terça-feira, 30 de Novembro de 2010

A pouco e pouco isto vai deixando de ser um país e vai sendo uma coisa quase a dar vontade de rir.

Histórias todas as temos. E histórias como funciona a administração pública ainda mais. Histórias de miserabilismo de uma administração que, apesar de ter mundos e fundos para todas as mordomias, muitas vezes nem dinheiro tem para as resmas de papel usadas nos serviços ou para o sabonete da casa de banho, também conhecemos. Mas esta, contada por Santiago Macias no seu óptimo Avenida de Salúquia, não deixa de ter graça. Estava o Sobral da Adiça debaixo de água e os técnicos dos Recursos Hídricos, sedeados em Beja, não tinham "recursos" financeiros para se deslocarem ao local da intempérie.Vá lá que a Câmara de Moura encontrou nos cofres alguns euros para pagar a viagem... Porca miseria!

A minha terra é a língua portuguesa

Que me perdoe o poeta Pessoa a corruptela. Mas já tenho muita dificuldade em sentir-me patriota. Alentejano, Ibérico e universal, são esses, por patamar, os limites geográficos da minha pertença. A língua materna é o território psíquico onde me sinto mais confortável. Até porque só sei atamancar gatafunhos na carreirinha do preto no branco nesse tagarelar babilónico.

Ora nem mais. E os patrícios a darem-lhe na retórica do sarcasmo para tornear lapsos na sabedoria. Ou, calhando, aristocratas empedernidos do seu território psíquico?

“Dois alentejanos na beira do alcatrão. Um, guardando um rebanho de lãzudas e dando umas lérias. Outro, escoando o tempo a tabaquear e dando umas lérias.
Pára uma lata, bem brunida, com uma matrícula a modos que estrangeira. De dentro saem dois peralvilhos a dar para o britânico. Dirigem-se aos patrícios e linguarejam:
- Cette route mène à l’Algarve?
Os patrícios entreolham-se e quedos e mudos olham novamente os peralvilhos. Os peralvilhos voltam ao ataque em alemão. Os patrícios continuam quedos e mudos. Os peralvilhos voltam ao ataque em inglês. Os patrícios na mesma como a lesma. Os peralvilhos voltam ao ataque em italiano. Os patrícios continuam quedos e mudos. Os peralvilhos voltam ao ataque em espanhol. Os patrícios na mesma como a lesma. Com um ar apoquentado os peralvilhos embarcam na lata e aceleram para lá da linha do horizonte.
- Manel, calhando devíamos aprender línguas?
- P’ra quê, estes sabiam cinco e abalaram na mesma!"

(contada pelo mê Manel de Beja de roda de um branquinho da talha de Vila Alva)

Se a coisa não fosse tão séria....


.... até merecia um bom par de gargalhadas. Ou como o próprio sempre diz: "é a isto o que eu chamo um trabalho bem feito"... (ah, porca miseria!....): "Situação económica portuguesa é uma obsessão dos jornalistas, diz Sócrates".  O próprio ter-se-à rido de si próprio?

Gostamos ou não de ter "pobrezinhos"?

Esta semana começou com sinais de solidariedade dos portugueses para com quem julgam em maiores dificuldades que as suas. O Banco alimentar anunciou ter recolhido mais 30% dos alimentos recebidos no ano passado, altura em que já tinha superado as suas próprias expectativas.

No mesmo dia em que a comunicação social fazia eco desta atitude colectiva, desloquei-me a uma repartição de finanças  com o objectivo de obter uma "declaração de não divida".  Fui informada de que essa declaração me custaria 12 ,50 Euros  mas que tinha a alternativa de a retirar da net com o uso de uma palavra passe.
Compreendo que o objectivo é descongestionar os serviços públicos; que assim se "emagrecem" as afluências às repartições (emagrecer é uma expressão muito em moda). Mas também pude constactar que quem se vê obrigado ao pagamento daquela quantia (em troca de um papel que lhe é exigido pelo mesmo sistema) são os mais desfavorecidos. Todos os que não têm acesso à NET, nem ao uso regular de computadores.
Os mais "contribuintes" são então os mais pobres. Porque este sistema conta que os outros usem as alternativas previstas. Quem as não tiver... parece que "temos pena" mas aceitamos que eles paguem por nós.  Como parecemos aceitar que hoje todos têm computadores, impressoras, hábitos e saberes iguais aos nossos. Quem os não tem... deve pagar por isso!

Será a isto que chamamos inclusão ? Ou gostaremos mesmo é de continuar a ter entre nós "pobrezinhos" que nos dão a sensação de sermos superiores a alguém ?

segunda-feira, 29 de Novembro de 2010

Barcelona, 5- Real Madrid, 0: a arrogância, geralmente, é má conselheira

Mourinho já começava a irritar com tanta posporrência. Esta derrota assenta-lhe que nem uma luva. O number one levou para contar: five. E, nestas coisas, é sempre bom alinhar com os catalães: Visca Catalunya!

E as outras Câmaras do Alentejo? Calam-se?

A Câmara Municipal de Grândola associa-se amanhã, dia 30, ao movimento mundial “Cidades para a Vida – Cidades Contra a Pena de Morte”.

A adesão à iniciativa será feita através da iluminação do Memorial ao 25 de Abril, monumento que a autarquia mandou há anos erigir em homenagem à Revolução dos Cravos.

Com início em 2002, esta acção, promovida pela Amnistia Internacional, decorre anualmente e tem vindo a receber um cada vez maior número de participações.

Até à data, aderiram já 1184 cidades de 81 países, entre os quais Portugal.

Esta celebração constitui mais um gesto simbólico da Amnistia à qual a Câmara de Grândola junta a sua voz e que pretende, desta forma, contribuir para a união do planeta contra a pena de morte. Neste dia, cidades de mundo inteiro iluminam um edifício público ou um monumento histórico.

Vice-versa



Jardineiros da natureza, foi o anátema que os crânios da política europeia, vai para uns anos atrás, lançaram sobre os poucos agricultores que teimosamente continuam a produzir alimentos em regime de extensivo. O regime intensivo foi elevado a vaca sagrada da produtividade no “fabrico” de alimentos desenxabidos, normalizados, engraxados, carregados de resíduos maléficos para a saúde humana e da terra que recebemos preservada. Produtividade instigada pelos mercados que comerciam não a couve, mas apenas o capital que a couve rende para especularem a galope desenfreado.
Os muitos que, pelas vicissitudes que atafulham compêndios, nem à jorna de jardineiros da natureza tiveram direito, restou enxamearem as cidades.
Agora que o insaciável e obeso mercado entrou na paranóia de nem as avaras migalhas querer partilhar para alimentar o vicioso círculo, ao seu imenso fiel e idólatra exército que enxameou as cidades, nada mais restará que o versa-vice.

