sábado, 31 de dezembro de 2011

Bom Ano Novo!

Apesar das inúmeras ameaças que sobre ele têm sido lançadas, esperemos e façamos tudo para que 2012 possa constituir também uma janela de oportunidades para todos os que por aqui passam.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Para teu bem e a bem da nação


Toma lá um murro no estômago que é para te matar a fome.
Uma cabeçada nos cornos que é para te endireitar as ideias.
Uma punhada nos queixos que é para ficares calado.
Mais um pontapé nas canelas que é para te pores a andar.
E um biqueiro no cu para te pores a caminho.

É tudo para teu bem e a bem da nação.

Não perguntes o que pode o país fazer por ti
pergunta antes o que podes fazer pelos banqueiros.

discurso de fim de ano
do Primeiro Ministro de Portugal


Anónimo
30 Dezembro, 2011 20:02

Elias, o sem abrigo, sempre previdente



Elias, o sem abrigo. in, JN. A. Fernandes e R. Reimão

Batalha Naval


- A 2011
- Tiro na soberania. O rochedo abana.
- A 2012
- Tiro no rectângulo. Portugal ao fundo!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Esta crise veio mostrar-me o pior dos que me rodeiam!


Já não vinha aqui há muito tempo. Com dois empregos, filhos e pais e outras coisas por fazer o tempo fica curto, mas estamos no final de ano, época de balanços, de repensar os caminhos percorridos e reflectir sobre os que iremos percorrer…
Neste ano que agora nos vai deixar (e já vai tarde) muitas coisas vieram piorar o estado de vida de todos os Europeus e nós, que somos e sempre fomos os mais pobres, fomos colocados bem abaixo da linha de água.
Entre medidas estúpidas para a economia nacional tomadas pelo governo (o que está em funções e o que nos largou), com manifestações que, por tão organizadas, não levam a lado nenhum e com um povo a dizer que sim “gastamos de mais” este pais chegou a lixo!
O lixo económico do qual os mercados (divindades dos nossos tempos) falam não me diz nada. O que me preocupa é o lixo cultural e social a que chegámos…
Dizia-me um jovem licenciado, numa conversa trivial, que o governo PS ter caído tinha sido péssimo pois ele tinha umas cunhas para um emprego que agora tinham caído por terra e não sabia o que fazer! Reconheço que fiquei atónita. Um jovem licenciado que baseia a sua profissão não no esforço mas nas cunhas, mostra-me que a educação vai pior do que eu pensava!
Dizia-me um reformado, que o governo tinha que controlar o défice, por isso as reformas teriam de ir para valores que dessem para comer e não para viajar e passear, não tinham idade para essas maluquices!
Dizia-me um trabalhador do sector privado, que os funcionários públicos tinham de sofrer que nós já sofremos há anos!
Dizia-me um amigo: gastamos de mais temos que pagar o dinheiro que devemos aos Alemães!
Digo eu… que gente é esta que povoa o meu país? Que não se faz à vida quando é novo sem influencias partidárias, que deixa que lhe retirem direitos para os quais descontaram toda a vida activa e acha que o ser humano só precisa de comer, que fica contente por os outros ficarem tão mal como eles? Que concorda com as taxas de juros que nos levam à banca rota e que enriquecem meia dúzia?
Que gente decide o rumo de uma nação?
Esta crise veio mostrar-me o pior dos que me rodeiam!
Mas pior que tudo isso, e mais perigoso, são os que defendem o estado social – um estado forte que providencie a cultura, a saúde, a educação, que defenda as águas e energias do País – e que depois votam em partidos cada vez mais liberais – que defendem um estado fraco sem interferência na cultura, na saúde, na educação, que privatize ás aguas e as energias. Estes são os piores, são ignorantes políticos que se armam em sabichões, que querem viver em dois mundos incompatíveis e que aparecem em tudo o que é meio de comunicação social a fazer opinião. Estes e os meios de comunicação convencionais são o cancro deste país e da cultura politico- social deste povo!
Bom ano de 2012, para os que sobreviverem!
Aos outros desejo coragem para se levantarem, pois bem vamos precisar!

Lurdes
29 Dezembro, 2011 13:53

Antena 1 e TSF, sem rivalidades, à conversa com Manuel Bento

Chumbo do Orçamento em Beja: birrinhas, ódios antigos, patetice


Para o ano, que congenitamente já seria mau, a Câmara de Beja vai gerir o concelho com dinheiro de algibeira. Em duodécimos. Que é como quem diz, vai haver dinheiro para os ordenados, para pagar ao segurança e para repor um ou outro cabo de esfregona que para aí se parta. E nada mais. O executivo deixará cair os projetos fundamentais para o desenvolvimento do concelho e da cidade. Pela simples razão que a Assembleia Municipal de Beja, numa atitude inaudita, chumbou o Orçamento e as Grandes Opções do Plano para 2012. Uma parvoíce. A CDU, em maioria na Assembleia, ficará agora com o ónus da culpa pela gestão foleira que a Câmara por certo terá ao longo do ano. É evidente que este Orçamento era mau, criticável e que, com certeza, poucas razões haveriam para o deixar sobreviver. Mas não foram essas, as razões estratégicas, que levaram ao chumbo do documento. Foi uma miseranda verba de 200 mil euros, num bolo de mais de 38 milhões. E quando as duas principais forças políticas da região não conseguem acordar entre elas vinte e cinco tostões, é porque estão mesmo mais empenhadas em andar à pazada uma com a outra, do que em fazer o bem comum. O que se votou na terça-feira não foi o Orçamento da Câmara, foram as birrinhas, os ódios antigos e aparentemente insanáveis, foi a patetice. O Orçamento é mau? É! Mas esta Câmara foi eleita para quatro anos. É a que temos. É a que as pessoas quiseram ter. E cada qual tem aquilo que merece. Antecipar a sua queda através de jogos de bastidores é um erro que pode sair muito caro à CDU. A campanha eleitoral por Beja está ao rubro. Mas, à distância de dois anos, parece-me que ambos os contendores sairão chamuscados deste braseiro de vaidades.

