quinta-feira, 30 de junho de 2011

Diário do Alentejo 1523


Nos últimos 10 anos o Alentejo perdeu 7 habitantes por dia


O Alentejo (distritos de Beja, Évora, Portalegre e os 4 concelhos do litoral alentejano) perdeu em 10 anos (2001-2011) mais de 4% da população, passando de 535.753 para 510.906 habitantes, revelam os resultados preliminares dos Censos de 2011, hoje divulgados pelo INE. Dos 24.847 habitantes a menos, Beja perde 8.505; Portalegre 8.066 e Évora, 6.220 e os concelhos do litoral 2.056. Segundo estes dados preliminares, o distrito de Beja tem agora 152.706 habitantes, Évora, 167.434 e Portalegre, 118. 952. Em termos nacionais, os dados são outros, tendo a população portuguesa aumentado cerca de 2 por cento, passando de 10.356.117 para 10.555.853 habitantes. Segundo os dados disponíveis, o concelho de Mourão foi um dos que, a nível nacional, mais população perdeu:  17,5 % de habitantes. Sines, Campo Maior ,Viana do Alentejo, Vendas Novas e Évora são os únicos municípios que crescem, embora ligeiramente, no Alentejo.

O "carteirismo" como uma especialidade da política


Começou. Pedro Passos Coelho anunciou um corte substancial no subsídio de Natal dos portugueses. Na campanha eleitoral não disse um pio sobre isto. É mais um episódio nesta guerra travada em nome não se sabe bem do quê. PPC não quis assinar o PEC 4 e foi para eleições. Isto é bem pior do que qualquer PEC: é um roubo assumido, muito para além do negociado com a troika. A quem rouba uma azeitona chama-se ladrão. Que nome guardam os dicionários para quem vai ao bolso de tantos milhões?

Afinal a crise não é para todos

O número de desempregados na Alemanha caiu em oito mil para 2,97 milhões em Junho, segundo um relatório oficial hoje divulgado. É a 24ª quebra mensal consecutiva no desemprego, embora os economistas esperassem uma redução superior em Junho, de menos 17 mil desempregados na mais poderosa economia europeia.

A taxa de desemprego no país manteve-se em 7%, o valor mais baixo desde pelo menos 1991, ano da Reunificação em que datam os primeiros registos. A Alemanha continua assim a dar provas de resiliência para com a crise que assola a Europa, sobretudo nos países periféricos. "O desemprego na Alemanha vai continuar a cair. Ainda não vimos o ponto mais baixo", previu Lothar Hessler, do HSBC, em declarações à Bloomberg.

De acordo com o banco central alemão, o Bundesbank, a economia germânica vai crescer 3,1% este ano, depois de ter avançado 3,6% em 2010.

Cidadãos eborenses: reféns duma Guerra (civil) Fria

Os incidentes ocorridos na Horta das Laranjeiras deveriam provocar inquietação e tristeza em todos os que desejam que Évora saia do ciclo de auto-destruição moral em que entrou nos últimos anos. Sabe-se o que aconteceu.
Umas dezenas de agentes culturais fazem uma intervenção no espaço público para chamar a atenção para a sua situação enquanto pessoas cuja actividade profissional depende dos subsídios afectos à Cultura, por parte do Estado central ou das autarquias e outras instituições. A intervenção é benigna, coloca-se no plano do humor, e, tanto quanto soubemos, não continha quaisquer mensagens ofensivas para pessoas, nem mesmo explicitamente agressiva para com instituições.
A repressão dessa manifestação é uma decisão inquietante. Ela viola o direito constitucional a manifestar mesmo sem autorização prévia (detalhe importante), desde que não haja perturbação da ordem pública. O que ninguém pode pretender que constituiria o facto de suspender laranjas de cartolina nas laranjeiras. Mas ela é inquietante, apesar de não ter havido violência física, sobretudo porque é uma decisão que resulta dum reflexo que infelizmente bem conhecemos: o reflexo autoritário. Em Portugal a ideologia do fascismo na sua forma especificamente política perdeu qualquer influência. Mas restou-nos uma cultura política, uma cultura social, uma cultura moral que veiculam as componentes autoritárias, repressivas, violentas, que eram por assim dizer o húmus cultural donde surgia, quase invisível, a ideologia do Estado Novo.
Essa cultura autoritária, que não aceita as regras implícitas e tácitas da democracia mesmo quando acata as regras formais, que é na realidade, anti-democrática, é o que explica o infeliz reflexo, o ridículo reflexo de enviar a polícia controlar as identidades (acto ilegal, visto que a legislação de excepção que vigorou para o período do Euro 2004, já não vigora), e envolveu o pessoal da Câmara num triste papel de esbirros da repressão. Como foi possível tomar uma decisão tão absurda (não insulto as pessoas que a tomaram, digo que a decisão foi estúpida), que todos os cidadãos viriam imediatamente a percepcionar como ilegítima, violenta, inútil? Uma intervenção que produziu o efeito inverso do que (se tivesse havido razoabilidade) poderia ser o objectivo, a saber, impedir a manifestação duma opinião por um grupo minoritário e que, na realidade, até não goza da compreensão de todos? Pois, como era previsível, foi esse o efeito (contrário): dar uma publicidade gratuita, vitimizar os que já queriam apresentar-se como vítimas da Câmara e da sua gestão dos subsídios, etc. Podemos entendê-la em termos psicológicos: todos sabiam que muitos dos “agentes culturais” envolvidos, ou são membros da célula partidária da cultura, ou são, alguns sem se darem conta, por ela teleguiados. Mas precisamente, o reflexo é o do combate frontal, o da repressão que lhe convinha. “Azione, repressione, reazione”, diziam os Italianos…
Inquietante reacção duma Câmara que já não precisava de mais esta prova de perda de serenidade: reprimir agir em simetria à guerrilha. Impasse.
Mas tristeza, também.
Para além do óbvio desnorte que os processos têm tido desde há anos, tudo se passa como se alguns dos agentes fossem autistas: vivemos as consequências duma crise mais profunda que a dos anos 1929-32, os sistemas económicos e financeiros rebentam, as finanças dos Estados (entre eles as do “nosso”) entram em colapso, as transferências para as autarquias baixam (e vão baixar muito mais), os subsídios cujo nível era muito baixo, vão deteriorar-se, e há quem faça como se a culpa fosse das pessoas cujo rosto é mais próximo: Mas sendo as finanças o que são, os adversários, a ter que gerir, não fariam melhor: não poderiam. Autismo localista, ou “Há crise? Quero lá saber! As nossas coroas, já!”. A situação de muitas estruturas culturais é desesperada, mas essa situação é utilizada, por uma das facções: a Cultura como arma de arremesso.
Évora vive há anos uma “guerra-fria civil”. Esquizofrenia local, divisão em dois campos antagónicos e irredutíveis, alimentada por um ódio movido pela violência mimética (“quero aquilo que tu tens”), essa guerra esgota-nos. Quando um campo vota sistematicamente contra tudo o que propõe, faz, empreende o outro, quando um campo se recusa a assumir qualquer responsabilidade, alimentando um secreto ou não tão secreto desejo de catástrofe, desejo que o Outro não consiga, falhe, leve ao descalabro (e ele aí está, mas por razões que seria desonesto atribuir em totalidade àquele, aqui, à frente, ao inimigo local), a cidade fica refém dessa luta viciosa, estéril, abafante. Tristeza de ver que entre o que ataca, se lava as mãos do que acontece para as manter limpas e poder capitalizar sobre o insucesso do inimigo e o que defende, o que responde no mesmo plano, palmo a palmo, bloqueados um e outro numa luta fratricida e sem mercê, da qual quem sofre e há-de sofrer ainda é a cidade inteira.
Tanto os que votaram por uns que os que votaram por outros (e os que não votaram nem num nem no outro), são hoje os reféns duma situação de guerra de trincheiras que nos impede de respirar, de pensar no positivo, no que há para fazer, e fazê-lo: mesmo o que é possível se torna impossível.
Como dizer a estes senhores que não queremos mais isto, que parem o processo fratricida e negoceiem: mesmo se se consideram inimigos, o fim das guerras faz-se negociando… com os inimigos.
Não queremos mais esta política da Cultura? Decerto, e algo haverá a fazer, colocar-se à volta duma mesa - deveremos colocá-los à volta da mesa, à força? Ou mudar de interlocutores? Ou agir de modo autónomo, inventar novas maneiras de financiar as actividades menos dependentes das decisões “políticas” de políticos incapazes e calculistas? Mas isso pressuporia um trabalho que não é só dos “agentes” mas de todos os cidadãos, para dar vida a uma outra Cultura política, uma cultura da política que não se confunda com o ódio ao que venceu (contra outros) as últimas – e contra quem vencerá as próximas eleições.
A Democracia não é só aceitar ir a votos, é aceitar trabalhar positivamente com quem ganhou, sem política da terra queimada. Uma outra Cultura, precisa-se.
Para esta, não haverá, creio, subsídios, Pagaremos do nosso bolso e com o nosso tempo e a nossa energia, ou não se fará. 