Wikileaks: a globalização da denúncia

O que mais surpreende nas revelações de documentos trazidos pela Wikileaks à opinião pública mundial é o volume. São milhares e milhares de documentos, de dados, de páginas, de diversas origens e proveniências. Depois, a sua qualidade que, sendo muito variável, é regra geral muito comprometedora para os envolvidos: sejam governos, embaixadas, serviços secretos, empresas. É a constatação de que há uma verdade "oficial e oficiosa" para consumo das opiniões públicas e outra, essa sim real, que transparece destes documentos: o cidadão comum é para ser enganado e não tem direito a qualquer tipo de informação correcta ou  sequer completa. Os grandes estados e complexos militar-industriais - sobretudo, na actualidade, os Estados Unidos da América -  (vê-se por estes documentos), não têm o mínimo pejo em enganar, ludibriar, esconder factos da opinião pública e das populações que dizem servir.
As revelações de hoje da Wikileaks vão nesse sentido. Muitas já eram conhecidas. Mas a dimensão do engano e da mentira colectivas é o que mais surpreende.  Ver AQUI ou  AQUI ou AQUI ou AQUI

domingo, 28 de Novembro de 2010

Estória bastante actual

O banqueiro
Certa tarde, um famoso banqueiro ia para casa, em sua enorme limousine, quando viu dois homens à beira da estrada comendo relva. Ordenou ao seu motorista que parasse e, saindo, perguntou a um deles:
- Por que vocês estão comendo relva?
- Não temos dinheiro para comida…- disse o pobre homem - Por isso temos que comer relva.
- Bem, então venham à minha casa e eu lhes darei de comer - disse o banqueiro.
- Obrigado, mas tenho mulher e dois filhos comigo. Estão ali, debaixo daquela árvore.
-Que venham também -disse novamente o banqueiro. E, voltando-se para o outro homem, disse-lhe:
- Você também pode vir.
O homem, com uma voz muito sumida disse:
- Mas, senhor, eu também tenho esposa e seis filhos comigo!
- Pois que venham também - respondeu o banqueiro.
E entraram todos no enorme e luxuoso carro.
Uma vez a caminho, um dos homens olhou timidamente o banqueiro e disse:
-O senhor é muito bom. Obrigado por nos levar a todos!
O banqueiro respondeu:
- Meu caro, não tenha vergonha, fico muito feliz por fazê-lo! Vocês vão ficar encantados com a minha casa... A relva está com mais de 20 centímetros de altura!

Moral da história:
Quando você achar que um banqueiro (ou banco) o está a ajudar, não se iluda, pense mais um pouco...


Recebida por e-mail.

Mais uma nódoa

A partir de fevereiro, Manuela Moura Guedes terá um progrmama na Sic.
Partilho da opinião de Emídio Rangel, fundador e ex-director da SIC, que ao DN diz que a estação está a cometer um erro: "Ao recrutá-la, a SIC está a dar uma machadada na sua filosofia. A Manuela Moura Guedes é muito pequenina para fazer caçadas a políticos. É lamentável que se premeie aquele jornalismo sem regras."

Os USA e o mundo

E assim ficamos a conhecê-los melhor...
La gran filtración»

La gran filtración
La mayor filtración de la historia deja al descubierto los secretos de la política exterior de EE UU
EL PAÍS desvela los documentos de Wikileaks.- Putin, autoritario y machista.- Las fiestas salvajes de Berlusconi.- Estrecho seguimiento de Sarkozy.- Los movimientos para bloquear a Irán.- El juego en torno a China.- Los esfuerzos para aislar a Chávez

Notícias do Brasil: tão perto, mas tão longe

O que se passa no Rio de Janeiro? Sabe-se que a polícia e o exército, apoiados pela marinha e por meios aéreos, atacaram uma favela a norte do Rio de Janeiro onde estariam centenas de elementos do Comando Vermelho, uma organização nascida nas cadeias há umas dezenas de anos, que controla uma parte do tráfico de droga e do crime organizado no Brasil. A policia veio já esta tarde dizer que tinha vencido. Não se sabe muito bem o quê. Um texto publicado no jornal Folha de São Paulo e assinado por Marcelo Freixo, deputado estadual (PSOL-RJ), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro,  mostra que as coisas não são assim tão simples. "Dezenas de jovens pobres, negros, armados de fuzis, marcham em fuga, pelo meio do mato. Não se trata de uma marcha revolucionária, como a cena poderia sugerir em outro tempo e lugar. Eles estão com armas nas mãos e as cabeças vazias. Não defendem ideologia. Não disputam o Estado. Não há sequer expectativa de vida. Só conhecem a barbárie. A maioria não concluiu o ensino fundamental e sabe que vai morrer ou ser presa. As imagens aéreas na TV, em tempo real, são terríveis: exibem pessoas que tanto podem matar como se tornar cadáveres a qualquer hora. A cena ocorre após a chegada das forças policiais do Estado à Vila Cruzeiro e ao Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro. O ideal seria uma rendição, mas isso é difícil de acontecer. O risco de um banho de sangue, sim, é real, porque prevalece na segurança pública a lógica da guerra. O Estado cumpre, assim, o seu papel tradicional. Mas, ao final, não costuma haver vencedores".

Évora: até dia 30 no Garcia de Resende

Sexta Feira fui ao Teatro, hesitei bastante, ainda tinha na memória o frio que lá passei o ano passado por esta altura, mas lá fui e o frio horrível lá estava de novo… mas eu ia vestida tipo cebola e a coisa já foi mais suportável!
Mas vamos ao que interessa… já não via o trabalho do Pim Teatro há algum tempo, a peça sobre a monarquia e a história de Portugal integrou as comemorações da república e eu estava curiosa….
A surpresa foi extremamente agradável, uma peça baseado no jogo teatral, sem grande diálogo, mas com muito dinamismo, onde a historia de Portugal vai sendo mostrada com todas as suas glorias e misérias. Duas horas de peça que passam com extrema rapidez e nos fazem dar gargalhadas sentidas.
Ali estava uma sala quase cheia de gente bem disposta a revisitar a história de um País!
Foi muito bom. Recomendo a todos os que gostam de teatro e agradeço ao grupo de actores que, no fim, terminam com uma conversa com o público, explicando as suas escolhas e escutando as nossas opiniões.
Viva o Teatro e todos aqueles que, apesar de todas as dificuldades, continuam a trabalhar na Cultura!

Lurdes
28 Novembro, 2010 12:31

E já que estamos nesta: Amor Casto


Amar dentro do peito uma donzela,
Jurar-lhe pelos céus a fé mais pura;
Falar-lhe, conseguindo alta ventura,
Depois da meia noite na janela:

Fazê-la vir cá abaixo, e com cautela
Sentir abrir a porta, que murmura:
Entrar pé ante pé, e com ternura
Apertá-la nos braços casta e bela:

Beijar-lhe os vergonhosos, lindos olhos,
E a boca, com prazer o mais jocundo,
Apalpar-lhe de neve os dois pimpolhos:

Vê-la rendida enfim a Amor fecundo;
Ditoso levantar-lhe os brancos folhos;
É este o maior gosto que há no mundo.

(Bocage - Antologia de Poesia Erótica)

Cada um com a sua...




bicicleta...


e mota...


Comunicado primo-ministerial


Comunicado do Gabinete do 1º Ministro

Faz o Governo saber que, até nova ordem e tendo em consideração a actual situação das contas públicas

e como medida de contenção de despesas, a luz ao fundo do túnel será desligada.