Paulo Barriga (no facebook)

DA de fim de ano

A Troika Eborense


Hoje em reunião publica de câmara PS e PSD votaram contra tolerâncias de ponto para os funcionários da câmara municipal de évora para o ano de 2012.
O Presidente da câmara propôs o corte de todas as tolerâncias de ponto que habitualmente, desde há muitos, muitos anos, vêem sendo dadas aos funcionários da Câmara de Évora, mantendo apenas a segunda feira de Páscoa.
Para trás ficaram a tarde de 8 de Março para as mulheres trabalhadoras; a segunda ou a quarta feira de carnaval (em alternativa); a tarde de dia de S.João em alternativa com a tarde de 5ª. feira da ascensão e, por fim, o dia de aniversário do trabalhador, tolerância esta atribuída há uns anos pelo próprio Zé Ernesto. Uma vez mais a maioria PS e PSD na câmara estiveram de acordo em retirar as tolerâncias aos funcionários municipais, sob a capa da "crise", da "conjuntura" e de todos aqueles chavões que diariamente ouvimos.
A CDU manifestou-se contra e propôs que no ano de 2012 se mantivessem todas as tolerâncias de ponto como habitualmente, proposta esta chumbada pelo PS e PSD. A troika eborense!

Anónimo
28 Dezembro, 2011 22:19

Zangam-se as comadres e será que se descobrem verdades?


Não acho a mínima piada ao Gil Garcia, o dissidente mais mediático do Bloco de Esquerda. Mas já que a discussão ontem andou por aqui à volta das declarações do dito à Sábado, aqui fica a página original da revista. E que o Gil Garcia não poupa no argumentário confere com a realidade. Trotsquices apenas ou algumas verdades também à mistura?

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

MRPP não resiste ao "charme" de Helena Roseta


De quando em vez o MRPP emite umas notas à imprensa, quando há eleições concorre e, assim, vai dando sinal de vida. Nos últimos meses - crise oblige - tem redobrado o número de comunicados. Só hoje recebi dois: um sobre a cisão de Gil Garcia no Bloco de Esquerda e outro sobre a falta de iluminações de Natal em Lisboa. E se no primeiro procura o tom sarcástico, o segundo desliza para um acento quase intimista e revelador (?) da personalidade do autor do texto, sensível à beleza feminina e aos valores da tradição cristã:
"(....)A câmara de Lisboa não tem o direito da expropriar às crianças, aos pobres e aos seus  munícipes em geral, mas também ao país inteiro que se orgulha da sua Capital, a esperança que para todos representam as habituais iluminações do Natal alfacinha. 
E não se resiste a perguntar: como é que uma vereadora tão inteligente, culta, sensível  – e bonita! – como a arquitecta Helena Roseta, não foi capaz de se opor à boçalidade alvar de um presidente que, nesta matéria, se revelou tão ignorante como o Costa.
Será que os comunistas – que em geral são ateus, como o autor destas linhas – terão que passar a exigir também as iluminações de Natal?! Já não há cristãos na capital?!" (comunicado do PCTP/MRPP, de 27/12/2011).

Évora: Orçamento a votos na Assembleia Municipal esta noite


Hoje à noite reúne a Assembleia Municipal de Évora com o Orçamento para 2012 como "prato forte".
Com a actividade económica em queda livre e a continuada redução das principais receitas do município, as grandes decisões a tomar serão como encontrar os 102 milhões de euros necessários para honrar os compromissos da CME para 2012. Com destaque para os que dizem respeito à garantia de salários aos seus trabalhadores, aos pagamentos aos fornecedores, aos apoios sociais e culturais e à continuação do programa de investimentos com comparticipação comunitária.
A questão mais grave é, porém, a grave situação de insustentabilidade da Empresa da Águas do Centro Alentejo, responsável por 35% do valor da despesa da CM para 2012 e perante a qual não se compreende a gritante passividade e inacção da Ministra da Agricultura e de mais uma série de coisas.

Capoulas Santos (presidente da AME), via facebook

Proposta de Orçamento do Executivo chumbado pela Assembleia Municipal de Beja

O Executivo da Câmara de Beja preferiu ver o Orçamento para 2012 chumbado a introduzir-lhe alterações propostas pela CDU no montante de 200 mil euros e agora ameaça recorrer à via judicial contra a Assembleia Municipal, por esta ter chumbado aquele instrumento previsional.

Leia aqui o resto da notícia com este título: “AM de Beja chumbou Orçamento. Câmara avança com queixa no Ministério Público”.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

As prendas e a bicicleta do sítio


As histórias sobre quem dormiu com quem, de quem gostaria de estar acordado com outro alguém, do que se passou entre os estados da vigília e do sono, sempre me pareceram especialmente desinteressantes em si próprias, e tão só reveladoras do vazio, por vezes aflitivo, de quem a elas se dedica.

Mesmo assim, o nível dos relatos e efabulações sobre a vida privada, ou o exercício dessas conversas feitas para “matar o tempo” nos lugares de residência, de trabalho, ou de lazer, não deixa de ser um bom indicador do estado mental em que vivemos.
Num destes lugares que frequento, um dos meus pares - homem de mais de cinquenta anos, de formação e classe média – enviou por estes dias uma mensagem de natal que comportava duas prendas. As senhoras abriram a do laço rosa e os senhores a do laço azul. As primeiras foram brindadas com a imagem de um brilhante trem de cozinha e os senhores com a de uma mulher fabulosa, quase despida, em pose insinuante. E eu não comentei.
No mesmo lugar, na cidade de Évora, no século XXI , uma mulher com bem menos de cinquenta anos, por estes mesmos dias, descreve uma outra mulher do seu meio como “a bicicleta do sítio”. Queria assim evidenciar que a pessoa em causa se relacionaria sexualmente com vários homens. Detive-me na expressão que alude a um objecto e a um utilizador. A uma coisa e a uma pessoa. A um instrumento e ao respectivo operador.

Decidi-me então a escrever. Não sei o que sentiram os outros destinatários da mensagem referida, nem os que como eu ouviram a expressão “a bicicleta do sítio” (abrilhantada com pormenores de uma veracidade cuja discussão é inadmissível). Mas sei o quanto me indigna esta indignidade de alguns dos que vivem no mesmo espaço e tempo que eu. Sei o quanto me revoltam os olhares enviesados que persistem sobre as mulheres. Sei da necessidade de não aceitar que tais olhares continuem imutáveis (como se fossem destinados a ser eternos) .