José Rodrigues dos Santos

Post-scriptum: Que ideia tão fraca, a de utilizar laranjas como símbolo do protesto… para pessoas que trabalham com o Simbólico, esperava-se mais clarividência. Muita gente, desprevenida perguntava se era uma operação do PSD.
Realismo ingénuo, mau sinal da parte de criadores que já fizeram muito melhor? Esgotados? Há tanto fruto que pode pender de qualquer árvore… e até frutos proibidos!
Entretanto, ontem à noite, havia laranjas nas Laranjeiras. E não morreu ninguém. O que faz a Polícia?

Agentes culturais: "laranja" com o sumo possível


Como estava previstaconteceu esta noite a concentração/conferência de imprensa dos agentes culturais de Évora na Horta das Laranjeiras, onde se situa grande parte das tasquinhas da Feira de São João. Sem "incidentes", ao contrário do que aconteceu há uma semana atrás, quando as "laranjas" foram retiradas e os agentes identificados pela PSP. 
Várias dezenas de agentes culturais e outros tantos amigos e cidadãos solidários com o projecto reuniram-se ao princípio da noite naquele local e colocaram diversas "laranjas" de cartolina nas árvores, com dizeres como cultura = cidadania. Na base do protesto estão as dividas da autarquia aos agentes culturais, que remontam a 2009 e que está a pôr em causa a sobrevivência de várias associações de índole cultural.
Passado algum tempo após a colocação das "laranjas" de cartolina apareceu um técnico da Fiscalização da Câmara, acompanhado de um elemento da PSP, que se dirigiu aos elementos presentes da Plataforma da Cultura em Évora dizendo que a colocação das "laranjas" ia contra o regulamento da Feira e que não tinham pedido autorização. Foi-lhe respondido, nomeadamente por José Russo, do Cendrev e eleito pela CDU na Assembleia Municipal, e por Alexandra Espiridião, do PimTeatro, que não era esse o entendimento dos agentes culturais, uma vez que aquele era um espaço público em que todos podiam expressar as suas opiniões. E que aquela manifestação era em nome dos valores culturais e da cidadania. 
A conversa durou alguns minutos, após o que o PSP e o elemento da fiscalização abalaram, sem qualquer acção de retirada das "laranjas" do protesto, que ali permaneceram, nas árvores e nalguns restaurantes, até ao fim da noite, ainda que a maioria dos frequentadores da feira e mesmo daquele espaço da Horta das Laranjeiras em momento algum se tenham apercebido do que ali estava a acontecer, tão circunscrita a acção esteve, apenas e quase só, aos autores do protesto.
Quanto aos jornalistas, em serviço, também foram poucos a aparecerem. Estiveram no local a Antena Um e o fotógrafo da Lusa. A título pessoal a TSF e o Público. Foi o "sumo" possível em mais um acto de um enredo terrível que está a levar à morte certa muitas das principais entidades culturais da cidade de Évora, património cultural da Humanidade.

Muito bom este fim de tarde no Fórum Eugénio de Almeida

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Mais um projecto jornalístico de qualidade que vai para o "caraças"?


Jaime Antunes esteve ligado à antiga agência de notícias ANOP e, desde muito cedo, ao jornalismo económico e depois ao mundo das assessorias e das empresas. Tem liderado um grupo empresarial em Évora vocacionado para o turismo de luxo (embora a crise económica e agora a suspensão do projecto do TGV pareça ter condicionado o desenvolvimento deste projecto) e ideias de protagonismo não lhe têm faltado, nomeadamente o de ter aparecido como candidato à liderança do Benfica. 
Esta compra não augura nada de bom ao jornal I que, apesar de ter "nascido" há pouco tempo tem sabido impor-se pela qualidade gráfica, mas também jornalística. Jaime Antunes pertence a um sector jornalístico que à notícia a valer por si, desde há muito, demonstrou preferir os balanços e balancetes empresariais. Um sector que está em amplo crescimento em todos os órgãos de comunicação social portugueses e para quem o cifrão tem muito maior interesse do que qualquer notícia. A não ser a notícia de que viram os seus cifrões (e eventualmente o dos amigos) aumentarem.

