quinta-feira, 30 de setembro de 2010

No dia a seguir ao anúncio de todos os cortes chegou o Magalhães à Malagueira

No dia em que eu e a mãe do D. soubemos que o nosso rendimento disponível ia sofrer um acentuado corte (sobretudo derivado do aumento do IVA), o D., de 7 anos e no 2º ano do Ensino Básico, recebeu o Magalhães, que já esperava há mais de um ano. Ficou feliz, ele que é já um utilizador habitual dos vários computadores que há cá em casa, de ter um a que pudesse chamar seu. Quando veio da escola quis utilizá-lo: mas o computador estava bloqueado e só o deixava aceder a meia dúzia de sites. Ficou desiludido. Levei o resto da tarde a desbloqueá-lo. Desactivei o "controlo parental", ou como se chama. É que se tivesse apenas acesso às páginas que estavam desbloqueadas, o moço ficava imbecil. Ou pírulas. Era mais do que certo. Só não percebo como é que se pode ter o mundo todo em casa e há quem só permita o acesso dos filhos a um pequeníssimo beco onde nada acontece. E tudo em nome da segurança. 
E deixam-nos respirar (a eles, aos filhos) pelo menos?

Évora: Concerto na Igreja de São Vicente

Ao José das Engenharias


Com uma canção antiga, dedicada ao José, vamos lá fazer uma pequena pausa para distrair das visões fantasmagóricas da AR:

Como ninguém lhe ligava
O José foi à Assembleia
Só p'ra ver se encontrava
Por lá qualquer ideia.

Viu um cinto, rica ideia
Disse logo e foi comprar
E a maioria da Assembleia
Começou logo a cantar.

Ó José aperta o cinto
Ó José aperta-o bem
Ó José aperta o cinto
Ó José aperta-o bem.

Que o cinto bem apertado
Ai, ó José fica-te bem
Que o cinto bem apertado
Ai, ó José fica-te bem.

Com um cinto tão catita
Toda a vida se mudou
Que até o menino Pedro
Logo o José cobiçou.

Combinou-se o enlace
E foi bem curto o namoro
E até nesse momento
Ele ouviu cantar em coro.

Ó José aperta o cinto
Ó José aperta-o bem
Ó José aperta o cinto
Ó José aperta-o bem.

Que o cinto bem apertado
Ai, ó José fica-te bem
Que o cinto bem apertado
Ai, ó José fica-te bem.

Diz agora toda a gente
Que o José sem desatinos
Já guardou todo contente
Muitos cintos pequeninos.

Hão-de ser p'rós Jozesitos
Que o casal espera por fim
E é a sorrir com carinho
Que o povo canta assim.

Ó José aperta o cinto
Ó José aperta-o bem
Ó José aperta o cinto
Ó José aperta-o bem.

Que o cinto bem apertado
Ai, ó José fica-te bem
Que o cinto bem apertado
Ai, ó José fica-te bem.

Anónimo 
30 Setembro, 2010 16:24

Mario Murcho: um herói

Neste blogue não costumo transcrever artigos de jornal. Mas há sempre uma excepção. Este artigo do Emídio Rangel, a propósito do Mário Murcho (alentejano das Alcáçovas e "amigo do peito" de muitos de nós que colaboramos neste espaço), foi publicado no sábado no Correio da Manhã. Depois da sua publicação já sei que o Mário foi contactado e que vai voltar para Alcoitão, a fim de recuperar a mobilidade. Apesar da solidariedade, evidente nesta crónica, só é pena que muitos portugueses, que não têm amigos destes, com espaço nas tribunas de opinião, não tenham acesso aos cuidados de que, tão urgentemente,  necessitam.

Salvar um herói

Mário Murcho é uma daquelas figuras míticas do jornalismo de quem se ouviu sempre uma história de coragem, de honradez e de lealdade. Nem podia ser de outro modo.

Por:Emídio Rangel, Jornalista

Mário Murcho aos três anos de idade foi apanhado nas teias da poliomielite e ficou paralítico. Em consequência dessa terrível doença, Murcho esteve nove anos internado para tentar chegar àquilo que todos consideravam quase impossível: andar. E conseguiu mesmo sair do hospital com duas canadianas para agarrar a vida. Nunca mais Mário Murcho precisou de ninguém para se movimentar. Aos vinte e poucos anos ingressou na Emissora Nacional como secretário de redacção e mais tarde obteve muito justamente o título e a carteira de jornalista.

A sua perspicácia e a sua grandeza como pessoa e como jornalista fizeram dele um membro da equipa de grande reportagem da RDP que dirigi quando passei por aquela casa. Por isso, Mário Murcho é, de facto, uma força da Natureza. Hoje está reformado e vive sozinho num primeiro andar sem elevador, a lutar de novo contra a ameaça de voltar a ficar paralisado numa cama. Os seus músculos começaram a quebrar e o médico de família mandou-o fazer fisioterapia.

Foi para Alcoitão e quando lhe apareceu uma úlcera acabou ‘despachado’ para o Santa Maria. Dois dias bastaram para resolver a úlcera. Devia então regressar a Alcoitão para terminar o tratamento interrompido. Mas alguém tramou Mário Murcho. Tinha de ir para casa e esperar que o chamassem para nova consulta de avaliação em Alcoitão. Vá-se lá saber porquê… Quando finalmente chegou a ansiada consulta, foi recebido por um doutor, um tal Dr. Luís Gonçalves, que sentenciou: "Você nunca mais vai andar e portanto não está aqui a fazer nada. Tem de arranjar perto de sua casa um sítio para fazer alguma ginástica. E mais nada." Murcho bem tentou argumentar com o jovem médico, mas não valeu de nada. Ele sabe tudo.

Não há ninguém que acuda a Mário Murcho e que perceba que, para ele, é vital retomar a fisioterapia num hospital especializado? A fisioterapia e a sua enorme força de vontade farão com que ande… como sempre andou. Quem quer condenar este homem a viver o resto dos seus dias dentro de quatro paredes, num primeiro andar, quando foi sempre de andar pelo país fora, ao sol, à chuva e ao vento… Senhora Ministra da Saúde, Serviço Nacional de Saúde, pode crer, é salvar Mário Murcho da ‘prisão’ em que o querem colocar. Ele é um herói da luta pela vida com dignidade.

