sábado, 31 de julho de 2010

“Évora Mosaico” - uma revista de autor


“Évora Mosaico” é uma revista trimestral dirigida “aos eborenses e a todos aqueles que nos visitam”, com coordenação e textos de José Frota, ex-correspondente do semanário “Expresso”.
Acabou de sair o número da canícula em cuja primeira página José Ernesto deseja Boas Férias a todos e coloca a sua assinatura. À excepção desse pormenor, número após número o mosaico afirma-se cada vez mais como uma revista de autor. Reflecte a visão do jornalista sobre a sua cidade. Sem uma única linha doutra autoria.
Como muitos outros autores na área da fotografia, da pintura, da escultura ou das mais diversas expressões das artes e letras, também Frota tem direito à sua expressão de autor. A qualidade reconhecida, a originalidade, a pertinência ou mestria, depende não só do criador e do produtor mas também de quem observa e avalia.
A vantagem do ex-jornalista José Frota sobre alguns outros autores de Évora é que o seu produto é comprado trimestralmente pela actual Câmara. Assegurada está assim esta produção. Que se pode dizer de qualidade. Tal como a colecção de Paulo Parra, e outras opções que vão sendo tomadas sem necessidade de justificações públicas. São legitimadas pela marca que um dos assessores do Presidente da Câmara exarou no seu blog no primeiro dia deste mandato: “Ganhámos!”. O suficiente para legitimar tudo o que vier. Incluindo uma revista de autor, entre outras coisas de menor qualidade e maior desvario.

maria francisca
31 Julho, 2010 13:46

Fora de época

Charada própria da silly season

O
?

sexta-feira, 30 de julho de 2010

25 mil espectadores? Com as férias, o Músicas do Mundo em Sines, o calor, parece-me muito.

Começa hoje. É o primeiro. Os organizadores têm a expectativa de atingirem os 25 mil espectadores. Parece-me que a fasquia está posta bem lá em cima e que vai ser difícil lá chegar. Para quem gosta de saber mais pode ir aqui. Tem tudo sobre o festival.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Guadalupe é uma das 32 escolas que o Governo quer fechar no Alentejo

A revelação foi feita numa nota de imprensa da CDU divulgada esta noite:

"DREA pretende encerrar a escola de Guadalupe
A Vereadora do Pelouro deu conhecimento a todos os eleitos de um ofício endereçado pela Direcção Regional de Educação do Alentejo, onde comunica sumariamente a decisão de encerrar a Escola do ensino básico do 1º. Ciclo de Guadalupe.
Os vereadores da CDU reiteram a posição tomada de se oporem ao encerramento de qualquer escola nas freguesias rurais do concelho, lembrando a posição assumida por todas as forças políticas representadas na câmara municipal.
Entendem os vereadores da CDU que deve ser transmitida à Direcção Regional de Educação a oposição de princípio do Município ao encerramento daquele estabelecimento de ensino, em conformidade com decisões unânimes anteriormente tomadas.

PS e PSD aprovam protocolo que dita o fim do Centro de Artes Tradicionais
Foi ontem a reunião de câmara a nova versão do protocolo para a criação de um “museu de artesanato e design”.
Os vereadores da CDU, à semelhança do que tinha acontecido em Março, manifestaram-se contra a assinatura de um protocolo desequilibrado, que defende os interesses da Entidade Regional de Turismo e o do coleccionador, onerando as finanças municipais em valores que a vereadora do pelouro não foi capaz de determinar.
Entendem ainda os vereadores da CDU, que a criação do “museu de artesanato e design”, no actual espaço do Centro de Artes Tradicionais significa, na prática, o fim daquele centro, considerado um projecto de reconhecida qualidade e importância que a Entidade Regional de Turismo não soube promover e gerir.
Os vereadores da CDU recusaram a enorme irresponsabilidade de aprovar um protocolo válido por 10 anos, assumindo a câmara todos os encargos durante esse período, sem que tenha sido apresentado qualquer valor previsível para o seu custo anual.
Os Vereadores da CDU"

Às vezes há vozes para além da Voz. E o importante são as vozes. Que fazem ou não a Voz.

Para quem, como eu, acha que o PCP, quase sempre, é uma coisa assim a dar para o monolítico esta é uma boa resposta e um claro desmentido.

Quem anda a gozar com a gente?

Em nota divulgada à comunicação social, o procurador-geral da República afirma-se surpreso com a necessidade de mais inquirições suscitadas pelos investigadores do caso Freeport.
Monteiro reagiu assim às notícias que davam conta que os procuradores encarregados do processo queriam ouvir o primeiro-ministro mas não tiveram tempo. O Ministério Público chegou mesmo a elaborar 27 perguntas para colocar a José Sócrates.

Uma coisa assim tipo praga

Évora não deixa crescer as coisas... os projectos aqui começam com força, ânimo e garra, mas aos poucos vão morrendo, adoecendo como se uma doença "maligna" os contaminasse e, depois, é só esperar e morrem de podres!
Não sei se é das pessoas, se da cidade ou da história, o que sei é que ao longo dos anos vi nascerem projectos artísticos, de animação e de comunicação extraordinários, mas todos morreram e restou sempre o Diário do Sul. Que raio de praga é esta que nos assola?!
Ao Registo, aos seus proprietários e à sua equipa desejo que contrariem esta "praga", mesmo que uns números sejam melhores que outros. Afinal os jornais fazem-se de notícias e semanas existem que não há notícias sem ser de "merda".
 
Lurdes
29 Julho, 2010 15:20

Mais uma semana em REGISTO

todo o jornal aqui

quarta-feira, 28 de julho de 2010

A dificuldade de mudar no tempo das mudanças


É consensual que estamos num mundo em mudança; que agora tudo é muito diferente de ainda há pouco; que as mudanças são aceleradas.
Mas, quando observamos o mundo das ideias percebemos que vivemos ainda profundamente influenciados pelo iluminismo, empenhados na procura do novo. A grande maioria das pessoas quer ainda ser moderna. Os discursos políticos falam de partidos modernos, e dizem querer um país, ou uma instituição moderna.
Enquanto isto, teóricos e artistas dizem e escrevem, pelo menos desde os anos 70, que a modernidade foi suplantada. E discutem se este é o tempo da pós-modernidade, da hiper-modernidade, da modernidade tardia, ou outro ainda.
Enquanto o discurso de uns poucos dobrou a modernidade - outra vez sem sem unanimidade sobre se este era mais um Cabo da Boa Esperança ou  se das Tormentas – o quotidiano, esse continua impregnado das mais velhas marcas.
Gilles Lipovetsky- (não, não é um perigoso comunista, mas antes um defensor das democracias liberais) publicou este ano entre nós (edições 70) um livro sobre a omnipresença dos ecrãs na sociedade contemporânea. Neste contexto, observou que entre os milhões de fotos que estão no facebook, a generalidade dos homens aparece em cenários exteriores, ou seja na praia, no surf, jogando à bola, numa esplanada, etc, enquanto a maioria das mulheres surge em cenários interiores, com marcas de sensualidade, ou erotização bem evidentes.
É caso para dizer que apesar das mudanças, parece não haver descontinuidade na reprodução dos símbolos que vêm desde sempre.E que as mudanças, nomeadamente nos arquétipos do género, são afinal muito lentas.