E venha de lá esse fado do Sobreiro, árvore nacional desde a semana passada


A coisa aconteceu no final da semana passada, mas agitados com a proximidade das "festas" poucos deram por ela. Ou seja, que o Sobreiro foi elevado à condição de árvore nacional, após votação no Parlamento. Não se percebe se é coisa boa, mas má também não deve ser. A verdade é que o Sobreiro mais do que qualquer outra árvore é o símbolo do Alentejo (apesar da oliveira começar a estar em nítida concorrência...). E o fado do Sobreiro continua a animar muitas tertúlias, de copo na mão, no mais profundo espírito emotivo, fazendo "chorar" as pedras da calçada. No fundo, estão um para o outro. O Fado que dizem ser Património da Humanidade e o Sobreiro agora promovido a árvore nacional. 

Amanhã no Garcia de Resende


Programa
Somos da terra do pão
Virgem Maria
Os três cavalheiros
canto a vozes, no qual os elementos essenciais são um tipo de fraseado e uma arte da ornamentação, sem acompanhamento instrumental.
Grupo Cantares de Évora

¤
"...se não chover primeiro"
Amílcar Vasques-Dias
piano solo

¤
Ó Águia que vais tão alta
Meu lírio roxo do campo
Ao romper da bela aurora
Tenho no quintal um limoeiro
introdução de uma “terceira voz” que evolui segundo uma lógica musical própria: a do piano. Esta não é umacompanhamento, mas junta-se às vozes dos cantores explorando harmonias contemporâneas, nas quais se aceita a transgressão das noções de tonalidade, dissonância e até de harmonia no sentido clássico.
O canto apoia-se em melodias do cancioneiro tradicional alentejano, expandindo as possibilidades contidas nas peças e nas maneiras de cantar, nomeadamente ao alargar os tempi e a ornamentação. A par de interpretações próximas das tradicionais, introduzem-se improvisações que prolongam o que era autorizado aos solistas.

Vozes
Joaquim Soares
José Rodrigues dos Santos
Piano
Amílcar Vasques-Dias

¤
Fugitivos no deserto
Terra sagrada do pão
entrosamento de um coral alentejano numa peça extraída da Cantata para uma Virgem Negra – Um canto de Natal (texto de José Rodrigues dos Santos e música de Amílcar Vasques-Dias): a “Ladainha da Virgem Negra” e uma outra do cancioneiro tradicional alentejano.

Versão melhorada de um anúncio mentiroso da Coca-Cola


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Ahhhh fadista!!!! (é o que está a dar)



(sugestão de AJF)

Para sair da crise, é preciso “romper com a troika” e obrigá-la a “renegociar a dívida”



Porque não lançar o debate e consciencialização sobre a ilegitimidade da nossa divida? Um politólogo e professor universitário belga esteve recentemente em Lisboa para ajudar a lançar a Iniciativa por uma Auditoria Cidadã à Dívida Pública. Experiência não lhe falta.
O custo de ajudar os banqueiros, que foram totalmente aventureiros, desviando os depósitos dos seus clientes para investir no subprime, implicou um aumento da dívida soberana, que é totalmente ilegítimo. Não podiam ter sido resgatados dessa forma e os grandes accionistas não deviam ter sido indemnizados.
Vê possibilidade de isso acontecer na Europa?
Com uma mudança de Governo, sim. Não pode ser um Governo que defende os acordos com a troika a fazer uma auditoria à dívida. O descontentamento das populações pode abrir caminho a isso, mas não sei quando é que uma mudança desse tipo pode ocorrer na Europa. Os latino-americanos viveram 15 a 20 anos de neoliberalismo e de aceitação do pagamento da dívida soberana. Espero que não demoremos 20 anos na Europa.

Entretanto por aqui o nosso fado é sempre este: o mesmo. Depois de um banana (Alice no país das maravilhas, que hoje foi estudar para Paris), o País das maravilhas virou desastre total. Agora um Coelho a aplicar medidas neo-liberais, na altura menos própria, sem estimulo ao investimento, sem luz ao fundo do túnel...

Anónimo
26 Dezembro, 2011 20:50
Diz ele que o governo não pode desperdiçar nem os mais velhos nem os mais novos.Por isso rouba aos velhos, o que andaram toda a vida a descontar para a segurança, para o desemprego e para a reforma.Por isso rouba aos jovens, mandando-os emigrar.Diz ele que vai democratizar a economia.Por isso privatiza, em monopólio da finança, todos os serviços básicos, vitais para as famílias, e que estruturam e sustentam a economia, como os transportes, as comunicações, a energia, etc.

Este Primeiro-Ministro é um aldrabão consciente e contumaz, e o discurso de Natal é mais uma grande mentira, do princípio ao fim.Não tem vergonha nem respeito pelos portugueses.


Comentário aqui deixado por um Anónimo - 26 Dezembro, 2011 13:22

domingo, 25 de dezembro de 2011

Ele falou de que há "razões para olhar de frente o futuro com esperança" e que "um dos objetivos prioritários do programa de reforma estrutural do Governo consiste precisamente na recuperação e no fortalecimento da confiança", de “mudanças e transformações”, de "reformas estruturais a executar", de “democratização da nossa economia", de "colocar as pessoas, as pessoas comuns com as suas atividades, com os seus projetos, com os seus sonhos, no centro da transformação do país", de estruturas e instituições que "nem sempre estão à altura do serviço que têm de prestar" e de que "uma sociedade que se preza não pode desperdiçar nem os seus jovens nem as pessoas que se encontram na fase mais avançada da sua vida".

Porque será, que depois de ouvir esta “conversa”, ficamos com a sensação de que falou mas não disse nada? Ou melhor, de que o que disse não “bate a bota com a perdigota”. Falar do que falou, depois das medidas que tem tomado mostra como Jerónimo de Sousa teve razão quando lhe disse: “Sabe lá o senhor primeiro-ministro o que é a vida?...” Isto numa abordagem positiva, porque também se pode concluir que diz conscientemente o contrário do que pensa e se propõe fazer. Enfim, vai ter de mudar e suar muito para conseguir “a recuperação e o fortalecimento da confiança" perdida nestes seis meses de governação.