E que bem toca e canta esta gente de Castro Verde


No Dia Mundial da Música que se comemora amanhã, dia 1 de Outubro, o Auditório Municipal António Chainho, em Santiago do Cacém, recebe mais um espectáculo musical. A partir das 21h30, os acordes da Viola Campaniça vão soar mais alto.
Inicialmente formado nos anos 80 pelos Mestres Francisco António, Manuel Bento e Perpétua Maria, grandes divulgadores deste género musical único, o Grupo de Viola Campaniça marcou o regresso destas sonoridades há muito esquecidas.
Uma nova formação surgiu em 2000 impulsionada pelo tocador Pedro Mestre. A este junta-se mais um tocador, Márcio Isidro e as vozes de Ana Valadas, Lucinda Mestre e Evangelina Torres que interpretam os temas da tradição.
Com dois discos lançados em 2006, “ Modas de Outro Tempo” e “Ilha dos Vidros” apostam na recolha do cancioneiro Campaniço e em espectáculos únicos onde se descobre um outro Alentejo.
A viola campaniça é a maior das violas portuguesas, com 94 cm. Para além dos trastos normais, apresenta mais dois ou três trastos complementares, já sobre o tampo, e apenas sob as cordas agudas, de modo a permitir uma amplitude maior nos agudos do canto que aí se desenha.
A viola campaniça usava-se por todo o distrito de Beja e noutras zonas próximas, toca-se a solo ou a acompanhar o canto de “modas” e “despiques”, geralmente entre dois tocadores, que improvisam, nos bailes públicos e particulares, nas festas, nas vendas e noutras quaisquer ocasiões.
(informação CMSC)

Sócrates é "politicamente inimputável"

O discurso do senhor primeiro-ministro "é de alguém politicamente inimputável". Começou forte Miguel Macedo, o líder parlamentar do PSD, há minutos no Parlamento. Significará que o PSD se prepara para não "dar o braço" ao PS ou teremos, mais uma vez, muito blá-blá e uma mão cheia de nada?
Debate em directo AQUI

Dúvida


O PEC IV virá antes ou depois do Natal?

o perguntador

REGISTO 122

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Quo vadis, Passos Coelho?

Depois do que ouvi: cortes de salários, aumentos de impostos e tudo o mais, só tenho uma pergunta - que vai fazer Passos Coelho? Mete a viola no saco e vai pregar para outra freguesia ou é consequente e provoca a demissão do Governo? E o que fará com o apoio que Cavaco Silva, na ânsia de ser eleito, está a dar a José Sócrates? (Ainda esta tarde um amigo socialdemocrata se referia a Cavaco chamando-lhe o candidato socialista...). Isto está a ficar giro... (claro: se não fossem os milhares de desempregados e as condições de vida a levarem cada vez mais portugueses para a miséria).

Ainda as praxes: a notícia de uma ocorrência em Évora

Por mail (obrigado M.) recebemos este conjunto de outros mails sobre as praxes. É a denúncia duma situação vivida em Évora. A queixa foi feita à reitoria da Universidade e a outras entidades. A resposta da Universidade já veio para as queixosas. Aguarda-se, então, pela chegada do reitor. Ou a tomada de outras medidas.

1º Passo: a denúncia ao Reitor

Exmo. Sr Reitor da Universidade de Évora

Embora não residindo em Évora mas em S. Bartolomeu do Outeiro, faço minhas as palavras das duas senhoras que assinam os e-mails abaixo, pedindo a V. Exª que intervenha para pôr cobro a práticas tipicamente medievais.

O Sr. Ministro Prof. Mariano Gago já afirmou que não seriam tolerados abusos nas praxes. Possivelmente não estava a pensar que os praxistas incluissem agora os animais em estúpidas brincadeiras mas certamente que o aviso se estende à violência sobre outros seres vivos que não os humanos.

Cumprimentos

M. G.

2º passo: Os emails das queixosas

Para: gabreit@uevora.pt, uevora@uevora.pt

Exmº Senhor

Reitor da Universidade de Évora

Resido em Évora e relato a V.Exª. a seguinte situação:

Dia 28 SET 2010 pelas 14H00 junto às bombas de gasolina da Repsol de Évora aconteceu algo que choca e envergonha qualquer ser humano, estavam vários estudantes que se identificaram como estudantes dessa UE, estes, arrastavam pelo chão um pequeno porco preso com uma corda ao pescoço, evidentemente que o animal emitia sons de aflição que perturbavam qualquer pessoa, quando interpelados responderam que o animal era para ser utilizado nas "praxes", entretanto e em virtude das manifestações de descontentamento de algumas pessoas meteram-se em fuga em direcção à Sé de Évora onde foram vistos pouco depois,

Também foram contactadas a PSP de Évora e o SEPNA/GNR a fim de intervirem e porem fim a este triste quadro de maus tratos a animais, seres vivos que merecem respeito.
Sei que V.Exª.e a digna Instituição que é a Universidade de Évora, nada têm que ver com este tipo de atitudes excessivas e chocantes de alguns jovens universitários, no entanto, não posso deixar de apelar a V.Exª. no sentido de interceder por nós cidadãos a fim de sugerir moderação a esses jovens neste tipo de práticas.

Atentamente

M J. C.

Enviada: terça-feira, 28 de Setembro de 2010 14:54

Amigos, quero denunciar uma situação que me aflige imenso e a que assisti há pouco; dirigia-me para o serviço no fim da minha hora de almoço quando, junto à bomba da Repsol comecei a ouvir grunhidos de animal, que me pareceram aflitivos. Procurei, até encontrar um jovem caloiro, com um leitão pela trela, o qual passeava pelas rua de Évora… dirigi-me a ele questionei o que fazia com o animal e o jovem respondeu que era para as "praxes"… fiquei completamente desorientada… denunciei a situação para a polícia (à frente do aluno), para a universidade e para o SEPNA; isto apesar do heróico rapazinho me ameaçar dizendo que se o denunciasse nem sabia o que me fazia, questionei-o para que me dissesse o que ía fazer, mas limitou-se a "meter o dito cujo" entre as pernas e fugir em direção ao hospital arrastando consigo o pobre animal indefeso. Senti vergonha, vergonha da minha impotência para o deter pela força e resgatar o animal. Vergonha por constatar que tipo de divertimentos os nossos jovens utilizam para passar o tempo. Vergonha pelo que se passa em Évora com as praxes e a impunidade com que tudo se passa, paredes meias com a reitoria, paredes meias com a polícia, paredes meias com os cidadãos que são obrigados a assistir a tudo o que estes projectos de homens e mulheres decidem fazer impunemente pela cidade. Obrigada por divulgarem, resta-nos o direito à nossa indignação.

M.S.

3º passo: a resposta da reitoria

Assunto: RE: [Gabreit] Praxes - SITUAÇÃO A DENUNCIAR EM ÉVORA - 28SET10

Exma. Senhora:

Encarrega-me o Senhor Reitor de informar, que por não estar no momento em Évora, o senhor Vice-Reitor em sua substituição irá fazer diligências junto das estruturas estudantis (designadamente os Notáveis) no sentido de actuarem junto dos responsáveis, como aliás o Reitor e a equipa reitoral têm feito sempre que têm conhecimento de abusos. Essas estruturas têm dificuldade em actuar na falta de informação sobre a identidade dos abusadores ou pelo menos informação do curso a que pertencem, como parece ser o caso.

