sábado, 31 de março de 2012

UM POEMA da Reforma agrária



LA TIERRA TUYA ES MIA
TODOS LOS PIES LA PISAN
NADIE LA TIENE, NADIE                   

                         (Nicolas Guillén)

Diz-me, camponês, diz-me
Que domínios sonhas – Alentejos –
Quantas terras, fincas
Herdades queres?

Que sem-limites mapas
Esboças
Farms quintas
Machambas roças?

A que países continentes
Ilhas brasis
Áfricas territórios
Aspiras
Para a desmedida
Força dos teus braços?

Calma camponês calma
Força e calma
Que não demora a Terra
será pelas tuas mãos
nosso Jardim e seara


António Saias (in Facebook)

cosmopolitismo


(tirado daqui)

Na maior parte das vezes, quando nos referimos a uma sociedade multicultural, fazemos uma confusão grosseira com uma sociedade cosmopolita.
Na verdade, uma sociedade multicultural pode emergir, ou não de uma estrutura cosmopolita.
Mas enquanto a multiculturalidade é um valor em si, o cosmopolitismo resume-se a um patamar numa gradação de tolerância.
Subsistem várias culturas numa sociedade cosmopolita, é um facto, mas não se misturam. Convivem apenas de forma mais ou menos harmoniosa, sem contudo se caldearem, múltiplas bolsas coexistentes num elemento agregador.
Já um espaço multicultural, implica interação, miscigenação, é equalizado pela diferença e comunica através dela sem hierarquizações nas diversas componentes, é uma soma, não uma sobreposição.
A democracia representativa é a expressão de uma sociedade cosmopolita, os cidadãos aglutinam-se em torno de propostas (partidos) com que se identificam e propõe-se assim determinar (influenciar) as decisões do coletivo. Fazem-no porque assumem ser o partido que adotaram a voz e o braço do seu grupo.
Partem do princípio que o partido terá voz e caso este não tenha, adequam-se a um que integre outros grupos (tribos) num intrincado sistema de adequações e compensações que possibilitem uma intervenção minimamente concertada.
Aqui reside o aparente paradoxo que consiste em ser o sistema pluripartidário, em boa verdade, um sistema de partido único.
O partido do centro, com duas alas que se alternam no poder, dando a falsa sensação de alteridade democrática.
Os outros partidos, fora da área de governação, tem apenas uma função tribunícia, sem possibilidades de chegar ao poder e com a óbvia função de através da sua ação justificarem a aparente abertura do sistema.
O ideal, seria um partido aberto, sem a tradicional organização em células dos partidos de massas, nem tão pouco a dominação por figuras tutelares que caracteriza os partidos de quadros. Um partido de confluências ocasionais, originado por maiorias feitas e desfeitas consoante mediante necessidades conjunturais da população, um partido share.
Isso é impraticável, porque essas maiorias conjunturais são efémeras, originariam a implosão do sistema.
Talvez a resposta passe por aí, por uma nova fórmula de expressão democrática, menos cosmopolita, mais multicultural.
A resposta do r/c à globalização dos arranha-céus.

A crítica depois da inquisição

imagem retirada daqui
Faz hoje 191 anos que foi extinta a Inquisição em Portugal.  Numa sessão das Cortes Gerais, Extraordinárias e Constituintes da Nação.
O que quer dizer que menos de duzentos anos nos separam do "ofício" que atormentou particularmente este Sul durante quase três séculos. No fim das contas, sem somar o sofrimento e a humilhação, sem contar a «desonra das gerações», (...) podemos afirmar que o Alentejo e o Algarve ficaram menos católicos e mais pobres, escreveu Borges Coelho.
Em Évora nasceu e viveu a Inquisição. O historiador descreve uma sociedade mortificada por escrúpulos de consciência, sempre desconfiada dos seus pensamentos e dos pensamentos e das práticas dos vizinhos, o tribunal alimentava-se quase exclusivamente da denúncia. E toda a sua actividade interna consistia em fabricar denúncias, verdadeiras e falsas, usando as longas prisões sem culpa formada, as ciladas, a coacção psicológica, a tortura.
Hoje, nas ruas, praças, lugares de encontro desta cidade, parece pairar ainda um indizível  medo do olhar dos outros. De uma qualquer denúncia, de um infundado "rótulo" ou desajustada "etiqueta", susceptíveis de nos perseguirem pela  vida toda, condicionando as escolhas e os caminhos.
O exercício da crítica - da politica, de arte, da economia, dos hábitos e costumes- sente-se em Évora retraído, mal visto, pouco livre. Pode compreender-se mas não aceitar-se.
A crítica - ao formato das greves ou às greves, às práticas, opções, partidos políticos, às associações e opções culturais e artísticas- pode ser uma via para a sua afirmação mas pode também ser (deliberadamente ou não) destrutiva. 
Neste dia, ergo a minha taça à capacidade crítica - feita de conhecimento e reflexão, desembaraçada de peias e maus olhados- e desejo que cresça, amadureça  e se liberte na cidade.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Este sábado na "é neste país": dois em um

De manhã, às 11, 30 horas

Com quantos pontos se conta um conto?