Será que isto também vai acontecer cá?

A greve geral na Grécia que já dura há dois dias e as manifestações violentas das últimas 48 horas em Atenas geraram o caos nas ruas da capital. @EPA/ORESTIS PANAGIOTOU. Veja esta e outras fotos aqui.

Embora a nossa realidade seja diferente da grega, convém estarmos atentos ao que ali se passa porque os efeitos de contágio podem ser maiores do que se julga.

“Há mais vida para além do Orçamento”, dizia Jorge Sampaio. Convém recordar que atrás dos números de pobres, desempregados e outros carenciados existem pessoas reais, com famílias e problemas reais que as podem atirar para o desespero e a revolta incontrolada.

Neste momento em que o novo governo (PSD-CDS) apresentou um programa que pretende ir mais longe do que o acordado com a UE, o BCE e o FMI no que diz respeito às medidas de austeridade, que, mais uma vez, vão afectar os mesmos, convém olhar com olhos de ver o que se está a passar na Grécia, porque o Povo português pode deixar de ser sereno e passar a ser mais exigente relativamente aos responsáveis pela crise. Que existem, embora não estejam a ser responsabilizados…

Dupla alentejana no comando da União de Leiria

A confirmação da notícia é já de ontem, mas só se deverá concretizar amanhã com a assinatura do contrato. O eborense Óscar Tojo vai para a União de Leiria substituir Ricardo Sá Pinto como treinador-adjunto do bejense Pedro Caixinha. Talvez a União de Leiria seja, por isso, a mais alentejana das equipas de topo do futebol português. A noticia foi ontem dada pela Rádio Diana e pelos jornais de Leiria. Até agora, o treinador, de 31 anos, ocupava o lugar de director técnico da Associação de Futebol de Évora. Licenciado em Educação Física, esteve na subida do Juventude de Évora à segunda divisão B e foi campeão distrital pelo Lusitano de Évora.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Na véspera de novo protesto dos agentes culturais de Évora: exigências, novas promessas e coisas assim-assim


Os principais agentes culturais de Évora voltaram hoje a exigir ao município o pagamento de subsídios em atraso, referentes a 2009 e 2010, advertindo que algumas estruturas artísticas já “deixaram de fazer produções e outras dispensaram trabalhadores”.
Em declarações à Agência Lusa, o diretor do Centro Dramático de Évora (CENDREV), José Russo, reconheceu que a situação da autarquia “é complicada”, devido aos cortes nas transferências do Estado, mas reivindicou que se encontre “uma solução para o problema”.
“O que exigimos é que se encontre uma solução para o problema, que se estabeleça um plano de pagamentos, que se faça um acordo e que as coisas se resolvam, porque os meses não podem passar e os anos não podem passar sem que haja uma solução”, disse.
O CENDREV é um dos grupos que integra a Plataforma Cultura em Évora, a que se juntam a Bruxa Teatro, Festival Internacional de Curtas-Metragens (FIKE), Colecção B, Eborae Musica, Grupo Pró-Évora, Imaginário, PédeXumbo, Pim Teatro, Sociedade Harmonia Eborense, Sociedade Joaquim António D'Aguiar e Companhia Dança Contemporânea Évora.
Contactada hoje pela Agência Lusa, a vereadora da cultura da Câmara de Évora, Cláudia Sousa Pereira, disse que o município está a negociar com entidades bancárias a hipótese de contrair um empréstimo que permita fazer o saneamento financeiro da autarquia.
“Assim que este processo estiver concluído o plano de pagamento será feito”, garantiu.
Para quarta-feira à noite, está prevista a realização de uma ação de protesto contra o que os agentes consideram ser “o esvaziamento cultural da cidade”, que vai decorrer na Horta das Laranjeiras, no recinto da Feira de S. João, que se prolonga até domingo em Évora.
“Metade dos subsídios de 2009 e de 2010 estão por pagar” e em relação a este ano “ainda não existe um regulamento de atribuição de subsídios à atividade cultural”, lamentou José Russo, alertando que os agentes culturais passam por grandes dificuldades financeiras.
Como exemplo, o responsável revelou que a Câmara de Évora deve ao CENDREV mais de 127 mil euros, que correspondem aos subsídios de 2009 e 2010, e adiantou que a companhia tem “estado a aguentar-se a pedir emprestado aos bancos”.
“São valores que em termos de orçamento municipal não será muito, mas para uma estrutura como a do CENDREV é extremamente complicado estabelecer os equilíbrios necessários para a vida desta casa”, afirmou, considerando que “está em causa a viabilidade do projeto”.
Mas o mesmo se passa em relação a outras estruturas, sendo que algumas “deixaram de fazer produções e outras dispensaram trabalhadores”, afiançou, advertindo que “a própria vida cultural da cidade é afetada pela falta de pagamento de subsídios por parte da câmara”.
De acordo com o mesmo responsável, a ausência de pagamento do apoio camarário “tem uma agravante” para os agentes culturais, já que “as comparticipações financeiras das autarquias são um dos fatores que determina o valor dos subsídios a atribuir por parte do Ministério da Cultura”. (LUSA)

Nova secretária de Estado do Ensino Básico e Secundário é professora da UE

Isabel Maria Santos Silva é professora auxiliar no departamento de Psicologia da Universidade de Évora, sendo doutorada em Psicologia, pela UE, sobre os processos cognitivos e conhecimentos envolvidos nas etapas iniciais da aprendizagem da leitura. Desde 2009, a nova secretária de Estado do Ensino Básico e Secundário integra o grupo de trabalho responsável pelo estudo psicolinguístico para “Estabelecimento de níveis de referência na aprendizagem da leitura e da escrita do 1.º ao 6.º ano de escolaridade”, realizado no âmbito do programa de acompanhamento e de monitorização do Plano Nacional de Leitura.

Programa de Governo

Programa de Governo.

