sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Sociedade asfixiada


Os números hoje divulgados sobre o desemprego, já a rondarem os 16 por cento, mostram à saciedade que as soluções encontradas por este governo e pela troika não resolvem qualquer dos problemas com que a sociedade portuguesa se defronta. Mês após mês a economia decai e as perspectivas relativamente ao emprego, à saúde, à cultura e ao bem estar vão também tendo indicadores cada vez menos satisfatórios. O partido único PS/PSD (com o seu grilo falante CDS) levaram Portugal à bancarrota e cada vez menos parecem ser capaz de tirar o país deste estado de aflição. Têm demonstrado à tripa forra a sua incompetência, mesmo no quadro e nos horizontes da sociedade capitalista em que se movimentam. Atiram as culpas uns aos outros apenas para - um de cada vez e mesmo às vezes os dois - se irem perpetuando no poder.
O PCP também já demonstrou não ser alternativa a nada. Sucumbe entre fraseologia pseudo-radical ("pacto de agressão") e o mais puro conformismo, preocupado em manter os seus - cada vez mais escassos- bastiões e enredado em jogos de poder pessoal e de grupo. O PCP nunca fez uma autocrítica séria do seu apoio e da sua incorporação no modelo dos regimes autoritários de leste e terceiro-mundistas - que foram apenas uma versão do autoritarismo que, no século XX, varreu a Europa e o mundo e que instaurou regimes tão díspares, mas ao mesmo tempo tão parecidos, como os da Alemanha nazi, a Itália fascista, a Espanha e Portugal de Franco e  Salazar, mas também a União Soviética estalinista, a China de Mao ou Cuba de Fidel. Arcaico, desactualizado dos tempos que correm, o PCP tenta manter os dedos, depois de já ter perdido as "jóias". Como se diz, faz pela vida. E pouco mais.
Do Bloco de Esquerda pouco há a dizer. Mistura de muitos caminhos e de diversas gentes, que desde o 25 de Abril procuraram um espaço próprio de intervenção, nunca se querendo confundir com o PCP, o BE poderia ter sido uma hipótese de romper este bloqueio e asfixia em que a sociedade portuguesa se encontra. Mas os seus dirigentes nunca perceberam o sucesso que tiveram: quando muitos cidadãos o escolheram como alternativa eleitoral e como espaço de diálogo e de intervenção social, quem dirigia o Bloco de Esquerda decidiu moldá-lo e funcionalizá-lo ao modo do PCP, trazendo para o seu seio o pior daquilo que pode ser a política - o combate de grupos, a afirmação de clãs, a defesa do "aparelho". Hoje pouco representa relativamente a esse potencial de mudança. Muitos dos que aderiram, de voto, ao BE já migraram para a abstenção ou para o voto em branco.
Mas a sociedade não está apenas asfixiada ao nível das respostas políticas. Está, sobretudo, asfixiada ao nível das respostas cidadãs, associativas, de uma sociedade articulada em rede, com voz própria e órgãos representativos de base, envolvendo o essencial do que é o tecido económico, social ou cultural. Não é isto que se verifica: a sociedade civil cada vez que se pretende afirmar - por pouco que seja, já que neste aspecto é muito tímida e está a ensaiar ainda os primeiros passos - é rapidamente "sanguessugada" e vampirizada pelo que vai restando das estruturas partidárias que, àvidas de mostrarem que ainda tem um papel a representar, abocanham, desvirtuando, a mais pequenina iniciativa da "sociedade civil".
Tudo isto cria um ambiente pesado, uma sociedade asfixiada, que - a meu ver - só pode encontrar uma de duas soluções que se começam a desenhar no horizonte. Ou um líder providencial, populista q.b., que não se vê de onde possa surgir. Ou o estilhaçar do bloqueio por parte de quem sente a asfixia de uma forma mais marcada. E aí, parece-me, que ninguém se pode pôr a imaginar o que vai acontecer. Todos sabemos como estas coisas começam, não sabemos é como acabam.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Perspectivas para 2020: Uma visão inquieta(4)


4. Das guerras “locais” às tensões mundiais 

Na ausência de modelo alternativo de desenvolvimento, abriu-se uma corrida ao controlo dos recursos fundamentais que começou como uma competição comercial (aquisição nos mercados) e acabou na iminência da guerra que hoje observamos. 
A ruptura dos acordos da OMC pelos Estados Unidos (2018), seguida pela denúncia das regras do “livre comércio” por parte dos países detentores de matérias-primas de base, lançou o processo, que se propagou ao Médio Oriente (2019) à Austrália, à América Latina, à África. 
Desde os anos 2000 que a maior parte das guerras “locais” tiveram como motivo principal o controlo dos hidrocarbonetos e quando o “pico” de produção foi ultrapassado em 2010, começou a preparação dos confrontos decisivos para o controlo dos “últimos trinta anos de petróleo abundante”
A questão colocava-se em 2012, na visão americana para o horizonte 2030 (“Global Trends 2030” - http://www.acus.org/tags/global-trends-2030, publicado pela CIA), que insiste em termos quase exclusivos na questão da independência energética. Mais importante ainda que a energia, foi a corrida ao controlo das outras matérias-primas industriais: “terras raras”, (minérios raros indispensáveis para todas as novas tecnologias, de que a China detém 80% das reservas e é responsável por 100% das exportações), e logo do conjunto de minérios que entram na produção da maior parte dos produtos industriais e tecnológicos (urânio, cobre, níquel, zinco, alumínio, ouro, etc.). As guerras cinicamente ditas “locais” multiplicaram-se (Congo, Sudão, Estados Unidos / México, Paquistão / Índia / China) … 
Outro recurso, porventura menos mediatizado, cujo controlo se tornou desde há dez anos fonte de espoliações de massa, de movimentos de populações e de guerras “locais”, é a terra arável. 
A utilização pela China dos fundos soberanos para aquisição das terras agrícolas, às dezenas de milhões de hectares, a partir de 2004-2005 (na África, na América Latina, etc.), foi considerada um “casus belli” em 2018 pelos EUA, seus concorrentes na compra de terras na nesses dois continentes. 
Os recursos hídricos, tornados raros e com previsões de drástica redução, tornaram-se a partir de 2013 motivos de guerra económica (Península Ibérica) e militar (Palestina, Síria, Iraque, etc.). A par com o açambarcamento das terras agrícolas, o desvio do potencial produtivo dos alimentos para os produtos energéticos (bio-carburantes) provocaram o desastre humanitário mundial a que assistimos, impotentes, nos anos 2013-2017. Assim, o que se avizinha não é inteira surpresa para quem estava atento. 

José Rodrigues dos Santos 
Évora / Julho de 2012

Tudo tem o seu tempo







Grato pelo aceno e companhia do colectivo A CINCO TONS nesta caminhada de muito tempo. Fico por aqui neste apeadeiro. Enquanto a máquina de bombear sangue funcionar, continuarei alentejanando rabiscos, mormente, na margem esquerda do Odiana, ou noutros lugares para onde o querer me empurrar.

