quinta-feira, 31 de março de 2011

Silêncio



Vão começar as pregações das eleições.
Depois, irão acabar.
Fica o silêncio…
É no silêncio que a mente repousa e decide.
É na ausência…
É no silêncio que a mão põe a cruz.
É no silêncio!

J. Rodrigues Dias
Évora, 2011-03-31

Com o país neste estado, a nossa grande sorte é termos políticos sérios...


Olha, já aí vem outra vez o carrossel eleitoral

(Foto ionline)

Os que gostam de festividades do género já há semanas que andam empolgados, de caneta em punho a contratar novos e velhos reforços para a época que se avizinha. Outros acham que isto do papelinho na urna vem "refrescar" a política nacional. Outros ainda acham que vai ficar tudo como dantes (ganhe quem ganhar), porque quem manda cá é a tal de senhora Merkel e nessa (ou contra essa) a gente não pode ainda votar.
Há uns anos, enquanto o pau ia e vinha, folgavam as costas. Agora nem isso. Fica a convocatória presidencial: a 5 de Junho há eleições legislativas. E a ideia também presidencial (e já lá vão duas) de que, após as eleições, é necessário um consenso alargado entre as diversas forças partidárias (que para aí estejam voltadas, é claro).

Mais um DA

a importância maior do vazio

Reunimos trinta raios e chamamos-lhe roda,
Mas é o espaço onde não há nada de que
Depende a utilidade da roda

Moldamos o barro para fazer um jarro,
Mas é no espaço onde não há nada de que
Depende a utilidade do jarro

Abrimos portas e janelas para fazer uma casa,
Mas é no espaço onde não há nada de que
Depende a utilidade da casa

Portanto, tal como nós aproveitamos do que é
Deveríamos reconhecer a utilidade do que não é.

                                                                                                   Tao Te Ching
                                                                                                   (604-517 a.c.)


O alvoroço da cultura (3)

3. Os políticos, os agentes e a confusão dos papéis

É frequente que as instituições públicas (estado central, direcções regionais, autarquias, etc.) se substituam aos agentes culturais: são elas que se tornam organizadoras e produtoras das actividades concretas: concertos isolados ou ciclos de concertos, “temporadas”, exposições, etc. A confusão dos papéis pode parecer benigna, mas não o é de modo algum. Em vez de decidir de programas de acção e publicar apelos a projectos orientados para certos fins por elas (legitimamente) decididos, dando aos agentes culturais a responsabilidade da realização no terreno, as nossas instituições tendem a substituir-se a estes, confundem o seu papel político com o papel do produtor, do criador, em suma do agente cultural.

O que parece ser mais difícil aqui em Portugal (Évora incluída…) é pensar o lugar que cada actor deve ocupar. Existem de facto pelo menos três níveis, ou figuras distintas: o político, o produtor e o criador. O político tem, pelo menos em princípio, legitimidade para fixar orientações; o produtor, para organizar a criação e a difusão; o criador… para criar, propor novos conceitos, acções, realizações.

O papel do político parece óbvio, mas não é. Fixar orientações, prioridades, é o seu papel. Mas o político não deve fazer “programação”, deve pelo contrário abrir concursos para que os agentes competentes para essa tarefa proponham produções que respondam e correspondam às orientações gerais que o político formulou. Sendo o concurso aberto a todas as estruturas de produção, o político tem autoridade para instituir os procedimentos de selecção das propostas. São as propostas seleccionadas que constituem o “programa” anual, ou plurianual da instituição política. Ora, é raro (quase impossível) que esta tenha competências em todos os domínios artísticos implicados pela proposta (conhecemos por aqui exemplos de propostas musicais “avaliadas” por grupos ad hoc de pessoas, das quais nenhuma é música, e noutros domínios artísticos acontece o mesmo). É aqui que surge o papel dos júris de especialistas da matéria criativa, instância que organiza e confere legitimidade às decisões políticas. A escolha final é (com todo o direito) decidida pelo político, mas não só por ele, nem pela “estrutura” (os “técnicos”, funcionários, apparatchiks…). Quando a mediação externa é ignorada, o resultado é o favorecimento de capelas e clientelas instaladas, o arbitrário.

Mediações: É claro que para certos eventos, que exigem competências especiais, o político nomeia por vezes um “curador” (“curator”, “Kurator”) ou um “comissário” que dirija e desempenhe o papel de programador, no que é assistido por, ou recorre a produtores: exposições importantes, festivais, etc.

Mas dum modo geral, o político não “programa” (escolha dos criadores participantes) nem é “curador” do evento. Nesta óptica (largamente praticada na Europa), o que o político perde em poder concreto sobre a realização, ele ganha-o em capacidade de orientação geral: tem menos “o nariz no prato”… e ganha uma visão de conjunto e tempo para pensar na etapa seguinte.

O sentido da necessidade desta separação dos papéis falta cruelmente em Portugal. O efeito mais óbvio da confusão que daí resulta é que as estruturas públicas tendem a consumir elas próprias os (parcos) orçamentos consagrados à acção cultural, sem deixar espaço aos agentes. Decerto, ao proceder deste modo, pretende-se justificar a hipertrofia das administrações, e mostrar “obra feita”: o estado (central ou através das suas administrações desconcentradas, as autarquias, etc.) tenta justificar os meios consumidos mostrando, não a clarividência das orientações que elaborou, a excelência dos procedimentos de gestão dos subsídios, mas as suas próprias realizações… artísticas.