Para além disso, o Senhor Reitor fez também um apelo à comunidade estudantil para que não ocorram abusos mas, como em todas as comunidades, há sempre algumas pessoas, felizmente em reduzido número, que têm comportamentos pouco dignos e não são sensíveis a apelos. Ocorrendo os abusos na via pública, só as autoridades públicas podem efectivamente actuar de forma repressiva e, naturalmente, espera-se e agradece-se que os cidadãos que assistam a abusos da lei apelem a essas autoridades como a Senhora fez.

Com os melhores cumprimentos,

Cristina Centeno

Chefe de Gabinete do Reitor

Ficámos sensibilizados


Destes "jogos de guerra" não gostamos.

Mas isto "derrete-nos". Obrigado M.S..

Obrigado a todos os demais, que também merecem.

Portugal: a grande roubalheira

Vinha há pouco a ouvir o FORUM da TSF. Um ouvinte, de que não guardo o nome e que julgo ser da zona do Porto, motorista, disse o seguinte: "Ganho 450 euros por mês, a minha mulher 400 euros, não devemos um tostão a ninguém, sempre vivemos a honrar os nossos compromissos e vem agora o Governo dizer que cada um de nós deve 14 mil euros!!!".
É absurdo. É revoltante.Quem sempre viveu na fronteira da miséria, tem honrado os seus compromissos, com ordenados da mais profunda miséria, aparece agora como devedor dos jantares e do fausto com que alguns ao longo dos anos não se têm cansado de se auto-presentear. 
Há alguém que não sinta um nó no estômago quando se apercebe da hipocrisia de todo este jogo social e destes mantos de opacidade (por exemplo, as declarações cruzadas de PS e PSD, desde sempre reunidos no mesmo Bloco Central), cuidadosamente construídos apenas para esconder as únicas palavras que podem traduzir o que realmente se tem passado em Portugal nos últimos anos: o roubo mais descarado possível feito por uns milhares aos milhões que todos somos?
E um roubo que se pretende que continue: as cabeças bem-pensantes e iluminadas (geralmente economistas e outras fadas do lar) que nos vão desgovernando, seja com o PS, seja com o PSD, já têm a solução: que sejam os mais pobres - como sempre - a pagarem esta crise. Nos bancos e nas grandes empresas - aí ninguém quer tocar (pudera, são os seus donos ou accionistas quem verdadeiramente decide!).

A palhaçada das praxes


Reiniciou o Ano Escolar Universitário.
E a palhaçada das praxes voltou.
Uma praxe tem o seu quê de engraçado. Mas é feita e pronto. Acabou.
Mas não. O estudante português tem que fazer praxe durante mês e meio.
É ver desfilar os novos "recrutas" hoje, amanhã, depois de amanhã, etc. até os "comandantes" se fartarem de andar a exibir pela cidade a sua "autoridade".
Em cada 20 praxados 17 só admitem ser praxados para não serem molestados o resto do ano. 3 até gostam, os sádicos.
Mas o pior é que na cabeça desses 17 começa a formar-se a vingança, para o ano eles vão praxar os novos e aí é que vão ver como é praxar.
Por alguma razão se diz pela europa que os estudantes universitários portugueses são os mais burros da Europa.
2 meses depois do inicio das aulas ainda andam em praxes, em recepções ao caloiro, em festas de cursos.
E os pais a pagar a pagar.
Xupa filho que é de borla, o pai paga.

Vitor Alves

29 Setembro, 2010 10:31

Um ano depois: quase cem mil visitas

 António Charrua

No dia 29 de Setembro de 2009 foi publicado no acincotons o primeiro post, sobre a intervenção que Cavaco Silva fez nessa noite sobre o caso "das escutas".  
2.114 mensagens, 8.121 comentários, 98.784 visitas e um ano depois, umas vezes com mais participação deste ou daquele, com mais entrega de uns ou de outros, cá vamos com a "cabeça entre as orelhas" olhando o mundo à nossa volta, a partir desta nossa janela alentejana. A todos os que visitam ou têm participado neste blog, um abraço.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Esta quarta-feira desfiles na Europa. Greve Geral no Estado Espanhol.

Em tempo de crise, de aperto de cinto e de desemprego para milhões de trabalhadores, em toda a Europa, vários sindicatos, em diversos países, convocaram esta quarta-feira os trabalhadores para acções de protesto e desfiles, numa jornada - apesar de tudo meritória -, mas que muitos consideram do mais puro reformismo. No Estado espanhol, onde as reminiscências do sindicalismo revolucionário ainda são muitas e onde existem ainda organizações sindicais que "não se conformam" com o capitalismo e até propõem a abolição do salariato (!) - vejam lá do que estes tipos são capazes!- , esta quarta-feira será de Greve Geral. Seria bom que, todos os que se interessam pelas "coisas" da cidadania e da capacidade de luta por um mundo diferente, perdessem amanhã um minuto para seguirem o que é uma Greve Geral nas diversas regiões que integram o Estado Espanhol. Bem diferente dos desfiles para apanhar sol na baixa lisboeta.
Por isso, já hoje, deixo esta velha canção anarquista "a la huelga" em homenagem aos grevistas de um e do outro lado das fronteiras. 

Em três versões: uma mais antiga:

Outra um pouco mais recente:


Outra bem actual (e legendada em português) :

Que diferença entre uma greve a sério e as greves simbólicas e os desfiles, com que por cá nos vão entretendo, e para os quais começa a não haver pachorra! 

Garcia de Resende: amanhã e depois

29 e 30 Setembro 21h30

Teatro Garcia de Resende Évora

Engenheiros & outros doutores



gentilmente recomendado por mão amiga

Dramatizem, dramatizem, dramatizem... que a gente leva a coisa a sério....


O povão gosta é de recreio... Olhem que o coelhinho mau está à espreita e come o lobo bom num ai...

Anónimo
27 Setembro, 2010 21:30

Dá-me a tua mão

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Estou indignado e gostaria de ser tratado com mais dignidade



Há dois anos que decidi comprar casa na cidade de Évora. Depois de muito procurar, acabei por adquirir um apartamento, ainda em construção, no Bairro da Horta das Figueiras. A obra estava a cargo do EBORIMO, cujo o Engº Arnaldo Súcia é o proprietário.

Tornei-me, assim, condómino de um prédio na Rua General Humberto Delgado. Um edifício com garagens subterrâneas, cujo acesso se faria pelas traseiras do prédio! Essas traseiras têm um nome: Rua Feliciano Barrancos! Só que de "rua", tem apenas o nome!