Évora: amanhã na Horta das Laranjeiras


AS LARANJAS TÊM SUMO!
Encontro
29 Junho, 20.30h
Horta das Laranjeiras, Feira de S. João, Évora
 
A relação entre o município de Évora e a generalidade dos agentes culturais da cidade, encontra-se numa fase muito difícil desde 2009: pela indefinição de critérios, falta de cumprimento com os compromissos assumidos, e atraso nos pagamentos contratualizados.
Ponto da situação actual:
referente a 2009: a maioria dos agentes culturais ainda não recebeu os subsídios protocolados;
Referente a 2010: nenhum dos protocolos de subsídio anteriormente estabelecidos foi cumprido, nem se fizeram novos protocolos, nem pagos (naturalmente). Desde o início de 2010 que a Plataforma Cultura Évora solicita reuniões para resolver este problema, e não houve nunca qualquer resposta do executivo camarário.
Alguns agentes culturais (uma minoria) contratualizaram com a Câmara Municipal um financiamento ao abrigo do InAlentejo, não estando estes financiamentos pagos na totalidade.
Referente a 2011: os agentes culturais continuam a aguardar que o regulamento de atribuição de subsídios à actividade cultural entre em vigor. 

O dia da cidade (29 de Junho) é o dia certo para afirmar que não nos conformamos com o esvaziamento cultural da cidade Património Mundial.

CULTURA = CIDADANIA é uma laranja cheia de sumo que não nos deixaram plantar na horta das laranjeiras no dia de inauguração da feira de s. joão (Évora), porque “feria o património”.

Plataforma Cultura Évora

A Bruxa Teatro; CENDREV; FIKE - Festival Internacional de Curtas-Metragens; Colecção B; Eborae Musica; Grupo Pró-Évora; Imaginário; PédeXumbo; Pim Teatro; Sociedade Harmonia Eborense; SOIR Joaquim António D'Aguiar; Companhia Dança Évora

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Cidade grande

Foto retirada daqui
Cidade grande,
Com ondas de gentes
Empurradas para os limites,
Espumando desfeitas nos rochedos!

Empurradas para todos os limites…
Limites do espaço, da miséria, da vida,
Do tempo todo sem tempo nenhum…
Sem tempo para se amar serenamente…

E o monte, simples,
Na sua morada altaneira,
Asseada, varrida pelo vento,
Olhando e dormindo ao pé do céu,
Lá em cima, mesmo junto àquele céu,
Sobre a planície sempre sua companheira,
Meneando os seus cabelos cor de oiro,
Aberta ao amor genuíno
De amantes ternos,
Livres e iguais,
Sem um queixume,
Eternos…

Évora,27 Junho, 2011

J. Rodrigues Dias

Hoje e amanhã: Ópera contemporânea em Évora


Live Videos by Ustream

Hoje e amanhã na Biblioteca Pública de Évora (ao lado do Templo de Diana), às 21,30 horas. Entrada gratuita.

Estreia da ópera "Biblioteca" (música e enredo de Zoltan Paulinyi, 2011, libreto de Ester Macedo, 2011), com o Grupo Contemporâneo da Universidade de Évora sob regência de Christopher Bochmann e direção cênica de Alexandra Espiridião.

Programa:
- Deiknumena (2010), de Christopher Bochmann
- Loucura (2010), de Zoltan Paulinyi
- Ópera "Biblioteca" (2011) de Zoltan Paulinyi (enredo e música) e Ester Macedo (libreto).

Grupo Contemporâneo da Universidade de Évora, sob regência de Christopher Bochmann, direção cênica de Alexandra Espiridião, solistas: Anna Kássia Neves (soprano) e Leandro César (baixo-barítono).

Argumento: Um escritor e uma advogada vão à biblioteca com finalidades diferentes: o primeiro para buscar inspiração ao seu trabalho na elaboração de um livro sobre o diálogo, a outra para estudar aspirando ao cargo de juiz. No silêncio do local, a troca de olhares os motiva a imaginar julgamentos sobre o outro, despertando paixão e raiva.

Duração: cerca de 1 hora.

Quer um sábado noutro andamento ?

Entre as 8:30h e as 15h, do próximo 2 de Julho A SlowFood convida para um passeio pelas terras de montado de N. Sra. da Boa Fé em Évora.

Segundo o programa, o passeio será pedestre lento e fácil por terras de montado, vinhas e vegetação ripícola, com introdução à sazonal tiragem de cortiça (e.g.técnicas, ferramentas, corchos), com a participação de um experiente tirador...

-a cortiça e o vinho, com prova de vinhos premiados (e novidades) da Herdade da Maroteira...-

a cortiça e a gastronomia, com repasto em torno de sabores tradicionais e sazonais alentejanos, com gaspacho e cozido de grão com vagens...

As inscrições são prévias e OBRIGATÓRIAS, até 30 de Junho. Há lugar para 15 a 20 pessoas.

Contactos: 919964136, 266987390, mailto:slowfoodalentejo@gmail.co

Um trambolhão...


Ao contrário dos dias em que ando acompanhado, os passeios solitários de bicicleta são momentos de grande pensamento.
Como que invadido por lufada de ar introspecta, deslizar pelos campos conduz-me ao pensamento, coisa que aos olhos de um forasteiro pode parecer esquisito - é que andar de bicicleta implica uma série de movimentos coordenados além de perícia equilibrista. Ora um alentejano andar de bicicleta e pensar ao mesmo tempo é obra!
Um destes dias seguia em direcção aos pensamentos rabiscando na cabeça aquilo que seria um texto sobre os três mandatos de José Ernesto Oliveira na Câmara de Évora.
Sem corpo para o texto, o tiro de partida já estava na cabeça e rezava assim:
Primeiro mandato: Expectativa.
Segundo mandato: Esperança.
Terceiro mandato (o presente): descalabro.
Ia, como se lê, o texto bem entranhado nos neurónios quando PIMBA!!! Mandei-me da bicicleta abaixo, fiquei todo escalavrado, a canela embrulhada num pedal e logo inchada, parti o controle da suspensão e quase fiquei com um buraco no peito…

Já estou a imaginar os indefectíveis do PS a fechar o punho e a esfregá-lo na outra mão “rala, rala, bem feito, devias ter partido o nariz” pelos maus pensamentos…
Não. Não parti o nariz.
Mas o mandato de José Ernesto Oliveira, o terceiro, é um descalabro. Sobrará a EMBRAER para o deixar na história?

Allô, allô Vidigueira!