Não, não é um post do Luís Serra. Mas com estes calores é o que apetece.

Casal Dançando Livremente, de Gerhard Riebicke, de 1930.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Sobreiros

                                             Dórdio Gomes, Paisagem, óleo sobre tela, 1932

Gostaria que os homens fossem como os sobreiros, 
Nas agruras resistentes, sempre sóbrios, em solos ardentes.
Gostaria que os homens ao quarto de século fossem jovens adultos
Como os sobreiros, com a cortiça virgem tirada dos troncos
Pela primeira vez descortiçados por mestres tiradores
Sem machados a cortarem as raízes e a seiva do crescimento.
Gostaria que os homens nos sobreiros, então, se olhassem
E no espelho do céu se repensassem no seu tronco nú,
Com a casca rugosa superficial tirada, reduzidos à sua essência,
À seiva que lhes dá a vida pelas raízes na secura da terra conquistada.
Gostaria, então, que os homens continuassem como os sobreiros,
Em nova etapa, com a força retemperada e, nove anos passados,
De novo descascados por hábeis mestres descortiçadores,
Com precisão no corte para de novo não os magoar no seu ser
Nem os ofender no essencial do seu viver e crescer.
Gostaria, então, que os homens olhassem de novo os sobreiros,
Maiores, continuando sóbrios no seu porte,
E sentissem como leve continua a ser a cortiça secundeira
Que vento fraco matinal de quase aragem ligeira leva.
De tronco nú, gostaria que os homens neles de novo se mirassem
E em imagem de futuro com eles se reiniciassem
E de novo, em nova etapa, se fortificassem.
Gostaria que os homens continuassem como os sobreiros
E que um dia, depois, nove anos depois, vissem como teria
Finalmente, então, qualidade a cortiça amadia.
E de novo em tronco nú, despojados da sua superficialidade,
Reduzidos à sua essência, em nova etapa iniciada,
Com mais porte e mais seiva, maiores,
Gostaria que os homens olhassem agora os adultos sobreiros,
Imponentes, agarrados mais ao solo, ainda mais sóbrios.
Gostaria que assim os homens fossem como os sobreiros,
Crescendo, dando-se ao cuidar de mestres, aos outros se dando,
Olhando-se no espelho do céu, almejando o brilho das estrelas,
Libertando-se do superficial, o essencial preservando,
Como os sobreiros, imponentes no ser do tempo,
Olhando do seu alto a pequenez dos pequeninos chaparros
E o abocanhar sôfrego dos porquinhos.
Gostaria que os homens fossem como os sobreiros
E que vissem como é até leve a cortiça amadia
Que um vento mais forte como colorido trapo superficial
Para um longe escuro leva para sempre,
Num qualquer dia!

Évora, 2010-07-26
J. Rodrigues Dias

O adeus de José Soeiro

João Ramos vai substituir, a partir de 1 de Agosto, na Assembleia da República, o deputado José Soeiro que renuncia ao mandato. Tem 37 anos, é natural de Santo Amador/Concelho de Moura, Enfermeiro de profissão, membro da DORBeja do PCP e activista associativo em diversas áreas e associações. Foi o terceiro candidato da lista da CDU, a seguir a José Soeiro e a Maria da Fé.
José Soeiro, deputado há cinco anos, anunciou a renúncia ao mandato durante uma conferência de imprensa, na sede o PCP, em Beja. «Chegou o momento de dar lugar a alguém mais novo que possa dar continuidade e nova vitalidade ao trabalho parlamentar do PCP», disse José Soeiro, afirmando que a sua saída corresponde inteiramente ao previamente acordado e que se “cumpre assim a sua vontade e a vontade da Direcção Central do seu Partido”.

Depois de ter abandonado a Direcção do PCP, no Congresso de 2004, chegou agora também a hora de José Soeiro abandonar o lugar de deputado para que fora reeleito há nove meses.
Não deixa de ser curioso que, apesar de acompanhado pelo responsável da DORBeja, foi ele que anunciou a sua renúncia e o seu substituto, tal como a sua afirmação de que se “cumpre assim a sua vontade e a vontade da Direcção Central do seu Partido”. Qual destas terá pesado mais?

Põe-te a pau ó Rego: o que ele quer é assessorias (a verdade acaba sempre por se descobrir)

Anteontem à noite decidi colocar aqui no acincotons um post a brincar sobre o calor e como pretexto para divulgar duas conferências de imprensa que iam ter lugar aqui em Évora. Um post anódino, a que não augurava muito futuro, mas enganei-me. Os comentários têm-se sucedido a um ritmo vertiginoso e já ultrapassaram as seis dezenas. No início também estimulei o seu aparecimento, com alguns comentários mais aguerridos. E houve quem me seguisse na peugada, transformando a caixa de comentários num verdadeiro espaço de estudo acerca de muitos daqueles que, de forma anónima, não se eximem de comentar o que sabem e o que não sabem. Geralmente o que não sabem mesmo. Melhor: não lhes interessa absolutamente nada comentarem o que quer que seja. Interessa-lhes sim lançarem frases caluniosas, processos de intenção, afirmações completamente despropositadas, transformando, por isso, as caixas de comentários em verdadeiros caixotes de lixo e fazendo com que muitos se afastem dos blogs frequentados por tais personagens ou defendendo a moderação dos comentários.
Eu não entendo isso dessa forma: os tons dos comentários, o mal escritos que, regra geral, são, o colorido de insultos, a forma leviana como se tratam os outros, sempre caluniados e sempre injuriados, é apenas o retrato de parte de uma sociedade submissa, com medo de dar a cara, sempre com medo do chefe, mas sempre a dizer mal dele, que grita nos jogos de futebol contra o árbitro e que à noite bate na mulher. E aqui não há divisões partidárias: todos os partidos contêm em si esta massa humana, reptiliana, que faz da ignorância e da incapacidade de debate e de frontalidade a sua bandeira. Estão em todo o lado, em todos os sectores da sociedade, embrenhados nas suas vidinhas fechadas e pouco mais vendo do que o horizonte da palma da mão. Esteja o punho fechado ou em riste, para esta pobre gente pouco mais resta do que "rastejar no seu próprio bafo". Gente para quem participar no debate público é esconder-se, insultar, não dar a cara e, talvez, na próxima oportunidade apertar as mãos e saudar efusivamente os alvos dos seus ataques mais violentos. É gente sem personalidade, ou, para usar a terminologia de um "valente e anónimo comentarista": "O melhor é ires à vacina da rabuge do veterinário da câmara que ele cura-te essa espuma ao canto da boca". 
Desta gostei: é d´homem. E presumo que bem vermelho. Aliás, como o tomate.

