sábado, 30 de abril de 2011

Tudo correu como previsto. Tudo?

Ver aqui.

Um post, duas opiniões diferentes. Afinal em que ficamos?

O Capitalismo perdeu o contraditório
Hoje foi um dia em cheio!
Casou-se o futuro rei de Inglaterra.
Um representante maior do Capitalismo mundial.
Um dos países que encabeçou a guerra fria contra o Comunismo.
Um dos países que encabeça todas as guerras contra os países pobres, para lhes explorar as matérias primas.
Um dos países que suporta o extermínio dos palestinianos, pelos Judeus de Israel.
Em Roma, o Papa germânico, anuncia a beatificação do antecessor polaco, outro grande lutador contra o comunismo, apoiante de todas as cruzadas contra os pobres.
Na maior crise do sistema Capitalista, os responsáveis festejam os seus símbolos, os seus ídolos de barro.
A comunicação social, às ordens do capital, amplia o embuste.
Com as festas se enganam os cidadãos, se disfarçam os monstros, se sacralizam os vícios e os crimes.
Por cá os cães correm em desvario e ladram ao vento.
Com o fim do Comunismo, o Capitalismo perdeu o contraditório, perdeu a medida das coisas.
Devora os povos que o sustentam, devora o planeta, devora-se.
Anónimo, 29 Abril, 2011 21:26

Estado e mais Estado
Uma das chaves do socialismo é Estado e mais Estado. Depois metem-se funcionários, dobram-se funções e colocam-se amigos e familiares. Claro que os impostos ou receitas não chegam para pagar tanto funcionalismo.
O Estado em Portugal é um monstro. 15 anos de socialismo bastaram para fazer 466 institutos carregados de amigos, familiares e boys!
Anónimo, 30 Abril, 2011 12:18

É tão lindo o Alentejo!



sexta-feira, 29 de abril de 2011

Sessão em directo da Assembleia Municipal de Évora

Watch live streaming video from amevora at livestream.com

A boda real deu para tudo


Pouco depois do príncipe William e a mulher, Kate, terem abandonado a Igreja onde deram o nó, um elemento da Igreja anglicano foi filmado a fazer brincadeiras ao longo da nave central.
Um porta voz da Abadia de Westminster veio já a publico desmistificar o sucedido. "Tal como todos nós, o sacristão ficou muito satisfeito com a forma como decorreu a cerimónia, de acordo com o plano estabelecido, e expressou assim a sua exuberância".in DN

É neste país: ele há com cada monstro


30 de Abril, pelas 11.30h

Com quantos pontos se conta um conto?

Ele Há Com Cada Monstro

Cristina Rebocho

Margarida Junça
--
é neste país!

Rua da Corredoura nº8, Évora

266731500

http://nestepais.wordpress.com/


A falta de imaginação que esta gente tem até dói


Percorro os sites de notícias, os jornais digitais, os portais informativos e deparo com uma sucessão de notícias sobre grupos "de reflexão", em geral constituídos por empresários, mas em especial por gestores de empresas públicas, muitas em falência técnica, que repetem, até à exaustão, "máximas" para nos tirarem da crise. Muitos deles têm estado sempre com as rédeas do poder na mão, à frente de empresas que nunca souberam gerir, com défices permanentes, e vêm agora com propostas "sábias", como estas que encontro, ao correr dos dedos, na net: "«Mais Sociedade»: Joaquim Góis defende aumento do IVA"., «Mais Sociedade» defende aumento da idade da reforma", "penalização das reformas dos trabalhadores que recorram ao subsídio de desemprego", etc... 
Nunca vejo é esta gente defender o aumento dos salários dos que menos ganham, nem cortar os contratos leoninos que geralmente auferem os que fazem estas propostas. E se puséssemos pessoas que ganham o salário mínimo a gerir o país seria que não ficaríamos melhor governados? Pelo menos seria gente que sabe o que custa governar a vida com menos de 500 euros. E, por certo, seriam pessoas que nunca viveram acima das, tão propaladas, possibilidades, nem se endividaram para ir passar quinze dias de férias a qualquer reserva africana.

Porque hoje é dia grande in UK (é feriado) o presente também tem que ser em grande



Anarchy in the U.K.

Right! now 
ha ha ha ha ha...

I am an antichrist
I am an anarchist
Don't know what I want
But I know how to get it
I wanna destroy passerby

'Cause I wanna be Anarchy
No dogsbody

Anarchy for the UK
It's coming sometime and maybe
I give a wrong time stop at traffic line
Your future dream is a sharpie's scheme

'Cause I wanna be Anarchy
In the city

How many ways to get what you want
I use the best
I use the rest
I use the N.M.E
I use Anarchy

'Cause I wanna be Anarchy
It's the only way to be

Is this the M.P.L.A or
Is this the U.D.A or
Is this the I.R.A
I thought it was the UK
Or just another country
Another council tenancy

I wanna be Anarchy
And I wanna be Anarchy
(Oh what a name)
And I wanna be anarchist
I get pissed, destroy!

