segunda-feira, 31 de outubro de 2011

na casa das palavras já somos sete mil milhões

Foto tirada daqui
Na casa das palavras, sonhou Helena Villagra, chegavam os poetas. As palavras, guardadas em velhos frascos de cristal, esperavam pelos poetas e se ofereciam, loucas de vontade de ser escolhidas: elas rogavam aos poetas que as olhassem, as cheirassem, as tocassem, as provassem. Os poetas abriam os frascos, provavam palavras com o dedo e então lambiam os lábios ou fechavam a cara. Os poetas andavam em busca de palavras que não conheciam, e também buscavam palavras que conheciam e tinham perdido.
Na casa das palavras havia uma mesa das cores. Em grandes travessas as cores eram oferecidas e cada poeta se servia da cor que estava precisando: amarelo-limão ou amarelo-sol, azul do mar ou de fumaça, vermelho-lacre, vermelho-sangue, vermelho-vinho... in "o livro dos abraços" de Eduardo Galeano,1991.
Neste dia 31 de Outubro, em que passam 1.536 anos sobre a tomada de posse do último imperador do império romano do ocidente, o jovem Rómulo que teria então entre 15 a 18 anos, a ONU assinala simbólicamente a chegada do cidadão ou cidadã sete mil milhões.
Esperam-se, entretanto, a oriente e a ocidente, poetas, palavras e cores mais genuínas do que as que se têm imposto. Eventualmente, capazes de resgatar a humanidade de tantos milhões que somos. 

domingo, 30 de outubro de 2011

Elias, o sem abrigo

Elias, o sem abrigo. Sábado, in JN. Aníbal F./Rute R.

George Brassens: para além da "má reputação"


Passaram ontem 30 anos sobre a morte de George Brassens, o cantor francês que, com ironia e usando e abusando do "argot", cantou as misérias e as esperanças de uma França que se agitava. Anarquista assumido, fez parte do trio de cantores libertários, que com Leo Ferré e Jacques Brel, criaram, letras e músicas cheias de significado político e de crítica social. Brassens é destes cantores, talvez, o menos conhecido em Portugal, mas de todos eles talvez o mais sarcástico e radical.
A Lusa ontem publicou um extenso texto sobre George Brassens. Eis alguns excertos: "A França recorda o halo libertário de George Brassens, autor irreverente falecido há 30 anos, e que marcou a poesia e a canção francesa do século passado com a ironia crítica dos seus versos e a sobriedade da sua viola.
Enquanto os seus fãs incondicionais levam flores para o seu túmulo na cidade natal de Sète ou se acercam da casa onde viveu na localidade bretã de Lézardrieux, a televisão francesa presta homenagem ao anarquista de bigode e cachimbo que trespassava humor na sua poesia e que transformou as suas canções em críticas à religião e à sociedade.
Nascido no seio de uma família operária da orla do Mediterrâneo, George Brassens (1921-1981) mudou-se para o País para cursar estudos primários, onde aprendeu a tocar piano em casa de sua tia e trabalhou de forma efémera numa fábrica do grupo Renault, até que os nazis a bombardearam.
É então que Brassens regressa à sua terra natal e estuda nas bibliotecas os grandes vultos da literatura francesa como Victor Hugo, Villon ou Baudelaire, antes de ser chamado a Paris pelo governo colaboracionista de Vichy e enviado para trabalhar numa fábrica da BMW na Alemanha.
Terminada a II Grande Guerra, aproximou-se dos movimentos anarquistas e começou a escrever artigos para a revista “Le Libertaire.
“La mauvaise réputation” (1952) é o primeiro disco de Brassens que em 1963 se converte no segundo músico francês, depois de Léo Férre, a entrar na coleção “Poetas de Hoje”, sendo galardoado em 1967 com o Grande Prémio de Poesia da Academia Francesa.
Gravou mais de 600 canções, sendo ainda hoje cantado por nomes como Juan Manuel Serrat, Carla Bruni ou paco Ibañez.
Nascido em Sète a 21 de outubro de 1921, morreu a 29 de outubro de 1981 em Saint-Gély-du-Fesc, aos 60 anos, vítima de cancro no fígado".

sábado, 29 de outubro de 2011

Ainda vai a tempo. É só às 11,30 h.


29 de Outubro, pelas 11.30h

Com quantos pontos se conta um conto?

Queridos Monstros


MANUEL DIAS
GERTRUDES PASTOR


Apareçam neste país!

é neste país!

Rua da Corredoura nº8, Évora

266731500

http://nestepais.wordpress.com/

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

E já que estamos numa de poesia popular...

Fado do Namoro


Este “fado do namoro” – título feito por mim – foi-me ditado pelo Melro, do Alcórrego. Aprendeu-o em 1946 a bordo do Niassa, quando regressava da Província Ultramarina de Moçambique para a “Metrópole”. Era assim que se dizia… Quem o cantava, era um magala do Norte. O Melro decorou e canta com a música do “Embuçado”.
Aníbal Fernandes (via Facebook)



Namorei uma Otília
Uma Odete, uma Sofia
Mais tarde uma Lucília
Uma Ester, e uma Emília
Numa constante alegria.

Namorei uma Silvina
Uma Aldia e uma Natália
Uma Filávia, uma Albertina
Depois uma Albertina
Uma Júlia, e uma Amália.

Namorei uma Arturmina
Uma Laura, e uma Lucinda
Uma Ilda, uma Luísa
Uma Alice, e uma Elisa
E depois a Deolinda

Namorei uma Susana
Uma Rosa, uma Susete
Uma Eva, e uma Joana
E depois da Mariana
Uma Elsa, e uma Arlete.