Poema em linha recta


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,
Para fora da possiblidade do soco;
Eu que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu que verifico que não tenho par nisto neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo,
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu um enxovalho,
Nunca foi senão - príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana,
Quem confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó princípes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde há gente no mundo?

Então só eu que é vil e erróneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Álvaro de Campos

segunda-feira, 26 de julho de 2010

No Mar de Ar Aqueduto, sff

Nós, jornalistas, às vezes, andamos à míngua de notícias nestas terras encaloradas de um Alentejo nem sempre transparente, nem adepto do escrutínio dos poderes que é uma das obrigações da comunicação social mais séria e profissional.
Mas, às vezes também, a realidade prega-nos partidas e esta segunda-feira temos logo duas conferências de imprensa marcadas para a mesma hora aqui em Évora: às 16 horas, a Turismo do Alentejo e a Câmara de Évora convidam os jornalistas para uma conferência de imprensa no Hotel Mar de Ar Aqueduto para a apresentação do projecto do Museu do Artesanato e do Design (a  cargo do coleccionador Paulo Parra) e, à mesma hora, o deputado do PCP, João Oliveira, e a concelhia do partido, convidam também a comunicação social para uma conferência de imprensa à porta da Misericórdia de Évora (com este calor?!!) para falar da situação social que se vive no concelho.
E não se podiam pôr de acordo? Assessores de imprensa de um e de outro lado contactarem entre si e  marcarem as coisas duma forma mais desfasada? Uns de manhã e outros à tarde? Ou então, já que estamos em fase de conjugação de esforços e de poupança, faziam a coisa em duas etapas, mas no mesmo espaço. Convocavam-se os jornalistas e na primeira parte uma entidade dizia das suas razões, havia um intervalo e depois a outra entidade dizia o que lhe vai na alma. Poupavam-se energias e nós, jornalistas, saíamos do sítio com o trabalho feito, sem necessidade de mais deslocações. Se fosse esta a solução encontrada sugeria que prevalecesse a proposta da Região de Turismo e o local escolhido fosse o Mar de Ar. Sempre é mais fresco do que a porta da Misericórdia. E o PREC já foi há uns anitos.

domingo, 25 de julho de 2010

Está na altura de tirar a cortiça


Hoje foi um bom dia. É que eu sou por uma ibéria das nacões. Quanto mais federal, melhor.


Milhares de galegos manifestaram-se hoje nas ruas de Santiago de Compostela, em Espanha, para exigir a proclamação da Galiza como "uma nação", num protesto convocado pelo Bloco Nacionalista Galego (BNG). O porta-voz do BNG, Guillerme Vasquez, disse à Agência Lusa que a manifestação juntou mais de 20 mil pessoas, enquanto que fonte policial apontou para entre 10 a 15 mil manifestantes.
"Estamos aqui a expressar a nossa vontade de ser nação. Estamos aqui a defender a pátria galega que queremos construir, com democracia, com autogoverno e com bem-estar social", afirmou Vasquez.
Para este líder partidário, a Galiza "só terá futuro se tiver capacidade real de se autogovernar, só se fará respeitar quando decidir comportar-se como uma nação".
Guillerme Vasquez criticou o Estado "centralista" espanhol, culpando-o pelos "problemas históricos" da Galiza.
"A Galiza é uma região autónoma, mas, no fundo, o Governo regional não é mais que uma sucursal do Governo central. Um diz mata, o outro diz esfola. E assim nunca mais deixará de ser uma região consolidada na segunda divisão", acrescentou. "A Galiza é a nossa nação", resumiu Vasquez.
O porta-voz do BNG acusou o governo regional, liderado por Alberto Nuñez Feijóo, do Partido Popular, de se estar a transformar «num problema para a Galiza».
"Em ano e meio promoveu o decreto contra o nosso idioma, impediu seleções desportivas galegas, abandonou a promoção da cultura galega, demoliu o sistema galego de bem-estar, privatizou a saúde pública, promoveu uma lei do solo para beneficiar os infratores", apontou.
Sob o lema "Faz valer a tua força. Fracassado o modelo ao serviço da banca, uma nova economia ao serviço do povo e da Galiza", os manifestantes proferiram palavras de ordem como: "Na Galiza, em galego" e "Galegos somos, galegos seremos, por espanhóis nunca passaremos".
O protesto integrou as comemorações do Dia da Pátria Galega, que se assinala todos os anos a 25 de julho, dia do apóstolo Tiago.
(Lusa)

Na poça

sábado, 24 de julho de 2010

Novo Museu do Design em Évora

Tem sido das mais interessantes discussões dos últimos tempos em Évora, motivando muitos comentários não só aqui no A Cinco Tons como no jornal REGISTO (o Diário do Sul só na próxima terça feira falará do assunto - querem apostar?), sendo o centro de intenso debate político.
Certo, certo é que o novo Museu do Design e do Artesanato - Colecção Paulo Parra é apresentado segunda-feira.
Aqui ao lado, pedimos a vossa opinião sobre o novo Museu. E se quiserem sugiram mais hipóteses.

Quando o calor aperta...




Évora, hoje: filme e debate sobre anarquismo na Harmonia às 4 da tarde (que calor!)


Na imagem 3 anarquistas da velha guarda e da velha CGT: 
José Francisco (do sindicato da marinha mercante),  
Tomás Aquino (do sindicato da construção civil), José de Brito (anarquista q,b.) 

Na Sociedade Harmonia Eborense

Documentário de José Tavares e Stefanie Zoche
24 de Julho | 16 horas | Entrada Livre

Um documento sobre a história do movimento libertário português e o seu enquadramento no contexto da realidade internacional de épocas sucessivas.
Com apresentação da revista anarquista "Alambique", seguida de conversa sobre o anarquismo e sindicalismo. O filme é interessante. A conversa também o pode ser. Depende dos interlocutores. Vou tentar ir.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Também eu me associo à homenagem no âmago (ou será ânimo) dos Passos Perdidos.