Acresce que se verifica por vezes uma lamentável confusão, no limite (aquém, ou além dele) do conflito de interesses, quando os magros subsídios são concedidos a agentes que realizam projectos dirigidos ou co-dirigidos por membros do pessoal da instituição pública. Deste modo, fica completa a demonstração pelas estruturas, de que podem funcionar de modo totalmente solipsista: não precisam do país e tanto os agentes culturais como os criadores são melhores quando aceitam ser os seus soldadinhos de chumbo ou executores de programas de agit-prop decididos pela hierarquia.

Em todos os casos, para além da escassez absoluta dos meios, tanto a hipertrofia das estruturas como a confusão de papéis são causas de uma situação da cultura que em Portugal hoje pode considerar-se como sem futuro: ou se o tiver, tem que ser inventado.

(O alvoroço da cultura (2) pode ser lido AQUI)

José Rodrigues dos Santos 
Antropólogo, Évora. 
jsantos@uevora.pt

quarta-feira, 30 de março de 2011

O alucinar do leitor no momento do folhear...


(o real peido do Fhillip e o regalo do neto)

Adquiri hoje um matutino pelo qual, de vez em vez, desembolso umas piastras. Tiro e queda: Camila repete roupa em Lisboa; a Duquesa da Cornualha escolheu para usar na sua visita a Lisboa uma indumentária que já tinha vestido há quase dois anos, numa visita oficial à Alemanha. Guarda de honra desmaia na visita de Carlos e Camila.
Porventura, o magala ficou impressionado com o facto de à moça qualquer trapinho lhe ficar bem?

Recordo-me de uma charla que o rei Farouk terá dito, em 1952, quando apeado pelo oficial livre Nasser: No ano 2000, existirão apenas cinco monarquias; o rei de espadas, o rei de ouros, o rei de copas, o rei de paus e a rainha de inglaterra.
Enganou-se o Farouk, tronos são o que não falta por esse mundo fora. Quiçá, a monarquia inglesa tem o condão de continuar a motivar e enternecer as hostes, nem que seja pelos trapinhos da consorte do vindouro eco-monarca ou pelo peido real.

Esta noite cinema em Évora

BIUTIFUL -Quarta-feira, 30 de Março, 21,30 H - Sessão no Auditório Soror Mariana

Ângelo de Sousa (1938-2011)

Um artista extraordinário.

Percursos alentejanos

sensibilizar



"Sensibilizar é uma arma do jornalismo"
afirmou o jornalista Adelino Gomes no momento da entrega do prémio.
Sensibilizar para os objectivos do milénio é uma tarefa iniciada por muitos, nomeadamente pelo jornalista Carlos Júlio, hoje premiado por isso.

E nós? Somos sensíveis?

terça-feira, 29 de março de 2011

Carlos Júlio: prémio reportagem

Carlos Júlio recebe esta tarde o prémio “Jornalistas pela Igualdade, Saúde, Cidadania e Desenvolvimento” pela sua reportagem "Sida na Guiné Bissau".
Jornalista da TSF - activista deste blog -, Carlos Júlio esteve no ano passado na Guiné e em Cabo Verde onde fez reportagens sobre o combate que estes dois países de expressão portuguesa travam contra o HIV/Sida.

O júri foi presidido pelo jornalista Adelino Gomes.

O prémio “Jornalistas pela Igualdade, Saúde, Cidadania e Desenvolvimento” tem como objetivo “distinguir jornalistas cujos trabalhos se tenham destacado na promoção do conhecimento, informação e sensibilização sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) cuja consecução está menos conseguida, como a promoção da igualdade de género e o empowering das mulheres, a redução da mortalidade infantil, a melhoria da saúde materna e o combate ao VIH/Sida, entre outras doenças.”

Este prémio é promovido pela Associação para o Planeamento da Família, a Associação das Nações Unidas - Portugal, o Conselho Nacional da Juventude, o Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a População e o Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento e no âmbito do projecto Roteiro 3456: Saúde, Igualdade e Desenvolvimento.

De entre as mais de três dezenas de trabalhos o júri decidiu atribuir o primeiro lugar à reportagem de Carlos Júlio.

O prémio será entregue numa cerimónia a realizar no final do colóquio “Os Direitos Humanos na Ordem do Dia” que decorre a esta hora (16:15) na Assembleia da República.

Mais dados e reportagem para ouvir aqui.

P.S. - Embora já o tenha feito pessoalmente, deixo aqui também as minhas felicitações e parabéns. O que ainda não disse, mas agora escrevo é que fico à espera de mais! E de uma bela imperial!

Fumo vagarosamente a noite


Quatro e trinta da madrugada. Fumo vagarosamente a noite. Aclara-me a mente, uma luz crua e expurgada. Com o benigno e o maligno da vida desenhado límpido na sombra. Como se o talhe da silhueta fosse o arquivo do meu passado. Só agora noto, como o recorte é um ajuizado repositório do caminhado, num galope desenfreado.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Souto quem? O das piscinas da Amareleja?

Duas casas unifamiliares, em Ponte de Lima.
Arq. Eduardo Souto Moura, 2001

Começou por ser notícia. Agora, nos noticiários da noite é avalanche, quase um tsunami. Concordo que o Pritzker é um prémio importante e o facto de Souto Moura o ter ganho merecidamente também. Até porque (que me perdoe uma vez mais o Santiago Macias pelas referência) o homem já merecia: fez o projecto das piscinas da Amareleja e almoçou no Bomba. O que dirá disto o Tonico Rações?