O que é certo é que há dois anos que luto por ter acesso à garagem que comprei. O empreiteiro REMETE para a Câmara Municipal de Évora, a Junta de Freguesia da Horta das Figueiras REMETE para a Câmara Municipal (que em resposta do Engenheiro Canhoto refere que irá planear o arranjo do acesso para o ano de 2010. Quanto à empresa gestora do Condomínio, a FuturÉvora, esta NADA faz.

O caricato de tudo isto é que, tendo uma garagem e não podendo usufruir da mesma, deixo estacionado à porta de casa o carro que comprei há um ano. Um carro que, actualmente, precisa de uma nova pintura, devido aos sucessivos actos de puro vandalismo e maldade nocturnos (quatro portas riscadas de uma ponta à outra).

Em anexo, seguem as fotos que comprovam tudo o que escrevi neste e-mail.

Decidi escrever para o vosso blogue, como forma de tornar pública uma situação que, acredito, não será única na cidade. Planeiam-se urbanizações, condomínios, gaiolas para pessoas e, depois, nada se faz para garantir que essas mesmas pessoas possam viver em condições, com o acesso adequado àquilo que compraram.

Sou, apenas, um munícipe indignado e que gostaria de ser tratado com mais dignidade, numa cidade que se diz de "EXCELÊNCIA"!!!!!

Cumprimentos,

Um Eborense que paga os seus impostos...

(recebido por email)

Évora: cidade automóvel-dependente

Se o sr. Melgão diz que Évora é uma cidade pedonal, ou que caminha para isso, é certamente por deficiência visual ou por falta de qualquer outra faculdade… Évora é cidade AUTOMÓVEL-DEPENDENTE e todas as medidas tomadas por este executivo, bem como os projectos em congeminação, vão no sentido de agravar francamente essa dependência do automóvel particular como meio de transporte urbano.
Recordo que uma das medidas ERRADAS deste executivo foi a deslocação de grande parte dos seus serviços administrativos para instalações alugadas (?!...) no Parque Industrial (PITE), transmitindo desta forma um sinal errado aos investidores, em particular, e aos cidadãos, em geral.
Creio ser, hoje, óbvio para todos que o CENTRO FUNCIONAL da Cidade deixou de estar no seu CENTRO GEOGRÁFICO para se deslocar para uma ponta, o seu extremo Sul onde deveria estar a funcionar um Parque Industrial e de Armazenagem.
Ora basta reparar onde residem 2/3 dos eborenses, a Norte e Poente de Évora, e na inexistência de transporte públicos para o PITE, para se perceber o corrupio de automóveis que congestiona diariamente a circular às muralhas, ÚNICA via que permite as deslocações entre o Norte e o Sul da cidade.
Mas outras medidas ERRADAS estão na forja, sob a “moderna” e apelativa qualificação de NOVAS CENTRALIDADES. Uma em Santo Antonico, outra na Herdade Sousa da Sé e outra na saída para Beja.
Depois dos resultados da deslocação do centro da cidade para o PITE, imaginem o que significariam NOVAS CENTRALIDADES, afastadas 16 Km, para promover a CIDADE PEDONAL de que fala o senhor vereador?

Anónimo
24 Setembro, 2010 09:54

domingo, 26 de setembro de 2010

Com a devida vénia.


Política de proximidade…

Dia 24 de Setembro assisti a uma assembleia municipal em Évora. Extensa ordem de trabalhos, complementada por uma série de pontos 'antes da ordem do dia'. Com um regimento de tempo rigoroso, a discussão dos vários assuntos lá foi andando noite dentro.
Dois episódios:

1. quando a discussão da coisa pública é do interesse público…
O 1º ponto da ordem de trabalhos, dedicado à situação do município em termos de actividades e financeiros, foi debatido até ao esgotamento do tempo de todas as bancadas. Com muitas questões pendentes, nomeadamente as relativas à situação financeira, à dívida municipal aos fornecedores de serviços, à situação dos agentes culturais, avança-se a possibilidade de a assembleia votar que o assunto merece mais uma grelha de tempo (o que equivaleria, no caso, a mais uma hora, sensivelmente), para dar ao debate o aprofundamento necessário. As oposições votaram favoravelmente, o partido socialista votou contra. Dos lugares perto do público presente chegavam suspiros e desabafos de alívio, tipo 'não bastava a discussão já havida, e ainda os 10 pontos remanescentes da ordem de trabalhos. Assunto encerrado, pois.

2.quando o interesse público discute a coisa pública…
No final da reunião, pedi a palavra, no espaço reservado ao público pelo regimento da assembleia. Seguiram-se 9 companheiros que, em representação das suas estruturas, quiseram tornar público aos eleitos municipais um conjunto de questões. Que questões? Duas, basicamente.

2.1. Desde 2009 que o Município de Évora mantém algum atraso na liquidação dos compromissos assumidos com os agentes culturais relativamente a financiamentos. Formalmente identificados como apoios, na maior parte dos casos, eles representam para estas estruturas entre 0,5% e 25% dos respectivos orçamentos, cujas receitas integram (no caso dos agentes a que me reporto aqui) parte dos co-financiamentos contratualizados com o ministério da cultura e serviços dependentes (ICA, DGArtes, etc.), com outras autarquias, financiamentos de candidaturas europeias, etc.Em 2009, muitos agentes viram esses montantes, com os quais a Câmara se havia comprometido e que por essa razão integravam as suas montagens financeiras, chegar muito tarde, ou nalguns casos não chegar em tempo útil. Houve quem suspendesse actividades previstas; houve quem dispensasse funcionários das suas estruturas; houve quem avançasse dinheiro seu e quem pedisse emprestado à banca, a amigos, etc.No final de 2009, depois das eleições autárquicas, instalou-se um clima de esperança: havia agora uma vereadora para o pelouro da cultura. Havia um projecto, havia uma vontade de renovar as formas de apoio do município, de rever os mecanismos de financiamento, de regular com critérios claros e objectivos rigorosos, a actividade dos agentes com apoio municipal. Pareceu-nos bem. Muito bem, tanto mais que o período anterior esteve marcado por alguma indefinição de critérios na atribuição de apoios, pautada por pouco claras opções em termos de políticas municipais de cultura, pela ausência de opções estruturantes e por um financiamento errático, casuístico e desequilibrado. Quando conto aos parceiros nacionais e internacionais do Festival que este recebeu de apoio por parte do município de Évora, entre 2004 e 2008, 3000€ (sim, três mil euros, que em 2008 até foram reduzidos para… 2000€!!), poucos acreditam! Por tudo isto (e mais algumas coisas), pareceu-nos, pois, muito bem.Entrámos assim em 2010 com ânimo. Mas nada aconteceu como se esperava. Além dos atrasos nos pagamentos de 2009, que à data de hoje subsistem, nalguns casos, não chegou a haver definição de apoios em 2010 com base num conjunto de critérios reconhecível, claro e responsável. Digo responsável porque entendo que as opções relativas a dinheiros públicos só podem ser responsáveis, mas também penso na responsabilidade financeira de quem ao adquirir serviços, ou projectos, compromete irresponsavelmente a sua realização ao não garantir a cabal satisfação do compromisso económico que a compra consubstancia. E deixando o fornecedor (ou o agente) na condição de credor face à câmara, e de devedor face a outros relativamente aos quais não pode ele, por sua vez, satisfazer os compromissos. E o efeito é o da bola de neve, queiramos ou não…Em 9 de Abril de 2010, os agentes culturais, constituídos em plataforma, solicitaram uma reunião com o Município para esclarecer estas questões. As garantias de pagamento (sem data prevista, mas 'provavelmente em Maio próximo', nas palavras do Presidente, embora 'sem compromisso') foram avançadas pela autarquia, sim. Mas hoje, a menos de 100 dias do fim de 2010, quem pode pensar nisso sem sorrir? Ou chorar…Nessa mesma reunião, foram igualmente identificadas as emergências de 2010 e mesmo de 2011: definição de políticas culturais, de critérios para atribuição dos apoios.A muitos dos agentes culturais foi proposta a 'aquisição' de serviços no quadro de um programa financiado pelo INALENTEJO (se não erro), a integrar a programação global da cidade e dos seus diversos agentes sob a designação Festival Terras do Sol. Não vou pronunciar-me sobre o que o festival é, nos termos em que ele se nos apresenta. O que aqui importa é que o município garantiu, para os apoios concedidos nesse quadro, que os pagamentos seriam feitos dentro de prazos razoáveis. Que não haveria atrasos irresponsáveis, pois a autarquia também teria o maior interesse em receber o co-financiamento do programa, o que só poderia acontecer com os pagamentos efectuados.Hoje, a menos de 100 dias do fim do ano de 2010; a menos de uma semana do fecho do festival Escrita na Paisagem; com 4 espectáculos à porta e compromissos pendentes desde o dia 1 de Julho… que fazer?