No fim de tanto escolher
Sou capaz de não casar
Ou então virei a ter
Por companhia a mulher
Que nunca me saiba amar.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

DA desta semana

Se fosse em Portugal Duarte Lima seria acusado? Tenho dúvidas



Não sei se Duarte Lima - ex-homem forte do PSD, mas ainda muito bem relacionado com o mundo da política, subitamente rico (lembro-me das reportagens no Independente sobre os "casos" financeiros de Duarte Lima) e ainda socialmente influente - é ou não culpado. O que penso, pelos exemplos a que tenho assistido, é que se este caso tivesse sido instruído em Portugal muito dificilmente Duarte Lima teria sido acusado. Haveria sempre um pobre diabo, sem capacidade para se defender, que seria acusado. Talvez um primo afastado. Ou o caso ficaria esquecido como tantos outros. Justiça de classe em Portugal? Não, que ideia! ... É assim a modos que uma justiça sem qualquer tipo de classe, como já alguém disse. 

Feira dos Santos em Alvito

Para acalmar: Cantar Alentejano (José Afonso), na voz de Esther Merino



(via Associação José Afonso)

Atenção: contém declarações eventualmente chocantes para mentes, digamos... mais ortodoxas



Este vídeo de Noam Chomsky é de 1989, mas retoma hoje actualidade quando milhões de jovens e de menos jovens ocupam praças em todo o mundo em nome da "revolução" e da transformação da sociedade. Chomsky tem estado entre eles e tem usado várias vezes da palavra, seja em apoio dos que ocupam Wall Street, seja em Boston. Este linguísta de renome mundial, acérrimo crítico do complexo militar-industrial dos Estados Unidos, opositor às guerras no Vietnam, no Iraque e no Afeganistão, entre outras, insere-se na tradição libertária e de esquerda do socialismo, interrompida quando os bolcheviques tomaram o poder na Rússia e usaram o "socialismo" como instrumento de dominação e de exploração (mais uma vez) sobre os trabalhadores. Apesar da má tradução (quem souber inglês tem aqui sérias vantagens) é um vídeo que, ainda hoje, vale a pena "espreitar", sobretudo neste tempo em que novas esperanças renascem, mas em que também novos e velhos horrores estão ao voltar de cada esquina.

Profissionalização dos artistas: os remos da galera.

(uma reacção aos posts - aqui e aqui - da actriz Alexandra Espiridião)

A Alexandra Espiridião irrita-se com a questão dos subsídios, que é de facto irritante, mas incontornável. Mas há outro problema que também está presente no que escreve e se cruza com este: o da profissionalização do pessoal da Cultura (artistas, gestores, técnicos, etc.).
1. A profissionalização tem, em princípio, claras vantagens quanto à qualidade dos produtos, porque permite aos agentes acumular competências, experiências e todo um capital cultural difuso e dificilmente quantificável, mas que existe, e é bem visível pelos seus efeitos. É preciso tempo, trabalho, reflexão e só a profissionalização permite, em muitos domínios, nomeadamente os do espectáculo vivo, atingir um grau de qualidade elevado e constante.
Mas no contexto europeu (e mais além) a profissionalização coloca os agentes numa situação de grande fragilidade. Se excluirmos uma ínfima minoria de pessoas (que consegue emprego estável, remunerações aceitáveis, uma certa segurança económica) a profissão de artista (actor, encenador, pintor, etc.) é uma aposta quase sempre desesperada.
Quem a escolhe (como profissão principal) condena-se a uma vida de incertezas, de precariedade, e a aceitar remunerações muito inferiores às que poderia auferir, com qualificação equivalente, noutros sectores. O mercado do trabalho nos sectores artísticos é extremamente difícil (restrito, mal pago, incerto, violentamente concorrencial).
Não penso que isso seja “normal”, nem que deva ser aceite como uma maldição inseparável das actividades artísticas.
Contudo, nas condições actuais, a opção entre tornar-se um artista amador (ou que exerce a sua arte como um complemento da sua actividade profissional principal, não artística) e tornar-se um artista profissional que aposta a sua sobrevivência no emprego artístico e dele se torna totalmente dependente é uma opção decisiva.
2. Quando a Alexandra Espiridião diz que os artistas “mesmo sem dinheiro continuariam a trabalhar” porque a arte “é uma pulsão vital”, acho que incorre numa ambiguidade perigosa. Claro que criar é uma “pulsão vital”, mas se o é, não é exclusiva dos “artistas” (especialistas), ela está presente em todos nós. E portanto, todos podemos criar (e deveríamos fazê-lo), mas outra coisa é tornar-se profissional (ou semi-profissional) da criação: fazer depender a sua sobrevivência do mercado do trabalho da Cultura.
Porque neste caso, a relação entre criação e meios económicos (dinheiro!) tem que ser equacionada de outro modo. O artista profissional, em meu entender, deve ser pago pelos trabalhos que realiza; e não é saudável que os faça aceitando não ser pago (salvo ocasiões pontuais). Aceitar “continuar mesmo sem dinheiro” é colocar-se numa situação que o desvaloriza. Mais, aquela parte do público que não pagaria a escola para os filhos se não fosse obrigatória e (quase) gratuita), diria: “se eles fazem mesmo sem dinheiro, é porque não precisavam dele. Então, que continuem!” Comemos o bolo e ficamos com o dinheiro do bolo.
3. A outra escala, que é a da programação de actividades, quem depende de subsídios numa proporção importante do seu orçamento (e não são só, nem principalmente as pequenas estruturas de zonas periféricas), tem que ser capaz de adaptar os projectos aos meios, sabendo que estes podem ser postos em causa a qualquer momento, e ser capaz de renunciar ao que não foi financiado. O que pode tornar necessária a redução da dimensão das estruturas (despedir pessoal), com tudo o que isso significa.
“Continuar a fazer mesmo sem o dinheiro”, persistir em programar actividades que não “cabem” no orçamento real (não o previsto, mas o adquirido), realizando-as à sua própria custa (trabalho extraordinário, não pago, recursos próprios dos artistas, etc.) tem todos os inconvenientes imagináveis.
Primeiro, o que já vimos: deixar crescer a ideia que “afinal não era preciso o dinheiro”. Segundo, o de colocar os artistas na situação de mártires da causa (duma causa que de repente parece ser só a deles): sacrificam-se pelo bem comum, sem que o comum se preocupe com o sacrifício.
Terceiro, estabelece entre os artistas (e outros agentes) e as instâncias de financiamento uma relação de chantagem que degrada a relação e degrada também a imagem dos artistas. Estes surgem, à escolha, como os pobres trabalhadores cuja empresa vai à falência e despede (o que banaliza a situação das artes e coloca a questão num terreno puramente economicista), ou como os marginais da sociedade que, tendo escolhido aquele modo de vida, são mártires deles próprios.
4. A questão da opção pela profissionalização coloca-se também como uma questão ética, quando se trata de guiar, orientar ou apenas aconselhar os jovens que se destinam às “carreiras” artísticas: creio que fariam falta nos currículos universitários das artes ensinos de “economia da Cultura” noções de gestão de carreiras artísticas individuais (mercados do trabalho, mercados da arte, fontes de meios de produção, etc.). Se calhar até já existem… e até na UÉ? Ignoro. Mas penso naqueles jovens que se lançam no teatro ou na pintura, por exemplo e que depois de anos de estudo são largados num deserto cultural para o qual não estão preparados, se bem que detenham os saberes técnicos do actor ou do pintor.
Não será também responsabilidade das instituições (e nossa) preveni-los, dar-lhes a conhecer o estado do emprego artístico, e incitá-los a não pôr todos os ovos no mesmo cesto? A adquirirem em paralelo formação em domínios diferentes, de modo a terem mais que uma corda no seu arco?