Somos assim uma espécie de serviço público

Nota de imprensa (oficial) da reunião pública da Câmara Municipal de Évora realizada a 27 de Abril de 2010

No período antes da ordem do dia, a Vereadora Cláudia Sousa Pereira (PS) informou a Câmara sobre a inauguração da Livraria Municipal, no dia 29 de Abril, pelas 17:30 horas, no Núcleo de Documentação (Paços do Concelho), convidando todos a estarem presentes neste evento.

A Livraria efectuará a venda, promoção e divulgação de publicações editadas ou apoiadas pela Autarquia, permitindo que os munícipes possam, não só comprar livros, mas também que os possam consultar e receber esclarecimento e aconselhamento adequados.

Informou também que espera poder trazer à Câmara na próxima reunião pública o parecer jurídico de enquadramento legal sobre o eventual pagamento aos agentes, relativo ao ano de 2010.

O Vereador Manuel Melgão (PS) relatou como decorreram as comemorações do 25 de Abril na cidade e no concelho, referindo a enorme participação popular no que foi acompanhado por toda a Câmara que se congratulou pelo facto desta data e o seu significado continuar a ser querida e a mobilizar a população eborense.

O Vereador Eduardo Luciano (CDU) apresentou uma proposta de moção sobre o 25 de Abril e o 1º de Maio que não foi aprovada devido aos votos contrários do PS e PSD que lamentaram não poder estar de acordo com os termos claramente de inspiração partidária em que a mesma estava redigida, saudando, no entanto, quer o 25 de Abril, quer o 1º de Maio pelo seu significado para a liberdade, a democracia e os direitos dos trabalhadores.

Aprovado Relatório do Conselho de Administração da Habévora

Foi aprovado com quatro votos a favor (PS e PSD) e três abstenções (CDU) o Relatório do Conselho de Administração, contas do exercício económico de 2010, proposta de aplicação, de resultados e parecer do fiscal único da Habévora – Gestão Habitacional, EEM.

A Habévora, explicou o Vereador Manuel Melgão, obteve um resultado líquido positivo, tendo cumprido na generalidade os objectivos a que se propôs em 2010, os quais incluíram nomeadamente a atribuição de mais habitação social, aquisição de empreitadas e adjudicação de obras de recuperação e restauro do interior das habitações e requalificação do exterior dos edifícios do bairro da Cruz da Picada, vistorias, acordos de regularização de dívidas e venda de imóveis, entre outros.

Mereceu aprovação unânime a ratificação do despacho do Presidente da Câmara para apresentação de candidatura de apoio à realização de pequenas iniciativas de cooperação transfronteiriça 2011, designadamente o II Encontro Empresarial Évora-Mérida.

As “Normas Regulamentares para Atribuição e Funcionamento das Tasquinhas” na Feira de S. João foram aprovadas com três votos a favor (PS), uma abstenção (PSD), três votos contra (CDU) e o voto de qualidade favorável do Presidente.

Aprovado protocolo de descentralização da gestão das escolas desactivadas

A proposta de protocolo de descentralização da gestão das escolas desactivadas para as Juntas de Freguesia foi aprovada por unanimidade. Uma decisão que visa evitar a existência de equipamentos escolares devolutos e degradados e qualificar a resposta sócio-cultural das freguesias do concelho.Foi aprovado com três votos a favor (PS) e quatro abstenções (PSD e CDU) o protocolo para candidatura ao financiamento PROHABITA que permitirá que a Habévora proceda à realização das necessárias obras de reabilitação de 14 fogos sitos no Bairro da Malagueira (Rua das Duas Árvores; Rua das Doze Casas e Rua do Rochedo) e ao seu arrendamento em regime de renda apoiada a 14 famílias inscritas nos serviços da Habévora para arrendamento social.

(Nota da Câmara Municipal de Évora)

dedicado a Kate e a William para um primeiro pézinho de dança



God Save The Queen (the sex pistols)
 
God save the queen her fascist regime
It made you a moron a potential h bomb !

God save the queen she ain’t no human being
There is no future in england’s dreaming

Don’t be told what you want don’t be told what you need
There’s no future no future no future for you

God save the queen we mean it man (God save window leen)
We love our queen God saves (God save... human beings)

God save the queen cos tourists are money
And our figurehead is not what she seems
Oh God save history God save your mad parade
Oh lord God have mercy all crimes are paid

When there’s no future how can there be sin
We’re the flowers in the dustbin
We’re the poison in your human machine
We’re the future your future

God save the queen we mean it man
There is no future in england’s dreaming

No future for you no future for me
No future no future for you

Beja? Eu nem sequer sou de cá...