É a homenagem a um amigo feita por muitos outros amigos. É estranho? Olhe que não, olhe que não! A vida é feita de tantas cores e de tantos cambiantes!!! E obrigado pelo prato! Já lá fui buscá-lo: depois do "ânimo de ouro", o prato pintado é um luxo que irei pôr na casa de Colos, lado a lado com a serigrafia de homenagem ao vinho. E que te seja boa a reforma, longe dessa gente! (Claro que não falo dos jornalistas...).
A propósito de Parlamento. Esta foi-me contada por velhos anarquistas. Na primeira república estavam a reparar o telhado de São Bento, o "antro parlamentar". Um dos operários, anarquista, natural do Algarve, era um tal Carrascalão. Descobriram as autoridades que preparava um atentado. À bomba. Contra os "deputados inúteis". Prenderam-no e deportaram-no para Timor. Lá prosperou. Deu vida à fazenda Algarve e fez filhos. Esses Carrascalões que hoje conhecemos. Que tu prosperes também longe daí. Lá por terras de Mação. Ou onde quiseres. Apesar da inquietação, inquietação, os dias são teus!

E ninguém discute estas declarações? (Évora tem disto: as coisas são noticiadas, mas ninguém lê, nem discute e depois dizem que não sabiam...)

(clicar para ampliar)

Petição sobre as privatizações no Sector Empresarial do Estado e o ataque à Administração Pública

Leia (e, se concordar e quiser, assine) aqui.

Foi você que pediu um fim de semana diferente?

Conhece um francelho?
O Centro de Estudos da Avifauna Ibérica - CEAI- , uma organização sem fins lucrativos com 19 anos de vida, diz que os francelhos são importantes na nossa vida.
Este fim de semana pode ficar a saber porquê, se aceitar o desafio.

Onde é que isto vai parar?

O valor acumulado dos empréstimos concedidos pelos bancos ao Estado aumentou 441 % em Maio, para 4,4 mil milhões de euros, o valor mais alto de sempre. Um montante que compara com os 814 milhões de euros registados em Abril. Ou seja, só em Maio, no auge da crise de dívida soberana, os bancos nacionais emprestaram 3,6 mil milhões de euros às finanças públicas, de acordo com os dados publicados ontem pelo Banco de Portugal.

sugestão para esta noite

Matéria O (Work in Progress) é um trabalho performativo que resulta da conclusão da Oficina de Dança realizada no Imaginário nos meses de Abril, Maio e Junho 2010 com a orientação de André Russo.


Interpretação: Ana Arimateia, André Russo, Filipa Vieira, Maria Pires e Ricardo Acássio

quinta-feira, 22 de julho de 2010

irmãos gémeos

"O PS é o Partido que em Portugal tem executado consequentemente uma politica mais à direita em Portugal. Não foi o PSD quem conseguiu isso". (Pacheco Pereira in quadratura do círculo SIC notícias 22-7-2010)

Nesta mesma noite Pedro Passos Coelho reconhece que nos últimos dias o PSD "tem levado muita pancada" e que as suas águas ficaram agitadas com a proposta de revisão constitucional. Numa tenativa de encontrar algum mérito onde poucos o vislumbrarão, Pedro Passos Coelho disse que conseguiu diferenciar PS e PSD.
Daqui resulta que qualquer coisa parece admissível face à necessidade quase desesperada de diferenciar o indiferenciavel.

Tudo isto me faz lembrar aqueles jogos em que se propõem dois desenhos iguais e apelando à perspicácia das crianças procuram-se sete diferenças. E por infimas que sejam, sempre se conseguem encontrar.

O rigor do governo do PS…

“Em Conselho de Ministros, o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira fez saber, esta quinta-feira, que a cobrança de portagens nas SCUT não entra em vigor a 1deAgosto.”
Lembram-se de como reagiram o governo e o PS quando outros propuseram a suspensão daquela cobrança?

quarta-feira, 21 de julho de 2010

A SIC destacou hoje este vídeo no Facebook: As Camponesas de Castro Verde

1ª Página do REGISTO 115

Para compreender o tempo em que vivemos

Foto José Manuel Rodrigues

"Este não é mais um tempo sagrado,
nem é passado,
nem presente a-histórico,
mas sim um tempo presente,
um horizonte laico
e tão humano quanto possível.

É um modo de estar no tempo
que implica a crítica contínua de si
a fim de encontrar a melhor resposta para mudar o presente".

Antonio Valleriani, (2009:145) "Al Di Là Dell'occidente"(tradução minha)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Tons da noite

Um amigo mandou um presente a outro amigo. E eu aqui deliciada... a ver e ouvir.  É o que pode acontecer quando se entra numa rede social. Gostei. Quero sublinhar a delicadeza.  Venho então propor-te esta prenda que não sendo minha, podes querer aceitar também. Boa noite!

E se fossem mandar postas de pescada para uma ilha deserta?

Nunca dei muita importância à Constituição. Acho que são palavras que ali estão e que o importante é quem as põe em prática. Tirar isto ou aquilo ou fazer a defesa intransigente do que lá está escrito nunca fizeram o meu género. Mas olhando para as propostas que o PSD quer introduzir na Constituição, retirando coisas tão básicas como as expressões «tendencialmente gratuito» no capítulo da saúde e «sem justa causa» na proibição dos despedimentos, é caso para dizer: estes romanos ensandeceram! (sem menosprezo para os romanos).
No meio da maior crise económica e financeira das últimas décadas (eles é que o dizem) vêm estes nababos com prioridades como estas. Por elas se vê quem são os que as propõem. E se o PS parece estar a chegar ao fim de um ciclo, com os protagonistas da governação socialista já cansados e sem o mínimo de chama (hoje assisti a uma sessão na CCDRA com o ministro da economia e as mais diversas individualidades locais, numa entrega de contratos do QREN para o sector turístico, e tudo aquilo cheirava, de facto, a fim de festa) este PSD é mau de mais para se poder constituir em alternativa. 
Até a velha raposa do Alberto João Jardim, que pode ter muitos defeitos, mas que não é parvo e é entendido nestas coisas de conseguir o apoio popular, já veio a terreiro demarcar-se desta direcção social-democrata e das suas propostas. Quando os navios vão ao fundo (e o do PSD não está melhor do que o do PS) os ratos mais sabidos são os primeiros a saltar borda-fora.

