quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Esta sexta-feira, dia 1, documentário “A TROCA” + DEBATE na associação “é neste país”


“A TROCA” documenta um sistema de troca de produtos e serviços na Argentina durante a grande crise de início do século XX, quando a moeda deixou de valer coisa que se visse. Também na Grécia têm surgido sistemas deste género e, em Portugal, há experiências de troca em diversas localidades, nomeadamente em Évora.
Nesta sessão, marcada para esta sexta-feira, dia 1 de Fevereiro, na associação cultural “é neste país”, às 21,30, iremos passar o documentário (legendado em português por elementos do colectivo), seguindo-se um debate a várias vozes (relato da experiência na Argentina, partilha da experiência eborense da “Quinta da Troca” (Garraia) e outros projectos).
Entrada livre!

http://colectivolibertarioevora.wordpress.com
https://www.facebook.com/ColectivoLibertarioEvora

As golpadas do centralismo em tempo eleitoral (ou a miséria da vida partidária)


Os períodos eleitorais não me aquecem nem arrefecem. Até costumo brincar que, por estas alturas, "não estou com o período...". Mas são momentos óptimos para vermos como é que os partidos funcionam (pelo menos os mais cépticos) relativamente àquilo que está à vista de todos. Os partidos políticos são máquinas oleadas e lubrificadas com um único intuito: a conquista do poder. E se esse é o objectivo último do "colectivo partidário" também o é dos "colectivos individuais". E como a organização de todos os partidos políticos em Portugal está assente no centralismo, nuns mais "democrático" do que noutros, mas sempre com "o topo" a decidir a primeira e última palavra e as bases a terem que engolir toda a espécie de "sapos", estes momentos pré-eleitorais são verdadeiros tratados psico-politico-sociológicos, com jogos de bastidores e caneladas a torto e a direito, sempre "a bem do partido e no interesse da população", mas deliciosos para quem os observa de perto e com eles nada tem a ganhar ou a perder.
Centrando-nos no caso de Évora, depois dos anos em que Abílio Fernandes (PCP) "queimou" qualquer vereador do seu partido que lhe pudesse fazer sombra na eleição subsequente, aparecendo sempre como o candidato natural e sem concorrente à altura (até ao desastre final), veja-se o caso do PSD. Nas últimas legislativas depois do PSD distrital escolher António Dieb para deputado veio a direcção nacional do partido avocar para si o "direito de pernada" e impôs Pedro Lynce como candidato laranja ao Parlamento. Houve protestos, gente contra, mas foi a vontade do topo que prevaleceu.
No PS também tem havido desses dramas entre quem vai ou quem vem  e também não têm sido nada pequenos. Na distribuição de cargos e de candidaturas no PS nunca nada é pacífico e as punhaladas nas costas são constantes. Sabe-se, por exemplo, da corrida desenfreada de Rondão de Almeida para ser candidato a Évora (o PS distrital e nacional não quer) e também da justificação que obtive para que José Ernesto não abandone a Câmara, apesar de todas as estruturas do partido acharem que já é hora (enquanto se espera por Bravo Nico - ou será por Capoulas Santos?). Segundo me confidenciaram, José Ernesto, mantendo-se na Câmara e tendo influência nas estrutura do partido, nomeadamente através de Francisco Costa, tentaria por todos os meios que Fernanda Ramos - a sua arqui-inimiga política e antiga vereadora - pudesse ter alguma influência na escolha da lista.... (A fonte não a revelo, mas foi alguém ligado à estrutura directiva nacional). Será?
Também no PCP os golpes nas costas e de bastidores estão com cotação em alta. Eduardo Luciano, depois destes três anos e tal a gerir a oposição da CDU na autarquia e com quase todas as garantias (locais) de que seria nº 1 na lista à Câmara, já não o deverá ser, parecendo agora claro que a direcção do partido já optou (e não terá sido apenas agora) por ter como candidato Pinto Sá, ex-autarca de Montemor, "solto" devido a ter excedido o número de mandatos permitidos por lei. A decisão está agora a ser "explicada" aos militantes em inúmeras reuniões em que estes são levados a apoiarem o que, afinal, já estava decidido antes do "partido" ouvir a sua opinião, com a agravante de pensarem que foram eles, os militantes de base,  efectivamente, a decidirem se o candidato seria este ou aquele, num simulacro de "participação das bases" em cima da hora. O PCP (e em geral todos os partidos marxistas-leninistas) é exímio nesta farsa: as decisões são tomadas em "petit comité" e depois cria-se o ambiente favorável, através dos funcionários e do "diz que disse", para que a direcção leve favoravelmente a "água ao seu moinho". Na "criação dos ambientes" começam a surgir as criticas às atitudes, às formas de ser, e aos relacionamentos sociais dos "camaradas" em causa. Se estes reagirem publicamente e não aceitarem os "dictames" da direcção, começarão as acusações de carácter, de honestidade, do partido "uber alles", em que a dignidade individual nada conta e os fins justificam todos os meios. (Ou como dizia o velho comunista bejense João Honrado, na altura dos "reformadores": podem protestar à vontade, mas quem manda no partido somos nós, que temos a chave). Algo a que tenho assistido em muitos anos de observação da vida política, mas que me continua a causar espanto: como é possível aceitar-se tudo isto?
Como disse, estas são práticas generalizadas aos vários partidos. Nuns há mais pessoas com "a chave", noutras menos, mas vai dar tudo no mesmo.
(Já agora, no PS que espectáculo!: o Costa a bater no Seguro por meia dúzia de lugares. E é esta gente que quer gerir a vida de todos nós!?)

DA de amanhã


quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

II. Quem nos (vos) representa? Mandato ou carta-branca?




O mandato carta-branca
A relação entre representantes e representados nas democracias justamente chamadas “representativas” de tradição europeia assenta num tabu fundamental: a proibição dos mandatos vinculativos. Um mandato vinculativo é aquele em que os eleitores elegem um representante exigindo dele o compromisso de votar de certo modo em certas questões. As constituições determinam que os representantes eleitos devem poder votar “em consciência”, de modo autónomo. O julgamento da sua acção pelos eleitores só pode intervir no ciclo eleitoral seguinte (ex.: quatro anos depois nas eleições legislativas). A “representação” consiste portanto na alienação pelo cidadão do poder de decidir, a favor do eleito. Esta alienação é aqui assim chamada com toda a propriedade e é o fundamento da autonomia do Político (= da esfera política), em relação ao social. O efeito desta separação é óbvio: os chamados “programas políticos” são apenas declarações de intenção que, como qualquer promessa política, só vinculam os que nela acreditam. O seu não cumprimento encontra sempre (para além da legalidade, institucional, da não vinculação) a justificação das “circunstâncias”: há o imprevisto, há que adaptar os programas à realidade, etc.

