segunda-feira, 30 de abril de 2012

Grândola: Música Velha comemora 100 anos


A Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense também conhecida por Música Velha, foi fundada no dia 1 de Maio de 1912, comemorando este ano o Centenário. 
A SMFOG é a colectividade mais antiga do concelho e a única vocacionada para a cultura e educação musical, tendo por fim a promoção e o desenvolvimento cultural e recreativo dos seus associados de modo a enriquecer a sua formação integral. 
A nível da cultura esta colectividade atinge um dos seus pontos mais altos nas décadas de 50 e 60 com a criação de uma biblioteca, um grupo de teatro e cineclube, bem como organização de colóquios, conferências e exposições. 
Grandes nomes da cultura portuguesa passaram por esta colectividade, nomeadamente, Alves Redol, Manuel da Fonseca, Maestro Lopes Graça, Carlos Paredes… 
José Afonso, convidado a participar no 52º aniversário da colectividade (17 de Maio de 1964) ficou de tal modo impressionado com o ambiente fraterno e solidário da colectividade que, 3 dias depois escreveu a 1ª versão do poema “Grândola Vila Morena”, em homenagem à SMFOG. 
Actualmente a banda é composta por cerca de 50 elementos e está sob a gerência do maestro Rui Miguel de Araújo Silva, tendo também uma escola de música composta por cerca de 50 alunos sob a orientação pedagógica do Maestro Rui Miguel Araújo Silva. 

Programa do centenário durante o mês de Maio 
Dia 1 de Maio -10h30m – Sede da Sociedade Hastear da Bandeira e Arruada de Aniversário 
Dia 5 Maio – 16h – Cineteatro Grandolense – Sessão Solene comemorativa do 100º aniversário 
Dia 11 de Maio – Auditório Municipal – Cine Granadeiro – Concerto do 100º aniversário – Banda da SMFOG 
Dia 19 de Maio - Parque de Feiras e Exposições – Concerto pela Banda da Força Aérea Portuguesa.

palavras que não são só palavras

Apesar de todo o desnorte que vivemos, de todo o sul que esquecemos, tráz-nos ânimo saber que subsistem excepções. Pessoas que não abdicam de pensar, que persistem na construção da sua autonomia, na vivência de uma liberdade maior. Parece ser este o caso de José Mattoso que se dispôs recentemente a uma entrevista ao Jornal Público, em que fala da ameaçada relação entre a humanidade e a natureza, da sua confiança em ideais e desconfiança em ideologias, das contradições entre as doutrinas e a realidade ("A mulher para São Pedro Damião, é a encarnação do demónio"), bem como da aparente intolerância que daí resulta. Fala ainda dos problemas da excessiva racionalização que vem do Iluminismo e nos continua a submergir, e da necessidade que o homem tem de "construir um lugar onde possa viver em todas as suas virtualidades, na solidariedade": a cidade. Mattoso, aos 79 anos, diz que sabe que "o Estado tem mostrado a sua impotência perante os abusos do poder financeiro e que o sistema democrático não resolve os problemas actuais. Ninguém acredita no discurso político, nem mesmo quem o pronuncia.Os interesses coorporativos viciam a democracia. O governo do povo não defende os direitos dos pobres e excluídos. Favorece quem já tem poder"

sábado, 28 de abril de 2012

Seguro estreia-se na OVIBEJA e na arte do corte

O(H!)VIBEJA


aí estão as cabras
com os seus brincos
pendurados das orelhas

as vacas e os porcos
com seus piercings
no focinho e nas narinas

os burros
com a sua calma legendária
suas orelhas de abano
de grandes mais eficientes do que auscultadores

os cavalos lazões
castanhos izabela
prontos a serem montados
por meninos e meninas

aí estão os vendedores
de algodão-em-rama e de amendoins
e os cães domésticos
puxando os donos pelas trelas

aí estão as aves exóticas
os papagaios araras
e os garnizés
e os pombos gordos
que nem perus pelo Natal
e os camponeses velhos reformados
a não perderem nada
pelos pavilhões arrastando os pés

aí estão as avós
puxadas pelos netos
atrás dos fumos doces
dos churros das farturas
e os agricultores
perdidos em projetos
que rentabilizem
a ingrata agricultura

a água do Alqueiva
os olivais a rega
sem a qual a planta não tem seiva
o vendedor de máquinas
prometendo a entrega
do tractor New Holland
para virar a leiva

a gente do governo
pródiga em promessas
:
baixa de impostos subsídios sonhos

os putos marginais
virando a Feira das avessas
limpando ao braço
transpirações e ranhos

aí estão os balões
as espadas Excalibur
os pavilhões
de produtos regionais
:
os méis os queijos os enchidos maduros
os cheiros assimilados
a humores corporais

entanto o Sol falece
prós lados de Lisboa
são horas de apanhar o autocarro
- há quem vá de vagar há quem se apresse
há os eternos retardatários
distribuindo ainda
o tinto que há num jarro

até pró ano - a Feira estava boa
podia estar melhor diz a mulher cansada
perde a gente o tempo
por aqui à toa
com o raio da crise
não dá pra comprar nada

Platero

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Saiba tudo sobre a 29ª OVIBEJA


Saiba tudo sobre a 29ª OVIBEJA em: http://www.ovibeja.com/
Veja o PROGRAMA da 29ª OVIBEJA em: http://www.ovibeja.com/?go=programa&b=1&s=1&sd=&fcp=0

"Velório pela Câmara Municipal de Beja"...


Um grupo de artistas de Beja, vestidos de negro e de velas na mão, marcou presença ontem na reunião da Assembleia Municipal de Beja em protesto pela falta de apoio da Câmara às actividades culturais. Segundo a Rádio Pax "um dos elementos do grupo referiu que a “Câmara de Beja faleceu” devido a “maus-tratos” à cultura e à população".
Também a Voz da Planície se faz eco desta iniciativa dizendo que o protesto começou junto à Câmara Municipal, tendo a polícia sido chamada ao local, e que os elementos do grupo se deslocaram depois, em procissão, para a Biblioteca onde se realizou a reunião da Assembleia Municipal.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

DA 1566


PORTO: A REVOLUÇÃO HOJE NÃO PASSA NA TELEVISÃO!!