2.2. A situação descrita acima não pode deixar de ser lida atendendo a um outro factor, que aqui procuro explicitar: é que nós e muitas das outras estruturas não parámos, não cancelámos, não deixámos de fazer o que fazemos. Em primeiro lugar porque é um serviço público o que prestamos, à comunidade, à cidade, à região, ao país. Numa cidade que, neste como em anos anteriores, preenche boa parte da sua agenda cultural com a programação dos agentes culturais, sejam de criação de programação, de formação ou mistas, não quisemos deixar de trazer às pessoas o programa que para elas preparámos. Numa cidade Património Mundial da UNESCO, não quisemos deixar de contribuir para a oferta cultural, para o diálogo entre a contemporaneidade e o histórico. Se a cidade é sempre lugar cosmo-político, é a ela que pertence o nosso trabalho transformador, a nossa busca, inquietação e entrega artística, crítica e empreendedora. E é essa missão que queremos continuar a desempenhar, é por ela que entendemos bater-nos desde sempre.

3.quando a cidade discute a coisa pública
À pólis, à cidade política pedimos afinal o quê? O respeito pelos compromissos assumidos, pela missão dos agentes culturais, na grande diversidade dos seus trabalhos e objectivos.Pedimos uma política cultural de cidadania, de participação e responsabilidade.Pedimos uma política cultural transparente, regida por princípios claros e garantindo igualdade de oportunidades.Pedimos uma política cultural atenta à diversidade de públicos e civicamente responsável.Pedimos responsabilidade económica na selecção, contratualização e pagamento dos projectos a que a autarquia decida associar-se.Pedimos, em síntese, uma política cultural de serviço público. Évora merece!

por José Alberto Ferreira (escrita na paisagem) domingo, 26 de Setembro de 2010 às 19:24
in http://www.facebook.com/note.php?note_id=130075617041486&id=599418791

Dia Europeu das Línguas


Uma bela língua: Euskadi Ta Askatasuna

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Estamos bem entregues…



Pedro Passos Coelho afirmou que não voltará a reunir com José Sócrates sem que estejam na sala outras pessoas que possam «testemunhar» a conversa.
José Sócrates afirmou que se demitira se não for aprovado o Orçamento de Estado porque “decorre do bom senso político que, quando um Governo não tem um Orçamento aprovado, também não tem condições para governar, ainda para mais na actual conjuntura".
Para quem tinha duvidas, assim se vê como quem afirma a todo o momento que e necessária estabilidade política para reforçar a credibilidade e a confiança junto de quem nos empresta dinheiro faz por isso. Fica assim bem claro que o que os move são o cálculo eleitoral e os interesses partidários.
Para quem agora se afirma tão defensor do estado social era (?) de esperar que procurasse entendimentos com quem tal defende e não com quem o pretende destruir, como tem vindo a afirmar a propósito da revisão constitucional.
Como tenho escrito outras vezes, seria desejável que José Sócrates cumprisse a sua ameaça de demissão e que fosse constituído outro governo do PS, liderado por outro primeiro-ministro e com a participação ou apoio da esquerda partidária e social. Mas para que tal acontecesse seria necessário que Sócrates cumprisse a sua palavra, que entendesse que e a principal parte do problema e não da solução e se demitisse também da liderança do PS e que este fosse capaz de reconhecer o falhanço das suas opções.

Sons do quotidiano

Os casamentos voltaram a estar na moda.

Muitos filhos de uma geração que questionou o casamento (entre outras instituições) parecem dispostos a dar-lhe continuidade, muitas vezes com pompa e circunstância.

No entanto, apesar do retomar de um ritual bem fixado, não faltam interpretações novas que geram uma mistura interessante de fórmulas tradicionais e surpresas a pedir “capacidade de encaixe”.
Entre pessoas que decidem casar com o intuito de legitimar uma campanha de angariação de fundos para uso pessoal, ou as que aproveitam para produzir um evento de promoção social, também há as que tomam a oportunidade para, logo ali, afirmarem as diferenças dos que se propõem juntar vivências.

M. é uma dessas mulheres que se prepara casar sem atribuir solenidade ao facto. Para J., o seu namorado, sim! O casamento é um assunto sério. Para ele é importante o acto e o momento da formalização pública de uma relação que vem construindo há anos no espaço privado. Ela anuiu com uma condição: O vestido de noiva que usará será concebida por uma amiga sua, artista plástica, especialista em criações em pvc.
M.já se imagina com um imenso “véu” branco sublinhando a sua silhueta também envolta num plástico de diferente densidade. Alguns nem se irão aperceber da diferença do material. Outros não saberão da assinatura única deste vestido…

J. não acha graça. Espera que seja apenas um devaneio para desfazer nos dias que ainda faltam. O que é que os seus pais irão pensar ?
Ela contrapõe: Se achas importante que eu aceite a tua excentricidade - casar - será igualmente importante que aceites a minha - vestido com assinatura de artista -!