Isidoro de Machede

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Lua bonita - Raul seixas


Prontos!
Esta é uma das minhas favoritas!
Dedicada ao João C. porque as coisas são apenas o que são, não o que queremos que sejam...
Esta a minha Mãe cantava-me para eu adormecer, muito antes e muito para além da Apollo.
É a minha Lua...

As PALAVRAS, sempre ANDARILHAS, vão andarilhar por Beja estes dias

(Programa Aqui)

Pôr-do-Sol no Alentejo

terça-feira, 28 de agosto de 2012

A 15 de Setembro a ideia é ocupar de novos as ruas. Mas é só para quem quer.


Belo texto da convocatória. Em Lisboa vai ser na Praça José Fontana. Dia 15 de setembro. (AQUI)

É preciso fazer qualquer coisa de extraordinário. É preciso tomar as ruas e as praças das cidades, das nossas cidades e dos nossos campos. Juntar as vozes, as mãos. Este silêncio mata-nos. O ruído do sistema mediático dominante ecoa no silêncio, reproduz o silêncio, tece redes de mentiras que nos adormecem e aniquilam o desejo. É preciso fazer qualquer coisa contra a submissão e a resignação, contra o afunilamento das ideias, contra a morte da vontade colectiva. É preciso convocar de novo as vozes, os braços e as pernas de todas e todos os que sabem que nas ruas se decide o presente e o futuro. É preciso vencer o medo que habilmente foi disseminado e, de uma vez por todas, perceber que já quase nada temos a perder e que o dia chegará de já tudo termos perdido porque nos calámos e, sós, desistimos.
O saque (empréstimo, ajuda, resgate, nomes que lhe vão dando consoante a mentira que nos querem contar) chegou e com ele a aplicação de medidas políticas devastadoras que implicam o aumento exponencial do desemprego, da precariedade, da pobreza e das desigualdades sociais, a venda da maioria dos activos do Estado, os cortes compulsivos na segurança social, na educação, na saúde (que se pretende privatizar acabando com o SNS), na cultura e em todos os serviços públicos que servem as populações, para que todo o dinheiro seja canalizado para pagar e enriquecer quem especula sobre as dívidas soberanas. Depois de mais um ano de austeridade sob intervenção externa, as nossas perspectivas, as perspectivas da maioria das pessoas que vivem em Portugal, são cada vez piores.
A austeridade que nos impõem e que nos destrói a dignidade e a vida não funciona e destrói a democracia. Quem se resigna a governar sob o memorando da troika entrega os instrumentos fundamentais para a gestão do país nas mãos dos especuladores e dos tecnocratas, aplicando um modelo económico que se baseia na lei da selva, do mais forte, desprezando os nossos interesses enquanto sociedade, as nossas condições de vida, a nossa dignidade.
Grécia, Espanha, Itália, Irlanda, Portugal, países reféns da Troika e da especulação financeira, perdem a soberania e empobrecem, assim como todos os países a quem se impõe este regime de austeridade.
Contra a inevitabilidade desta morte imposta e anunciada é preciso fazer qualquer coisa de extraordinário.
É necessário construir alternativas, passo a passo, que partam da mobilização das populações destes países e que cidadãs e cidadãos gregos, espanhóis, italianos, irlandeses, portugueses e todas as pessoas se juntem, concertando acções, lutando pelas suas vidas e unindo as suas vozes. 
Se nos querem vergar e forçar a aceitar o desemprego, a precariedade e a desigualdade como modo de vida, responderemos com a força da democracia, da liberdade, da mobilização e da luta. Queremos tomar nas nossas mãos as decisões do presente para construir um futuro.
Este é um apelo de um grupo de cidadãos e cidadãs de várias áreas de intervenção e quadrantes políticos. Dirigimo-nos a todas as pessoas, colectivos, movimentos, associações, organizações não-governamentais, sindicatos, organizações políticas e partidárias, que concordem com as bases deste apelo para que se juntem na rua no dia 15 de Setembro. 
Dividiram-nos para nos oprimir. Juntemo-nos para nos libertarmos!

Ana Carla Gonçalves, Ana Nicolau, António Costa Santos, António Pinho Vargas, Belandina Vaz, Bruno Neto, Chullage, Diana Póvoas, Fabíola Cardoso, Frederico Aleixo, Helena Pato, Joana Manuel, João Camargo, Luís Bernardo, Magda Alves, Magdala Gusmão, Marco Marques, Margarida Vale Gato, Mariana Avelãs, Myriam Zaluar, Nuno Ramos de Almeida, Paula Marques, Paulo Raposo, Ricardo Morte, Rita Veloso, Rui Franco, Sandra Monteiro, São José Lapa, Tiago Rodrigues.

COLHEITA DA MANHÃ


o velho
varredor de ruas
num intervalo da varrida

senta-se e fuma

joga a beata fora
como se jogasse

o que lhe resta por arder
da vida

António Saias (no facebook)

Afinal em que ficamos: é em direto ou vai ser gravado?


Piscinas Municipais

10h00 - 13h00
15h30 - 18h00


O Município de Beja recebe na próxima quinta-feira, dia 30 de Agosto, a partir das 10h00, nas Piscinas Municipais, o programa da RTP 1 – Verão Total, o qual será transmitido em direto a partir da cidade de Beja. O programa estará no ar das 10 às 18 horas. (nota de imprensa da CMB)

Eles querem acabar com tudo


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Crónica sobre a "viagem dos putos" no "Diário do Sul"

(clique para aumentar)

Maria Vitória Afonso foi minha professora em Colos. Foi ela que me deu aulas do 1º ano do antigo primeiro Ciclo dos Liceus, antes de ir para Beja. Há anos que não nos vemos, mas o facebook pôs-nos em contacto. Hoje escreveu uma crónica no "Diário do Sul", de que é habitual colaboradora, sobre a "viagem dos putos". Obrigado pela simpatia.

Perspectivas para 2020: Uma visão inquieta (3)