Um grande album de fotos sobre o 25 de Abril no Porto. Gente nova a erguer as bandeiras de sempre. AQUI (Inah Santos Photographer)

Se pegarmos no mais ardente revolucionário e o investirmos de poder absoluto, num ano ele será pior do que o próprio Czar.


Eis aqui uma série de questões que se colocam de forma premente e cuja resposta determinará o nosso devir.
Num mundo globalizado, controlado pelo poder financeiro, que resposta poderemos dar para repor o primado do poder político?
Será a democracia representativa ainda a solução?
Ou pelo contrário teremos de apostar em novas formas de representação política, que confiram espaço de afirmação aos movimentos emergentes da nova realidade, fruto da revolução tecnológica?
Como é que os quadros partidários ou sindicais, tolhidos de movimentos por uma estrutura rígida e altamente hierarquizada, conseguem sair dos gabinetes, contactar a população no quotidiano, aferir das suas necessidades e dar-lhes respostas pontuais saindo da sua postura macro, estratégica e modelar?
Não será o Estado um travão à mobilidade social, à eliminação do fosso entre pobres e ricos?
Existirão ainda as maiorias tradicionais, ideológicas, ou serão já parte da história, cedendo o lugar a maiorias ocasionais, formadas por múltiplas minorias, ocasionalmente convergentes na resolução de determinada questão e que se dissolvem naturalmente atingido o objetivo?
Fará sentido, num mundo em busca de novos valores, a tradicional e centenária formação orientada para o emprego, ou pelo contrário a educação deve ser inspirada pelo desenvolvimento das potencialidades criativas de cada indivíduo, direcionada para o crescimento das aptidões de cada um?
Será ou não prioritário apostar em fórmulas de autogestão, enfatizando a resposta comunitária a problemas locais, resolvidos localmente de uma forma cooperativa, em vez de entregar a solução desses problemas nas mãos de empresas ou do Estado que se limitam a aplicar um modelo generalizado, com os custos que se conhecem?
(Título: frase de Mickhail Bakunin)

Começa amanhã a 29ª OVIBEJA


Veja PROGRAMA.

Pensar Évora hoje : um debate para onde todos são convidados

Antónia Fialho Conde, Artur Goulart, Cármen Almeida, Celestino David e Manuel Branco são as cinco pessoas convidadas a iniciar o debate sobre os contriburos da História, da Memória e do Património para o repensar da cidade de Évora. Poderão estes recursos - História, Memória e Património - ser colocados ao serviço da cidade de hoje ou serão jóias valiosas a guardar para uso em momentos e circuntâncias em que a cidade deseja destinguir-se e impressionar? Poderão estas referências, tão valorizadas em Évora, facilitar a construção de uma cidade mais educadora, ou podem refrear também os passos do presente? Estas e outras questões relacionadas com a procura de "Habitar a Cidade - Construir Espaço Público" são debatidas esta tarde no Café Condestável (Rua Diogo Cão, Nº3 em Évora)entre as 17.30h e as 20.30h, num ambiente convidativo e informal onde as diferentes opiniões, mais e menos especializadas, são muito relevantes. A proposta é a de um encontro participado e diversificado. O convite dirige-se a todos os que se relacionam com Évora.

O Elias está com o Es.Col.A

Elias, o sem abrigo. in JN
"Este" vi ontem em primeira mão. Um sem abrigo "a dar" para o libertário.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

A propósito de Luiz Pacheco: "O Meu 25 de Abril"


Este texto foi escrito originalmente a 30 de Maio de 1974 e fazia parte de um diário que Luiz Pacheco começou a escrever em 1971. Por decisão do próprio Luiz Pacheco, este “O Meu 25 de Abril” acabou por ser excluído da edição final. É assim no contexto de uma escrita diarística, ao correr dos dias e sem grande apuro estilístico, que este documento deve ser lido. Luiz Pacheco vivia então em Massamá e estava em casa a rever as provas do Pacheco versus Cesariny (editorial Estampa, 22 de Maio de 1974). “De repente chateei-me, não tinha telefonia, não tinha televisão, não tinha nada, chateei-me de rever provas e digo «vou ali beber uma cerveja». Enfiei o sobretudo por cima do pijama, um sobretudo que me tinha sido dado pelo Alfredo Machado, o terceiro marido da Natália Correia. Quando venho de beber a cerveja o barbeiro diz-me «ó senhor Pacheco, olhe que há revolução em Lisboa»”.