Se este diagnóstico for correcto, quais as mudanças que se impõem para limitar, pelo menos, os seus graves inconvenientes?
a)     Os programas eleitorais devem conter um certo número de opções estruturantes e vinculativas, isto é, legalmente oponíveis aos eleitos. O número dessas opções deve ser muito limitado de modo a não dissolver o seu peso: num catálogo de 100 opções, falhar uma é faltar ao compromisso em 1%, o que torna inoperante um controlo. Se um certo senhor que ocupa o lugar de primeiro-ministro incluiu no seu programa e proclamou solenemente certas opções de fundo (por exemplo “não aumentarei os impostos”) vier a fazer o contrário, deve poder ser impugnado. O partido que o designou, impugnado em função do núcleo duro do seu programa, deve poder perder os seus eleitos e nova eleição antecipada ter lugar. Resumindo: o mandato político deve assumir o mais possível um carácter contratual. Havendo violação ou ruptura do contrato, mecanismos próprios (e teremos que examinar quais os que seria possível construir) devem permitir a denúncia do mesmo e a impugnação política dos eleitos.
b)      Se a eleição para a AR deixar de ser reservada a candidatos designados pelos partidos, o mandato contratualizado torna-se um contrato entre uma pessoa (individual) e os eleitores. Como o voto é (e deve continuar a ser) livre e secreto, o programa do candidato é um contrato com todos os eleitores e não só com aqueles que concordaram com o programa do candidato: o programa é um acto público, não um conluio privado.
c)    Nas autarquias podem ser eleitos cidadãos independentes. Embora muitos “independentes” sejam apenas pessoas indigitadas por partidos que preferem permanecer não na sombra, mas na penumbra porque a astúcia é em geral transparente, o facto é que a lei permite a eleição de pessoas que não pertencem a um partido. Nestes casos, o carácter contratual do mandato entre a pessoa eleita e (todos) os eleitores deveria ser cuidadosamente especificado (dotado dos instrumentos de controlo necessários). A impugnação por não cumprimento deve tornar-se relativamente acessível, salvaguardando os procedimentos que garantam a isenção dos processos.

Para ir fazendo a ligação com os posts precedentes (da DoresCorreia, do Carlos Júlio, da C. Sousa Pereira), nenhum destes mecanismos e dos seus efeitos pode ser reconduzido a uma questão ética (no céu das estrelas) ou de “crise de valores”, nem a considerações sobre a “condição humana” (no lodo dos nossos defeitos): são consequências perfeitamente expectáveis e largamente observáveis dum paradigma organizativo contingente: que não é nem único nem inevitável. E está hoje irremediavelmente esgotado em quase todas as democracias contemporâneas.

(A seguir: a escolha dos eleitos e suas consequências)

José Rodrigues dos Santos 
Évora, 30 de janeiro de 2013

Jogos do Lusitano este fim de semana


PAEL de Évora continua sem ser aprovado. Já foram os de Estremoz, Ferreira do Alentejo e Reguengos de Monsaraz


O Tribunal de Contas (TdC) revelou hoje ter aprovado, até terça-feira, 18 candidaturas de municípios ao Programa de Apoio à Economia Local (PAEL) e salientou que os prazos de análise estão a ser cumpridos, de acordo com a lei.
Sem o aval do TdC, os pouco mais de 80 municípios que já assinaram o contrato de adesão ao PAEL não podem receber as respetivas verbas, que devem servir para pagar as dívidas a curto prazo, essencialmente a fornecedores, através de uma linha de crédito com um valor global de mil milhões de euros.
Numa resposta a questões da agência Lusa, o TdC revelou que, até terça-feira, receberam este aval 18 municípios e que estão ainda em processo de fiscalização prévia outros 65 candidatos, correspondentes a um total de 83 municípios.
De acordo com o TdC, já foram aprovados os programas relativos aos municípios de Alcobaça, Almeirim, Chaves, Covilhã, Estremoz, Ferreira do Alentejo, Ílhavo, Montijo e Óbidos.
O tribunal aprovou também o apoio financeiro aos municípios de Penela, Póvoa do Varzim, Reguengos de Monsaraz, Ribeira de Pena, Rio Maior, Santo Tirso, Vagos, Valença e Valongo.
O TdC esclareceu ainda que "não houve até ao momento nenhum processo do PAEL recusado" e acrescentou que "a Lei tem sido escrupulosamente cumprida no que respeita aos prazos".
Esta tem sido uma crítica de autarcas, que esperavam receber com mais celeridade as verbas do programa.
Fonte do tribunal explicou que os processos apenas podem estar 30 dias em análise no TdC, mas esta contagem é suspensa quando os juízes sentirem necessidade de pedir mais esclarecimentos aos municípios.
As autarquias com um contrato ao abrigo do PAEL têm de respeitar um conjunto estrito de obrigações, estando previstas multas, por exemplo, no caso de existir um aumento do endividamento no período da execução do contrato. (LUSA)

visita às estações emocionais de uma geração


Charles Aznavour inagurou o espaço. E logo se lhe juntaram Georges Brassens, Jacques Brel e Leo Ferré. Sentiu-se então que as emoções, pertenças tão particulares de cada um, são simultaneamente património colectivo, comum aos que estavam ontem à noite noite naquela sala da Sociedade Harmonia e Eborense e de milhões de outros habitantes do resto do mundo. 
Depois da vibrante evocação da musica francesa, José Eliseu Pinto propôs um salto para o mundo anglo saxónico. E desfilaram aí nomes maiores, temas marcantes, notas revisitadas. Foram mais de duas horas de intensas memórias musicais cronologicamente situadas sensivelmente entre 1964 e 1974.  À música escolhida com critérios explicados a cada passo,  foi o convidado da Harmonia juntando comentários, histórias, testemunhos com vista para as realidades de Portugal e do mundo da altura. Sempre senhor de uma apurada sensibilidade.
Freddie Mercury e os Queen,  Xico Buarque, e  Pink Floid soaram nos últimos minutos de um programa estruturado, que sublinhou a confluência das mais pessoais e únicas vivências, com as de colectivos próximos e distantes. No final, as cerca de 40 pessoas presentes aplaudiram com entusiasmo. Um dos mais jovens presentes perguntou em voz alta: E tudo isto antes de eu nascer?  Sim, pode até ser... mas estes são patrimónios garantidos que nos acompanharão por muito mais caminho. Obrigada ZEP por esta colectânea.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A maldição da representação, ou os falsos dilemas da vida política


