quarta-feira, 20 de julho de 2011

Évora: quatro olhares sobre a Cultura está Viva e manifesta-se na Rua

Há dias pedi a quatro pessoas que têm participado nas Assembleias diárias do movimento A Cultura está viva e manifesta-se na rua que me fizessem chegar as suas respostas a algumas perguntas que serviriam de base a um pequeno artigo para o Diário do Alentejo. Os quatro fizeram-me chegar textos longos que não cabiam no curto espaço existente. O artigo vai sair no DA da próxima sexta-feira, mas achei que era uma pena desperdiçar estes depoimentos e, com o consentimento dos seus autores, resolvi publicá-los na íntegra aqui no acincotons.

Pedro Pinto, 33 anos, músico
"Uma forma de tentar mudar mentalidades"

Foste o primeiro impulsionador deste movimento através do facebook. O que te levou a tomar essa decisão? Esperavas esta mobilização?
A vontade de dialogar de partilhar, de perceber se o outro tem opiniões comuns e ganhar força nessa partilha. Secretamente esperava esta mobilização, só não sabia se era possível nesta altura.
O que é possível fazer a partir de agora?
É possível procurar propostas de soluções para problemas que nos afectam a todos, de forma construtiva e aberta, sem preconceitos. É a sinceridade e a abertura que cativa estas pessoas
Em meia dúzia de palavras como se pode definir este movimento? Que espaço pode ocupar na cidade de Évora? 
É uma forma de tentar mudar mentalidades, tentar derrubar preconceitos, mostrar que não há mal nenhum na diferença. Seja num homem estátua, num malabarista, num músico que pede dinheiro na rua. Não afugenta turistas, não espanta clientes, não impede que a cidade siga o seu fluxo, antes pelo contrário. Pode transformar esta cidade naquilo que deveria ser: mais humana, mais aberta, mais espontânea

Margarida Alegria, 24 anos, marionetista
"A partir de agora é possível TUDO"

Como é que vês o movimento a Cultura está viva e manifesta-se em Évora?
Cada um tem as suas razões, mas há muito tempo que as praças, as ruas desta cidade não abriam os braços à liberdade, à liberdade artística, à liberdade de Ser.
Cada um vale por si e juntos somos a expressão dessa liberdade.
Saímos sem medo para a Rua porque esta é a Casa Mãe de todos nós. Se não formos livres aqui, não o seremos em lugar algum.
E aqui estamos para lutar democraticamente pela Cultura na Cidade de Évora, pelos artistas, pelo público, por nós, pelo outro, sem votos, com voz.
Aqui não há um lado, estamos aqui por nós e pela Cultura, as decisões são tomadas em conjunto e cada um dá o seu contributo com o que tem e o que sente.
Dá-se voz às palavras que tantas vezes e durante muito tempo têm vivido fechadas em pensamentos.
Dá-se voz à alegria de viver, de partilhar, de construir novos caminhos, com o outro, os outros.
Cultura é vida e ela só vive verdadeiramente se a partilharmos, assim como, se é preciso lutar por ela só o conseguiremos partilhando com os nossos iguais os nossos desejos e angústias. E digo iguais porque na rua, na praça somos todos iguais, somos pessoas, gentes.
Como imaginas que este movimento possa evoluir?
A partir de agora é possível TUDO!
Construir um novo caminho para o futuro, no presente, sem esquecer o passado, e aqui está a importância do encontro de gerações, de pessoas com diferentes percursos de vida.
É por isso que dizemos que, no movimento, queremos Todos e Tudo.
Todos são importantes e Tudo é possível, e aqui poderia pegar numas das frases conhecidas do Maio de 68, “Seja realista, peça o impossível” à qual lhe acrescentaria estas iluminadas palavras do artista António Cabeça, “CULTURA NÃO É BATATA!”.
O que é, no fundo, "a cultura está viva e manifesta-se na rua?"
No fundo, e na minha opinião, o “A Cultura está Viva e manifesta-se na rua" é um acto de liberdade e de amor pela Cultura, pela arte.
Um acto de liberdade e de amor por nós, pelo outro e por esta cidade.
Cultura é vida, a mais bela arma da Humanidade, com ela podemos Tudo! 