O MEU 25 DE ABRIL



Estou na cama de manhã e aproveito para apontar na Agenda o tempo que passa. Tinha ficado na véspera em casa a rever provas. O puto fora para o liceu. Resolvo ir à rua beber uma cerveja e continuar a revisão. Ao pé do chafariz, o barbeiro atira com esta: “então, o Marcello e o Thomaz lá foram ao ar...” Não percebo logo. Nem acredito como. Mas ele confirma: a Emissora Nacional não funciona, só o Rádio Clube Português é que dá música e de vez em quando comunicados breves. Já mais convencido, convido-o logo a festejar na tasca da Laurentina que era para onde eu ia. E depois, ainda duvidoso, vou com ele à barbearia a ver se oiço algum comunicado. Música ligeira, sem nada de marcial. Canções populares portuguesas, pouco mais. (Até a Amália, parece-me!). Mas passados minutos um comunicado do Comando das Forças Armadas. Aí, adquiro a certeza que é, deverá ser a repetição do golpe das Caldas, mas com outra amplitude. Refere que o público tem ocorrido às lojas, em tentativas de açambarcamento, e manda fechar o comércio. Aconselha a população a manter-se nas suas casas e as forças militares e militarizadas a recolherem aos quartéis e não oferecerem resistência à tropa. A coisa é grave. Parece que não há comboios e para lá de Sete Rios não se passa. Tenho algum dinheiro e resolvo logo ir ver (foi o melhor que fiz: ver para crer). Desço acelerado e vou a casa do Fernando Paços, perguntar se ele sabe alguma coisa. Se sabe não diz. Mas confirma. Acompanho-o à farmácia de Queluz Ocidental e depois (ele aconselha-me que não vá a Lisboa, pois não conseguirei passar – mas eu conheço outro sítio para entrar, ou sair, da minha terra e caminho acelerado. Muitos carros, em fuga discreta?) para cá. Em Queluz, já vejo lojas fechadas, outras a fechar à pressa e uma data de tontos a abastecerem-se para o ano todo... oiço que um tal comprou mais de cem pães. Rica açorda (ou negócio) deve ter feito com eles. Cafés fechados. Há comboios. Meto-me num para a Amadora, depois sigo a pé. No Bairro do Bosque (sempre o intenso movimento de carros a saírem), ainda consigo meter um copo. Não há jornais. Rostos, com as janelas fechadas, assomem entre cortinas. Tudo me dá a ideia de receio (mas em Queluz vi alguns magalas a planar, o que me deixou intrigado). Venho a pé até às portas de Benfica e o ambiente é o mesmo: fila de carros a safarem-se, comércio encerrado, mulheres com sacos de plástico cheios, tensão. Meto-me num autocarro da Carris, de Benfica para o Chile e fico-me um tanto a rir do Paços, que em Lisboa e a andar para o centro já eu vou. No Chile, só uma taberna aberta: bebo mais um copo, estou nas lonas. Animação. Um tipo ao meu lado compra 8 maços de Português Suave, também está a açambarcar ou a fumar aquilo diariamente habilita-se a um cancro nos pulmões em beleza e rápido. Aparece gente com jornais (A Capital) e sei que estão a vender para os lados do Império. Vou logo lá, sento-me num degrau e sei as primeiras notícias. Tá bem! Resolvo ir a casa do Henrique, ver se ele estará. Na Carlos Mardel, uma senhora num 1º andar pergunta-me onde vendem jornais. Digo e ofereço-lhe o meu. O marido, que vinha à rua, fica com ele e eu fico reduzido a 30$00. Começo com sede e angústias. Estou em jejum e já andei um bom bocado. Penso ainda ir ao Manaças (António) mas desde a última vez, desde a nossa última conversa, ele não me está a apetecer. E depois, o importante deve estar a acontecer na Baixa. Enfio ao Montecarlo (fechadíssimo) mas consigo topar um tipo a bater à porta da Mourisca (também fechada) e entrar. É que há gente. Vou, bato, o Costa Loiro está a forrar vidros por dentro com papel, talvez com receio dalgum obus. Peço-lhe vintes e ele despacha-me. Meto à Rua Viriato e vou até ao quartel de Santa Marta (todas as tascas fechadas até ali). Dá-me vontade de rir ver os cabeças de nabo reunidos lá dentro, a falarem uns com os outros (é que obedeceram às ordens?). Mas logo ao lado há uma tasca restaurante, porta meio aberta, com gente e muito movimento (guardas a beber, outro a telefonar para casa e sossegar a mulher (?), diz que não há azar). Bebo uma Sagres e como uma sandes. E avanço para a linha de fogo, que não sei onde é. Metros andados, ouvem-se ao longe tiros e rajadas de metralhadora. Tipos que fogem. Mas onde será o tiroteio? Como a coisa parou, continuo a andar. Até que encontro, já não sei onde, o Almeida Santos e um tipo que é revisor no Diário de Lisboa ou no Popular, já não sei. Metemo-nos num táxi que sobe pela Calçada do Carmo. Mas logo populares avisam (ah, entretanto, perto do Tivoli, já tinha comprado um Diário de Notícias, com mais informes) que a rua está bloqueada. O carro faz marcha-atrás e mete (por onde?) para o Bairro Alto. Bebemos não sei o quê numa tasca, o revisor vai à vida, o Almeida Santos pira-se e eu avanço para os lados do Carmo. Na Rua da Misericórdia, muita gente, tropa e um tanque de respeito. Da janela da Redacção da República, o Vítor Direito e o Afonso Praça (aquele grita-me: “estás muito bonito hoje!”, eu levava o sujíssimo albornoz que me deu o Artur), noutra varanda o Álvaro Belo Marques, a quem pergunto: “como é que se entra para aí?”, porque a porta da escada da República está fechada. “Vai pelas traseiras!”. Vou mas também está fechada e logo à esquina aparece um vendedor com a última da República. É um verdadeiro assalto. Aí fico a saber dos chefes (Costa Gomes e Spínola) e o alvoroço é enorme. Já não sei bem: se vim ao Rossio, se de repente notei uma grande correria para o Terreiro do Paço. Sem perceber nada do que se passa, sigo a onda. No Terreiro do Paço, começa a chover. Há correrias e encontro uma rapariga que me conhece muito bem mas não topo logo. É a Maria João, a engenheira química, amiga do Henrique, com outro rapaz. Ficámos abrigados da chuva debaixo das arcadas, depois convenço-os a irem beber um copo ao Terreiro do Trigo (Campo das Cebolas?), não sei já se estava aberto se não. Ela tem o carro no Camões e para aí vamos. Mas o Chiado está cheio de gente, que quer assaltar a Pide. Já não sei se ouvi tiros. Vi ainda as (uma?) ambulâncias, depois quase à porta da Brasileira um rapaz ou homem com a mão cheia de sangue (seco?), que tinha agarrado num rapaz ou rapariga. Começam a chegar fuzileiros, há mais correrias, a Maria João e o rapaz perderam-se de mim. Cheira-me que já chega. Agarro um táxi e arranco para casa da São. Pela TV vi depois o resto. Foi bonito e foi rápido. Já posso morrer mais descansadinho.


Salvemo-nos dos economistas e do economês!


Ouvindo hoje os discursos no Parlamento, na sessão do 25 de Abril, compreendi verdadeiramente algumas das explicações para o estado em que o país está. E uma delas, não de somenos importância, é que o "economês" domina a vida pública (mesmo em datas como o 25 de Abril), Portugal tem sido governado por economistas e gestores (não se sabe muito bem do quê!) e o discurso prevalecente é apenas de e sobre economia. Compreende-se assim a situação de bancarrota que atravessamos e o desequilíbrio da economia. Nunca se viu um economista saber gerir o que quer que fosse! E aquele discurso de Cavaco Silva é quase inenarrável!
Depois dos advogados, dos engenheiros, destes e daqueles, aí temos os economistas - e o caminho para o precipício económico é cada vez mais claro! Quem apenas sabe viver a olhar para os números e não tem sequer uma nesga de horizonte para imaginar a pluralidade dos sonhos e a fertilidade da utopia só pode ter um cadáver como país.