Uma pequena notícia hoje no site da Rádio Voz da Planície dá que pensar sobre o actual regime de eleição de deputados para a Assembleia da República. Os deputados cada vez se assumem mais como representantes dos partidos e não das populações ou dos círculos por que são eleitos. Escreve o Teixeira Correia que, em Beja, dos 39 candidatos efectivos apresentados para os três lugares de deputados em disputa, "24 não podem votar em si próprios, pelo facto de estarem eleitoralmente inscritos fora do distrito de Beja, sendo os casos mais destacados os de Carlos Moedas e Mário Simões do PSD, o primeiro, recenseado na freguesia de Santa Isabel, em Lisboa e o segundo em Alvito da Beira, concelho de Proença-a-Nova, Osvaldo de Castro, do PS, na Marinha Grande e José Ghira, do CDS em S. Domingos de Rana, concelho de Cascais. Nos casos do Partido Nacional Renovador, Movimento Esperança Portugal, Partido Pelos Animais e Pela Natureza, Partido Humanista, Partido da Terra e Partido Trabalhista Português, nenhum dos três elementos efectivos está recenseado no distrito".
Algo tão simples como isto - legislar para que os candidatos só possam ser eleitos pelos círculos em que estão recenseados - iria mexer no monopólio que os partidos entendem ter sobre os deputados, pondo-os onde querem e nos lugares onde muito bem entendem, atenciosos e obedientes não a quem os elege, mas sim a quem tem o poder de elaborar as listas partidárias. E assim um cargo, que devia ser de representação das populações, rapidamente se transforma num emprego onde o respeitinho ao chefe é sempre muito apreciado.

(PS: ainda que Carlos Moedas, por exemplo, tenha nascido em Beja e Mário Simões viva no distrito há muitos anos, isso não significa que, se querem fazer a sua vida política com base no distrito de Beja, não devessem ser obrigados, para se constituírem como candidatos, a estarem aqui recenseados. É o principio que está em causa, não as pessoas).
(PS1: ao fim da tarde podia-se ler na página da Voz da Planície - "Entretanto, Mário Simões, candidato em segundo lugar na Lista do PSD contactou a Voz da Planície no sentido de informar que a referência ao seu local de recenseamento se encontra errado, já que o mesmo é na freguesia de Alvito, concelho de Alvito, Distrito de Beja", o que em nada invalida o que escrevi).

Hoje comemora-se a dança


A Companhia de Dança Contemporânea de Évora

comemora em Évora o

DIA MUNDIAL DA DANÇA | 29 Abril

ÉVORA | BLACK BOX

29 ABRIL | 18:30 | ENTRADA LIVRE

Artistas convidados | Jovens Criadores e alunos da Escola de Formação CDCE

Para comemorar o dia a CDCE organizou um espectáculo composto por um conjunto de trabalhos de pequeno formato criados por jovens criadores da região e pelos alunos da Escola de Formação CDCE, sob a direcção da coreografa Nélia Pinheiro.
No espaço da Black Box a partir das 18h30 abrem-se as portas ao jovem talento da região. Os trabalhos expressivos revelam o pensar e o fazer da dança de uma geração emergente.
O espectáculo tem entrada livre.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

É a boa imagem de Silva Pais que está em causa

Silva Pais,  o último director da PIDE/DGS, não chegou a ser sentenciado no processo do assassínio de Humberto Delgado por ter morrido seis meses antes de terminar o processo no Tribunal Militar de Lisboa em que o Promotor Público o tinha acusado de co-autoria moral do crime.
Mas na próxima semana, a 3 de Maio, o Tribunal de Lisboa vai julgar se houve ou não "ofensa à memória" de Silva Pais na peça, "a  filha rebelde" encenada no Teatro Nacional D. Maria II em 2007 e baseada no livro homónimo dos jornalistas Valdemar Cruz e José Pedro Castanheira.
30 mil euros é a indemnização pedida pelos sobrinhos à autora da peça, Margarida Fonseca Santos, bem como ao então director artístico do teatro do Rossio, Carlos Fragateiro, e o seu adjunto, José Manuel Castanheira.
Para muitos, e em particular para quem assistiu, ainda ontem, ao filme-documentário "48", a notícia  não pode deixar de chocar.

Saberá esta gente em que país vive...



... e é gente desta que quer governar Portugal?

DA desta sexta-feira

28 de Abril de 2011

Hoje a OIT chama a atenção para as questões da segurança no trabalho. Um dia para  o mundo pensar na necessidade de acrescentar qualidade ao trabalho que temos.
É boa altura para rever a dimensão das palavras segurança e saúde no trabalho. Para além da necessidade de prevanir sinistralidade, e reforçar sistemas de saude laboral, crescem outras (in)seguranças.

"De acordo com os dados do Eurostat, em Portugal, em 2005, 24,9% dos trabalhadores estavam com contrato não permanente. Em 2010 este número era de 29,4%. Portugal está entre os 3 países da UE com mais precariedade laboral."
 
E ouvimos tantos especialistas repetirem que o problema da produtividade em Portugal é a inflexibilidade da legislação laboral. Será hoje um dia para se desdizerem?

Matar o sonho é o pior que pode acontecer a uma geração ou a uma sociedade

Este documentário é longo, mas relevante. Baseado no livro da activista canadiana Naomi Klein  "Doutrina do Choque: a Ascensão do Capitalismo de Desastre" analisa as experiências que têm sido feitas em nome do neoliberalismo. Todas terríveis, em nome do mercado e do lucro, de que as crises europeias são também uma consequência. Experiências que vão a par e passo com as tentativas do capitalismo dominante no sentido de matar o sonho, esmagar o que nos torna a todos, países e indivíduos, diferentes e transmitir a ideia, para a sociedade, de que qualquer mudança já não é possível e que o capitalismo é o fim da história. É isso que torna hoje muitos jovens em gente angustiada, temerosa do futuro, com medos que lhe foram propositadamente incutidos. Qualquer geração que viva angustiada, sem o sentido da utopia e de que é possível um outro mundo fica à mercê da depressão. Muitos jovens portugueses, hoje, encurralados entre a falta de emprego e os medos que os media e os mais velhos veiculam, limitam os sonhos e as utopias. É uma alternativa errada: quanto mais doloroso e negro o presente se apresenta, mais necessária é a festa, o colorido do sonho e o prazer da utopia, ou seja, do ainda não realizado. 