E eu que ouvia a conversa, engoli a custo o riso que quase entornava, já que o momento era mesmo sério.

Política eborense

Hoje à noite em Évora reúne a Assembleia Municipal.
A situação financeira do Município e algumas das suas implicações constitui o prato forte de uma noite que pode ser longa já que o "assunto tem pano para mangas".
A questão dos subsídios acordados ou não acordados com os agentes culturais do concelho, não estando na ordem de trabalhos, pode emergir da discussão.
A transformação da Sociedade Anónima - Mercado Municipal, numa nova empresa Municipal, essa consta da Ordem de Trabalhos, e pode também estar relacionada.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Dia 9 de Outubro: encontro de ex e actuais presidentes de Câmara do Alentejo

O REGISTO deu a notícia esta manhã. O convite aos OCS chegou ao fim da tarde:

Convite

Depois de 25 de Abril de 1974 o Poder Local foi uma das maiores conquistas da Democracia Portuguesa com provas dadas ao longo destes 35 anos. Durante esse período os Autarcas, especialmente os Presidentes de Câmara, tiveram um papel fundamental na consolidação da Democracia e do Poder Local, mas, sobretudo naquilo que foi realizado em benefício das populações.

No Alentejo o Poder Local transformou, radicalmente, as condições de vida das populações, na medida em que foi possível disponibilizar-lhes, independentemente do local onde vivam, os equipamentos e infra-estruturas capazes de satisfazer as necessidades indispensáveis para uma vida condigna. Todo este trabalho teve a vossa participação empenhada e por isso, é um digno representante daqueles que modificaram a nossa região e que não deve ser esquecido.

Assim, uma comissão organizadora considerou interessante criar as condições para que todos aqueles que tiveram essa acção, na nossa região, possam voltar a encontrar-se, independentemente da sua actual vida pessoal e profissional, pelo que convidamos V. Ex.ª para um almoço/ encontro que designamos como “ Encontro de Presidentes de Câmara do Alentejo, eleitos depois de 25 de Abril de 1974” a realizar no dia 9 de Outubro, pelas 12 horas em Monte do Sobral, no concelho de Viana do Alentejo.

A Comissão Organizadora

António Hemetério Cruz

Fernando Caeiros

Manuel Bento Rosado

Victor Barão Martelo

Vereador Melgão: Évora quê?


Criei a minha filha dentro da base da ética e da palavra, "quando se diz algo assume-se até ao fim" e "nunca se diz uma coisa que se não faça ou se pratique". Hoje vejo que não a eduquei para os dias que correm e, das duas três, ou ela se esquece dos meus ensinamentos ou vai ter muito que penar... Isto vem a propósito do post mas também de uma notícia que saiu no Diário do Sul e na qual era dito pelo Vereador Melgão que Évora (neste dia sem carros) era uma cidade virada para os peões, era uma cidade pedonal - está escrito!
Ora acontece que pedi uma licença de esplanada numa artéria secundária, de passagem só para moradores, onde o único carro com selo de residente é o meu (os idosos não tem carro) e, neste meu pedido, referi que até era uma forma de a tornar pedonal!
Embora ainda se encontre sem uma resposta definitiva, tive uma parcial, na qual a Câmara me informa que provavelmente não autoriza a referida esplanada - embora o IPAR tenha dado parecer favorável - pois não acha bem transformar aquela rua num espaço pedonal. (De referir que o Vereador do pelouro é o mesmo que hoje disse, no Diário do Sul, que Évora é e deveria ser mais uma cidade pedonal!).
Claro que este discurso foi para a festa da mobilidade (onde se voltou a gastar dinheiro desnecessário, já que não é a sério).
Como dizia a minha avó "não bate a Bota, com a Perdigota"!

Anónimo
23 Setembro, 2010 02:20

Jornalistas da LUSA marcam greve para Novembro


Os jornalistas ao serviço da Agência Lusa decidiram hoje, em plenário de redacção, convocar uma greve para Novembro como forma de protesto contra a decisão da empresa de rejeitar negociar quaisquer aumentos salariais para o ano em curso. A decisão foi tomada após representantes da Direcção do Sindicato dos Jornalistas (SJ) terem informado os trabalhadores que foram infrutíferas as diligências levadas a cabo em sede de conciliação, no Ministério do Trabalho, já que a Administração da Lusa se mostrou irredutível na sua posição, recusando mesmo a proposta de conciliação de 1% de aumento salarial, idêntico ao que foi feito noutras empresas de capitais públicos, como a Caixa Geral de Depósitos, apresentada às partes pelo representante do Ministério.

Na resolução aprovada pelo plenário de redacção, os jornalistas decidiram ainda voltar a reunir no dia 12 de Outubro, às 14.30h, mas desta feita à porta das instalações da sede a Agência, em Lisboa. Nessa altura será definida a data da greve marcada para Novembro.

A resolução – aprovada com 40 votos a favor, uma abstenção e sem votos contra – apela ainda à participação dos trabalhadores dos restantes sectores da empresa no plenário de Outubro.

in http://www.jornalistas.eu/noticia.asp?id=8291&idCanal=594

Convite à descoberta do lugar onde vivemos

As Jornadas do Património são este ano uma oportunidade para visitas acompanhadas a igrejas, a diferentes pontos da cidade medieval ou mesmo ao edifício central da Câmara, na Praça do Sertório.
Numa altura em que se multiplicam leituras, interpretações e histórias nas mais variadas versões sobre o que se passa nessa sede, porque não aceitar o convite para Sábado 25, viajarmos no tempo e naquele espaço, conduzidos pelas historiadoras Ludovina Grilo e Conceição Rebola?
Prometem-nos a história do edifício dos Paços do Concelho, desde as termas romanas até ao século XX. Mais a do castelo medieval que aqui existiu. E a da torre e dos brasões que ainda existem. Por entre outras mais esquecidas, como a lenda da Fundação da Cidade de Évora ou o mistério do tesouro da torre destruída (actual Grupo Pró-Évora).