BOAS - FESTAS



muita gente sem-abrigo
não quer comida
- quer vida


António Saias (facebook)

sábado, 24 de dezembro de 2011

Jingle Bells

A noite…



Rostos perdidos
Aquecidos em barbas esquecidas,
Bocas de gente com cara de fome,
Lábios gretados sem creme de beijos,
Olhos lendo nas entrelinhas dos olhares
No meio frio e distante e baço da multidão,
Sons ouvidos nas ausências dos ruídos,
Passos arrastados em voltas de nada,
Perdidos, sem rasto,
Sem rosto,
Pobre o coração,
Braços caídos sem força
Na solidão…

Rastos de gente sem rasto
Em sítios de ninguém
Com rostos de indiferença,
Ou de impotência…

Mãos de frio esquecidas,
Envergonhadas,
Caídas…

Doridas,
Por não ter,
Por já nem de gente ser,
Talvez mãos estendidas…


Évora, 2011-12-22


J. Rodrigues Dias


http://joserodriguesdias.blogspot.com

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Fotografado OVNI no Alentejo



Uma greve que de simbólica, felizmente, pouco tem.


Pouco conheço do Sindicato dos Maquinistas da CP. Sei que é um sindicato independente, não filiado em nenhuma das duas centrais sindicais e que, em épocas passadas, já desenvolveu greves e lutas criticadas por vários sectores. Mas - talvez contra a corrente geral - acho que um sindicato, se o quiser ser, terá que ser algo parecido com aquilo que o Sindicato dos Maquinistas demonstrou ser nos últimos dias. 
Não fez uma greve para "inglês ver", simbólica, tremelicante. Os seus sócios decidiram ir para a greve, com diversas exigências e uma delas irredutível: os processos disciplinares ou inquéritos aos trabalhadores que não terão cumprido os serviços minimos na greve anterior teriam que ser arquivados. Daqui não arredaram um milímetro. E marcaram a greve para dias simbólicos, no Natal e no Ano Novo. Pelos números sabe-se que a adesão tem sido total e apenas os serviços mínimos estão a ser cumpridos.
A meu ver uma greve deve ser isto: ter um objectivo concreto, mobilizador da esmagadora maioria dos trabalhadores de uma empresa ou de um sector, e ser convocada para uma altura em que provoque (seja em termos económicos ou de imagem e de eficácia) um prejuízo significativo para a entidade patronal, privados ou o Estado.
Numa greve os trabalhadores perdem salários e gastam energias. Ir para a greve não pode ser por "dá cá aquela palha" e quando uma paralisação é marcada tem que ter eficácia e um grau elevado de probabilidade de, no final, os trabalhadores verem todos os seus objectivos, ou uma parte, concretizados.
Esta greve sofreu todo o tipo de críticas e contestação, havendo mesmo um membro do governo a intervir no sentido da sua não realização. Mas, falhadas as negociações, a greve avançou e está a cumprir-se, afectando muita gente e a empresa, como é natural em qualquer greve que se preze. Senão para que serviriam as greves?

Opss, acho que borrei a pintura?


Pensava que era este, não é? É amigo das criancinhas. E este não é, está à vista que sim. Trajado de vermelho, incluindo o barrete. Bem, este não está vestido de vermelho, nem tem barrete, mas lá que é vermelho não tenho dúvidas! Não tem o cabelo nem as barbas grandes brancas? Bom, este é careca e só tem bigode e pêra, mas se estivesse de serviço estaria produzido e maquilhado. Não é da Lapónia? Bem, este daí não é, mas é logo dali do lado. Não tem trenó nem renas voadoras? De trenó, penso que já o vi num retrato. Quanto às renas voadoras, esquecem aquela do puto filho do gajo do partido que afiançou à professora que afinal os hipopótamos voavam e esta anuiu logo, apenas com o reparo de voarem baixinho! Não entra em anúncios da coca-cola a voar, de casa em casa, distribuindo brinquedos? Isso é só uma questão dos gajos da vodka Absolut perceberem que têm aí um nicho de mercado, já que graveto não lhes falta. Este ano cortaram-lhe no subsídio de Natal e vai trabalhar mais meia hora por noite de borla. Opss, acho que borrei a pintura? Palpita-me que este não ia nessa lábia, mesmo que a música tivesse sininhos.

Porque há muitos modelos de Natal

Pintura e Desenho de Maria Teresa Crawford Cabral
 retirada daqui
Conheço uma mãe que o é vai para mais de 20 anos. Sempre a conheci particularmente sensível às crianças. Há algum tempo atrás decidiu voltar a ser mãe, desta vez adoptiva. Candidatou-se. Preparou a sua casa, a família, mais os dossiers e muitas burocracias. E esperou. Passados muitos meses disseram-lhe que ia ser mãe do G. Um rapaz de onze anos que vive em instituições desde que se lembra. Os técnicos acharam que seria um encontro especialmente feliz, já que na sua idade as possibilidades de adopção são raras. A futura mãe afeiçoou-se ao rapaz desde a primeira visita. Passados cerca de três meses de conhecimento mútuo e adaptação, G. decidiu definitivamente que aquela não seria sua mãe. Não tinha marido. Não tinha carro. Não tinha uma casa muito grande, nem muito dinheiro. Não tinha, ou não era, coisas importantes para o G. A candidata a mãe transformou-se então em amiga de G.  E está de novo à espera de ser mãe adoptiva.
Em tempo de Natal, é bom saber que a família de muita gente é coisa bem diversa do modelo retratado e difundido como se fosse único. Não é, nem é desejável que seja.
As sociedades de que fazemos parte vão mudando. A velocidades difíceis de perceber.
Os últimos censos revelam que por exemplo no Centro Histórico de Évora, nos últimos 10 anos, diminuiu o número de pessoas residentes mas aumentou o número de famílias. Vivem hoje menos de 5 000 pessoas no mesmo espaço urbano onde viviam, nos anos 40 do século passado, cerca de 18 000. As estruturas físicas, sociais, familiares, mudaram muito em pouco tempo. O desafio que se coloca às várias gerações da actualidade é uma inédita capacidade de compreender e de viver as mudanças. Em coerência com a natureza humana.