JRdS
27 de Outubro de 2011

Falta de financiamento suspende obras na A26

(clique para ler)
(via Praça da República)

Será Manuel Dias tão bom cozinheiro como é marionetista?

(clique para ler)

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Censos mostram que o interior está a extinguir-se - diz Filomena Mendes


O interior do país está em extinção, com o acentuar das assimetrias em relação ao litoral, na última década, e cada vez mais despovoado e envelhecido, alertou hoje a presidente da Sociedade Portuguesa de Demografia.
Numa análise aos resultados preliminares dos Censos de 2011, comparando com os de 2001, a responsável, Maria Filomena Mendes, acentuou à agência Lusa a progressão na dicotomia litoral/interior existente no país.
“A dicotomia norte/sul que tínhamos antes desapareceu e passámos a ter uma dicotomia litoral/interior. Já entre 1991 e 2001 havia um país diferente no interior e um país diferente no litoral”, afirmou.
Agora, continuou, os que os dados dos Censos 2011 mostram é que, adicionalmente, na última década, “o interior está a extinguir-se e [a população] está a passar para as regiões mais litorais”.
O interior “está todo a perder população, porque a nossa fecundidade baixou muito nos últimos anos e não há nascimentos que consigam compensar os óbitos”, explicou.
Daí que, sublinhou, o interior esteja, neste momento, “despovoado e envelhecido”, sendo uma vasta área do território nacional “sem crescimento e sem atratividade”.
Em termos de decréscimo populacional no país, a NUT II (Nomenclatura de Unidade Territorial) Alentejo, que engloba os 47 concelhos da região e 11 da Lezíria do Tejo, é a que perdeu mais habitantes, com uma variação negativa de 2,3 por cento, numa comparação entre 2001 e 2011.
Maria Filomena Mendes, também docente na Universidade de Évora, argumentou que o Alentejo segue a tendência verificada em todo o interior do país. O que se passa, acrescentou, é que o Alentejo já perde população “há mais anos”, em comparação com outras regiões nacionais.
Excluindo a Lezíria e analisando apenas as quatro NUT III do Alentejo, a maior variação negativa da população é no Alto Alentejo (menos 6,4 por cento), seguida pelo Baixo Alentejo (menos 6,3) e surgindo só depois o Alentejo Central (menos 3,5) e o Alentejo Litoral (menos 2,1). (LUSA)

Intelectuais (o "nós/Portugal é uma abstracção)