(na imagem a capa da biografia de Luiz Pacheco - altamente recomendada nos dias que correm!)

terça-feira, 24 de abril de 2012

Ao 25 de Abril (e também em memória de Miguel Portas)


Ontem à noite estive em Grândola. Fui assistir ao último ensaio do Grupo Coral e Etnográfico COOP de Grândola antes de amanhã, dia 25 de Abril, participarem na cerimónia oficial, comemorativa da data, no Parlamento. Fiz uma pequena reportagem para a TSF e gravei o ensaio do "Grândola Vila Morena". Estes homens, rijos como a terra de que são feitos, querem levar também "uma mensagem política" ao Parlamento.
Ausentes da cerimónia, pelas razões que se sabem, os "capitães de Abril", talvez que a única "aragem nova" que amanhã vai soprar no Parlamento - sempre cheio de discursos inúteis e a cheirarem a "naftalina" -  seja a desta dúzia e meia de homens que guardaram no bolso - se a "ocasião se proporcionar" - o "Hino dos Mineiros" para "presentearem" os deputados e o Governo, uma vez que a "Grândola" apesar de todo o seu simbolismo, ao logo destes anos, já perdeu muita da carga de rebeldia. Mas ainda é um hino, sobretudo aqui nos campos do sul. E quer-se emoção ao cantá-la, como dizia ontem o músico Paulo Ribeiro, que desempenha as "vasas" de ensaiador. 
Gostei de ter ido a Grândola nestas vésperas do 25 de Abril, ali às instalações desactivadas da antiga cooperativa de consumo. Ergam-se pois as vozes criadas junto ao Sado. Uma terra que também me é muito próxima ou não tivesse nascido ali a dois passos deste edifício onde agora gravo as vozes e as músicas destes homens agarrados às raízes. Por isso, também, construtores do futuro. Bem mais do que os que "gatinham" no Parlamento.




Morreu Miguel Portas


A noticia é recente. Miguel Portas morreu hoje, véspera do 25 de Abril. Lutador incansável, obreiro do Bloco de Esquerda, depois de anos de militância no PCP,  foi vencido pelo cancro no pulmão, doença que sofria já há algum tempo. É uma perda grande para todos os que consideram que a utopia é apenas o que ainda não está realizado. De todas as vezes em que me cruzei com ele era clara a sua cultura, tolerância e capacidade de fazer pontes. Ver aqui. Aqui também um texto do Francisco Louçã colocado há pouco no facebook. Ou AQUI a crónica de amanhã do Rui Tavares no Público.

O Povo é Quem Mais Ordena

Quando se fez o 25 de Abril e restaurou a República, partiu-se do princípio que a democracia traria consigo o fim das iníquas desigualdades sociais que o estado novo acarretava, que os mais fracos teriam voz...
Agora os homens do 25 de Abril são apodados de "brigada do reumático", como se os mais velhos(?) não possam ter voz, assumir as suas posições, tenham de limitar-se a embelezar uma prateleira, mesmo que dourada.
Num país que elimina o feriado do 5 de Outubro, que tem uma polícia que avisa que agirá com "tolerância zero" nas manifestações populares de celebração do dia da liberdade... Indignam-se uns e outros por os homens de Abril fazerem como John Lennon e dizerem o público da plateia (parlamento) escusa de aplaudir, pode apenas chocalhar as jóias.

"Há 38 anos, os Militares de Abril pegaram em armas para libertar o Povo da ditadura e da opressão e criar condições para a superação da crise que então se vivia.
Fizeram-no na convicta certeza de que assumiam o papel que os Portugueses esperavam de si.
Cumpridos os compromissos assumidos e finda a sua intervenção directa nos assuntos políticos da nação, a esmagadora maioria integrou-se na Associação 25 de Abril, dela fazendo depositária primeira do seu espírito libertador.
Hoje, não abdicando da nossa condição de cidadãos livres, conscientes das obrigações patrióticas que a nossa condição de Militares de Abril nos impõe, sentimos o dever de tomar uma posição cívica e política no quadro da Constituição da República Portuguesa, face à actual crise nacional.
A nossa ética e a moral que muito prezamos, assim no-lo impõem!
Fazemo-lo como cidadãos de corpo inteiro, integrados na associação cívica e cultural que fundámos e que, felizmente, seguiu o seu caminho de integração plena na sociedade portuguesa.
Porque consideramos que:
Portugal não tem sido respeitado entre iguais, na construção institucional comum, a União Europeia.
Portugal é tratado com arrogância por poderes externos, o que os nossos governantes aceitam sem protesto e com a auto-satisfação dos subservientes.
O nosso estatuto real é hoje o de um “protectorado”, com dirigentes sem capacidade autónoma de decisão nos nossos destinos.
O contrato social estabelecido na Constituição da República Portuguesa foi rompido pelo poder. As medidas e sacrifícios impostos aos cidadãos portugueses ultrapassaram os limites do suportável. Condições inaceitáveis de segurança e bem-estar social atingem a dignidade da pessoa humana.
Sem uma justiça capaz, com dirigentes políticos para quem a ética é palavra vã, Portugal é já o país da União Europeia com maiores desigualdades sociais.
O rumo político seguido protege os privilégios, agrava a pobreza e a exclusão social, desvaloriza o trabalho.
Entendemos ser oportuno tomar uma posição clara contra a iniquidade, o medo e o conformismo que se estão a instalar na nossa sociedade e proclamar bem alto, perante os Portugueses, que:
- A linha política seguida pelo actual poder político deixou de reflectir o regime democrático herdeiro do 25 de Abril configurado na Constituição da República Portuguesa;
- O poder político que actualmente governa Portugal, configura um outro ciclo político que está contra o 25 de Abril, os seus ideais e os seus valores;
Em conformidade, a A25A anuncia que:
- Não participará nos actos oficiais nacionais evocativos do 38.º aniversário do 25 de Abril;
- Participará nas Comemorações Populares e outros actos locais de celebração do 25 de Abril;
- Continuará a evocar e a comemorar o 25 de Abril numa perspectiva de festa pela acção libertadora e numa perspectiva de luta pela realização dos seus ideais, tendo em consideração a autonomia de decisão e escolha dos cidadãos, nas suas múltiplas expressões.
Porque continuamos a acreditar na democracia, porque continuamos a considerar que os problemas da democracia se resolvem com mais democracia, esclarecemos que a nossa atitude não visa as Instituições de soberania democráticas, não pretendendo confundi-las com os que são seus titulares e exercem o poder.
Também por isso, a Associação 25 de Abril e, especificamente, os Militares de Abril, proclamam que, hoje como ontem, não pretendem assumir qualquer protagonismo político, que só cabe ao Povo português na sua diversidade e múltiplas formas de expressão.
Nesse mesmo sentido, declaramos ter plena consciência da importância da instituição militar, como recurso derradeiro nas encruzilhadas decisivas da História do nosso Portugal. Por isso, declaramos a nossa confiança em que a mesma saberá manter-se firme, em defesa do seu País e do seu Povo. Por isso, aqui manifestamos também o nosso respeito pela instituição militar e o nosso empenhamento pela sua dignificação e prestígio público da sua missão patriótica.
Neste momento difícil para Portugal, queremos, pois:
1. Reafirmar a nossa convicção quanto à vitória futura, mesmo que sofrida, dos valores de Abril no quadro de uma alternativa política, económica, social e cultural que corresponda aos anseios profundos do Povo português e à consolidação e perenidade da Pátria portuguesa.
2. Apelar ao Povo português e a todas as suas expressões organizadas para que se mobilizem e ajam, em unidade patriótica, para salvar Portugal, a liberdade, a democracia.
Viva Portugal!
ASSOCIAÇÃO 25 de ABRIL"