Este novo vídeo do Japão é impressionante

Ajustes directos mais altos


A crise faz-nos lembrar as prostitutas. Vai para a cama com quem lhe paga.
O Governo aumentou os montantes que podem ser gastos por ajuste directo e sem concurso público.
Ministros, autarcas e directores-gerais, a partir de Abril estão autorizados a gastar mais dinheiro, por ajuste directo. No caso dos presidentes de câmara, o montante pode chegar aos 900 mil euros (até agora o máximo era 150 mil).
Se houvesse moralidade, tal lei nunca seria publicada. Ela acaba com o mecanismo do concurso público e, por isso, da concorrência e da diminuição dos custos, já não falando da sua transparência. Isto favorece o amiguismo, a dependência dos prestadores de serviços e lança a suspeita se os favorecidos não terão de acrescentar aos custos o que vão dar por fora (para campanhas eleitorais ou outras)
É uma lei que nada tem a ver com o espírito de resolução da crise, favorece a ligeireza nos gastos com o dinheiro dos contribuintes e não estimula a luta contra a corrupção.

Anónimo
28 Março, 2011 10:52

O BPN custou-nos 13 milhões de salários mínimos



Acção surpresa de um grupo de jovens em várias cidades portuguesas esta noite. A acção foi assim explicada:

Quem somos

Não importa quem somos, mas aquilo que nos junta. Somos gente farta da falta de oportunidades e cansada do discurso mentiroso que afirma «não há outro caminho». Somos gente cujo investimento e sacrifícios dos pais na nossa educação resultou em desemprego e precariedade e ofende-nos ouvir dizer que a culpa da nossa precariedade é dos direitos que a geração deles conquistou. Somos gente que defende o trabalho digno e com direitos, independentemente da idade e habilitações literárias. Somos gente que está farta de ter a vida congelada e o futuro, nosso e dos nossos filhos, adiado. Porque não nos resignamos, protestamos. Exigimos respeito e reclamamos o direito à dignidade e ao futuro.
Ao que vimos

Vimos dizer que não nos comem por parvos. Não aceitamos o discurso que nos impõe a precariedade como forma de organização do trabalho. Desconfiamos de quem nos diz que «tem que ser assim» e «este é o único caminho» acenando com a chantagem da falta de patriotismo. Este país também é nosso e temos direito a cá viver e trabalhar. Exigimos pluralidade de opiniões porque sabemos que é nesse confronto que se encontram caminhos. Não aceitamos o pensamento único e sabemos que chegámos até aqui porque foram feitas escolhas: decidiram converter as pessoas em clientes e contribuintes. Nós dizemos que essas escolhas são erradas.
Porquê o BPN

Quando falamos do buraco nas contas públicas deixado pelo BPN referimo-nos a cerca de 6500 milhões de euros, ou seja, a mais de 13 milhões de salários mínimos, mais de um salário mínimo por cada habitante deste país.
A Caixa Geral de Depósitos enterrou directamente no BPN cerca de 4600 milhões de euros, a somar aos 2000 milhões de euros em imparidades (activos tóxicos), o que perfaz cerca de 4% do PIB. Explicitando: este valor assemelha-se ao encaixe total que o Estado português prevê fazer com o plano de privatizações. Dito de outra forma, assemelha-se ao valor previsto pelo plano de austeridade de 2010, em que para o cumprir foram necessários os PEC, mas também o fundo de pensões da PT, no valor de 1600 milhões de euros. Este é o valor da factura que todo nós estamos a pagar.
Quase três anos após a falência do BPN, podemos dizer que aquilo que estamos a pagar é a fraude,a promiscuidade entre a política e a finança, a cumplicidade e a troca de favores, os offshores, a evasão fiscal. Enfim, estamos a pagar o preço de um crime que não cometemos.
O caso BPN configura o processo de desagregação do Estado democrático, onde se salvam os accionistas e as entidades reguladoras, onde se escolhe salvar os activos nacionalizando os prejuízos à conta dos impostos que pagamos. O caso BPN diz-nos que em Portugal a fraude compensa e, quando esta vence, a democracia perde. Portugal está transformado num país onde há Estado máximo para alguns e Estado mínimo para quase todas as outras pessoas.
Quando nos dizem que o tempo é de sacríficios , sabemos que a sua distribuição não é justa nem democrática. Quem escolhe salvar Bancos para salvar amigos legitima a corrupção. Para o fazer, corta onde é mais necessário: nos serviços públicos e nas prestações sociais.

Não nos falem de austeridade, falem-nos de justiça.