Ontem foi avançada uma nova teoria da Ciência Social – o “empobrecimento” esta alicerça-se na convicção que vivemos acima das nossas possibilidades e que o Estado está “gordo”. Será verdade?
Quando no pós-25 de Abril os filhos dos grupos sociais que tradicionalmente não chegavam à Universidade passaram a fazê-lo, engordaram o Estado? Quando as parturientes deixaram de ver os seus filhos morrer porque eram devidamente acompanhadas antes do parto, engordaram o Estado? Quando os camponeses e as domésticas passaram a ter um Serviço de Saúde e de Segurança Social, engordaram o Estado? Quando o regime de trabalho atingiu a regulação das horas de trabalho vencendo a arbitrariedade e o Sol-a-Sol, engordou o Estado? Quando recentemente se apostou nas Novas Tecnologias e nas Energias Renováveis, engordou-se o Estado? A resposta é NÃO!! As perguntas ainda podiam largamente continuar, mas a questão está a ser perspectivada a partir de premissas erradas – o “nós”/Portugal é uma abstracção!
Neste País existem realmente grupos sociais diferenciados que têm acesso aos bens muito diferenciadamente – uns muito e outros quase nada e outros, ainda, nada mesmo!! Todos sabemos isto. Capitalizar os bancos não é capitalizar os cidadãos. É óbvio que os esforços têm de incidir sobre quem mais tem – e não estou a falar de “ordenados”, estou a falar da riqueza individual. O Estado é “gordo” – talvez, mas forte ele tinha que ser porque sabemos que o País é de escassos recursos – é um país pobre. Diga-se! Mas quem tem de empobrecer não são os que já pouco têm.
O Capitalismo fracassou enquanto sistema, e isto é incontornável, não se pode pedir à população mais esforços para acudir a um moribundo em estertor. Há que ter imaginação e fazer um “nós”/Portugal mais equitativo nos recursos existentes. Se a maioria estiver satisfeita e solidária trabalha muito melhor – vir com imposições autoritárias vai fazer o País estoirar. Todos os processos no 25 de Abril e no que se seguiu foram correctos? NÃO! Todos percebemos que as famílias gastam mais do que podem, para isso tinham os bancos a correr atrás delas a oferecer-lhe cartões de crédito!! Espero bem que Marx não tenha razão, mais uma vez, quando diz que “a arma da crítica nunca substituirá a crítica das armas”!! Ainda há bem pouco na Europa se estava a bombardear a ex-Jugoslávia com os crimes que todos conhecem!
Antes que as empresas estratégicas estejam todas vendidas no estrangeiro exijo das elites intelectuais portuguesas que venham aqui – a este Fórum de cidadãos – e nos tragam a claridade ao fim do túnel com o seu empenhamento e as suas perspectivas. Recordo as palavras de José Mattoso em 1998: “País secularmente dominado por uma pequena minoria aristocrática e clerical que se exercitou na monopolização do poder, avessa à inovação e aos contactos com o mundo exterior, em conflito constante com outra minoria ávida de progresso, de comunicação e de novidades. Ambas acima, e profundamente alheadas de uma população predominantemente rural que ainda ontem preservava cantares, artesanato e estruturas familiares, mas que hoje se descaracteriza rapidamente e se dilui nos espaços urbanos.”
Eu, sim, com a minha autoridade de cidadão, evoco PESSOA e digo “É a Hora!” de todos nos envolvermos na transformação de Portugal num espaço de Liberdade! Igualdade! Fraternidade!

Mário Gomes (também no facebook)

Mar


▴ Chris Marker’s Gay-Lussac (Paris, May 1968)


Não sei o que são.
Ninguém saberá o que são …
Serão sonhos frustrados como balões coloridos furados
Que como gotas pesadas agora caem por todos os lados
E que se vão quase concentrando ao acaso em pequenas pocinhas …

Não sei o que são.
Ninguém o saberá …
Poderá ser que um dia as indignadas gotas neste Outono tombadas
Sejam como um pequeno riacho de grossas lágrimas em leito a correr …
E lágrimas muito salgadas atrás de outras lágrimas,
Riachos atrás de outros riachos,
Rios enormes de pequenos rios,
Apenas só lágrimas atrás de lágrimas
Rolando de pocinha em pocinha,
Poderá ser um dia um mar sem ninguém poder controlar …

Évora, 2011-10-16


J. Rodrigues Dias

SARRAZINAS MANFIOS SARRAZINAS


De um amigo moçambicano, recebi o seguinte sms:

Líbia impõe a sharia como base do seu futuro direito – contributos Al Quaeda com subsídios Nato?

Igualmente, respondi via sms:

O “Deus Mercado” está cagando se é muçulmano, judeu, cristão, fundamentalista ou não, nato inato, de olhos em bico, monhé, molungo, tisnado ou o caralho mais velho. Desde que lhe amarfanhe – a bem ou a mal – as piastras do pitról, armas e de outras rendosas minudências tais como a cona-da-mãe do pinóquio.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Será atrás do ouro que vem Pinto de Sá quando se fala da sua candidatura à Câmara de Évora?



A empresa canadiana Colt Resources assina, a 2 de Novembro, os contratos com o Governo português para avançar com a exploração experimental de ouro nas freguesias de Santiago do Escoural (Montemor-o-Novo) e Nossa Senhora da Boa Fé (Évora).
Fonte do Ministerio da Economia disse à TSF que as substâncias a explorar são, sobretudo, «ouro e prata», mas poderão ainda ser extraídos «cobre, chumbo, zinco e outros minerais associados».
Em declarações à TSF, o presidente da Câmara de Évora, José Ernesto Oliveira, disse tratar-se de um investimento que «vai permitir fixar jovens» na região.
Também o autarca de Montemor-o-Novo, Carlos Pinto de Sá, disse ficar na «expectativa» de melhores tempos para a economia do país e do município.

... nã sê que lhe diga...


Ora vivam! Tanto anónimo pá! Vocês também usam a máscara? Não pude deixar de reparar que sentiram a minha falta e até me chamaram um novo nome!

Vamos lá então ao que interessa: onde foi que leram os ataques ao CENDREV?! Ah essa imaginação...Está a fazer efeito o nosso silêncio... pois bem, de nós dificilmente ouvirão considerações sobre a situação do CENDREV, teça-as o público, que é quem tem o dever. E ele tece-as muito claramente quando vai, ou não vai, assistir aos espectáculos. A nossa opinião é, no entanto, sobejamente conhecida.

Nos valores apreendidos desde a infância está um que actua agora - a noção de CLASSE. Como em tudo o resto há os que têm e os que não têm (confesso que às vezes é difícil, entre as rasteiras e as punhaladas nas costas tem a gente que concentrar-se bem, para não perder o norte).