Textos recentes no acincotons e outros media (Dores CorreiaCarlos Júlio, C. Sousa Pereira) incitam-me a retomar a questão da representação política, ou, para ir directamente à questão, à perda total ou não, da representatividade dos políticos.
Primeiro falso dilema: a crise da representação política deve-se a uma “crise de valores” (J.-M. del Pozo); essa “crise” é ética, e contraria, ou destrói a “condição humana”. Criação humana, a representação política é “desnaturada”.
Segundo falso dilema: nos sistemas de representação política, como em todos os sistemas, são as pessoas que fazem a sua bondade ou maldade; ora, como há boas e más pessoas tanto na política como entre os cidadãos em geral, não faz sentido dizer que a representação é má, como não faz sentido afirmar que os representados é que (ou também) são maus.
Tanto uma análise (as altas esferas da ética) como a outra (as baixas tendências do cidadão em geral e do político em particular) falham o objecto. Uma, por dissolver a questão num sem-fim de considerações demasiado abstractas (tentando sustentar-se numa definição da “condição humana”), quando o problema é da ordem da organização e da prática social, e que é definitivamente impossível decidir se esta ou aquela forma de organização é “mais ética” ou “menos ética”. A segunda, por nos rebater o tema esgotado e sem saída da “má natureza humana” como fatalidade que impõe que as coisas sejam como são (más, corruptas, abusadoras do poder, etc.) e que nos deixam sem saída possível: enquanto a natureza humana continuar a ser o que é, nada a fazer. Tirar uns, para pôr outros, é puro engano, pior, auto-ilusão.
Esses dilemas fecham-nos num horizonte sem saída, porque falham o nível correcto da análise, que é o das formas de organização da vida política, que definem as relações que se estabelecem entre órgãos de decisão e população a quem essas decisões se aplicam, e entre os cidadãos que são designados para representarem os outros e a generalidade dos “representados”. Dou de barato (embora seja uma questão de considerável dificuldade) que nas sociedades contemporâneas de grande dimensão e complexidade alguma forma de representação terá que existir, porque existe um grande número de questões que tem que ser decidido a níveis sucessivos de abrangência e complexidade, não sendo possível que todos estejam fisicamente presentes em todos os níveis e para todas as questões.
Nas democracias parlamentares contemporâneas existem três núcleos organizativos essenciais do edifício político que determinam o afastamento entre representados e representantes.
O primeiro é o do modo de designação dos representantes; o segundo, o da definição do mandato e das condições do seu exercício; o terceiro, o das modalidades de controlo dos representantes pelos representados ou seja, da organização da responsabilização dos representantes perante os representados. Para não me alongar demasiado neste post, proponho-me abordar cada um destes problemas em três curtos posts sucessivamente: se o acincotons os quiser publicar. (acincotons: claro, ficamos à espera)

Nota bene:
Nenhuma destas questões elimina a necessidade de reflexão sobre a ética da vida política, nem sobre a qualidade das pessoas que são escolhidas em cada momento de eleições. Trata-se antes de focalizar a atenção sobre as consequências que tem, inevitavelmente, cada forma de organização (e há mais que uma para escolher) sobre a qualidade da relação dos cidadãos com a vida política, e com os políticos.

José Rodrigues dos Santos.
Évora, 29 de Janeiro de 2013. (via email)

Évora: exposição de fotos de António Carrapato, Paulo Nuno Silva e Manuel Ribeiro inaugurou hoje

(clique para ver melhor)

De facto não me representam



A vereadora da Câmara de Évora Cláudia Pereira aborda hoje numa crónica na Rádio Diana um tema (referindo-se ao mesmo filósofo catalão a que a Dores Correia já se referiu aqui no acincotons) cheio de actualidade que é o da representação politica.
Cada vez é mais frequente encontrarmos nas manifestações e no dia a dia pessoas que, referindo-se aos políticos, dizem claramente ”NÃO NOS REPRESENTAM”. Cláudia Pereira diz que não é bem assim. Os políticos afinal são como o povo que os elege: há de tudo.
Claro que há de tudo. Mas não é essa a questão e a vereadora confunde, porque lhe dá jeito - enquanto política, ainda que em início de carreira -, a qualidade dos políticos com o facto de muita gente (mesmo votando) considerar que eles NÃO OS REPRESENTAM. Não se trata de os políticos serem bons, maus ou assim-assim, como o são os jornalistas, os futebolistas, os carpinteiros ou os funcionários autárquicos. A questão é que a função de REPRESENTAÇÃO que os políticos desempenham está ferida de morte logo desde o início, a partir do momento em que os políticos desempenham a sua actividade como corpo separado (e especializado), sem um controlo efectivo das suas funções por parte de quem os elege, a não ser de quatro em quatro anos, (e nessa altura as máquinas partidárias, de poder e propaganda, fazem autênticas lavagens ao cérebro do cidadão comum que os impede de votar em plena liberdade e, muitas vezes, em plena consciência) e sem qualquer tipo de responsabilidade entre as promessas que fizeram e os actos que praticam na realidade.
Quando se diz dos políticos que eles NÃO NOS REPRESENTAM não se está dizer que este é pior do que aquele. Está-se a afirmar que a função do político põe em causa a noção da representatividade que alguns lhe julgam associada. O político é representante do seu partido e do seu grupo de interesses e a generalidade dos eleitores apenas lhe interessa como meio de permanecer no poder, poder esse que, na maior parte dos casos – basta ver a classe política, em geral -,  se transforma num fim último.
Cada vez é mais urgente – e com o incremento das novas tecnologias isso é possível – a alternativa de uma democracia mais próxima dos cidadãos, em rede, envolvendo directamente a sociedade, transparente, que substitua o velho conceito do político, candidato por nomeação partidária – sabe-se lá depois de que jogos de cintura -  que tudo julga saber e que, por ter tido mais 10, 500 ou 10 mil votos, se acha mandatado para impor a sua vontade ao conjunto da comunidade.
Quando Passos Coelhos é eleito prometendo que não vai haver aumentos de impostos nem cortes nos subsídios de férias e de Natal  NÃO PODE REPRESENTAR quem o elegeu (ou não), uma vez que partiu de premissas enganadoras. Quando Passos Coelho quer agora cortar 4 mil milhões de euros na despesa e António José Seguro diz que o PSD não está mandato para isso, é verdade. Mas isto não é muito diferente daquelas que foram as promessas eleitorais, por exemplo, do PS em Évora nas últimas autárquicas. Sem pretender ir mais longe recordo, no entanto, a maneira verdadeiramente assombrosa como esta Câmara tem tratado os agentes culturais e desportivos. Primeiro, não pagando os acordos livre e mutuamente assumidos (e que faziam parte do programa eleitoral); depois lançando a suspeita de que em outros tempos, na altura da CDU, haveria favorecimentos e que seria necessário um concurso público, transparente, com um júri que avaliasse cada uma das entidades candidatas a algum apoio. Os grupos candidataram-se e sujeitaram-se a esta avaliação durante dois anos consecutivos: nunca lhes foi pago um tostão! E este ano receberam a indicação de que teriam direito a algum apoio logístico apenas, mas unicamente se a Câmara o puder disponibilizar na altura.
Isto para já não falar do conjunto de outras promessas nunca concretizadas, diálogos inexistentes, enclausuramentos, como se a Câmara fosse um reduto que tivesse de ser defendido dos novos bárbaros – os cidadãos e a cidadania.
Que REPRESENTAÇÃO, afinal, é esta? Que TRANSPARÊNCIA é a de uma autarquia que deveria existir como entidade de diálogo, de consensos, gestora do espaço público e comum, e regra geral aparece como uma rede de interesses, onde muitos salários e influências se jogam e muito jogo de cintura é preciso fazer para se estar na linha de partida para se ser candidato nas eleições seguintes….
É este o ponto central: a classe política representa-se a si, aos seus partidos e aos seus interesses de grupo. A população em geral só tem interesse para os partidos e para a classe política porque, de alguma forma, nela reside ainda alguma capacidade eleitoral e de escolha. Mas tão mínima que se votar significasse, de facto, alterar alguma coisa substancial há muito que teriam proibido o voto.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Saberão o que é a guerra? Passaram pela Guerra Colonial?