(C. André)

sábado, 27 de Novembro de 2010

Alentejo, Tempo para ser feliz


Este post corresponde a um compromisso a que aderi de livre vontade. Estive esta manhã com o presidente da Região de Turismo do Alentejo, Ceia da Silva, que ontem apresentou em Évora a nova imagem de marca do Turismo alentejano e a nova assinatura que irá acompanhar a promoção da região.
“Alentejo, Tempo para ser feliz” é a assinatura da nova imagem e linha de comunicação criadas para qualificar o Alentejo, de Nisa a Odemira, como um destino de excelência, possuidor de uma oferta turística ímpar, afirma a propaganda oficial, acrescentando que a assinatura “tempo para ser feliz indica que o tempo no Alentejo tem outra medida: é mais vasto, mais humano, mais profundo e mais aberto".
“Férias em família”, “Escapadelas a dois”, “Mochila às costas” e “Seniores activos” são os quatro segmentos-alvo do plano promocional, que visa aumentar a notoriedade do destino e potenciar o crescimento turístico na Região, contrariando a tendência de sazonalidade, escrevem os "autores" da campanha.
Gostei da assinatura, acho que o folheto tem um grande manancial de informação e pode servir de base para uma multiplicidade de propostas. Aliás, o Alentejo, mesmo que o seja no turismo, merece sempre o melhor.

Os Tons deste blogue

Começámos cinco. Um, com muita tristeza dos restantes, ficou pelo caminho. Entretanto entraram mais dois: Júlia Alhinho, de quem se espera mais participação, e, agora, Isidoro de Machede, que se juntou aos restantes para aqui também continuar alentejanando.
Há ainda a Voz oficial, que assina como não podia deixar de ser com A Cinco Tons.
Agora, sugiu um novo tom, o negro. Não sei se por luto (de quem?) ou se como experiência, como espero que seja e passageira.

O barco vai de saída

O barco vai de saída
Adeus ó cais de Alfama
Se agora vou de partida
Levo-te comigo ó cana verde
Lembra-te de mim ó meu amor
Lembra-te de mim nesta aventura
P’ra lá da loucura
P´ra lá do Equador

(Fausto)

Vou novamente partir à bolina por estas terras do gerúndio.

sexta-feira, 26 de Novembro de 2010

sugestão de fim de semana (2)

Começar o fim de semana "neste país" com uma história verdadeira, eis o convite.
É na Rua da Corredoura, nº8, no centro histórico de Évora. Os contadores desta vez são Eduardo Luciano, João Barreiros e Maria Alves. Para quem quiser ver, ouvir e surpreender-se.

Bom fim-de-semana!

E se não quiser ter de comentar notícias menos boas, faça como o Cavaco Silva, vá até ao Pulo do Lobo, no Alentejo profundo...

sugestão para o fim de semana

 A nova produção teatral  da  Associação Cultural do Imaginário  chama-se "Fernandinho Pessoa".
Está integrada no projecto "O Livro Grande dos Poemas Pequenos" e é encenada por Teresa Rodrigues.
Aqui fica a sugestão para domingo à tarde - 28 de Nov. pelas 16h -  na  sede do Imaginário: à Estr. de Almeirim, 4, em Évora.

Tribunal de Contas "arrasa" gestão da EDAB

O aeroporto de Beja, construído mas ainda sem funcionar, já custou quase 35,4 milhões de euros, mais do que o previsto, e poderá atingir um total de 74 milhões de euros, segundo o Tribunal de Contas (TC).
No relatório da auditoria ao aeroporto de Beja, hoje divulgado, o TC refere que o encargo público com o empreendimento já é de quase 35,4 milhões de euros, mais 1,3 milhões de euros do que os 34,1 milhões de euros inicialmente previstos no projeto aprovado.
Segundo o TC, este encargo inclui os custos com expropriações de terrenos, empreitadas, aquisições de bens e serviços e com a estrutura e o funcionamento da Empresa de Desenvolvimento do Aeroporto de Beja (EDAB).
Além deste encargo, afirma o TC, será "ainda necessário despender mais 39 milhões de euros para operacionalizar o aeroporto" e "dar cobertura a défices de exploração" da EDAB até 2015.
"No total, a obra vai custar cerca de 74 milhões de euros aos contribuintes", valor "agravado pelos sucessivos adiamentos" da exploração do aeroporto", refere o TC.
No entanto, no contraditório incluído no relatório, a EDAB refere que o total de 74 milhões de euros "não se refere à operação imediata da infraestrutura, mas àquilo que num horizonte futuro seria interessante ter, pressupondo-se o que seria necessário para se desenvolver o empreendimento até à sua capacidade máxima", incluindo a 2.ª fase (a primeira está concluída).
Atualmente, considera o TC, a operacionalidade do aeroporto de Beja "está bastante comprometida", já que falta a certificação, definir as taxas aeroportuárias e concretizar alguns investimentos e contratos com companhias de aviação.
Apesar das diligências efetuadas, "o interesse das companhias de aviação tem sido reduzido" por "não haver uma concessão que defina concretamente a natureza e a dimensão dos serviços de apoio e os preços a praticar" pelo aeroporto de Beja, frisa o TC.
Segundo o TC, as três empreitadas de construção do aeroporto custaram mais 2,3 milhões de euros do que o previsto, ou seja, o custo total atingiu 26,5 milhões de euros e o valor inicial de adjudicação era de 24,2 milhões de euros.
As empreitadas também sofreram atrasos nos prazos de conclusão, sendo que a primeira demorou mais 643 dias, a segunda mais 625 dias e a última mais 427 dias.
A estes desvios, refere o TC, junta-se a não abertura do aeroporto em 2008 como previsto, estando o início das operações de transporte comercial (passageiros e carga) previsto para o verão de 2011, segundo a EDAB.
O TC questiona também como o aeroporto de Beja poderá posicionar-se como complementar aos aeroportos de Lisboa e de Faro se o IP8, entre Sines e Beja, está em construção e não é conhecido qualquer projeto de desenvolvimento ferroviário.
O TC refere que a EDAB, criada em 2001, "só tem acumulado prejuízos" e os "sucessivos adiamentos" do início da exploração do aeroporto contribuíram para agravar os encargos de estrutura e funcionamento da empresa, cifrados "em cerca de quatro milhões de euros". (LUSA)

quinta-feira, 25 de Novembro de 2010

Da boca de Pacheco Pereira saiu uma verdade


Há momentos na SIC (Quadratura do Círculo), Pacheco Pereira disse o que toda a gente tem vindo a dizer desde sábado passado. Mas foi bem mais claro. Disse Pacheco Pereira que a CGTP e o PCP ajudaram a que a cimeira da Nato decorresse de forma pacífica. Na manifestação de sábado isolaram os desordeiros, num cordão, e impediram que a manifestação tivesse os contornos violentos que têm acontecido noutras cimeiras.Valha-nos santo PCP e o seu arauto Pacheco Pereira!

O 25 de Novembro de 1975 mudou a minha vida. Tanto como o 25 de Abril de 1974.