Essa do Regulamento é que eu não entendo! Desde o século passado que nos batemos (os PIMs) por regras claras nas atribuição dos apoios financeiros, por concursos públicos/de ideias na atribuição dos espaços, pela clarificação de objectivos e estratégias para a cultura, para a gente saber com que linhas é que se cose, é que há quem tenha jeito para lidar com o sistema, as suas burocracias e os seus pequenos poderes mas também há quem não tenha e nós somos dos últimos (só porque nos falta a paciência e tambem a inteligência - é que são muitos factores a ponderar e a malta ainda vai a meio e já lhe perdeu o fio).
Obviamente que só podíamos apoiar a realização desta acção. Para quem não sabe, a 1ª proposta de Regulamento era ... desfasada da realidade, várias pessoas (representando agentes culturais de diversas características e dinâmicas) se reuniram para discutir e apresentaram propostas. Não é o melhor Regulamento mas é um REGULAMENTO que tende a regular, e esperamos que regule, se não todas, pelo menos algumas, das desregulações que vêm existindo desde... eu sei lá!
Certamente esta nova situação não serve quem já estava servido (upps- esta escapou-me, não sou santa).
Haja discussão publica, haja reflexão, avalie-se e analise-se a sua implementação assim como os resultados. Pelo menos agora dados não faltam e estão aí, públicos e até claros, para se poderem questionar.
«os PIMs são cumplices da CME» - essa é das melhores... nã sê que lhe diga. Não digo nada, rio-me...

Não fiquem só aqui a discutir, virtualmente, sem saliva, nem variações de timbre e de volume... saiam para a rua - apareçam na Assembleia ou venham ao PIM - já que o PIM não vem à cidade.

AE
25 Outubro, 2011 00:20


FIKE: começa hoje a fase competitiva

Cerimonia Abertura

Abertura Oficial do FIKE – Festival Internacional de Curtas-Metragens
21h30Local: Auditório da Universidade de Évora
Colégio do Espírito Santo

Sessão Competitiva N.º 1

Título Original (Título Inglês)RealizadorCategoriaDuraçãoPaís
JULIE ET SES JULES (Julie And Her Guys)Fanny Jean-NoelFicção15′45″FR
VICKY AND SAMNuno RochaFicção13′38″PT
LA COSA EN LA ESQUINA (The Thing In The Corner)Zoe BerriatúaAnimação10′00″ES
BRICKSFrodo KuipersAnimação04′35″NL
LA GRAN CARRERA (The Great Race)Kote CamachoFicção06′57″ES
BABYDaniel MulloyFicção25′00″GB
GAMBA TRISTA (Loser Leg)Francesco FilippiAnimação08′20″IT

Da ausência de credibilidade em política


Por onde é que andaram estes que agora vêm fazer propostas tão arrojadas? Terão estado fora do país? Andado em excursões ao Pólo Norte? Exilados na Sibéria? A comerem queijo de cabra no Parque do Gerês?
Isto é mesmo para rir: saíram de São Bento há cerca de 4 meses e já vêm com propostas inovadoras! Claro: em seis anos de Governo não tiveram tempo de as pôr em prática. E ainda há gente que se deixa ir nesta conversa?

Capa do Diário do Alentejo ganha prémio Stuart de Ilustração de Imprensa


Susa Monteiro é a grande vencedora do Prémio Stuart de Desenho de Imprensa 2011. O júri deste concurso, que “visa homenagear um dos mais célebres ilustradores de sempre e premiar a excelência nacional contemporânea”, distinguiu a ilustração que a autora publicou em toda a primeira página da edição de 7 de janeiro do “Diário do Alentejo”. É a primeira vez que um jornal regional é contemplado com esta que é a maior distinção portuguesa na área do desenho de imprensa. O prémio é entregue hoje, 25 de outubro, pelas 18 e 30 horas, no El Corte Inglés, Lisboa. (DA)

Opinião negativa sobre o que foi servido em Santarém


Desilusão completa aquele "Almoço do Alentejo" no Festival Nacional de Gastronomia, em Santarém. E andámos nós a divulgar aquilo como se fosse coisa séria.

As artes do pão deviam ter merecido algum respeito e não aquele tratamento grotesco e confrangedor.
* "A autenticidade do pão" estava onde? 
* Os "cogumelos silvestres" eram perfeitamente industriais. 
* Em que região do Alentejo será uso, hábito e costume, o pão de milho? 
* O ananás (não seria antes abacaxi?) é produzido em que zona do Alentejo? 
* No Alentejo alguma alguma vez se comeu queijo alentejano à colher? Pois... tinham-se esquecido das navalhas... :))) 
* Porque têm vergonha do "porco alentejano de montado" e o crismaram de "porco preto"? Porcos pretos há em todo o lado... até na China! 

Aquele almoço serviu para quê?
Já não há no Alentejo quem saiba interpretar os sabores e os cheiros da cozinha alentejana? 

O Alentejo não tem culpa. Os alentejanos ainda menos...!!!

Vontades de Alentejo (via facebook)

José Robalo toma posse como novo presidente da ARS do Alentejo

Os cinco novos presidentes das administrações regionais de saúde (ARS) do Norte, Centro, Lisboa, Alentejo e Algarve tomam esta terça-feira, 25, posse numa cerimónia em Lisboa.
Para presidir à ARS do Alentejo o Governo de Passos Coelho escolheu José Robalo, que terá como vogais no conselho directivo o bejense Marciano Lopes (delegado regional do Alentejo do Instituto da Droga e da Toxicopedência) e Paula Ribeiro Marques (professora na Escola Superior de Saúde de Portalegre).(in Correio Alentejo)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

25 anos de Évora Património da Humanidade vão ser assinalados com Assembleia de Rua junto ao Salão Central