3. A absoluta contradição entre modelo de desenvolvimento e recursos 

Nos anos 2010 muitos de nós já sabiam que existe uma absoluta contradição entre o modelo de desenvolvimento (crescimento) que se impôs nos dois últimos séculos no Ocidente, e a quantidade de recursos que exigiria e a sua extensão ao conjunto do mundo. O Global Footprint Network (GFN) indicava, já em 2012, que “um só planeta já não é suficiente para satisfazer as nossas necessidades e absorver os nosso lixos. As necessidades da humanidade ultrapassam já em 50% os recursos disponíveis, e estes diminuíram de metade desde 1961.” 
Em 2020 sabemos, infelizmente, que a tendência se agravou para além dos limites do tolerável em detrimento dos mais frágeis. Enquanto o Ocidente foi uma potência dominante (foram pouco mais de dois séculos apenas), a importação dos recursos necessários ao seu modelo de desenvolvimento pôde ser imposta de modo quase invisível. A incompatibilidade absoluta entre modelo de crescimento e nível de recursos tornou-se evidente desde o início dos anos 2000-2010, com a entrada em cena dos países “emergentes”. Representando hoje quase três quartos da população mundial, estes países exigiram o acesso aos recursos nos mesmos moldes que o Ocidente no século anterior. Ora, como constatamos há já três décadas, não existem recursos em quantidade suficiente para garantir igual acesso a todos, no âmbito do mesmo modelo. Todas as “conferências” sobre clima e recursos esbarraram com essa incompatibilidade. Enquanto o Ocidente pretendia impor ao resto do mundo uma restrição das actividades poluentes, argumentando com a ecologia e a limitação dos recursos, o resto do mundo retorquia que o stock de gazes com efeitos de estufa é, na sua quase totalidade, devido a dois séculos de revolução industrial ocidental e de crescimento sem limites. Na preparação da iminente conferência “Rio + 30” (2022) o Ocidente esgrime argumentos sobre a poupança da energia, enquanto o resto do mundo demonstra que o nível de consumo dum Ocidental se situa entre 10 e 200 vezes o dos outros povos. 
O insucesso não é de ordem ideológica ou política no sentido banal dos termos, mas sim material: o planeta não comporta a extensão a todos os países do mundo dos modelos de consumo de recursos que sustentam, desde há dois séculos, o Ocidente. A partilha é vista como um jogo de soma zero: para que uns ganhem, os outros têm que perder. 
Os primeiros conflitos “locais” e “regionais” estalaram, como não podia deixar de ser, a propósito do controlo dos recursos existentes em certas regiões. Mas desde há dois anos, com o choque do neo-proteccionismo americano (2018), eles deixaram de ser… locais: é a confrontação global que temíamos que parece aproximar-se. Ninguém pode deixar de desejar que se possa evitar. 

José Rodrigues dos Santos
Évora / Julho de 2012

domingo, 26 de agosto de 2012

Morreu o primeiro homem a poder dizer que esteve na Lua



Lembro-me de nas férias de Verão de 1969 - estudava nessa altura em Beja, salvo erro no terceiro ano do liceu - termos ficado "agarrados" à televisão até às tantas (a emissão normal acabava nessa altura cedinho) para vermos as primeiras imagens (quase só vultos, sem definição), em directo, do homem na Lua. Esse homem era Neil Armstrong. Morreu este sábado, aos 82 anos.Sempre lhe admirei a coragem, sobretudo porque mal subo alguns metros começo a sentir vertigens. Que vertigens não terá sentido aquele homem!

sábado, 25 de agosto de 2012

Perspectivas para 2020: Uma visão inquieta (2)


2. Da religião liberal ao proteccionismo 

A situação que temos perante os olhos neste ano de 2020 foi despoletada, como todos sabem, por um facto aparentemente menor, que parecia ter um alcance restrito. 
A eleição do sucessor de Barack Obama em 2016 serviu de advertência. Republicano, eleito sobre um programa radical, com slogans xenófobos (“illegals out!”), com temas isolacionistas, o novo presidente entusiasmou as massas norte-americanas mais desprotegidas com o lema “Bring our jobs home!”. Nada que não fosse previsível e até compreensível, dada a recessão generalizada, o aumento do desemprego e o desespero das classes trabalhadoras. Mas quando, em 2018, tendo o Congresso e o Senado aprovado um conjunto de medidas fortemente proteccionistas e perante a reacção da OMC que impôs sanções aos Estados Unidos, os EUA decidiram abandonar a OMC e reger-se pelas suas próprias leis, o mundo entendeu que algo irreversível acabava de acontecer. 
A desindustrialização da América começou nos anos 1990, mas agravou-se drasticamente nos anos 2000: a produção industrial deslocou-se para a Ásia e em particular, nos últimos 20 anos, para a China, destruindo os empregos no “homeland”. Enquanto os EUA foram a potência dominante, a perda dos empregos era um pouco atenuada pela baixa dos preços dos produtos industriais made in China, cuja compra foi financiada… pelo crédito da China aos EUA (compra pelos chineses de títulos do Tesouro Federal). 
Onde deixava de haver rendimento, o crédito retomava o seu lugar. 
Mas quando a China bloqueou as negociações sobre o curso Yuan / dólar, o excedente comercial da China, equivalente a um défice comercial gigantesco dos EUA, tornou-se objecto de escândalo. 
Reindustrializar a América, fazer regressar os “jobs”, só era possível com a instauração de taxas aduaneiras extraordinárias (por vezes superiores a 200%). Ora essas taxas são (segundo os acordos da OMC), “ilegais”. O principal campeão da mundialização, do livre comércio, que foi o principal gerente da OMC, enquanto a sua posição foi a da liberdade da raposa no galinheiro, torna-se agora o primeiro infractor à sua própria regra: típica acção de soberania mundial. As leis do Soberano não se aplicam ao Rei. 
Em si, este acto poderá ter parecido aos olhos duma grande parte dos cidadãos fora dos EUA como mais uma daquelas terríveis fantasias do império americano. O que se tornou agora claro é que foi ele que desencadeou o processo cuja aceleração, nos últimos meses, se tornou medonha. 

José Rodrigues dos Santos 
Évora / Julho de 2012

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

PSSSST! PSSSST



Vai começar novo ano letivo, é mesmo verdade! Vai começar novo ano letivo.
Vai começar também uma nova era para os nossos putos. A era “querido mudei a escola”, na verdade não será bem uma mudança, será apenas um retorno aos tempos da velha senhora.
As nossas crianças vão aprender os nomes das serras, dos rios, das estações e apeadeiros, irão também aprender a ler o quanto baste e irão recitar a tabuada sob o olhar ausente do professor, que pensa no que poderia fazer se a escola fosse mesmo um local de aprendizagem, em que os mestres pudessem inculcar aos jovens o significado de ter sobre os ombros uma cabeça em lugar de uma abóbora.
Vai voltar a escola técnica para os menos aptos e a formação superior para os outros… para aqueles cujos pais têm hábitos de leitura e poder económico para comprar livros além dos manuais escolares.
Vai regressar e em força a escola do século XIX, para arregimentar mão de obra para as fábricas, com cursos empregáveis e gente submissa com os superiores hierárquicos, feroz com os competidores e, assassina com os infelizes que estão uns furos abaixo na cadeia alimentar.
Vão regressar os doutores filhos de doutores, os engenheiros filhos de engenheiros e os seminaristas afilhados das caridosas senhoras, cujo objetivo na vida é tratar dos filhos e praticar a caridade.
Vai em suma regressar o bafio, as salas sem aquecimento e as escolas distantes de horas por caminhos difíceis em transportes precários.
Tudo pago com o dinheiro que sobra dos nossos impostos, com aquele dinheirito que resta dos juros da dívida e dos apoios aos colégios privados e às universidades privadas e às públicas sacanagens dos salvadores da pátria, que vieram para nos salvar da bancarrota porque o país já não tinha dinheiro para pagar os salários e também não tinha indústria e agricultura e já só tinha bancos e empresas de construção e companhias de seguros e grandes negociatas nas costas do povo.
É verdade que já teve escolas e alunos que as frequentavam e a certeza óbvia que a única salvação de um país pobre e sem recursos como o nosso é a educação, não a formatação para o mercado de trabalho, a educação mesmo! Aquela que abre horizontes, que estimula o sonho, que cria, que faz da exigência e da cidadania a bandeira de um povo. A escola que ensina a dignidade e o risco e o amor pela inovação!
Afinal de contas a escola pública será sempre a referência do nível de um povo. É ela que nivela, ou alto, ou baixo, ou como no nosso caso, rasteiro.
Tão rasteiro como o destes tipos que se dizem governo e andam com bandeiras na lapela.
Vá lá que as colónias já não existem, senão os putos tinham de saber as estações e apeadeiros da linha do caminho de ferro de Benguela. 