Hugo Miguel Coelho, 35 anos, autor e director de produção
"Aqui encontrei novos intervenientes"

Tens estado desde o início nas assembleias de rua do movimento. Que razões te levaram a participares, quase há três semanas, nestes encontros de fim de tarde?
Existem várias razões. Raramente entro de cabeça num projecto ou movimento. Gosto de saber ao que vou e tenho sempre, especialmente à partida, reservas. Contudo neste movimento, encontrei pessoas com preocupações e inquietações similares às minhas: a dificuldade de reconhecimento ou de trabalhar artisticamente em e para Évora (lá está, os filhos da casa são sempre os mais prejudicados); as gentes e as instituições muito preocupadas com o seu quintal e muitas das vezes, de costas voltadas e que só prejudica, primeiro, esses mesmos actores, depois a cidade; uma guerra aparentemente eterna (com um diálogo dificil) entre o poder (como a Câmara ou a DRAlen, por exemplo) e os fazedores e promotores culturais. E acima de tudo, encontrei aqui, novos intervenientes, que não vinham dos projectos do costume, com os hábitos do costume e com o discurso do costume. E isso permitiu uma maior abertura de discussão, de promoção da cidadania e procura de pontos de encontro que, na maioria, não são os do costume. Esperemos é que os resultados são sejam os do costume.
O que é possível fazer a partir de agora?
Muita coisa. Primeiro que tudo, é assistir e fazer parte desse crescimento óbvio, procurando objectivar as ideias (como é sabido, onde existe discussão democrática, vários pontos de vista colidem, podendo criar muitas das vezes - com visão e disponibilidade - bons resultados).
Existem vários pontos de discussão, relacionados com a cultura e a fruição da criação artística, que terão que ser amadurecidos e potenciados. Alguns, ou grande parte deles, passam necessária e inevitavelmente por um diálogo positivo e construtivo com o executivo da Câmara. Quase que podia dizer que é urgente uma discussão que vá além das agendas partidárias (essa discussão já tem, aliás, o seu espaço próprio de realização) e que tenha como alvo central Évora, a sua população e o envolvimento do seu tecido produtivo.
Outras irão certamente juntar-se à lista de preocupações (especialmente por isto ser um projecto em crescimento) mas penso que existem três que reclamam a sua urgência e condicionam directamente o tecido artístico e cultural, mas também a realidade económica, a imagem da cidade e o turismo ou o dia-a-dia da população e a sua relação com a criação artística:
Em primeiro lugar, torna-se óbvio e necessário discutir a questão das licenças de utilização do espaço público (por exemplo, por artistas de e na rua); Em segundo, que se potencie e afine o regulamento de atribuição de apoios / financiamentos a estruturas de índole cultural, além de ser tornado público os objectivos e os valores envolvidos, e que se clarifiquem estratégias, seja das políticas adoptadas, seja da relação com os agentes e com a população e os consumidores eborenses - tudo isto em prol da transparência, da justeza e do crescimento da cidade. Por último, iniciar a discussão à volta da problemática dos espaços (muitos deles) camarários que estão devolutos e que podiam ser levados a um estudo sobre a melhor forma de os dinamizar, destinando-os (em moldes a definir e a discutir) a projectos culturais. Seria, por um lado, uma forma de apoiar os criadores e os promotores (não os deixando perecer ou permitir que continuem a ir desenvolver o seu trabalho para uma localidade vizinha); por outro, evitar a desvalorização do património (não o tratando como uma simples transacção de mero interesse financeiro) potenciando, directa e indirectamente, a riqueza da comunidade (e é com a continuidade e o amadurecimento de hábitos - logo, também, com a formação de públicos e a educação do gosto - que vem o crescimento). E uma atitude e consciência claras e despertas ao que o rodeia, é o que define a sua condição (seja do individuo, de uma comunidade ou de uma cidade). É o que separa um organismo vivo de um que está morto ou simplesmente apático.
O que é, na tua opinião, o movimento "A cultura está viva e manifesta-se na rua"?
Este movimento é o que os seus apoiantes quiserem e estará numa ansiosa mutação, à procura de caminhos eficazes para o seu melhoramento, mas também da possibilidade generosa de contribuir para a cidade. Inicialmente surgiram alguns equívocos naturais nestas coisas, mas este é essencialmente um movimento de cidadania, com e para os cidadãos, por e para Évora - e aqui cabem, por exemplo, entre tantas outras questões, os diálogos com a Câmara (cujos eleitos e respectivos funcionários são também, ou acima de tudo, cidadãos); as longas e complexas discussões entre os diversos posicionamentos dos artistas (e das suas estruturas); a relação com o(s) público(s) e a comunidade (da qual também fazemos, obviamente, parte); a procura de um casamento feliz entre o que cada um tem para oferecer e procura desenvolver, com a realidade concreta de Évora e uma recepção que se quer cada vez mais exigente e mais atenta.
Este é um movimento motivado por gente inquieta, que se vê, de certa forma, injustiçada (e por vezes algo mal-tratada) e que (além de merecer outra condição) merecia que lhe fosse permitido contribuir da melhor forma que sabe e como sente que o pode fazer. Isto sempre num diálogo constante com as instâncias formais de poder, com os núcleos informais de (vários) públicos ou com os restantes (e diversos) actores da sociedade, neste caso, eborense.