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Odemira: uma escola que já é uma referência


A Escola Secundária de Odemira e a professora Paula Canha estão de parabéns de novo! O António Almeida, do 12º ano, recebeu hoje, em Lisboa, o 2º lugar no Prémio Católica Engenharia, Inovação e Sustentabilidade! O seu projecto chama-se Projecto Energia Portátil e consiste numa torre eólica portátil, capaz de gerar energia eléctrica a partir do vento. Uma escola em que a ciência faz parte do dia a dia dos estudantes é aquilo a que verdadeiramente se pode chamar uma escola de sucesso. Parabéns!

Site "Despesa Pública" fora de serviço por "elevado número de acessos"


Lançado no dia 25 de Abril, o sítio Despesa Pública (www.despesapublica.com) foi criado por um grupo de cidadãos com o lema "Saiba onde, como e por quem é gasto o dinheiro dos contribuintes". Cruzando dados oficiais da criação de empresas e dos ajustes directos (sem concurso público), o sitio permite chegar a "alguns resultados bastante curiosos e de carácter duvidoso", nomeadamente de contratos e adjudicações feitos por entidades da administração central, regional ou local a empresas ainda inexistentes ou criadas pouco dias antes.
"A maior parte dos casos de adjudicações a empresas ainda não formalmente constituídas refere-se a contratos feitos com revisores oficiais de contas (ROC). O caso extremo é o dos Serviços Municipalizados de Abrantes, que terão adjudicado uma prestação de serviços a uma sociedade ROC mais de um ano e meio (606 dias) antes de esta ter sido criada. Também a Direcção Geral dos Impostos terá adjudicado a compra de uma envelopadora por 14.450 euros a uma empresa que só foi constituída 15 dias depois", escreve um anónimo aqui no acincotons.

A minha ausência

Tenho andado ausente da blogosfera em geral e do A Cinco Tons em particular.
Existem muitas razões que têm contribuído para isso - mudança de casa, sobrecarga de trabalho, Páscoa fora -, mas a que verdadeiramente tem determinado a minha ausência foi a degradação e o corte de relações com o Meo, que me deixou "isolado do Mundo". Com a celebração de novo contrato com a Cabovisão espero ultrapassar esta situação a partir de amanhã.

Dei um vista de olhos rápida pelos últimos posts e confirmei o que todos já sabíamos - que o grande animador do A Cinco Tons é o Carlos Júlio - e constatei que o compadre Isidoro de Machede decidiu ausentar-se por tempo incerto, farto de ser maltratado por alguns "valentes" anónimos, o que lamento, porque com essa sua atitude fez-lhes a vontade. Verifiquei ainda que, embora ausente, fui objecto de alguma conversa.

O que mais me agradou foi a forma como o 25 de Abril foi aqui assinalado. A forma como estamos a ser governados em Portugal, na União Europeia e em quase todo o Mundo, com a imposição do pensamento único e da ideologia das não ideologias e as diversas limitações à Liberdade e aos direitos sociais, deve fazer-nos reflectir sobre se não estaremos na presença de novos "fascismos" mais sofisticados. Por isso, parece-me que se justifica gritarmos: 25 de Abril sempre! Fascismos nunca mais!

Vitorino Magalhães Godinho: uma figura notável


Toda a vida imaginei que um dia ainda poderia tirar um Curso Superior de História. Não aconteceu. Mas a minha biblioteca está repleta de livros de e sobre História. E desde muito cedo me habituei a ler Vitorino Magalhães Godinho que morreu ontem, apesar da sua morte só hoje ter sido divulgada. Uma vida longa, tinha 92 anos e uma obra notável, sobretudo na análise dos descobrimentos e da expansão portuguesa. Sempre me fez lembrar e sempre o integrei num grupo mais vasto de homens do saber em que se integravam igualmente, embora mais velhos, António Sérgio e Jaime Cortesão, dois dos homens da Seara Nova.

Por estes dias em que se fala de liberdade

Nalgumas escolas do Alentejo, uma equipa multidisciplinar orientada para a saúde pública, está a desenvolver sessões sobre sexualidade.
Quer isto dizer que profissionais de saúde com várias formações (médicos, enfermeiros, psicólogos ou assistentes sociais) se encontram com jovens entre os 13 e 17 anos, no ambiente da escola, para trocarem ideias, perguntas, dúvidas, sobre essa matéria tão relevante que é a sexualidade.
Entre os muitos formatos e estratégias possíveis, sei que é por vezes usada uma bateria de afirmações dirigidas ao grupo, com a presença de duas respostas possíveis, escritas em letra grande e afixadas em cada um dos lados da sala: CONCORDO e DISCORDO.
Entre as frases usadas nestas dinâmicas surgem coisas do tipo “ No namoro não há violência”, a que muitas vezes se segue a reacção “Discordo”.