Tendo em vista as circunstâncias…

A situação que se segue aconteceu num voo da British Airways, entre Joanesburgo (África do Sul) e Londres.
Uma mulher (branca), de aproximadamente 50 anos, chegou ao seu lugar em classe económica e viu que estava ao lado de um passageiro negro.
Visivelmente perturbada, chamou a hospedeira de bordo.
-'Algum problema, minha senhora?' – perguntou a hospedeira.
-'Não vê?' – respondeu a senhora – vocês colocaram-me ao lado de um negro. Não posso ficar aqui. Tem de me arranjar outro lugar.'
-'Por favor, acalme-se!' – disse a hospedeira – 'Infelizmente, todos os lugares estão ocupados. Porém, vou ver se ainda temos algum disponível'.
A hospedeira afasta-se e volta alguns minutos depois.
- Senhora, como eu disse, não há nenhum outro lugar livre em classe económica. Falei com o comandante e ele confirmou que temos apenas um lugar em primeira classe'.
E antes que a mulher fizesse algum comentário, a hospedeira continua:
- Veja, não é comum que a nossa companhia permita que um passageiro da classe económica se sente na primeira classe. Porém, tendo em vista as circunstâncias, o comandante pensa que seria escandaloso obrigar um passageiro a viajar ao lado de uma pessoa desagradável'.
E, dirigindo-se ao senhor negro, a comissária prosseguiu:

- Portanto, senhor, caso queira, por favor pegue na sua bagagem de mão, pois reservamos para si um lugar em primeira classe...'

Todos os passageiros que, estupefactos assistiam à cena, começaram a aplaudir, alguns de pé.

"O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons..." Martin Luther King.

Recebido por e-mail.

Também são bons mocinhos, sim senhor. E o bem que cantam!!!


E o Luís Espinho continua a dar cartas! E sempre a destrunfar!

Tipos destes é que são geniais. O resto é treta!

O Pedro Ferro foi dos tipos mais geniais que conheci. A morte veio cedo, provando, mais uma vez, que os deuses escolhem os mais jovens e os mais sábios para os terem a seu lado. Esta noite folheava uma das revistas "Imenso Sul" - a que um grupo alargado de jornalistas alentejanos deu corpo na década de 90 - e reli, maravilhado, mais um belíssimo texto do Pedro a propósito de, na altura, Outubro de 1998, José Saramago ter ganho o Prémio Nobel da Literatura. A coluna trimestral do Pedro chamava-se "Uma Cidade ao Sol". E tem dos momentos mais altos da nossa Literatura. Sempre com as palavras a deixarem escrita na cal das paredes a realidade de todos os dias, qual Artesão do Efémero, como lhe chamou o José Luís Jones na colectânea que editou com textos do Pedro. Mas vamos à crónica:

"Obrigado José
Se o Nobel da Literatura tivesse um critério democrático e rotativo por países, o português galardoado teria sido João Catatau - o das regras de trânsito, salvo erro. Ele é o autor mais vendido e comentado no país com maior índice europeu de mortes na estrada. Sinal de que ler não é sinal de aprender.
Mas a arcaica e elitista academia sueca age por desígnios que só ela sabe e o prémio maior da literatura mundial veio para José Saramago.
Se o mérito primeiro é do autor de "Memorial do Convento", não deixa de ser verdade que a nossa pátria linguística - disseminada por todo o mundo - há muito merecia tal distinção. Não só por Saramago - sem dúvida um dos maiores escritores de sempre - mas por todos os que fazem das palavras ditas na língua de Saramago um ofício, uma estética, uma ferramenta de universalismo e de humanismo. Por todos os que, em português fazendo literatura, praticam o exercício da humanidade militante.
Livre toda a gente é de concordar ou não. Os argumentos é que, por vezes, são obtusos. Discordar da obtenção do Nobel ao escritor por ele ser um "comunista inveterado", como disse o Vaticano, é tão ridículo como achar que ele só não recebeu o galardão há mais anos "por ser comunista" - posição esta o de alguns que só conseguem ver no autor de "História do Cerco de Lisboa" um objecto de agitação e propaganda.
Portugal ufana-se muito legitimamente de ter um Nobel da Literatura. Mas continua a ser um país sem hábitos de leitura.
Exemplo desse horror pelo objecto literário viu-se há pouco na Expo'98. Nas intermináveis filas de espera, nas quais se chegava a estar oito horas, não se via um livro, um livrito sequer - nem que fosse de palavras cruzadas. Ou tão pouco um jornal. O português aguentava estoicamente oito horas de seca, dando sopapos nos putos e ralhando com a mulher por ter teimado em arrastar para a "Expor" o diabo da velha que há muito devia ter sido atirada para um asilo. Mas ler, nada.
Nem que venham aí mais 20 ou 30 Nobel da Literatura isto muda. E não venham dizer que a culpa é da generalização dos suportes informáticos. A malta, lá ter computadores tem - para jogar às cartas e outras entretengas assim. Lá ter acesso à Internet tem - para ler o relatório de um procurador raivoso sobre algumas aventuras sexuais do presidente dos Estados Unidos, por exemplo.
O que espanta num cenário destes não é haver um escritor português a ganhar o Nobel: o que espanta é ainda haver quem se dê ao trabalho de escrever.
Por se dar a esse trabalho. Pelas milhares de belas páginas que nos deu e que nos vai continuar a dar. Pelo Nobel que prestigia as letras portuguesas e projecta o nome de Portugal no mundo. Por tudo isto e por continuar a fazer da literatura um campo de crença no ser incompleto, frágil e perdido que é o Homem, obrigado José.
 Pedro Ferro, "Imenso Sul", nº 16/Outono de 1998"

Que coisa linda!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Uma pranchada por Jean Dubuffet e mais qualquer coisa sobre a coisa política

Dubuffet representa a posição do missionário (que entediou de tal forma Lillith, a primeira mulher de Adão, que a fez pôr-se a milhas do paraíso), neste desenho a tinta-da-china, com inventiva graça.

Também o discurso político, e até o científico (cf. Karl Popper), nos move se propõe hipóteses arriscadas, imaginativas. As opiniões fortes expõem-se à crítica e fazem fermentar a democracia. Não confundir com a habitual pirotecnia demagógica.

Vamos, confessem que já há muito que nenhum dos vossos conhecidos e amigos utiliza o termo pranchada. Acho que deveria ser reabilitado e até dar origem a uma série literária policial-erótica. Vejamos alguns títulos que magnanimamente deixo como sugestão a um qualquer aspirante a escritor que se preze: Uma pranchada em Alqueva (um clássico), Uma pranchada em Roxo (esta é poética…), Uma pranchada em Lucefecit (esta é profunda…).

E ainda, estava quase a esquecer-me, Uma pranchada no deserto (em Évora).

Évora: morta, semi-morta ou moribunda?