Estas fotos foram tiradas pelo jornalista francês Patrick Chavel que acompanhou Jorge Jardim ao local do massacre acontecido em 16.12.1972 e foram publicadas em http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/wiriamu/

Luís Garcia
Belo texto. Retrata a realidade. e assinaste-lo. Agora meia-dúzia de hipócritas que nem o nome dão, vomitam barbaridades.
Saberão o que é a guerra?
Passaram pela Guerra colonial?
Na zona de Nabuamgongo, Angola, no Canacassala, Mata 28 de Maio, penso que em 1970/1971,um grupo de combate (pelotão) de comandos, comandados por um alferes, meu patrício, que também está a passar pelo estertor da morte (há um fulano que com algum gozo, gosta de dizer "cá se fazem, cá se pagam"), fez um massacre de alguns dezenas de pessoas (homens, mulheres e crianças).
Após esse massacre o meu pelotão, após alguns dias, subia na mesma zona um riacho de águas cristalinas.Não o acompanhava, pois outros afazeres, não me permitiram fazer aquela operação.
O pessoal começou a ter sede e de imediato se debruçaram sobre o riacho, onde se dessedentaram e encheram os cantis.
Continuando a marcha, começaram a sentir um cheiro nauseabundo de carne em putrefacção.Pensou-se nalgum animal morto...A marcha prosseguiu e o espanto aconteceu. Sobre o riacho, amontoavam-se corpos já em avançado estado de decomposição.
A água bebida vomitou-se, após os dedos introduzidos na boca, até ao fundo da garganta.
A zona em questão, que bem conheci, era uma zona de aldeamentos clandestinos, onde a população se refugiava, subnutrida e sem grande protecção de guerrilheiros, pois a FNLA que aí dominava, estava em profunda decadência.
Tal massacre teria sido desnecessário. Nós, a chamada tropa fandanga, só mesmo em ataque, atirávamos. Caso isso, não acontecesse, não havia ordem para atirar.
Palavras para quê? 
Para elogiar o Jaime Neves?

António Gomes

CENDREV REALIZA WORKSHOP SOBRE BONECOS DE SANTO ALEIXO


A área da formação é uma componente importante para aprofundar o conhecimento dos Bonecos de Santo Aleixo, bem como para permitir uma maior aproximação às técnicas de manipulação e elocução desta realidade artística com características muito singulares no panorama das marionetas tradicionais.
A organização deste Workshop integra-se na candidatura “Bonecos de Santo Aleixo – Um Património a Preservar”, que apresentámos à Comissão de Coordenação da Região do Alentejo – CCDRA, no âmbito do programa INALENTEJO que prevê também a organização da 13ª edição da Bienal Internacional de Marionetas de Évora-BIME e um conjunto de iniciativas em torno da marioneta que poderemos concretizar até final de 2014.
A realização desta acção de formação é dirigida ao público em geral e a profissionais e alunos das artes cénicas, prevê o envolvimento máximo de 20 participantes, terá a duração de 30 horas divididas por cinco semanas, ocupando a terça e quarta-feira das 18 às 21 horas, com início no dia 12 de Fevereiro e final no dia 13 de Março.
Os interessados deverão fazer a sua inscrição através de correio electrónico para geral@cendrev.com, manifestando o interesse e principal motivação para a sua participação e o envio de nota curricular até dia 8 de Fevereiro, às 18 horas. As inscrições serão sujeitas a selecção. A participação no workshop tem um custo de 30 euros.
Esta iniciativa é particularmente importante para o Cendrev na medida em que nos permite dar continuidade ao trabalho que vimos realizando com os Bonecos de Santo Aleixo, nomeadamente naquilo que poderá contribuir para o processo de preservação e valorização deste importante espólio do nosso património teatral, que é hoje também matéria de estudo em muitos lugares do mundo. (Nota de Imprensa)

Também a propósito da morte de Jaime Neves


CRIMES DE GUERRA

Passamos a vida a falar e ouvir falar da guerra. A guerra atravessa a nossa cultura como referência negativa, para uns, positiva para outros, mas sempre como fenómeno de integração social pela transferência e representação dos medos para a esfera dos mais fortes. Convivemos com a guerra diariamente, entra-nos pela casa em todos os serviços informativos associada aos mecanismos legitimadores de uma espécie de opinião única alinhada quase sempre com os vencedores. Os outros são os terroristas, são os radicais, são aqueles a quem se associa o caos. Assim percorrem o nosso horizonte bélico em chamas milhões de mortes nas guerras de uma vida, o Vietnam, a Coreia, a Somália, o Iraque, o Afeganistão, a Palestina, a Líbia, o Mali. Esqueci-me seguramente de muitas outras. A guerra em África, como todas as guerras de libertação do colonialismo, tem uma especificidade, foi contada pelos vencidos, ou melhor foi silenciada pelos vencidos. A construção da imagem de Jaime Neves associado ao 25 de Abril e à reposição da “democracia” no 25 de Novembro demonstra bem a forma como se silencia uma guerra. Jaime Neves comandante dos comandos em Tete nesse tempo, foi o responsável pelos massacres de Wiryamu, Chawola, Juwau e Inhaminga, denunciados pelos missionários Asturianos e relatados no local passados 30 anos por Antonino Melo o alferes operacional que comandou no terreno a operação. Jaime Neves era um criminoso de guerra e devia ter sido julgado pelos seus crimes. Mas foi recuperado como herói nacional pela sua participação na contra-revolução, o 25 de Novembro, que permitiu instaurar em Portugal o caminho de destruição das conquistas de Abril, que nos trouxe aqui, exactamente aqui, a este ponto de brutal retrocesso civilizacional que estamos a viver. O ajuste de contas com a história continua com o ataque ao Estado social e à Constituição. É claro que a propaganda oficial assenta na ideia de que eram os que “perderam” essa “guerra”, os comunistas, que queriam instaurar uma ditadura em Portugal, a história voltou a ser contada pelos vencedores. Os comunistas não perderam nenhuma guerra, o povo português sim perdeu, e continua a perder, nesta guerra que o grande capital trava contra os direitos adquiridos, contra o rendimento do trabalho, contra as funções sociais do Estado. Os representantes dos vencedores, os arautos do sistema, os defensores da estabilidade, os signatários do pacto de agressão, PS, PSD e CDS, obviamente enalteceram a figura do criminoso, já antes tinham conseguido silenciar os crimes. Os crimes continuam nesta guerra que não passa, o desemprego, a fome, a morte antecipada pela exclusão de cuidados de saúde, voltaram a Portugal pela mão dos mesmos de sempre. É claro que a resposta a este estado de guerra é a resistência à agressão é a defesa dos direitos conquistados, é a LUTA por um mundo sem exploradores nem explorados.