Com o frio de Outono já a fazer-se sentir, a Assembleia do movimento "A Cultura está Viva e manifesta-se na Rua", que esteve reunida esta segunda-feira, como é habitual, na  Praça do Sertório, decidiu assinalar a classificação do centro histórico de Évora como Património da Humanidade, pela Unesco, no dia em que se comemoram 25 anos dessa data histórica, com uma Assembleia de rua frente ao Salão Central, símbolo do imobilismo e da falta de atenção que os espaços culturais têm merecido por parte dos poderes públicos da cidade e do país.
O aniversário da classificação de Évora como Património Mundial acontece na sexta-feira, dia 25 de Novembro, e ficou assente que, para comemorar a data, "A Cultura está Viva e manifesta-se na Rua" vai apelar a todos os cidadãos para participarem nesta Assembleia frente ao Salão Central, fechado há cerca de duas décadas, quase em ruínas, depois de todas as promessas de reconstrução que foram feitas ao longo dos anos. Pretende-se também assinalar o que de positivo - ou menos positivo - estes 25 anos trouxeram para Évora e qual o balanço destes anos nos campos do património e da cultura.
Eventualmente - mas isso só ficará decidido na Assembleia da próxima 2ª feira na Praça do Sertório - poderão ser convidados alguns dos técnicos que estiveram na base da classificação de Évora e outros intervenientes no processo. A participação na próxima Assembleia é importante para se decidir os contornos mais precisos desta acção que corresponde inteiramente aos objectivos do movimento: trazer a discussão sobre a cidade e a cultura para a praça pública.

Mais palavras para quê?



Alguns vivem acima das possibilidades. Generalizar é leviandade.


A notícia do suicídio de uma criança, apresentada com uma leviandade inaceitável, chegou-me ao mesmo tempo que mais uma conversa sobre “ estamos em crise porque vivemos, durante os últimos anos, acima das nossas possibilidades”. Quem assim me falava é uma senhora com 70 anos, que viveu desde os 11 anos do seu trabalho indiferenciado, e desde os 65 de uma reforma que ronda os 400Euros mensais. Mas sente-se parte deste país, e considera que todos têm, que todos temos, responsabilidades no que nos está a acontecer.
Perante este discurso que agora surge generalizado, fiquei eu a pensar que de facto a leviandade com que se tratam os assuntos na praça pública, nos média, e depois invade as nossas cabeças, produz efeitos muito concretos. Como por exemplo, o de acharmos que todos somos igualmente responsáveis pelo estado do país. E que, se porventura fomos algumas vezes almoçar fora, e até comemos marisco, isso teve um preço. Não só o que na altura foi pago, mas aquele que mora na terra do medo, do proibido, e por isso nos chega agora em jeito de punição, ou castigo.
A terra a que me refiro vem de um tempo histórico ainda demasiado próximo, de que fala José Matoso (História de Portugal, vol.7, 1998, Estampa, pag.14) citando uma entrevista em que o responsável politico da altura (1938), Oliveira Salazar, descreve este país: “Nas aldeias, ou pequenas vilas, a miséria total é mais rara. Deixa-se às vezes de trabalhar, mas deixa-se raramente de comer. Não há dinheiro, falta, por vezes a roupa necessária, mas há sempre uma côdea ou um caldo”.
Olhando para a proximidade histórica compreende-se melhor que seja “tão fácil” convencer muitos de “que vivemos acima das nossas possibilidades”. E se tudo isto for tratado com a tal leviandade, imagine-se o que pode resultar!

Estamos bem entregues!


Há dias era Freitas do Amaral a invocar o "espírito santo" (não é o do BES, é o outro) para iluminar a Europa, agora é esta foto de Passos Coelho em atitude de oração. É o desespero: depois de se terem virado para os "mercados", que tudo "podiam" e tinham "sempre razão", viram-se agora para "deus", que também "pode" (mas talvez um pouco menos).

FIKE: esta noite, Culturas de Resistência

Esta segunda-feira, 24 de Outubro · 21:30,
no Auditório Soror Mariana, em Évora, integrado no FIKE

CULTURAS DE RESISTÊNCIA

2011, 73min

Realizador: Iara Lee
Produção: George Gund
Produtores Associados: Sergei Krasikau, Claude Ibrahmioff, Pranav Behari, Mark Engler, Arthur Phillips
Directores de Fotografia: David Ross Smith, Altair Paixao, Rami Kodeih, Diego Forero
Edição: Jeff Marcello
Co-Edição: Nathaniel M Cunningham, Collin Ruffino
Som: Cory Choy

Recusar um golpe de estado constitucional


Temos vindo a ouvir, cada vez com maior insistência, que seria preciso "ultrapassar o obstáculo constitucional" para fazer passar certas medidas já tomadas e as que são previstas no OE 2012. Constitucionalistas mais ou menos prestigiados têm comentado as questões de constitucionalidade no sentido de "recusar leituras estritas" da Constituição, a fim de "fazer face às circunstâncias" (mais uma vez, hoje de manhã na Antena 1, nome que não retive). Depois vêm as declarações do Presidente da República e os comentários que elas suscitaram, sempre no mesmo sentido: grosso modo, "não devemos deixar-nos amarrar pela constituição", ou pela constitucionalidade ou não das medidas "necessárias".
Por seu turno, o governo qualifica o OE de "orçamento de emergência", termo logo retomado pelos habituais comentadores oficiais.
Temo que nada seja inocente nesta súbita campanha contra a Constituição, considerando-a como simples empecilho para fazer "o que é preciso".
Espero enganar-me. Espero que esta proliferação de questões à volta da conformidade constitucional das medidas deste governo, com o leit-motiv da "emergência" seja apenas um facto retórico. Mas a violência verbal e a rigidez ideológica de que dão provas tanto o primeiro-ministro como o ministro das finanças e o tom emocional verdadeiramente vingativo (contra a população! há quem fale de "ajuste de contas"!) que adoptam, leva-me a temer que algo como um "golpe de estado parlamentar" se prepare.
A retórica da emergência e do estado de emergência que justificaria a brutalidade do caminho traçado parece-me extraordinariamente perigosa. Não, Portugal NÃO está em estado de emergência, (nem a própria Grécia o está, apesar das manifestações de massa e até violentas). Não devemos consentir que a Constituição seja encarada como uma Lei que só serve quando dá jeito e se pode "ultrapassar" quando convém... aos governantes. Estas objecções aplicavam-se já a várias medidas do governo anterior e é verdadeiramente inquietante que nem a classe política nem a sociedade civil tenham sido capazes de contestá-las eficazmente.
Para memória, só há "estado de emergência" após a sua declaração e esta obedece a um procedimento que está claramente fixado na Constituição.
Cito, já agora, para que nos lembremos da extrema gravidade do recurso à suspensão dos direitos (de QUALQUER DIREITO) garantido pela Constituição (ver AQUI). Que eu saiba, NENHUMA das condições que a Lei fundamental exige está preenchida. O que autoriza, mais, exige, a conformidade constitucional estrita de todas as medidas dos governos.