Joaquim Bravo

Uma coisa parece óbvia: Évora está num processo de acentuado declínio. Demográfico, económico e social.
Esta será a primeira década, desde o 25 de Abril, que Évora vê a sua população residente regredir, entrando na rampa descendente em que se encontram a maioria dos concelhos alentejanos. Note-se que Évora, devido à sua capacidade de atracção, foi um dos poucos concelhos alentejanos que soube resistir ao retrocesso demográfico que atingiu a nossa região. Agora, com a perda de capacidade de atracção, tudo se esvai.
Évora é hoje uma cidade moribunda, sem rumo nem estratégia, que ignora e arruína as potencialidades endógenas da sua economia e, sobretudo, não valoriza as potencialidades económicas do seu reconhecido Valor Patrimonial.
A ausência de uma política de valorização, preservação e animação do Centro Histórico (um dos principais factores de atracção do concelho) são incontestáveis. Ao invés, tudo parece fazer-se para o arruinar e menosprezar. Começou-se por deslocar o “centro”da Cidade para uma das suas pontas – o Parque Industrial –, sem ter em conta as consequências no tecido antigo nem nas condições de mobilidade e circulação. Agora, anunciam-se e promovem-se “novas centralidades” que “alongarão” a cidade por cerca de 15 Km, entre Santo Antonico (Novo Hospital) e a Herdade da Sousa da Sé (Estação do TGV), sem avaliar as repercussões na economia, na rentabilização dos investimentos, ou no agravamento nas já péssimas condições de transportes e mobilidade.
Évora é hoje uma cidade decadente, com níveis de desemprego acima da média nacional, sobretudo entre os jovens licenciados. E não se vislumbra a mínima aposta nas potencialidades endógenas da região, seja na agricultura, seja nas indústrias agro-pecuárias. Também a aposta nos serviços é ignorada e apresentada como coisa de passado e sem futuro. Tudo parece girar ao redor de um mundo de fantasias e ilusões, onde não faltam condes dráculas e outros figurantes de terceira categoria.
Évora entrou num processo de estagnação e desmotivação donde não vai ser fácil sair. Mas, não sendo fácil é possível. E a primeira coisa a fazer é mudar de protagonistas. Com os actuais só teremos mais estagnação e mais desmotivação.

Anónimo
Julho, 2010 12:12

Vamos lá a saber: está morta ou não está morta? Há meio-morta?

Morta, morta não está (está uma peça de Teatro perto de S. Mamede e na sexta vi um espectáculo de dança no Garcia onde estávamos 20 pessoas) mas está a necessitar de um balão de oxigénio!
Quanto à depressão... sabes que não é para mim pois não tenho tempo para isso, além do mais acredito que esta ainda pode ser uma cidade melhor (caso contrário já teria dado à sola)!
Por falar em melhor... disseram-me que o Presidente tem um projecto para criar uma praia fluvial no Xarama, ali para os lados do Bairro de Almeirim, vejam se conseguem saber se é verdade. Isto seria uma óptima aposta!

Lurdes
19 Julho, 2010 00:44

Já agora: Homenagem à Catalunha

Há 74 anos começava a revolução em Espanha: era a resposta popular à sublevação fascista

São fotos da época. Algumas do próprio dia 19 de Julho de 1936. Depois dos republicanos terem ganho as eleições, militares fascistas, aliados à direita conservadora e à parte mais reaccionária da Igreja, que tinha um peso enorme sobre toda a Espanha, sublevam-se a partir de Marrocos. Nas principais cidades espanholas, os trabalhadores organizados na CNT (anarco-sindicalista), na FAI (anarquista) e na UGT (socialista) dispõem-se para a luta: atacam os quartéis, apossam-se das armas, destituem as estruturas de poder local, que olham para o golpe militar com tibieza, e dão início a um das mais belas páginas de luta, solidariedade e de construção de um "mundo novo, que transportamos nos nossos corações", como escreveu Durruti. 
Sabotada pelo já poderoso império soviético, atacada pelo nascente império alemão, a revolução espanhola foi de Julho de 1936 a Maio de 1937 um momento único, até hoje não repetido, em que apesar de todos os erros e de todas as incongruências se conseguiu dar no terreno um significado real à frase, tantas vezes usada, mas tão pouco concretizada, de que "a emancipação dos trabalhadores é obra dos próprios trabalhadores - ou não o será".

domingo, 18 de julho de 2010

Évora está Morta! (Lurdes: também não exageremos!... Tanta morte anunciada, sem que nada aconteça, pode levar à depressão)

Por imperativo profissional viajo pelo país inteiro e o que tenho assistido causa-me tristeza de cada vez que volto para a minha cidade!
Um pouco por todo o lado, nas grandes cidades ou nas pequenas vilas e aldeias de norte a sul, existem animações durante todo o Verão. Algumas de gosto duvidoso é certo mas existem!
Por cá, nada! Ou quase nada…
Uma peça de teatro na rua de quando em vez e nada mais.
Os visitantes, incapazes de sair durante a tarde devido ao calor abrasador fazem-no à noite… Por essa altura e com todos os espaços fechados e sem actividades culturais nas praças e jardins deambulam pelas ruas sem saberem o que fazer, olhando as montras com ar um pouco entediados, de quando em vez param numa esplanada e regressam aos hotéis desiludidos.É tudo o que lhes resta!
Mas eu sou do tempo em que Évora dava cartas na área cultural…
Évora teve o 1º Festival Jovem do Pais!
O primeiro encontro de Bandas Nacionais (onde actuaram bandas novas como UHF, Rock e Vários e a banda eborense Vitamina Rock)!
O nosso festival de Jazz começou antes do emblemático Festival de Jazz do Seixal (que hoje ainda dá cartas nesta área)!
Criamos as primeiras animações medievais integradas nos Povos e as Artes (festival que decorreu na década de 80)!
Os encontros de Musica Mediterrânea e Europeia nasceram aqui na cidade de Évora!
Ainda na década de 60 (em pleno fascismo) fizemos um dos primeiros festivais de Teatro!
E, claro, antes de Sines, criamos o Viva a Rua!
Fomos pioneiros em grandes acontecimentos culturais e hoje encontramos a cidade despedida de cultura, vazia de gente e de vida!
Hoje, qualquer aldeia é mais animada que a minha cidade e isso entristece-me!

Lurdes
18 Julho, 2010 11:40

Baile Popular


Vejam aqui o que estes senhores andam a fazer...