Sindicalismo de acesso bloqueado




Esporadicamente há uma ou outra agitação sindical. Valadares, Estaleiros de Viana, CP, Carris, e pouco mais.
Em tempos de crise profunda - o maior desemprego de sempre e sobretudo jovem - as centrais sindicais (excluo a UGT porque aquilo é uma casa de contra interesses de quem trabalha) estão numa passividade e bonacheirice digna de quem pactua com o regime instalado. 
Fica-se pois restringido à CGTP como sendo a única associação que presentemente poderá defender o direito ao trabalho e o direito de quem trabalha. Nitidamente a canção do Sérgio Godinho aplica-se “Tem o acesso bloqueado”. Leva-me a mim a crer que pelo facto dos seus zelosos activistas e funcionários, não sentirem na pele NENHUM DOS PROBLEMAS que aflige directa ou indirectamente metade da população Portuguesa residente, pergunta-se: andam aqui a fazer exactamente o quê?
Se não andam ao sabor da agenda do partido comunista disfarçam muito mal.


Anónimo

24 Agosto, 2012 09:18

A rádio Diana não se vendeu ao mais fácil



Hoje venho aqui para dizer bem…
Assim como não me coíbo de dizer o que está mal também gosto de dizer o que está bem!
Escutei vai para uns meses numa das conversas sobre as cidades educadoras o José Faustino, director da Rádio Diana, que a sua Rádio era a melhor o mundo!
Como o conheço há muitos anos sei que a modéstia e a imparcialidade não são o seu forte, por isso mesmo resolvi ir escutar a Rádio onde iniciei a minha actividade já vai para 20 anos.
E tenho que reconhecer que, embora com um pouco de exagero, a Rádio Diana é realmente muito boa, não a analiso em termos jornalísticos, para isso estão cá os profissionais da área, analiso-a como locutora, como programadora e como amante de música.
A rádio Diana não se vendeu ao mais fácil, às modas, ao facilitismo e aos programas sem alma!
A selecção musical é realmente muito boa, equilibrada, de bom gosto, sem repetições chatas, sem música de baixa qualidade e sempre adaptada ao horário e ao público a que se destina.
A rádio Diana tem um estilo, uma marca! 
Os meus parabéns a todos os que realizam a tarefa de produção e animação da estação. 
E sim, poderá não ser a melhor do mundo, mas esta entre as muito boas, disso não tenho duvidas!



Lurdes
24 Agosto, 2012 04:51 

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

niilismo, ou dito de outra maneira: isto não é nada.

Também vi a notícia. Surgiu num serviço noticioso que se pretende de referência -a RTP- dando conta que o príncipe Henri, o terceiro na linha de sucessão ao trono de Inglaterra, é senhor de um corpo que quando despido fica nu, tal e qual o dos outros nobres e plebeus.

Li depois o comentário que me parece bem oportuno do jornalista Paulo Querido no facebook. Concordo particularmente quando questiona a legitimidade técnica, e não moral, de tratamento desta notícia com “o mesmo tipo de enquadramento conferido aos assuntos graves para a rés publica – ou seja levando os leitores ao engano”.
Escreve este jornalista que alguns jornais vêm nestas “pageviews” a sua única possibilidade de futuro. E aqui reside a minha pergunta mais intrigada: Qual o papel social de um jornalismo que oferece este tipo de serviço aos seus públicos?
Quais os critérios dos editores que propõem notícias destas numa lógica de serviço público? (contando que certo príncipe maior de idade, tem um corpo e o usa como entende). O que ganham os públicos com esta informação? O que farão com ela? Admitindo ser o “caso de interesse de algum público”, isso justifica por si só a sua publicação num espaço noticioso generalista e de referência?

Estamos de facto num tempo de crise, (de mudança de paradigma na expressão de P. Querido), e a comunicação social reflecte - mais do que a diversidade de que é feita a natureza humana, expressa na imagem anexa-  desorientação e niilismo dominante.

Perspectivas para 2020: Uma visão inquieta (1)



1. A questão ecológica levou-nos à iminência da guerra

Jean-Pierre Dupuy, num livro brilhante, ilustrou, há quase duas décadas (foi em 2004), o paradoxo das catástrofes anunciadas: elas são unanimemente consideradas como impossíveis, mas, quando ocorrem, pertencem ao domínio da evidência, e é como se a ele sempre tivessem pertencido. Dupuy ilustra a aporia com o exemplo da Grande Guerra: numa Europa em que os movimentos pacifistas, opostos a qualquer perspectiva de guerra, e afirmando que a guerra é impossível, dominam em absoluto a vida pública de todos os países, surge em 13 de Agosto de 1914, como por encantamento, quando a guerra é declarada, nesses mesmo países uma vaga imparável de entusiasmo colectivo belicista.
A 14 de Agosto, as massas agem como se desde sempre tivesse sido evidente que a guerra estava iminente: o impossível torna-se realidade óbvia. E o absolutamente indesejável, desejado. 
Algo está a acontecer, neste início da segunda década do século XXI, que pertence ao mesmo tipo de paradoxo: todos consideramos que a guerra se tornou impossível, por todas as boas razões e entre outras por causa do armamento nuclear, e também pela recusa unânime das populações.
Como terá dito outro observador, a Europa vive numa auto-ilusão, que deriva dum sincero desejo de paz: o sonho de viver num mundo “pós-trágico”.
Um mundo de depois da última das guerras, voltado para a solidariedade internacional, o estado de direito, a expansão do “humanitário”, etc. A União Europeia foi o caldo em que a visão lenitiva dum mundo cheio de boas vontades se foi elaborando. Os anos 2000 forneciam já indícios da irrealidade dessa visão política, os anos 2010 que agora terminam enterram-na definitivamente. 
Porque o mundo em que vivemos não é pós-trágico, as tragédias não acabaram, e as que estão a aproximar-se têm que ser pensadas: o que pode ainda ser feito – se possível para evitá-las?

José Rodrigues dos Santos 
Évora / Julho de 2012

Uma voz forte pela mudança de paradigma


Assisti ontem na RTP 2 a um programa que deu a palavra a Vandana Shiva, uma física quântica indiana, que é hoje uma das principais referências do movimento antiglobalização. Todos os argumentos que avançou colocam claramente as balizas do debate na necessidade da transformação do discurso político e económico para evitar o saque e a destruição do planeta que a voragem consumista está a provocar - deixando centenas de milhões de pobres e de excluídos à margem. 