Luís Garcia (facebook)

O anonimato é sempre um acto de cobardia


Há três anos e tal que um grupo - umas vezes mais outras menos - de pessoas, todas elas perfeitamente identificadas e reconhecíveis, "alimenta" este blogue com notícias, opiniões, ligações, etc. Sempre dando a cara e afirmando as suas convicções. Sempre lutando pela liberdade de opinião e por isso não impondo qualquer controlo ou pré aprovação de comentários. E é um caminho para continuar.
Mas ainda hoje não me deixa de surpreender a pobreza e a cobardia do anonimato quando se trata de fazer acusações ou apontar delitos de opinião. Uma grande parte dos comentários publicados no acincotons continua a ser anónimo. Poder-se-ia dizer que continham denúncias ou relatos de situações que poderiam pôr os seus autores em dificuldades. Mas não: são comentários banalissimos apesar de muitos deles, pelo tom em que são feitos e pelo ódio que transmitem, denotarem problemas já do foro psicológico e características de má formação pessoal.
E esta é uma conclusão que se pode tirar das caixas de comentário deste blogue ou de outros do mesmo género (estou a pensar no MaisÉvora, embora aqui o(s) seu(s) autor(es) deêm o "flanco" uma vez que também não se identificam): muitos dos nossos concidadãos, gente por quem passamos na rua ou que está ao nosso lado na mesa do café, bons pais que vemos levarem os filhos à escola, o senhor António do talho do fim da rua ou mesmo o deputado municipal que fala dos "valores ameaçados" trazem dentro de si, escondida e clandestina, uma personagem cheia de ódio, de raiva e de ideias feitas que - embora sempre anonimamente - não evitam atirar sobre os outros quando se encontram sozinhos frente a um computador. Mascarados pelo anonimato desferem golpes a torto e a direito como qualquer aprendiz de torturador ou terrorista faccioso faria sem se importarem com os danos por si causados. 
Os vários comentários sobre o "comunismo" ou sobre o "estalinismo", desenquadrados, anónimos, sem qualquer preocupação histórica, até a mim, que sou profundamente não marxista-leninista-estalinista ou o que queiram, me fere a sensibilidade. Mas tudo seria suportável caso os autores de algumas destas prosas inqualificáveis e não suportadas por qualquer argumento assinassem por baixo e dessem a cara pelo que afirmam. É o que fazem as pessoas responsáveis. E cada vez mais o viver em sociedade terá que ser um acto de assumida responsabilidade individual, que não pode ser diluída no anonimato do grupo ou da turba ululante.
E a hipocrisia chega ao ponto de haver um anónimo que critica os outros por ... serem anónimos. Escreve alguém, a dado ponto, na caixa de comentários: "Anónimo disse... Como a comunalha gosta de funcionar. No anónimato e na clandestinidade. 28 Janeiro, 2013 10:19". 
Perceba-se: ele, anónimo, (e não pertencente à "comunalha", que pelos visto é o perigo mais iminente que nos ameaça o viver colectivo) admoesta, não se sabe quem, por ser anónimo... 
E vai ser com este povo, em que muitos ainda gostam de andar nas tocas do medo e do silêncio, sem ousarem assinar o que escrevem - da mais banal ideia até à acusação mais grave ao vizinho do lado -, que é preciso contar para alterar o estado de coisas. Lá que vai ser difícil também me parece: é o mesmo povo que suportou quase em silêncio - tirando algumas gestas heróicas - 48 anos de fascismo e que desde aí tem vivido como sempre viveu: de joelhos.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Évora: cada vez mais uma cidade em ruínas

A imagem para turista ver não corresponde à realidade da cidade

À atenção dos Eborenses e da CME
Na Travessa das Peras o esgoto abateu, gerando uma cratera de mais de um metro de fundo. Não está sinalizado sendo um perigo especialmente à noite.
Cada vez mais Évora é uma cidade em ruínas, casas desabitadas, pisos irregulares, esgotos de séculos que não foram recuperados, sendo um perigo constante.


Anónimo

27 Janeiro, 2013 14:00

sábado, 26 de janeiro de 2013

Évora: Casa da Zorra faz um ano. Parabéns!


Convite
Hoje, sábado, dia 26 de Janeiro.
É com muito prazer que deixamos aqui o convite para todos que nos quiserem fazer companhia neste dia de celebração. 
Às 18h inauguramos a exposição de cartazes e fotos + vídeo projecto da Casa da Zorra. Em simultâneo poderão ser vistas algumas das obras de artistas que nos brindaram com o seu trabalho e confiança durante o ano de 2012.
E como estas festas não se fazem sem amigos e sem música, teremos a participação de vários músicos que animaram as noites desta casa no último ano e que assim comemoram connosco este dia:
Às 18h30 Música Celta Medieval com Augusto Graça e amigos;
Das 19:30 às 20:30 Momentos de “As Angústias do Sr. Trinity” e alguns temas dos “Sons da Inquietação”;
Das 22h00 à 00h00, Pedro Pinto, Manuel Guerra, Nuno Páscoa e Álvaro Lancinha.
À 00:00 sopramos às velas do Bolo de Aniversário.
E das 00:30 até cair, DJ’s para dançar all night long ...
Para aconchegar o estômago, às 21h00 teremos Jantar (Para nos fazerem companhia à mesa façam marcação prévia através do 964 144 716 ou em: zorra.producoes.arte@gmail.com até quinta-feira dia 24) 
Esperamos por todos nesta que é uma data que esperamos repetir por muitos anos na vossa companhia!

A ENTRADA CLARO ESTÁ, É LIVRE! (aqui)

Armindo Monteiro eleito presidente do Conselho Geral da UE



Armindo Monteiro foi eleito presidente do Conselho Geral da Universidade de Évora, depois de já ter sido membro cooptado no mandato anterior do órgão.
Armindo Monteiro é licenciado em Gestão pela Universidade de Évora e é atualmente presidente do conselho de administração da COMPTA, empresa que atua no setor das tecnologias da informação e da comunicação. O novo presidente do Conselho Geral é ainda vice-presidente da Confederação da Indústria Portuguesa.
Enquanto jovem empresário foi um dos responsáveis pela implantação do núcleo de Évora da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), da qual acabaria por ser presidente durante seis anos.(Informação da UE)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Évora: este sábado na "é neste país"



26 de Janeiro de 2013, pelas 11.30h

Com quantos pontos se conta um conto?


