quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

As golpadas do centralismo em tempo eleitoral (ou a miséria da vida partidária)


Os períodos eleitorais não me aquecem nem arrefecem. Até costumo brincar que, por estas alturas, "não estou com o período...". Mas são momentos óptimos para vermos como é que os partidos funcionam (pelo menos os mais cépticos) relativamente àquilo que está à vista de todos. Os partidos políticos são máquinas oleadas e lubrificadas com um único intuito: a conquista do poder. E se esse é o objectivo último do "colectivo partidário" também o é dos "colectivos individuais". E como a organização de todos os partidos políticos em Portugal está assente no centralismo, nuns mais "democrático" do que noutros, mas sempre com "o topo" a decidir a primeira e última palavra e as bases a terem que engolir toda a espécie de "sapos", estes momentos pré-eleitorais são verdadeiros tratados psico-politico-sociológicos, com jogos de bastidores e caneladas a torto e a direito, sempre "a bem do partido e no interesse da população", mas deliciosos para quem os observa de perto e com eles nada tem a ganhar ou a perder.
Centrando-nos no caso de Évora, depois dos anos em que Abílio Fernandes (PCP) "queimou" qualquer vereador do seu partido que lhe pudesse fazer sombra na eleição subsequente, aparecendo sempre como o candidato natural e sem concorrente à altura (até ao desastre final), veja-se o caso do PSD. Nas últimas legislativas depois do PSD distrital escolher António Dieb para deputado veio a direcção nacional do partido avocar para si o "direito de pernada" e impôs Pedro Lynce como candidato laranja ao Parlamento. Houve protestos, gente contra, mas foi a vontade do topo que prevaleceu.
No PS também tem havido desses dramas entre quem vai ou quem vem  e também não têm sido nada pequenos. Na distribuição de cargos e de candidaturas no PS nunca nada é pacífico e as punhaladas nas costas são constantes. Sabe-se, por exemplo, da corrida desenfreada de Rondão de Almeida para ser candidato a Évora (o PS distrital e nacional não quer) e também da justificação que obtive para que José Ernesto não abandone a Câmara, apesar de todas as estruturas do partido acharem que já é hora (enquanto se espera por Bravo Nico - ou será por Capoulas Santos?). Segundo me confidenciaram, José Ernesto, mantendo-se na Câmara e tendo influência nas estrutura do partido, nomeadamente através de Francisco Costa, tentaria por todos os meios que Fernanda Ramos - a sua arqui-inimiga política e antiga vereadora - pudesse ter alguma influência na escolha da lista.... (A fonte não a revelo, mas foi alguém ligado à estrutura directiva nacional). Será?
Também no PCP os golpes nas costas e de bastidores estão com cotação em alta. Eduardo Luciano, depois destes três anos e tal a gerir a oposição da CDU na autarquia e com quase todas as garantias (locais) de que seria nº 1 na lista à Câmara, já não o deverá ser, parecendo agora claro que a direcção do partido já optou (e não terá sido apenas agora) por ter como candidato Pinto Sá, ex-autarca de Montemor, "solto" devido a ter excedido o número de mandatos permitidos por lei. A decisão está agora a ser "explicada" aos militantes em inúmeras reuniões em que estes são levados a apoiarem o que, afinal, já estava decidido antes do "partido" ouvir a sua opinião, com a agravante de pensarem que foram eles, os militantes de base,  efectivamente, a decidirem se o candidato seria este ou aquele, num simulacro de "participação das bases" em cima da hora. O PCP (e em geral todos os partidos marxistas-leninistas) é exímio nesta farsa: as decisões são tomadas em "petit comité" e depois cria-se o ambiente favorável, através dos funcionários e do "diz que disse", para que a direcção leve favoravelmente a "água ao seu moinho". Na "criação dos ambientes" começam a surgir as criticas às atitudes, às formas de ser, e aos relacionamentos sociais dos "camaradas" em causa. Se estes reagirem publicamente e não aceitarem os "dictames" da direcção, começarão as acusações de carácter, de honestidade, do partido "uber alles", em que a dignidade individual nada conta e os fins justificam todos os meios. (Ou como dizia o velho comunista bejense João Honrado, na altura dos "reformadores": podem protestar à vontade, mas quem manda no partido somos nós, que temos a chave). Algo a que tenho assistido em muitos anos de observação da vida política, mas que me continua a causar espanto: como é possível aceitar-se tudo isto?
Como disse, estas são práticas generalizadas aos vários partidos. Nuns há mais pessoas com "a chave", noutras menos, mas vai dar tudo no mesmo.
(Já agora, no PS que espectáculo!: o Costa a bater no Seguro por meia dúzia de lugares. E é esta gente que quer gerir a vida de todos nós!?)

18 comentários:

  1. Não sendo do pcp,penso que o Prof.Pinto de Sá poderá servir melhor Èvora,esta hipotética guerra eduardo /pinto de sá não tem cabimento.A maioria dos Eborenses conhece melhor o trabalho de Pinto de Sá,a situação CAÒTICA da cãmara EXIGE uma EQUIPA com experi~emncia.