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Podia ser trágico, mas é apenas o que é


Recebi via mail um convite para uma sessão comemorativa do 1º Congresso dos Trabalhadores Rurais reunido em Évora a 25 e 26 de Agosto de 1912. O convite é subscrito pelo secretariado interregional do Alentejo da CGTP e, segundo anuncia, haverá o descerrar de uma placa no local da (então) União de Sindicatos de Évora e uma sessão pública cujos oradores serão Valter Lóios, da CGTP/Évora e Arménio Carlos, secretário geral da dita.
Já houve quem me falasse em puro oportunismo. Julgo que não. Celebrar um momento importante da afirmação sindical dos trabalhadores rurais alentejanos é relevante, seja o 1º Congresso, sejam as grandes greves de Janeiro e Fevereiro de 1912  nos campos do sul. Seja pela CGTP, seja por quem for.
Mas se a CGTP, pisando a linha ideológica que tem sido a sua, quer comemorar um momento importante como este, seria bom recordar que os principais líderes e activistas dos trabalhadores rurais de 1912 eram claramente independentes e tinham uma estratégia autónoma dos partidos políticos - enquanto a CGTP, em muitos casos, se limita a ser um motor de transmissão do PCP. Deste tempo conheci em Évora o velho Elias Matias, em finais de 1974. Foi um dos organizadores deste Congresso e era um anarcosindicalista convicto.
Seria bom que a direcção da CGTP reflectisse, nestas comemorações, que o movimento sindical, genuíno, de base e de classe não tem (não pode ter) funcionários, nem nunca recebeu (nem pode receber) benesses ou contrapartidas do Estado. As suas fileiras engrossam-nas os trabalhadores de facto e não os funcionários políticos.
Seria bom que quem dirige a CGTP percebesse (mas será possível?) que a acção directa é um instrumento determinante em qualquer luta e não o representativismo e a delegação permanente de competências que faz de cada sindicalizado um executante e de cada dirigente sindical um decisor quase sempre, apenas e só, preocupado com o devir da sua carreira de funcionário.
Seria bom que, nestas comemorações, a CGTP reflectisse nos documentos básicos desses trabalhadores reunidos em Évora há 100 anos que repudiavam os patrões, mas também o Estado, os partidos, o parlamentarismo, o tacticismo político. Pugnavam pela abolição do salariato e pela propriedade socializada e comunitária. 
Este Congresso, cujo centenário se assinala, e as greves que o antecederam mostraram isso mesmo: a ruptura com o republicanismo, com os partidos políticos, pela autonomia do movimento operário e pela revolução social (e não política).
Cem anos depois tanto se me dá ou não que a direcção da CGTP comemore um dos momentos mais relevantes do movimento dos trabalhadores alentejanos, percursor de muito também do que aconteceu após o 25 de Abril (e de que o PCP não se cansa de se querer apropriar), e que nele nada consiga ou queira aprender.
Mas há, no fundo, uma outra grande ironia nestas comemorações: a central sindical que em janeiro de 1975, comandada pelo PCP, (quando este partido ainda pensava que Portugal podia entrar na esfera das "democracias populares" do leste europeu) saiu à rua defendendo que a unicidade sindical devia ser letra de lei - numa das manifestações mais vergonhosas a que assisti do movimento sindical protagonizado pela CGTP -  impedindo que outros sindicatos e associações intersindicais surgissem para além dela (qual monopolizadora institucional do movimento associativo dos trabalhadores) vir agora comemorar um acto inaugural da liberdade associativa, autónoma e combativa dos trabalhadores rurais de há cem anos não deixa de ser cómico. E só é cómico porque destas bandas já houve tragédia que chegasse.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Eu Cá Sou de Esquerda



Repugnam-me as desigualdades sociais, sinto uma profunda repulsa por gente que entendendo-se bem, ignora as condições daqueles que desvivem à sua volta, que se sentem intocáveis, por julgarem ser a lógica da vida, que aqueles que melhor funcionam dentro de determinado contexto trepam pelo lombo dos outros para se instalarem confortáveis no seu lugarzinho ao sol.
Julgam lá no fundo da toca dos seus umbigos, que chegaram onde chegaram por mérito próprio, que a vida é mesmo assim, que os mais “fortes” fazem prevalecer a sua vontade e, que para isso ditam as regras, viciam o jogo, alugam humanidade, através de religiões, ou de partidos, ou de associações beneficentes que disponibilizam as sobras dos seus banquetes. Para eles está bem assim, a coisa anda nos eixos, e a civilização sustenta-se através desse imponente arranjinho que é o sistema fiduciário.
Sentem-se tão galarós que para eles o mundo gira em torno do Homem e, alguns homens nasceram para servos e outros para senhores. Gastam milhões em armamento e em maquinetas para tirar fotos de outros planetas, entregam a síntese de medicamentos a companhias privadas, fazem das escolas um lugar de “empregabilidade” e competição, fazem dos hospitais supermercados de mazelas, com ocasionais promoções e com expositores para todas as bolsas.
Pesa-lhes a consciência claro, mas há sempre prozacs disponíveis como a social democracia, que não é carne nem é peixe, mas sempre contem a aspirinazita da ordem, e, tem a vantagem de aliviar as dores sem atacar o mal…
Há outros que se convencem que a solução reside numa radical mudança de “padrone” sai um privado, entra um público, mudam-se os asteriscos que gravitam em torno do bolo, arranjam-se umas medidas avulsas, para sublinhar diferenças, mas na verdade o mundo não muda e, não muda porque nós não arriscamos essa mudança.
Os partidos de esquerda são um dos sustentáculos deste sistema, são eles que justificam o investimento no remendo democrático que tapa as mazelas deste sistema velho de séculos.
Há uns anos atrás por exemplo, o Brasil dispôs-se a disponibilizar retro virais para África, praticamente gratuitos, para combater o flagelo da sida, acham que os laboratórios, mais os patenteadores deixaram? Acham que a ONU mexeu uma palha?
E com esta crise, o que se passa? Quem a originou? E quem a suporta?
Quando falamos de partidos, ou de sindicatos esquecemo-nos que essas organizações emergem de nós, da nossa vontade, ou da sua ausência, ignoramos que quem assume as posições de poder, fá-lo por alheamento dos demais.
Quando me assumi como Bloquista, fi-lo porque entendi que o BE era um espaço de convergências, que tinha a matriz destes tempos modernos, em que as maiorias são transitórias, momentâneas, que se constituem e dissolvem por força de necessidades conjunturais, em razão de um mundo globalizado em que as fronteiras, todas as fronteiras, são fruto das conveniências dessa ínfima percentagem que governa o mundo. Ainda estou no BE por isso mesmo, porque dentro deste sistema de equilíbrios fictícios pode o BE rasgar novos caminhos, dilacerar este sistema iníquo, abrir finalmente as portas para um novo entendimento do mundo.
Não me incomoda minimamente o fim do meu partido, tudo é efémero. Incomoda-me que nada se faça sem conluios de líderes ou conclaves de desejados, nas manhãs de nevoeiro.
A prosa vai longa, quero apenas deixar no ar um motivo de orgulho, uma porta de Abril que ilustra o meu sentir e que alguns querem irremediavelmente fechar: Depois do 25 de Abril, muitos filhos de analfabetos fizeram os seus doutoramentos e, hoje dão aulas em universidades, dedicam-se à investigação, são médicos e professores…
Acham que estão a acabar com a escola pública por acaso? Ou com o SNS?
Julgam que é através de eleições com votos em argumentos cinematográficos que as coisas vão mudar?