Uma das medidas anunciadas de Passos Coelho é privatizar as Águas de Portugal *

Há dias recebi um contacto telefónico da EDIA. Um dos seus técnicos identificou-se como estando a trabalhar para a empresa Águas de Portugal e disse-me ao que vinha: a Câmara de Odemira há anos e anos que capta água num terreno, junto às Fornalhas-Velhas, que era do meu pai. Segundo o mesmo técnico, a captação de água vai passar agora a ser feita pela nova empresa Águas do Alentejo, mas que esta não via grande interesse, dado ter efectuado outros furos mais produtivos, em continuar a captação a partir dali, mas que para a cancelar teria que ter um documento assinado por nós, onde se autorizava a captação, uma vez que com a Câmara de Odemira todos os contactos tinham sido verbais. 
Horas depois o formulário chegava via mail. E aí constatei que o que se pretendia era mesmo autorizar formalmente a continuação da captação, agora directamente à Águas do Alentejo, sem qualquer tipo de contrapartida pela utilização do terreno. Recusei assinar o documento e expliquei que uma coisa era a nossa relação com a Câmara de Odemira, que era eleita com o voto directo dos cidadãos e que não tinha objectivos de lucro, outra com uma empresa que desconhecíamos totalmente, como é o caso das Águas de Portugal ou do Alentejo, e que enquanto empresa visa o lucro e que, por isso, teríamos que negociar primeiro as contrapartidas devidas..
No dia seguinte recebo nova chamada, duma funcionária, que também se identificou como da EDIA, trabalhando para as Águas de Portugal. Disse-me que a empresa compreendia a minha posição, que as Águas do Alentejo estavam interessadas em continuar a usar aquela captação e que estavam dispostas a negociar contrapartidas, como a compra daquela parte do terreno ou o pagamento duma renda.
Para mim ficou claro que o primeiro contacto se destinava a que eu assinasse, à pressa e sem mais perguntas, a declaração que permitiria às Águas do Alentejo continuarem a utilizar o terreno em que o furo se encontra sem nenhuma contrapartida. O que, aliás, deve estar a acontecer com muito boa gente. E as Águas do Alentejo andam a esconder que,  apesar da água ser um bem público - e ainda bem! -, os terrenos onde os furos e as estações de tratamento se encontram são particulares e que o seu uso implica que se negoceiem contrapartidas.

* Ler Aqui

O discurso crítico também se constrói com pequenos gestos



Resposta ao governo por baixar o IVA para 6% no que aos tacos de golfe diz respeito.

domingo, 27 de março de 2011

Porque teremos que viver sempre à rasca?


Curioso!!!! Não concordo, simplesmente não concordo!! Talvez por ser de uma família "remediada". Pois lembro-me de em pequenina, já sentir os meus pais à rasca, lembro-me como se fosse hoje. A minha mãe comprava uma maçã, ou uma laranja, ou então na época dos morangos, o meu pai lá trazia uns tantos numa saquinha de plástico que comprava nas vendedeiras de rua. Iogourtes, qual quê!!!! Aos 17 anos já tinha um part-time, onde ganhava uns escudos, para mim. Cheguei a vender roupa que ia buscar a uma fábrica..... Nunca soube o que era viver sem dificuldades económicas. Casei e lembro-me que no meu primeiro Natal,já eu estava grávida da minha filha e não houve presentes, estávamos no início de vida conjugal.... realmente só me senti com menos dificuldades, quando consegui conciliar o meu emprego com um part-time...mas até isso nos foi vedado e reconheço que se a mim me fazia feliz, as crianças que usufruiam desse apoio, eram também mais felizes!!!! Sim, sempre tirei a mim, para dar aos meus filhos e não me arrependo, já a minha mãe o fazia e foi esse o exemplo que tive. Pergunto agora se não é normal que um pai/mãe, queira o melhor para os seus filhos e este melhor seja proporcionar-lhes bem estar....porque teremos que viver sempre à rasca, para outros viverem sempre "à grande e à francesa" ???!!!!!

Ana
27 Março, 2011 21:31

Tertúlias da República: depois da Música, a do Teatro


Esta segunda-feira realiza-se, em Évora, a segunda Tertúlia da República, desta vez dedicada ao Teatro. O debate acontece no Salão Nobre do Teatro Garcia de Resende, pelas 18.00h e tem como participantes Luis Francisco Rebelo e Ana Isabel Vasconcelos. A moderação será de Rui Pina Coelho. Haverá também leituras de animação de textos da época feitas por actores do CENDREV (textos de Ernesto da Silva, Manuel Laranjeira, Coelho de Carvalho, Joaquim Madureira e Bento Faria). 
Coorganização: CME, CENDREV, Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras de Lisboa. A não perder.

As televisões falam de violência. Os manifestantes de flores.


(Oxford Street, Londres, a 26 de Março Via http://www.facebook.com/#!/profile.php?id=1492940878)

Mais de 250 mil pessoas participaram neste sábado em Londres de um protesto contra os cortes de gastos e as medidas de austeridade promovidas pelo governo britânico, no que é considerado o maior protesto ocorrido no país em oito anos. (bbc)

E gostar é mesmo assim, não é?


o livro vale a pena ser lido.
em relação ao Bento...
proporciona debate, confronto de ideias, distintas perspectivas... esforça-se por sobreviver em tempos difíceis, numa área complicada, numa cidade ainda fechada ao debate...
eu não sou a pessoa certa para falar do Bento, porque sou amigo, porque gosto muito dele e porque participo no seu esforço de proporcionar esta simples mensagem que é: estou a marimbar-me para grupos, grupinhos ou grupelhos que se foram institucionalizando nesta terra... ofereço alternativas; quem quiser que as aproveite.
Não sei se este esforço compensa, mas todos os meses, na ler com prazer, as portas estão abertas ao debate, sem reservas, apenas porque é bom pensar, pensar-mo-nos.
todos os meses somos únicos, porque existe uma porta que se abre ao confronto, às ideias, às diferenças que nos põem em causa.

MS

27 Março, 2011 02:18

sábado, 26 de março de 2011

sexta-feira, 25 de março de 2011

Candidaturas à Assembleia da República

Os restantes candidatos não reuniram os requisitos necessários pelo que foram excluídos.