Rui Arimateia

Amanhã freguesias manifestam-se em Évora

Manifestação contra a agregação/extinção de freguesias convocada pela Delegação Distrital de Évora da Associação Nacional de Freguesias. O desfile tem âmbito distrital e pretende incluir todas as freguesias do distrito, com os seus estandartes, eleitos, população e movimento associativo. Assim, clubes, associações de jovens, de idosos, de utentes, ranchos folclóricos e grupos corais alentejanos, entre outros, vão participar nesta manifestação que terá lugar já amanhã, sábado, com concentração no Rossio de São Brás às 13,30 h e desfile até à Praça do Giraldo.

RTP: "dolorosa reestruturação"


Miguel Relvas veio anunciar na RTP... a "dolorosa" reestruturação da empresa e o adiamento da "privatização". Revelou que existem 42 milhões de euros para este plano, que será anunciado pela administração "dentro de dias". Disse também que a RTP gastou em 2012, 540 milhões de euros. O "Diário Económico" revela que o plano prevê o despedimento de mais de 600 trabalhadores nos próximos dois anos. Metade será no Porto. Onde Relvas põe a mão tudo se torna "doloroso". Menos quando se trata de "equivalências" próprias... aí tudo são facilidades. Ou como o próprio Relvas disse: é tudo uma questão de visto e ouvisto.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Queremos ou não ter políticas e políticos?

foto daqui
A descredibilização da política é uma das várias consequências preocupantes da crise que estamos a viver. Entre os valores fortemente desvalorizados por esta crise de origem económica e financeira, estão o valor do trabalho, o da prestação de serviços essenciais a todos por parte do Estado,mas  também a política, na sua generalidade, está a ser debilitada.
Esta foi uma das ideias defendidas por Joan Manuel del Pozo, hoje em Lisboa numa conferência intitulada "As cidades Educadoras em tempo de crise" em que a Câmara de Évora esteve representada.
"A política foi colonizada por técnicos de uma comunicação esvaziada de valores". Esta comunicação supostamente asséptica, alegadamente não ideológica, pretensamente imune e imunizadora, revela-se como componente significativa da crise que na base é, segundo aquele professor de Filosofia, uma crise de valores.
E porque ética parece a muitos algo de distante ou fastidioso, Pozo esclareceu que a ética nasce da necessidade que os humanos têm de viver de acordo com a sua condição humana. Essa condição humana é social e cooperativa. E a emergência brutal dos valores do individualismo e da competição, causas e consequências desta crise, questionam e põem a em causa a mesma condição humana. 

DA de amanhã


Zorrinho não se compromete

Confirmado que está como candidato do PS à Assembleia Municipal de Montemor, Carlos Zorrinho não está para se meter em trabalhos quanto ao próximo congresso dos socialistas e garante não ter opinião... pública.
Com o crescente número de vozes socialistas a pronunciarem-se a favor de um congresso antes das eleições autárquicas, o líder parlamentar do PS, disse hoje que, como presidente da bancada, não tem que ter opinião sobre a marcação do congresso do partido e que como dirigente se pronunciará "nos órgãos próprios".
Citado pela Lusa, Zorrinho diz que "o líder parlamentar do PS, sobre esse assunto, não tem nenhuma opinião, nem tem que ter. O dirigente do PS Carlos Zorrinho, nos órgãos próprios, pronunciar-se-á", respondeu o socialista no final da reunião do grupo parlamentar, depois de insistentemente questionado pelos jornalistas.

Rondão de Almeida quer ser autarca até aos 80

No seu estilo frontal e peculiar Rondão de Almeida disse em entrevista à TSF que não está disposto a ir para casa e deixar-se "envelhecer sem qualidade", quer continuar a ser autarca e garante já ter tido convites de "concelhos vizinhos" a Elvas para se submeter a sufrágio.
Aos 70 anos, Rondão de Almeida sai de Elvas ao fim de quase 20 anos de mandato, impedido de se recandidatar devido à lei que restringe os mandatos autárquicos, mas garante sentir-se em forma estando preparado para ser autarca "até aos 80".
Sabe-se que o PS não vai apoiar qualquer candidatura de autarcas que tenham atingido o limite de mandatos, pelo que Rondão de Almeida - que nessa matéria tinha dito na semana passada à RTP que "o PS é mais papista que o Papa" - admite deixar o partido, possivelmente avançando com uma candidatura independente.
Rondão de Almeida sai em alta do município de Elvas. Acaba de reforçar a acção social da uma autarquia fortemente mediatizada nas últimas semanas devido à entrega de jantares às crianças das escolas do concelho. Além disso, sai da câmara com obra feita afirmando veementemente não ter a autarquia quaisquer dívidas.
Rondão está pronto para continuar como autarca. Só não se sabe qual será o município "vizinho" de Elvas.

Juventude: calendário de jogos para este fim de semana

Ciclo de Teatro na Universidade de Évora termina no sábado

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Pelo menos é alguém com iniciativa e prática. Nenhum partido o convida para as listas?


Então e aquele jovem boy que meteu a mão nas facturas de água também não é um talento merecedor de uma nova oportunidade?
A propósito qual foi o resultado da auditoria às contas da água. Já chegaram a alguma conclusão sobre o montante 'desviado' pelo talentoso jovem?

Anónimo
23 Janeiro, 2013 22:31

Balanço de três mandatos


Como é que o PS conseguiu, em 12 anos, não fazer OBRA, não deixar PATRIMÓNIO, e, ainda assim, deixar uma dívida TRÊS vezes maior?
José Ernesto em 2001, 2005 e 2009. Évora vai ter:
- Complexo novo de piscinas
- Complexo Desportivo, com pista de tartan
- Pavilhão de Congressos
- Parque de Feiras
- Salão Central remodelado
Biblioteca
- Arquivo Distrital
- Circular
- Várias Ecopistas
- Recuperação do Património
- Remodelação do jardim
- Avenida da comenda ao Santo António
- Requalificação das redes de água e das calçadas do centro histórico
- e muito mais....

12 anos depois o que tem para apresentar?
Nada. 
Vendeu as instalações municipais e todos os terrenos que a câmara possuía. Não adquiriu património que se visse e instalou os serviços em pavilhões alugados aos “amigalhaços”…
Só não se percebe como é que não fazendo OBRA nem deixando PATRIMÓNIO, a dívida TRIPLICOU?
Para onde foi o dinheiro?