Manuel Narra, presidente da Câmara da Vidigueira, eleito pelo PCP, não pára de surpreender. Depois do corte nos salários dos eleitos há cerca de um ano, depois de ter dito que queria ficar com o Diário do Alentejo, depois das afirmações polémicas sobre os ciganos, vem agora homenagear dois dirigentes regionais do tempo de José Sócrates. São eles o governador civil de Beja e o director regional de educação do Alentejo. Por estas horas já deverá ter as "orelhas a arder" com as críticas de que é alvo, seja dentro ou fora do partido que o elegeu. A nota de imprensa, que tanta polémica está a levantar (recorde-se que quer um, quer outro dos "homenageados", foram alvo de críticas generalizadas por parte do PCP e da CDU durante o tempo em que estiveram à frente dos destinos quer do Governo-Civil, quer da DREA) explica também os motivos da homenagem . 

"A Câmara Municipal de Vidigueira vai homenagear o Governador Civil de Beja, Major-General Manuel Monge e o Director Regional de Educação do Alentejo, Prof. Doutor José Lopes Verdasca, numa cerimónia que terá lugar no próximo dia 30 de Junho, pelas 18 horas, na sala das sessões do edifício dos Paços do Concelho, com o objectivo de agradecer e reconhecer o apoio, o empenho, a competência e a disponibilidade prestados a este concelho, no exercício dos respectivos cargos".

A única resposta possível é fugir? Ou pode-se discutir isto?

"Belinha acordou às seis, arrumou as crianças, levou-as para o colégio e voltou para casa a tempo de dar um beijo burocrático em Artur, o marido, e de trocarem cheques, afazeres e reclamações.
Fez um supermercado rápido, brigou com a empregada que manchou seu vestido de seda, saiu como sempre apressada, levou uma multa por estar dirigindo com o celular no ouvido e uma advertência por estacionar em lugar proibido, enquanto ia, por um minuto, ao caixa automático tirar dinheiro.
No caminho do trabalho batucava ansiedade no volante, num congestionamento monstro, e pensava quando teria tempo de fazer a unha e pintar o cabelo antes que se transformasse numa mulher grisalha.
Chegando ao escritório, foi quase atropelada por uma gata escultural que, segundo soube, era a nova contratada da empresa para o cargo que ela, Belinha, fez de tudo para pegar, mas que, apesar do currículo excelente e de seus anos de experiência e dedicação, não conseguiu.
Pensou se abdômen definido contaria ponto, mas logo esqueceu a gata, porque no meio de uma reunião ligaram do colégio de Clarinha, sua filha mais nova, dizendo que ela estava com dor de ouvido e febre.
Tentou em vão achar o marido e, como não conseguiu, resolveu ela mesma ir até o colégio, depois do encontro com o novo cliente, que se revelou um chato, neurótico, desconfiado e com quem teria que lidar nos próximos meses.
Saiu esbaforida e encontrou seu carro com pneu furado. Pensou em tudo que ainda ia ter que fazer antes de fechar os olhos e sonhar com um mundo melhor. Abandonou a droga do carro avariado, pegou um táxi e as crianças.
Quando chegou em casa, descobriu que tinha deixado a porra da pasta com o relatório que precisava ler para o dia seguinte no escritório!
Telefonou para o celular do marido com a esperança que ele pudesse pegar os papéis na empresa, mas continuava fora de área.
Conseguiu, depois de vários telefonemas, que um motoboy lhe trouxesse os documentos.
Tomou banho, deu o jantar para as crianças, fez os deveres com os dispersos e botou os monstrinhos para dormir.
Artur chegou de uma reunião em São Paulo reclamando de tudo. Jantaram em silêncio.
Na cama ela leu metade do relatório e começou a cabecear de sono. Artur a acordou todo animado, a fim de jogo. Como aqueles momentos estavam cada vez mais raros no casamento deles, ela resolveu fazer um último esforço (...).
Deram uma meio rápida, meio mais ou menos, e, quando estava quase pegando no sono de novo, sentiu uma apalpadinha no seu traseiro com o seguinte comentário:
- Tá ficando com a bundinha mole, Belinha... deixa de preguiça e começa a se cuidar.
Belinha olhou para o abajur de metal (...)
Em seguida usou a técnica que aprendeu num livro de auto-ajuda: como controlar as emoções negativas.
Respirou três vezes profundamente, mentalizando a cor azul, e ponderou. (...) Resolveu agir com sabedoria.
No dia seguinte, não levou as crianças ao colégio, não fez um supermercado rápido, nem brigou com a empregada. Foi para uma academia e malhou duas horas. De lá foi para o cabeleireiro pintar os cabelos de acaju e as unhas de vermelho. Ligou para o cliente novo insuportável e disse tudo que achava dele, da mulher dele e do projeto dele.
E aguardou os resultados da sua péssima conduta, fazendo uma massagem estética que jura eliminar, em dez sessões, a gordura localizada.
Enquanto se hospedava num spa, ouviu o marido desesperado tentar localiza-lá pelo celular e descobrir por que ela havia sumido. Pacientemente não atendeu. E, como vingança é um prato que se come frio, mandou um recado lacônico para a caixa postal dele.
- A bunda ainda está mole. Só volto quando estiver dura. Um beijo da preguiçosa..."

Retirada de um livro que não li - "Este sexo é feminino" de Patrícia Travassos- chega-me pelo correio, esta  imagem de um beco de vida que conheço. Saberemos sair daqui ?

domingo, 26 de junho de 2011

Terracota


Sai a terra da terra argilosa
E pelas mãos de mestres ganha formas.
De forma em forma, em construção, fica arte.

Fica arte na terracota da construção que parte
E na terracota das formas sem normas
Ainda em mão engenhosa.


Évora, 2011-06-22
J. Rodrigues Dias

Évora: cinema ao ar livre

Sessões de Cinema ao Ar-Livre

de 27 Junho a 25 Julho :: Entrada Livre

a bruxa TEATRO’ apresenta uma série de sessões de cinema ao ar-livre, todas as segundas feiras às 21h30, de 27 Junho até ao final do mês de Julho. A entrada é gratuita e as sessões decorrem à frente do Teatro, nos ex-Celeiros da EPAC, Rua do Eborim, 16. Os filmes apresentados serão:

27 Junho - Marie Antoinette

04 Julho - Ligações Perigosas

11 Julho - Documentário "INSIDE JOB" de Charles Fergusson

18 Julho - Quills - As penas do Desejo

25 Julho - O Libertino

Uma manifestação: mulheres na libertação de Itália



Não sejamos ingénuos, ou melhor, não nos queiram fazer passar por ingénuos!
Afinal de contas a plataforma só tem que assumir que o que se propôs fazer não passava de uma manifestação! sem dúvida criativa, sem dúvida com razões comprovadas, mas apenas isso - uma manifestação.