Política & futebol: dúvidas & dívidas


a agenda mediática do país está dominada pelas dúvidas. pelas dúvidas das dívidas, ou mais precisamente, de como pagá-las. um estado, o nosso, que tem uma 'conta de exploração' deficitária, ou seja, aquilo que o país produz num mês não é suficiente para as despesas que ocorrem nesse mesmo mês, vê-se nos próximos três meses, entre 11 de Abril e 11 de Julho (fonte: o 'público'), a ter que pagar aos seus credores externos a módica quantia de 14.658 milhões de euros entre amortizações de empréstimos obrigacionistas contraídos e os juros decorrentes desses mesmos mútuos no plano desportivo, embora no caso circunscrito a um único clube, o 'sporting', também subsistem as dúvidas.

e de novo as dúvidas das dívidas.

qual o candidato capaz de assegurar o pagamento das dívidas à banca ao mesmo tempo que se vê obrigado a pagar uma outra enorme dívida: aquela que os dirigentes do clube contraíram nos últimos anos para com os seus sócios, adeptos e simpatizantes, no que concerne ao tremendo déficit de resultados desportivos em que o emblema leonino tem vivido?

não comparando o incomparável parece-me contudo avisado reconhecer que os portugueses no geral e os sportinguistas em particular atravessam um momento de grandes dúvidas: como saldar estas dívidas?...

Anónimo
25 Março, 2011 16:20

para que serve a cultura?

Na imagem “O Carnaval do Arlequim” (1924-5). Trata-se de uma notável pintura do artista catalão Joan Miro. Segundo o próprio Miro, a tela revela de forma inconfundí­vel o seu estilo pessoal. Para pintá-la, afirma que fez inúmeros desenhos, nos quais exprimia as suas alucinações provocadas pela fome.(Daqui)

Um amigo ofereceu-me um livro que começa assim:

“Aquilo que é importante, parece-me, não é tanto o defender a cultura, cuja existência nunca impediu um homem de passar fome, mas sim o extrair daquilo que se chama cultura, ideias cuja força motivadora seja idêntica à da fome”

A citação é de Antonin Artaud  e vem à boca do clássico "A fome" escrito por Knut Hamsun, prémio Nobel em 1920.

Amor é fogo que arde sem se ver....


(cortesia M. Sampaio)

O meu acontecimento da manhã


Liguei para a CME pelas 11h, na tentativa de obter uma informação no Arquivo Documental. Como ninguém atendia eu desligava e voltava a ligar. Durante largos minutos a esforçada telefonista ia passando de extensão para extensão na tentativa que alguém atendesse e eu treinava o desliga e liga outra vez. Não conseguimos. Então eu comentei "qualquer coisa" como a má imagem que a situação transmitia, ao que a esforçada telefonista condescendentemente me respondeu "qualquer coisa" como "sabe... hoje estão a efectuar pagamentos".
Enfim, parece que só as SENHORAS TELEFONISTAS da CMÉvora é que trabalham, o que certamente não é verdade, há muitos e bons trabalhadores, e até as ausências podem ser justificadas. Não conheço nenhuma das telefonistas, mas sempre demonstraram simpatia, gentileza e esforço cada vez que necessito de recorrer aos seus serviços. Afinal nem tudo está assim tão malzinho e as pessoas tb tem direito de se ausentar do seu posto de trabalho. O que não foi agradável para mim foi terem-se ausentado todos ao mesmo tempo.

feliciano de mira

Sporting: alucinação total (Futre, o que é que pões no café da manhã?)

acontecimento do dia (2): o disparate completo


As ordens que nos deram para a cerimónia (ver aqui):
Proibidas calças de ganga, sapatos de ténis, camisas fora das calças e devemos usar roupa escura.
Não podemos fazer pausa para almoço porque não nos querem ver a introduzir alimentos na cavidade bocal.
Como se estar a falar ao telefone atrás de um biombo exigisse uma indumentária especial! Só nos é permitido produzir!
Vamos ter de estacionar a quilómetros de distância porque 100m2 são para as visitas!
Enfim, a tristeza do país dos dirigentes pacóvios que temos.
É assim que o país se vai desenvolver?
É assim que trabalham as empresas mais produtivas do mundo como a Google?

Anónimo
25 Março, 2011 09:31

Poema de Camões para MST

Outro dia houve alguém que aqui se insurgiu contra a forma como se criticava Miguel Sousa Tavares. Não me recordo bem, mas a frase sublinhava o baixo nível a que este país tinha chegado para se "dizer mal" de uma das suas mais inteligentes e íntegras figuras.
No próprio dia não consegui responder, porque de tanto rir tive uma dor de barriga que não consegui escrever nada. Hoje também não me apetece escrever sobre essa enorme personalidade, mas passo a demonstrar o que penso de tal figura:

acontecimento do dia (1): "inauguração" de call center em Évora


É uma vergonha...
Em Évora existe um call-center que explora os jovens alentejanos, com contratos precários... há muitos anos... usando-se o sistema de rescindir com uma empresa e fazer contrato com outra.
Trabalhamos com todos os sistemas informáticos do grupo caixa seguros, Império Bonança, Fidelidade Mundial e Multicare, mas não temos o direito a receber um preço mais justo pelo nosso trabalho, tal como os funcionários das Companhias?
Quando contactamos os clientes das Companhias é como se fossemos funcionários destas Companhias, mas para recebermos ordenado já não nos identificamos como tal.
Limitamo-nos a receber entre € 400,00 a € 500,00 e somos tratados como máquinas, pior ainda… pois quando os computadores não funcionam, não existe remédio… quando estamos a precisar de ir à casa de banho, já temos tempos estipulados e a correr depressa.
O Call-center já funciona há muitos anos, muitas empresas passaram e muitos “escravos” ficaram…
Agora que mudaram a gestão do Call Center, para uma empresa de escravatura dos tempos modernos, denominada Redware, do grupo Reditus, decidiram inaugurar… vejam lá… inaugurar o Call Center, que devia-se chamar Senzala.
Este grande acontecimento vai acontecer esta sexta.feira, dia 25 de Março, e vai ter direito à visita do Secretário de estado para a inovação Carlos Zorrinho, do Presidente da Câmara de Évora José Ernesto Ildefonso Leão de Oliveira, do Presidente da Caixa Geral de Depósitos Fernando Faria de Oliveira, do Presidente das Companhias de Seguros do Grupo Caixa Seguros Jorge Magalhães Correia e as suas comitivas.
E pergunto-me vão inaugurar o quê, mais uma fase da exploração de pessoas, que têm que se sujeitar às condições destes empregos porque não existe mais nada?
Mas não somos pessoas?
Não devíamos ter direito a usufruir de condições mais justas pelo nosso trabalho, para termos direito a viver?
Até quando é que o nosso Pai, a nossa Mãe, o nosso Tio, a nossa Tia,… poderão ajudar-nos?
Mas depois é ver a publicidade destas empresas, em que parecem todos bons rapazes e muito solidários, eis um exemplo: http://www.gentecomideias.com.pt/gentecomideias/Pages/MensagemdoPresidente.aspx
Sr. Presidente da Câmara, tenha vergonha em pactuar com esta forma de escravatura… ponha a mão na sua consciência, isto se ainda a tiver…

Anónimo
24 Março, 2011 23:56

quinta-feira, 24 de março de 2011

Zangarelhos & imaginação



Mal batam as cinco da tarde de amanhã, em Portugal, as lojas abonadas pela Apple começam a vender o iPad2. Não é preciso dormir ao relento para bichar, o stock já está comprometido. A reposição está, igualmente, reservada. O Bill Gaitas agradece o frenesim e os lógicos depósitos!

Em África, dia após dia, o puto busca o arame e mais alguns desperdícios, que para ele não o são. Depois imagina, constrói e brinca, ele e os amigos, com a Harley Davidson, no meio de um prazer pasmoso. Alguns brinquedos, ainda lhe rendem uns patacos ajustados com os viajantes embasbacados.

1ª página do Diário do Alentejo: 1509

Será que nos livrámos disto?

Correio Alentejo: 5 anos a noticiar o Baixo Alentejo

Faz hoje precisamente cinco anos que nascia em Beja "O Correio Alentejo", um novo semanário disposto a romper o cerco que o bem apoiado, mas jornalisticamente sempre limitado (devido aos compromissos partidários), "Diário do Alentejo" fazia a todos os novos projectos que ao longo dos anos foram aparecendo no distrito. António José Brito, que  anteriormente fora responsável por diversos projectos jornalísticos, desde a Rádio Castrense, ao "Topo Sul", "O Campo", "Imenso Sul" e na própria direcção do "Diário do Alentejo", soube estar à frente de uma pequena equipa e construir, degrau a degrau, um semanário que , apesar das inevitáveis dificuldades, está implantado, tem qualidade, prestígio e leitores. Ao António José Brito um abraço de bom aniversário e de continuação de um projecto hoje tão necessário como há cinco anos atrás.

Évora: amanhã mais um jantar temático no "Sobreiro"


(clique para aumentar)

no momento que passa


Aqui no reino da estupidez
quem pensa o que sente
quem sente o que pensa
quem pensa o que vê?
a decadência impera
o fatalismo grassa
a insignificância cega
na busca do poder
a paródia escandaliza
a letargia fascina
na procura da mentira
que o outro poderá ter dito
o que foi comanda o desmando
em que o não ser domina

Margarida Morgado
Évora, 19/09/2010

Hoje na Biblioteca Pública de Évora

À noite
Teatro de Marionetas Convivências
Com Francisco Obregon
Hoje e 25, 26 e 31 Março e 01 e 02 de Abril, às 21h30
Público: Maiores de 12 anos
Reservas para o nº 266744403/965529612

Ao fim da tarde
Hoje, quinta-feira, às 18h00

ZAMPADANÇAS – DANÇAS DO MUNDO
Apresentação do livro e Oficina de Dança

Público: Famílias com crianças a partir dos 4 anos
Nº de Participantes: até 20
Preço: Entrada livre mediante inscrição prévia
Inscrições: Tel. 266 769 332 ou ficha de inscrição em www. http://www.evora.net/bpe

"Zampadanças", é um livro de danças do Mundo, para pais, educadores e crianças, que convida todos a reunirem-se à volta de um livro com muita música e imagens para descobrirem as receitas de um cozinheiro que descobriu a dança no meio de ingredientes e utensílios de cozinha. De receita em receita, vão-se aprendendo passos e formas de dançar “sabores” do mundo. Uma edição com muito alimento e movimento para todos.