JRdS
21/10/2011

domingo, 23 de outubro de 2011

PIM teatro: também estamos com salários em atraso


Esta história dos subsídios é intrincada! Vou dar-vos alguns dados e também as minhas perspectivas. O PIM teatro, fundado em 1993, conta com apoio financeiro e cedência da Antiga Escola Primária do Alto de S.Bento desde 1999 [para tal foi necessária uma manifestação no agora Largo Manuel da Fonseca] e com apoio regular (mediante concurso publico) da DGARTES desde 2001. O que significa que dos 18 anos de trabalho criativo, de dinamização teatral e intervenção artístico-pedagógica junto das comunidades mais desfavorecidas do concelho, 5 foram passados sem qualquer apoio financeiro e 8 sem apoio do poder central.
Tal como os CENDREVES e tantos outros agentes culturais cá da terrinha, também os PIMS estão à espera de receber o apoio à actividade cultural: 2º semestre de 2009, 2010 e 2011. Também estamos com salários em atraso e desde 2009 que vimos assistindo à redução das nossas equipas fixa e de colaboradores, não apenas pela falta de apoio local mas também pela drástica diminuição do investimento em programação teatral que atravessa o país. Todos sabemos que em caso de falta de dinheiro o primeiro corte é na cultura (e na educação! da educação artística - essa arma da corrupção das gentes a partir da tenra infância - também não falarei aqui). Conforme se pode verificar através das nossas contas, o PIM teatro sempre viveu da venda de espectáculos. E porque é que não vivemos da BILHETEIRA?
1. porque a impossibilidade de usar a bilheteira do único espaço teatral público do município é uma variável tão constante da nossa vida que nem lhe vou dedicar aqui mais palavras.
2. porque os preços de bilhetes cobrados: 3€ crianças/jovens/reformados | 5€ adultos | descontos para famílias e grupos, não são relevantes no orçamento de um espectáculo.
O Pim teatro construiu-se projecto artístico na relação entre artistas e público, assim se fundou e mantém essa matriz; ter ou não ter apoio financeiro para o Plano de Actividades, determina a qualidade de vida e a segurança das pessoas-artistas (que tb comem, tb têm casa, têm filhos, estudam, adoecem...) e a qualidade, profundidade, risco,... no trabalho criativo. O apoio financeiro permite ainda viajar, levando o nome da cidade e do país a outras paragens, permite trazer artistas de fora que conosco tod@s partilham o seu trabalho e os conhecimentos, tambem vai chegando para apoiar projectos de jovens... conseguia-se fazer-se milagres com 25.000€
Quem fala com agressividade e ligeireza dos «subsídio-dependentes» sabe que os artistas trabalham por impulso vital, que o fazem e fá-lo-ão independente de terem ou não dinheiro. assim o demonstra a história da cultura portuguesa não é? Também o diz porque, no seu íntimo, acredita na velha máxima «que quem trabalha por prazer não devia ser pago». Apareçam nas aulas de teatro, lá aprendem a comunicar com @s outr@s, reaprendem a jogar, perdem o medo de olhar nos olhos, a vergonha de rir... e divertem-se!
Só que vão ter que pagar para o fazer! é assim a vida ...

Alexandra Espiridião
21 Outubro, 2011 18:03

sábado, 22 de outubro de 2011

Poder foi tomado por bando de mentirosos, diz Vasco Lourenço


O capitão de Abril Vasco Lourenço defendeu hoje que o poder foi tomado por um «bando de mentirosos», justificando a conclusão com um vídeo que «corre» na Internet com declarações de Passos Coelho que foram «renegadas» nos actos do Governo.

O presidente da Associação 25 de Abril falava aos jornalistas no final de um encontro que juntou cerca de um milhar de militares e que, por proposta das associações (de oficiais, de sargentos e de praças), foi decidido por maioria esmagadora promover uma concentração de protesto, dia 12 de Novembro, no Rossio, em Lisboa, contra as medidas de austeridade impostas pelo Governo aos portugueses e aos militares. «Ao ver aquele vídeo, eu tenho que chegar à conclusão que são um bando de mentirosos, de mentirosos puros», declarou Vasco Lourenço, observando que, ao fazer o confronto entre o vídeo e a realidade, o primeiro-ministro «renega nos actos tudo aquilo que acabou de dizer há muito pouco tempo».
O militar de Abril disse ter visto o «vídeo» e ficado «absolutamente indignado» e «escandalizado», ironizando que se diziam que José Sócrates era o «Pinóquio», este primeiro-ministro comparado com ele «cuidado». Nas palavras de Vasco Lourenço é «preciso desmascarar os indivíduos que ocupam o poder» e que «o estão a roubar», vincando que se «sente roubado».(LUSA)

coisas de há 50 anos ainda nos podem servir ?