REGISTO 121

 
(clique para aumentar ou leia aqui todo o jornal)

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Sem eufemismos: absurdo e obsceno


Parra da Silva, presidente da Associação Portuguesa de Ética Empresarial
Jardim Moreira - Rede Europeia Anti Pobreza

 A sociedade vive uma crise de valores que gera pobreza e um Estado ineficiente, uma realidade que só mudará quando partidos e organizações puserem a ênfase na ética e na economia social, foi hoje defendido num seminário sobre economia social.
Parra da Silva, presidente da Associação Portuguesa de Ética Empresarial (APPE), lembrou que nas últimas três décadas as organizações assumiram um papel importante na sociedade, sendo fonte de riqueza do país e o lugar onde as pessoas passam maior parte do tempo.
"Mas continuam a não ter uma relação com a sociedade que enquadre este novo papel. As organizações são vistas como maléficas e destinadas a explorar os empregados e a enganar os clientes. Esta ideia, errada, está muitas vezes na cabeça dos próprios gestores", alertou.
Por isso, explica que a "nova ética empresarial" enfatiza as organizações como "seres sociais" e "esbate a diferença entre economia social e economia de mercado".
Nesse sentido, "é preciso que os actuais gestores redescubram os valores da ética empresarial, a decência, a honra, o respeito à palavra dada, o ambiente de confiança que deve estar na base das empresas e que foi esquecida nos últimos anos", afirmou.
Parra da Silva sublinha que "os trabalhadores deixaram de contar" e que a eles é dado apenas "o dinheiro necessário para alimentar o consumo".
"A parte mais infiel, mais disponível para atraiçoar e matar a empresa é o accionista. O trabalhador é o mais fiel. É um absurdo o patrão ter poder de vida ou de morte da empresa", defendeu.
Parte da responsabilidade está na "ineficiência" do Estado, "uma organização que nós pagamos" e que "produz pobres com uma eficácia inigualável", considerou, acrescentando que assim não há como combater a pobreza.
"Vivemos num regime obsceno. Um regime que admite distâncias salariais como o nosso admite, só pode ser obsceno. O mundo mudou, os partidos também têm que mudar", defendeu.
Na mesma linha, o presidente da rede europeia anti-pobreza, Jardim Moreira, considerou que um "sistema que gera um milhão de pobres por ano é um sistema perverso".
"Gera-os e chuta-os para a valeta. É um retrocesso grave nas políticas europeias. Na base tem que estar a solidariedade e não o interesse privado, como no mercado", defendeu.
"Choca-me que Portugal tenha o maior nível de crianças pobres e não vemos empenho para que o problema seja debelado", afirmou, questionando: "Que futuro para um país onde 24% das crianças são pobres?"
Convicto de que "mais do que económica, a crise é de valores", Jardim Moreira aponta o subsector social como um campo privilegiado contra a pobreza, mas lamenta que também este esteja refém do Estado, o que prejudica a sua acção.
"Quem paga o terceiro sector é o Estado, então quem acaba por mandar é o Estado. Onde está a autonomia da sociedade civil? Não há. Só faz a gestão", disse o responsável.
Como exemplo refere a falta de dinheiro para qualificar técnicos e direcções para encontrar novas formas de resposta aos utentes.
"Houve uma proposta para utilizar uma fatia do QREN na formação social - como fez a Espanha -, mas não foi aceite. Há uma falta de visão ou de vontade política do Estado e do Governo em encontrar respostas sociais em Portugal", acusou.


Eufemismos de linguagem ou medo de desagradar ao boss?

Que a Câmara de Évora, devido a dificuldades financeiras várias, está sem pagar aos agentes desportivos e culturais do concelho os valores que estabeleceu, de livre vontade, relativos a 2009, já todos sabemos. Que estes clubes e agentes não têm qualquer verba protocolada para 2010 todos também sabemos, Todos também sabemos que estes agentes, sobretudo os maiores, que são o Lusitano (que tem a receber 60 mil euros) e o Juventude (50 mil euros) vivem uma situação de grande aperto e dificuldade que os impede de desenvolver todos os projectos que têm em curso. Nada disto é desconhecido. Mas vem agora a Rádio Diana "voltar o bico ao prego" e titular uma notícia sobre esta matéria da seguinte forma "Futebol: Lusitano sobrevive sem dinheiro do Estado mas com actividade reduzida".
Esta do dinheiro do ESTADO é que não lembrava nem ao diabo. Ou como dizia o outro: "não havia nexexidade"

terça-feira, 21 de setembro de 2010

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Vamos passar o Ano Novo numa cabana de pastor?

Tinha saído, por breves minutos, para o pátio que no verão faz de mais uma sala aqui em casa. Quando voltei à cozinha tinha uma chamada não atendida no telemóvel. Uma chamada do Jones. Fiquei surpreendido. O José Luís Jones teve um acidente grave de automóvel em Dezembro passado, entre Almodôvar e Castro Verde, seguido de um AVC, e ficou sem falar e sem conseguir escrever. Praticamente incomunicável. Eu sabia que tem estado em Alcoitão a fazer terapia da fala, mas que os progressos têm sido quase nulos. Mas pensei, quando vi a chamada dele, que haveria algo de novo. E liguei-lhe. Do outro lado chegou o tom de voz do José Luís, mas apenas isso. Nem o som de uma palavra articulada. Eu ia falando e ele respondia "hum, hum", "hummmm" ou huuuuuum". Foi uma conversa espantosa de cerca de 10 minutos em que eu, do outro lado, pouco percebi, para além do agrado que as minhas palavras tinham no Jones, um verdadeiro sobrevivente.
O José Luís (um homem de palavras e da comunicação) está, a este nível, praticamente incomunicável, mas não desiste. É um lutador. Nasceu em Castro Verde há 50 anos, amigo pessoal do Al Berto, andou pela Holanda, voltou a Portugal e foi um dos principais "reveladores" da importância da obra fotográfica do José Manuel Rodrigues, de quem é também amigo pessoal. Fez parte da equipa do "Imenso Sul" e a ele pertence a frase que é uma das imagens de marca da Ovibeja: "todo o Alentejo deste mundo". Há cerca de cinco anos o fígado deixou de funcionar. Teve que fazer um transplante. A coisa correu mal, o corpo rejeitou o fígado novo,  e quando todos já o davam como morto, foi operado, em coma, e sujeito a um segundo transplante. Sobreviveu e fazia uma vida completamente normal. Algo nunca visto e tema mesmo para comunicações em congressos médicos. 
Agora resiste há quase um ano e, sobrevivente como é, resistente à boa moda do Alentejo, não me admirava nada - apesar dos médicos não verem isso senão como uma modesta possibilidade - que amanhã me entrasse porta dentro e  dissesse: "este ano temos que fazer a passagem de ano aí numa barraca de pastor, sem luz nem nada, só à luz das estrelas", ele que sempre gostou mais de pastores, de tocadores e cantadores de baldão e viola campaniça, de cantadores da moda, do que de gente da "alta". E gostava de dizer que um vinho novo, mas já feito, era "um vinho redondo", um vinho que "estalava na boca" e que as orquídeas selvagens era o que de mais bonito havia no Campo Branco, à volta da Mina de Neves-Corvo. 
(Mas aqueles "huns" que trocámos ao telefone ainda me "bolem" na cabeça, como um traço insubstituível de comunicação).

Para inverter a curva de natalidade...

...ou efeitos da visita do Papa ao Reino Unido? Por cá, nada feito. Os remédios continuam a aumentar e a curva está cada vez mais desnivelada. Apesar de católicos, apostólicos e romanos. E o mais que se quiser dizer.