Reparo agora que é 25 de Novembro. Este dia, há 35 anos, fez de mim quem sou. Bem ou mal, mas o que sou. Trabalhava na altura numa grande empresa de Lisboa. Tinha 19 anos. O estado de desesperança que começou a existir na Lisboa pós-25 de Novembro fez com que a minha vida imaginasse outros caminhos.
Passei o 25 de Novembro na, já desaparecida, cintura operária de Lisboa (Cabo Ruivo, Olivais, etc.), na zona onde posteriormente foi construída a Expo e onde já poucas indústrias existem. Apesar do recolher obrigatório, na noite de 25,  lembro-me de termos estado em diversas fábricas que se preparavam para resistir a um alegado golpe de direita. Mas, ao meio da noite, o PC e alguns sindicatos (mais orientados para a política da realidade) deram ordem para desmobilizar. Houve uma desmobilização quase geral. E um mar de tristeza abateu-se sobre a cidade onde todos os sonhos tinham sido possíveis.
A empresa onde trabalhava era no outro lado de Lisboa, no Restelo, junto à Ajuda. No dia 26 de manhã assisti, no local, ao ataque dos Comandos da Amadora ao Quartel da Policia Militar. Assisti aos tiros. Aos mortos. Nesse dia despedi-me da empresa onde trabalhava e decidi experimentar outros caminhos. 
Fui para Árgea, para a Comunal (no Alto Ribatejo, Torres Novas), uma cooperativa formada por ex-exilados em França, alguns operários, outros intelectuais, outros militantes políticos activos que estiveram presos até ao 25 de Abril. Encontrei lá uma vida comunitária, um espaço colectivo e uma afirmação democrática de base que, apesar de todas as dificuldades, era genuína e criativa. Estavam lá pessoas como o Joaquim Alberto, o Carlos Cardoso, o Pedro Lobo Antunes, a Manuela Fazenda, a Edeltrauth (já não me lembro se era assim que se escrevia), o Pedro Fazenda, a Silvéria, o Quintas, entre muitos outros, a que se juntava  muita gente da terra, que partilhou este projecto de uma comunidade autêntica. 
Ali conheci pessoas, ideias e muito mundo. Estive na Comunal um ano e tal. Valeu por uma década de experiência. Não saí dali o mesmo. Conheci o mundo das cooperativas e das UCPs por dentro.  O mundo do trabalho também. Um mundo de solidariedades múltiplas e de repulsa por tudo o que era hierarquias. 
Isso ao 25 de Novembro o devo. E, por isso, ao 25 de Novembro de 1975 estou grato: levou-me a viver, mãos no barro, um dos mais importantes períodos da história recente de Portugal. E da Europa.

A Greve Geral: uma mensagem cristalina.

A dimensão do protesto teve a bondade de mostrar que há um país real que não está vencido, que assume a indignação acumulada.
Os poderosos, com mais ou menos colarinho branco, que têm condenado o futuro do país, tiveram a prova de que algo está a mudar em Portugal, ao ponto de dar origem a uma unidade sindical que muitos julgavam impensável nos tempos que correm.
Afinal, o país não está rendido à liderança dos iluminados do momento, dos carreiristas de sempre e dos serviçais partidários comprados com mais ou menos mordomias.
No regresso ao dia-a-dia do trabalho, o renovado sorriso estampado nas caras dos portugueses prova o sucesso do envio de uma mensagem cristalina aos pretensos estadistas vergados ao interesse nacional: existe um país real apostado na mudança.

RCP
25 Novembro, 2010 15:31

Sem legendas: homenagem à mulher portuguesa


Rita Pereira orgulhosa pelo Emmy... e pelo seu corpo. A atriz rumou aos Estados Unidos, com parte do elenco, para estar presente na cerimónia dos prémios de televisão. O prémio foi recebido com grande emoção e Rita Pereira não escondeu a felicidade por esta vitória. Mas as atenções não estavam apenas voltadas para a vitória de "Meu Amor": o vestido sugestivo assinado por João Rolo fez com que a atriz não passasse despercebida. Orgulhosa do seu corpo, a Rita frisa que os seus seios são naturais. (tirado daqui)

Futebol: Porto-Juventude para a Taça


Foi o que saiu no sorteio da Taça. O F. C. Porto, detentor do troféu, vai receber o Juventude de Évora na 5ªa eliminatória, correspondente aos oitavos-de-final, da Taça de Portugal.O Juventude , desloca-se ao Dragão a 15 ou 16 de Dezembro, dado que o F. C. Porto pediu adiamento dos jogos da Taça devido aos compromissos europeus.Amadeu Martinho, o presidente do Juventude, já disse que a "sorte grande" teria sido receber em Évora o FCPorto. Mesmo assim aconteceu o que a "torcida" do Juventude queria: defrontarem um dos grandes.

Ver mais

Uma bandeira que cada vez se vai vendo mais

Debate: para que serve a Greve Geral?

 Lisboa, 24/11/2010
Ontem fiz greve. Como algumas centenas de milhares de portugueses. E senti-me bem. Gostei de estar na companhia de quem fez greve. Não fiquei em casa: estive na rua, fui à Praça do Giraldo, encontrei pessoas e partilhei discussões. Ideológica e historicamente a Greve Geral tem, para mim, um significado libertador e construtor de novas realidades. Mas, para ser honesto, a verdade é que cada vez mais me interrogo sobre a eficácia e a razão de algumas greves e, mais ainda, daquilo que hoje é a Greve Geral. É um momento simbólico, calmo, "tranquilo", como disse a ministra do Trabalho, integrador do mal estar que todos vamos sentindo. De certa forma, a Greve Geral de ontem foi um momento de escape, de libertação das tensões que todos temos acumuladas - qualquer um de nós sabe o mal que está organizada esta "maldita sociedade", como diz a moda alentejana - e pouco mais. Hoje todos voltamos ao trabalho e, muitos de nós, com o sentimento de que tudo vai continuar na mesma. 
Quando no século XIX, a greve e a Greve Geral foram definidas como instrumentos importantíssimos na luta operária, eram-no na verdade: as greves punham em causa a produção, passavam pela ocupação dos locais de trabalho, muitas matérias-primas deterioravam-se, por um lado, e, por outro, não havia grande armazenamento de produtos pelo que qualquer quebra na produção era logo sentida. Hoje a greve está perfeitamente integrada no sistema, tal como estão inscritos na contabilidade dos supermercados os pequenos roubos que diariamente ali acontecem. Fazem parte do "status quo". Noutras sociedades, onde estas questões já se colocam há mais tempo, as greves e as Greves Gerais assumem, em geral, características violentas, com actos de destruição material e de confronto com as forças de "segurança". Ainda ontem isso aconteceu com os estudantes no Reino Unido, mas está sempre a acontecer em Espanha, na França, em Itália, na Grécia, etc... Não é que os defenda, mas estes actos resultam do impasse político e social que a greve - sobretudo a Greve Geral, quando não tem um objectivo claramente definido - assume nas sociedades ocidentais. Em Portugal os sindicatos ainda tentam capitalizar politicamente esse descontentamento, embora sabendo que não conduz a nada: nas próximas eleições a disputa voltará a ser entre o PS ou o PSD.
Considero que os próximos anos serão de mudança. E a ideia de greve - onde agora só quem perde (um dia de salário, falta de locais para ter os filhos, falta de transportes, cuidados de saúde reduzidos, etc.) é, sobretudo, quem trabalha e depende dos serviços públicos e em que grande parte das pessoas que faz greve se alheia da forma como ela decorre e enche os centros comerciais e os espaços de consumo, aproveitando apenas mais um dia livre (como aconteceu em Évora onde os Staples tiveram ontem um dos melhores) - terá que mudar substancialmente. Tanto como as estruturas partidárias ou as próprias associações sindicais. Para que, apesar de uma greve bem conseguida numericamente, não persista este sentimento generalizado de que "a coisa" não serviu para nada ou que apenas foi útil para mostrarmos o nosso descontentamento. Se foi assim é preciso dizer: não basta! É preciso mais: fazer com que cada greve que haja seja vitoriosa e ofensiva. Não meramente simbólica ou defensiva. E as alternativas a estas formas de "luta" esclerosadas e já fora de tempo não podem ser descuradas. Quaisquer que sejam essas alternativas. 