Pascoinha, Pascoela e Carochinha

EDVIGES ACÁCIO
DIANA ALFAIATE
FERNANDA BALTAZAR



 À noite, às 21,30 horas


Serão de poesia com

Margarida Morgado & Rosário Gonzaga

É oficial: governo adia candidatura do cante para 2013


A candidatura do Cante Alentejano a Património Imaterial da Humanidade será entregue à UNESCO, em Paris, em 2013, e não este ano, disse à Lusa o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), Miguel Guedes.
“Portugal entregará em 2013 a candidatura do Cante Alentejano a Património Imaterial da Humanidade”, disse Miguel Guedes que acrescentou: "Este é um compromisso firme do MNE”.
Os apoiantes da candidatura contavam apresentar hoje, em Paris, o dossiê que consideraram, na quarta-feira, "estar em condições de análise por parte dos peritos" da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
Miguel Guedes afirmou à Lusa que “a Comissão Nacional da UNESCO tem como política preparar, apoiar e densificar candidaturas que reúnam condições de sucesso”, nesse sentido, para o MNE é importante que “o Cante seja aprovado e que não seja apenas candidato”.
“De acordo com os critérios considerados relevantes pela UNESCO será necessário acautelar que aspetos institucionais, culturais e de divulgação associados à candidatura estejam plenamente garantidos”, disse à Lusa Miguel Guedes.
Neste sentido, o porta-voz do MNE afirmou que “a Comissão Nacional da UNESCO e rede diplomática vão trabalhar ao longo dos próximos meses com a comissão de candidatura e o comité científico [do Cante] de forma a construírem uma candidatura vencedora”.
“De acordo com os especialistas consultados pela Comissão Nacional da UNESCO, para que este processo tenha um sucesso equivalente à candidatura do fado, faltará ainda reforçar e aprofundar o trabalho meritório realizado e que deve ser melhorado em alguns aspetos para a avaliação internacional desta candidatura”, disse Miguel Guedes.
A Lusa contactou a comissão executiva da candidatura do Cante Alentejano que remeteu para segunda-feira uma resposta a este adiamento. (LUSA)

Earthcircuit: há quase dois anos na estrada


Saíram de Inglaterra em Junho de 2010 em duas caravanas. Percorreram a Europa e toda a Ásia até à Coreia do Sul, através da Sibéria. Depois, com as carrinhas, aportaram ao Canadá. Aí separaram-se. A Dúnia e o Andy ficaram a trabalhar em diversos locais, sobretudo em quintas. As duas ocupantes da outra caravana foram mais para norte, para perto do círculo polar ártico, após o que decidiram voltar à Europa.
A Dúnia e o Andy continuaram a viagem, conforme estava combinado, pelos Estados Unidos, de norte a sul. Atravessaram já o México e estão agora na Guatemala. A história contam-na nas páginas e nas fotos quer do blog quer no facebook. E cada vez estão a ir mais para sul. O projecto deve levá-los ainda a África e depois o regresso à Europa. Não se sabe é quando. Talvez lá 2013.

lá vamos cantando e rindo.

(imagem tirada daqui)

"Há dois aspectos em que a situação política no País nos dias que correm se assemelha perigosamente ao que se passava em Portugal no prenúncio da ditadura."
É João Paulo Guerra que o afirma na sua crónica diária no Jornal Económico, e com razão.
Um deles é a avidez do patronato, que apesar das reformas sucessivamente feitas, sempre a favor dos seus interesses, parece não estar ainda satisfeito e quer mais e mais...
Outro aspecto, prende-se com aquilo que o cronista chama de "pesporrencia da polícia," que extravasa já o seu papel e começa a dar-se ao luxo de fazer sugestões para melhor reprimir os cidadãos, privando-os de direitos constitucionais, como o direito de manifestação, por exemplo.
É bem verdade, mas falta ainda um terceiro aspecto, não menos importante, que é o esvaziamento da comunicação social, submetida, cada vez mais, aos ditames dos grupos económicos que a controlam.
Quem abrir as páginas dos jornais ditos de referência, ou assistir nas televisões aos programas noticiosos, ou a determinados debates propostos pelos canais disponíveis, julgará que nada se passa no mundo de semelhante ao que vivemos em Portugal ou na Grécia, que esta crise está prestes a ser debelada, que as opções tomadas pelos governos liberais de direita, são as únicas viáveis...
Na verdade, o mundo está em convulsão, em todos os continentes as populações são violentamente reprimidas e as tentações anti democráticas de uma nova ordem ganham cada vez mais peso na cena internacional.
Poder-se-ia simplificar dizendo como no velho ditado, que longe da vista, longe do coração.
Os regimes autoritários, vivem do medo e da ignorância, o medo já está imposto, com as actuações das polícias, com a precarização do trabalho, com o espectro do desemprego a pairar sobre a cabeça de todos.
A ignorância afirma-se inelutavelmente, com o fim do ensino público com um mínimo de qualidade, com a submissão da comunicação social aos interesses do patronato, com a criação de países ilhas que não comunicam entre si.
O exemplo? A greve geral de ontem aqui ao lado, e a infame ausência de cobertura dos órgãos de comunicação social de referência.(?)
É caso para dizer que lá vamos cantando e rindo...