Diana Mira, coordenadora-geral do PédeXumbo
"Não menosprezo o encontro e o debate"

Que importância dás a este movimento?
Um movimento que nasce de um indivíduo que tem algo a dizer é muito interessante. O primeiro texto que li do Pedro Pinto (que eu não conhecia pessoalmente) era de alguém que está a explodir, por sentir que tem que se fazer algo, porque acha que a vida cultural da sua cidade não está como poderia estar. Ter conseguido juntar 1000 pessoas no facebook quer dizer que há 1000 pessoas que se questionam sobre estas questões, mesmo não sabendo por onde ir. E isso é uma atitude sempre benéfica, pois não há nada pior do que a apatia de quem nem sequer se questiona.... pessoas de diferentes gerações e linhas estéticas a conversar na rua é um movimento interessante. Claramente influenciados pelas assembleias que se vivem em imensas cidades europeias. Acho muito bom quando nós próprios o fazemos.... influências de movimentos activos, que não propõem soluções, mas sim que as pessoas discutam, na rua, abertamente, sem pelouros nem nada a ganhar, só pode contribuir para mostrar que as pessoas (e não só a cultura) estão vivas....
O movimento está na Rua há quase três semanas: o que é possível fazer a partir de agora?
Antes de mais, o facto de nos termos ouvido uns aos outros e termos feito a cidade ouvir (habitantes e responsáveis do ministério da cultura, da autarquia) é para mim um objectivo em si. Não menosprezo de todo essa ideia efémera de encontro e debate.
Em segundo lugar, se houver um conjunto de encontros e iniciativas efémeras ao longo do ano, rapidamente se tornam em iniciativas regulares. Muitas iniciativas que parecem ser pequenas, de repente, tornam-se iniciativas quotidianas.
De resto, aposto sem dúvida em não institucionalizar o movimento: tudo quanto seja formalizar em associação só vai criar burocracias, terciarização de um movimento que às tantas está a imitar o que o sector público administrativo tem de pior... e às tantas estamos a gastar energia para alimentar a própria máquina burocrática....
Acho, sem dúvida, que a ideia de manter uma plataforma de debate, que vá estando atenta às questões da vida cultural da cidade, é essencial. Por exemplo, podemos colaborar agora todos, de forma a perceber como é que poderemos, o maior número de estruturas e projectos possíveis, candidatarem-se aos apoios que a câmara municipal abriu. Acho que deveríamos candidatar-nos todos em peso, e deixar claro à câmara municipal que não andamos a lutar entre nós para que alguém fique de fora dos concursos, mas sim deixar claro que temos todos interesse em que sejamos todos apoiados, e a nossa questão/problema é o facto de haver pouco dinheiro a concurso, e não o facto de sermos muitos, e termos que competir entre nós.
Confesso que não pensei muito em termos de futuro. Pensando agora, muito a quente, acho que este movimento pode apostar em, por exemplo, ter um calendário de debates mensais/quinzenais, sobre a cultura em Évora. Saber, por exemplo, junto das associações, artistas, pessoas do público, quem quer promover estes debates. Mas proporia uma coisa sem ser aquele plano formal e quando refiro formal refiro um debate com um tema na sede de uma associação. Seria bom propor debates/encontros mensais em recantos das ruas de évora que estejam esquecidos, mas que poderiam ser brilhantes em termos da vida cultural da cidade: na esquina da rua da moeda / rua X; debaixo do arco na rua Y; em cima da muralha.... ou seja, manter a ideia dos encontros na rua, mas apontar para uma coisa que anunciássemos somente nos dias anteriores, por facebook, e cada responsável pelo encontro se responsabilizava por dinamizar esse encontro.
Sabe-se dos problemas com os subsídios em falta, por parte da Câmara, desde 2009. Na tua opinião, de que forma isso tem afectado a produção cultural na cidade e de que forma esse facto está relacionado com o surgimentos deste grupo?
Vamos por pontos:
1) a produção cultural é afectada pela falta de pagamentos, mas muito mais por não haver transparência nem clareza nos objectivos definidos pelo executivo. Se a câmara municipal tivesse dito em inícios de 2010 que não haveria subsídios, por não haver dinheiro no município, a situação seria muito mais bem aceite por todos.
2) se sentíssemos que o município não tem dinheiro por estarmos em ano de crise, todos seríamos mais compreensivos. Mas sentimos todos que a gestão do município é catastrófica, pois o município continua a apostar em projectos que não são sustentáveis nem prevêem uma aposta a médio-longo prazo.
3) a produção cultural na cidade não parou, porque de facto cada agente tem uma multiplicidade de fontes de financiamento a que recorre (e a que dá trabalho recorrer). Ao contrário do que muita gente pensa, os financiamentos da câmara municipal asseguram cerca de 15% dos orçamentos globais das estruturas profissionais. Há outras fontes de financiamento, e existem imensos agentes na cidade que trabalham sem expectativa de subsídios (sem querer dizer que isso é positivo ou negativo).
4) o próprio reconhecimento de que a vida cultural e respectiva agenda cultural não é importante é passada na mensagem da câmara ao dizer que deixa de ter agenda cultural impressa, facto impensável em qualquer outra cidade capital de distrito em Portugal. O município manteve no entanto o évora mosaico, de divulgação do seu próprio trabalho municipal (último número trimestral abrange junho). São opções que revelam as prioridades.
5) Se fosse uma questão de dívidas, simplesmente, aos agentes culturais, não teria nunca surgido um grupo a manifestar-se na rua. A cultura não é um punhado de agentes culturais. Este movimento surge porque as pessoas sentem que têm que dizer algo, em termos de estratégia de cultura na sua cidade. A dívida aos agentes culturais é simplesmente uma pequena parte do problema. Aliás, isso sempre assim foi assumido pela própria plataforma. nos protesto das laranjeiras, as laranjas tinham ditos como "mais cultura" e "por uma cidade cultural" e "a cultura dá frutos", e não estava escrito em nenhuma laranja "exigimos o cumprimento das dívidas". Porque se as dívidas fossem milagrosamente pagas amanhã, na verdade o problema da cidade não ficaria resolvido. Nenhum dos agentes culturais que integra a plataforma ficaria descansado a pensar que a vida cultural estava resolvida.
6) Eu acredito muito que uma cidade cultural é exactamente quando há um conjunto de estruturas profissionais, e um conjunto de estruturas de carácter amador e um punhado de artistas individuais, que estão vivos e colaboram e alimentam-se uns aos outros. E fazem crescer a cidade.