quarta-feira, 24 de Novembro de 2010

REGISTO 130: o dia seguinte

Sindicatos: três milhões fizeram greve

As duas centrais sindicais, UGT e CGTP, garantem que mais de três milhões de trabalhadores aderiram à greve geral.
Numa conferência de imprensa conjunta, Carvalho da Silva e João Proença garantiram que mais de três milhões de trabalhadores participaram no protesto num universo de perto de quatro milhões.
Perante este alegado sucesso, João Proença diz que o trabalho sindical de unidade poderá continuar e Carvalho da Silva considerou que este é o protesto com maior impacto realizado até hoje.
João Proença, o líder da UGT, admitiu que o défice é um problema, mas admitiu que as políticas devem ter o emprego como principal preocupação. (TSF)

Luís Afonso: Bartoon em serviços mínimos


efeitos da greve

A grande  maioria dos portugueses está hoje em greve.
A minoria que exerce o direito de não aderir também vive hoje um dia diferente. Como a professora que numa escola de Évora se apresentou  esta manhã perante 6 dos 20 alunos da turma, para passar os 90 minutos de aula em amena conversa, até porque se "avançasse na matéria estaria a penalizar os alunos ausentes".

E todos nos perguntamos sobre os efeitos desta greve...
Dos dirigentes e responsáveis políticos chegam-nos as respostas mais previsíveis mas que pedem reflexão.
O líder do PSD, Passos Coelho explicou na RTP a sua grande compreensão para com a angústia dos portugueses, no entanto, no seu caso não faz greve. E aproveita para pedir às pessoas que não desistam de lutar pelo país...(!Esperará que os cidadãos tomem de assalto os lugares de decisão e façam o que cabe aos seus titulares?)
Do lado do PS, ao nível regional Capoulas Santos disse ao jornal Registo que esta greve corresponde a 
“um direito legítimo, constitucionalmente consagrado que qualquer democrata tem o dever de respeitar”, mas não vê que dela possa haver quaisquer resultados." Ao nível nacional o Secretario de Estado da Administração Pública disse na SIC que amanhã tudo voltará ao normal e que o governo não alterará nenhuma das suas medidas porque as entende como necessárias e importantes.
Sendo esta greve uma manifestação geral de descontentamento face à forma como está a ser gerida "a coisa pública", é de lamentar que os responsáveis não a encarem de frente. Que declarem não querer ler o que têm à frente.
Neste distanciamento entre governados e governantes, responsáveis e eleitores reside grande parte do problema de Portugal hoje.
Evidenciar a necessidade dos eleitos levarem a sério o que pensam os eleitores será um dos efeitos desta greve. Ignora-lo só pode aprofundar o problema.

Alentejo: grande adesão à Greve Geral (act.)

14h00 Évora - Concentração e distribuição de material informativo sobre as razões da Greve Geral na Praça do Giraldo (Comissão de Apoio à Greve Geral/Évora)
Beja - Beja é hoje uma cidade com "clima" de fim-de-semana devido aos efeitos da greve geral que está a afectar vários serviços públicos. O ambiente no resto da região não é diferente. A esta hora da manhã ainda não há dados, mas é previsível uma adesão significativa em vários serviços de saúde, nas autarquias, escolas e transportes públicos. Segundo apurou o "CA" esta manhã, dezenas de consultas externas no hospital de Beja foram desmarcadas e adiadas. Muitos alunos não conseguiram chegar às escolas por falta de transportes e outros voltaram para casa depois de depararem com as portas fechadas: grande parte dos professores e funcionários aderiram ao protesto. Durante a madrugada, a recolha de lixo foi praticamente inexistente em toda a região e, nas câmaras municipais, principais empregadores no Baixo Alentejo, prevê-se que a adesão à greve seja superior a 80 por cento. (Correio Alentejo)
12h19 Évora; - Autarquias e escolas fechadas e outros serviços públicos, como finanças e tribunais, a funcionar a "meio gás" são hoje os efeitos mais visíveis, no distrito de Évora, da greve geral, que regista uma pequena adesão no setor privado. Enquanto os sindicatos da administração pública se congratulam com a adesão à paralisação nos serviços, os empresários alegam que, no privado, a "adesão é pequenina". "O setor privado conta com muitas empresas familiares e outras com poucos empregados. Por isso, a adesão é pequenina", disse à Agência Lusa o presidente do Núcleo Empresarial da Região de Évora, Rui Espada. (Lusa)
12h10 Alentejo: Grande adesão à greve no Alentejo também nos transportes e na educação, assim como nos hospitais. A maior greve de sempre no Alentejo, dizem a CGTP e a UGT. (Teresa Marques/RTP1).
11h35 Évora: O distrito de Évora está a aderir em massa à greve. A afirmação é feita pela dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Sul, Margarida Machado, que salienta o elevado número de funcionários que decidiram ficar em casa, “sendo revelador da grande revolta que os trabalhadores sentem”, denunciando ainda “a pressão que foi exercida sobre todos, chegando em alguns casos a haver ameaças subliminares de represálias”. Maria Antónia Zacarias (Público/Greve)
clique na imagem para ampliar
Esta quinta feira, 25 de Novembro, passam 24 anos sobre a classificação do Centro Histórico de Évora como Património da Humanidade.

Pelas 18h no Salão Nobre dos Paços do Concelho é apresentado o Guia Itinerário Cultural dos Almogravidas e Almóadas - Do estreito ao Ocidente do al-Andaluz.
Trata-se de uma edição gratuita que reune textos sobre a presença destes grupos religiosos em várias cidades portuguesas e espanholas. O Prof. Fernando Branco Correia da Universidade de Évora é o autor dos textos do lado português. A iniciativa é do Centro Nacional de Cultura e da Fundação El Legado Andalusí, apoiada pela CME.

Ao serão há espectáculo no Arquivo Fotográfico.
"Fotógrafos Títeres e Outros Sonhadores" ou a história da fotografia em Évora, é uma sequência de episódios apresentados no suporte dos bonecos de Santo Aleixo. Pelas 21.30 h no Páteo do Arquivo Fotográfico - Rua Diogo Cão ( junto ao Páteo do Salema), os bonecos convidam-nos para um serão animado.
As entradas são livres para todas as idades.

terça-feira, 23 de Novembro de 2010

Há dias assim!

Durante séculos na Europa, existiram contratos de escravatura.
As pessoas abdicavam da sua liberdade em troca de sustento, faziam-no em alturas de crise, face à precariedade das suas vidas.
Só o medo e a descrença os poderiam levar a isso.
Hoje em dia, não creio que na sua essência as coisas tenham mudado assim tanto.
Concordo que na forma a coisa se apresente mais composta, mas no fundo são ainda o medo e a descrença que dominam.
Assistimos a impressionantes avanços científicos, tecnológicos, mas o salto civilizacional mais importante, a eliminação das barreiras sociais, da absurda exploração da maioria por meia dúzia de privilegiados hereditários, mantém-se.
Subsiste a fome, a doença, a pobreza, o trabalho infantil, subsistem os asilos em que despejamos os idosos, subsiste a ideia tenebrosa que sustenta viver o homem para a "economia" e não o contrário.
É este paradigma que se alimenta das desigualdades, que exige serem os que menos podem a pagar e os outros, os arrendatários do topo, aqueles que beneficiam.
Amanhã, dia de greve geral, as pessoas vão protestar. Espera-se que seja um protesto esmagador, para que seja também a tomada de consciência de que as coisas podem mudar, que existem outros caminhos, outras soluções, para que não sejam sempre os mesmos os eternos sacrificados.