Só faltam quatro semanas


Fernando Caeiros deixa InAlentejo por falta de "licenciatura académica"


... pelo menos é esta a notícia do "Correio Alentejo"

Manifestação Nacional em Defesa das Freguesias

quinta-feira, 29 de março de 2012

Câmara de Évora extingue empresas municipais e aprova novo modelo de estrutura orgânica


A Câmara de Évora decidiu extinguir, ao longo deste ano, três das quatro empresas municipais para aumentar a “eficácia” dos meios e “reduzir custos” ao município, revelou hoje à Agência Lusa o presidente da autarquia, José Ernesto Oliveira.
A decisão de extinguir as empresas municipais Mercado Municipal de Évora (MME), Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) e o Sistema Integrado de Transportes e Estacionamento de Évora (SITEE) foi tomada na última reunião pública de câmara, realizada quarta-feira.
A extinção do MME e da SRU foi aprovada por unanimidade, enquanto a cessação da atividade do SITEE foi aprovada por maioria, com os votos favoráveis dos três eleitos da gestão socialista e do vereador do PSD e o voto contra dos três elementos da CDU.
“Estas três empresas foram criadas num contexto que era completamente diferente do atual. Por isso, não faz sentido que continuem a existir”, afirmou o autarca, garantindo que, com a sua extinção, o município vai “conseguir uma maior eficácia” dos seus meios e uma “redução de custos”.
José Ernesto Oliveira adiantou que o município e ao seus serviços vão começar “a preparar, sob o ponto de vista legal, a extinção das empresas” e que as suas funções “passarão para os serviços municipais”, com “naturais ganhos de poupança de meios e de maior operacionalidade”.
Quanto aos trabalhadores das empresas a extinguir, o presidente da Câmara de Évora indicou que tanto os do MME, como os da SRU “já são municipais”, mas mostrou-se “preocupado” com sete dos 11 funcionários do SITEE que “não estão contratados pelo município”.
“É uma preocupação nossa não deixar esses trabalhadores sem emprego e tudo faremos para encontrarmos uma solução nos quadros legais e possíveis para resolver a situação desses funcionários”, frisou o autarca alentejano
Já o vereador comunista Eduardo Luciano disse à Lusa que os eleitos da CDU votaram contra a extinção do SITEE porque exigiam “duas garantias” da gestão socialista: “Uma oportunidade aos trabalhadores para integrarem a câmara e que o controlo e fiscalização do estacionamento no centro histórico fosse garantido pelos serviços municipais”. (Ver AQUI crónica de opinião de Eduardo Luciano hoje na Rádio Diana sobre este assunto).
Por seu lado, o vereador do PSD António Dieb afirmou ter votado a favor da extinção das três empresas, porque considera que “não se justifica a existência de empresas municipais que acumulam prejuízo e que, de acordo com o novo enquadramento legal, iriam colocar dificuldades sérias à gestão financeira da câmara”.
Em Évora, das quatro empresas municipais, mantém-se a Habévora, Gestão Habitacional, que faz a gestão e manutenção do património habitacional municipal. (LUSA)

Também na reunião de ontem da Câmara de Évora foi aprovado o novo Modelo de Estrutura Orgânica dos seus serviços. 11 Departamentos foram fundidos em 4, segundo informação do assessor do presidente da CME, Francisco Costa, no facebook.

Capa do Diário do Alentejo de amanhã


Jovens Criadores e a construção de Évora Cidade Educadora


Aí está mais um debate do ciclo "Habitar a Cidade, Construir Espaço Público", intitulado "Jovens Criadores e a construção de Évora Cidade Educadora" que terá lugar hoje, quinta-feira, 29 de Março, entre as 17.30h e as 20.30h no Condestável Café Bistrô, Rua Diogo Cão, 3, em Évora.
O painel deste debate é constituído por Pedro Pinto, músico (moderador); Ana Rita Rodrigues, actriz e criadora; Daniel Catarino, músico; Joana Dias, designer; Márcio Pereira, perfomer. Gente do melhor.