A iniciativa parece-me de grande utilidade, mas o que considero bom motivo de reflexão é que, neste contexto, perante a afirmação “Os homossexuais são pessoas esquisitas” a resposta é invariavelmente “Concordo”.
Será isto reflexo da intolerância já instalada nas mentalidades jovens, ou a expressão do medo de nós próprios? Do medo do que os outros pensam? Do medo do que os outros pensam sobre o que nós pensamos?
Seja o que for urge questionar. Transformar. Libertar.
E ocorre-me um texto de José Luís Peixoto, no 'Diário de Notícias (2003) em que ele escrevia:
“O pior medo é o medo de nós próprios e a pior opressão é a auto-opressão. Antes de se tentar lutar contra qualquer outra coisa, penso que é importante lutarmos contra ela e conquistarmos a liberdade de não termos medo de nós próprios.”

PS/Beja tem como mandatário Munhoz Frade


A lista do PS às eleições legislativas de 5 de Junho, em Beja, liderada por Pita Ameixa, tem como grande novidade o facto de ter como mandatário Munhoz Frade. Antigo militante do PCP, ex-presidente da Assembleia Municipal de Beja, em dois mandatos pela CDU, a sua "dissidência" política há muito que era conhecida. Munhoz Frade foi um dos mais activos apoiantes de Manuel Alegre em Beja nas duas candidaturas à presidência e esteve ligado à organização de um célebre jantar de renovadores comunistas realizado na capital baixo-alentejana há cerca de dez anos. Esse jantar teve como principais organizadores Munhoz Frade e Lopes Guerreiro, nosso confrade aqui no blog que, pelo que se sabe, tem também "descolado" de algumas das regras partidárias (ainda integra o PCP), mas para o lado oposto: é sabida a sua aproximação, nalgumas propostas, às posições do Bloco de Esquerda.

Hoje em Évora: os relatos de quem esteve preso durante o fascismo


"48"

de Susana Sousa Dias


Sessões às 18h e 21h30

terça-feira, 26 de abril de 2011

Felizmente começa a haver quem chame os "bois" pelo nome


Noticia a agência Lusa que o sociólogo Boaventura Sousa Santos "defendeu hoje que os portugueses deviam recusar-se a pagar a dívida do Estado, evocando o exemplo da Islândia, ao intervir numa conferência promovida pela Associação Abril, em Lisboa".
“Nós não sabemos como chegámos a esta dívida porque ela foi feita nas nossas costas”, argumentou o professor da Universidade de Coimbra, que admitiu, no entanto, que a ajuda financeira a Portugal por parte do Fundo Monetário Internacional (FMI) “é essencial”.
Na sua intervenção, Boaventura Sousa Santos defendeu “uma democracia mais participativa” em que os cidadãos possam ter “mais poder de decisão”, sobretudo no que diz respeito à aplicação de verbas por parte do Governo.
“O cidadão pode e deve ter uma palavra para decidir onde é que o seu dinheiro é aplicado. Se isso acontecesse não tínhamos comprado submarinos, por exemplo”, sustentou.
Boaventura Sousa Santos, que dirige o Observatório Permanente de Justiça (OPJ), foi uma das personalidades recebidas pela “troika” no âmbito das negociações para a ajuda externa a Portugal.

Movimento de precários reúne com FMI



Bem esgalhado! Tudo aqui.

Évora: debate organizado pela CGTP esta 3ª feira no Garcia de Resende

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Histórias de Livros (4): Arte de Furtar


“… A cobiça das riquezas é como o fogo, que nunca diz basta. Quanto mais pasto damos ao fogo tanto mais se acende e mais fome mostra de mais pasto, acrescentando-a com aquilo que a pudera fartar e extinguir… disse lá o outro que cresce a cobiça ao compasso das riquezas, aumentando a fome delas com a posse, que só a poderá satisfazer…”
(arte de furtar - anónimo, séc.XVII – Edições Afrodite)

É assim com as riquezas, é assim com o poder.
Sabendo que nenhuma riqueza é inesgotável, que não há vazio no poder, seria no mínimo sensato não os misturar. Usar o poder para controlar a voracidade dos que existem apenas para acumular riqueza.
Não é isso que se passa, entregamos o poder nas mãos daqueles que sendo ricos anseiam por maior pecúlio e ao fazê-lo abdicamos de nós. Passamos a ser fungíveis, descartáveis, instrumentos de uma estratégia alheia.
Gosto do título “arte de furtar”. Gosto da prestidigitação que “furtar” implica. É um roubo indolor, uma doença terminal que apenas se anuncia quando o destino é já irreversível.
Agora em 2011 olho em volta e entendo tão bem este texto de um anónimo do séc. XVII…
É que as vítimas são quase sempre anónimas.

Miguel Sampaio

Onde pára o Manoelinho?