Elias, o sem abrigo

Elias, o sem abrigo, in JN

Foi bem feito. Os "capitães de Abril" responderam com "tolerância zero" à incompetência e à intolerância do Governo.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

O discurso do governo é "sempre o mesmo" e "até enjoa" - diz presidente da concelhia de Beja do PSD

João Paulo Ramôa, que foi governador civil de Beja no último governo do PSD e preside agora à concelhia daquele partido, é um dos que afirma não ver, nas opções do executivo "“uma única política que estimule o emprego na realidade, a não ser meia dúzia de chavões que se dizem e que não têm qualquer eficácia”.
É mais uma voz a juntar-se aos que contestam cada vez mais as opções governamentais, em que só a austeridade parece contar e que estão a levar o país a uma situação de ruptura acelerada: sem a economia a funcionar Portugal caminha aceleradamente para a bancarrota, como as próprias contas governamentais não param de anunciar (apesar dos esforços do PSD para ocultar este facto).

Évora: UXU KALHUS celebram 25 de Abril



Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio 
E livres habitamos a substância do tempo 

Sophia de Mello Breyner Andresen 

A atuação da banda UXU KALHUS, na Praça do Giraldo, pelas 22 horas, do dia 24 de Abril, seguindo-se o habitual fogo-de-artifício ao som de Grândola Vila Morena, de Zeca Afonso, são algumas das iniciativas que compõem o programa que assinala o 38º aniversário da revolução dos cravos, em Évora.

Programação Completa 
Dia 24 de Abril de 2012 
Salão Nobre dos Paços do Concelho 
Concerto | Coro Polifónico “Eborae Musica” |18h30 

Praça do Giraldo 
Grupo|UXU KALHUS 
Palco | 22h00 
Grândola Vila Morena e Fogo de Artifício | 24h00 

Dia 25 de Abril de 2012 
Pátio de Salema | 00h00 
S.O.I.R. “Joaquim António d’Aguiar” 
Concerto | NAÇÃO VIRA LATA | DJ FONZIE 

Paços do Concelho | 10:00 
Cerimónia de entrega de Habitação Social 

Bairro das Espadas | 11:00 
Inauguração da Sede Social do Rancho Folclórico Flor do Alto Alentejo 

Praça do Giraldo | 10:00 – 13:00 
Manhã Desportiva 
Várias modalidades 

Arruada pela Banda Filarmónica da Casa do Povo de N.ª S.ª Machede 
Templo Romano | Praça do Giraldo | Praça 1.º de Maio 

"O poder político está contra os ideais e os valores do 25 de Abril "




Associação 25 de Abril "rompe" com o governo e não participa em nenhum "acto oficial" do 25 de Abril.

sábado, 21 de abril de 2012

Esferográficos & patetográficos


25 de Abril Sempre



Era uma vez um país a preto e branco, cheio de sombras furtivas que se faziam passar por pessoas e deslizavam obscuramente pelas ruas tristes, encolhidas, cerzidas nas paredes, com medo de se fazerem notar.
Claro que nesse país existiam também pessoas que sabiam da cor e da luz e do doce prazer de poder abraçar o sorriso do Sol. Umas por ouvir falar, outras porque tinham conseguido transpor os imensos muros que cercavam tão triste país e impediam a luz de entrar.
Sei bem que me vão perguntar, mas se assim era, porque não derrubavam os muros e deixavam a luz invadir as suas tristes existências?
É que os muros tinham donos, que eram também os donos do país, e a eles, que se alimentavam de sonhos alheios, convinha um país a preto e branco.
Inculcaram nas pessoas o medo à diferença, e estimularam um mundo em que tudo fosse o nada e o seu contrário, os hospitais, as escolas, as casas, as vestes, a música, o cinema, o teatro, o amor e o ódio, até a própria guerra que eles inventaram era a preto e branco.
Tinham prisões a preto e branco, e polícias, brancos como a morte vestidos de negras cores, tinham juízes a preto e branco, que debitavam sentenças a preto e branco, e professores que davam aulas a preto e branco e falavam de rios e montanhas e caminhos-de-ferro e de como a pobreza é o caminho para a salvação e de heróis sem interesse nenhum, tudo a preto e branco.
Mas esses muros não eram perfeitos. Deixavam passar notícias de um mundo diferente e as pessoas, de início a medo, depois com mais e mais insistência, começaram a exigir a mudança, até que um dia, alguns militares, fartos da guerra que lhes impunham, rebelaram-se e saíram à rua. De repente os muros ruíram e as pessoas perceberam finalmente o quão frágeis eles eram.
Foi a primavera que chegou. O sol inundou o país e a liberdade começou a brotar, nasceram hospitais e escolas e uma vontade imensa de falar e de partilhar, as espingardas da guerra foram usadas como canteiros de rubros cravos, e os direitos surgiram como um arco-íris e correram o país de uma ponta à outra.
As crianças deixaram de morrer no parto, os mais velhos puderam por fim ser compensados depois de anos de trabalho, a esperança de vida aumentou, o teatro abriu as portas, bem como o cinema, os livros circularam de mão em mão, as ruas encheram-se de festa e o mundo abriu os olhos de espanto ao ver tão prodigiosa primavera.
Elegeram-se mulheres e homens para um parlamento, abriram-se as portas ao mundo e ao sétimo dia descansou-se.
Ao oitavo dia já os senhores de preto e branco, que tinham sido deixados em liberdade, começavam a colocar os seus discípulos nesse parlamento eleito e os seus filhos à frente das empresas, à frente das escolas e dos hospitais, à frente dos jornais, à frente da justiça. Disfarçados, com nomes diferentes e hábitos renovados, mas sempre com a mesma vontade de criar novos muros, de voltar a tapar o Sol, de voltarem a ser donos de tudo.
Passados trinta anos as pessoas continuam a descansar, sem se dar conta de que voltaram a ser sombras, sem olharem as nuvens negras que tapam o Sol, sem perceber que novos muros se ergueram, desta vez quase transparentes, mas mais intransponíveis, mais assustadores.
Entretanto os mais velhos perderam apoios, as crianças voltaram a ter fome e os polícias brancos como a morte e vestidos de negras cores andam por aí.
Este país chama-se Portugal e os senhores aboliram Abril do calendário.