M. Sampaio
23 Novembro, 2010 17:22

Porque é necessário conhecerem-se outros olhares

"O isolamento só reforça ainda mais o medo e impede-nos de procurar a nossa força na união com os nossos iguais, os demais explorados e humilhados. O isolamento só se pode vencer se soubermos substituir a moral burguesa do cada um por si por uma ética do apoio-mútuo, praticando a solidariedade entre trabalhadores. E só rompendo o isolamento de que somos vítimas poderemos vencer o medo. Quem temerá ser despedido se souber que uma multidão o vingará e que nenhum outro trabalhador ousará ocupar o seu lugar?
Isto só será possível se soubermos recuperar a ideia-base que inspirou a formação dos primeiros sindicatos: “a emancipação dos trabalhadores só pode ser obra dos próprios trabalhadores”. Saibamos então unir-nos, sem líderes nem representantes, discutindo os nossos problemas em assembleias de iguais, recorrendo sempre à acção directa, isto é, à acção sem intermediários (políticos ou burocratas sindicais), para agir pela resolução desses mesmos problemas, tendo sempre presente que os interesses dos que exploram e dos que são explorados jamais serão conciliáveis e que a nossa emancipação só será possível com a destruição do capitalismo e do Estado.
Saibamos vencer o medo e o isolamento de que os nossos patrões se alimentam e poderemos ousar protestar. E partindo de uma greve que os poderosos querem ordeira e inofensiva poderemos chegar a pôr em causa um sistema que nos transforma em escravos.
Contra a exploração capitalista! Pela igualdade social!

Unidos e auto-organizados nós damos-lhes a crise!"
Associação Internacional d@s Trabalhador@s - Secção Portuguesa - Núcleo de Lisboa

Greve Geral: a coisa já está a andar!


A greve geral, convocada para quarta feira, arrancou esta noite em Évora com a cidade a ficar sem recolha do lixo, depois de todos os funcionários daqueles serviços terem aderido à paralisação, disse à Lusa fonte sindical.
"Os 24 funcionários da recolha do lixo noturna que deviam ter começado a trabalhar às 20:00 não compareceram ao serviço e não saiu das instalações da câmara de Évora nenhum dos veículos destinados àquele trabalho”, afirmou o coordenador regional de Évora do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL), José Correia.
Segundo o mesmo dirigente sindical, a jornada de trabalho para recolha noturna do lixo na área urbana de Évora decorre diariamente entre as 20:00 e as 02:30 do dia seguinte."Não veio ninguém trabalhar", assinalou José Correia, em declarações à agência Lusa, à porta dos serviços camarários de recolha do lixo.
O dirigente sindical referiu ainda que na quarta feira também “não haverá recolha do lixo” noutros concelhos do distrito de Évora, como Vendas Novas, Arraiolos, Montemor-o-Novo e Mora, onde o serviço começa de madrugada.
A CGTP e a UGT realizam na quarta feira uma greve geral conjunta contra as medidas de austeridade anunciadas pelo Governo em setembro, que têm como objetivo consolidar as contas públicas, entre as quais os cortes de salários nos trabalhadores do Estado, o congelamento das pensões em 2011 e o aumento em dois pontos percentuais do IVA.
Esta é a segunda greve geral marcada pelas duas centrais. A primeira realizou-se há 22 anos contra o pacote laboral.

Não me vergo ao medo!

Estive em dúvida sobre aderir ou não à Greve Geral... Por um motivo muito simples, trabalho por conta própria e nunca fiz greve, já que nunca fez sentido reivindicar melhor salário e melhores condições de trabalho à minha patroa que sou eu própria, já que esta briga provavelmente acabaria no sofá de um psicólogo com um drama entre “Lurdes Patroa versos Lurdes Criada”, e eu não tenho dinheiro ou tempo para estas análises...
Mas o que me levou a ponderar fazer esta greve foi o facto de toda a gente que me rodeia me dizer "não podes pois tens uma casa aberta"...
Isto irritou-me... afinal por ter uma porta aberta deixo de ter direitos?
Não sou senhora de me manifestar, por ter uma porta aberta?
E por mais que eu explique que estas medidas me penalizam também a mim e á minha empresa (a que tem a porta aberta) todos batiam na mesma tecla. mas os clientes podem não gostar!
Poder podem, é um direito deles, mas existem aqueles que vão gostar ou não?
E eu tenho de ter medo das opiniões dos outros em relação à minha decisão de cidadão?
A minha empresa presta um bom serviço! Tem preços acessíveis! Eu sou simpática! Não é isto que conta!
Ou a minha posição perante a greve geral (que não é partidária) é o mais importante?
Terei de abdicar das minhas posições para ter a casa cheia?
Durante dias briguei com todos e comigo... mas continuo na minha, este orçamento é mau para mim também, por isso coro o risco de os meus clientes acharem que eu não tenho o direito de tomar esta decisão que o Portugal de Abril me deu, e não me vergo ao medo!
Vai ser o que for...

Nota: pelo sim pelo não apelo aos que gostam da minha posição que se lembrem da minha porta aberta, não vão os outros abandonar e levar-me á falência!
Lurdes

Herberto Helder faz hoje 80 anos

Nascido em Funchal, Ilha da Madeira em 23 de novembro de 1930, Herberto Helder é considerado como um dos maiores poetas europeus contemporâneos. É pois tempo de poema:

Há cidades cor de pérola onde as mulheres

Há cidades cor de pérola onde as mulheres
existem velozmente. Onde
às vezes param, e são morosas
por dentro. Há cidades absolutas,
trabalhadas interiormente pelo pensamento
das mulheres.
Lugares límpidos e depois nocturnos,
vistos ao alto como um fogo antigo,
ou como um fogo juvenil.
Vistos fixamente abaixados nas águas
celestes.
Há lugares de um esplendor virgem,
com mulheres puras cujas mãos
estremecem. Mulheres que imaginam
num supremo silêncio, elevando-se
sobre as pancadas da minha arte interior.


Há cidades esquecidas pelas semanas fora.
Emoções onde vivo sem orelhas
nem dedos. Onde consumo
uma amizade bárbara. Um amor
levitante. Zona
que se refere aos meus dons desconhecidos.
Há fervorosas e leves cidades sob os arcos
pensadores. Para que algumas mulheres
sejam cândidas. Para que alguém
bata em mim no alto da noite e me diga
o terror de semanas desaparecidas.
Eu durmo no ar dessas cidades femininas
cujos espinhos e sangues me inspiram
o fundo da vida.
Nelas queimo o mês que me pertence.
o minha loucura, escada
sobre escada.

MuIheres que eu amo com um des-
espero .fulminante, a quem beijo os pés
supostos entre pensamento e movimento.
Cujo nome belo e sufocante digo com terror,
com alegria. Em que toco levemente
Imente a boca brutal.
Há mulheres que colocam cidades doces
e formidáveis no espaço, dentro
de ténues pérolas.
Que racham a luz de alto a baixo
e criam uma insondável ilusão.