Confesso que estou preocupado. Cada vez mais. Desde o dia 19 que o Manoelinho, do blogue Mais Évora, não dá sinais de vida. Anónimo, não sei quem é. Mas, enquanto colaborador do acincotons, habituei-me a lê-lo e a frequentá-lo, aqui na porta do lado. Estará doente, terá emigrado, o fisco ter-lhe-à levado o computador por dívidas antigas? Desconheço. O que sei é que só motivos de força maior o levariam a deixar passar este período de Abril completamente em branco no seu blogue, sem uma única referência sequer à data libertadora. Daí que não acredite que tenha ido simplesmente de férias. Terá fugido ao FMI? Será candidato a deputado? Terá ido levar a sogra às termas? Não sei e, por isso, agradeço qualquer informação que nos queiram fazer chegar. Não se dão alvíssaras, mas ficaremos gratos.

Alguma coisa me lembrou a "brigada do reumático"...


... nesta cerimónia do 25 de abril realizada hoje no Palácio de Belém. A "brigada do reumático" era o que, antes do 25 de Abril de 1974, muitos chamavam aos altos dignitários do Estado e das Forças Armadas, já velhos, trôpegos e sem conseguirem perceber o que é que nós, os muito mais novos, ansiávamos e queríamos para o país. Os discursos de hoje estiveram a esse nível. Ocos, vazios, cheios de retórica, mas que nada acrescentam e a nada dão resposta. Ouvi-los falar duma grande unidade nacional ou de maiorias claras é quase risível: há décadas que os partidos representados por este quarteto dispõem das "mais amplas" maiorias e o país está no estado em que está. Mais unanismo? Ou mais criatividade, diversidade e espontaneidade? 
Há quarenta anos as elites do regime não o perceberam. Quase quarenta anos depois as elites da democracia parece que também não percebem. Ou não querem perceber que não é pelos unanismos, pelas unicidades e vozes únicas que se pode construir um futuro diferente, mas sim pela aposta na energia dos mais novos, pela diversidade de opiniões e pela multiplicidade de opções. Um futuro que este quarteto, quer se queira quer não, já não representa.

A liberdade de expressão é uma das grandes conquistas de Abril

Hoje é dia de Circo.
É dia dos palhaços ricos falarem ao país.
É dia dos palhaços ricos se condecorarem uns aos outros.
Santos Silva, Balsemão e quejandos! Vampiros da nossa pátria.
Recordam os ideais de Abril que eles próprios pisaram e desbarataram.
Não reconhecem as mentiras que nos impingiram.
Não se responsabilizam pelos erros que cometeram.
Não devolvem as riquezas que nos roubaram.
Os ricos palhaços ricos, são inocentes e impunes.
Os pobres palhaços pobres, são culpados de tudo, e condenados à exploração e humilhação.

Os ricos palhaços ricos são alheios à crise financeira.
Dizem-nos que a crise se deve a uma obscura calamidade natural. Ou à acção de extremistas, quiçá comunistas ou terroristas...
Repetem as mesmas mentiras que conduziram à ruína nacional.
Pedem confiança em quem nos arruinou.
Pedem que a oposição abdique dos seus princípios, que traia o eleitorado, que apoie o governo a prosseguir a política de palhaço rico.
Apelam ao partido único, e ao fim da democracia.
Pedem calma, e coesão social.
Novamente, pedem que aceitemos os sacrifícios presentes em nome de benefícios futuros.
E pedem que continuemos a acreditar na mentira.

Os palhaços ricos com seus fatos e discursos de lantejoulas, sobem para as tribunas, e pedem aos palhaços pobres que continuem a votar neles, tal como fazem desde o 25 de Abril.


Anónimo
25 Abril, 2011 14:03

À procura de Abril

Por estes dias, abriu em Portimão. o maior centro comercial do Sul do país. Cerca de 1200 novos postos de trabalho. E dizia-me uma jovem empregada: "Em Portimão acabaram-se as desculpas. Só não trabalha mesmo quem não quer".
O rebuliço no AquaPortimão (assim se chama o novo Centro comercial) é, de facto, mais que muito. São milhares de pessoas que por ali passam ou permanecem entre as 10 e as 23horas. Uma outra empregada explicou-me que entre as 10 e as 11h da manhã o movimento era calmo. A partir daí, pelo menos naquela enorme loja, as pessoas acotovelavam-se até à hora do fecho. E parecem contentes os visitantes e os residentes.

Sónia, tem 22 anos e é uma destas jovens que acabou de ser contratada "a tempo parcial", o que quer dizer que trabalha cinco horas por dia. O seu salário base é de cerca de 400 euros mensais. Disse-me que lhe dá jeito este emprego porque tem uma bébé ainda pequena que precisa muito da sua atenção. São deste tipo a grande maioria dos tais novos 1200 postos de trabalho.

Fora do AquaPortimão, na Praça de Portimão, encontro Cátia, uma conhecida de família, um pouco mais velha, mãe de dois filhos. Quando lhe pergunto como está, o que faz, confidencia-me que o que mais lhe interessa é reunir condições para receber o subsídio de desemprego. Porque o que gasta em transportes para ir  trabalhar todos os dias, a juntar ao pagamento das amas dos filhos, é a maior parte dos tais 400, 500 ou mesmo 600 euros que pode receber num qualquer emprego.