Anónimo
23 Janeiro, 2013 17:15

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Alcácer do Sal: queira o PS ou não, Paredes recandidata-se


O presidente da Câmara Municipal de Alcácer do Sal, Pedro Paredes, eleito pelo PS, anunciou hoje que se recandidata ao cargo nas eleições autárquicas deste ano, “com ou sem o apoio” da concelhia socialista.
“Eu vou ser candidato. Se vou ser ou não candidato outra vez do PS, que me apoiou nos dois mandatos anteriores, isso depende da concelhia”, disse à agência Lusa Pedro Paredes, de 59 anos e arquiteto de profissão.
O autarca está a cumprir o seu segundo mandato à frente dos destinos do município de Alcácer do Sal, desta vez já como militante do PS, pois, na primeira vez que se candidatou e ganhou a câmara, foi eleito nas listas socialistas, mas como independente.
Agora, para as eleições autárquicas deste ano, às quais pode concorrer a um terceiro e último mandato àquele concelho alentejano, Pedro Paredes ainda não sabe se vai ou não ter o apoio do PS.
Mas, para Pedro Paredes, a sua candidatura à “corrida” eleitoral autárquica está decidida.
“Porque é que tomo esta posição radical de ‘vou com eles ou sem eles’? Porque, como sempre acontece, em todos os partidos, às vezes as estruturas concelhias têm uma visão um bocadinho mesquinha, de alguma forma pouco de serviço público, nestas coisas da escolha dos candidatos”.

Carlos Zorrinho candidato pelo PS à Assembleia Municipal de Montemor-o-Novo


O líder parlamentar do PS, Carlos Zorrinho, vai encabeçar a lista do partido à Assembleia Municipal de Montemor-o-Novo (CDU) nas eleições autárquicas deste ano, revelou hoje o próprio à agência Lusa.
Carlos Zorrinho, de 53 anos, disse ter aceitado o convite da concelhia do PS por ter "uma ligação muito forte" ao concelho de Montemor-o-Novo, no distrito de Évora, apesar de ter nascido em Óbidos.
"Vivo em Évora, mas a minha família, quer o meu pai, quer a minha mãe, é do concelho de Montemor-o-Novo", adiantou o deputado socialista, recordando os tempos em que estudou e jogou futebol na localidade de Santiago do Escoural (Montemor-o-Novo).
Para encabeçar a lista do PS à Câmara de Montemor-o-Novo, liderada pela CDU, a concelhia socialista escolheu o técnico oficial de contas Olímpio Galvão, de 40 anos.
Licenciado em economia pela Universidade de Évora, o candidato, natural de Montemor-o-Novo, é presidente da Sociedade Carlista e músico da banda filarmónica da coletividade, além de integrar outras associações do concelho.
Carlos Zorrinho, que já liderou em várias eleições as listas do PS à Assembleia Municipal de Évora, volta a concorrer nas autárquicas, desta vez em Montemor-o-Novo, para ajudar Olímpio Galvão a "ganhar a câmara" à CDU.
"Olímpio Galvão foi meu aluno. Tenho uma grande admiração pelo seu percurso político, mas sobretudo como cidadão. Estarei a ajudá-lo para ganhar a câmara", afirmou.
A Câmara de Montemor-o-Novo é liderada por Hortênsia Menino (CDU), que assumiu a presidência do município, no final do ano passado, depois de o histórico autarca comunista Carlos Pinto de Sá ter deixado o lugar por estar impedido de se recandidatar, devido à lei de limitação de mandatos.
O executivo da Câmara de Montemor-o-Novo é composto por quatro eleitos da CDU, dois do PS e um do PSD.
No distrito de Évora, o PS lidera sete câmaras, a CDU quatro e as autarquias de Estremoz, Redondo e Alandroal são geridas por independentes. (LUSA)

Lusitano: calendário de jogos para este fim de semana


Vida?

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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Temos produtos preciosos


Precioso, magnífico, ou mesmo sumptuoso pode ser o Alentejo. Depende do foco.
Quando a recessão, a depressão, e a falta de ânimo grassam e nos invadem, há que focar o que de melhor temos.
Por estes mesmos dias, ali em Beja, dei-me conta do filão dos líquidos preciosos... apreciei o à vontade de quem os conhece, os produz e comercializa; congratulei-me com a indisfarçada esperança, ou o contido desvelo, só comparável ao que projectamos para os filhos.
Água, azeite e vinho são os líquidos preciosos do Alentejo. Líquidos esta região está a saber gerar, cuidar, e oferecer com a mestria de poucos. Por isso, água, azeite e vinho, fluem já no largo onde se se faz a grande feira do Alentejo: A OVIBEJA 2013, a cumprir 30 anos... São líquidos preciosos, senhores! Fiquem atentos.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Mau tempo em Évora



(fotos Carlos Neves)

Foi neste estado que ficou hoje o muro de proteção ao Estádio Sanches de Miranda depois das fortes rajadas de vento que se abateram sobre a Cidade de Évora. (AQUI)

Também no Jardim Público


                                                                  (foto Carlos Neves)
No cemitério

  (foto Carlos Neves)
No aeródromo

  (foto Carlos Neves)

Uma crise longe do fim


Convém notar, que esta crise não é comparável com as duas anteriores, que citou. As anteriores foram crise conjunturais, resultantes de factores muito pontuais e facilmente ultrapassáveis. 
Os factos indicam que estamos na presença de terceira crise ESTRUTURAL do capitalismo. 
A primeira delas surgiu no século XIX, em 1872, e durou 26 anos. Muitos dos textos de Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão, Guerra Junqueiro, que são divulgados com alguma surpresa nas redes sociais da internet, por parecerem um retrato fiel dos nossos dias, são reflexo dessa crise. No mundo, as convulsões sociais, económicas e políticas foram bastante profundas, e confluíram na Primeira Guerra Mundial. Em Portugal, consolidou-se mesmo a ascensão de uma nova classe – a burguesia – ao poder, com a queda da monarquia e a implantação da República.
A segunda crise estrutural do capitalismo começou em 1929 e terminou em 1945, 16 anos depois. Parece-me desnecessário listar os efeitos dela, pois fazem parte do conhecimento ou da memória de muitos de nós. 
Esta terceira crise estrutural, iniciada há 5 anos nos EUA, está ainda no seu início e muito longe de chegar ao fim. Como em qualquer crise, a imprevisibilidade é grande e ninguém poderá prever onde irão acontecer as erupções, nem as suas consequências
O que temos como certo, é que ninguém sabe como ou quando se vai sair disto. Daí o “experimentalismo” e o “navegar à vista” que caracteriza as políticas que vão sendo implementadas em Portugal, na Europa, ou nos Estados Unidos.
Outra coisa que parece certa é que depois desta crise, o mundo estará arrumado de uma maneira completamente diferente. Só falta saber quem serão os vencidos, os vencedores, e as vítimas, claro. E também posso arriscar que quem ficar no seu canto, quietinho à espera que passe o vendaval, poderá ser vítima ou um vencido, mas nunca será um vencedor.