O discurso de Assange ontem duma janela da embaixada do Equador em Londres

sábado, 18 de agosto de 2012

Na maior crise das últimas décadas PCP e BE continuam eleitoralmente irrelevantes


A última pesquisa de opinião da  Eurosondagens torna claro o que já era claro: PCP e BE não são alternativa a nada. Na maior crise económica, social e política das últimas décadas não conseguem crescer nem ter um papel importante a desempenharem, enquanto alternativa de facto, no sistema  político português, em que um mesmo partido assegura há décadas o poder, umas vezes chamando-se PS, outras PSD. 
PS/PSD alternam no poder, à boa maneira dos regeneradores e progressistas no declinar da monarquia, sem alternativas à sua esquerda (e à sua direita também, valha-nos isso!). 
Não será esta sondagem também mais um exemplo de que, a continuarem assim e a situarem-se no plano do parlamentarismo e da política "tout court", PCP e BE pouco mais têm a apresentar do que a sua irrelevância? Será um problema de táctica ou de estratégia? Vou mais pela segunda hipótese.

Quantas equivalências não teria este miúdo se se chamasse Relvas!!!


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Depois de 35 dias a pedalar e 2.500 quilómetros percorridos em Inglaterra, França, Espanha e Portugal o Daniel e o Gil chegaram hoje a Colos (Odemira)

A chegada a Colos

O champanhe depois de cortarem a "meta"

A recolha das bicicletas

Há 35 dias o Daniel e o Gil partiram de Londres, de bicicleta, com destino a Colos. Etapa a etapa, percorreram cerca de 2.500 quilómetros, subindo montes (Pirinéus incluídos) e descendo vales, dormindo em parques de campismo ou fazendo campismo selvagem onde calhava. Chegaram esta tarde a Colos e foram recebidos com palmas e com espumante. Irmãos, o Daniel e o Gil são os dois estudantes universitários. O Daniel está a ultimar a tese de mestrado em Relações Internacionais na Universidade de Évora (não à maneira do Relvas, pois já leva cinco anos de aulas e propinas) e o Gil está no segundo ano do curso de computer science na Universidade de Coventry (Inglaterra). Costumam passar todos os anos as férias no Alentejo, de onde são oriundos - o Gil nasceu em Beja e ambos viveram em Castro Verde durante vários anos. Colos é a terra da família e resolveram fazer este ano a viagem de bicicleta. Numa Europa em crise, é preciso que não faltem os sonhos, as ideias alternativas ou a força do querer. Tudo isso é bem mais importante do que os grandes discursos da treta, em geral económicos ou políticos ou o que quer que seja. A Europa, a existir, tem que ser construída de novo. E serão os jovens de hoje quem o terá de fazer, sejam portugueses, espanhóis, britânicos, gregos ou alemães.
Por isso, esta viagem encaixa que "nem ginjas" neste tempo que vivemos em que é necessário voltarmos à utopia de uma Europa sem fronteiras, fraterna e solidária. E bem mais democrática e participativa do que tem sido.

Ana Drago é "estrela" no YouTube

Para ver o vídeo clique em: Ana Drago é "estrela" no YouTube - Politica - DN

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A viagem dos putos. Dia 34. 16 de Agosto. Londres-Colos


Dia 34 . Quinta-Feira, 16 de Agosto. Quase 120 quilómetros entre  Mora e a Barragem de Odivelas. O Duarte (9 anos) ficou a dormir com eles no Parque de Campismo da MarkadiaAmanhã o Gil e o Daniel preparam-se para fazerem mais 120 quilómetros e chegarem à etapa final em Colos (Odemira)

O discurso dos outros

Ele não aprecia mesmo aquele discurso com que por força de algumas circunstâncias da vida se cruza quotidianamente.
Como recursos de proteção no inevitável desencontro costuma embarcar num silêncio que o leva para longe dalí. Em alternativa usa uns trocos banais para aquela despesa, do tipo: É só conversa oca; uma bebedeira de palavras; coisas sem sentido.
Mas, de uma das últimas vezes que não pode evitar o tal discurso que não aprecia mesmo, ele foi bastante mais eleqoente e rematou: "É Filosofia para deficientes".

A viagem dos putos. Dia 33. 15 de Agosto. Londres-Colos


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Dia 33 . Quarta-Feira, 15 de Agosto. Missão quase concluída. O Daniel e o Gil estão a cerca de 200 quilómetros e a apenas dois dias da meta que escolheram. Saíram de Londres há um mês, de bicicleta, e para trás ficaram mais de 2 mil quilómetros. Com força de vontade e tenacidade, sem qualquer preparação prévia, mostraram que o essencial, em cada missão, é empenhamento e determinação. Esta quarta-feira, feriado, fizeram uma centena de quilómetros entre Fratel e Mora. Esta quinta-feira vão chegar à Barragem de Odivelas. Depois, na sexta-feira, a última etapa entre Odivelas e Colos, no concelho de Odemira. Aí valentes!

duas anedotas eborenses


A frase é recorrente quando se fala na estagnação, falta de dinamismo e mau atendimento comercial em Évora … “Os Eborenses não se mexem!" Pois é a culpa é sempre dos eborenses! Então aqui vão duas anedotas passadas em Évora em menos de 24h!
Ontem sai para beber café com uns amigos, fomos à esplanada de um café na avenida que vai para a estação.
Pedimos na esplanada e lá fomos consumindo durante algumas horas. No final quando pedimos a conta disse-nos o empregado que teríamos de pagar todos juntos, recusamos, cada um queria pagar o que tinha consumido, nós sabíamos o que era, ele também. Não era possível mas ele fazia o favor de receber dessa forma se fossemos pagar lá dentro ao balcão, e saiu-se com esta… Eu estou a trabalhar há horas e não estou para fazer 4 idas e vindas para receber!
A abordagem foi de tal forma, que recusamos, tínhamos sido servidos na esplanada, a preço de esplanada e não íamos levantar-nos para pagar, ou recebia assim ou não recebia! Lá recebeu, claro, lá foi e veio e nós lá viemos embora para nunca mais voltar!
Hoje, por volta das 12, a minha filha dirigiu-se a uma loja do centro histórico para comprar um cd, entrou na loja, viu os cd’s, fez barulho e resolveu sair sem comprar nada, porque o proprietário da loja estava a dormir a sono solto atrás do balcão e apesar do barulho que ela e o namorado fizeram não acordou. Voltaram mais tarde já o proprietário tinha acordado compraram o cd e quando foram pagar, nova surpresa, foi-lhes dito que não tinham troco teriam que ir arranjar o dinheiro trocado para poderem pagar! Eles queriam muito o cd e lá foram de loja em loja, tentar trocar a nota, para voltarem e pagarem a compra que tinham efectuado!
Duas formas extraordinárias de atender e preservar os clientes! Feitas pelos proprietários das lojas! E pasme-se nenhum é de Évora, apenas cá vivem!
E depois os eborenses ou a crise é que tem culpa das casas não vingarem!