8 comentários:

  1. Isidoro de Machede20 julho, 2011 13:58

    Estou e estarei solidário com os artificies das várias artes que lutam de uma forma correcta e franca pelo engrandecimento cultural das gentes da região de Évora e dos viajantes que por cá gastam o seu tempo. Estou igualmente solidário com as instituições que se sentem no direito de ser ressarcidas daquilo que contratualizaram apondo o seu carapau lado a lado com o segundo outorgante.
    No geral, julgo acertadas as palavras proferidas pelos intervenientes dos “quatro olhares sobre a Cultura está Viva e manifesta-se na Rua”.
    Tenho no entanto um reparo sobre as palavras do Tiago Cabeça “A cultura não é batata”, citadas pela Margarida Alegria. Tenho muito apreço pela obra do artista Tiago, ou não seria possuidor de uma peça parida pelas suas mãos em lugar de destaque. Mais a mais, seguindo ele a gesta familiar do seu tio e meu amigo Fernando Cabeça, de há muitos, muitos anos residente na Holanda e, no meu entender, um dos grandes pintores nados e criados nesta urbe. Mas vamos à vaca fria. Permito-me, a batata é cultura: não só pela mais-valia histórica e actual que representa na sua origem, passando pela sua odisseia desde os Andes até à Europa, até ao seu proeminente papel na arte gastronómica da nossa terra. Por pormenor, recordo o papel pedagógico da batata esculpida no carimbar coloridamente papéis no conhecer e saber fazer da infância.