O que vês dessa janela?


Narração da emotiva mudança da Aldeia da Luz e das suas gentes para um novo lugar, por mou da barragem de Alqueva, num mágico e admirável monólogo de uma árvore com um adolescente. Saboroso texto de Isabel Milhós Martins, com bem esgalhadas ilustrações de Madalena Matoso e um irrepreensível design gráfico do Planeta Tangerina. Numa encantadora publicação do Museu da Luz.

“As coisas estão sempre a mudar.
Mas a verdade é que durante muitos anos quase nada por aqui mudou.
Até nos fazerem entrar nesta espécie de máquina do tempo que tudo precipitou, tudo fez acontecer.
Tu já não te lembras, mas o teu bisavô não saía de ao pé do rio, parecia ter medo que as margens lhe fugissem dos pés. Era dono de um moinho e de um barco de madeira que andava sempre para cima e para baixo e muitas vezes o vi lançar o tresmalho, com aquele jeito que tinham os pescadores mais antigos.
O teu bisavô dizia que, se a barragem viesse, já não seria no tempo dele e continuou, imperturbável, a pescar os seus achigãs até ser velhinho.
Um pouco antes de morrer, ainda subiu aqui com o teu avô, os dois amparando-se, porque a subida desde a aldeia sentia-se bem.
O teu bisavô já tinha passado dos noventa anos, mas ainda tratava da horta sozinho. Era um homem e tanto!
Sentaram-se nestas pedras – não sei daí as consegues ver – e apontavam os campos ao fundo. O teu avô explicava-lhe: ‘Ali, meu pai, ali é que vai ser a nova aldeia.’
E o teu bisavô, sem meias palavras, pouco querendo saber: ‘Só se for a tua… Desta já não saio eu.’
Mas enganou-se. Quando todos se mudaram, também os mortos se mudaram. Não poderia ser de outra maneira. Já te conto como foi.”

(excerto da obra)

Hoje é dia de Greve Geral no Estado Espanhol.


A greve de hoje no Estado Espanhol, ao contrário da greve de há uma semana em Portugal, tem tudo para ser um êxito: foi convocada por todas as centrais sindicais - das reformistas Comissiones Obreras e UGT às mais radicais, como é o caso da CNTda CGT ou da Solidaridad Obrera (todas elas de cariz anarcosindicalista). Nas redes sociais o impacto da greve geral é também muito grande. A imprensa escrita, como é tradicional, fez ontem greve, antecipando a paralisação, de maneira a que hoje não haja jornais. A própria imprensa alternativa está em greve.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Miguel Hernandez, nos 70 anos da sua morte




Andaluces de Jaén,
aceituneros altivos,
decidme en el alma: ¿quién,
quién levantó los olivos?

No los levantó la nada,
ni el dinero, ni el señor,
sino la tierra callada,
el trabajo y el sudor.

Unidos al agua pura
y a los planetas unidos,
los tres dieron la hermosura
de los troncos retorcidos.

Levántate, olivo cano,
dijeron al pie del viento.
Y el olivo alzó una mano
poderosa de cimiento.

Andaluces de Jaén,
aceituneros altivos,
decidme en el alma: ¿quién
amamantó los olivos?

Vuestra sangre, vuestra vida,
no la del explotador
que se enriqueció en la herida
generosa del sudor.

No la del terrateniente
que os sepultó en la pobreza,
que os pisoteó la frente,
que os redujo la cabeza.

Árboles que vuestro afán
consagró al centro del día
eran principio de un pan
que sólo el otro comía.

¡Cuántos siglos de aceituna,
los pies y las manos presos,
sol a sol y luna a luna,
pesan sobre vuestros huesos!

Andaluces de Jaén,
aceituneros altivos,
pregunta mi alma: ¿de quién,
de quién son estos olivos?

Jaén, levántate brava
sobre tus piedras lunares,
no vayas a ser esclava
con todos tus olivares.

Dentro de la claridad
del aceite y sus aromas,
indican tu libertad
la libertad de tus lomas.



(poema de Miguel Hernandez)

"Quem agora decidiu parar este processo fica responsável se o Cante Alentejano nunca mais chegar a património da Humanidade"


"Que fique claro: quem agora decidiu parar este processo fica responsável se o Cante Alentejano nunca mais chegar a património da Humanidade. E essa responsabilidade, que os alentejanos jamais esquecerão, é uma responsabilidade pessoal, mas é também uma responsabilidade política.Viva a candidatura, viva o Cante, viva o Alentejo!". Assim termina o comunicado sobre a Candidatura do Cante Alentejano a Património da Humanidade hoje lido em Lisboa pelo actor Nicolau Breyner.