Novo livro de Santiago Macias apresentado hoje em Mértola


capa e contra-capa do livro

Santiago Macias vai apresentar esta quinta-feira, dia 24, o seu novo livro "Mosaicos de Mértola: arte bizantina no ocidente mediterrânico", numa edição da Câmara Municipal de Mértola. A apresentação pública vai ter lugar, pelas 18 horas, no salão nobre da autarquia. Santiago Macias, professor, autarca e investigador, natural de Moura, está há muitos anos ligado ao Campo Arqueológico de Mértola e mantém o vínculo profissional à Câmara de Mértola, da qual é funcionário há quase 19 anos.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Sócrates demitiu-se. Aconteceu alguma coisa?


O mal da queda dos governos é os outros que se lhe seguem. Já esta noite eles não param. Dão conferências de imprensa, fazem declarações, são convidados para comentar. Bagão Félix, de quem todos nos lembramos, e que começou por ser o pai do fim do abono de família ou da insegurança para quem trabalha, bem visível no Código do Trabalho, já por aí esvoaça. Tenho-os ouvido a todos entrecortados pelos "Morangos com Açúcar", o jantar, a loiça e as conversas cá de casa. Oiço, agora, na sala António Barreto, o tal que há uns anos, mas poucos, (vá lá!), descobriu que o 25 de Abril tinha mudado profundamente Portugal em vários e importantes indicadores, a ser entrevistado na SicNotícias. Com aquela voz baixa de quem atribui às maiores banalidades o tom sério de uma grande originalidade. Mas o que propõem é sempre o mesmo do mesmo - o rotativismo, a alternância, a gestão de uma crise permanente em que nos enredaram. E todos sempre com soluções e mézinhas: deixem que eu resolvo, agora é que vai ser. E nunca é. Porque não basta mudar as pessoas. É preciso procurar outras lógicas, outras formas organizativas, outras soluções. Por isso, este sentimento de vazio quase generalizado (tirando os apaniguados deste ou daquele grupo) que se sente falando com amigos ou na blogosfera: saem uns, entram outros. E quem se vai continuar a lixar, como por aqui se diz, claro, é o mexilhão.

Eles lá saltar, saltam… mas com elástico


E o vicioso círculo do salto com elástico continuará com os seguintes, e os outros e mais os outros… até ao dia em que lhe cortem o elástico!

No final do esticar do elástico, há sempre a política, a chefia de um organismo da ONU ou da UE, a administração de uma empresa pública, participada, privada, etc. e tal…

À atenção do Governo que aí vem



(Imagens da manif. da Geração à Rasca).

Todos à volta do pote. E o povo, pá?


Basta ver a zanga com que uns já estão ao verem-se afastados dos lugares que ainda ocupam, dos pequenos gabinetes aos grandes ministérios, e a avidez dos que julgam estar de chegada: delegações regionais, governos civis, administrações disto e daquilo, consultores e assessorias, ministérios e secretarias, embaixadas e consulados, empresas públicas e participadas - são muitos os potes para distribuir pela manada. E o povo, pá?

Desviem-se, que eles vêm aí!

CENDREV comemora Dia do Teatro

Foi-se, não se sabe bem para onde, mas foi-se


A outrora lindíssima diva Elizabeth Taylor, foi-se. A Cleópatra dos olhos azul-violeta encimados por espessas sobrancelhas negras. Na glória cinematográfica, foi contemporânea do rebelde e sôfrego James Dean, do sedutor Paul Newan e do colossal Marlon Brando. A mulher que, em meados do século ido, colou ao écran multidões de homens e mulheres. Desejavam os trutas com o cacau nos paraísos fiscais (offshore), ter infinitos saldos idênticos às paixões e fantasias que atiçou.

Para ouvir esta quarta-feira...

terça-feira, 22 de março de 2011

O que eles inventam para manter o bloco central dos interesses no poder

Vi há pouco um bocado do frente-a-frente entre Ângelo Correia e Vítor Ramalho. Aquilo parecia mais um episódio dos Marretas. Ambos insistiram até à exaustão na necessidade de um entendimento entre o PS, o PSD e o CDS, a que Ângelo Correia classificou de partidos do "arco constitucional". Então os outros são inconstitucionais?! Ou defendem menos a Constituição do que aqueles?! Basta termos presente o que tem sido a governação de Portugal por aqueles três partidos, isoladamente ou em coligação, para nos lembrarmos de como não têm cumprido a Constituição.
Tudo vale a esta gente, que se banqueteia à mesa do orçamento, para tentar manter o bloco central dos interesses no poder, não vão os seus interesses e os dos que servem ser beliscados...

Cláudia Sousa Pereira: a primeira crónica

(foto de arquivo: Cláudia Pereira com D. Duarte quando este esteve em Évora)

Cláudia Sousa Pereira, a vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Évora, começou esta terça-feira a assinar uma crónica matinal (semanal?) na Rádio Diana. Cláudia Pereira começa assim a "dizer-se" na primeira pessoa, depois de ano e meio de mandato muito polémico, de mau relacionamento com os agentes culturais e sem capacidade para definir uma voz e um rumo próprios relativamente ao presidente da autarquia, que tutelava parte substancial dos pelouros que hoje são da vereadora. Cláudia Pereira tutela agora a Cultura, a Educação, o Centro Histórico, a Juventude, a Acção Social, etc., etc. O acincotons assinala este facto e publica, na integra a primeira crónica da vereadora. Em que Cláudia Pereira também se explica. Para melhor a entendermos. (CJ)