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  2. Isidoro

    O seu a seu dono: a margarida refere-se ao António (até acho que é o mesmo Fernando que citas, mas assina António no Facebook) e não ao Tiago. Sobre o resto: tudo bem!

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  3. Espero que a vereadora da cultura leia estes depoimentos, estas frases belas e propostas com cabeça, tronco e membros. Pelo que tenho observado na actuação da Câmara qualquer um destes jovens dava um muito melhor vereador da Cultura do que quem lá está e que, como a avestruz, cada mês que passa mais põe a cabeça na areia. E essa coisa de acabar com os comentários na sua página no facebook é delirante. Qualquer político que saiba o que está a fazer cria canais de comunicação com os seus eleitores e concidadãos. Esta vereadora corta-os. Valha-nos santa maria santíssima.

    rita

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  4. Isidoro de Machede20 julho, 2011 16:31

    @15:26

    Tem toda a razão no desfazer do meu erro. É a porra do primo alemão a colonizar esta cabeça cada menos operacional. As minhas desculpas ao Tiago pelo uso do seu nome, mantendo, no entanto, o louvor à sua obra ainda que fora de contexto.

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  5. Espero francamente que todo o debate exercido possa trazer também os agentes responsáveis da Câmara municipal para a rua. É uma ligação muito frouxa, esta que quase não existe, entre os artistas ou agentes culturais, e um órgão de vital importância na cidade. Não se resolve apenas com fundos, ou diálogo, se bem que este último tem que ser estimulado. Ou não fosse a sabedoria popular afirmar que «a falar é que a gente se entende». Mas estamos no bom caminho, penso que desta forma se pode progredir, aproximando intervenientes que não tem qualquer razão para estar distantes.

    Sérgio Pires

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  6. Depois de ler estas quatro entrevistas, as muitas coisas escritas no facebook e ouvido o que se tem dito nas assembleias, acho que podíamos recriar um slogan do Maio de 68 e afirmar que a "imaginação está na rua" e evidentemente "La beauté est (aussi) dans la rue"!

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  7. Sei que não é muito ortodoxo (mas eu não sou ortodoxo em nada) e escrevi algumas linhas no grupo da cultura em Évora, no facebook, sobre estes 4 depoimentos. Partilho-as com os leitores do acicontons:
    "Todas as respostas são excelentes. Fogem da "langue de bois" que o discurso político tem assumido e que tem transformado o poder,os partidos e os sindicatos, por exemplo, em algo que pouco já tem a ver com a vida das pessoas. É uma linguagem codificada aquela que usam, virada para dentro, cifrada, mais orientada para satisfazer os vários grupos que no seu seio disputam o poder do que mobilizar as populações e dar-lhes instrumentos de cidadania. Em oposição a esse discurso castrado e castrador (como diria o Ary dos Santos), estas 4 entrevistas estão "grávidas" de vida e de entusiasmo. De partilha. Usam uma linguagem poética e emotiva, de cidadania plena, sem medos nem complexos, que a tornam, só por si, revolucionária, ou seja, portadora de mudanças. São entrevistas comprometidas com a vida e com a cultura, mas também com a cidade em que habitamos e que, à nossa maneira, de maneiras diferentes, todos vivemos. Duma forma mais ou menos intensa. Ou não. Mas quem está neste movimento quer participar, sem grande mediações. Ou será que a democracia instituída esgota-se apenas no acto de meter o papelinho na urna? Estes quatro activistas - e muitos mais, só que a maioria ainda não percebeu que este é o caminho - não querem isso: querem deixar a sua impressão digital na cidade que habitam, sem grandes mediações, nem entraves burocráticos ou organizativos.Sem cedências estéticas, nem aproveitamentos partidários. Quem lhes pode recusar isso?"

    CJ

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  8. Gosto destas afirmações em nome da cultura e da cidadania. Só espero que nenhuma destas pessoas alinhe em contos de sereia e se deixe comprar pelo poder e amanhã vá para um cargo no Estado ou na Câmara. Ficará igual a quem lá está. Perderá a frescura e a imaginação. Ficará com o peso e a burocracia do poder.

    céptico

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