Porque um dia destes vai ser natal

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Nota da CME sobre reunião da passada sexta-feira



Em reunião pública de 16 de Dezembro
Câmara de Évora aprovou Grandes Opções do Plano e Orçamento para 2012

A Câmara Municipal de Évora, em reunião pública extraordinária, aprovou as Grandes Opções do Plano e o Orçamento para 2012 com os votos favoráveis do PS, incluindo o do Presidente José Ernesto d’ Oliveira, a abstenção do Vereador do PSD e os votos contra dos dois vereadores da CDU presentes.
Neste ponto, o Vereador António Dieb (PSD) leu um conjunto de considerações quanto à proposta de GOP e Orçamento para 2012, apontando as suas preocupações, nomeadamente no domínio financeiro, e apresentando o posicionamento que o Município, em seu entender, deve seguir nos próximos anos para redução de despesa e de reestruturação financeira.
O Vereador Eduardo Luciano (CDU) também leu um documento de justificação quanto ao seu posicionamento contra a proposta de GOP e Orçamento apresentada, apontando a sua discordância em diversas matérias.
Por seu turno, o Presidente respondeu às questões apontadas pelos Vereadores do PSD e CDU, justificou a sua proposta de orçamento possível face às circunstâncias actuais, tendo também reconhecido a contribuição feita pelo Vereador António Dieb na elaboração do Orçamento. Deixou ainda palavras de reconhecimento pela capacidade técnica, dedicação e profissionalismo que os serviços tiveram na elaboração deste tão complexo documento.
Tal proposta de Orçamento é fortemente condicionada por circunstâncias conjunturais que o município e o País atravessam e pelas novas perspectivas de enquadramento orçamental de rigoroso levantamento da situação financeira dos municípios que se anuncia para 2012.
A inclusão de 36 milhões de euros de encargos devido às Águas do Centro Alentejo e de toda a dívida a fornecedores e banca obrigaram a um Orçamento de 102 milhões de euros.
O Presidente do Município eborense fez também distribuir à Câmara um documento que traduz o Plano de Reequilíbrio Orçamental de Médio Prazo, onde são apresentados princípios orientadores e de justificação, objectivos a atingir e identificação dos recursos necessários à sua realização.

Outros assuntos aprovados
Para além deste ponto, foi também aprovada, como é obrigatório, o Mapa de Pessoal da Câmara Municipal de Évora para 2012, com três votos a favor (mais o voto de qualidade do Presidente) e três abstenções (duas da CDU e uma do PSD).
Foi igualmente aprovada a actualização anual da Tabela de Taxas e outras Receitas do Município de Évora, de acordo com a lei em vigor, tendo obtido quatro votos a favor (PS e PSD) e dois contra (CDU).
Esta reunião seguiu-se à reunião pública de Câmara ordinária de 14 de Dezembro, onde foi aprovado, entre outros assuntos, o normativo de Consolidação de Contas do Município de Évora e o Relatório Trimestral de Gestão e de Execução Orçamental da Habévora – Gestão Habitacional, EEM.
Foi igualmente aprovado o Plano de Pormenor da Área da Turgela, que visa concretizar a intenção de construção por parte das cooperativas de habitação Giraldo Sem Pavor e Boa Vontade. Aprovado também aditamento ao Loteamento Municipal do Parque de Indústria Aeronáutica de Évora que permitirá a instalação de mais empresas ligadas à área aeronáutica.
O Presidente da Câmara de Évora deu a conhecer a Declaração do Caia que resultou da reunião realizada na Câmara de Elvas, onde os municípios da Extremadura espanhola e do Alentejo manifestaram a sua preocupação pelas consequências para as duas regiões das alterações introduzidas pela Comissão Europeia no Plano Estratégico de Transportes e que determinam, não só o encerramento de algumas linhas transfronteiriças, como o adiamento de investimentos já anteriormente previstos, com consequentes alterações de calendário, nomeadamente para a concretização do projecto da Alta Velocidade.
Para além de outros assuntos decorrentes da actividade dos serviços, foi também aprovada a concessão em direito de superfície pelo prazo de 70 anos de terrenos municipais onde irá ser construído o Parque de Ciência e Tecnologia do Alentejo, que inclui a incubadora de empresas da responsabilidade da Câmara Municipal de Évora. (informação da CME)

"O Lago dos Cisnes" no Garcia de Resende


O bailado clássico “O Lago dos Cisnes” é apresentado hoje à noite pelo Russian Classical Ballet em Évora.
O espetáculo, com coreografia original de Marius Petipa e Lev Ivanov, está marcado para as 21:30 no Teatro Garcia de Resende.
Conta com bailarinos de “notoriedade internacional”, provenientes de “prestigiados” teatros, como Bolshoi, Mariinsky e Perm (Rússia) e Odessa (Ucrânia).
“O Lago dos Cisnes” foi composto por Tchaikovsky em 1876, em Paris, numa encomenda do Teatro Bolshoi, de Moscovo, onde estreou em 1877, tendo sido um verdadeiro fracasso.

Sem papas na língua


... Quero apenas dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: aos 42 anos já dei muito mais a este país do que o senhor. Já trabalhei mais, esforcei-me mais, lutei mais e não tenho qualquer dúvida de que sofri muito mais. Ganhei, claro, infinitamente menos. Para ser mais exacta o meu IRS do ano passado foi de 4 mil euros. Sim, leu bem, senhor primeiro-ministro. No ano passado ganhei 4 mil euros. Deve ser das minhas baixas qualificações. Da minha preguiça. Da minha incapacidade. Do meu excedentarismo. Portanto, é o seguinte, senhor primeiro-ministro: emigre você, senhor primeiro-ministro. E leve consigo os seus ministros. O da mota. O da fala lenta. O que veio do estrangeiro. E o resto da maralha. Leve-os, senhor primeiro-ministro, para longe. Olhe, leve-os para o Deserto do Sahara. Pode ser que os outros dois aprendam alguma coisa sobre acordos de pesca.Com o mais elevado desprezo e desconsideração, desejo-lhe, ainda assim, feliz natal OU feliz ano novo à sua escolha, senhor primeiro-ministro

Las Hurdes


A J. falou-me deste filme em 1976. Depois ouvi falar dele inúmeras vezes. Mas nunca o vi. Descobri hoje este vídeo pela mão do Santiago Macias. Apesar de não o ter visto até hoje conhecia quase cada milímetro do filme, de tanto ouvir falar dele. Tenho Buñuel por um dos mágicos do cinema. Vi quase tudo aquilo que consegui ver. E gosto da crueza, do surrealismo, quase sempre da sensualidade dos seus filmes. 
Segundo a Wikipedia "Buñuel voltou a Espanha após a proclamação da República e financiado pelo seu amigo anarquista Ramon Acín, dirigiu, em 1933, um documentário, Las Hurdes, tierra sin pan, que descrevia, de modo cru, a vida quotidiana e os costumes ancestrais de uma recôndita aldeia espanhola da Estremadura, profundamente miserável e em estado quase selvagem. As imagens e os factos descritos eram tão extraordinários e irreais, que acabariam por dar ao filme um cunho verdadeiramente surrealista. Foi um escândalo, desagradando ao governo (esquerdista) espanhol que o proibiu para grande desapontamento de Buñuel, por dar uma imagem corrompida da Espanha no estrangeiro".