Sobre uma tela de Picasso


Mulheres correndo na praia (com um PSP de bastão em riste)

Cantar até à última pinga de água


Mais de 500 elementos de diferentes grupos corais de cante alentejano estão concentrados em frente ao Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), em Lisboa, onde esperam ver recebida a candidatura daquele canto a Património Imaterial da Humanidade.
Cerca das 12:30, os grupos, masculinos e femininos, provenientes de localidades como Quinta do Conde, Santo Aleixo da Restauração, Baleizão e Vila Nova de São Bento, entoavam várias modas do cante alentejano, num apelo para que a comissão nacional da UNESCO e o MNE entreguem na sexta-feira, em Paris, o dossier da candidatura.
Entre os temas interpretados contou-se "Grândola, Vila Morena".
Àquela hora, os representantes da candidatura entraram no Palácio das Necessidades, sede do MNE, para serem recebidos pela chefe de gabinete do ministro dos Negócios Estrangeiros, Madalena Fischer, e pelo presidente da comissão nacional da UNESCO, o embaixador António de Almeida Ribeiro.
Fontes da candidatura disseram à agência Lusa que depositam "todas as esperanças nesta reunião de modo a sensibilizar os responsáveis para a desilusão que seria em todo o Alentejo e na grande Lisboa a não entrega do dossier em Paris".
Fonte da Comissão Executiva da candidatura tinha dito anteriormente à Lusa que a Comissão Nacional da UNESCO, a quem cabe apresentar a candidatura na sede da organização, em Paris, optou por não avançar com a apresentação da candidatura sexta-feira, seguindo os pareceres de dois dos nove elementos da Comissão Científica.
À porta, vários elementos dos grupos corais disseram à Lusa que "isto não se faz ao Alentejo", acrescentando que numa altura de crise económica "o turismo tem sido uma tábua de salvação da região e esta candidatura irá projetar a imagem da região internacionalmente".
Estiveram presentes ainda grupos corais de Viana do Alentejo, Nossa Senhora das Neves, Seixal e Cova da Piedade. (LUSA, 12:12 horas)


Mais Aqui

depois da SESTA

A SESTA DOS CEIFEIROS (1885)
José Malhoa (1855-1933)
Óleo sobre tela (95 x 132 cm)

sou louco por defeito
- aquilo a que aspiro
ou é fácil de fazer
ou já está feito

pelo que me é dado ver
a toda a hora
quem busca o belo ou o perfeito
é egoísta em excesso

com ele
o mundo não melhora

António Saias (via facebook)

Dou de vaia até porque a Dores Correia vai lá estar



20º IGNITE PORTUGAL - ÉVORA - PROGRAMA

Esta quarta-feira o Ignite Portugal vai ter mais um evento desta vez em ÉVORA no primeiro Ignite Portugal Alentejano.
E Évora parece prometer uma noite incendiária com um conjunto de oradores com  uma diversidade muito interessante.
Data: dia 28 de Março
Hora: a partir das 18h30m
PROGRAMA:
18h30m - Abertura de Bilheteiras e OPEN-NETWORKING
19h30m - 1ª parte
  • Pedro Grilo - “Empreender no Alentejo” 
  • Tiago Caravana - “Vinhos do Alentejo”
  • Luísa Silva - “Empregabilidade, empreendedorismo e responsabilidade social”
  • Henrique Sim-Sim - “Transformação Social powered by Voluntariado”
  • Paulo Soares - “Tributo a Évora”
  • Miguel Gaspar - “Web, biografia e personalidade”    
  • Ricardo Salta - “Como exterminar a crise”
20h30m - BEER-BREAK
21h00m - 2ª parte
  • Filipe Matias - “Estilos de vida Saudaveis” 
  • Sara Martins - “Light it up Blue”
  • Henrique Herculano - “História de uma coisa banal”
  • Luís Girassol - “Museu do marceneiro - um projecto”
  • Maria das Dores Correia - “Habitar a cidade. Construir espaço público”
  • Maria do Carmo Mendes - “Acrópole XXI”
  • Tiago Caravana - “Vinhos do Alentejo”
  • Pedro Carmo Oliveira - “Doutrina Empreendedora”
  • Victor Lamberto - “Devagar, devagarinho... chega-se longe...”
22h00m - Momento musical 
22h30m - Encerramento

5€ a entrada.

terça-feira, 27 de março de 2012

A cada macaco a sua macacada


"Já nem sei se hei-de rir ou chorar", diz-se por cá. As declarações deste "cuco" hoje, depois do Conselho Nacional da CGTP foi pior do que se pensava. Diz ele, no rescaldo da greve da semana passada, que a paralização "criou uma «dinâmica» que levou várias empresas a aceitarem aumentar os salários dos seus trabalhadores". 
Sei que não é de bom tom criticar quem está à frente da CGTP. Parece mal, com tanto filho da puta que há aí para criticar. Mas estas declarações de Arménio Carlos também são de "fino recorte literário"!