Hannah Arendt, filósofa política,
nasceu na Alemanha em 1906 e morreu nos Estados Unidos em 1975
Hoje, perante os novos dados sociais e políticos, torna-se especialmente interessante revisitar as referências da nossa época. Hannah Arendt no seu livro “sobre a revolução” (1963) escreveu que “A questão social só começou a desempenhar um papel revolucionário quando, na idade moderna, e não antes, os homens começaram a duvidar de que a pobreza fosse inerente à condição humana; a duvidar de que a distinção que havia entre que os poucos que, por circunstâncias, força ou fraude, se tinham conseguido libertar dos grilhões da pobreza e a miserável multidão trabalhadora fosse inevitável e eterna. Tal dúvida, ou antes, a convicção de que a vida na terra pode ser abençoada com a abundância em vez de amaldiçoada com a penúria foi, na origem, pré-revolucionária e americana; nasceu directamente da experiência colonial na América. Simbolicamente falando, pode dizer-se que estava preparado o palco das revoluções, no sentido moderno de uma completa mudança de sociedade…"

Claro que isto é História... reflectida e escrita há perto de 50 anos. Mas se muita, muita coisa, mudou desde então, há estruturas e características intrínsecas que continuam a verificar-se nas nossas sociedades.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Chuva de críticas ao presidente da Câmara de Beja

A entrevista que Jorge Pulido Valente, presidente da Câmara de Beja, deu ao Diário do Alentejo provocou uma autêntica chuva de críticas às opiniões que expressou, designadamente dos visados pelas suas palavras, desde seus adversários políticos até aos seus principais apoiantes, nomeadamente o seu ex-mandatário José Barriga, que o comparou a um general "cego, surdo e mudo".

É o que frequentemente acontece quando se dispara em todos os sentidos e os "telhados de vidro" são mais que muitos...

precisamos indignar-nos perante a ditadura da inevitabilidade



Depois da indignação de 15 de Outubro, em plena semana de luta da CGTP, antes da greve geral, é de toda a conveniência compreender e aceitar que algo vai mudar. E se não sabemos o quê, nem quando, podemos pelo menos observar alguns "sinais do tempo".
Contudo, o mesmo Carrilho, também alerta:
Mas continua a ser, a meu ver, no campo político - suportado pelo social e mental - que "a ditadura da inevitabilidade responsável pela disseminação sedativa do principio da desigualdade 'natural'" pode e deve ser derrubada, se para tanto houver vontade política (do sistema politico-partidário mas também para além dele). Até porque é nessa ditadura que o actual governo se apoia e que, por isso mesmo a tenta reforçar.
Perante este estado de coisas, resta-nos pois compreender o significado e as potencialidades da indignação. E insistir naquilo que disse Stéphane Hessel "A todos aqueles e aquelas que irão fazer o século XXI": onde não é preciso atirar pedras ou pegar em armas para fruir do direito à palavra – indignar-se é preciso!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Euskadi Ta Askatasuna (País Basco e Liberdade) anuncia o fim da luta armada


Em tudo na vida há opiniões diversas. Sobre a ETA, então, é um ver se te avias. Quase cada cabeça sua sentença. Era novinho, estávamos em 1973 (por cá ainda governavam Marcelo Caetano e a PIDE) e numa das tascas que havia na Rua da Biscainha, em Beja, bebemos uns belos copos no dia do atentado da ETA a Carrero Blanco. Houve mesmo quem ali dissesse a frase que, mais tarde, ouvi repetida noutros lugares. "Arriba Franco más alto que Carrero Blanco". Depois comprei o livro em que toda a acção era explicada ao pormenor e nunca mais deixei de seguir o percurso da ETA. Fui diversas vezes ao País Basco, percebi que muitos amigos meus, bascos, não simpatizavam nada com a ETA, outros sim. Mas todos respeitavam a sua defesa dos valores bascos, da língua, da cultura e da reivindicação de uma verdadeira independência.
Sendo eu cidadão ibérico este lastro forte de nacionalismo, dentro duma Península que muitos diziam não ter problemas nem de nacionalismos ou de regionalismos fortes, nunca me foi indiferente nem indiferente me foi que uma organização como a ETA se conseguisse manter activa, e com forte apoio popular, durante tantos anos, e apesar de todas as perseguições e de todas as "pequenas e grandes sujeiras" de que o poder é capaz. Foi uma arma terrível contra o franquismo e manteve a chama do País Basco bem acesa num tempo em que a democracia fez abafar muitas das culturas e especificidades peninsulares.
Hoje a ETA anunciou o fim da luta armada. Ainda bem. Começava já a não fazer sentido nestes tempos pós-Al-Qaeda e pós-globalização. O comunicado pode ser lido AQUI. Como se diz por ali: Gora Euskadi!

Aulas de Teatro em Évora para todas as idades

Rebeldes anunciam morte de Khadaffi em Sirthe


Aqui: http://internacional.elpais.com/internacional/2011/10/20/actualidad/1319104472_834719.html

DA desta semana

Braço de ferro PSD/CDS no Grupo de Forcados de Évora?

Nos últimos dias no acincotons temos recebido forte e abundante correspondência sobre a situação no Grupo de Forcados de Évora que parece estar em autêntica convulsão. Não sendo nós propriamente “aficionados” da nobre “arte da forcadagem”, pelo que depreendemos dos documentos que nos têm sido enviados, o que se estará a passar tem a ver com a destituição do antigo cabo Bernardo Patinhas e pela sua substituição por António Alfacinha, da família Vaz Freire.

O caso está a incendiar “a família” tauromáquica eborense. Há já quem fale num braço de ferro entre o PSD e o CDS, agora no mundo dos toiros. Luís Capoulas, ex-governador civil e deputado do PSD já tomou posição a favor de Bernardo Patinhas. Outros intervenientes também já vieram a terreiro. Falta apenas saber como é que tudo isto acabará. Ou seja se a pega será “de caras” ou de “sernelha”. Mas parece que a discussão ainda vai no adro e não terminará tão cedo.