De volta para o meu 25 de Abril sonho com uma distribuição mais justa de rendimentos.É para mim claro que os rendimentos de uma iniciativa como o AquaPortimão, permitirá salários superiores aos praticados. Mas em conversa com outras pessoas, registo que continua a dominar a lógica do "antes estes postos de trabalho, do que nenhuns; antes termos onde nos agarrar do que a nada".

Apesar de ser grande a distância, no tempo e no modo, entre as jovens de hoje e as jovens conserveiras que viviam em Portimão antes do 25 de Abril de 1974; apesar das suas condições de vida terem melhorado significativamente...  continua a impor-se a lógica da exploração dos mais frágeis por parte dos fortes - que assim se constituíram pela via do dinheiro, do conhecimento, do estatuto social, (ou da falta deles)  - na sociedade humana. Que estes "mais fortes" assim queiram não me surpreende. Que estes "mais fracos" assim continuem a permitir não pode deixar de me surpreender. E a si?

Porque hoje é 25 de Abril

domingo, 24 de abril de 2011

Por tudo isto o 25 de Abril é uma das datas mais importantes das nossas vidas


Para quem ler este e outros blogues o presente parece negro e pintado de cores de miséria, opressão e ausência total de oportunidades. É verdade. Mas há 37 anos, no dia 24 de Abril de 1974 este era um país muito mais pobre, muito mais triste, muito menos solidário, sem democracia, nem liberdade de expressão, nem quaisquer outras liberdades e quase sem direitos ou garantias. A pobreza era generalizada, a falta de escolaridade também. Quase ninguém tinha reformas e o acesso à saúde era apenas para quem tinha dinheiro. As mulheres estavam sujeitas aos maridos até para abrirem conta  no banco. Sair de Portugal era como sair de um país rodeado de arame farpado. A guerra nas colónias matava centenas e centenas de jovens por ano. A emigração obrigava milhares a saírem a "salto" do país para serem explorados nos bairros de lata de toda a Europa rica. As cadeias estavam cheias de presos políticos, de gente que o regime prendia por delitos de opinião e de organização.
No dia 25 de Abril de 1974 tinha 17 anos e já era politicamente empenhado. Este país, hoje, não tem nada a ver com a miséria triste e salazarenta de há 37 anos. Mas merecíamos mais. Podíamos ter feito melhor e não ter transformado as várias gerações em gerações à rasca. Podíamos ter dito não a todos estes governantes que se têm aproveitado, quais sanguessugas, da criatividade e do trabalho da maioria, para uso próprio e particular. Se hoje o país atravessa a situação grave de crise económica em que estamos isso tem mais a ver com a incompetência e a incapacidade de uma classe política que quase nunca, tirando algumas excepções, tem estado à altura das situações. E que transformou o Estado e o espaço público num autêntico banquete, em que têm "comido" à grande e à fartazana, instalados numa verdadeira rede clientelar de que os dois principais partidos se apropriaram e da qual não querem largar mão.
Mas, mesmo assim, ainda estão longe do caciquismo e da violência fascistas. E, apesar de tudo, este é um outro país capaz de lutar hoje com muitas mais armas e argumentos do que os que tinhamos em Abril de 1974. Até porque quem se acostuma à liberdade não mais a quer deixar fugir. 

As carraças do nosso sofrimento

Começaram a cobrar nas SCUT por causa do défice.
Voltaram com a palavra atrás, como em tudo o que prometem.
Hoje anunciaram que afinal não basta cobrar a passagem nas SCUT. Que é preciso pedir mais empréstimo para pagar aos concessionários das SCUT.
Assim se cobra a todos os portugueses, quer tenham carro quer não, quer passem nas SCUT quer não.
Assim se endivida o país, para enriquecer os parceiros das parcerias e contratos de lesa pátria.
Todos sofremos, menos o capital financeiro.
Todos sofremos, menos as nossas carraças, causa do nosso sofrimento.
E a dívida escondida vai aparecendo, e crescendo...
E faltam as obras da Parque Escolar, os Magalhães, as Fundações, todos os embustes montados pelo "arco da governação" para desorçamentar, e gastar sem controle nem limite.

Anónimo
24 Abril, 2011 15:37

Amêndoas de Páscoa: de revisão em revisão já vamos em 9,1 de défice


E pelo caminho que isto leva o mais certo é que a coisa não fique por aqui. Teixeira dos Santos e o governo parece que não conseguem acertar nas contas, como não acertaram nos PEC (que se prova agora que de nada serviram). O défice de 2010 já vai em 9,1%. E diz quem sabe que há ainda muita conta escondida. Será possível que esta gente ainda se apresente a eleições dizendo que tem soluções para o futuro? E ninguém se escangalha a rir?

Bem vindo Marinho Pinto à abstenção activa



A ideia não é copiar Manuela Ferreira Leite com o dislate da suspensão da democracia por 6 meses, mas sim dar conteúdo à democracia e torná-la mais participativa. A abstenção activa pode ser o caminho para dizer que estamos fartos destes políticos e destas políticas. Não é greve à democracia. É greve a um sistema que já não representa a esmagadora maioria dos cidadãos. Ou melhor: não indo às urnas afirmamos duma forma bem clara que não queremos nem deixamos que falem em nosso nome.