Dia Internacional Nelson Mandela

O primeiro presidente negro da África do Sul e prémio Nobel da Paz, Nelson Mandela, comemora hoje 92 anos de idade e por todo o mundo assinala-se pela primeira vez o Dia Nelson Mandela, instituído pela ONU.
O Dia Nelson Mandela, o primeiro de sempre dedicado a uma pessoa, foi instituído pela Assembleia-Geral das Nações Unidas em Novembro de 2009 pela "contribuição do ex-presidente sul-africano para a cultura, paz e liberdade".
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, caracterizou Madiba como um "exemplo vivo dos principais valores da humanidade e das Nações Unidas", recordando a sua atitude de perdoar os inimigos para fazer do Mundo um "lugar melhor".
Mandela esteve preso durante 27 anos por causa da sua luta com a discriminação de negros na África do Sul (apartheid) e em 1994 foi eleito Presidente do país, cargo que exerceu até 1999.

sábado, 17 de julho de 2010

Pneus

Um poema do norueguês HANS BØRLI (1918-1989)

ENVELHECER

Envelhecer é um comércio triste,
incurável e solitário
como a alopécia.
E o pior é que
nunca consegues dividir
o cordão umbilical esticado
que te liga à juventude.

De repente podes dar contigo
saltando descalço na relva
e pulando em saltos loucos
sobre as alegres nascentes da juventude,
embora realmente estejas sentado numa pedra
apoiando o queixo numa bengala curva
sentindo a osteoartrite rasgar a
marcha dos pés, velhos e pesados.

(Roubado ao blog poesia&limitada)

Alevanta-te Freud e analisa este píncaro do sublime melodramático. Ou então deixa-te estar deitado que ainda é muito cedo.

Jogo: a reunião de Câmara é a mesma. Veja se encontra semelhanças


Em reunião pública de 14 de Julho
(nota de imprensa da Câmara Municipal de Évora - 16/7/2010)

Câmara de Évora aprovou moção sobre suspensão do reordenamento escolar
A Câmara Municipal de Évora aprovou por unanimidade uma moção apresentada pela Vereadora Cláudia Sousa Pereira no seguimento da recente aprovação na Assembleia da República da suspensão do reordenamento escolar previsto. Neste âmbito, a autarquia eborense propõe que “qualquer intenção de encerramento de escolas ou alteração de funcionamento das mesmas deve ser precedido de discussão com a Câmara Municipal de Évora, a Junta de Freguesia, representantes de pais e encarregados de educação e demais comunidade escolar em causa, sendo obrigatório a emissão de parecer pelas mesmas”. Decidiu igualmente que “quando seja deliberado pelo Ministério de Educação o encerramento de alguma escola, os encarregados de educação possam optar entre matricular os alunos em escolas de uma outra freguesia mais próxima, não necessariamente do mesmo Agrupamento, ou em Centro Escolar do Agrupamento a que pertencem, sendo-lhes dadas as mesmas condições no que diz respeito a transportes, alimentação e condições de usufruir da escola a tempo inteiro”. Especificou também que “sejam tidas em consideração nestas decisões duas condicionantes, uma de índole pedagógica, outra de preocupação com as freguesias rurais e o seu eventual despovoamento, sendo que o encerramento de escolas deve ser considerado do lado das consequências para a formação das crianças na actual sociedade em que crescem e devem ser integradas, mas também do lado da causa do despovoamento do território que é cada vez mais uma ameaça para estas populações”. No que diz respeito a preocupações com a qualidade do ensino/aprendizagem, para a qual contribui o factor de contacto com outras realidades promovida pela melhor socialização dos alunos em escolas com maior número e diversidade de origens de alunos, deverá ter-se em conta que “havendo apenas um limite fixado em número de alunos por escola e num máximo de dois níveis de escolaridade por sala, seja negociado como principal factor a considerar neste campo o número de alunos por ano de escolaridade, devendo este ser fixado num mínimo de três alunos por nível de sala” e também que “a escola para a qual serão encaminhados os alunos das escolas a encerrar deverá ser sempre uma escola que tenha melhores condições no que diz respeito a infra-estruturas como cantina, biblioteca e equipamentos informáticos de que usufruíam na escola a encerrar”. A Câmara considerou ainda que, no que diz respeito ao contributo que a existência de uma escola numa freguesia rural traz no combate à desertificação, motivo de preocupação de uma política municipal atenta, “importa chamar a atenção para a necessidade de sensibilização dos habitantes das zonas rurais no sentido de matricular as crianças na escola da freguesia e que à Junta de Freguesia cumpra também promover essas acções de sensibilização juntamente com a comunidade educativa local”.

Felicitado Grupo Desportivo Diana pela conquista da Taça de Portugal em Xadrez
Foi aprovado por unanimidade um voto de felicitação, proposto pelo Vereador Manuel Melgão, ao Grupo Desportivo Diana que venceu a Taça de Portugal em Xadrez, época 2009/2010, cuja Final Four se disputou no passado dia 10, na cidade da Gaia. Perante a precária situação financeira que o clube atravessa, o Vereador afirmou que a Câmara está atenta e procurará ajudar na medida do possível, apesar reconhecer que o modelo de funcionamento terá de ser reformulado e que há um conjunto de apoios que não passam só pela autarquia.

Voto de pesar pelo falecimento de Matilde Rosa Araújo
Um voto de pesar pela morte da escritora Matilde Rosa Araújo, apresentado pela Vereadora Cláudia Sousa Pereira, obteve aprovação unânime. Este voto, além de salientar em traços gerais os principais pontos do percurso profissional e literário desta autora, sublinha também que Matilde Rosa Araújo “não apenas dedicou a sua vida literária ao público infantil e juvenil, tornando-se uma autora de excelência reconhecida nacional e internacionalmente, como exerceu civicamente um papel fundamental na defesa dos direitos das crianças”, tendo sido professora e sócia fundadora do Comité Português da UNICEF e do Instituto de Apoio à Criança e “escrevendo inúmeras vezes sobre a importância da infância na criação literária para adultos e sobre o papel da literatura infanto-juvenil na formação dos mais novos”.

Financiamento para concretizar escolas e parque aeronáutico
Foi aprovada por unanimidade a autorização para consulta de seis entidades bancárias com vista à contracção de um empréstimo de longo prazo no montante de dois milhões e oitocentos e trinta e um mil euros para o financiamento da construção das escolas EB/JI dos Canaviais e Bacelo e Loteamento do Parque da Indústria Aeronáutica de Évora. A contracção deste empréstimo de longo prazo ao abrigo dos artigos 38º e 39º, nº 6 da Lei 2/2007 de 15 de Janeiro (LFL) enquadra-se na comunicação recebida do Secretário de Estado Adjunto e do Orçamento em que foi autorizado o “excepcionamento de 2,831 milhões de euros para os projectos: Dois centros escolares e loteamento do Parque da Indústria Aeronáutica de Évora”. Além destes pontos, foram ainda aprovados diversos outros referentes ao avanço na concretização de projectos de obras particulares e também à concessão de apoios a um conjunto de instituições que realizam trabalho de natureza cultural, educativa, social e desportiva.