Lurdes
15 Agosto, 2012 19:37

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Bute Lá Falar Dos Cubanos




No tempo de Fulgêncio Batista, o grande democrata apoiado pelos EUA, Cuba era um paraíso de casinos, bordéis, com grande parte da população analfabeta e a viver na miséria.
As prisões estavam cheias e era frequente a polícia abater dissidentes no meio da rua. As grandes famílias mafiosas, preparavam-se para comprar a ilha a retalho e fazer dela uma placa giratória para o tráfico de droga e para a transformar numa mega Las Vegas sem um mínimo controlo. Cuba era antes da revolução um verdadeiro paraíso na terra.
Cólera, dengue e o mais eram frequentes e dizimavam a feliz população que vivia livre (ainda) do jugo desses malandros revolucionários que habitavam a Sierra e que possuíam umas quantas espingardas e pouco mais, mas que contavam com o apoio da população (esse sim é que devia ser um povo estúpido).
A natureza humana é de fato um mistério e os patetas dos cubanos até ficaram felizes com a queda de Batista.
Pobres coitados… em vez de casinos os malandros dos barbudos deram em construir escolas, em vez de bordéis, hospitais, em vez se submeterem aos vizinhos do lado fizeram-lhes um manguito.
Hoje infelizmente todos em Cuba sabem ler e têm acesso a formação especializada e, pior do que isso, o sistema de saúde cubano é bem melhor organizado e com mais qualidade do que por exemplo o dos seus vizinhos, que masoquistamente organizam excursões às escondidas para se tratarem naquela piolheira, em vez de recorrerem ao fabuloso “medicare”.
Não têm liberdade, daquela genuína liberdade providenciada pelos americanos ao Chile de Pinochet, ou ao Iraque atualmente, ou ao Vietnam de Saigão, ou às Honduras ou à Nicarágua, etc etc… recusaram a intervenção dos benfeitores quando estes os foram ajudar à Baia dos Porcos… São burros! Não conseguem compreender que o embargo mais burro e mais longo da história é apenas para os ajudar.
O interior Cubano está desertificado e a ilha está a adornar para os lados de Miami, não porque os governantes cubanos, a exemplo dos nossos se estejam completamente a cagar para o interior, não! É porque eles querem todos emigrar para os EUA, porque lá é que se vive bem!
Não têm telemóveis, nem as manhãs do Gouxa, nem têm acesso aos realty shows, nem têm Albufeira, nem Portimão, nem nada dessas coisas indispensáveis à qualidade de vida da bela democracia a retalho… mas isso só acontece porque são burros! Tivessem eles aceitado os casinos e os bordéis e a iliteracia e hoje tinham isso tudo, em vez de andarem a exportar médicos para países muito mais evoluídos como Portugal e Espanha e até mesmo os EUA.
É uma chaga dos tempos modernos haver um país assim, ainda por cima nas Caraíbas, mesmo ali ao lado do paraíso na terra.
Vá lá que os americanos ainda ficaram com um pedacito da ilha para mostrar ao mundo o que são féria de qualidade num país tropical… Chama-se Guantánamo e ao que parece os ianques até organizam voos charter para os clientes.

A viagem dos putos. Dia 32. 14 de Agosto. Londres-Colos


Dia 32. Terça-Feira, 14 de Agosto. Uma longa maratona - 80 quilómetros - entre o Fundão e Fratel (junto à Barragem). Hoje fazem campismo selvagem por falta de parques de campismo na zona. Esta quarta-feira esperam chegar a Mora, 100 quilómetros mais a sul. É já a planície à espreita.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Piratas




O voto é decisivo num sistema representativo, não o é em democracia e não o é, porque o que sustenta um sistema democrático é em primeiro lugar a transparência e de seguida a confiança.
Quando votamos temos por dado seguro que estamos a escrutinar propostas de pessoas de bem, acreditamos nelas e por isso lhes endossamos a nossa confiança.
Se essa confiança se desmorona, teremos no poder, gente que o conquistou através do ludíbrio, gente que abusou da nossa credulidade, gente sem escrúpulos, cujo objetivo sempre foi a tomada do poder em benefício próprio e que para isso fez promessas que nunca tencionou cumprir. Uma vez instalados, recorrem a todos os meios, desde a repressão à calúnia, da desresponsabilização á vitimização, para em seu proveito, utilizarem os recursos que são de todos. Rodeiam-se de incompetentes, que mais tarde ou mais cedo pagam a fatura dos superiores desmandos e de arrivistas, que vão trilhando o seu caminho até ao topo.
Tem sido assim desde 1975, com a alternância entre fações do mesmo grupo de malfeitores. Fingem que integram partidos, fazem propostas minimamente diferenciadas, e fingem acusar-se reciprocamente, quando na verdade se protegem e defendem com unhas e dentes a alternância no direito ao saque da coisa pública. Quando uns estão no poder, estão os outros de pousio à espera de melhores dias.
Integram secretas organizações públicas, como a maçonaria, ou a opus dei e como um cancro expandem as suas metástases por tudo o que representa influencia ou lucro. São clãs internacionais e a sua lealdade é sempre relativa.
Os outros, a vasta maioria, são vencidos pela descrença, pelo cansaço ou pela esperança vã, de que um dia as coisas mudarão, só que a cada dia que passa essa mudança se torna mais difícil, os meios mais reduzidos e os recursos cada vez mais escassos.
Há quem diga que para mudar, são necessárias alternativas, não concordo! Quando somos pisados por um elefante, primeiro libertamo-nos, (se conseguirmos) só depois tratamos das mazelas.
Em 2010 escrevi umacrónica para uma rádio local… Parecia até que adivinhava… 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Dava, não dava?


Como dava jeito ser verdadeira a conversa da Zita Seabra, sobre a espionagem nos aparelhos de ar condicionado. Dava, não dava?

Manuel António Domingos

A viagem dos putos. Dia 31. 13 de Agosto. Londres-Colos


Dia 31. Segunda-Feira, 13 de Agosto. Hoje mais 60 quilómetros entre a Guarda  e o Fundão. Amanhã será a entrada no Alentejo, ali para os lados de Niza.

domingo, 12 de agosto de 2012

Numa Câmara com dívidas a toda a gente não se esperava outra coisa


CÂMARA DE ÉVORA SUSPENDE REVISTA "ÉVORA MOSAICO" SEM INFORMAR NINGUÉM.