Anónimo
19 Janeiro, 2013 13:09

"Morreste-me" estreia hoje em Estremoz

"Morreste-me", a primeira obra do escritor José Luís Peixoto, foi adaptada para teatro, num monólogo, com interpretação de Sandra Barata Belo, que vai estrear no sábado, no Teatro Bernardim Ribeiro, em Estremoz.
A estreia nacional da peça está marcada para as 21:30, na sala da cidade alentejana, sendo a primeira encenação de "Morreste-me", curta obra que José Luís Peixoto escreveu em 1996 e 1997, a propósito da morte do pai, mas também sobre a família e o Alentejo.
O espetáculo, que vai ter outra sessão, no domingo, às 16:00, no teatro de Estremoz, estará em cena de 24 de janeiro a 03 de fevereiro, no Teatro do Bairro, em Lisboa.
O texto foi adaptado para um monólogo no feminino, pelas atrizes Cátia Ribeiro e Sandra Barata Belo, ambas responsáveis também pela encenação.
Em palco estará apenas a atriz Sandra Barata Belo a interpretar o papel de uma filha que regressa a casa, no Alentejo, onde viveu com a família, depois da morte do pai.
A música original é de António Zambujo, com arranjos de Manu Figueiredo, e o cenário de Rui Francisco.
Sandra Barata Belo ficou conhecida sobretudo no cinema, ao interpretar o papel de Amália Rodrigues, mas decidiu criar uma produtora - Beladona - para avançar com todos os projetos que diz ter na cabeça. (LUSA)

Este sábado na "é neste país"


19 de Janeiro de 2013, pelas 11.30h

Com quantos pontos se conta um conto?


Rosa Balsa


sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Dizem


Com a dívida mais elevada de sempre, a maior taxa de desemprego desde os tempos do Viriato, uma recessão prevista de 1.9% segundo as contas do Banco de Portugal. com a emigração a aumentar 85% no último ano.
Com erros e erros nas contas e mistificações mais ou menos canhestras, vem agora o governo afirmar que o défice se vai ficar pelos 5% ou talvez menos.
Seria de supor que apenas os humoristas pegassem nesta afirmação como tema de trabalho.
Mas não!
A comunicação social do costume navega a onda e faz o jeitinho- remunerado por certo- ao bando de idiotas que nos governa, para ver se conseguem com esta putativa grande vitória, convencerem os idiotas que ainda acreditam nas "inevitabilidades" que tudo está bem.
Vem-me à memória, um mentiroso compulsivo lá de Almeirim, que tinha por alcunha o "Dizem". O homem contava as histórias mais mirabolantes, com um ar sério e entendido e, quando era questionado acerca da veracidade das ditas, retorquia com um veemente, dizem! Se mesmo assim o interlocutor o punha em causa e lhe perguntava - Dizem? Quem? - ele punha um ar ofendido e repetia o dizem, enquanto se virava para a mulher e disparava - Dizem sim, é verdade! A minha Deodata que me desminta! é ou não verdade Deodata? E a pobre mulher lá acenava afirmativamente com a cabeça, antes de seguirem o seu caminho.
Acho mesmo que há uma agência de comunicação com o nome dela.
Dizem...

"Cozendo o pão, Costurando a vida" apresentado este sábado em Colos



Este sábado, dia 19 de Janeiro, terá lugar, no Casão da Junta de Freguesia de Colos, pelas 15 horas, o lançamento do 2º livro de Maria Vitória Afonso.

O lançamento e apresentação em Colos, terra da autora, tem o apoio da Junta de Freguesia e terá uma pequena festa onde predominará a cultura alentejana.
Estarão presentes várias individualidades, entre as quais Eduardo Raposo, prefaciador do livro e destacado dirigente do CEDA (Centro de  Estudos Documentais do Alentejo), para além de Francisco Naia que actuará com canções do seu vasto e variado repertório.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Sonho? Pesadelo?


Tenho de pôr comida na mesa para os meus filhos. Tenho que lhes garantir saúde, educação, segurança.
Por mim, se não comer, ou se comer mal, paciência. Se não conseguir ir ao médico quando estou doente, paciência. Se as minhas qualificações não se enquadram no mercado de trabalho, é a vida.
Aguento-me de uma forma ou de outra e, se estiver de mal comigo e com o mundo posso sempre expressar a minha revolta, superar o medo, agir em conformidade com a minha maneira de ser e arcar com as consequências. Sou um adulto com história por trás, com caminho feito, com opções tomadas que me trouxeram ao lugar em que me encontro.
Apesar de tudo, quando foi o 25 de Abril, eu tive esperança, tive mesmo fé, que conseguíssemos todos juntos, apesar das nossas diferenças, construir um país novo, mais solidário, em que cada um fosse olhado por todos como um ser individual, único, com qualidades e defeitos. Convenci-me que todos veriam as suas qualidades aproveitadas e que elas lhe garantiriam uma existência digna. Convenci-me que todos teriam oportunidades reais de se afirmarem, de mudarem, de se sentirem parte de um colectivo que os respeitasse, que os integrasse, que não os usasse apenas como mão de obra, como peças descartáveis de uma engrenagem que serve apenas alguns.
Acreditei que finalmente as escolas seriam para todos, que seriam uma janela aberta para a realização, para a criação de mais e melhor, para a afirmação da liberdade, porque o conhecimento e o medo nunca partilham o mesmo lugar.
Sonhei com uma saúde humanizada, em que não fossem necessárias as irmãs de caridade, os hospitais das Misericórdias, em que o Dr João Semana pudesse por fim dar repouso à sua velha mula e gozar de uma merecida reforma. Porque na minha ingenuidade, julguei que por fim, as pessoas poderiam retirar-se da vida activa com uma compensação que lhes permitisse encarar com dignidade o resto dos seus dias.
Quando foi o 25 de Abril festejei, se calhar cedo demais, o fim da emigração, meti na cabeça que este país é Mátria e Pátria que a todos alberga. Até pensei, vejam bem, que os privilégios iriam acabar, que nem o nascimento, nem o género, nem a cor da pele, nem a conta bancária determinassem que uns fossem gente e os outros gentalha.
Manifestei nas ruas o meu contentamento pela possibilidade de escolher os dirigentes através do voto, pela democratização do território através do poder local, pelo fim da polícia política e das agressões e das prisões de pensamento.
Enganei-me! Pelos vistos isso não era nada importante e agora que sei que os meus pais me deram muito mais do que eu poderei dar aos meus filhos. Agora que sei que existem crianças que vão para a escola com fome. Que há hospitais públicos que negam medicamentos aos pacientes. Que há idosos a viver na miséria das pensões miseráveis e da solidão. Que a polícia está de novo na rua. Agora que sei que os privilégios de alguns, não só não acabaram, como recrudescerem grotescamente. Agora que vejo as intermináveis filas cinzentas do desemprego, fico na dúvida.
Será que vivo um pesadelo, ou afinal o 25 de Abril foi apenas um sonho que nunca aconteceu?

DA de amanhã