Começo por agradecer à Rádio Diana o convite que me fez para passar a integrar o seu conjunto de cronistas.
Fazer uma crónica é ocupar um espaço público num determinado tempo. É por isso um acto circunstancial: é naquele ponto em que a linha horizontal do tempo se cruza com a linha vertical do espaço que aquilo de que se fala faz sentido. Também corremos o risco, é claro, de sermos confrontados com esses pontinhos de intersecção mais tarde e virem acusar-nos de já ter tido esta ou aquela opinião sobre um assunto e estarmos a querer “virar o bico ao prego”. Cá para mim isso é correr o risco de “escrever direito por linhas tortas”, que é o que faz Deus e quem sou eu para dizer que está mal feito!
Também julgo que é do senso comum que a opinião que exprimimos ou o facto que relatamos seja do interesse de quem nos ouve ou lê. É por isso ao mesmo tempo um espaço de partilha. Mas numa crónica, comummente como qualquer mortal, somos tentados a não deixar fugir a oportunidade de se fazer um exercício de retórica, tentando mover os outros para que concordem connosco, ou pelo menos que fiquem a pensar nos assuntos tratados. Ficam, pois, claras as regras do meu jogo convosco que me ouvem ou lêem.
E começo então nesta primeira crónica por vos falar daquilo que sou e como isso, em dada altura, me pôs a pensar: sou funcionária pública, ocupando agora um cargo ainda mais público pela visibilidade a que fiquei sujeita em alguns meios. Desde que comecei a trabalhar à séria, isto é sem ser coisa de estudante em férias e quase só como ocupação rentável de tempos que seriam por definição livres, comecei logo como funcionária pública: nos primeiros quinze anos como provisória, nestes cinco últimos como tendo nomeação definitiva, mas sem pertencer, por especificidade da carreira, a um chamado quadro. Nunca, enquanto trabalhei e antes de estar de vereadora na Câmara Municipal de Évora, me tinha debruçado sobre a questão existencial do que significa, profundamente, ser um funcionário público. E como não sou nem pior nem melhor do que ninguém, julgo que a maioria dos que como eu tiveram e têm a sorte de ser funcionários públicos em situação estável também não devem pensar muito no assunto.
Ora acontece que, desde que fui eleita e me inteirei das minhas novas funções, tem sido preocupação minha honrar, mais do que nunca, o compromisso que tenho com quem elegeu a equipa que integro democraticamente. E honrar esse compromisso é ter consciência de que toda e qualquer opção que tome, e fazer governação política é isso mesmo, optar, deverá ser a pensar no bem público, esse público que são os cidadãos do Concelho de Évora.
E foi nestas funções que descobri, um pouco por acaso, a existência de uma Carta Ética da Administração Pública, que enumera dez princípios éticos e entra logo com este: «Os funcionários encontram-se ao serviço exclusivo da comunidade e dos cidadãos, prevalecendo sempre o interesse público sobre os interesses particulares de cada grupo.». Confesso que fiquei chocada com esta minha ignorância de décadas mas, como já disse, não sendo eu nem pior nem melhor do que ninguém, fui-me confortando com o eventual igual mal dos outros. Quantos funcionários públicos saberão desta Carta? Porque será que só quando assumi um cargo político de poder me assaltaram estas inquietações? Olhando para trás percebi que não tinha fugido àquele primeiro princípio de conduta ética, mas o tê-lo feito sem saber da regra fez-me sentir que andei “às escuras” durante muito tempo. E ainda se diz por aí que, para além do sabido Amor, o Poder cega as pessoas! Muito obrigada e até para a semana."

Esta tarde na Barraca (Lisboa)

O seu a seu dono


Obrigada por divulgar o meu texto. Pode crer que é mesmo meu; publiquei-o a 9 de março, no meu Assobio Rebelde.
Nunca percebi a confusão com Mia Couto...
Há coisas que me ultrapassam.
Cumprimentos

21 Março, 2011 23:02

Do petróleo e da hipocrisia em nome do povo…


O petróleo, no curto, médio e longo prazo, vai agravando os danos que bem divisamos e que a terra já sofre.

Há, no entanto, outros malefícios acorrentados ao ouro negro.

Há uns anos, aquando da disputa entre a Guiné-Bissau e o Senegal sobre a exploração das jazidas existentes no limite das águas territoriais dos dois países, realizei, no arquipélago dos Bijagós, um trabalho para uma ONG local. Conversando com um colega guineense sobre o caso, ele rematou a questão de uma forma sarcástica: só nos faltava mais esta do petróleo, não nos bastava já o narcotráfico. Daí para cá, os acontecimentos no seu país, falam por si.

Mais do que nunca, hoje, recordo o sarcasmo. Em nome da “protecção da população civil”, a América, Inglaterra, França, e mais alguns países ocidentais estão a intervir militarmente na Líbia. Em nome da “ protecção da população civil”, o tanas! Digam antes, em nome do controlo da produção petrolífera do país, uma vez que o ditador líbio não lhes dava mão.

No Bahrein, país grande produtor de petróleo, a monarquia absolutista reinante está a reprimir o povo que nas ruas pede liberdade e democracia. Porque não realizam também aqui uma operação de “protecção da população civil”? As alianças do regime são as convenientes, não é? Aliás, mandaram os sauditas tratar da protecção do regime.

No Iémen, país que também tem algum ouro negro, o ditador e os seus acólitos estão, igualmente, a massacrar o povo que se manifesta nas ruas pela liberdade e democracia. Porque não realizam também aqui uma intervenção de “protecção da população civil”? As alianças do regime são as convenientes, não é?