quarta-feira, 19 de Outubro de 2011

O 15 de outubro em Évora foi aquilo que a Assembleia de Rua decidiu que seria. Nem mais, nem menos.


Há muito tempo que não passava por aqui, mas reparei nestes comentários sobre a concentração de dia 15 de outubro em Évora e estou perplexo: criticam uma coisa que foi tal e qualmente assim delineada pelos seus organizadores.Nunca pretendemos - nós que a organizámos - que fosse alguma coisa diferente do que aconteceu: criou-se um espaço para crianças e um espaço de Assembleia, com microfone aberto para quem quisesse falar. E foram muitos os que falaram. E falou quem quis. Se alguém tinha alguma outra proposta para apresentar e não o fez, a responsabilidade é sua. Não se quis fazer uma manifestação façanhuda rua abaixo e rua acima. Foi aquilo a que sempre nos propusémos e que divulgámos em inúmeros suportes que aconteceu.
A manifestação de Évora nasceu por iniciativa de um grupo que se reúne desde há vários meses na Praça do Sertório todas as 2ªas feiras, que se intitula "A Cultura está viva e manifesta-se na rua" e que tem página na internet e no facebook. A quem nos contactou sempre dissemos que quem queria uma manifestação tradicional deveria ir a Lisboa ou a outro lado qualquer ou, em alternativa, convocar outro tipo de manifestação para Évora: o nosso modelo era aquele (nas cerca de mil manifestações em todo o mundo houve muitos modelos diferentes), decidimo-lo em assembleia com gente de vários partidos e muitos independentes e demos o corpo para o concretizar. Por isso é, de algum modo, caricatural ver alguma das prosas aqui postas, imagino que a maioria por quem nunca fez, não quer fazer e nunca fará nada para mudar uma palha que seja, quanto mais ajudar a transformar o mundo num sítio melhor para vivermos.
Mas nós ficámos contentes com o 15 de outubro em Évora, construíram-se solidariedades, estabeleceram-se pontes, quebraram-se medos e o que aconteceu na praça do Sertório, renomeada Praça Manuel da Fonseca, satisfez-nos e deu-nos ânimo para, eventualmente, noutras ocasiões secundarmos, de novo, o movimento mundial dos Indignados. Só esperamos é que dessa vez os "enganados" de hoje não voltem a incorrer no engano: é que as nossas lutas e as nossas formas de nos manifestarmos serão sempre aquelas que escolhermos e decidirmos nós próprios e não aquelas que outros pretendam decidir por nós.

(Assinado: Um dos elementos que esteve presente nas assembleias de Rua em que se decidiu convocar a concentração de protesto para Évora. E que acha que tudo correu muito bem. Acima mesmo das melhores expectativas que tínhamos).

19 Outubro, 2011 01:53

2 comentários:

  1. Se a assembleia decidiu, está decidido. Fico à espera da próxima festa.

    ResponderEliminar
  2. Há gente aporrinhada com os movimentos espontâneos e assembleias de rua, tanto que, dois dias depois fizeram uma marcha para demonstrar (?) que são eles os verdadeiros donos da indignação e que sózinhos conseguem fazer mais barulho e chavascal que todos os outros.
    Entende-se agora a sua reserva no envolvimento do 15 de Outubro bem como o desdém com que encaravam o movimento.
    A Tacanhez e pequenez, são uma merda.
    Não sei porquê mas não me apetece fazer greve junto da CGTP...
    ao menos o algodão não engana.

    ResponderEliminar