Há quem diga que é a última revista "Mosaico". Será?

É já hoje na "é neste país"


Para pais e filhos, avós e netos, tios e sobrinhos, amigos e amigos, é realmente para quem quer aprender a reutilizar trapos velhos, roupa que já não usa, lãs, linhas, tecidos engraçados que por aí andam esquecidos, tragam tudo. Nós cá vos esperamos com a Paula Costa que nos levará ao mundo da criatividade, a criação será para levar para casa!


É neste país na quarta-feira pelas 18h!

é neste país!
Rua da Corredoura nº8, Évora
266731500
http://nestepais.wordpress.com/

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

António Lobo Antunes: "era incapaz de beijar António Barreto"


Na semana passada estive, em trabalho, vários dias na Figueira da Foz. Por acaso, coincidiu com a ida do escritor António Lobo Antunes ao Casino Figueirense apresentar o seu último livro "Comissão das Lágrimas". Tenho lido alguns livros do António Lobo Antunes, mas não é um dos meus escritores preferidos, até porque o tema da guerra colonial (em que não participei) não me diz tanto como a outras pessoas que conheço. Gosto do Lobo Antunes das crónicas na Visão e gostei do que disse nesta sessão na Figueira da Foz.
Respondeu às questões de alguns dos presentes, numa resposta circular em que abordou os mais variados temas. Eu gravei a conversa. Ei-la quase na íntegra (tirei apenas uma parte dedicada à tradução e à literatura, mesmo claro e acentuei com música os cortes que fiz).
António Lobo Antunes fala da guerra, dos hospitais psiquiátricos, da loucura, dos livros, das mulheres óbvias, de António Barreto, do ser português, da mestiçagem, da cultura que não interessa a nenhum poder, de Rodrigues dos Santos, do periscópio, dos programas culturais na televisão, da pílula-Expresso, da falta de tempo para fazer amor, do povo do caraças que somos, de Tony Carreira, da coragem das mulheres na gravidez.... Um ror de coisas, bem encadeadas e com muito humor.

Queriam "excelência"? Aí a têm...

Pior, o que há (pouco mais de 40 milhões) não chega nem para as dívidas (mais de 70 milhões!) nem para os salários.
E, ainda pior, é que nestes 10 anos a CME vendeu quase todo o património que recebeu na "pesada" herança.
Se a CME fosse uma empresa, neste momento estaria falida.
Pedido ao governo de Plano de Reestruturação Financeira, será a única saída se... o Governo ainda tiver condições para isso. E, se houver Plano, os despedimentos serão inevitáveis.
Queriam "excelência"? Aí a têm...

Anónimo das 23:05, de 19 Dezembro de 2011.

A tradição já não é o que era....



HISTÓRIA DO NATAL

Baltazar oferece Incenso;
Belchior oferece Ouro;
.....e vem o Gaspar e tira tudo!!!

(cortesia C.A.)

Aviso


ATENÇÃO

guardas e donos
do rebanho
:
tiram-nos o sono
mas não o SONHO

António Saias

Já que se fala de insegurança



(cortesia de C. André)

Se eu soubesse cantar bem nunca estaria calado...

Mesmo assim, cantando mal, tenho a mania de não me calar. Ainda mais quando nos começam a descartar daqui para fora.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Câmara de Évora conta com "o ovo no cu da galinha" para concretizar o orçamento para 2012

… no montante de 102 milhões de euros, “apenas” duas vezes e meia superior à receita deste ano, que é quanto precisa “para manter a atividade da Câmara e pagar toda a dívida que temos a fornecedores, entre os quais a Águas do Centro Alentejo", embora considere que “o município por si só terá muitas dificuldades em concretizar os objetivos do orçamento”, segundo o presidente da Câmara, José Ernesto Oliveira.

O vereador da CDU Eduardo Luciano considera que o documento, “ao contrário de ser para o futuro, é para o passado”, uma vez que só tem “dívida para pagar, o que significa que a câmara vai limitar-se a abrir e fechar a porta e manter a gestão corrente”.

O vereador do PSD António Dieb destacou que “conseguiu que, pela primeira vez em muitos anos, fosse analisada toda realidade do município e apresentado um orçamento com valores reais e totais dos compromissos assumidos”.

O plano e o orçamento da Câmara de Évora para 2012 foram aprovados, com os votos favoráveis dos três eleitos do PS, a abstenção do vereador do PSD e os votos contra da CDU, faltando agora a aprovação da Assembleia Municipal.

Diga o nome do que quer visível, ou omita o que não quer que se veja

O que não se nomeia não existe
Nas questões de género isto implica que o facto das mulheres não terem representação simbólica na lingua contribui para a sua invisibilidade. Daí a necessidade de usar uma linguagem que represente as mulheres e os homens e que nomeie  as suas experiências de forma equilibrada. Ou seja uma linguagem não sexista que é aquela que não oculta, não subordina, não substima, não exclue.
(...) Existem escolas de pensamento, como a Programação Neurolinguistica (PNL) que se baseia no uso da linguagem como forma de modelar comportamentos, condutas pessoais ecolectivas. (...)
O uso e a elaboração de uma comunicação não sexista é algo que temos de construir dia a dia, entre todas e todos como mais uma face da luta contra a descriminação, pela igualdade entre as pessoas e portanto por uma sociedade mais justa e solidária.

Estas são ideias retiradas do Manual de linguagem integradora não sexista editado pela secretaría de comunicação da CGT, um sindicato nosso vizinho (sediado em Madrid).  E quando lhes perguntam se não têm coisas mais importantes pelas quais lutar, eles respondem que "sempre haverá, perante qualquer questão, aspectos mais importantes pelos quais lutar".
O certo é que não é nova nem desconhecida a linguagem como instituição repressora ou liberdadora. Faça o favor de escolher o caminho que preferir.