Lamento de um pai de família



Ouvi ontem à noite este texto de Jorge de Sena dito pelo actor Rui Nuno do Cendrev, durante uma sessão de poesia na Associação "é neste país" e ainda estou fascinado. Já conhecia o poema, mas não dito assim. Repito: foi uma delícia e foi pena não o ter gravado. A interpretação de Rui Nuno não desmereceu em nada esta de Mário Viegas. Pelo contrário. Um texto actual "num tempo de filhos só da puta ou só de putas sem filhos".

Lamento de um pai de família ______ JORGE DE SENA

Como pode um homem carregado de filhos e sem fortuna alguma
ser poeta neste tempo de filhos só de puta ou só de putas
sem filhos ? Neste espernegar de canalhas, como pode ser?
Antes ser gigolô para machos e ou fêmeas, ser pederesta 
profissinal que optou pelo riso enternecido dos virtuosos 
que se reveêm nele e o decepcionado dos polícias que com ele 
não fazem chantage porque não vale a pena . Antes ser denunciante 
de amigos e inimigos para ganhar a estima dos poderosos ou 
dos partidos políticos que nos chamarão seus génios . Antes 
ser corneador de maridos mansos com as mulheres deles fáceis .
Antes reunir conferências de S. Vicente de Paula para roçar 
o cu da virtude pelas distracções das sacristias escuras  
e ter o prazer de acudir com camisolinhas aos pobres entre os quais 
às vezes aparece um ou uma que dá gosto ver assim tão pobre por 
por se lhe verem os pêlos pelos rasgões da camisa ou algo 
de mais impressionante para o subconsciente que sempre está nos olhos 
que docemente se comovem com a miséria . Antes ir para as guerras 
da civilização cristã ou da outra , matar os inimigos da conta corrente 
e das fábricas de celofânicas bombas . Antes ser militar .
Ou marafona de circo . Ou santo. Ou demónio doméstico 
torcendo as orelhas dos filhos à falta de torcê-las aos filhos 
da puta . Ou gato . Ou cão . Ou piolho : Antes correr os riscos do 
DDT , das carroças que os municípios têm para os cães suspeitos 
de raivosos como todos os cães que se vê não lamberem as partes 
das donas ou mesmo dos donos . Antes tudo isso que assistir a tudo , 
sofrer de tudo e tudo , e ainda por cima ter de aturar o amor 
paterno e os sorrisos displicentes dos homens de juízo
que deram pílulas às esposas , ou as mandaram à parteira secreta 
e elas quiseram ir . Antes morrer .
Mas que adianta morrer ? 
Quem nos garante que a morte 
não existe só para os filhos da puta ? Quem me garante que 
não fico lá , assistindo a tudo , e sem sequer poder chamar-lhes 
filhos da puta , com o devido respeito a essas senhoras que

precisamente
se distinguem das outras por não terem filhos nem desses nem dos outros ?
Mas mesmo isso não consola nada. A quantidade , a variedade 
gastaram a força dos insultos . E não se pode passar a vida , 
esta miséria que me dão e querem dar a meus filhos, a chamar nomes
feios a sujeitos mais feios do que os nomes . Como pode um homem 
sequer estar vivo no meio disto sem que o matem, 
e o pior é que matam, sim, e sem saberem primeiro quem, 
para não se inquietarem com o problema de terem morto por engano 
um irmão, desfalcando assim a família humana de algum ornamento 
que a tornava menos humana e mais puta .

Ainda vai a tempo. Contos na "é neste país"

21 de Abril, pelas 11.30h


Com quantos pontos se conta um conto?

Fungágá



NÍDIA CAMBIM

GONÇALO CAMBIM

sexta-feira, 20 de abril de 2012

José Soeiro e Pulido Valente na Assembleia Distrital de Beja



É quase só a voz do José Soeiro, presidente da Assembleia Municipal da Vidigueira que se ouve nesta gravação feita ontem na reunião (?) da Assembleia Distrital de Beja. Em fundo ainda lá está a voz de Pulido Valente, o presidente da Câmara de Beja. PCP versus PS. Soeiro versus Pulido Valente.  Como "chefe" dos árbitros de Beja pedia-se, pelo menos, maior contenção a Soeiro...