Alentejana de Évora
26 Junho, 2011 00:20

sábado, 25 de junho de 2011

Das questões da cultura e ofícios correlativos


(...) Hoje na Assembleia Municipal, o Sr.Presidente da Câmara assumiu ter sido ele a desencadear o que se passou. 
Alegou a defesa da propriedade pública, ou seja, as árvores não podem ser molestadas por perigosas cartolinas. 
Disse também que a PSP só esteve presente para proteger os funcionários da Câmara enviados para retirar os terríveis papéis.
Interessante! já que chegaram antes da acção se iniciar, esperaram que as cartolinas fossem colocadas, identificaram os participantes e tentaram intimidá-los.
A justificação dada, foi aquela desculpa patética da publicidade...
Sustentaram-na no edital, que se for lido com atenção, defende exactamente a existência daquele espaço como local de interacção entre a população e as Associações sejam culturais, sejam recreativas, sejam desportivas.
O que de facto se passou foi uma manifestação de prepotência de quem não sabe conviver com a crítica, de quem entende a cidadania como um exercício vão, de quem já não tem condições para exercer um cargo representativo, alguém que há muito deixou de fazer parte da polis.

MS
25 Junho, 2011 02:53

Foi violado o direito de expressão no espaço público


Estamos em tempo de discutir o direito de manifestação. Não participei nesta acção quer seja de sensibilização, de chamada de atenção,ou mesmo de um protesto que me parece muito "soft" ou delicado. Não sou artista, nem tenho afinidades com esta plataforma, mas julgo que é fundamental assegurarmos o direito à expressão em público. A horta das laranjeiras é um espaço público. Cada um tomará parte à sua maneira, sendo isso um direito elementar de todos. Uns colocaram lá os seus símbolos, representações, bandeiras. Estes (da dita plataforma) pretenderam acrescentar a esse espaço de todos as suas marcas. Fizeram-no de forma ordeira; aceitaram de forma surpreendentemente tranquila, que funcionários da autarquia retirassem o que acabavam de colocar. E pergunta-se então quem violou que direito?
Será que defende que a participação do espaço público deva ser de tal forma regulamentada que não se aceite a criatividade, o imprevisto, as cores não dominantes, os modelos que não defendo para mim?
Neste caso, foi claramente limitado, reduzido e portanto violado o direito de expressão no espaço público. É demasiado forçado chamar-lhe manifestação, sob pena de ser necessária autorização prévia para distribuir panfletos de divulgação da minha actividade empresarial, social ou outra, na mesma feira, como o fazem há muitos anos dezenas de pessoas.
Trata-se aqui de um exercício de poder demasiado perigoso para ser minimizado, omitido ou desculpado.

Anónimo
24 Junho, 2011 20:09

A noite do vinho no Alentejo

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Amor, ciúme & morte nas Fornalhas Velhas


São terras antigas. Telúricas. De muito romance de cordel. Vidas autênticas e ainda não plastificadas. Onde ainda se mata por amor. Reza assim a notícia: 
"A Polícia Judiciária (PJ) anunciou hoje ter procedido ao resgate do cadáver de um homem, de nacionalidade brasileira, que tinha sido morto e enterrado, numa quinta no Alentejo.
Fonte dos bombeiros adiantou hoje à Agência Lusa que o resgate do cadáver ocorreu na quinta-feira em Fornalhas Velhas, no concelho de Odemira, distrito de Beja.
O cadáver foi transportado para o Instituto Nacional de Medicina Legal (INML), em Lisboa, indicou a mesma fonte.
Segundo um comunicado da PJ, o desaparecimento do homem foi participado há cerca de dois meses, tendo sido "desenvolvidas diligências imediatas na sequência do aparecimento da viatura" em que se fazia transportar.
Segundo a Judiciária, "concluiu-se que a vítima, residente em Cascais, mantinha relações íntimas com uma mulher a viver no Alentejo, tendo sido atraído para um jantar no qual participou um outro indivíduo, que teve como finalidade preparar a sua morte".
“A vítima foi suficientemente embriagada, a fim de não poder oferecer resistência física, tendo sido brutalmente espancada e posteriormente enterrada numa das extremidades da propriedade”, refere o comunicado.
Ambos os alegados autores do homicídio foram detidos, encontrando-se a aguardar a sua apresentação às autoridades judiciárias competentes para primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coação adequadas.
No resgate do cadáver, a Polícia Judiciária contou com a colaboração do Serviço de Proteção Civil e dos Bombeiros Voluntários de Odemira."

Este sábado: os bonecos de Manuel Dias



25 de Junho, pelas 11.30h



Com quantos pontos se conta um conto?



Bonecos com História


MANUEL DIAS


GERTRUDES PASTOR


-- é neste país!

Rua da Corredoura nº8, Évora

266731500

http://nestepais.wordpress.com/

Vale a pena rever as cenas do "crime" dos que queriam chamar a atenção para a cultura



Vídeo de João Palma.

Passagem de nível sem guarda


Nem outra coisa seria de esperar, o guarda seria apenas o empecilho burocrata na liberdade de atravessar para o outro lado da agastura da vida. Lá viajou de mansinho, certamente para o imaginário paraíso dos blues. Ou não fosse o mê Luís Grácio um genuíno tisnado alentejano descendente do clã dos inventores da ritmadamente e insubmissa talhada arte musicómana, melodia e verbo em riste de gente sonegada numa não longe esquina da vida.

Ainda não voltearam duas luas que amesendamos umas opíparas costelazinhas de borrego de erva a boiarem no caldoso suco do fabrico, acompanhadas de um vinhaço em cima de si sem dó. Por encore, regalámos o palato com uma melódica e provecta jeropiga do tempo da nossa mocidade.

Hoje, pelas vésperas dia de gaspacho, a mesa terá necessariamente uma cadeira ocupada pelo mê Luís que, depois da primeira colherada e de um trago no tinto, dirá no calmo linguarejar dos cavalheiros sábios: EXCELENTE!

Lá, no paraíso melómano, há seguramente à sua espera, a estrear, uma Fender Stratocaster para dedilhar com o elevo que sempre foi seu – ou não o tratasse o meu filho, num misto de carinho e respeito, por Jimmy.

Festas em Castro Verde

Programa das festas AQUI

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Évora: acção de protesto dos agentes culturais na inauguração da Feira de São João

Foto de Francisco Costa: abertura oficial da Feira.
 Mais atrás, na Horta das Laranjeiras, houve o protesto dos agentes culturais.