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  2. Falam do Norberto Patinho do PS para Évora...mas também se diz, que o Capoulas Santos assim que terminar a reforma da PAC (da qual vai sai condecorado) poderá estar na calha.

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  3. E não sendo "esta gente" quem é que o CJ propõe que seja? Tem na manga algum génio ou deus invisível?

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  4. O Sr. Carlos Júlio talvez se sinta representado no dia em que for ele o representante.

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  5. Gente nova e com ideias novas!

    Para o PCP podiam trazer a Odete santos.
    O PS traz o pai do serviço nacional de saude.
    o Bloco o Major Tomé.
    o PSD o Ti Ventura que escreve sobre a igreja e a familia no diário do sul.
    o CDS um fazendeiro reformado.

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  6. este texto de Carlos Julio muito bem recheado de intrigalhada, mostra bem ao nivel a que os jornalistas cá da praça procuram envenenar a opinião publica. Tenho pena e lamento a mediocridade deste jornalista, o despreso que mostra pelo seu povo, pelo sacrifico de tantos, para que ele viva e escreva em liberdade, ao atacar os Partidos como o faz está ele proprio a atacar a si e a democracia. Mas mais grave serve-se de meia duzia de conversas de amigos para fazer o texto contendo veneno por todos os poros. Fique descansado sr. Carlos Julio que cada Partido saberá elaborar a sua melhor estrategia para servir o povo e o concelho de Évora. Pelos vistos o senhor está contente com a vergonha que é hoje a cidade de Évora,com o roubo aos agentes culturais etc. Penso que o senhor não merece mais que estas palavras, gostava de o conhecer para cara a cara lhe poder dizer tudo o que sinto quando vejo textos como este que o senhor assina.

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  7. A questão central é de facto "o poder".
    Como deve ser distribuído ou mais exactamente partilhado? Como deve ser gerido o poder? e todos os processos relativos à coisa pública,ou os chamados processos políticos?
    Quem o deve fazer?
    Com que legitimidade? Conferida por quem? Por quanto tempo?
    E com que métodos, regras e instrumentos (ou seja como?)

    Por exemplo quem se especializa em gestão desses processos políticos deverá eternizar-se (dentro dos limites da vida humana) com o argumento que a cada ano que passa, ou mandato, é mais experiente, e que aporta à comunidade a que pertence mais qualidade?

    Compreendo que alguns meus concidadãos, e participantes neste blog, classifiquem estes perguntas de discurso teórico, intelectual,ou inútil.

    Mas estou convicta que enquanto não conhecermos melhor, e integrarmos mais o hábito de discussão - também em público sobre as coisas públicas -convista à melhoria e aprofundamento do sistema não teremos verdadeira e sólida capacidade de participar, e portanto de partilhar o poder.
    Porque não chega dizer que a culpa é do sistema, abaixo o sistema. É urgente melhorar o sistema. Porque nenhum outro sistema surgirá de um nada imaculado. A única possibilidade é melhorar o que existe.Com capacidade,preparação, tempo,educação, ...

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  8. Os Zelosos funcionários do partido demagógico já começaram a destilar veneno pela calada do anónimato.

    Desta vez o atacado foi o Carlos Julio.

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  9. Concordo com o Carlos Júlio.

    De uma maneira geral os partidos estão muito mais interessados em alimentar o seu próprio EGO, em ajustar contas com as correntes de oposição internas do que propriamente apresentar os que estão mais sensibilizados (e são conhecedores) com as questões locais, ou melhor preparados tecnicamente.

    As correntes vivem-se golpeando no interior dos partidos. Essa é que é essa.

    Rui M F


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  10. O CJ apontou o que julga serem defeitos ou vícios dos partidos. Esqueceu-se que os partidos não são colectividades de recreio. Eles existem e organizam-se para expressão de interesses e ideias, com um objectivo central: a conquista do poder.

    Esqueceu-se também de apresentar a sua alternativa aos partidos. E recordo que durante 48 anos vivemos num regime, oficialmente, sem partidos. E não me consta que fosse coisa boa.

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  11. O cretino (18:59) está a fazer horas extraordinárias.

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  12. 8 meses de um ato eleitoral, Évora não tem um candidato,o que significa que vai ser um qualquer caído do céu sem projecto credível e sem uma boa equipa pensada e trabalhada,parece mentira o ponto que a cidade chegou!