Nem um voto para esses prepotentes


Têm-se multiplicado as constatações: Portugal é uma sociedade desvitalizada, sem capacidade de acção cívica significativa, que até pode parecer masoquista, ao ponto de merecer elogio do ministro das finanças pela sua apetência a resignar-se e a suportar, etc.
Mistério seria, se em cada ocasião em que projectos autónomos, vigorosos mas estritamente pacíficos, de auto-organização, de criação de laços comunitários se desenvolvem, não voltasse ao de cima a matriz que domina ainda no estado português: reprimir a iniciativa. 
Não pensar, não argumentar: quebrar. Demolir. Violentar.
Não fazer a mudança (mesmo compulsiva) dos bens de outrem, os que foram postos aos serviço de comunidades abandonadas pelas "autoridades", não: pilhar, destruir, limpar. Eis a mensagem: "jovens e menos jovens voluntários, vocês são lixo".
E cada um que regresse a casa e chore se quiser, já não é com eles.
Autarcas, tenham vergonha. Ou melhor, temos vergonha de vocês.
Mobilizar os votos, intervir junto das pessoas de boa vontade que ajudaram, apreciaram, beneficiaram de muitas maneiras desse projecto: nem um voto para esses prepotentes. Nunca mais.

JRdS
20 Abril, 2012 13:51

E pró povo, não pedem nada?

COMUNICADO Nº. 16/12


CARTA ABERTA AO MINISTRO DAS FINANÇAS

Exmo. Senhor Ministro

Notícia hoje publicada no Diário Económico refere que o Conselho de Administração (CA) da RTP entregou há cerca de uma semana nesse Ministério um pedido para os seus membros ficarem isentos do limite de vencimento de 6.850 euros mensais, que os colocaria ao nível da retribuição do primeiro-ministro. O CA pede assim a V. Exa. que, na forma simbólica de vencimentos superiores, reconheça à gestão do CA mais mérito do que ao Governo e, concretamente, mais do que ao primeiro-ministro. Nisso não haveria nada de mal, se a gestão da RTP fosse realmente melhor do que a governação do país.
Acontece que, do ponto de vista dos trabalhadores - que representamos com um mandato recente e sufragado por larga maioria -, este CA não tem estado à altura das suas responsabilidades. Menos ainda se encontra à altura do privilégio que agora requereu e a que outros gestores, da CGD e da Empordef, aparentemente preferiram renunciar.
Nós, que trabalhamos nesta empresa, sabemos que este CA deixou a introdução da TDT nas mãos da Portugal Telecom, parte interessada e suspeita, que viciou todo o processo. O resultado está hoje à vista, com a TDT transformada numa máquina de fazer dinheiro e não, como na generalidade dos países europeus, numa oportunidade para fazer chegar gratuitamente mais e melhor televisão a mais públicos.
Sabemos também que o CA embarcou num processo de audimetrias que desacredita o trabalho de todos nós, que deflaciona o número de espectadores da RTP e prepara desse modo o caminho para a privatização a preço de saldo.
Sabemos, além disso, como o CA tem primado pela pouca ou nula transparência da sua gestão, nomeadamente omitindo a entrega a quem de direito dos instrumentos essenciais dessa gestão. Assim, queixou-se publicamente o presidente do Conselho de Opinião por não ter recebido o Plano de Atividades nem o Relatório e Contas. Assim, queixaram-se os deputados na Comissão de Ética por não terem ainda recebido o Plano de Reestruturação de uma empresa que supostamente será privatizada até ao fim do ano (a isto respondeu o presidente do CA que não podia entregar-lhes o Plano sem o entregar primeiro à CT – coisa que tão-pouco fez dentro do prazo prometido e que ainda hoje continua sem fazer).
Sabemos também que continua entretanto a realizar-se em tranches essa reestruturação, cujo plano de conjunto não nos é dado a conhecer como a lei dispõe. E vimos, finalmente, a saber pelo Diário Económico que é ocultado à CT um ato de gestão importante, como este de pedir ao Ministério das Finanças um salvo-conduto para a continuação do despesismo e das mordomias, exatamente onde um e outras podem ser cortados.
Os trabalhadores da RTP já manifestaram anteriormente o seu repúdio por este desgoverno e insistiram na necessidade de fixar o vencimento máximo da empresa em 6.980 euros, tal como está previsto no Acordo de Empresa. Os trabalhadores entregaram também ao CA, há mais de um mês, uma moção aprovada em plenário, reclamando dele que requeresse junto do Governo a abertura de uma exceção aos cortes salariais, segundo o modelo que fora seguido, entre outras empresas públicas, na TAP. O CA não respondeu a essa pretensão dos trabalhadores e tratou, pelo contrário, de pedir uma exceção para si próprio.
Saiba, sr. Ministro que os trabalhadores da RTP, tendo ouvido as suas recentes declarações em Washington, sobre a necessidade de uma justa repartição dos sacrifícios, consideram que um CA a receber vencimentos superiores aos do primeiro-ministro seria um escárnio para essas declarações, emitidas perante uma plateia incapaz de cotejá-las com a realidade. E seria, para o Governo, uma vergonha.

Com os melhores cumprimentos,

O Secretariado da Comissão de Trabalhadores da RTP

Lisboa, 19 de abril 2012

Évora: este fim de semana na Casa da Zorra


Um dia Évora também marcará a sua solidariedade?


ÓDIO À DIFERENÇA

É em momentos como o ontem vivido no Alto da Fontinha que Rui Rio revela o seu rosto de autocrata e a sua aversão a tudo o que lhe cheire a diferença, particularmente a todas a formas de cultura e cidadania que escapem à Kultura, ao papel "couché" e à rotina institucional.
No edifício da antiga Escola da Fontinha, há cinco anos ao abandono, nascera espontaneamente, por iniciativa dos moradores e outras pessoas, um projecto cívico autónomo que, durante um ano, sem mendigar subsídios, fez a "diferença", infeccionando de vida comunitária e, sobretudo, de esperança, o resignado quotidiano de uma das inúmeras zonas degradadas que, longe do olhar dos turistas, persistem no coração da cidade.
Uma ilha de iniciativa, de partilha, de democracia participativa? Era de mais para Rui Rio. Ateliês de leitura, de música, de teatro, de fotografia?, formação contínua?, apoio educativo?, aulas de línguas?, xadrez?, yoga?, debates?, assembleias? - Intolerável!
De nada valeu ao movimento Es.Col.A constituir-se em associação, como lhe exigira a Câmara com a promessa de um contrato que nunca chegaria. Como os "Blue Meanies" de "O submarino amarelo", as retinas de Rui Rio não suportam as cores vibrantes e indisciplinadas dos sonhos. Ontem, por sua ordem, a Polícia cercou o bairro, invadiu armada a Escola da Fontinha, prendeu pessoas e destruiu e pilhou as instalações. E Pepperland voltou de novo a ser cabisbaixa e cinzenta.