Reunião Pública de Câmara de 14 de Julho de 2010
(Nota de Imprensa dos Vereadores da CDU)

Aprovada autorização para a consulta a entidades bancárias para a contracção de empréstimo bancário.
Foi presente à última reunião de Câmara uma proposta de autorização para a consulta a entidades bancárias para a contracção de um empréstimo no valor de 2,831 milhões de euros. Este pedido de empréstimo de longo prazo tem a “autorização de excepcionamento” do Ministério das Finanças para os projectos das escolas dos Canaviais e Bacelo e do Parque da Indústria Aeronáutica. Os vereadores da CDU votaram favoravelmente esta autorização, na expectativa de que tal empréstimo permita libertar os fundos comunitários relativos a estes projectos, dando ao município algum desafogo financeiro que permita solver dívidas com freguesias, agentes culturais, desportivos e sociais e fornecedores de bens e serviços.

Acrópole XXI
Em período antes da ordem do dia, a Vereadora do Pelouro fez o ponto da situação sobre a intervenção em espaço público integrada no projecto Acrópole XXI. Foi a Câmara informada da existência de uma “apreciação informal” da Direcção Regional da Cultura do Alentejo que põe em causa a essência do projecto ganhador do concurso público. Informou ainda a Vereadora do Pelouro que perante tal apreciação o projectista teria abandonado o projecto, restando à autarquia desenvolver pelos seus próprios meios um outro projecto de intervenção no espaço da Acrópole de Évora. Informou ainda que aguarda a autarquia a entrega por parte da Direcção Regional de Cultura do Alentejo de um “parecer formal”, para poder decidir que caminho tomar quanto a este assunto. Lembram os vereadores da CDU que é incompreensível que após dois anos de trabalho, várias aprovações de relatórios de mérito do júri, trabalho de consensualização realizado entre a equipa projectista, júri do concurso e direcção nacional do IGESPAR se chegue agora ao ponto de partida. Lembram os vereadores da CDU que em Abril deste ano foi realizada uma reunião de trabalho entre os eleitos, a equipa projectista e elementos do júri onde ficou decidido que seria apresentada em reunião pública de câmara um último relatório de mérito do júri com as condicionantes que fossem entendidas. Aguardam os vereadores da CDU que esta situação seja cabalmente esclarecida, vincando a sua preocupação com as consequências que o abandono por parte da Município do projecto Acrópole XXI terá, ao nível da perda milhões de euros do QREN.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Ooolé!

A viagem


A pedra de toque de uma sociedade que se pretende democrática é a transparência. Sem ela nada funciona, ou melhor, tudo aparentemente funciona, o que é pior do que não funcionar.
Ocorre-me aquela pergunta de algibeira: O que será preferível; um relógio parado? Ou um relógio que atrasa apenas um minuto por hora?
A razão leva-nos a dizer que o relógio parado é preferível, já que pelo menos dá horas certas duas vezes ao dia. A experiencia diz-nos que optamos quase sempre pelo relógio que atrasa…
O executivo camarário optou pela segunda hipótese, e tendo consciência do inexorável atraso que a sua escolha implica, prescindiu da transparência, escolheu o caminho fácil de guardar o relógio num gabinete e escamotear o destempo que se acumula, hora a hora dia a dia. Convenceu-se que ocultando a verdade, ela não se manifesta.
A melhor maneira de conseguir ocultar algo, é sugerir os seus contornos, impor uma visão do acessório, pôr à frente dos olhos que contemplam, a árvore, para tapar a floresta.
É isso que tem sido feito. A educação, o património, o ambiente, o turismo, o emprego, as acessibilidades, os transportes, o desporto, enfim em todas as áreas em que a autarquia tem de intervir, foram sendo anunciados projectos em cascata, que inexoravelmente falharam e cujo falhanço implicou um maior atraso, um retrocesso dificilmente transponível.
Mas este retrocesso paga-se, e, os seus custos estão à vista de todos; Évora não funciona!
Fala-se da Acrópole XXI, poder-se-ia falar dos horários do comércio no Centro Histórico, da degradação dos seus edifícios, da inaptidão dos agentes da PSP em expressarem-se noutra língua que não a nossa, no lixo acantonado, na sinalização deficiente…
São exemplos que reflectem apenas a ponta do iceberg, o que está emerso. Criou-se um monstro, filho da falta de estratégia para este concelho. É que para haver estratégia, é necessário o debate e para haver debate tem de existir transparência, as pessoas tem de saber o que está em jogo.
Há aqui uma evidente patologia, uma esquizofrenia no ar, cortou-se com a realidade e comunica-se através do delírio, um delírio de excelência, mas apesar de tudo um delírio.
Não me referi ao Museu do Artesanato, nem à qualidade da água, nem ao dinheiro desperdiçado a trouxe mouxe, enquanto as nossas crianças não têm funcionários nas escolas, nem me referi às associações culturais e desportivas, nem aos idosos, nem ao Parque Desportivo, nem à requalificação do Rossio de S. Braz, nem à Cruz da Picada, nem… nem… nem é preciso, porque só os cegos, ou os loucos não vêem.

MS
16 Julho, 2010 11:14

Até onde irá a Justiça?

Tendo em conta mais estes dois casos – Isaltino Morais, ainda presidente da Câmara de Oeiras, e João Nabais, ex-presidente da Câmara de Alandroal -, pergunta: Até onde irá a Justiça? Será cega, como deve ser por princípio, ou vesga, vendo bem apenas um dos lados?

Quando a Feira do Livro se realizava na Praça do Giraldo


quinta-feira, 15 de julho de 2010

Se é assim as coisas ainda são mais complexas do que pareciam


O Arquitecto não abandonou o projecto.
Foi solicitado pela câmara que o projecto parasse.
O arquitecto quer continuar, e solicita pareceres formais às entidades competentes.

Assinado: A equipa de projecto nrl
15 Julho, 2010 18:45

Arquitecto retira projecto da Acrópole XXI

O acincotons soube, de fonte segura, que o projecto de remodelação de toda a zona do Templo Romano, integrado no chamado projecto Acrópole XXI, foi retirado pelo seu autor, o arquitecto Nuno Lopes, por considerar que o mesmo estava descaracterizado depois de todas as alterações que, ao longo dos meses, lhe foram introduzidas. Sabe o acincotons também que o presidente da Câmara, José Ernesto Oliveira terá dito que a retirada deste projecto não põe em causa a Acrópole XXI, já que em breve estará disponível um novo projecto, este da responsabilidade da própria autarquia, o que permitirá a sua concretização. Só falta sabe se os prazos a cumprir consentirão mais este "imbróglio".