Um pombal de luxo em Estremoz pago pela Parque Escolar


Imagine-se:
Um pombal com portas de correr, gradeamento em alumínio e várias salas foi uma das obras da Parque Escolar, na Secundária Santa Isabel, em Estremoz.
«Aquilo é um resort de luxo para pombos», ironiza um dos empreiteiros que estiveram nas obras daquela escola e que assistiu à construção. «Só para assentar a base do pombal, andou lá quase um mês uma máquina que custava 75 euros à hora». O empreiteiro assegura que a máquina chegou a trabalhar dez horas por dia, o que faz com que só estes custos possam ultrapassar os 20 mil euros.
Belos socialistas com o dinheiro dos outros!

Anónimo
27 Março, 2012 21:37

Cucos melharucos, cada vez há mais…


(melharucos/abelharucos)

O melharuco é um passarito bem-parecido que o criador regalou de lindíssimas cores. É um comedor de insectos, tendo uma especial deferência glutona por abelhas e vespas. Coisa de fulano pantagruélico. Tem peculiar consideração por comungar da vidinha em comunidade, tal como trata da filharada com desvelo em conluio com o parceiro. Constrói a sua casa e, por vezes, até se dá ao cuidado de reciclar tocas abandonadas de outros animais. Interessante o dito pássaro!

O cuco é um gabiru de alto coturno. Antes da postura o cuco fêmea espia a azáfama procriadora de outras aves, particularmente minorcas, que tem em conta de afectuosas com a prole. Depois não é de modas, vai de ninho em ninho escorraçando um ovo que substitui por um seu devidamente mimético aos da postura da ave hospedeira. Hospeda assim parasitariamente ao deus-dará a filharada para que o deus-dará se encarregue de os criar. Os gandulos dos cuquinhos, assim que se acham com o caparro suficiente, não são novamente de modas e tratam de empurrar ninho fora os manos que nada lhe são de molde a abonarem a comezaina toda. Tais pais, tais filhos!

Eu sou companheiro vivente e testemunha de um tempo ultrapassado, que conta histórias povoando-as com os saberes e memórias, com fábulas recheadas de valores que lhe foram comunicadas na meninice. Cada vez mais sinto que a minha vida se vai desanexando deste merdoso presente. Os cucos, são mais que muitos. Os de pena, sempre fizeram parte do filme. Os engravatados que só voam se montados nalguma engenhoca, esses é que me atazanam a pachorra!

Cante alentejano: o que nasce torto, torto morre.





No "acincotons" já tínhamos esta notícia há alguns dias. Não a quisemos dar para que não nos acusassem de querer "prejudicar" a candidatura. Mas todo este processo foi de "bradar aos céus". Felizmente que houve quem tivesse bom senso. E quem avançou com toda esta parafernália, sem qualquer substrato, não teve o mínimo respeito por aquilo que define o ser (e o cantar) alentejano: o fazer de muitas vozes, em diálogo, uma só voz. E não foi isso que foi feito: foi tentar dar voz a uma voz, simulando que eram muitas vozes. E assim, caro laranjo medeiros (que não conheço de parte alguma), é impossível. Sempre foi e cada vez é mais. Seja na margem direita ou na margem esquerda de um qualquer Guadiana o Alentejo assume-se pela diferença e pela complementaridade. Não pela hegemonia de uma só voz.

Ver mais AQUI e AQUI.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Campos de fartura para alguns e de miséria para a maioria. Tal como agora.

   

No PIM

Então vá!


A "Mais Alentejo" é, neste momento, indubitavelmente a melhor revista que se publica no Alentejo. Bom texto, boas fotos e boa paginação.  Na sua última edição, "recheada" com  reportagens sobre o "cante alentejano", as mantas de Monsaraz ou as aventuras da jornalista Paula Castanho no deserto do Sahara, a "Mais Alentejo" coloca o blogue "acincotons" a subir, na polémica página do "Então Vá", uma espécie de página de inconfidências, onde o humor cáustico se mescla com uma escrita refinada.
Para a "Mais Alentejo", dirigida pelo António Sancho, "os blogues têm proliferado a uma velocidade estonteante. Nem sempre com a qualidade desejável e, não raras vezes, constituindo uma tribuna de ofensa, tanto a pessoas como a projectos, sob o anonimato cobarde. Mas, felizmente, existem muitas e boas excepções que cumprem um papel que considero relevante, sendo esse o caso do blogue alentejano "A cinco tons". Não obstante nem sempre concordar com as opiniões expressas - além de eu próprio, bem como a Mais Alentejo, ter sido já objecto de ataques ignóbeis, a coberto do anonimato de quem não dá a cara - o blogue "A cinco tons" é um espaço crítico e atento sobre aquilo que vai acontecendo no Alentejo e, também, no país. Tem qualidade, é acutilante e está bem escrito. Bravo!"
Então vá!