Quando tratam assim os seus…

Manuel Maria Carrilho soube hoje de manhã pela agência noticiosa Lusa que iria ser em breve dispensado do cargo de embaixador de Portugal junto da Unesco, afirmou o próprio ao SOL.

Isto de alguém pensar pela sua cabeça, ter opiniões diferentes de quem o nomeou e afrontar o Chefe tem consequências... O Chefe e quem o rodeia não gostam de ser incomodados quanto mais contraditados. Era o que faltava!

Pontos de vista

Existem pontos de vista diferentes consoante o posicionamento de cada um. O ponto de vista de quem decide não é, necessariamente, o mesmo de quem executa, tal como o de quem investiga poderá não ser o mesmo do de quem faz as notícias e o de quem tem ligações directas com o assunto só por coincidência será o mesmo de quem se limita a observar e a criticar.
São, de facto, ângulos de observação diferentes, material e emocionalmente.
Nada disto é novidade ou problemático a não ser quando não se entenda ou se queira ter em consideração.
Se cada um tiver em conta o seu posicionamento e não tiver a pretensão de ter do seu lado toda a razão tudo será mais simples e terá mais hipóteses de, com a dialéctica possível, chegar a conclusões mais razoáveis e interessantes para todos.
Se, pelo contrário, cada um achar que só o seu ponto de vista é correcto e se revelar incapaz de o confrontar com outros poderá correr o risco de, frequentemente, "bater com os burrinhos na água".

domingo, 19 de setembro de 2010

Exercícios de Cidadania


Estou 100% de acordo com o M. Sampaio, de facto é uma questão de cidadania e mais continua a fazer sentido o célebre poema:

Primeiro levaram os judeus,
Mas não falei, por não ser judeu.
Depois, perseguiram os comunistas,
Nada disse então, por não ser comunista,
Em seguida, castigaram os sindicalistas
Decidi não falar, porque não sou sindicalista.
Mais tarde, foi a vez dos católicos,
Também me calei, por ser protestante.
Então, um dia, vieram buscar-me.
Mas, por essa altura, já não restava nenhuma voz,
Que, em meu nome, se fizesse ouvir.

Poema de Martin Niemoller

O exercício da cidadania é algo, que é privilégio de algumas pessoas, que na maioria das vezes são transformadas em vitimas.

TC
18 Setembro, 2010 13:53

Menos pensado

"El  dia menos pensado" é o título de uma peça que o grupo La Burla, apresentou ontem à tarde na sala da SOIR Joaquim António d'Aguiar. 
O Machismo e a forma como "a mulher do século XXI" lida com essa marca "dominante na nossa sociedade" é o tema eleito pelo grupo de Teatro de Cáceres.

Trata-se de uma comédia despretensiosa e divertida com que nuestros hermanos alertam para a necessidade de reflectir sobre uma realidade que modela a vida contemporânea mas sobre a qual não pensamos, a não ser que sejamos confrontados por circunstâncias incontornáveis, num dia imprevisto. É um espectáculo premiado em Espanha, mas que entre nós, no meio de uma dúzia de bons espectáculos propostos pelo FESTAE deste ano, corre o risco de não ser tão reconhecido como merece.

A boa notícia é que se por cá ainda vamos desvalorizando, contornando, evitando pensar e discutir  a realidade pós feminista com que lidamos quotidianamente, aqui ao lado, o assunto é levado mais a sério. Tem palco, prémios e boas interpretações. O Autor e director deste "dia menos pensado" é um homem, Fulgencio Valares. E sugere que as mulheres que almejaram libertar-se de peias económicas, sociais, culturais, têm ainda  pela frente o maior dos desafios já encarados: o da mudança nos quadros mentais.O que implica novas concepções de si e do outro.


















As metásteses do medo

Vivemos muito tempo amordaçados, o medo de falar está-nos nos genes. É natural, o contrário seria de estranhar.
Quando algo nos incomoda, optamos quase sempre pela bravata inconsequente em vez de uma tomada de posição assumida e frontal.
Quem detém o poder, assume-o como usufruto, em vez de o entender como delegação atribuída pelos seus pares. Tem no entanto a vaga noção, de que um dia terá de prestar contas e usa esse mesmo poder para camuflar os seus erros.
Quem é sujeito passivo dessa violentação, quem é abusado, tem vergonha do seu papel de vítima e submete-se, na esperança de melhores dias...
Só que neste como em muitos capítulos da vida, a única solução é a ruptura.
Não é fácil!
Todos temos algo a perder, o ganho tem de ser avassalador para que se cumpra a mudança.
A solução tem de ser colectiva, transversal.
Não é só na administração pública, é em toda a parte; nas relações de vizinhança, nos contactos com os prestadores de serviços, nas relações com a autoridade policial etc, etc, até mesmo nos comentários aos comentários bloguistas.
Não é fácil, mas é urgente.
É uma questão de cidadania...

M. Sampaio

18 Setembro, 2010 13:14

A Liberdade não está a passar por aqui!

Sou funcionário de uma das mais badaladas câmaras municipais da CDU/PCP do distrito, mediatizada pela colecção de certificações de qualidade, e de projecto turístico de "sucesso".
Nesta digníssima edilidade perseguem-se trabalhadores ao estilo da santa inquisição, há um trabalhador enfiado num buraco insalubre desde o período pós eleitoral de 2005, foi sujeito ao longo destes anos a toda a espécie de atentados contra a sua dignidade.
Isto tudo, com o consentimento cobarde de todos nós, os trabalhadores da autarquia, todos temos família e, as perseguições reflectem-se nos vencimentos, através de horas extraordinárias, ajudas de custo, quem exercer a sua livre opinião ou tiver o atrevimento de ser crítico, é imediatamente colocado de castigo.
Como diria o poeta: A LIBERDADE NÃO ESTÁ A PASSAR POR AQUI! Portanto meus caros, antes de atirarem pedras, comecem por exigir aos vossos digníssimos camaradas autarcas o respeito, pelos valores de Abril, pela Lei e pela Constituição, sob pena de qualquer dia, em vez das 4 câmaras, que detém no distrito, passam a não ter nenhuma.
Sou habitualmente um votante na CDU, para que conste. Sou anónimo por razões imperiosas.


18 Setembro, 2010 11:20

sábado, 18 de setembro de 2010

E agora?

E agora?

Agora,
Terá a caminhada outras novas partidas
E terá outras novas paragens
Com outras frescas aragens,
Com outros olhares em outros andares
Em velhos e novos caminhos
Em andar de paz e em espiral de luz,
Com outros sabores e outros saberes
Em novos amanheceres
De aventura!

De ternura
Serão os adormeceres
De paternos corações
Olhando os caminhos na lonjura,
Esperando notícias nos amanheceres…

J. Rodrigues Dias
Évora, 2010-09-16