Dentro de minha idade, desde
a treva, de crime em crime - espero
a felicidade de loucas delicadas
mulheres.
Uma cidade voltada para dentro
do génio, aberta como uma boca
em cima do som.
Com estrelas secas.
Parada.

Subo as mulheres aos degraus.
Seus pedregulhos perante Deus.
É a vida futura tocando o sangue
de um amargo delírio.
Olho de cima a beleza genial
de sua cabeça
ardente: - E as altas cidades desenvolvem-se
no meu pensamento quente.

Herberto Helder
Lugar/Poesia Toda/Assírio & Alvim/1979

segunda-feira, 22 de Novembro de 2010

A nacionalidade de Adão e Eva

Um alemão, um francês, um inglês e um português apreciam o quadro de Adão e Eva no Paraíso.
O alemão comenta:
- Olhem que perfeição de corpos:
Ela, esbelta e espigada;
Ele, com este corpo atlético, os músculos perfilados.
Devem ser alemães.
Imediatamente, o francês contesta :
- Não acredito. É evidente o erotismo que se desprende das figuras:
Ela, tão feminina,
Ele, tão masculino,
Sabem que em breve chegará a tentação.
Devem ser franceses.
Movendo negativamente a cabeça o inglês comenta :
- Que nada! Notem a serenidade dos seus rostos, a delicadeza da pose, a sobriedade do gesto.
Só podem ser ingleses.
Depois de alguns segundos mais, de contemplação silenciosa, o português declara :
- Não concordo. Olhem bem:
não têm roupa,
não têm sapatos,
não têm casa,
tão na merda,
Só têm uma única maçã para comer.
Mas não protestam ,
só pensam em sexo, e pior,
acreditam que estão no Paraíso .
Só podem ser portugueses.

Recebido por e-mail.

Serpa: Sebastião Rodrigues continua a espantar

A Associação de Agricultores de Serpa, liderada por Sebastião Rodrigues (que chegou, como eleito do PSD na Câmara, a ocupar o pelouro a tempo inteiro, a convite da CDU), veio agora manifestar-se solidária com a greve geral de dia 24. Uma atitude quase inédita neste Alentejo cada vez mais multicolor.

Évora: a manifestação frente à Câmara até que correu bem

(Foto retirado de LG, no Facebook)

Eu contei à volta de 150 pessoas. E foi um momento bonito: é bom que todas as vozes se façam ouvir e a criação de uma opinião publica viva passa por aqui- por dar voz à multiplicidade de opiniões e formas de estar na sociedade, em geral. Mesmo um pequeno grupo, por mais restrito que seja, tem todo o direito a dizer de sua justiça. E não é este o caso. Esta é uma temática que interessa a muita gente e que cada vez mais está na ordem do dia. Parabéns aos organizadores deste momento importante do viver colectivo.

EST.

22 Novembro, 2010 16:25

É a esquerda que me aflige (...) Por isso vivo politicamente desamparado.

A liberdade é algo que dou como adquirido. Viver na Europa, historicamente palco dos maiores conflitos mundiais e hoje pacificada devido aos esforços de integração política e económica, permitiu-me escolher livremente o que pensar e como reger a minha vida. Isto é algo que, a par com o valor da tolerância, prezo acima de tudo. Poder expressar livremente as minhas convicções e discordar abertamente das ideias dos outros tem sido essencial na construção do que posso apenas definir como a minha ideologia pessoal.
Ao contrário do que fazem parecer os blogs de esquerda e de direita, a ideologia não é algo que se apropria de nós de forma homogénea, orientando a nossa vida através de uma série de dogmas intocáveis. É apenas uma plataforma de ideias fundamentais a partir das quais confrontamos a realidade, formulando objectivos a atingir para adequar a realidade a esses princípios através de um conjunto de acções concretas. Isto dá trabalho, o que leva a que muita gente prefira importar ideologias “pré-fabricadas” prontinhas a consumir. Com ideias mais ou menos abrangentes, objectivos imutáveis e formas de acção fixas e tudo facilmente enquadrável em campos estanques de pensamento.
Da direita distancio-me facilmente. A crença na força do status quo nunca me subjugará. É, por isso, a esquerda que me aflige. É na esquerda que deposito esperanças; naquele idealismo incessante de quem acredita que podemos mudar o mundo. Só que a esquerda que leio todos os dias nos blogs, que retiro das acções dos meus colegas e que é retratada pela maioria dos media, não é a minha esquerda. Não vou aos arames com touradas ou praxes; não defendo a causa palestiniana (tampouco apoio Israel…); não reajo a todas as mudanças estruturais com o conservadorismo sindical (estranho que todas as mudanças são para pior – é um sucessão de reformas más que se tornam bestiais quando querem voltar a reformar); não odeio a UE e a NATO; nem embarco em relativismos culturais obtusos que apenas visam branquear comportamentos que deveriam ser intoleráveis para cidadãos livres e esclarecidos.
Penso a esquerda de uma forma diferente. Acredito no valor da igualdade, mas não à custa da liberdade. Sei que a felicidade é maximizada não pelo que se tem, mas pelo que todos temos. Seremos mais felizes quando formos tratados de forma igual; quando se abolirem as deferências e hierarquias sociais; quando o melhor canalizador, juiz, bombeiro, gestor ou político não só forem remunerados similarmente, mas principalmente quando forem encarados como igualmente importantes. Estes são os meus ideais e o começo dos meus problemas porque para a sua concretização a esquerda nada me oferece. Oferece-me meios para abolir a criminalização do aborto ou lutar pelo direito de qualquer pessoa a se casar independentemente da preferência sexual. Mas quanto ao que acho importante, aos objectivos que retiro dos meus ideias, nada feito. É por isso que vivo politicamente desamparado, longe de quem come toda a esquerda como uma ideologia unitária, debitando o pacote de ideais pré-estabelecidos. Pronuncio-me a descoberto da ideologia, sujeito aos ataques óbvios da direita e cada vez mais também da esquerda.
O que sou afinal? O que é alguém que acha irrelevante a praxe (dentro da legalidade); que considera a NATO fundamental num mundo em que a força ainda é um mal necessário; que considera o caminho da UE como válido ainda que imperfeito; que confia no poder das leis como garante das liberdades; que não aceita fundamentalismos, sejam da direita norte americana ou o dos islamitas; que acredita numa economia de mercado justa e distributiva, em que os trabalhadores têm assento nas administrações e partilham dos lucros; que não aceita uma Administração Pública refém de funcionários não qualificados, agarrados à burocracia e aos direitos adquiridos; e que, sobretudo, não vê caminhos a seguir, nem estruturas a que se agarrar.
Podem-me chamar do que quiserem, mas de ingénuo não. Sou apenas alguém que não pensa nos vossos moldes e que, não estando desorientado, não encontra o caminho. 
Beko
22 Novembro, 2010 03:13