Esta noite: poesia na é neste país


Dia 20 de Abril de 2012, pelas 21.30h
Serão de poesia com
Margarida Morgado . Rui Nuno . Alberto Frazão . Paulo Alves Pereira

À beira da zaragata


Por vezes entram-nos pela televisão dentro cenas de pugilato nos parlamentos e afins desse mundo fora. Cenas caricatas entre políticos e similares. Ontem parece ter sido em Beja. Não chegou a vias de facto, mas  a reunião da Assembleia Distrital, apesar de não ter quorum, gerou sururu, diz a Rádio Pax, entre o presidente da Assembleia Municipal da Vidigueira, da CDU, e o presidente da Câmara de Beja,do PS, com este a dizer “queres alguma coisa comigo? a gente logo se encontra aí...” e, como conta a Voz da Planicie"a tua dor de cotovelo é eu ter-te papado a Câmara”. Tá bonita a moenga, tá.

"Gestão de rigor e contenção"


"Tendo em conta todas as fontes de receita, (o presidente da autarquia) explicou que “este ano as receitas do município tiveram uma redução de cerca de sete milhões de euros, o que inevitavelmente obriga a um abrandamento do investimento municipal, a alterações nos apoios concedidos pela Câmara e a uma gestão de grande rigor e contenção”, assim como, do lado da despesa, a adoção de diversas medidas de redução da mesma em áreas como os encargos com pessoal, rescisão de contratos de arrendamento, redução de consumo de combustível, entre várias outras" refere a nota de imprensa sobre a última reunião de Câmara de Évora que pode ser lida, na íntegra, Aqui

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Não têm mais para virem?

Uma ideia destas não se despeja!

Es.Col.A.



Em tempos houve um edifício abandonado no Porto, no bairro da Fontinha. Com o abandono o prédio transformou-se num espaço usado por toxicodependentes, a cair aos bocados, sem préstimo.
Um grupo de cidadãos okupou-o, recuperou-o e devolveu-o à população do bairro, principalmente às crianças em idade escolar, que aí passaram a desenvolver inúmeras actividades.
O presidente da câmara não gostou e mandou desocupar o edifício, não conseguiu! A população do bairro uniu-se e impediu que tal acontecesse.
Passado um ano voltou à carga, desta vez com um contingente de 100 homens e as mais esfarrapadas desculpas e pelos vistos a razão da força imperou mais uma vez sobre a força da razão.
Não consigo entender como possa haver alguém que prefira um edifício abandonado a um espaço aberto à população, a funcionar e querido de todos os habitantes do bairro, a não ser por medo, por perceber que se não fechasse à força o espaço da Es.Col.A. as pessoas entenderiam que a burocracia é dispensável e que sustentar os burocratas é um custo desnecessário. Que outras formas de organização, são possíveis e desejáveis.

O tempo é o mesmo. Mas diferentes percursos levam a lugares diferentes.

O lugar a que chegamos pode permitir a escolha de outros caminhos. Ou a insistência no mesmo. Para insistir é necessário tornar-se insensível. Às vozes, aos olhares, aos outros, e até aos números.

tudo se paga senão não conta



Há dias, vi e ouvi na televisão uma abordagem aterradora acerca dos acidentes rodoviários.
Falava-se dos custos que esses acidentes comportam e do seu peso na economia. Um acidente mortal custa tanto, um acidente com feridos graves tanto, com feridos ligeiros tanto. Há que combater a sinistralidade rodoviária porque por exemplo, no ano transacto, o Estado perdeu x milhões de euros em consequência desta elevada taxa.
Este é mais um sinal do nada que as pessoas representam. somos vistos como números, enquadrados no deve/haver destas contas de merceeiro com que os iluminados no poder decidem do nosso destino.
Tudo se resume a isso, até na qualidade e segurança das estradas, quem tem dinheiro, viaja nas auto estradas em bons carros, os outros, os tesos, que vão pela 125, se tiverem um acidente, se morrerem ou matarem alguém, paciência... os custos não são significativos.
É assim em tudo, na saúde, na educação, no emprego, em todos os campos das nossas existências... porque vidas, só para alguns! Que a vida está cara.
Quando o nosso ministro das finanças, diz que   “Temos tido o cuidado de proteger os menos favorecidos e os mais vulneráveis ao definir os cortes na Segurança Social e no sistema de saúde quando aumentámos os impostos. Esse é um elemento-chave do sucesso do programa.” num debate nos EE UU e nós por cá somos confrontados com uma realidade completamente distinta, percebemos que só será possível sairmos deste sufoco se pusermos a economia ao serviço das pessoas e não o contrário, como agora sucede.
Viver assim sem esperança, sem participação não é possível. 
Estamos a voltar ao tempo dos contratos de escravatura, em que as pessoas abdicavam da sua liberdade em troco da subsistência. Só que isso aconteceu na idade média.

Capa do "Diário do Alentejo" de amanhã


quarta-feira, 18 de abril de 2012

salários em atraso e em segredo

O conhecido Café Arcada de Évora deve aos seus empregados - apesar de já estarmos na segunda metade de Abril - o subsídio de Natal de 2011, o ordenado completo de Março e consequentemente o de Abril.
Por queixa de um dos seus empregados ao Tribunal do Trabalho, este inquiriu junto dos gestores do supracitado Café, a causa do atraso de pagamentos dos salários em dívida.
Na sequência dessa diligência do Tribunal, a entidade gestora do Café Arcada chamou todos os empregados para saber quem tinha/m sido o/s queixoso/s. Ninguém se acusou.
Pergunta-se: Que atitude inquisitorial é essa, a que se permitiu a entidade patronal do Café Arcada?

A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi adoptada e proclamada pela Assembleia Geral da ONU a 10/12/1948, e publicada no Diário da República Portuguesa, I Série A, nº57/58 de 9 de Março de 1978.
Desconhecerão os gestores do Café Arcada o nº3 do artigo 23º desta Declaração onde se estabelece que “quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe permita a si e à sua família uma existência conforme com a dignidade humana, e completada, se possível for, por todos os outros meios de proteção social”?

Margarida Morgado
Évora, 18 de Abril de 2012