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  13. Não sei qual seria o objectivo do sr. Carlos Julio, homem vindo de Beja e a nossa cidade acolheu e contribuiu para a sua integração pois somos todos alentejanos. Contudo ao escrever este post, o sr. carlos Julio, começou por subverter uma questão central da democracia, o papel dos Partidos, que são organizações politicas com estatutos e regras de funcionamento, não ditadas de fora para dentro mas são decididas e aplicadas por aqueles que decidem fazer as suas opções ideolgicas e aderirem aos que lhe parecem identificarem-se mais com as suas opções.
    Depois Carlos Julio sentiu-se no direito de falar em nome de todos, mas mais grave mostrou uma falta de cultura democratica, pois apropriou-se de alguns elementos, uns recolhidos pela imprensa e outros sonegados sabe- se lá como para envenenar a opinião publica. Mas não se ficou por aí foi mais longe quis condicionar a livre escolha de cada um dos Partidos e tratou-os como se fossem um bando de malfeitores.
    Eu quero dizer ao sr. Carlos Julio que não sou filiado em partido nenhum, mas reconheço duas coisas, respeito todos os Partidos pois ele são importantes para manter a democracia e sou daqueles que penso que devem ser os Partidos a apresentarem os candidatos ás autarquias, para que nós lhe possamos pedir responsabilidades politicas, porque aquela coisa de movimentos é apenas para satisfazer o ego dos que andam em projectos pessoais e agarrados ao poder. SE discordar de mim peço-lhe sr. Carlos Julio que medite um pouco naquela vergonha que se passa lá pela sua cidade em torno de movimentos de desminta se aquilo não é so ambição e ansia de tacho. Prometo que não volto aqui porque isto é a negação da liberdade e da democracia.

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  14. A concelhia do PS de Grândola impugnou a reunião, de terça-feira, da Federação de Setúbal em que foi designado o candidato do partido àquele município nas autárquicas deste ano, defendendo que a decisão deve ser anulada.
    Concelhia não quer o candidato da distrital

    A Comissão Política Concelhia de Grândola considera que a Federação Distrital de Setúbal (FDS) “não tem legitimidade” para designar o candidato autárquico socialista, cabendo-lhe apenas a organização do processo de escolha, disse hoje à agência Lusa a presidente da estrutura local, Maria Edite Rodrigues.

    A dirigente afirmou que o anúncio da candidatura de Ricardo Campaniço, atual vice-presidente da Câmara Municipal de Grândola, feito pela FDS na quarta-feira, “não é válido”, uma vez que a impugnação, entregue à Comissão Política Distrital na reunião de terça-feira, “tem efeitos suspensivos”.

    “Enquanto estiver nas mãos da Comissão [Nacional] de Jurisdição, nada do que se passou na Comissão Política [Distrital] pode surtir efeitos”, explicou.

    Segundo Maria Edite Rodrigues, a “única candidatura legal é a de Aníbal Cordeiro”, antigo vice-presidente do município, designado pela concelhia numa reunião extraordinária na segunda-feira, esperando que a Comissão Nacional de Jurisdição do partido “dê razão” aos seus argumentos. (LUSA)

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  15. Gostava de agradecer aos comentaristas das 17,20; 18, 16 e 8:39 por me terem transformado na matéria principal do post e até me tratarem por Sr.. Fico sensibilizado e agradecido, mas terei que dizer que a matéria em questão no post não era essa. Nem sequer acabar com os partidos - que é coisa que de facto nunca pensei nem defendi (talvez ao contrário de alguns dos meus contraditores), tal como nunca defendi qualquer espécie de UNICIDADE fosse para que fosse, quer na politica, quer nos sindicatos, quer na vida. Gostaria ainda de acrescentar, relativamente ao comentarista das 8,39 que ao contrário do que lhe informaram eu não vim de Beja, nem sou de Beja. Mas, de qualquer modo, todos somos de toda a parte. Sendo assim também serei de Beja, como sou de Évora ou de Lisboa. E é uma pena os caros comentadores persistirem no anonimato senão poderíamos discutir tudo isto de viva voz, caso estivessem interessados. Assim, não vale a pena. E como diz alguém "então tchau...."

    CJ

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  16. Bom texto corajoso, que honra CJ e acincotons. Não resolve nada de imediato (basta ver o incomodo provocado) mas é EDUCATIVO e esperero que a médio prazo ajude a alterar mentalidades

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  17. Carlos Júlio
    Você que está "de fora" do PCP sabe lá por que razões o partido vai decidir por um ou por outro candidato!
    Remeta-se à sua situação de "outsider" de todos os partidos e não fale do que não sabe.E,sobretudo, não tome "partido" quando não tem que o fazer ; se quer ser parte de qualquer solução, então inscreva-se num partido e participe na tomada de decisões. Entretando, era melhor meter a viola no saco. Comentar, como jornalista, não é bem o que você faz.
    Imagine que eu ou qualquer outro "comentador" começava a desancar nessa sua inclinaçãozinha para achar muita graça aos grupos informais...Ora, eu acho que você tem todo o direito de o fazer. E confesso-lhe que não sou capaz (nem quero) de criticar os métodos desses grupos.E aceito que você ache graça a todos esses métodos.
    PL

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  18. Ó PL, já que sabes tanto, afinal quem é o candidato? É o Pinto Sá como o Carlos Júlio disse que era ou é o enconado do Luciano? È que só depois de se saber isso é que a gente pode decidir se o post é verdadeiro ou não e o que é que eles sabem da vida do teu partido, não te parece?

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