(José Frota em) «A Defesa» de 8 de Agosto (também aqui)

Anónimo
12 Agosto, 2012 16:22

A viagem dos putos. Dia 30. 12 de Agosto. Londres-Colos


Dia 30. Domingo, 12 de Agosto. Há um mês que o Daniel e o Gil andam na estrada. Saíram de Londres há 30 dias e, de bicicleta, percorreram o sul do Reino Unido, França, Espanha e agora Portugal, até ao sul, ao Alentejo rural e profundo. A ideia foi, através desta viagem, mostrarem que a Europa, apesar de diversa tem muito em comum, que nem a diversidade de paisagens, línguas e maneiras de estar consegue ocultar. E que apesar das moedas, da crise, das troikas, das ainda existentes fronteiras, há um espaço comum em que os mais jovens se sentem em casa - essa é a Europa do futuro, feita de muitas misturas, numa miscelânia de culturas e de povos - aliás, a sua maior matriz. Terra de encruzilhadas e de complexidades várias, a Europa não se reduz à economia. E com esta viagem o Gil e o Daniel pretenderam dizer isso mesmo: a Europa faz-se através do conhecimento e da partilha, mesmo que esse conhecimento e essa partilha aconteçam no selim de uma bicicleta, durante um mês, palmilhando quilómetro a quilómetro a distância que fica entre o Mar do Norte e o quase Mediterrâneo aqui no sul.
Mas vamos ao que interessa. Neste domingo percorreram os cerca de 60 quilómetros de distância que separam Mêda e a Guarda. Mais uma etapa dura. Mais dura será a de amanhã. Querem chegar a Castelo Branco, mais de uma centena de quilómetros para sul.

sábado, 11 de agosto de 2012

O amigo moçambicano com olhos de arroz



O Kok Nam, partiu para o outro lado do espelho. Ele a quem o espelho sempre devolveu inteiro sem retoques, como inteiro sem retoques era de corpo e mente. Ele que foi a vida inteira um guerrilheiro da lente que capturava imagens. Imagens amigas que passavam a trabalhar infiltradas no campo do obscurantismo inimigo.
Há dias, recebi de um amigo da borda-d’água do Índico uma frugal mensagem: «O mandarim, hoje mesmo, murmurou-me mais um ditongo confucionista; um sorriso!
Não tardará alguns bagos de arroz, ou mesmo só um, que permutaremos paparocas. Eu, presenteio-te com uma memorável sopa de cação. Tu, mimoseias-me com o teu supremo mesmo pato à Pequim.
Estamos juntos!

Há alguns anos o amigo Rui Knoplif escreveu

Aeroporto

É o fatídico mês de Março, estou
no piso superior a contemplar o vazio.
Kok Nam, o fotógrafo, baixa a Nikon
e olha-me, obliquamente, nos olhos:
Não voltas mais? Digo-lhe só que não.

Não voltarei, mas ficarei sempre,
algures em pequenos sinais ilegíveis,
a salvo de todas as futurologias indiscretas,
preservado apenas na exclusividade da memória
privada. Não quero lembrar-me de nada,

só me importa esquecer e esquecer
o impossível de esquecer. Nunca
se esquece. Tudo se lembra ocultamente.
Desmantela-se a estátua do Almirante,
peça a peça, o quilómetro cem durando

orgulhoso no cimo da palmeira esquiva.
Desmembrado, o Almirante dorme no museu,
o sono do bronze na morte obscura das estátuas
inúteis. Desmantelado, eu sobrevirei
apenas no precário registo das palavras.

(do livro “O monhé das cobras”)

Esta versão dos jogos olímpicos é das que mais me agrada


(via joão espinho)

A viagem dos putos. Dia 29. 11 de Agosto. Londres-Colos


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Dia 29. Sábado, 11 de Agosto. Agora, pelos vistos, começou a doer. É a parte final da viagem. O cansaço, mas também as (más) estradas secundárias portuguesas, o sobe e desce e o calor começam a fazer das suas. Hoje o Daniel e o Gil andaram à volta de 100 quilómetros entre Mogadouro e Mêda. Conheço bem aquela zona. É difícil. Às 20 horas e poucos minutos o Daniel mandou um SMS: "Já tamos no parque em Meda. Chegámos agora. Tamos cansados. Talvez mais tarde estaremos no Skype". Amanhã a maratona continua. Já falta pouco. Não sei para onde vão, mas esperamo-los em Colos daqui a cerca de cinco dias. Mais de um mês de bicicleta, percorrendo o sul de Inglaterra, França, Espanha e Portugal - é obra para mais de 2 mil quilómetros!

A corrupção, o clientelismo e o amiguismo estão a passar das marcas...


Desapareceram os documentos do negócio dos submarinos... (ler mais)

desculpem, mas não consigo fazer humor com o desaparecimento dos documentos do processo dos submarinos. até entendo que a sequência de absurdos possa conduzir à incredulidade e à estupefacção...mas eu, desculpem, não consigo rir mais com isto. já não há humor que aguente e nunca foi meu hábito sorrir perante a sodomia.


Telmo Rocha (no facebook)

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Roquette deixa 53 milhões de dívida nos projectos ligados ao Parque Alqueva


A Sociedade Alentejana de Investimento e Participações (SAIP), liderada por José Roquette e promotora do maior complexo turístico no Alqueva, esclareceu hoje que o valor da dívida das suas empresas insolventes é de quase 53 milhões de euros.
Segundos os dados disponibilizados hoje à Agência Lusa, por fonte oficial da SAIP, a dívida total das sociedades responsáveis pelo Parque Alqueva – atual Roncão d’El Rei -, no concelho de Reguengos de Monsaraz, ronda os 52,88 milhões de euros.
No que respeita à dívida a terceiros, são contabilizados pouco mais de 16 milhões de euros ao BPI, a que se somam 403 mil euros ao BCP.
No capítulo de “outros credores”, a SAIP integra os 7,2 milhões de euros de apoios públicos que recebeu, a grande maioria com verbas do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), correspondendo ao Estado português um investimento de “apenas menos de 20 por cento”.
O montante devido a fornecedores é de 1,25 milhões de euros, segundo a empresa, que revela também uma dívida de 1,26 milhões de euros a “outros”, sem especificar.
“Acrescem 15,7 milhões de euros a liquidar” à Caixa Geral de Depósitos “por um aval indevido” e, além disso, “11 milhões de euros”contabilizados como “perda do acionista”, adianta a mesma fonte oficial.
“Destes números, será fácil tirar a conclusão de que o principal prejudicado é o próprio promotor do projeto”, argumenta a SAIP.
Quanto à CGD, “pelo contrário, em nada é afetada pela presente situação, já que o seu financiamento está totalmente coberto pelo aval pessoal de José Roquette”.
A Sociedade Alentejana de Investimento e Participações explica ainda que “a dívida ao BPI está coberta por garantias reais”.
Por seu turno, sublinha, “o QREN e a generalidade dos credores têm a garantia comum do património imobiliário disponível, em parte livre de ónus e encargos”.
“Os trabalhadores têm os ordenados e subsídios pagos até à presente data e foi prestado pelo acionista um suprimento adicional para que ficassem cativas verbas para pagar o salário de agosto”, frisa também a SAIP.
O grupo SAIP revelou, na quarta-feira, ter apresentado a Processo Especial de Insolvência quatro das suas empresas.
Os pedidos foram apresentados no Tribunal de Reguengos de Monsaraz, concelho onde estava a “nascer” o projeto Roncão d’El Rei, nas margens do Alqueva, avaliado em cerca de mil milhões de euros, a investir ao longo de várias décadas.
O promotor, que já tinha a decorrer obras no complexo, nomeadamente com a construção do campo de golfe, alegou falta de acordo com a banca para o financiamento do projeto, dirigindo críticas ao grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD). (LUSA)