Há indícios de "trabalho escravo" no Alentejo

Afirmou D. Vitalino Dantas, o Bispo de Beja, recordando que em algumas explorações agrícolas que foram visitadas recentemente por Cavaco Silva e a que o Presidente da República “fez grandes elogios, “a grande maioria das pessoas que lá trabalham são grupos vindos da Ásia que se sujeitam àquele ritmo de trabalho sazonal quase dia e noite”, assegurando ainda ter constatado a presença de intermediários que exploram os asiáticos no Alentejo e que vivem num nível de vida superior à dos que trouxeram para trabalhar.

As lágrimas são para serem teledifundidas


A histeria é sempre fascista seja qual for o nome que use.

Recordando José Dias Coelho (19 de Junho de 1923 — 19 de Dezembro de 1961, morto pela PIDE)

E o Passos não vai?


Elias, o sem abrigo, in JN/Anibal F. e R. Reimão

Já há muito que andava tentado a partilhar aqui no feicebuque o percurso profissional do actual chefe do Governo da República. Se hesitei foi porque, enfim... todos têm direito à nossa própria vergonha e ao nosso próprio pudor. Depois da declaração que este suburbano desqualificado fez a respeito dos professores, já não tenho nem vergonha nem pudor em encarar de frente a caminhada que a criatura fez ao longo da vida. A caminhada é essa que aí está resumida e que o conduziu, pelo voto (sim, pelo voto!), primeiro a chefe da troupe dele e, depois (igualmente pelo voto!) a primeiro-ministro de Portugal. É nas mãos e na cabeçorra deste pomposo cavalheiro que se encontra depositado já não digo o meu futuro, mas o futuro dos meus filhos e das minhas netas. Foi este "puto mariano" que escolhemos pelo voto. Provavelmente, não temos razão nem para nos queixarmos, nem para nos surpreendermos com o que nos vai acontecendo...

Data de nascimento: 24 de Julho de 1964
Formação Académica: Licenciatura em Economia – Universidade Lusíada (concluída em 2001, com 37 anos de idade)
Percurso profissional: Até 2004, apenas actividade partidária na JSD e PSD; a partir de 2004 (com 40 anos de idade) passou a desempenhar vários cargos em empresas do amigo e companheiro de Partido, Engº Ângelo Correia, de quem foi diligente e dedicado ‘moço-de-fretes’, tais como:
(2007-2009) Administrador Executivo da Fomentinvest, SGPS, SA;
(2007-2009) Presidente da HLC Tejo,SA;
(2007-2009) Administrador Executivo da Fomentinvest;
(2007-2009) Administrador Não Executivo da Ecoambiente,SA;
(2005-2009) Presidente da Ribtejo, SA;
(2005-2007) Administrador Não Executivo da Tecnidata SGPS;
(2005-2007) Administrador Não Executivo da Adtech, SA;
(2004-2006) Director Financeiro da Fomentinvest,SGPS,SA;
(2004-2009) Administrador Delegado da Tejo Ambiente, SA;
(2004-2006) Administrador Financeiro da HLC Tejo,SA.


Este é o “magnífico” CV do homem que ‘teoricamente’ governa este País! Um homem que nunca soube o que era trabalhar até aos 37 anos de idade! Um homem que, mesmo sem ocupação profissional, só conseguiu terminar a Licenciatura (numa Universidade privada…) com 37 anos de idade!
Mais: um homem que, mesmo sem experiência de vida e de trabalho, conseguiu logoobter emprego como ADMINISTRADOR… em empresas de Ângelo Correia, “barão” do PSD e seu tutor e patrão político!...

Enfim. Nada de favores nem de compadrios na vida deste trabalhador incansável. Um homem que chegou onde chegou por mérito - muito mérito, não haja dúvida!
O mesmo que secunda quem manda os jovens emigrar e que toma mesmo a palavra para bolsar idêntico conselho aos professores.

António Macedo (jornalista/animador das manhãs da Antena 1)

Arqueologia & Marketing

O livro foi apresentado na sexta-feira em Évora. Espera-se que o conteúdo surpreenda tanto como a capa, com um marketing pouco habitual em livros deste género. Mas que se aplaude. (visto em avenida de salúquia).

domingo, 18 de dezembro de 2011

Quantos pobres são precisos para que fazer um rico?

(via Ocupar Lisboa)

Esta segunda-feira em Évora

No meio deste desconchavo, a bem dizer…


Encostei a escanzelada e encardida carrinha na berma da estrada nova. Saímos e iniciámos a caminhada pela estrada pedregosa. Entre o caminho e a terra lavrada, um entremeio de viçosa erva a bordejar. Depois da dobra da encosta, ao alcance de um berro de escopeta, o monte da Abegoaria. Monte grande, outrora basto de vida e azáfama. Por lá existem a casa da matança e o fumeiro, a rouparia, a amassaria e a casa do forno, a abegoaria e a arrecadação dos apeiros, a casa da lã, a cocheira, as cavalariças, o palheiro e o celeiro. Pela volumetria, possivelmente, terá também adega e lagar. Imponente será a casa do lavrador, assim o indicam as duas incomuns torres. Arrimadas em banda, existirão as minguadas habitações dos contratados. Ainda no interior do rectângulo, os dormitórios da ganharia e a espaçosa casa da malta, cómodos de sazonais jornaleiros. Cosidos com o monte mas virados para o exterior do quadrilongo, o telheiro das alfaias, a vacaria, o galinheiro e a casa dos pintos. Nos arredores, existirá a eira, os poços e chafarizes, a malhada dos porcos e o bardo das cabras. A compasso do ranger das botas, anavalhei a mudez da caminhada com a fantasista suposição do como será o monte da Abegoaria. Por melhadura dos companheiros, aos meus palpites, auferi a silenciosa esquiva do nem sim nem sopas.

Companheiros, estamos conversados. Já que não pregam prego nem estopa na léria, avanço eu sozinho com a despesa do fraseado até ao assento de lavoura da Abegoaria.