EXPOBARRANCOS

Cendrev assinala Dia Mundial do Teatro



À semelhança do que acontece na generalidade dos teatros do mundo inteiro, também o Cendrev vai celebrar este dia, que se comemora esta terça-feira, dia 27 de Março, abrindo ao público as portas do Teatro Garcia de Resende, cujos 120 anos de existência se pretendem também evocar.
Este ano, marcado profundamente pela drástica redução dos financiamentos ao Teatro e pelo continuado incumprimento das obrigações municipais para com os agentes cultural da cidade, não podíamos deixar de assinalar este dia, exactamente para sublinhar a importância do teatro na vida dos cidadãos. Recordemos, a propósito, as avisadas palavras de Almeida Garrett: O Teatro é um grande meio de civilização, mas não prospera onde a não há.
Évora vai naturalmente celebrar este dia. Pela nossa parte organizámos um pequeno ciclo de actividades, de 27 a 31 de Março, que inclui a apresentação no DIA MUNDIAL DO TEATRO, com entrada livre, de dois espectáculos da companhia “Antes de Começar” de Almada Negreiros, às 18,30 horas na sala estúdio e “Falar Verdade a Mentir” de Almeida Garrett, às 21,30 horas na sala principal e, também, um conjunto de visitas animadas ao Teatro Garcia de Resende com clara incidência nos 120 anos de existência deste excelente espaço da arquitectura teatral à italiana, que decorrerão de 28 a 31 de Março.

Calendário:
Dia 27 (DIA MUNDIAL DO TEATRO) às 18,30 horas “Antes de Começar” de Almada Negreiros e às 21,30 horas “Falar Verdade a Mentir” de Almeida Garrett
Os espectáculos têm entrada livre, havendo todavia necessidade de adquirir o seu ingresso na bilheteira do Teatro ou fazer a sua reserva através do telefone: 266703112.
Dia 28 (quarta-feira) às 18 horas visita animada ao TGR
Dia 29 (quinta-feira) às 18 horas visita animada ao TGR
Dia 30 (sexta-feira) às 18 horas visita animada ao TGR
Dia 31 (sábado) às 12 horas e às 16 horas visitas animadas ao TGR
Cada visita é limitada a 30 pessoas e o ingresso tem o valor simbólico de 2 euros.
O Cendrev anuncia também uma série de representações da sua última criação “Antes de Começar” às 21,30 horas, nos dias 28,29,30 e 31 de Março, 4,5 e 6 de Abril e dia 1 de Abril (domingo) às 16h00.

Hoje na SOIR Joaquim António d'Aguiar



Grupo Cénico da SOIR Joaquim António D'Aguiar

Estreia hoje, dia 27 de Março - 21h30m - Évora

DIA Mundial do Teatro

Na SOIR Joaquim António D'Aguiar



“Criaturas de deus”
de Tomás Afan Munoz


Texto que recebeu em 2006, uma menção especial no III premio de Textos Teatrales Raul Moreno promovido pela Fatex – Federação do Teatro de Amadores de Espanha.

Encenação:Paula Vidigal e António Oliveira

Cenografia: Joana Dias

Sobre o espetáculo
Neste cantinho ibérico “católico e apostólico”, somos, desde crianças, imbuídos do espírito do pecado, dos tabus sexuais, da morte e, por isso mesmo, logo desde crianças, desejamos saber mais sobre o Amor, o Sexo, a Vida, a Morte.
Em adultos, cremos já saber tudo. Provavelmente não. O Amor, o Sexo, Deus, a Morte continuam a ser as eternas dúvidas, só que não sabemos… ou fingimos não saber.
Essas dúvidas ou fingimentos estão no texto de Tomás Afán, tal como ele as viu e, também nesta nossa encenação – que não é mais do que a nossa leitura de Afán – provavelmente com mais dúvidas (ou outras dúvidas!), porque quem escreve é um, quem lê é outro e quem interpreta outro ainda…
Seja como for, mesmo só dialogando com o autor através das palavras, cremos ter mantido o seu registo crítico e simultaneamente cómico, e acima de tudo, cremos ter-nos divertido com as suas palavras, esperando que também o público se divirta com elas.
Para além do colorido das palavras, aproveitámos ainda a dica do subtítulo (“Palhaços metafísicos”), para a ligar não apenas a este “mundo” de personagens entre o ser criança e o ser adulto, como ainda para lhe emprestar o colorido de certos gestos, figurinos e caraterização, criando assim um novo tipo de ser.
Paula Vidigal e António Oliveira

sábado, 24 de março de 2012

A dança das horas



A hora muda esta madrugada. Os relógios adiantam 60 minutos quando for meia-noite, passando para a uma da manhã. Vídeo cortesia de ALA.

