder da Burguesia contra o poder da monarquia, dominante até à primeira grande crise (caso de Portugal, e de muitos mais países).
    - A terceira na afirmação dos direitos do Povo, até aí tratados como animais e uma mera mercadoria.

    Quanto aos 'conceitos' ideológicos que impregnam a tua observação, abstenho-me de os comentar, tão primários e despropositados são.

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  4. @13:55

    Vocês continuam com a cassete do Império??? Ao menos aqui cada cidadão pode votar.
    Este sim o maior despropósito da sua observação, que diga-se até está bastante razoável.

    A maior evolução da humanidade foi realmente a solidificação do estado Social durante o século XX, nomeadamente no Ocidente. Porque o Estado Social (e consequentemente a Social democracia) nasceu na República de WEIMAR.

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  5. Pois terão todos muita razão...
    As outras não foram estruturais, mas só porque não interessava aos poderes estrangeiros senão teríamos ido na mesma direcção de hoje, não esquecer que também por essa altura Espanha, Grécia e Itália estavam no mesmo estado que nós. Seguraram-nos mas não foi pelos nossos belos olhos, desiludam-se foi porque interessava ao Norte da Europa em especial à Alemanha que tinha estado ela própria a beira do abismo e era necessário que os tontos que compram audis, Plasmas e coisas sem interesse para la ENVIASSEM O SEU DINHEIRO. isto para não falar da questão de fundo da altura "era necessário destruir o aparelho produtivo" para eles exportarem mais e nós nos curvarmos perante o dono! Sim, não foi estrutural, mas sabe que mais para quem por elas passou doeu da mesma forma, a fome foi a mesma e as dificuldades custaram a passar!
    Depois das crises os centros do Império e das decisões mudou, não discuto.... mas depois de varias voltas o sistema voltou a ser o capitalismo desenfreado, em que quem muito quer mais quer e quem pouco tem, cada vez tem menos! Mas o sistema capitalista esta em risco, desengane-se que pensa que pode continuar a contar com a passividade dos milhos de desgraçados que vão trucidando todos os dias, a esperança é que nos faz aguentar, e povos empobrecidos (como estão todos os da Europa, ate a do Norte já entrou neste carrossel) que perdem a esperança não tem mais nada a perder e é ai que nascem as guerras as civis e as mundiais! Ai sim, concordo, depois disso nada ficara como antes.

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