Outrora, eram estes lugares os vértices da produção agrícola criadora de paparoca. Depois havia a aldeia apinhada de gente. Gente que vivia da agricultura, da transformação do que nela se produzia e ainda os artífices, comerciantes e professores que produziam, comerciavam e ensinavam outros bens e serviços necessários à comunidade. Depois havia a vila que, para além das actividades congéneres à aldeia, dispunha de outros afazeres necessários à povoação bem como às aldeias em redor. Depois havia a cidade que era como que o centro desta malha de povoamento e das suas consequentes actividades. Aprontava ainda outras actividades necessárias à urbe, vilas e aldeias da malha, bem como constituía o principal ponto de absorção, processamento, comércio e escoamento das produções da região.

Hoje, pensam que a agricultura não é uma cultura nem quem dela vive tem cultura. É apenas uma actividade destinada a vomitar “produtos” em regime intensivo que procriem numerário a fim de suportar o que quer que seja que não a agricultura. Mandantes enlouquecidos há, que se convenceram que a agricultura é uma coisa que não tem lugar no mundo moderno.

Nos montes, na generalidade, não vive vivalma. Dos que vivem na aldeia, a minoria labuta a terra, a maioria trabalha na vila. Dos que vivem na vila, uma ínfima minoria trabalha a terra, uns poucos mais asseguram a labuta da povoação, os outros trabalham na cidade. Dos que vivem na cidade, alguns há que já se deslocam para trabalhar na metrópole. Um dia não muito longe, pelo andar da carruagem, os da metrópole irão trabalhar a Marte.

A cavalo na escanzelada e encardida carrinha, já na estrada nova de regresso à aldeia, barafustei com os companheiros sobre o paulatino desconcerto e beco sem saída por onde isto enveredou. No meio deste desconchavo, a bem dizer, a única coisa sadia é o convencimento de os meus botões serem uns formidáveis companheiros, com o senão do mutismo.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Évora de fluxos e lugares

Foto tirada daqui
A cidade como espaço de fluxos e de lugares é uma imagem descrita pelo sociólogo Manuel Castells que me parece esclarecedora pela imensa diversidade que sintetiza e evoca.
Na Évora de hoje esses dois tempos e modos - o dos fluxos e dos  lugares - cruzam-se, por vezes encantam-se entre si, e outras vezes ainda seguem alheios e indiferentes um ao outro.
A Évora dos fluxos é a das ideias, a dos negócios, a das artes, a dos amores, e a de tanto mais. Que fervilha no invisível e se sente no intuído, ou às vezes se acede por via das noticias, dos segredos ou dos desabafos a que acedemos.
A Évora dos lugares é uma Évora bem mais visível, menos desdita. Nem por isso sempre descoberta ou compreendida.
Castells defende que no encontro destas duas dimensões da cidade residem as  possibilidade de futuro do local relacionado com o resto do mundo, ou seja com o global.
E sentem-se de facto, na Évora de hoje, percursos, desejos e tentativas por parte alguns que insistem em fazer coincidir os dois planos, no sentido de tornar Évora numa cidade melhor habitada, mais equilibrada.
Exemplo destas insistências são as propostas a partir da "Mostra documental do Aqueduto da Água da Prata" no Convento dos Remédios. Muitos caminhos, lugares e fluxos foram já identificados e continuam a ser procurados, a partir do Aqueduto de Évora e da sua História.
Ontem à tarde, um grupo de interessados saíu do Convento dos Remédios, subiu a Rua de Alconchel ou Serpa Pinto, deteve-se junto ao bebedouro  quinhentista descoberto ao cimo da rua, próximo da bela fonte da Praça do Giraldo. Sobre um e outro ponto de água se teceram comentários, se lançaram olhares, e se não puderam  negar mistérios. O percurso continuou até ao fim da tarde, noite entrada, na Igreja de S. Francisco.
Pelo caminho, evocaram-se vários artistas e ofícios. Que habitam Évora  deste há muito. E entre os artistas incluíam-se, ainda não há assim tanto tempo, os sapateiros. Estávamos na Praça do Giraldo quando nos foi apresentado Simão Gomes, um homem que viveu ali na Rua Nova "na casa da cova" (que se presume possa coincidir com a actual sapataria"lot of shoes"). Uma figura marcada por "singulares maravilhas e espírito profético", "que exerceu poderosa influência  sobre o próprio rei D. Sebastião que "o chamava muitas vezes ao Paço e perante o Conselho de Estado fazia ouvir a sua opinião". Foi "estimado pela sua extraordinária modéstia e simplicidade", "Dizia-se que
falava com tanta facilidade do presente como do futuro" e que "era tanta a luz que Deus lhe tinha comunicado que não só nas matérias políticas como teológicas, eram os seus discursos superiores a todas as ciências humanas e assombro dos maiores." Era uma espécie de Bandarra local. Filho do seu tempo e espaço.
São assim os homens da urbe, os que medeiam os lugares e os fluxos. Os de ontem e de hoje. Simultaneamente claros e obscuros. Artistas e sapateiros. Modestos e distintos. Sábios e atávicos. São feitos da mesma massa os cidadãos que habitam, quase cinco séculos depois, a mesma Rua Nova, a mesma cidade de Évora, o mesmo país. Só lhes atribuímos hoje alcunhas diferentes de "sapateiro santo", nome pelo qual ficou conhecido Simão Gomes.
( entre aspas referências do texto de Carvalho Moniz que apresenta o cidadão Simão Gomes in Dominicais Eborenses, 1999,  Évora: Câmara Municipal, pg. 128)

In memoriam (1941-2011)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Viola Campaniça na Galiza


A Central Folque - Centro Galego de Música Popular, em Santiago de Compostela, recebe este sábado, dia 17 de Dezembro, as sonoridades da Viola Campaniça de Pedro Mestre, integrado no evento Diários Sonoros, Retratos Musicais do Século XX que aquele centro promove sobre os trabalhos de recolha do etnomusicólogo corso, Michel Giacometti, desenvolvidos em território português a partir da década de 60.
Para esta sessão foram convidados foram José Moças, da editora Tradissom responsável pela edição do Livro CD/DVD "Michel Giacometti - Filmografía Completa", Paulo Lima investigador e coordenador desta colectânea e ainda Pedro Mestre, tocador de Viola Campaniça e actual representante das sonoridades que Michel Giacometti recolheu no Alentejo nos anos 60.

Na "é neste país" este sábado


17 de Dezembro, pelas 11.30h

Com quantos pontos se conta um conto?

História do menino Jasus


JESUINA BARCELOS