Évora: este sábado às 11,30 horas

 Com Quantos Pontos Se Conta Um Conto

24 de Março, 11,30 horas

Margarida Junça
Cristina Rebocho

sexta-feira, 23 de março de 2012

Na Casa dos Bonecos esta noite


Hoje, o mês do Teatro da SOIR, no Páteo do Salema

Hoje, Sexta-Feira,
23- 21h30m: “Tributo ao Triciclo”

pelo Grupo de Teatro de Amadores de Vendas Novas. Um espetáculo construído através de mimica, que embora não fazendo uso da palavra, através da expressão dramática, se propõe comunicar com o público, criando no espaço, com o corpo dos atores, as imagens plásticas do imaginário colectivo, num tributo ao triciclo.

Teatro: "Destinatário Desconhecido" hoje na Bruxa


Sala d'a bruxa TEATRO, dias 23 +24+25 de Março de 2012
Horário: Sexta e Sábado 21.30h | Domingo 16h
Ex-Celeiros da EPAC, Rua do Eborim, 16

DESTINATÁRIO DESCONHECIDO
a partir de "Address Unknown" de Kathrine Kressmann Taylor
Encenação: Ana Paula Eusébio
Interpretação: Ana Paula Eusébio, Carlos Medeiros e Fernando Rodrigues
Produção: TRÊSMAISUM Teatro

A correspondência entre dois amigos e parceiros de negócio constitui a moldura desta história. Max Eisenstein e Martin Shulse têm em comum uma amizade, uma mulher, Griselle (irmã de Max e antiga paixão de Martin) e uma galeria de arte. Max é judeu e encontra-se nos Estados Unidos da América; Martin é alemão emigrado, regressa à Alemanha imediatamente antes da implementação do nacional-socialismo.
Resistirá a amizade ao debate ideológico? À corrosão do poder? À traição?
Temáticas sempre actuais numa sociedade cada vez mais intolerante às diferenças que conduzem à vingança e à guerra.
RESERVAS
abruxateatro@gmail.com | 266 747 047
bilhetes de €4 até €8
em http://abruxateatro.blogspot.com/p/infos-abt.html

Esta noite no Espaço PIM


Em que cidade e em que século estamos?


Os rótulos, as etiquetas, os carimbos estampados na testa de cada um, ou sejam as representações redutoras e limitadas que guardamos dos outros, são o elemento mais fortemente inibidor da participação social, cívica e política em Évora.
Eis uma marca de Évora, encontrada em todas as idades,  mas que se torna torna especialmente preocupante no caso dos os jovens.
No âmbito da preparação do debate da próxima quinta feira (29 de Março no Condestável) sobre “os jovens criadores e a construção de Évora, como cidade educadora”, tenho-me encontrado com várias pessoas que preenchem a sua juventude com ideias claras, reflexão próprias, acerca do espaço e do tempo que habitam. Sabem o que querem e o que não querem.
É, no entanto frequente, a hesitação, o receio, as dúvidas sobre a possibilidade de exposição do que sentem e pensam. E quando lhes pergunto pelas razões que inibem ou impedem a mostra das suas perspectivas no espaço público, respondem-me que tentam apenas evitar carimbos e rótulos com que por um lado não se identificam, e que por outro, mesmo não correspondendo a nenhuma verdade, lhes limam, de facto, os caminhos, as opções, as oportunidades.
Estarei eu a falar de que tempo e de que cidade ?
Inquitetante, ou não?

Teatro D. Roberto em encontro nacional em Montemor-o-Novo


Amanhã e depois, dias 24 e 25 de Março 2012, realiza-se em Montemor-o-Novo o 4º Encontro Nacional de Teatro D. Roberto. uma genuína forma de teatro popular que quase chegou à extinção nas décadas de setenta e oitenta do século passado.
Serão muitos os que ainda se lembram da característica figura do fantocheiro, com a sua barraca às costas percorrendo as estancias de veraneio, feiras e mercados onde os estrídulos robertos entretinham miúdos e graúdos: – depois de montada a barraca, este “teatro” tinha uma completa “companhia” capitaneada pelo inefável Dom Roberto, o “actor” principal que invariavelmente distribuía pancadaria da grossa para gáudio da assistência.

Programa
Mercado Municipal

Jardim dos Cavalinhos
24 de Março | 16h30 O Barbeiro Marionetas João Costa

Auditório Biblioteca Municipal