Um grupo de cerca de três dezenas de agentes culturais, da denominada Plataforma pela Cultura, aproveitou a abertura oficial da Feira de São João, em Évora, para na Horta das Laranjeiras colocar "laranjas" de cartolina nas árvores com diversos "recados" aos poderes públicos e em defesa da cultura no concelho. Recorde-se  que as diversas associações  estão há dois anos sem receberem os apoios a que se consideram com direito, o que prejudica a vida cultural e artística da cidade e coloca em risco mais de uma centena de postos de trabalho.  Houve "sururu" e veio a polícia que identificou os autores do protesto, enquanto funcionários da Câmara retiravam as "laranjas" das árvores. 
O presidente da Câmara, José Ernesto Oliveira, que na habitual inauguração da Feira costuma passar por aquele espaço, não o fez este ano, talvez para não se expor à contestação dos artistas e agentes culturais eborenses, que há momentos ainda se encontravam no local. Para a Horta das Laranjeiras deverá ser convocada uma conferência de imprensa para o próximo dia 29 de Junho, Feriado Municipal, por parte dos agentes culturais a fim de, mais uma vez, denunciarem a situação em que se encontram devido ao não pagamento das verbas em dívida pela autarquia, soube o acincotons.

Ucrânia, terra prometida

Sugiro publicação do cartoon que anexo no vosso blog - humoristicamente está fantástico - espero que seja mesmo só humor e não um "adivinhar do futuro".

Marisa

"O povo português não pode pagar mais carros pretos, nem mais chóferes, nem mais secretárias louras", diz Castro e Brito da ACOS

Manuel Castro e Brito diz que é preciso “ter esperança” no novo executivo e que se ele “falhar e não cumprir o acordado com a troika rapidamente será substituído. Mas isso seria péssimo para o país”. 

Em declarações ao "Diário do Alentejo", numa apreciação ao novo governo que tomou posse na terça-feira, o presidente da Federação de Associações de Agricultores do Baixo Alentejo considera “muita positiva” a nomeação de uma mulher para a pasta da Agricultura, “pelo que isso pode significar de mudança na forma como se olha para o sector”.

“Pode ter um efeito renovador, que contrarie a péssima imagem do agricultor, enquanto marialva e possuidor de uma mentalidade retrógrada. Não é a maioria, mas lá que os há, há. E é bom que esta imagem se quebre e que tenhamos uma mulher como ministro. As mulheres, para além de terem os mesmos direitos dos homens em ocuparem qualquer cargo, têm também, em muitos casos, um maior conhecimento e uma maior capacidade de trabalho”, refere Castro e Brito.

O facto de Assunção Cristas vir da área do Direito, sem quaisquer conhecimentos dos dossiês agrícolas, “até pode ser uma vantagem”, diz o presidente da FAABA, dando como exemplo o caso do anterior ministro António Serrano. “O que é preciso é saber gerir e ter força política. O facto da ministra controlar o grosso dos fundos comunitários poderá ser importante, uma vez que há dinheiro que não está a ser utilizado nalguns programas e que poderá ser canalizado para a agricultura onde existem grandes intenções de investimento”.

Por isso, há que ter “esperança neste novo governo”, diz Castro e Brito para quem os resultados da actuação da ministra da agricultura “serão bons” desde que Assunção Cristas “continue o trabalho de modernização da agricultura, aproveitando o actual quadro comunitário de apoio na grande transformação do sequeiro para o regadio, que está em curso, mas também na continuação da aposta na florestação, sem esquecer o sequeiro e o extensivo tradicionais”.

O presidente da FAABA considera como “muito positivo" o fim dos governos civis. “Todos sabemos que temos de poupar e os governadores civis, para além dos passaportes, pouco mais actividade tinham do que colocar os afilhados nos lugares disponíveis. Sempre que havia uma vaga eram ouvidos e faziam valer a sua influência. Por outro lado, a sua existência entrava às vezes em conflito com os presidentes das autarquias, eleitos localmente. É urgente poupar para acorrer aos dramas sociais que aí estão, por um lado, e por outro para apoiar as pequenas e médias empresas que criam emprego e geram riqueza. Para isso é preciso pôr os pontos nos is e é tempo de se acabar com esta classe em que apenas já se representam uns aos outros” acrescenta o também presidente da ACOS que diz ser necessário dar continuidade a este trabalho de poupança “agrupando e extinguindo municípios e freguesias. O povo português não pode pagar mais carros pretos, nem mais chóferes, nem mais secretárias louras. Todo o dinheiro disponível é preciso para apoiar os mais fracos. O caderno de encargos que temos, imposto pela troika, é muito violento e exigente e vai ter que ser cumprido, apesar dos grandes sacrifícios que vai impor,sobretudo, aos que têm mais necessidade e que vão ter que ser apoiados. Por isso, todos os cortes e poupanças no supérfluo são necessários”.

Castro e Brito considera também que o peso político de Carlos Moedas no novo executivo é importante para a região. “Carlos Moedas assumiu-se como bejense e como alentejano, candidatando-se pelo circulo de Beja, onde a sua eleição podia não ter acontecido. Dado o seu peso político, que hoje sabemos que tem, poderia ter sido candidato por qualquer distrito onde a sua eleição estivesse mais facilitada. Fê-lo por aqui e demonstrou que está com a região, quis regressar às origens. É um homem novo, muito trabalhador e conhecedor do mundo e dos meios económicos, e vai ser uma grande-mais valia para o distrito dada a sua ligação ao primeiro-ministro e ao facto de estar na primeira linha das tomadas de decisão”, refere o presidente da FAABA.

(Castro e Brito ao "Diário do Alentejo", desta sexta-feira, sobre o novo Governo, o fim dos governos civis e a nova ministra da Agricultura)

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Feira de São João em Évora

Ver programa AQUI

Aldeia da Terra é inaugurada amanhã em Arraiolos


ldeia da Terra - Jardim de esculturas


Está ao ar livre e em construção. Estamos literalmente com as mãos no barro e vamos estar, certamente, nos próximos dez anos, mas isso não é mau. Na verdade é justamente esse percurso que vos convidamos a acompanhar. A ALDEIA da TERRA, disse alguém, está a caminho de se tornar... a Aldeia mais caricata de Portugal. Quem somos nós para discordar? Abre já esta semana. Apareçam.