Évora: manifestação frente à Câmara hoje às 12,30 horas. Amanhã às 15,30 horas

O que se passa no Canil Municipal de Évora (Centro de Recolha Oficial), não é admissível, e tem que mudar!
Venham com uma peça de roupa preta. Em caso de chuva, se possível, tragam chapéus-de-chuva pretos ou de cor escura - queremos formar uma... mancha em que o negro representa o luta pela morte inútil de tantos gatos e cães naquele canil, por tanto respeito pelos munícipes e pelas regras do bem-estar animal!!!
A QUEM RESIDA /TRABALHE /ESTACIONE O CARRO NA PRAÇA DO SERTÓRIO OU PERTO
Coloquem faixas negras nas janelas!!
Embora a vontade de muito de nós, seja partir para o insulto do personagem responsável pelo abate dos 7 cães, não é ele que devemos visar nesta manifestação, mas sim a política seguida pelo município de Évora em matéria de protecção dos animais. Por este motivo, e porque queremos uma manifestação que contribua para uma mudança de atitude, pedimos a todos que evitem o uso de frases insultuosas, que contenham palavrões (pois vão estar crianças presentes) e que não abonem a favor da credibilidade desta iniciativa.
Pedimos a compreensão de todos! Não podemos cair no ridículo nem sermos confundidos com um bando de exagerados sem razão! O nosso protesto tem toda a legitimidade!! (AQUI)

A parada dos lívidos ou a Greve Geral

... e assim, pouco a pouco, resvalei até este cómodo estar de admitir sem indignação as mesquinhas infâmias do dia a dia que, em tempos anteriores, segundo garantem os cavaleiros andantes sobreviventes, provocavam, por via da regra, embates, socos, e mãos de polícias a apartar.
Hoje não. Ainda esta manhã vi um brutamontes, com olheiras de tanguista e ombros de moço de recados, atirar um encontrão a uma velhota para lhe roubar o lugar no eléctrico, e ninguém soltou pio.
A pobre senhora, meio tonta, alheada do que se passava em redor, escancarou os olhos numa fixidez de assombro diante do burburinho do mundo.
Pois da plataforma apinhada de homens válidos, como eu, não saíu um único protesto.
Alguns empalideceram. Oh, sim, alguns ficaram brancos de cal e cravaram unhas enfurecidas nas palmas das mãos.
Mas o grito não se ouviu.
(...) todos acabaram por engolir o grito e passar adiante... Porque os portugueses de hoje, infelizmente, passam sempre adiante.

Assim escreveu  José Gomes Ferreira sobre a gente deste país, algures entre 1945 e 1950.

Mais de sessenta anos depois  "os tanguistas" disfarçam as olheiras, mais os modos de brutamontes, e até a sua condição de moços de recados de quem não hesita em dar todos os encontrões, e tudo o mais que for necessário para aumentar os seus lucros.
E nós ?  Os que ouvimos e lemos os apelos à greve geral na próxima quarta feira? Que faremos?
Engoliremos o grito e passaremos adiante?
Ou soltaremos o grito da greve, fazendo saber que entretanto este país mudou?
Eu faço greve!

domingo, 21 de Novembro de 2010

A velhíssima actualidade de Guerra Junqueiro

Envio-lhe este oportuno, nos tempo e “rocambole” de que somos parte, poema do Guerra Junqueiro com a velhíssima/actualidade de 114 anos. Até parece que o mestre Guerra andou na máquina do tempo. Faça dele o melhor que lhe aprouver.
Abraço
Joaquim Pulga

"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio,
fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora,
aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias,
sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice,
pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas;
um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai;
um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom,
e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que
um lampejo misterioso da alma nacional,
reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula,
não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha,
sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima,
descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas,
capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação,
da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral,
escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo;
este criado de quarto do moderador; e este, finalmente,
tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política,
torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções,
incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos,
iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero,
e não se malgando e fundindo, apesar disso,
pela razão que alguém deu no parlamento,
de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."

Guerra Junqueiro, 1896.

sábado, 20 de Novembro de 2010

Uma opinião séria de quem sabe o que diz

Assim dá gosto ter sobrinhos: "Não sou contra a NATO. Acho essencial a existência de uma organização que proteja a os países que defendem a liberdade. Contudo vou estar na manifestação de hoje, por quem foi impedido de expressar a sua opinião. Acho inadmissível que se impeça a entrada de quem apenas discorda de uma opção política de vários governos.... Por isso vou lá estar, a representar a liberdade que foi tolhida pelas nossas forças policiais". (B. Vidal)

Tolstoi morreu há cem anos

“Ama o teu próximo como a ti mesmo”. É com esta frase que o escritor russo Leon Tolstoi (1828 – 1910), autor de “Guerra e Paz” inaugurou no movimento libertário uma singular forma de pensar a religião. Foi, no entanto, crítico da Igreja Católica e de qualquer forma de organização política que usa a força, o militarismo, o racismo, a guerra, a lei como manifestações do autoritarismo. Tolstoi via na figura de Jesus um humanista. Não o Jesus Cristo da Igreja, mas o Jesus homem, líder e mártir que lutou por seus ideais. Sua proposta é de um anarquismo conseqüente, como dizia, onde a sociedade só pode se concretizar por meio do desenvolvimento de um foro íntimo que leve a uma vida fraterna. Como fez Rousseau, o escritor russo defende o lema: “retornai à natureza, à mãe terra”. Assim, quanto mais sentimentos puros e quanto maior forem os laços entre os homens, melhor será a sociedade.
Tolstoi levou a sério a mensagem da Bíblia e considerou que o verdadeiro cristão precisa se opor ao Estado. Com esta leitura da Bíblia, Tolstoi (1998) chegou a conclusões anarquistas: “governar significa usar a força, e usar a força significa fazer para os outros o que certamente não gostaríamos que fosse feito para nós. Conseqüentemente, governar significa fazer aos outros o que não gostaríamos que os outros fizessem para nós, isto é, fazer o mal”. Um verdadeiro cristão deve ser avesso a governar os outros. A partir dessa posição anti-estatista ele naturalmente passou a defender uma sociedade auto-organizada: “Porque pensar que pessoas comuns não são capazes de auto-organizar suas vidas, e que governantes o farão não em proveito próprio, mas em proveito dos outros?”
 Tolstoi proclamava ação não-violenta contra a opressão, e via a transformação espiritual dos indivíduos como a chave para a criação de uma sociedade anarquista.
A partir da sua oposição à violência, Tolstoi rejeita tanto o Estado como a propriedade privada e defende táticas pacifistas para dar um fim à violência e gerar uma sociedade justa. Em suas idéias sobre uma sociedade livre, Tolstoi foi claramente influenciado pela vida rural russa e pelas obras de Peter Kropotkin e de J. P. Proudhon.(ler aqui)
 

sexta-feira, 19 de Novembro de 2010

Um hino conveniente. Ou dedicado a quem gosta da Nato e a quem gostou do Pacto de Varsóvia



M. Sampaio propôs.  E é uma "moda" bonita.

Eu, mais cáustico, proporia essa outra grande canção nacional:  eu tenho dois amores. Um a Nato. Outro o Pacto de Varsóvia. Os dois em nada são iguais. Mas não sei de qual gosto mais.(vade retro satanas)

Não sou de intrigas, mas não acho piada a que "brinquem" comigo.

Recebi esta noite no meu mail um comunicado da concelhia de Évora do BE.  Li-o de alto a baixo e é interessante. Tem a ver com a polémica do canil & etc. Pensei pôr um link a partir do acincotons. E achei que era fácil. No fim do comunicado estavam dois links. Pensei: é só clicar, é canja e já está. Mas não foi. As páginas que o Bloco indica estão como vocês verão. Para isso deixo-vos os links. Se os do Bloco forem em tudo tão eficientes como são nestas coisas da Net mais vale esperar pelo Pai Natal. Independentemente de acreditarmos ou não.
Ei-los (parecem promessas à Socrates):