Quem é Quem é

De férias nem todos!

ELES ANDA N' AÍ!

Esperem pelo S. João!

Nem Sant' António nos vai valer!

Agradeçam ao:
Sodomita dos sodomitas
ovelha negra
cão de Nisa
ratazana do Rato
alarve
traidor dos Portugueses
energúmeno dos piores
sanguessuga do Povo


Anónimo
23 Abril, 2011 20:19

sábado, 23 de abril de 2011

Boa Páscoa

(Foto Dores Correia)

Férias, crise, crises, dívidas, fmi, eleições, desgovernos, troicas.  São as palavras repetidas na comunicação social destes dias, neste país.
Mas com elas, coexistem outras realidades, no mesmo tempo e território. Como a desta mulher que encontrei há dois dias, quando  fazia ela uma incursão numa estrada  de quatro faixas entre Mirando do Douro e Bragança.
Ela, os seus dois burros e quatro vacas encheram então a estrada, antes com pouco trânsito, com a naturalidade de um gesto quotidiano. Saída da terra vizinha da estrada, aproveita o troço que lhe surge caminho, até ao seu destino.
Não sei da sua vontade, dos seus medos ou desejos. Mas confirmei que, por estes mesmos dias de férias, de crise, dias há mulheres na minha terra, que provavelmente não usam tais palavras, e percorrem os seus dias com cores e gestos bem distintos das que encontramos à janela das televisões ou da net.
... Os poucos automóveis iam-se encostando à berma, esperando  que ela passasse, pacientemente, como se o respeito se impusesse.
Boa Páscoa para todos, mulheres e homens desta terra!

25 de Abril em Évora (faltam as muitas iniciativas particulares...)

Novos hábitos de leitura


Em plenas férias da Páscoa (que mobilizam milhares de fiéis e de menos fiéis, como comprova o "ar parado" dos blogs nesta época, como bem notou a alentejana) a notícia de que, em Fevereiro, a venda de e-books ultrapassou nos Estados Unidos a de livros de bolso passou um pouco despercebida. No entanto, é um sinal evidente de que os hábitos de leitura estão, de facto a mudar e a transferirem-se do papel para o suporte digital, como já antes tinha acontecido com os jornais que hoje têm, regra geral, mais leitores na internet (quando o acesso é livre) do que na edição impressa. Os novos ipad's começam também a ser uma ferramenta bastante comum, podendo vir a substituir, no futuro, com vantagem, os actuais portáteis. Ou seja: está a verificar-se uma autêntica revolução nos suportes habituais de transmissão de informação e de cultura, como já antes tinha acontecido com a invenção da imprensa, da rádio ou da televisão. Mas, dito isto, convém também dizer que, embora apareçam novos suportes e se transformem em dominantes num dado momento, todos os outros suportes se mantêm e, regra geral, não se extinguem. Especializam-se e conquistam nichos de mercado, como é o caso, por exemplo, da rádio que ainda é imbatível quando se conduz, por exemplo. Por isso, as notícias de que um novo suporte conquista mercados antigos não quer dizer que não haja possibilidades de diversificar e rentabilizar os velhos suportes: sejam os impressos, sejam os audio-visuais. É preciso é imaginação e não confiar nas velhas fórmulas. No novo é sempre mais fácil encontrarem-se soluções.

Com votos de "boa e santa" Páscoa


Fosse a menina dos meus olhos puta
e fornicara com as televisões
as duas novas da greta e da gruta
e as duas velhas pelas mesmas razões

rectangular e omnipresente nesga
que tem pra tudo as melhores soluções
fosse a menina dos meus olhos vesga
logo lhe dera as suas atenções

ai fosses tu menina dos meus olhos
com teus lacinhos e caracóis
a inocência vai nos entrefolhos
e fica a pátria amada em maus lençóis

entram pelas casas sem ser convidados
tempos de antena e outros futebóis
ficaram todos mais bem informados
opinião pública dos o...rinóis

são cus e mamas a dançar de gatas
mailas gravatas dos seus figurões
as euforias ficam mais baratas
e domesticam-se as excitações

pobre menina ficas à janela
depenicando as tuas distracções
lavas a loiça fazes a barrela
mas essa merda não cede às pressões

os antropófagos das nossas dores
tomaram conta da aldeia global
fazem milhões a converter horrores
em audiências de telejornal

o insuportável torna-se rotina
e a realidade já é virtual
a dor da gente é inesgotável mina
que lhes rentabiliza o capital

as reportagens e as telenovelas
juntam os trapos pezinhos de lã
com a verdade ali a olhar pra elas
histórias da civilização cristã

já não é sangue o líquido vermelho
que nos reserva o dia de amanhã
e tu menina vais-te vendo ao espelho
e sofres dos dois lados do ecrã

noventa e quatro chegou à cidade
noventa e oito está quase a chegar
fez vinte aninhos a nossa liberdade
já é bem tempo de a desvirginar

e se o dinheiro não dá felicidade
televisões bem a puderam dar
talvez que para manter a sanidade
eu chegue ao ponto de ter que cegar

e a menina dos meus olhos há-de
conseguir ver para além do meu olhar

José Mário Branco