Abertura ao público:

Quinta feira, 23 de Junho de 2011, 10h

(ver mais: http://www.oficinadaterra.com/artdetail.asp?idc=3&ida=935&idL=en)

ideias para esta sexta e sábado

Safira é o nome de um festival de artes na paisagem. Acontece este fim de semana na Herdade das Valadas, próximo de Montemor. 
"Resumindo, o que nós queremos é:

Passar um óptimo fim-de-semana no campo, divertir-nos com os amigos e a família, e usufruir de um conjunto variado de “acontecimentos” culturais, que iremos recordar por muito tempo."
O marionetista Manuel Dias, o musicólogo José Rodrigues dos Santos, e o cantador alentejano Joaquim Soares, são convidados do pianista  Amilcar Vasques Dias, num dos momentos desta programação que procura constituir-se como alternativa para dois dias. Com estas condições de acesso.

BE: emancipar-se dos fundadores bastará?


Já tinha sido alertado pelo RMF para a entrevista que o Miguel Portas dá hoje a Nuno Ramos de Almeida e que o jornal i publica. Fui lê-la e, de facto, é uma entrevista bem esgalhada,  que não se limita a apresentar um discurso do politicamente correcto. Introduz ideias, análises com fundamento e rigor e esboça rupturas. Um sinal mais no debate que devia alastrar por toda a esquerda, globalmente derrotada nas últimas eleições legislativas, e onde o "combate" às medidas da troika, como grande e quase único argumento eleitoral, provocou o desaire que se conhece (no BE, mas também no PCP). No caso do BE provocou a erosão de metade do eleitorado, no PCP levou à estagnação de um eleitorado cada vez mais diminuto.

Mais actividade "porcina". Só que desta vez de qualidade


terça-feira, 21 de junho de 2011

O Bloco de Esquerda versus independentes

Numa nota à imprensa divulgada em Bruxelas, Rui Tavares, independente que havia sido eleito em 2009 para o Parlamento Europeu integrado nas listas do Bloco de Esquerda, diz que perdeu a «confiança pessoal e política no coordenador nacional» do partido, tornando-se assim «impossível» continuar integrado na delegação bloquista, pelo que passou à condição de independente integrado no grupo dos Verdes europeus.

Depois do vereador da Câmara de Lisboa José Sá Fernandes se ter afastado do BE, por quem tinha sido eleito como independente, foi agora a vez de Rui Tavares bater com a porta. Foram candidatos mal escolhidos, foram mal tratados pela direcção (coordenador?) ou não foram capazes (ou não quiseram) cumprir compromissos assumidos?

Ao contrário de Sócrates, Vieira da Silva afirma que não sai feliz

No final da tomada de posse do novo Executivo, Vieira da Silva afirmou: «Se me pergunta se saio feliz com a situação em que o país está, não saio, naturalmente. Gostaria de terminar as minhas funções governativas com o país numa situação diferente, mas também tenho bem a noção, e o país também julgo que achará, que enfrentámos dificuldades que são de natureza extraordinária».

E já aí o temos outra vez, senhor verão


O verão começou hoje às 17 horas e 16 minutos e vai manter-se até às 9 horas e 5 minutos do dia 23 de setembro, dia do equinócio de outono, refere o Observatório Astronómico de Lisboa. O solstício de Verão está ligado aos ritos pagãos e há quem diga que os Almendres ou Stonehenge eram locais (santuários? observatórios?) especialmente direccionados para a observação do sol nesta data.

Gostei deste anúncio de Passos Coelho


No discurso de tomada de posse, Passos Coelho anunciou que não vai nomear mais governadores civis. Uma atitude sensata. O cargo não tem já o mínimo de significado, vai contra - em muitos casos - a autonomia municipal  e, para além de ser um desperdício, é um sorvedouro de dinheiro. Fizeram igualmente bem os actuais 18 governadores civis em se terem demitido. Pouco ou mesmo nada se vai notar. Esperemos é que não voltem com a palavra atrás. Nem os actuais governadores civis, nem Passos Coelho.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Esta nova comissão política do BE não satisfaz

Staline, Lenine e Trotsky reencontram-se no actual BE

Alegre não satisfez Bloquistas nem Socialistas. Mas também não esqueço a sondagem da SIC à boca das urnas que dava o BE com 10% no dia em que Alegre perdeu as eleições. Do ponto de vista partidário achei quer tinha sido um orgasmo precoce dos dirigentes do BE. Disse isso ao Luís Fazenda. Do ponto de vista pessoal, não havia alternativa credível de centro/esquerda por isso, e desde o instante em que Fernando Nobre falou pela 1ª vez, dei a cara pelo Alegre sem pestanejar. Hoje voltava a votar Alegre se este fosse a única alternativa...e mais...se o Louçã ou outro se candidatassem (não o fizeram porque ficavam atrás do Francisco Lopes) eu continuaria a votar no candidato de centro-esquerda melhor colocado.

Agora, esta NOVA COMISSÃO POLÍTICA do BE não satisfaz politicamente: cada vez mais UDPista e PSRista e inflexível. Miguel Portas e a Política XXI (o lado reformista Bloquista passível de romper com a ortodoxia, o sectarismo e a inflexibilidade) esfumam-se, perdem fulgor e “importância”. É péssimo para alargamentos, especialmente com gente (independente ou não) que preconiza o mesmo Estado Social e que não receia pertencer, agir e contribuir para uma sociedade de mercado mais humanizada e regulada, não alinhada e sem nuclear. E sem corrupção. Sem facilitismo e trabalhadora.

São estes apoiantes que votaram Bloco, e desejavam que este tivesse ido à troika vincar a sua posição. Foram estes que, ou se abstiveram ou votaram PS ou até mesmo PSD (com o objectivo de fazer cair o PS neoliberalizado).
São estes apoiantes que se “melindraram” com uma moção de censura estapafúrdia que reforçou definitivamente a coligação liberal-conservadora e os seus argumentos de “única força credível” para tirar Portugal da crise.
São estes apoiantes que se “melindraram” com o sentimento de nojo que os dirigentes do Bloco sentiam logo após Alegre ter perdido as eleições.
São estes apoiantes que se “melindram” com a incapacidade do Bloco sistematicamente recusar-se a dialogar com dirigentes do PS, independentes e sociais democratas.
São estes apoiantes que se “melindram” ao assistir às reuniões do Bloco com o PCP dando a entender que este BE, só consegue dialogar com o PCP mais ortodoxo que há memória, o qual exerce um “poder psiquicamente estranho”.

São estes apoiantes que não vêm diferença alguma entre este Bloco e o PC, aliás, juntos no partido da Esquerda Europeia.


Rui M F

20 Junho, 2011 22:50